16/11/2009 08:01
Em 1981, quando ainda se discutia a redemocratização do País e eleições diretas para presidente da República, reuniram-se em Maceió os caciques nacionais da oposição:
Ulisses Guimarães, Teotônio Vilela, Tancredo Neves, Pedro Simon, Paulo Brossard, Fernando Henrique Cardoso, Franco Montoro, Orestes Quércia e Dante de Oliveira – que mais tarde ficou conhecido pela emenda propondo eleições diretas.
O encontro foi na casa do velho Teotônio, no Farol; o tema era a nuvem golpista que a oposição detectou no ar tramando contra a eleição direta para presidente da República e governadores – que até então eram nomeados.
À noite, quando os visitantes tinham embarcado de volta para seus Estados de origem, o senador Teotônio Vilela veio até a sede da Tribuna de Alagoas, na Rua João Pessoa, como costumava fazer quando estava em Maceió.
Na sala do diretor Noaldo Dantas, em torno da mesa redonda – literalmente – o senador Teotônio conversou sobre a nuvem golpista. Além do Noaldo, estavam presentes os jornalistas Denis Agra e Cláudio Humberto Rosa e Silva.
O Cláudio Humberto, já naquela época, vislumbrava a candidatura de um alagoano à presidência da República e sugeriu isto ao velho Teotônio. Nunca esqueci essa passagem do Cláudio Humberto propondo:
- Senador, por que o senhor não se candidata a presidente da República?
E o senador Teotônio, depois de dar aquela gargalhada característica e cofiar o bigode, respondeu:
- Meu filho, para eu ser candidato a presidente da República primeiro terei de derrotar o Tancredo (Neves).
Caros internautas, quem é mais interessante: a vida ou a história que a gente faz?
Pois não é que hoje, 28 anos depois, o neto de Tancredo Neves vem pedir apoio ao filho do senador Teotônio Vilela para ser candidato a presidente da República!
Minas Gerais se levanta em Alagoas e o governador Aécio Neves é candidato à sucessão do presidente Lula. Confesso que é melhor que José Serra – que representa o PSDB da Avenida Paulista.
A candidatura de Aécio racha o PSDB e transforma o presidente Lula em carrasco e vítima do mecanismo que alimentou, ou seja, o racha entre os tucanos.
Não sei se será um grande president, mas, com certeza Aécio é melhor que Dilma, Serra e Marina e...
14/11/2009 09:57
A República não foi proclamada no dia 15, como nos ensinam e comemoram, mas na tarde do dia 16, quando, finalmente, o marechal Deodoro se convenceu em derrubar a Monarquia.
No dia 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro se rebelou contra o Ministério de Pedro II e saiu às ruas para destituí-lo e prender o visconde de Ouro Preto. Mas, não era para destituir o imperador e muito menos acabar com a Monarquia.
Uma semana antes, no dia 7 de novembro, Deodoro emitiu a famosa ordem-do-dia instruindo os comandantes militares a reagirem contra o ideal republicano em defesa da Monarquia.
Foi Deodoro quem primeiro pronunciou a frase – que hoje todos usam: ruim com ela (Monarquia), pior sem ela.
A reação de Deodoro contra Ouro Preto deveu-se ao boato de que o visconde tramava a reorganização da Guarda Nacional e a dissolução do Exército, com o fortalecimento da Armada Naval.
No dia 15, pela manhã, Quintino Bocaiúva e Benjamin Constant foram buscá-lo em casa; Deodoro vestiu a farda e, diante da tropa, pronunciou a frase de praxe – que era a saudação entre os militares:
- Viva o Imperador!
E os militares responderam:
- Para sempre viva!
Dito isso, foi até onde Ouro Preto estava reunido e o prendeu com esta frase:
- O senhor está preso por atentar contra o Exército, querendo destruí-lo. Nos campos de batalha do Paraguai eu sacrifiquei a minha vida em defesa da Pátria!
E Ouro Preto respondeu:
- Sacrifício maior faço eu em ouvi-lo.
Deodoro se recolheu após a destituição do Ministério e a prisão de Ouro Preto, e se recusava a declarar o fim da Monarquia; para ele, o que deveria ser mudado era apenas o Ministério, mas Pedro II deveria ser mantido no poder.
Isso durou até a tarde do dia 16, quando Deodoro foi informado de que Pedro II tinha convidado Silveira Martins para organizar o novo Ministério – com ele, Silveira, na chefia.
Quem era Silveira Martins?
Era um político gaúcho que transitava livremente entre as diferentes facções políticas; era rotulado de Liberal e mulherengo. Aliás, Deodoro se desentendeu com ele exatamente por causa de uma mulher.
Ao ser nomeado presidente da Província do Rio Grande do Sul, o marechal Deodoro se apaixonou pela Baronesa do Triunfo - que era uma gaúcha daquelas de parar o trânsito. Silveira Martins também estava apaixonado pela Baronesa e levou a melhor.
Numa cavalgada pelas terras da Baronesa, Silveira Martins caiu do cavalo e torceu o pé; ele ficou internado na casa da Baronesa até se recuperar e, depois disso, os dois estavam namorando. Sentindo-se preterido, Deodoro não perdoou Silveira Martins.
E, só assim, ao lembrar a dor-de-cotovelo, o marechal Deodoro decidiu por fim a Monarquia, pois não iria permitir o desafeto chefiando o Ministério de Pedro II.
Pedro II manteve a opção por Silveira Martins e perdeu o trono, mas, dizem que o imperador morreu sem saber o motivo do ódio de Deodoro pelo político gaúcho.
Mas, caros internautas, até hoje, 120 anos depois, a Monarquia ainda está presente na República brasileira. Por exemplo: as cores verde e amarela da Bandeira do Brasil não representam as nossas riquezas e as nossas matas, como nos ensinam; o verde e o amarelo da Bandeira do Brasil representam a união da Casa de Áustria com a Casa de Bragança – que nos deu a Princesa Leopoldina.
13/11/2009 14:25
É verdade que a polícia às vezes se excede e por conta desses excessos surgiu a necessidade de se preservar os Direitos Humanos.
Também é verdade que o sistema prisional brasileiro é escola de pós-graduação e doutorado em crimes; que não recupera ninguém, pelo contrário.
O exemplo emblemático é o bandido paulista Marcola, que era simples descuidista na Praça da Sé e se transformou em chefe de bando capaz de parar São Paulo.
Mas, uma coisa é o excesso da polícia contra o réu primário; contra o praticante de crimes banais ou de pouca monta, como se diz; outra coisa é o bandido reincidente; o bandido contumaz; o bandido que não hesita em matar.
Pus-me no lugar do companheiro Laércio Silva e da esposa dele, dona Zoraide, para entender até onde vai a dor pela perda do Anderson Silva.
Dona Zoraide era chefe do Departamento de Pessoal da Gazeta, depois foi para a Delegacia Regional do Trabalho na condição de inspetora concursada. Com o Laércio trabalhei no Departamento de Jornalismo da Rádio Gazeta e na Gazeta – ele como repórter da Editoria de Esportes.
Lembro-me de quando o Anderson, garoto na escolinha, ia até a sede antiga da Gazeta, na Rua do Comércio. Só não imaginava que aquela criança que o Laércio ia pegar na escola era este homem que morreu no cumprimento do dever de policial; que honrou a instituição e engrandeceu a Polícia Civil.
Vi, hoje, uma família sem direito a Direitos Humanos vitimada por humanos que não andam direito.
Meus pêsames ao Laércio e a dona Zoraide – que, agora, só têm o direito de chorar a perda do filho.
Polícia prende presidente do Sindicato dos Táxis-Lotação, envolvido com assaltantes que mataram policial
A Polícia Civil prendeu na manhã desta sexta-feira o presidente do Sindicato dos Táxis-Lotação José Adriano de Freitas, apontado como um dos integrantes da equipe de apoio aos assaltantes que atacaram a agência da Caixa Econõmica Federal, na quinta-feira.
Na tentativa de assalto, que foi frustrado graças a ação do policial civil Anderson Lima, dois morreram - o policial e o segurança Aldersando Pereira, da agência da CEF, na Rua João Pessoa, no centro.
Estão presos oito pessoas, entre elas uma mulher. A polícia também localizou o táxi que deu apoio à ação dos assaltantes e que seria usado para a fuga.
Estão presos: Lilian kelly Aves de Lima, Cícero Alves de lLma Junior, o presidente do Sindicato dos Táxis-Lotação, Jose Adriano de Freitas Oliveira Alexandre dos Santos Leandro, Flavio Gomes dos Santos, Wilson Ribeiro dos Santos, Flavio Henrique Rodrigues da Rocha e Thiago Francisco da Silva.
PS - Minhas solidaiedades ao companheiro Laércio Silva e a dona Zoraide, pais do policial Anderson Silva.
13/11/2009 09:43
O policial civil Anderson Silva, que estava no caixa eletrônico na agência da Caixa Econômica durante a tentativa de assalto, viu um policial militar se aproximando e o chamou para ajudá-lo a enfrentar os assaltantes.
- Sou policial civil. Vamos enfrentar esses caras.
- Vamos lá!
O policial civil seguiu na frente e foi atingido com um tiro na cabeça pelo falso PM – que era um dos assaltantes.
Na tentativa de assalto a agência da Caixa, na Rua João Pessoa, tem alguns pontos nebulosos:
Ninguém se aventura a uma ação arriscada, sem a colaboração interna. A localização da agência, a dificuldade de fuga devido à aglomeração de pessoas e ao trânsito intenso, são obstáculos que o assaltante não ousa enfrentar – exceto se tiver a cobertura de alguém.
E, tudo indica que tinham sim; alguém dentro da agência bancária é cúmplice do bando – e esse cúmplice matou o vigilante, exatamente para não ser descoberto.
Outro ponto é a facilidade como se consegue fardas militares.
Mais um ponto nebuloso é que, de ordinário, no ano pré-eleitoral os assaltos a agências bancárias se tornam freqüentes.
Finalmente, o ponto nebuloso mais intrigante: tem alguém sacolejando a cadeira do secretário Paulo Rubim.
13/11/2009 08:22
Quero agradecer a todos que manifestaram solidariedade a este blogueiro; aos colegas jornalistas e as pessoas que me conhecem apenas pelo blog, a todos meus sinceros agradecimentos.
Acreditem que essas manifestações me sensibilizaram e me enriqueceram. O papel deste blog é servir de espaço à discussão sadia e civilizada. Jamais censurarei críticas aos meus posicionamentos, pois não sou o dono da verdade e devo sim ser contestado. Quantas lições já não aprendi com os que me contestam! Muitas.
Aos que comentaram para dizer que tenho algo de pessoal contra o prefeito Cícero Almeida, peço encarecidamente para não pensar dessa forma. Eu conheço o prefeito do mesmo jeito que conheço o presidente da China – só por fotografia.
Logo, como alguém pode ter algo de pessoal contra quem não conhece? Não tem sentido.
Dizer que alguém tem algo de pessoal contra isso ou aquilo é tática nazista. Quando Hitler queria intimidar alguém – ou matar mesmo – perguntava: o que você tem de pessoal contra o Nazismo?
Não existe nada de pessoal; eu trato do institucional, ou seja, a pessoa do senhor Cícero Almeida não me interessa – mas, o prefeito interessa a todos.
Mas, de tudo se pode retirar algo de positivo. E o que ficou de positivo nisso tudo?
O que ficou de positivo é que, agora, os senhores sabem quem é o prefeito Cícero Almeida e quem é o blogueiro Roberto Vila Nova.
Eu me formei na mesma escola de Jornalismo onde se formaram o Márcio Canuto, os saudosos Denis Agra e Freitas Neto, Cláudio Humberto Rosa e Silva, Nunes Lima, Vamir Calheiros, Romero Vieira Belo, Fernando Araújo, Ricardo Mota, José Elias, Flávio Gomes de Barros, Marcelo Firmino, e outros que, iguais a mim, começaram quando não havia Curso de Comunicação.
Meu registro profissional é de 1976. Em 1977, indicado pelo Márcio Canuto e o Freitas Neto, fui contratado como repórter do Jornal do Brasil. Trabalhei como correspondente do JB em Alagoas na Paraíba.
Fui redator de Política do Jornal de Brasília e assessor da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal.
Dizer que qualquer um pode ser jornalista é afrontar a memória de Denis Agra e Freitas Neto – que lutaram exatamente para não deixar que qualquer um pudesse ser jornalista.
Sim, cursei Economia na Ufal. Saí do saudoso Moreira e Silva direto para a Ufal; estudei com o Renan Calheiros, Régis Cavalcante, Manoel Lins Pinheiro, Pedro Vieira, Alberto Casado, Beto Jucá, o ministro Humberto Martins, o irmão dele, promotor Carlos Augusto, o deputado federal Aldo Rebelo, e outros.
A todos, mais uma vez, os meus sinceros agradecimentos. Quero informar aos que estão enviando e-mail, que muito dos assuntos deveriam ser encaminhados ao Ministério Público e à Polícia Federal – tal o grau de gravidade.
Não me cabe o papel de promotor nem de delegado; o meu papel é apenas o de informar e comentar.
Abraço a todos.
12/11/2009 14:58
A violência disseminou-se na Capital alagoana e o pior é que já não surpreende nem leva à indignação, como antes.
É a banalização; um corpo estendido no chão não é uma vida ceifada, mas estatística. Uma vítima de assalto também se transforma em número – e, nem sempre, chega a ser inquérito policial porque a vítima não se importa mais com a queixa.
A maioria das vítimas concluiu não valer à pena prestar queixa e tem vários motivos para a descrença.
O grave é que, quando isso acontece, todos são levados ao silêncio maléfico; uma sociedade que não reage com indignação contra os males que lhe atinge, é porque perdeu a confiança.
Não há mais ninguém em Maceió que não tenha sido vítima da violência ou, pelo menos, não tenha um parente ou amigo vitimado. Esse é o consenso.
Matar e morrer; ser assaltado e assaltar são detalhes da vida urbana numa cidade que perdeu a inocência muito cedo e corre o risco de perder o rumo.
Mas, tudo isso é reflexo de erros acumulados; erros que vêm de governos que não cuidaram da prevenção.
Nos últimos 20 anos, a única indústria instalada em Maceió foi a fábrica de picolé Caicó; o desemprego não justifica o aumento da criminalidade, mas explica.
Nos últimos 20 anos, a segurança pública foi manipulada politicamente e se transformou numa urna eleitoral disputadíssima.
Nos últimos 20 anos, a estrutura policial do Estado se dividiu em facções; e essa divisão levou ao surgimento de policiais envolvidos com os crimes que deveriam combater.
Nos últimos 20 anos, o crime se organizou e se disseminou de uma forma que quase não há mais exceção.
Nos últimos 20 anos, o Estado de Alagoas foi desgovernado e a conseqüência não poderia ser outra.