Um grupo de engenheiros da Califórnia (EUA) se inspirou numa tecnologia que já era usada na Segunda Guerra Mundial para criar um carro movido a lixo. Com uma série de componentes eletrônicos e computadores, eles estão construindo o que pode ser considerado com o automóvel do futuro. O nome da tecnologia é gaseificação.

Um forno colocado na mala do carro queima o lixo e extrai dele o máximo possível de vapor. O gás percorre os tubos e quando chega ao carburador tem o mesmo efeito da gasolina ou de qualquer outro combustível. 

Com a ajuda de um maçarico, o gasificador é acesso e o combustível, que na verdade é lixo, é colocado. Depois de algumas tentativas, o carro ganha movimento.

Além de aproveitar o que aparentemente não servia para nada, o carro movido a lixo ajuda a combater o efeito estufa. O que sobra depois da queima do combustível é carbono em estado sólido. De acordo com pesquisas científicas, um ótimo fertilizante.

"Esse carvão, chamado de terra preta, é muito rico em nutrientes", explica Tom Price, um dos coordenadores do projeto. "Continuamos obtendo energia, mas ela é limpa e renovável, ajudando a melhorar as condições climáticas", completou.

Apesar de ainda ser um experimento complicado, os inventores prometem que em breve vai ser tudo muito mais compacto e fácil de usar.

Lixo transformado em energia elétrica

Quando as luzes se acendem, no fim da tarde, os moradores de Fairfax, no estado americano da Virginia, estão, de certa forma, contribuindo com a limpeza das ruas. Em Fairfax não existe lixão nem aterro sanitário. Mas tem fila de caminhões. O lixo de um milhão de pessoas vai todo para uma usina. 

Cerca de 15 mil toneladas de lixo são jogados na esteira e abastecem os incineradores. Restos de comida, eletrônicos, plástico, tudo que não presta queima a mais de 1000ºC. O fogo aquece as caldeiras, que geram vapor e movimentam as turbinas.

A energia é suficiente para abastecer 80 mil casas, 20% da população. Energia limpa, porque os gases tóxicos que sobram depois da queima do lixo são filtrados, e só uma quantidade mínima sai pela chaminé.

De acordo com os técnicos, 10% do lixo que entra na usina saem em forma de cinzas e vão para um aterro. Ainda assim, o diretor de sustentabilidade, Paul Gilman, diz que a usina de lixo polui muito menos que as termoelétricas que usam gás ou carvão.

"No futuro reciclaremos muito mais", ele disse. "E se aproveitarmos tudo que sobra, quatro ou cinco por cento da energia do país poderão ser produzidos a partir de lixo", finalizou.

A meta do governo para 2030 é que esta seja a fonte de 20% do combustível dos automóveis.