Postado em 11/01/2017 às 13:49 por Lula Vilar em Blog do Vilar

Silas Malafaia: “A hipocrisia é uma miséria!”. É verdade, pastor. Aprende com isso, então!


Que beleza é o discurso de Silas Malafaia ao falar de hipocrisia. Uma “auto-lição” ministrada! O pastor viu sua “categoria” ser alvo de um maluco que resolveu esfaquear o também pastor Valdemiro Santiago. Aqui, nem entro no mérito das figuras destes dois pastores. Santiago, para mim, explora a ingenuidade alheia e usa, da forma mais torpe, o santo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo em vão. Que ele encontre verdadeiramente Jesus e entenda o que faz. Eu mantenho distância dele ao mesmo tempo em que lamento a violência sofrida. Pois defendo a vida.

Quanto a Malafaia, já tive concordâncias e discordâncias com suas opiniões. Sobre suas mais recentes falas, uma só palavra define: HIPOCRISIA! O pastor Malafaia diz: “você sabia que Neemias contratou seguranças. Vai ler o livro de Neemias”. Nestas horas, o religioso lembra que a visão cristã versa sobre a autodefesa e os recursos disponíveis ao cidadão para que ele garanta o seu direito à vida diante do ataque de criminosos armados, não é mesmo?

O que o pastor não entende é que nem todos são Malafaias para andarem com seguranças armados para cima e para baixo, pagos – ainda que indiretamente – por cristãos desarmados. Justamente por isto que se defende a derrubada do Estatuto do Desarmamento, que é para que o cidadão idôneo (como bem lembra Bene Barbosa em seu artigo) possa pleitear o que é seu direito: o acesso às armas de fogo. Para isto, haverá critérios objetivos como mostra e deixa claro o projeto de lei do deputado federal Rogério Peninha.

O projeto que foi esculhambado por Malafaia por meio de falácias!

É que Malafaia prefere a hipocrisia – quando lhe é conveniente – para abraçar aquilo que Theodore Dalrymple classifica como “sentimentalismo tóxico”. E é um sentimentalismo tóxico que cria essa associação entre armamento civil e aumento da criminalidade, pois o que vemos é um país com 60 mil homicídios por ano, em que o Estatuto do Desarmamento não traz benefício algum. Muito pelo contrário, torna o cidadão indefeso, um cordeirinho a espera do bandido, que pode agir mais tranquilamente em arrastões, invasões a prédios públicos e privados, com o direito ainda ao discurso do “ele reagiu, então eu matei mesmo. Pois todo mundo sabe que não deve reagir”.

Este é o mundo onde apenas bandidos e policiais possuem acesso às armas. Lembrando que o acesso dos policiais possuem restrições previstas em lei. O dos bandidos não. O mundo do cidadão também terá restrições. O do bandido continuará sem.

Ora, quem está disposto a cometer o crime não será impedido de conseguir uma arma por conta de um desarmamento posto em lei. Só quem fica impedido é o cidadão que obedece a critérios para ter a sua arma. Fora isto, todas as falácias presentes no discurso dos desarmamentistas já foram muito bem desmascaradas por John Lott, Joyce Lee, Bene Barbosa, Fabrício Rebelo, dentre outros. Leiam estes estudos. Livrem-se do sentimentalismo tóxico denunciado por Dalrymple.

Este sentimento faz de vocês cordeirinhos a defenderem o carrasco acreditando que estão lutando pelo melhor para si mesmos. A ninguém é dado o direito de roubar os seus direitos e ainda mentir afirmando que é o melhor para você. Acordem!

Por isto também decidi escrever – com bem menos competência, é verdade! – sobre o tema que se faz presente na coluna de Bene Barbosa no dia de hoje, 11, aqui no CadaMinuto. É urgente prestar atenção nas distâncias entre discursos e práticas. Pois eu defendo que Silas Malafaia tenha direito à segurança pessoal ou até mesmo a ter uma arma de fogo, caso ele queira, para justamente se proteger de malucos. Só que é o Silas Malafaia que me nega este direito. Eu não posso contratar seguranças, mas poderia ter uma arma.

“Vai na fonte”, diz Malafaia em seu vídeo. É, pastor: vai à fonte! Por qual razão o senhor não segue o próprio conselho? Leia Lott, leia Lee, leia Bene Barbosa, leia Fabrício Rebelo, leia o estudo de Harvard...enfim. O que não falta é literatura. Aproveita e compare tais estudos com Neemias, pois eu também o li.

Por isto que Malafaia confirma que anda com seguranças armados. “Especialista no que faz”, lembra ainda ele.

Agora, comparem o Malafaia de agora com aquele que resolveu criticar o projeto de lei de Rogério Peninha. Lá, ele dizia: “Tem um projeto de lei que visa uma revisão do Estatuto do Desarmamento, que é um verdadeiro absurdo. Cada cidadão maior de 25 anos pode ter seis armas e cem munições por ano. Professor vai poder ir armado para escola. Isto é lobby da indústria de armas. Somos a favor que a polícia esteja muito bem preparada. Agora, há uma diferença entre a polícia está bem armada e armar o cidadão. Isto é uma loucura”.

Malafaia disse não ser possível que alguém que defenda a vida defenda armar o cidadão. É mesmo pastor? Então, abre mão dos teus seguranças e confia apenas na “polícia armada”, pois se o senhor tem seguranças deve ser justamente por compreender que o Estado não se faz presente o tempo todo para garantir a segurança do senhor, não é mesmo? Malafaia adota a falácia do “monopólio das virtudes” para dizer que pessoas como eu e Bene Barbosa não defendem a vida. Isto é ridículo.

“E eu quero saber de pastor evangélico votando nesta porcaria”, dizia ainda ele. É mesmo, pastor? E o senhor vai fazer o que se eles votarem favorável? Santa paciência! Ele chama os desarmamentistas do Legislativo de “deputados de bem”. Que lindo. Quantos corruptos não são desarmamentistas? São todos de bem! Quando é para ser raso em suas argumentações, Silas Malafaia sabe ser. Mas quando sua classe é atacada, ele recorre aos argumentos bíblicos para falar de recursos adotados em nome da defesa pessoal. É o famoso ditado da pimenta no olho alheio.

No vídeo mais recente, o pastor diz que a “hipocrisia é uma miséria”. Pois é, eu concordo com Silas. Agora, vou esperar o pastor concordar com ele mesmo...espero sentado? Em pé, cansa!

Eis o antigo vídeo do pastor, antes de religiosos serem ameaçados com facas:

Estou no twitter: @lulavilar


Crédito: Lula Vilar