O longa-metragem “Mulheres do Brasil” inaugurou, na noite da última quinta-feira (19), as sessões de cinema no auditório da Escola Superior da Magistratura de Alagoas (Esmal). O evento, que contou com a presença da diretora do filme, cineasta Malu de Martino, foi parte das comemorações do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) alusivas ao Dia Internacional da Mulher.

Para a desembargadora Elisabeth Carvalho Nascimento, presidente do TJ/AL, o filme “Mulheres do Brasil” dispensa maiores comentários, pois conta com riqueza de detalhes e imagens a essência da alma guerreira das mulheres brasileiras. “O filme foi escolhido especialmente para homenagear as mulheres. É bom ter homens aqui presentes para assistir essa obra maravilhosa que narra com maestria histórias de brasileiras de diversas regiões do país”, explicou.

Desembargadores, magistrados, servidores do Poder Judiciário e convidados participaram da sessão de cinema e depois puderam debater com a cineasta Malu de Martino, que compartilhou algumas experiências que marcaram as gravações do longa em Maceió e salientou a importância de dirigir um filme que fala essencialmente de mulheres.

“Esse espaço que a Esmal está disponibilizando para o cinema brasileiro é muito importante para o incentivo da cultura popular. Espero que essa iniciativa pioneira se prolongue com a exibição de outros filmes e com a possibilidade de se debater assuntos de relevância para toda a sociedade”, afirmou a cineasta.

O ator alagoano Sílvio Sarmento, que integra o elenco de atores do filme “Mulheres do Brasil” também falou sobre a experiência de atuar pela primeira vez em um longa-metragem e sobre a repercussão de um filme desta categoria em todo o país. “Para mim foi uma experiência maravilhosa e ao mesmo tempo difícil, pois nunca havia atuado com a linguagem do cinema. Mas todos ficamos muito felizes com o resultado e com as críticas positivas que o filme obteve em todo o Brasil”, explicou. Sarmento ainda destacou que “eventos que destaquem a cultura popular e a história do povo brasileiro devem ser incentivados sempre”.

O papel das mulheres no cinema nacional

Questionada sobre eventuais dificuldades que as diretoras enfrentam na indústria cinematográfica brasileira, Malu de Martino foi enfática ao afirmar que atualmente “o número de mulheres dirigindo filmes no Brasil aumentou bastante, mas eu nunca me senti preterida por ser mulher. O diretor de um longa-metragem é um condutor, que coordena toda a equipe para que tudo seja finalizado como no roteiro, e essas atividades de administração e coordenação são muito bem exercidas pelas mulheres”.

Quando escolheu Maceió para ilustrar as cenas de uma das histórias narradas no filme, Malu de Martino estava demonstrando seu encantamento pessoal com as belezas naturais da capital alagoana e com a receptividade dos maceioenses. “No cinema, a maior parte dos filmes retratam o nordeste com um local de seca e pobreza e eu queria mostrar lugares e paisagens diferentes. A idéia principal era mostrar duas realidades distintas: a das artesãs do Pontal da Barra e a da classe média alta que reside na Ponta Verde, provando que aqui não é lugar apenas de pobreza”, destacou.

“A receptividade do povo alagoano sempre me impressiona e eu confesso ser uma apaixonada pelas belezas de Maceió. Alguns atores até participaram de cursos de prosódia, para adquirir um pouco mais do sotaque local, mas eles aprenderam mesmo na prática, durante os dias que conviveram diariamente com a população local”, ressaltou Malu de Martino.