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Alagoas, 18 de março de 2010

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23/09/2009 10:28

Massa fílmica

Sobre o cinema de Seijun Suzuki

Por Ranieri Brandão

O cinema do japonês Seijun Suzuki é aquele repleto de cores e de movimentos. Antes de qualquer circularidade de roteiro ou de encontros entre as figuras que o habitam, Suzuki prefere transformar tudo o que há dentro dos seus filmes no puro deleite e delírio de encenar.

Encenar e principalmente colocar em cena. A interação dos personagens de Tóquio Violenta (1966) com os cenários é tão extrema que, em diversos momentos, teremos o supra-sumo do cinema de Suzuki: a ocorrência da arte de dirigir acima de todas as outras coisas. Não saberemos mais o que é cenário, o que são as cores e o que são os atores. É tudo uma coisa só, massa fílmica.

Uma massa, realmente. O que acontece em A Juventude da Besta (1963) é uma abstração total. A perseguição e as trocas de lado do protagonista não importarão tanto quanto a mistura entre os elementos visíveis. A narrativa, o roteiro, é coisa de segundo plano. A direção é tudo.

Se a direção é tudo, só nos resta apreciar e tentar não se embriagar com as cores, com os atores que fazem parte do cenário e com as coreografias dos personagens - porque embriagar-se, vendo estes filmes, é possível. Em alguns momentos de seus filmes mais famosos, não há como não se sentir perdido, inebriado. Mas em Suzuki, o deslumbre e o segredo de seu cinema é tudo isto.

Abaixo, o trailer com a bela música de Tóquio Violenta.

 

 

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1 comentário

  • Ana Clara Martins em 23/09/2009 às 18:09

    Apesar de não conhecer o cinema desse diretor, quase que imagino o que você trouxe nesse texto... Então a pessoa pode ela mesma se confundir com o cenário, com os atores, com as cores... Daí esse 'cuidado' de não se embriagar nessa massa fílmica, né? O que talvez seja uma boa embriaguez.

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