2018: Candidatos de Temer, Marx, Biu e Quintella terão dificuldades

O descrédito na classe política chegou ao pior índice desde 2009, data em que esse tipo de levantamento foi iniciado pelo Ibope. O pai dessa decepção é o presidente Michel Temer. Ele conseguiu transformar a Presidência da República na instituição em que os brasileiros menos confiam.

Desde 2016, de acordo com pesquisa do Ibope, de 0 a 100, a confiança dos brasileiros no presidente despencou de 30 para 14. É a primeira vez que a desconfiança nos partidos políticos é superada. Esse Índice de Confiança Social é pesquisado e calculado anualmente desde 2009.

O descrédito é tão alarmante que as pessoas estão se apegando na fé e na polícia, “instituições cuja percepção majoritária da população é que estão fazendo algo para melhorar”, diz o Ibope.

Pois bem, de 2016 para 2017 a confiança média no governo federal, eleições, Congresso Nacional, partidos políticos, presidente e governos municipais caiu 15%. Já a confiança média nas igrejas, Polícia Federal, Forças Armadas e meios de comunicação subiu em média 8%.

E como fica essa questão para 2018? Salvadores da pátria e/ou candidaturas-surpresas têm grande espaço. Lideranças das instituições confiáveis também poderão ter influência. Não serão favoritos, mas surgem bem avaliados, caso de Jair Bolsonaro, segundo colocado nas pesquisas atrás apenas de Lula.

No caminho inverso, quem estiver ligado ao governo Temer ou fizer parte do seu governo terá dificuldades para se eleger. Os exemplos estão na nossa cara, caso do esfacelamento político dos possíveis presidenciáveis do PSDB, Aécio, Serra, Alckmin.

Essa perda de densidade política será ainda maior caso a candidatura seja majoritária. Trazendo esse exemplo para Alagoas – para os governistas mais visíveis -, as pesquisas mostram que os caminhos do ministro do Turismo Marx Beltrão (PMDB) e do senador Benedito de Lira (PP), serão tortuosos. Eles não aparecem bem pontuados, como já mostrei em outros textos, para o Senado.

E numa disputa eleitoral ficarão ainda mais expostos na propaganda gratuita dos adversários por terem sido vinculados ao governo Dilma, o qual abandonaram para apoiar e participar intensivamente do governo Temer.

O ministro dos Transportes, Maurício Quintella, também sofrerá, mas em um grau um pouco menor, caso mantenha-se na disputa para renovar o mandato de federal. No entanto, pelo cargo que ocupa, deveria estar numa situação mais confortável nas pesquisas divulgadas até o momento.

E que ninguém se engane com o silêncio das ruas, das poucas manifestações e da falta de panelaços. É uma falsa impressão quanto a imensa e tremenda insatisfação da população.

Aliás, nunca o brasileiro viu e sentiu o quanto os seus representantes são tão caros e desnecessários, traidores, desqualificados e tão pouco confiáveis.

O político que não perceber o que vem ocorrendo pode estar cometendo um grave erro político. Talvez até o suicídio.

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Pesquisa: Major Isidoro e os preferidos para 2018

Importante e influente município localizado entre o Agreste e o Sertão alagoano, a população de Major Izidoro foi pesquisada pelo Instituto Falpe sobre o pleito de 2018 para governador, senador, deputado estadual e federal.  3 mil pessoas foram ouvidas entre os dias 17 e 21 de julho. A margem de erro é de 3,5% para mais ou para menos

Levantamento também avaliou a gestão da prefeita do município, Santana Mariano (PMDB). O seu governo foi considerado ótimo por 33,5%; 29,5% acham bom e regular 20%. 1% avaliam como ruim e 8,5% péssimo. 7,5% não opinaram. 73,5 dos entrevistados aprovam a administração atual; 16% desaprovam.

A pesquisa também quis saber quais os vereadores mais atuantes: os cinco melhores colocados foram Nido Félix, 6,5%; Marcondes do Roque, 5,25%; Zé Miranda, 5%; Demir Correia e Chaveiro do Gado obtiveram 4,5%.

EM TEMPO:

1 - Antes de você ler ems eguida todos os números, levanto alguns pontos. Todas as pesquisas tornadas públicas neste espaço – ou em outros blogs- revelam situações semelhantes. Renan Filho permanece na dianteira, porém, é o único nome efetivamente candidato em 2018. Ele mantém os mesmos cerca de 30% que o levaram a vitória em 2014. Ou seja, se não cresceu, também não caiu. Isso pode ser um problema, embora o seu governo seja bem avaliado.

2 – Rui Palmeira, que nada faz para ser candidato, nem quer falar sobre o tema e diz que é muito cedo para qualquer ação ou decisão, permanece bem avaliado. É um nome muito forte. É um candidato possível que nada faz “pra se viabilizar”.  

3 – Heloísa Helena é fortíssima para ganhar uma das duas vagas para o Senado. Ela aparece muito bem em todos os levantamentos em que o seu nome é apresentado ao entrevistado. Corre risco maior de não se eleger caso opte por disputar o cargo de deputado federal. Na eleição proporcional, principalmente para a Câmara - ao contrário da majoritária, ainda mais com duas vagas para o Senado – as chances de vitória são maiores para quem tem “estrutura, o faz-me-rir, o tal do din-din”, e fecha acordos com lideranças políticas. Ou seja, deputado é eleição onde o dinheiro conta bastante. Aliás, é decisivo.

Portanto, repito o que já disse outras vezes: se Heloísa fizer uma campanha minimamente profissional – propaganda eleitoral com alguma qualidade de áudio, de cenário, por exemplo, e se afinar o discurso crítico para conquistar o primeiro ou o segundo voto em disputa, dificilmente deixará de ser eleita.

4 – Para encerrar, nos próximos dias teremos duas novas pesquisas. Uma feita em todo o Agreste e a outra na Grande Maceió. Tudo indica que elas trarão grandes surpresas.

Leia Baixo o resultado da pesquisa:

No levantamento para governador foram citados alguns nomes. Renan Filho tem 30%; Rui Palmeira, 11%; JHC, 5%; Nenhum, 32%; Não opinaram, 22%.

Se a disputa for apenas entre Renan e Rui, o governador tem 30,5% e o prefeito de Maceió atinge 13,5%. Nenhum, 34,5%; 21,5% não opinaram.

Entre Renan e JHC, o governador sobe para 32%, contra 10% de JHC. Nenhum, 36,5%; não opinaram 21,5%.

Também foi perguntado em quem o eleitor não votaria para governador. Renan lidera com 6,5%; JHC, 5,5% , Rui fica com 3%. Nenhum, 32%; Nada contra, 22%; 31% não opinaram.

Nomes também foram apresentados para o Senado. Teotonio Vilela lidera com 18%, seguido por Ronaldo Lessa, 17%, Heloísa Helena, 16,5%; Renan Calheiros, 12,5%; Benedito de Lira, 12%; Maurício Quintella, 9,5%; Marx Beltrão, 5%; João Caldas, 3%. Nenhum, 25%; Não opinaram, 30%.

Deputado estadual

Paulo Dantas aparece na liderança, 11,5%; Carimbão Filho, 10%; Bruno Toledo, 8,5%; Ângela Garrote, 5%; Antônio Albuquerque, 4,5%; Inácio Loiola e Ricardo Nezinho empataram com 4%; Tarciso Freire, 2%; Chico Tenório, 1,5%; Jairzinho Lira, 1%; João Beltrão e Isnaldo Bulhões ficaram com 0,75%; Val Gaia, 0,5%; Conceição Tavares, 0,25%; Samir Malta, Ronaldo Medeiros, Galba Novaes e Taíse Guedes, 0%. Nenhum, 25%; Não opinaram, 20,75%.

Deputado federal

Com uma lista apresentada para o eleitor escolher, Carimbão Pai aparece com 14%. Pedro Vilela, 9%; Ronaldo Lessa, 8%; Maurício Quintella, 7%; Sérgio Toledo, 4%; Arthur ira, 2,25%; Paulão do PT, 2%; JHC, 1,75%; Rodrigo Cunha, 1,5%; Nivaldo Albuquerque, 1%; Pinto de Luna e Severino Pessoa empatam com 0,75%; Tereza Nelma, Davi Davino e rosinha da Adefal ficaram com 0,5%; Jarbas Omena, 0%; nenhum, 27,5%; Não opinaram, 19%.

 

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Muitos querem Temer, o fracasso da política

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) deixou o governo do mordomo de filme de terror de quinta categoria como quem corre “do coisa ruim”. Por outro lado, os seus conterrâneos Maurício Quintella e Marx Beltrão, ministros dos Transportes e do Turismo, respectivamente, deitaram no colo esplêndido de Temer.

Cada um, ao seu modo, fez uma escolha. Renan sabia que o governo Michel Temer seria um desastre que traria imenso desgaste para quem ficasse ao seu lado. E o senador precisava ocupar outro campo na atual conjuntura política para evitar o aumento de sua rejeição.

Já Maurício e Marx optaram por algo que o cargo oferece: poder, como nunca tiveram. Deixaram-se conquistar e, talvez por isso, especialmente Marx, não consiga realizar o salto seguinte, que é o seu desejado casamento com o cargo de Senador da República.

Com Temer aparecendo com mais de 80% de rejeição em Alagoas, como Marx Beltrão irá defender numa eleição o governante a quem serve? Qualquer outro concorrente vai atacá-lo com facilidade em 2018. Mesmo que estrategicamente nada diga sobre o seu chefe, nem o defenda nos comícios e na propaganda eleitoral gratuita, será presa fácil para adversários como Heloísa Helena ou João Caldas, por exemplo, caso também sejam candidatos.

Até mesmo uma dobradinha com o senador Renan Calheiros pode ser dificultada. Caso Lula seja candidato à Presidência, Renan deve apoiá-lo. Mas Lula irá aceitar um ministro de Temer em seu palanque? Difícil imaginar.

Quanto ao ministro Quintella, com ambição menor, tem dado sinais de que vai disputar o mesmo cargo. É improvável que a sua candidatura sofra influência decisiva da rejeição do presidente. Por outro lado, deverá ter a sua campanha turbinada pelos bons “contatos empresariais que vem construindo no ministério”.

E - não fiquem surpresos, caros leitores - cada um, de acordo com o seu interesse, deseja que Michel Temer conclua o mandato. Quem está no governo pelas benesses que recebe. Quem é oposição para ter em quem jogar pedra.

É que no próximo dia 2 de agosto está marcada a votação para dar prosseguimento à denúncia contra o presidente Michel Temer. E ela só seguirá para o Supremo se pelo menos 342 deputados votarem contra. A oposição vai tentar obstruir essa votação para prolongar o desgaste e deixar o governo “sangrar”.

É a crise interminável que também atinge e paralisa a economia e revela o fracasso da política.

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PSB e PSDB estão sem rumo

Há quem até hoje diga que a eleição de 2014, em Pernambuco, para governador, foi vencida por Eduardo Campos, embora o político disputasse à Presidência da República pelo PSB. É que em agosto daquele ano Campos morreu tragicamente em um acidente aéreo. Foi uma comoção nacional, com repercussão ainda maior em Pernambuco.

O candidato que campos escolheu para sucedê-lo, Paulo Câmara, patinava nas pesquisas. Tudo caminhava para uma fragorosa derrota. Mas a morte de Campos mudou o rumo daquela eleição. Câmara virou e derrotou o favorito, o senador Armando Monteiro Neto (PTB), porque o pernambucano votou em homenagem ao jovem líder político morto.

Porém, nos dias atuais, a situação do PSB é complicada. Paulo Câmara está com a popularidade em baixa, aliados como o DEM e PSDB têm se afastado e tomado algumas bases da sigla. Câmara também pode perder o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) e seu filho, o ministro das Minas e Energia, Fernando Filho (PSB-PE).

Como a história as vezes retoma o seu caminho do qual se afastou acidentalmente, pesquisa realizada em abril pelo Instituto Uninassau revela que Paulo Câmara tem apenas 6% das intenções de voto dos pernambucanos.

A disputa para o Governo do Estado é liderada pelo senador Armando Monteiro Neto (PTB), com 22%, seguido pelo atual ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM), com 12%. O ministro das Cidades, Bruno Araújo, aparece com 2% da preferência do eleitorado.

Câmara tenta uma aproximação com o PT, o que parece improvável de ocorrer. Os dois aliados históricos romperam relação desde que Eduardo Campos se lançou candidato à Presidência. Depois, no segundo turno da eleição presidêncial de 2014, o PSB de Pernambuco apoiou Aécio e, em seguida, optou por votar a favor do impeachment de Dilma. Essas mágoas perduram e o PSB está sem norte, dividido em vários grupos, sem liderança.

Já o PSDB também está à deriva. O partido não decidiu – há nove dias da votação na Câmara – se será contra ou a favor ao pedido de licença para que Michel Temer seja julgado por corrupção. Por isso a Direção Nacional optou por liberar os seus 46 parlamentares.

Da mesma forma o partido não sabe quem será o seu candidato em 2018. Serra quer ser, Alckmin, também, idem o prefeito João Doria, e até Aécio Neves, dizem, acha que consegue se recuperar.

Enquanto isso vários partidos já colocaram o seus candidatos na prateleira do supermercado: o PT diz que terá Lula. Jair Bolsonaro, o segundo nas pesquisas, pelo nanico PSC, Ciro Gomes será candidato pelo PDT e REDE tem Marina Silva.

O PSDB e o PSB não sabem o que fazer e correm o risco de saírem bem menores das eleições de 2018.

 

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Chuvas, buracos e alegria no Sertão

Recentemente estive no Sertão. É um novo mundo transformado depois de anos de estiagem severa. Morros e planícies estão tomados por um verde vivo. São imensas as plantações de milho, feijão e belas pastagens.

Chuva é riqueza e o Sertão agora comemora. Ela mata a fome, alegra, alivia e traz esperanças para todos. Tanto isso é verdade que o governo de Alagoas já anuncia que teremos uma excelente safra de grãos.

Porém, as chuvas também trazem problemas. Em fase final de construção e sendo utilizada, embora ainda não tenha sido inaugurada, a rodovia que liga os municípios de Mata Grande e Água Branca já apresenta buracos.

A população começa a criticar o governo de Alagoas. Culpa a qualidade do asfalto “tão fininho que não aguentou o retorno das chuvas”. É bom o governador Renan Filho ficar atento. Uma obra não tão grande, mas fundamental e desejada para a região, não pode conter erros, principalmente numa época em que praticamente todos os políticos estão sob suspeição.

Já em Maceió, onde chove ininterruptamente desde maio, os condutores de veículos sofrem com o excesso de buracos nas ruas e avenidas, uma tradição que existe há décadas. A única solução possível seria refazer todo o asfalto da cidade. Mas isso é absolutamente inviável por conta do alto custo.

Ao prefeito do momento cabe tapar buracos. Mas isso só pode ser feito em dia de sol, o que tem sido raro nos últimos dois meses. O pavimento molhado não dá aderência ao asfalto utilizado na operação porque precisa estar aquecido.

Caso fizesse isso (tapar buracos sob chuva), o prefeito Rui Palmeira estaria dando ouvidos aos críticos que tentam culpá-lo por essa situação. O dinheiro público, que é nosso, estaria sendo desperdiçado, vazando pelo ralo e caindo nem DEUS sabe onde.

Portanto, que o inverno permaneça satisfatório e construa ‘riqueza’. E que os gestores citados cuidem bem das obras e dos recursos públicos que estão e que serão investidos por conta dos imensos benefícios e de algumas dificuldades que o inverno proporciona.

 

 

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Marcos Valério delata propina para Aécio

Não está fácil a vida do ex-símbolo da oposição, senador Aécio Neves (PSDB-MG). Ele enfrenta mais uma imensa dor de cabeça a partir da delação do publicitário Marcos Valério feita à PF, que aguarda que o acordo seja homologado pelo STF por envolver políticos com foro privilegiado.

De acordo com o que foi vazado, Valério revelou como funcionou a operação para retirar da Comissão Parlamentar Mista de Investigação dos Correios (CPMI), em 2005, documentação que mostrava a relação do Banco Rural com o PSDB de Minas.

O publicitário afirma que o senador recebia 2% do faturamento brutos dos contratos da sua empresa de publicidade com o Banco do Brasil no governo de FHC e que suas agências também participaram do financiamento da atividade política de Aécio desde os anos 90.

Dizem que todas as informações de Marcos Valério foram gravadas, e que documentos comprobatórios foram apresentados ao Supremo. O então ministro da Casa Civil, José Dirceu, e o das Comunicações, Hélio Costa, também teriam sido beneficiados no esquema, assim como o PT e o PMDB durante o governo Lula.

Marcos Valério cumpria pena de 37 anos de prisão pela ação do mensalão na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG), e foi transferido para a Associação de Proteção e Assistência a Condenados (Apac), em Sete Lagoas (MG), a pedido da PF.

O senador Aécio Neves disse que jamais participou de qualquer ato ilícito praticado pelo publicitário, assim como negou ter sido financiado por meio das agências. Através de nota da assessoria, Aécio Neves disse ainda que “é preciso que acusações feitas por delatores sejam sustentadas por provas verdadeiras, sob o risco de servirem, unicamente, para que réus confessos obtenham a impunidade penal”.

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“Adoção do parlamentarismo é golpe”, diz professor

Volto ao tema por concordar com o historiador Luiz Felipe de Alencastro, professor emérito da Universidade Paris-Sorbonne. Ele disse, em entrevista ao jornalista Bernardo Mello Franco, da Folha, que os políticos que defendem a adoção do parlamentarismo querem dar um golpe para continuar no poder sem votos.

“Essa ideia sempre ressurge em momentos de crise e na véspera de eleições presidenciais”, diz o professor. Vale lembrar que o parlamentarismo já foi derrotado em duas oportunidades através da consulta popular via plebiscito: em 1963 e em 1993.

A ideia de alterar o sistema de governo é apoiada pelo senador José Serra (PSDB-SP), ministro Gilmar Mendes (STF),  e ainda pelo presidente Michel Temer, entre outros. Para Alencastro, “o motivo é o medo da eleição direta porque a centro-direita ainda não encontrou um candidato viável ao Planalto.”

"Os tucanos perderam as últimas quatro disputas no sistema atual. O próprio Serra foi derrotado duas vezes. "Quem iria escolher o nosso primeiro-ministro, este Congresso? Está louco”, questiona Luiz Felipe de Alencastro.

Pois bem, o que precisamos, definitivamente, é buscarmos o aperfeiçoamento do modelo atual e, fundamentalmente, escolhermos melhor os nossos representantes.

Caso contrário, permaneceremos da forma como nos encontramos: comandados por quadrilhas associadas que conseguem controlar - na maioria dos casos - a política brasileira no Congresso, nos estados e municípios para os seus próprios ótimos ‘dividendos’.

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Contra Lula e Bolsonaro, DEM e PSDB querem o parlamentarismo

No meio dessa crise sem fim, volta e meio os políticos apontam como solução o parlamentarismo. Vale lembrar que em 1993, através de plebiscito, o parlamentarismo foi rejeitado.

Um dos entusiastas é o senador José Serra (PSDB-SP). Ele conversou na semana passada com o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado, sobre a instalação de uma nova comissão especial sobre sistema de governo, o que deverá ocorrer em agosto.

Outro defensor do parlamentarismo é o ministro Gilmar Mendes, do STF (sempre ele, sempre ele envolvido em articulações políticas), que já tratou sobre o tema com o presidente Michel Temer.

Outro intenso articulador da proposta é o ministro da Educação, Mendonça Filho. Liderança do DEM, ele defende que o novo sistema “consagraria maior governabilidade”. De fato, depois de 1998 o país teve quatro presidentes, sendo que dois não concluíram os mandatos, Collor e Dilma.

No parlamentarismo o governo é comandado por um primeiro-ministro escolhido pelo Poder Legislativo, que pode trocá-lo a qualquer momento.

Até que o parlamentarismo é interessante. Porém, querer adotá-lo no exato momento em que políticos e partidos estão totalmente desmoralizados é um absurdo.

Dar ao Congresso Nacional, hoje recheado de deputados e senadores eleitos com recursos ilícitos - dezenas estão sendo investigados por corrupção -, o poder de escolher e afastar a qualquer momento o comandante da nação é o mesmo que entregar a chave do cofre a uma quadrilha.

Outro fator que faz ressuscitar a tese do parlamentarismo por parte do DEM, PSDB, Temer, Gilmar Mendes, entre outros, é o temor que o ex-presidente Lula ou o deputado Jair Bolsonaro seja eleito presidente do Brasil em 2018.

E isso é bastante possível porque os dois lideram as pesquisas eleitorais. Além disso, os demais partidos e suas lideranças políticas, principalmente as do PSDB, simplesmente foram esmagadas pela opinião pública por causa das denúncias de corrupção – casos de José Serra, Gerando Alckmin e Aécio Neves.

No fundo e quase sempre, a ideia do político brasileiro é o que fazer para sobreviver agora e para sempre.

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Lula articula candidaturas nos estados do NE

O ex-presidente Lula não foi surpreendido com a decisão do juiz Sérgio Moro de condená-lo. Tanto que já tinha preparado um roteiro de ação após a decisão judicial. Na coletiva desta quinta-feira, na sede do PT, em São Paulo, Lula anunciou que será candidato em 2018, mas antes disso já vinha conversando com lideranças políticas de outros partidos.

Foi o caso do governador de Sergipe, Jackson Barreto (PMDB), com quem se reuniu e defendeu a união das forças progressistas em torno de um projeto para tirar o Brasil da crise, mas garantindo os direitos e conquistas do povo.

 Lula também pediu ao aliado histórico que seja candidato ao Senado em 2018. Segundo Jackson, o ex-presidente avalia que “um governo progressista irá necessitar mais do que nunca de um Congresso Nacional que apoie decisões que beneficiem o povo”.

Foi desse roteiro que Lula anunciou que fará uma visita aos estados do Nordeste, em agosto, talvez até de ônibus. Será o início da campanha eleitoral com o lema “Nenhum Direito a Menos”. Ele também costura com outros aliados na região, inclusive, claro, de Alagoas.

O discurso político que o ex-presidente quer construir e apresentar com antecedência será sobre unidade nacional, força política, maturidade e experiência para vencer a intolerância e o ódio que dividem o país.

Ele também vai defender que o povo não é problema e que a saída é o mercado de massas, investimento regional e programas sociais.

Tais questões estão sendo elaboradas para criar um programa que será apresentado a nação por Lula. Trará ainda temas como: reformas trabalhista, agrária e política, o diálogo sobre a democratização da mídia, a superação do presidencialismo de coalizão, para evitar que fique refém do conservadorismo e atraso do parlamento.

Esses são os pontos do roteiro. O desenvolvimento e a conclusão do filme vão depender de aspectos jurídicos, policiais, políticos, econômicos e sociais que rondam a política brasileira.

Portanto, o final é imprevisível.

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“Lula condenado, Aécio liberado e Temer protegido”

A frase do título é do senador Roberto Requião (PMDB-PR), que continuou afirmando, no twitter: “soberania fulminada, trabalhador escravizado, mercado triunfante, até que o Brasil se levante". Atitude do senador foi mais uma entre tantas após a divulgação da condenação do ex-presidente Lula pelo juiz Sérgio Moro.

Ciro Gomes, ex—governador do Ceará, ex-ministro foi na mesma linha, mas com um tom mais crítico contra Lula: “Foi traído, mas a ele, e somente ele, devemos a imposição de um corrupto notório na linha de sucessão do Brasil, o senhor Michel Temer. A condenação acontece ante uma grande revolta dos simpatizantes de Lula, uma estranhíssima e patológica euforia dos que o odeiam e ante uma grande perplexidade da maioria do povo que não consegue entender uma sentença sem uma prova cabal e simples, que todos possamos entender como base de uma pena justa".

O argentino Adolfo Perez Esquivel, prêmio Nobel da Paz em 1980, classificou a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um golpe do "Partido Judicial", representado pelo juiz Sergio Moro, contra a democracia brasileira.

E assim seguiu o mundo político, jurídico, sindical e também dos simpatizantes de Lula. Claro que ocorreram elogios ao posicionamento do juiz Sérgio Moro (leia aqui as justificativas que embasaram a condenação de Moro).

Por outro lado, o PT diz que não há plano B para eleição de 2018 se a decisão de Moro for mantida em segunda instância, o que impediria Lula de disputar à Presidência. Claro que os advogados do ex-presidente vão recocorrer. Será uma nova guerra jurídica que poderá ter implicações nas eleições.

Pesquisa

Nesta quinta-feira (13) surgiu uma pesquisa que pode servir de alerta para os alagoanos Maurício Quintella, Marx Beltrão, Biu de Lira, entre outros, o que foi percebido antecipadamente pelo senador Renan Calheiros.  

Dados apurados pelo instituto DataPoder360 revela que 75% dos brasileiros não pretendem votar em deputados que se aliarem a Michel Temer.

O levantamento também mostra que, para 80% dos brasileiros, Temer é corrupto. (Leia mais sobre essa pesquisa aqui)

 

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