O Palácio do Planalto deixa de abrigar a estrutura da Presidência da República nesta semana depois de quase 49 anos sediando o Poder Executivo. O escritório dos presidentes, inaugurado em abril de 1960 por Juscelino Kubitschek na transferência da capital do Rio de Janeiro para Brasília, passará por uma reforma completa, que vai restaurar o projeto original do arquiteto Oscar Niemeyer.

Em mais de 48 anos de uso, o prédio nunca passou por uma reforma completa –apenas foi sendo adequado para abrigar uma administração federal cada vez maior. Hoje, além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o prédio abriga os gabinetes dos ministros das Relações Institucionais, José Múcio, a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Félix, o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci.

Todos têm grandes estruturas, que serão alojadas entre o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), de onde Lula despachará, o prédio anexo ao Palácio do Planalto, o prédio anexo do Palácio do Itamaraty e o Palácio do Buriti, ex-sede administrativa do governo do Distrito Federal.


No CCBB, ficam Lula, Dilma, Dulci e Martins. Múcio ficará no anexo do Palácio do Itamaraty, conhecido como “bolo de noiva”, por ter formato arredondado. O ministro preferiu o local por ficar mais próximo do Congresso Nacional.

Ao longo dos anos, espaços do Palácio do Planalto que eram vãos livres no projeto original foram ocupados por divisórias e gabinetes. Além disso, depois de mais de 48 anos de uso, o Palácio apresenta problemas estruturais, como infiltrações, vazamentos de gás nas copas, e adaptações precárias na rede elétrica.

A restauração do projeto original do arquiteto Oscar Niemeyer deve custar R$ 103,2 milhões, segundo o edital de licitação lançado pelo Exército na semana passada. O objetivo é trazer Lula e sua equipe de volta para o Palácio do Planalto até 21 de abril do ano que vem, quando se comemora o cinquentenário de Brasília.

O Exército já está tocando parte da obra de reforma, desmontando as divisórias dos andares já desocupados e retirando os móveis que não foram junto com os ocupantes das salas. O objetivo é adiantar etapas que a empreiteira teria que assumir quando for contratada.

O presidente queria iniciar a reforma do Palácio do Planalto ainda no ano passado. A previsão inicial era que a empresa para reforma fosse contratada no segundo semestre de 2008, mas houve atraso na apresentação do projeto elabora pelo escritório de Niemeyer e problemas com a licitação.

Na semana passada, o governo lançou o segundo edital para contratação da empreiteira que vai fazer a obra. No primeiro, lançado pela Secretaria de Administração da Casa Civil foram encontrados problemas técnicos.

Por conta da demora, o governo achou melhor colocar o Exército como gestor da obra, já que os militares poderiam adiantar algumas fases da reforma. O atraso na licitação também aumentou o valor da obra, que inicialmente estava estimado em R$ 88 milhões.

Além da reforma do Palácio, o estacionamento também passará por mudanças e abrigará mais carros. Haverá um pavimento subterrâneo extra, que hoje não existe.