Quase 400 parlamentares e candidatos americanos, inclusive o senador republicano John McCain, receberam cerca de US$ 11 milhões (R$ 18,8 milhões) desde 2004 para manter seu apoio ao embargo econômico a Cuba, segundo relatório da organização Public Campaign. A informação foi publicada nesta terça (17) pelo jornal espanhol El País.
Segundo a Public Campaing, o dinheiro vem de "mecenas" contrários a qualquer abertura em relação a Cuba.
A ilha comunista sofre um embargo econômico por parte dos Estados Unidos desde os anos 60, quando representava uma ameaça aos americanos, já que o país comandado por Fidel Castro dava apoio à extinta União Soviética.
Com o fim da Guerra Fria (que dividia o mundo entre aliados aos americanos capitalistas e aos soviéticos comunistas), o embargo é considerado desnecessário e o fim das sanções dos EUA é uma das principais reivindicações dos países latino-americanos, inclusive do Brasil.
Grupo pede manutenção do embargo em carta no Congresso
Segundo o relatório da Public Campaign, 53 destes parlamentares enviaram recentemente à presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, uma carta se opondo a qualquer mudança em relação à ilha do Caribe. Assim que assumiu o governo, o presidente Barack Obama mostrou alguma disposição em rever a posição americana em relação ao regime cubano.
Segundo uma pesquisa recente do instituto World Public Opinion, cerca de 70% dos americanos querem que a Casa Branca acabe com a medida que proíbe que cidadãos americanos visitem a ilha.
A Public Campaing dá nome a parlamentares que recebem dinheiro dos "mecenas", mas não identifica quem faz lobby aos deputados e senadores.
Segundo analistas independentes, o embargo americano a Cuba só se mantém por razões econômicas, sobretudo do setor agrícola americano. Segundo o El País, os agricultores ganham até US$ 1 bilhão por ano (R$ 1,7 bilhão), vendendo seus produtos a programas de ajuda humanitária destinados à ilha. O fim do embargo poderia significar o fim de tais programas.