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Alagoas, 21 de março de 201012/03/2010 17:10
O que entra em julgamento, afinal?
Por Goretti Brandão
Mais um escândalo envolvendo um monsenhor e padres da Igreja Católica, ocupa o cenário no mundo da notícia. Ex-coroinhas resolvem denunciar abusos sexuais sofridos. Aqui, no Cada Minuto, nas páginas onde informação satisfaz a curiosidade dos leitores, os comentários se multiplicam. Alguns defendem os rapazes envolvidos, outros, os sacerdotes, outros a Igreja, enquanto instituição. Alguém insinua que em outras cidades alagoanas há o que ser investigado à respeito do mesmo assunto, outros elogiam a coragem de Roberto Cabrini, o trabalho do SBT, alguns acusam os ex-coroinhas por extorsão e chantagem. Ainda, há quem chame o advogado, Daniel Fernandes, contratado dos padres, como Advogado do Diabo. Quem está com a razão?
Pela manhã, ao fazer a minha leitura costumeira pelos jornais de Maceió, me deparo logo de cara, com a notícia, que me leva a ver o vídeo, e nele, as cenas desfocadas, mas que dão pra perceber, do ato sexual praticado, entre um monsenhor e um jovem. A notícia causa estardalhaço, revolta, pontos de vista divergentes, indignação e muito disse-me-disse. Em Arapiraca, principalmente, palco aonde o caso vinha se dando. A princípio, é natural até, a gente tender a enxergar os fatos pelos olhos do repórter. O formato da notícia, a carga emocional, a intensidade, é dada pela entonação da voz do jornalista, pela força das palavras, pelo peso das suas expressões.
Mas o fato é que realmente a coisa aconteceu. As imagens, é sabido, falam mais do que as palavras, e ainda; sobre fatos, as justificativas são nulas. Nulíssimas. Pelo menos deveriam ser. Mas, afinal de contas, quem são os réus e quem são as vítimas? Eu diria que muito mais que as imagens, e muito além dos julgamentos, os pesos e a balança que pesam e que julgam o caso deverão ser especiais. O que está em julgamento? A Fé em Cristo, nos sacerdotes, na Igreja? O que precisa ser avaliado? A condição da natureza humana imperfeita? A degradação de valores? A conivência, leia-se omissão, a partir da atitude do bispo em Penedo( que tinha conhecimento dessa fita)? A possível extorsão praticada pelos ex-coroinhas? A ausência de ética desses sacerdotes?
O monsenhor Luis Marques foi categórico, quando em entrevista a Cabrini, sem saber o que viria adiante, respondeu que as duas palavras mais importantes para ele eram sinceridade e caridade. Em seguida ele fala sobre a mentira que há no mundo. Ao ouvi-lo falar e ao assistir o vídeo, tem-se a impressão de que se está vendo duas pessoas distintas. Nada impressionante. Isso faz parte de uma outra parte da mesma pessoa. Os rapazes, Fabiano, Flávio e Anderson, de maioridade, também parecem outras pessoas, apesar dos depoimentos, das vozes pesarosas, da revelação de traumas. Todos ex-coroinhas, agora, fora das obrigações na Igreja, possivelmente livres do assédio do monsenhor, voltam a estar com ele. Por quê?
Grosso modo: Um, mantendo relações sexuais, outro filmando e os três, em seguida, fazendo relatos tensos ao repórter do SBT. Há dinheiro envolvido. R$ 30.000,00. Há negociação e acordo. Há advogado intermediando esse acordo. Há, no dizer do rapaz que fez a filmagem, “a vontade de dar um basta naquilo”. Mas o que dizer do dinheiro? Esses fatos e esses detalhes são o que vêm à margem. É a famosa ponta do iceberg, enquanto ficam submersas as questões éticas, morais, o caráter religioso, a comunidade católica, a Igreja, a Fé dos que se sentem traídos. Há um Cristo em cada um, da forma como cada um o concebe, que fica à deriva, que é consubstancialmente expulso dos ritos sacramentais, transpassado pela lança do desrespeito de um homem contra outro. No caso, de sacerdotes contra crianças, porque estas estão sendo sacaneadas atrás das sacristias, no momento em que as pessoas se dividem entre taxar de réus, os verdadeiros réus, e de vítimas, as verdadeiras vítimas.
Seria um tipo de vingança desses jovens, extorquirem esses padres? Extorquirem, ao mesmo tempo em que tornarem público, a situação existente nessas paróquias? Seria a prática distorcida de uma sinceridade consigo mesmos, na tentativa de se libertarem de um passado traumático, e o exercício da caridade para com os coroinhas que estão em seus lugares, e, possivelmente sendo novas vítimas? Em tempos tão caóticos, qual a ética que norteia as atitudes das pessoas? Qual a tradução para as palavras: sinceridade, caridade e mentira, embutidas nas respostas de um monsenhor a uma entrevista, onde ele as pronuncia, sem ao menos titubear diante de um repórter?.
O advogado afirma que se trata de homossexualidade. E antes? Esses jovens não foram meninos? A quem Cristo olhará com mais caridade? Para a natureza humana imperfeita dos seus sacerdotes ou para a inocência desfeita das crianças? “Ai de quem escandalizar uma criança”, disse Jesus. O monsenhor afirma que Cristo perdoa o pecador. Inclusive o que pratica um pecado mortal, tal qual ele classificou como sendo a pedofilia. Basta que o homem se arrependa. Basta então que a Igreja se arrependa da omissão? As pessoas continuam dando as suas opiniões, aqui no Cada Minuto. A notícia é, sobretudo, bombástica. Quem está com a razão? O coração de Jesus é sagrado e bom. E justo. Jesus está entre os dois lados de uma mesma moeda: a natureza pecadora dos seus representantes e a impureza praticada contra as crianças, seus coroinhas. Mas Ele tem discernimento. Nós, não!
08/03/2010 17:38
Por Goretti Brandão
Um conterrâneo amigo enviou para mim um excelente texto de Antônio Cícero, poeta, compositor e filósofo, da Folha de São Paulo Ilustrada, que se intitula: “Mind the gap”, um termo inglês que nas estações do metrô, em Londres, significa “cuidado com o vão” ou “atenção ao vão” e daí o termo vai sendo ampliado até chegar à natureza estética, apreendida por ele. O delicioso artigo de Antônio Cícero faz vir à minha mente a obra, Dialética do Esclarecimento, dos frankfurtianos, Adorno e Horkheimer, que versa sobre a cultura, o que inclui a estética, fruição, dentro dos moldes da Indústria Cultural. O sentido de Arte e de Cultura, sendo revirados nessa nossa época chamada Modernidade.
Parto das idéias de Platão sobre o bom e o belo que sempre me perturbam, (...) como ponto de partida e vou até Aristóteles, que diferentemente de Platão, acredita que o belo seja inerente ao homem, afinal, segundo ele, a beleza de uma obra de arte é assim concedida por critérios tais como proposição, simetria e ordenação, tudo em sua justa medida. Esse conceito, hoje, mais que nunca – me permito opinar -, é um tanto cerceador, redutor, e a meu ver, limita a estética, (dentro dessa vertente) ao mesmo tempo em que coloca limites à criação artística. Ou seja, determina regras à produção do artista.
A revolução burguesa (séc XVIII) a princípio é libertadora da arte e dos artistas, utilizada como veículo para as ideologias do poder das duas poderosas instituições: a Igreja e a Monarquia. Os artistas podem, enfim, respirar a libertação da sua criatividade. Mesmo assim, é possível a eles escolherem entre engrossar as fileiras da nova porta aberta pela burguesia ou permanecerem sendo servidores do antigo sistema. Pena que essa autonomização tenha durado pouco, visto que assim que o Estado Burguês se tornou PODER, novamente impôs à arte e aos artistas, a veiculação da sua ideologia. Flaubert, escritor e pensador francês, sentindo a hegemonia burguesa no apogeu do séc XIX, época da revolução industrial, vai denunciar que a arte não está a serviço de ninguém e de nada, mas de si mesma.
Diante de um mundo burguês anti-artístico, digamos assim, é preciso fazer nascer um local para a arte pela arte, como negação àquele mundinho também utilitário. A arte então passa a ser feita para a fruição dos próprios artistas e não mais para a sociedade, porque se afasta das elites e dos populares. Artesanato e arte são substituídos pela indústria, e é essa indústria que é denunciada por Adorno e Horkheimer, que percebem a apropriação e o surgimento do que eles denominam de Indústria Cultural. O esvaziamento, a banalização da arte, ocorre com a perda dessa magia, que deriva dessa criação, individual, que torna única cada produção do artista. Perde-se, portanto, aquilo que Walter Benjamim, outro frankfurtiano, chama de aura.
Antônio Cícero se refere ao famoso vaso sanitário que Marcel Duchamp, levou para uma exposição. É ele quem diz que “o conceito de "ready made", cunhado pelo artista plástico Marcel Duchamp, designa um objeto já existente que, deslocado do seu contexto e colocado numa exposição ou num museu, pede para ser apreciado esteticamente”. Para mim isso causa inquietação contestadora. Sinceramente eu não veria esse urinol senão como um urinol. Eu não conseguiria ter fruição estética naquilo. A minha referência quanto ao signo, a própria semiologia, barraria quaisquer tentativas (se eu tentasse o que possivelmente não o faria). Pra mim, um urinol é um urinol em qualquer lugar, porque além do mais, ele é fruto de uma reprodução em série, o que não representa criação em si, mas cópia de um original, aquele sim, um primordial objeto de arte.
O que significa dizer que se tudo hoje pode ser interpretado como sendo capaz de despertar o prazer estético, a arte perdeu a sua aura e o seu significado como criação, necessidade, de uma linguagem anímica. Desse modo, a grande confusão se instala... E como diz o autor de Mind the gap, artistas e críticos, desavisados, (e eu, até podendo ser intransigente), digo, interessados em se mostrarem 'modernos' ou seja, 'civilizados', passam a considerar obsoleto o que de fato não é. Terminam por reforçar a ideologia da indústria de massa, da cultura de massa, que torna a seu bel-prazer, qualquer coisa em obra de arte, qualquer Xuxa em cantora e atriz... Com o intuito de criar e vender os tais produtos culturais de baixíssima qualidade. Isso representa o que há de mais alienador, porque entre outras coisas, determina, inclusive, o que é prazer a ser fruído e o que não é. (Veja-se as festas de casamento, aniversários de 15 anos, formatura)
Até aí a indústria cultural define todos os momentos de prazer do 'evento'. Mesmo o nosso próprio prazer é policiado. É tudo tão igual que cansa: Sabe-se, inclusive, a sequência do que vai ser servido e que será ganho (acessórios) para 'brincar' quando chegar a hora, Algo simplesmente ridículo para não dizer imbecilizante. Estamos na era da reprodutibilidade técnica. Com a desculpa de se estar 'democratizando' a arte, levando todos a poderem fruí-la, a indústria cultural, na verdade, não democratiza nada, porque não favorece o conhecimento nem a cultura, propriamente dita, tampouco é emancipatória. E, abalizada em Adorno, que me consente, é melhor não se ter cultura do que se ter uma semi-cultura, de massa, de cima pra baixo, apenas pra servir ao capitalismo industrial, ou seja, a arte transformada em coisa, cai na mediocridade em função do lucro.
Há fruição estética, sim, para quem ainda consegue ter senso crítico, sensibilidade e sentido, livres da alienação. Esses podem fruir o prazer verdadeiro, individual, consciente. Podem sim, até vendo um lata d’água velha, e fazendo dela poesia, como faz a exemplo disso, o poeta de Campina Grande, Jessier Quirino... Afinal, sem arte, cultura e prazer autêntico, aonde iremos repousar nossas angústias e nosso sentido humano de existir e de ser?
13/01/2010 09:27
A (não) particular de Quentin Tarantino
Por Goretti Brandão
O minicurso Tarantino: A galáxia (não) particular de Quentin Tarantino teve início ontem, no Centro Cultural Sesi. Quando perguntei aos jornalistas Ranieri Brandão e Ricardo Lessa quais as primeiras impressões sobre as oficinas, ambos, primeiramente, salientaram a surpresa que tiveram diante do número de pessoas inscritas, já que, em se tratando do assunto, Alagoas, mais precisamente Maceió, ainda engatinha para chegar a algum lugar quando a proposta é cinema. Arte cinematográfica e não filme.
Nesse aspecto é difícil trabalhar com qualquer coisa que fuja à regra do que se entende por entretenimento. O conceito que mais atente às expectativas do público, por aqui, parece - e a experiência de quem lida com cultura demonstra -, exclui ou dispensa, a acepção de outras informações, em outras instâncias. O papel do comunicador esbarra na notificação do entretenimento, pura e simplesmente. E o próprio entretenimento tem começo, meio e fim.
Para alguém se entreter, basta apenas estarem à disposição as necessidades básicas: o lugar, a música, a bebida, e como diz uma dessas músicas tocadas à exaustão: de mulher, (incluída como artigo de consumo) e o kit está feito. Não há do que se espantar com essa afirmação. Mas ficar surpreso com as pessoas que se apresentaram para as oficinas é um grande motivo de espanto. Espanto pra melhor. Devagarzinho a gente chega lá.
É como diz a velha canção, de Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro, tão conhecida e cantada pelos estudantes, nos anos da repressão política no Brasil: “Quando um muro separa, uma ponte une”. Qualquer coisa brota de algum lugar, de dentro das pessoas, escapa à coerção e ao controle, e apesar de toda a obliteração existente e sistemática, de toda a política (hoje) mais sutilmente ideológica e menos repressiva fisicamente, mais exposta - como era antes -, que nos sabota, surge essa ponte. Aquela que é lançada e por onde as pessoas em resposta, a atravessam-na. O interlocutor e o receptor são os dois lados dessa mesma construção simbólica.
O desejo de conhecer, de fazer diferente, de ir além, de saber mais do que aquilo que está colocado como única(s) realidade(s), se sobrepõe. Cinema é um espetáculo só. É uma aula dialética e interminável, sobre a vida, o mundo, sobre as pessoas e as coisas que nos cercam. É um universo, uma galáxia mesmo. Mais do que uma arte, a cinematografia, o Cinema, com C maiúsculo mesmo, é um lugar. Tão mágico e tão cheio de realidades, quanto o é o real e o virtual, que se fundem, sendo uma coisa só. O limite não é possível de prescindir. O que é imagético e o que é verdadeiro (?), porque ambos admitem as duas situações.
Parabéns a Marcos Sampaio, a frente do Cine Sesi, parabéns a Ranieri Brandão e Ricardo Lessa, dois jovens jornalistas que se aventuram, acreditam e procuram imprimir seus percursos de profissionais na área de comunicação, através de um viés que pressupõe coragem, força e determinação. Paixão, amor a essa arte, sobretudo. Suas disposições devem acrescentar mais um registro na história da cultura em Alagoas, ou melhor, na tentativa de quebrar os limites existentes, de expandir essa apreensão, alargando a compreensão da arte cinematográfica.
Faz-se necessário agradecer a mídia, de um modo geral, aos jornais, especificamente e às pessoas anônimas que se propuseram a ajudar na divulgação do minicurso Tarantino. É isso! A gente tem que acreditar e fazer! Quanto às oficinas... estão já no seu segundo dia, de vento em popa. Certamente, isso é apenas o começo! Novas oficinas surgirão!
12/01/2010 10:47
A alegria nordestina de agradecer ao santo a Graça alcançada
Por Goretti Brandão
Lá pela região de Senador Rui Palmeira, interior das Alagoas, numa daquelas estradas de barro, noite escura, deparei-me com um grupo de mulheres e crianças caminhantes. Isso é comum por ali. O sertanejo se aventura, anda quilômetros a fio, como se andasse sob a luz do sol. Protegidos pelo anonimato, uma condição do escuro, ouvem-se pedaços de conversa miúda e animada. Para onde irão essas figuras nordestinas?
Paro o carro e ofereço carona. O grupo animado vai para uma festa nas proximidades. Uma promessa será paga.
Faço questão de levá-los até o local. Avista-se de longe, pequenas luzes. Uma aqui, outra acolá. A paisagem do sertão na região do semi-árido, fora a novidade das antenas parabólicas e das motocicletas, (que substituíram os cavalos nos trabalhos das variadas atividades humanas), repete incansável, o cenário de mandacarus e xique-xiques, cachorros esquálidos, poeira e ainda, alguns bons costumes.
Sempre que vejo uma antena de televisão, imagino quais efeitos os ‘valores televisivos’, que as novelas – um dos exemplos -, podem exercer na vida simples dessa gente. Não sou contra a televisão, nem poderia ser. Comunicar, incluindo tudo o que a palavra representa, é minha paixão. Vale ressaltar. As contradições existirão sempre. Por isso, vai-não-vai, retorno aos filósofos da informação, Baudrillard, Pierre Lévi, e deles adiante, para encontrar possíveis respostas aos meus estranhamentos.
O progresso exige um ônus. Exige vários, essa é a verdade. Paga-se o preço para ocupar um lugar nesse estado de transcendências materiais, (Pelo menos para onde esse olhar está situado no momento em que escrevo), evidentemente. O cerne da questão é a própria contradição, como parte desse processo. Evolução e progresso é a mesma coisa ?. Esse questionamento fica para mais tarde...
Volto às sertanejas e suas crianças, à noite escura, à poeira. Há o lugar, há gente e há coisas, como possibilidades de romantização à vida. De uma estrada mais larga, para outra ainda mais estreita, novos caminhantes. Depois o terreiro, gambiarras para iluminá-lo, carrinhos cobertos de bugigangas para serem vendidas e uma banda de pífano que começou a tocar. A reza das mulheres entremeia e marca o tempo aonde com o auxílio dos presentes, o favor recebido por um é pago por todos. Belo exemplo de coletividade.
O pedinte da Graça estufa o peito, se apresenta no centro do terreiro, honrado e satisfeito, orgulhoso de ter alcançado do santo de sua devoção, aquilo que pediu. Durante toda a noite o pífano animará a festa, festejará o santo merecedor dela, na alegria das comadres, compadres, das crianças, de uma meia dúzia de cães magros e alguns gatos desconfiados. Coisa bonita de ser vista.
Os músicos se levantam e posam pra minha câmera, sem parar de tocar Pipoca Moderna. Tudo é alegria. A noite é a mais nordestina possível. Por todo lado, tem as sombras dos mandacarus, dos rasga-beiços, da caatingueira, do velame. Tem a casa de reboco, tem religiosidade, o matuto, tem o santo e a banda de pífano. Saio dali reconhecidamente sertaneja, nordestina da minha amada terra seca, convicta da Graça que recebi sem pedir: a de ser dentro do mundo, uma cidadã do semi-árido das Alagoas.
11/01/2010 16:56
"(...) meu mundo distante de mandacarus e xique-xiques"
Por Goretti Brandão
Quem nasce em cidade do interior, não sei em outros Estados, mas aqui em Alagoas, sabe muito bem o sentido que há nas festas tradicionais. Além dos turistas que chegam a cidade recebe filhos ausentes, de curtas ou longas datas. É assim. Em Pão de Açúcar, cidade localizada as margens do Velho Chico, na divisa com o Estado de Sergipe, as coisas acontecem do mesmo jeito.
Esse ano, o calendário oficial de três dias, marcou em 8, 9 e 10 de janeiro, o segundo final de semana do mês, a realização da festa de Reis. No decurso dela, comemora-se a Festa do Bom Jesus dos Navegantes, com a manifestação e presença dos rituais sagrados: a procissão pelo rio e pela avenida principal da cidade, são exemplos disso. Depois, corrida de canoas, maratonas, fogos de artifício, bandinha de música. Como não poderia deixar de ser, as grandes bandas ocupam o foco central dos eventos. São elas que trazem o turista comum e promovem o entretenimento.
Nada contra o entretenimento, nem contra o turista comum e sem qualquer exigência. Seria pedir demais que as pessoas escolhessem e optassem com o que deveriam se entreter. Seria no mínimo, não compreender o que acontece no mundo de hoje, onde praticamente não se coloca opções de lazer, e se há, a maioria delas está entre escolher produtos iguais, mudando apenas o rótulo. No final das contas, é tudo a mesma coisa. É o abuso da mesmice que nos acomete.
Quer dizer, acomete a uns poucos, muitas vezes orientados pela sensatez, muito mais até do que pelo senso crítico. Sem contar que de um canto a outro, as pessoas fazem vibrar o mais ensurdecedor possível, os sons instalados em seus carros, cada um impondo a sua ‘gritaria’ individual à incapacidade de defesa de uma parcela aturdida do coletivo (na audiência de um desses cantores e cantoras de vozes esganiçadas e, evocando o mau gosto, são bastante apelativas). Crianças, doentes e idosos, são os mais desrespeitados nessas ocasiões.
Vive-se numa sociedade extremamente mal educada e insensível.
A gente chama a isso de festa (?). Pelo menos acontecimentos como esses servem como termômetro, quando, e à medida como reflete o grau de confusão, de vazio existencial apresentados pela dificuldade de conexão entre as pessoas. E, diga-se de passagem: pela dificuldade criada deliberadamente. Ninguém quer ouvir outra coisa senão aquela verborragia demente (me perdoem os que discordam)
Em Pão de Açúcar, senti vontade de que tivéssemos, além do que é repetido todos os anos, algo que a gente pudesse trazer pra casa como agregação de conhecimento de algum tipo de valor humano. Algo que tivesse valor sentimental, citadino mesmo, e que pontuasse no tempo de agora, aquilo que faz história. O que a gente vê é pura simulação, e as pessoas servindo de simulacros. Puro imediatismo.
Que os poetas tivessem no calendário, um momento de poesia, pra quem quisesse ouvi-los, por exemplo...
No mais, um aquário sob o coreto em frente à Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus, hospedou peixes da nossa fauna, que nadavam silenciosos, protegidos pelas paredes de vidro e ausentes do que ocorria lá fora ,e um fantástico por de sol, no final do domingo, justificaram o dia e a cidade. Na segunda-feira, a Pão de Açúcar nada foi acrescentado, salvo, sujeira de copos descartáveis, que provavelmente foram varridos. E às pessoas (para uns poucos), a alegria de rever velhos amigos ausentes. Só isso!
01/01/2010 18:11
Veja aqui a nossa seleção de shows, filmes e séries de TV que vão deixar 2010 bem mais divertido e barulhento
por IG JovemAntes de você virar a folhinha do calendário para 2010, o ano já promete muita diversão. De Guns’n Roses à adaptação de Alice no País das Maravilhas feita por Tim Burton, de NOFX à última temporada de Lost, muita coisa boa vai rolar. Aproveite! Veja abaixo nossa seleção de shows, filmes e séries que vão bombar nos próximos meses.
SHOWS
Akon
O rapper americano, que já vendeu mais de sete milhões de álbuns pelo mundo, vai fazer três shows no Brasil em janeiro: Salvador (dia 23, no Festival de Verão), São Paulo (dia 26 no Via Funchal) e Rio de Janeiro (dia 28, no Vivo Rio). Os shows fazem parte da turnê internacional do lançamento do álbum Freedom.
Coldplay
A banda virá ao Brasil mais uma vez, agora na turnê do álbum Viva la Vida. O grupo se apresentará em duas oportunidades: no dia 28 de fevereiro, na praça da Apoteose, Rio de Janeiro; e no estádio do Morumbi, em São Paulo, no dia 2 de março. Os ingressos já podem ser comprados aqui.
Metallica
A lendária banda de metal se apresentará no Brasil nos dias 28/01, no estádio Zequinha, em Porto Alegre, 30 e 31, em São Paulo, no estádio do Morumbi. Os ingressos já estão à venda e podem ser comprados pela internet ou pelo telefone 4003-8282. O grupo não vinha para cá desde 1999.
Beyoncé
Uma das grandes divas da música pop encerrará sua turnê internacional no Brasil. Serão quatro apresentações nas cidades de Florianópolis (04/02, no Parque Planeta), São Paulo (06/02, no Estádio Morumbi), Rio de Janeiro (07/02, HSBC Arena) e Salvador (10/02, Parque de Exposições de Salvador). Os ingressos já podem ser comprados aqui (Florianópolis) e aqui (São Paulo e Rio – além de, nessas capitais, estarem disponíveis na bilheteria dos espaços). Para a apresentação em Salvador, as vendas serão iniciadas a partir do dia 28, no Shopping Iguatemi ou aqui.
Eagle-Eye Cherry
O compositor sueco-americano, que lançou seu último álbum de estúdio em 2003 (Sub Rosa), se apresentará em São Paulo no dia 21 de janeiro, na Via Funchal. Os ingressos, já a venda aqui, custam de R$ 100 a R$ 200 no primeiro lote.
Guns n'Roses
No apagar das luzes de 2009, o Guns N'Roses confirmou cinco apresentações no Brasil. O grupo, em turnê do álbum Chinese Democracy, passará por Brasília (07/03), Belo Horizonte (10/03), São Paulo (13/10), Rio de Janeiro (14/03) e Porto Alegre (16/03). Os valores e locais de venda dos ingressos ainda não foram divulgados.
Franz Ferdinand
Os escoceses desembarcarão no Brasil para quatro apresentações da turnê do álbum Tonight: Franz Ferdinand. Os shows acontecerão em Porto Alegre (dia 18/03, no Pepsi On Stage – ingressos aqui), Rio de Janeiro (19/03, Fundição Progresso, entradas aqui), Brasília (ainda a confirmar) e São Paulo, (dia 23, no Via Funchal – ingressos aqui).
NOFX
A banda de hardcore norte-americana já tem quatro apresentações marcadas para seu retorno ao Brasil. Os shows acontecerão em Porto Alegre (03/03, no Teatro Bourbon), São Paulo (04/04 no Santana Hall), Fortaleza (06/03 no Brasil Awake Festival) e Curitiba (07/03 no Brasil Master Hall).
Gossip
O grupo da polêmica vocalista Beth Ditto deve se apresentar por aqui também no mês de março. Ainda não há informações oficiais, mas tudo leva a crer que, em São Paulo, a apresentação será na Pachá.
SÉRIES
- A estréia mais esperada de 2010 no mundo das séries é a sexta e última temporada de Lost, que começa a ser veiculada no canal pago AXN a partir do dia 9 de fevereiro (uma semana depois da estréia nos EUA, que acontece no dia 2). Além dela, o canal ainda veiculará a nova atração FlashForward, que tem no elenco dois atores que já estiveram em Lost: Dominic Monahan, o Charile, e Sonya Walger, a Penny.
- Outra série que será encerrada em 2010 é Nip/Tuck. O canal FX começará a televisionar a sexta e última temporada no dia 6 de janeiro, nos Estados Unidos. Ainda não há data de estreia prevista para o Brasil.
- Outra que talvez esteja com seus dias contados é 24 horas. A oitava temporada – há quem diga, última – tem estreia prevista para janeiro de 2010 nos Estados Unidos. Será toda ambientada em Nova York e marcará o retorno da Unidade Contra Terrorismo, a UCT.
FILMES
Sherlock Holmes
O detetive mais famoso do mundo ressurgirá nos cinemas em 2010. Com estreia prevista para 8 de janeiro, Sherlock será vivido por Robert Downey Jr., ao lado de seu fiel parceiro Watson, representado por Jude Law.
Onde Vivem os Monstros
Adaptação do popular livro infantil norte-americano escrito por Maurice Sendak, o filme narra as aventuras de Max, um garoto de forte personalidade que foge de casa após uma briga com a mãe e acaba penetrado em seu mundo imaginário: uma misteriosa e vasta floresta conhecida como Wild Things. O filme mistura atores reais com animação computadorizada e é dirigido por Spike Jonze, um dos queridinhos da indústria de videoclipes e filmes de skate. Estreia prevista para o dia 15/01.
Astro Boy
Baseado no mangá de mesmo nome, Astro Boy é um robô criado por um cientista para substituir seu filho perdido. Rejeitado por não conseguir suprir a carência de seu criador, o robô parte numa jornada atrás de aceitação. Estreia dia 22/01.
Juventude em Revolta
Michael Cera, o bonitinho-nerd de "Juno", vai viver um adolescente que tenta perder a virgindade com a garota de seus sonhos, mas, como só leva fora, cria um alter-ego galã. Parece muito engraçado! Estreia nos EUA em janeiro.
O Lobisomem
Com um elenco de peso (Benício Del Toro e Anthony Hopkins), o filme dirigido por Joe Johnston é um remake que se passa na Inglaterra vitoriana e conta a história de um homem atacado por um lobisomem ao retornar da América. Daí em diante, todo mundo já sabe o que acontece nas noites de lua cheia. Estreia no dia 12 de fevereiro, segundo a rede Cinemark.
Alice no País das Maravilhas
Uma das histórias mais famosas do mundo, dessa vez será dirigida pelo genial cineasta Tim Burton. É um dos filmes mais aguardados do ano, com certeza. Conta com elenco formado por Johnny Depp e Anne Hathaway (O Diabo Veste Prada) e tem previsão de estreia em abril.
As melhores coisas do mundo
A cineaste Lais Bodanzky (de "Bicho de Sete Cabeças") chega às telas em abril, com uma história passada dentro de um colégio de classe média de São Paulo, sobre as angústias típicas dos adolescentes.
REC 2
O filme de terror mais comentado de 2008, feito na Espanha com pouco orçamento, ganhará continuação no ano que chega. Na seqüência, um grupo de policiais retorna ao prédio onde os fatos (horrendos) do primeiro filme ocorreram, para investigar o que aconteceu com os moradores. O que se sabe é que eles definitivamente não são mais os mesmos. De acordo com a rede de cinemas Kinoplex, a previsão é de que o filme estreia no dia 2 de abril.
Homem de Ferro 2
Desta vez Anthony Stark, transformado no homem de ferro, terá de enfrentar Mandarim, um vilão que busca os 10 anéis do poder. Previsão de lançamento no circuito brasileiro, 30 de abril, de acordo com a rede Kinoplex.
A Hora do Pesadelo
Refilmagem do clássico de 1984. Freddy Krueger retorna aos cinemas para aterrorizar nossos sonhos em 2010! Estreia prevista para o dia 7 de maio.
Príncipe da Pérsia
Quem é fã de video-games com certeza conhece. Um príncipe guerreiro relutantemente une forças com uma misteriosa princesa e, juntos, eles lutam contra forças obscuras para proteger uma antiga adaga capaz de liberar as Areias do Tempo. Estreia prevista para maio.
Sex and The City 2
As quarto amigas inseparáveis estarão de volta na selva urbana de Nova York, trocando confidências sobre seus confusos relacionamentos sempre em mutação, tão diferentes quanto suas naturezas. Nesta sequência, o casamento de Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) vai sofrer com uma possível traição de Big.
Eclipse
A continuação da saga Crepúsculo terá a volta de Edward e sua família a Forks – retorno que traz Bella de volta para sua vida normal, ou quase normal. Com a ausência do namorado, ela tornou-se mais próxima do amigo de infância, Jacob Black. Mas há perigos em vista, como a aproximação da Formatura e o fim do prazo dado pelos poderosos e temido Volturi, para Bella tornarem-se um deles. Como se não bastasse, a heroína continua sendo perseguida pela Vampira Victoria, que forma um exército de jovens, fortes e inexperientes Vampiros. Apenas a união entre a alcatéia de Jacob e a família de Edward poderá frustrar os planos de Victoria para matar Bella. Previsão de estreia: 30/06 (Kinoplex).
Shrek Para Sempre
Depois de enfrentar um dragão, resgatar a princesa e salvar o reino de seus sogros, Shrek casou e virou um homem de família. Agora Shrek assina um pacto com o falante duende Rumplestiltskin e subitamente se vê em uma versão alternativa e deturpada do reino de Tão Tão Distante, onde os ogros são caçados. Além disso, ele e Fiona perdem seus postos, já que Rumplestiltskin toma seus lugares ao se tornar o rei. Estreia prevista para julho.