A septicemia, também conhecida como sepse, é uma inflamação difusa do organismo desencadeada por uma infecção. É a causa de 17% das internações em UTI no Brasil, segundo pesquisa realizada pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Estatísticas dão conta de que 57% dos casos foram decorrentes de infecção pulmonar, adverte o dr. José Eduardo Delfini Cançado, presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT).

 

Ter uma infecção, não consultar um médico e erroneamente optar pela auto-medicação são atitudes que interferem de forma perigosa no progresso da doença. Segundo o dr. Pedro Caruso, diretor da Comissão de Terapia Intensiva da SPPT, “se a pessoa vai ao médico ainda no início, talvez precise apenas de um antibiótico na forma de comprimido. Mas o fato de adiar a consulta faz com que a enfermidade muitas vezes atinja um estágio avançado, criando até a necessidade de internação em UTI.

 

Se caracterizado o quadro de sepse, a velocidade e o acerto do tratamento inicial da infecção são essenciais para reduzir o risco da inflamação generalizada.

 

“Quando o paciente tem uma infecção, o antibiótico correto ministrado rapidamente diminui as chances de ocorrer a sepse”, alerta o dr. Pedro Caruso.

 

Uma série de fatores favorece o surgimento de uma sepse, como idade avançada, doenças crônicas (diabetes, pressão alta, etc.), características genéticas e ingestão frequente de bebidas alcoólicas. Outro facilitador é a permanência em ambientes fechados, nos quais a exposição a doenças é maior, a exemplo de casas de repouso, creches e hospitais.

 

Esses fatores interferem também na evolução da sepse. Um quadro mais leve traz febre, batimento cardíaco acelerado, confusão mental e respiração muito rápida. Já a sepse grave provoca a diminuição da pressão. Ainda assim, o médico ainda tem a possibilidade de reverter o quadro clínico a partir de medicamentos. O quadro muito grave, ou choque séptico, leva a pressão a um nível tão baixo que interfere no funcionamento de diversos órgãos.

 

A disfunção de órgãos é comum e este estágio pode ser alcançado poucas horas após o início da infecção. A mortalidade acaba sendo alta. De dez pacientes que se encontram com três órgãos em disfunção, oito morrem, afirma o dr. Pedro Caruso.