Pesquisa: Apoiadores de Temer terão dificuldades na eleição

Levantamento realizado pelo Instituto Paraná Pesquisas, com exclusividade para o site brasil247, entre 30 de setembro e 3 de outubro, ouviu 2.160 pessoas em 26 estados e no Distrito Federal. A margem de erro varia de acordo com as regiões do país.

Pelas perguntas feitas aos entrevistados e o resultado fica o alerta de contaminação e perda de votos dos deputados e senadores aliados do presidente Michel Temer.

74,9% dos entrevistados disseram que não reelegeriam um deputado federal que votasse pelo arquivamento da denúncia contra Temer. 13,3% disseram que reelegeriam; 8,5% responderam talvez, e 3,3% não souberam ou não quiseram opinar.

A Pesquisa também quis saber se os entrevistados votariam em um candidato à presidente apoiado pelo PMDB, do presidente Michel Temer? 75,8% disseram que não.

Os números acima trazem uma conclusão rápida e simplória. O candidato que tiver a sua imagem associada a Temer sofrerá imensa dificuldade de conquistar algum voto livre, consciente, ideológico, especialmente quem vai lutar por uma reeleição.

Ou seja, se já não tiver ou fizer acordo com lideranças e cabos eleitorais, se não puder construir em seu entorno uma boa “estrutura de distribuição de favores”, não vai alcançar o objetivo.

Já aqueles não alinhados têm uma arma poderosíssima contra os aliados de Temer. Além da propaganda eleitoral nos meios de comunicação, as redes sociais são essências para espalhar e reforçar uma informação, o carimbo dessa aliança com o presidente rejeitadíssimo.

E os mais destacados apoiadores de Michel Temer em Alagoas são: o ministro do Turismo Marx Beltrão, que deseja disputar o Senado. Maurício Quintella, ministro dos Transportes, deve brigar pela reeleição de deputado federal, assim como o deputado Arthur Lira e o seu pai, Benedito de Lira, que tentará renovar o mandato de senador.

Mesmo que a economia melhore e Temer permaneça no cargo, não há tempo nem pessoas qualificadas dentro do governo acima do que há de negativo e capazes de reverterem a imagem de um presidente visto como chefe de quadrilha.

Os Temeristas alagoanos que se cuidem e o MP que fique de olho nas “estruturas de distribuição de favores”.

Leia a pesquisa aqui.

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O mercado financeiro, Lula, Alckmin e Doria, Temer, Ciro, Marina e Bolsonaro

Embora a bolsa de valores tenha apresentado ótima valorização nesta terça-feira (3), a última pesquisa Datafolha deixou o mercado financeiro em polvorosa. Os grandes especuladores, analistas de investimentos, economistas de bancos e de corretoras tentavam avaliar os resultados.

As duas situações que eles não engolem é o crescimento e a liderança de Lula, o segundo lugar de Jair Bolsonaro e a pontuação baixa dos dois candidatos que mais agradam aos seus projetos e objetivos: Um é Geraldo Alckmin. O outro e principal é o prefeito de São Paulo, João Doria, ambos do PSDB.

São esses dois políticos que mais se aproximam do que defendem e que lhes é bastante lucrativo que, no caso, é privatização das empresas estatais, nenhum ou redução de programas sociais, nada de estado de bem estar social, reduzir a proteção ao meio ambiente, abertura total para empresas estrangeiras, entre outras ideias.

Entre a turma desse setor – que vive e pensa que no mundo só existe o mercado e para ele tudo deve estar voltado - começou a ser distribuída, inclusive para clientes, uma série de análises sobre o quadro sucessório.

A primeira delas foi uma reportagem com o presidente do PDT, Carlos Lupi, que avalia como ponto mais positivo do Datafolha “o fato de Ciro Gomes ter o menor índice de rejeição entre os nomes apresentados”.

Quanto ao desempenho de Lula, ele bota na conta da rejeição do presidente Michel Temer, a quem considera como “o maior cabo eleitoral” do ex-presidente.

Sobre Marina Silva, Lupi parece desprezar a pontuação da ex-senadora ao afirmar que é devido as lembranças das duas últimas eleições presidenciais e crava que ela não deve perdurar no páreo.

A análise do presidente do PDT é semelhante para Bolsonaro, que crava que o parlamentar não conseguira se manter na segunda colocação. “Vai ter aqui e ali os votos dos mais extremistas, mas ele não aguenta uma presidencial. Aliás, lembra que o filho dele desmaiou no primeiro debate para a prefeitura do Rio? Vai que ele enfarta no debate presidencial. Já pensou?", alfinetou Lupi.

O segundo documento a circular no mercado foi um texto de uma avaliação de um auxiliar direto (o nome não foi revelado) de Michel Temer sobre a pesquisa. Ele avalia cenário, o PT, voto em Lula, Bolsonaro e o debate econômico.

Sobre o cenário diz que ”sem um candidato claro de sucessão do governo atual” tudo fica muito indefinido. E lembra que em 1993, nessa mesma época, “FHC era candidato apenas ao Legislativo”, o que significa que há muito tempo para o quadro mudar.

O PT, com ou sem Lula, “será elemento central na eleição, até porque haverá um debate opondo o modelo liberal atual ao assistencialismo e paternalismo dos anos Dilma e Lula”. Analisa, ainda, que o voto em Lula é “em parte pelo petismo e em parte pela comparação da situação econômica. Até ano que vem, situação terá melhorado e parte desse voto pela comparação econômica pode migrar dele”.

Por conta disso acredita que o debate econômico deverá ser importante, o que abre uma janela para o que chama de “solução Meirelles”, sem que necessariamente seja o atual ministro da Fazenda o candidato, mas alguém com o seu perfil e que encampe essa agenda do atual governo.

A análise também duvida da candidatura Jair Bolsonaro. Acha que ele herda a insatisfação de parte da população, tem intensidade elevada, “mas não tem narrativa própria” e inda não transmite confiança.

Por fim, conclui que numa eleição também são fundamentais dois pontos: Estrutura partidária e institucional, além da grande estrutura política, que reúne governo e partidos de coalizão.

De fato, essa avaliação não deixa de ter muitas razões. Como essas questões estão indefinidas, a entrada delas em alguma direção altera o cenário.

Portanto, mais uma vez aguardemos.

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Renan Calheiros virou apresentador!

É sempre assim. Um ano antes da eleição os políticos que passam a maior parte do tempo em Brasília “desembarcam” em Alagoas. Nas redes sociais, ferramenta fundamental em uma disputa eleitoral, as principais atividades são apresentadas.

Circula um vídeo resumido do senador Renan Calheiros (PMD-AL) em que ele é o próprio apresentador de Renan Calheiros. Explico: o senador, ao lado de algumas lideranças política do município, diz onde está e de qual evento participou no final de semana do dia 30 de setembro.

Em exatos 55 segundos Renan Calheiros apresenta o resumo do seu final de semana viajando por Alagoas. Em Batalha fala sobre uma exposição da Bacia Leiteira. Em Senador Rui Palmeira acompanhou uma festa tradicional. Em São Brás a Emancipação Política e em Quebrangulo o Festival de Cultura.

Vídeo curto, boa iluminação e qualidade satisfatória do apresentador que busca a reeleição. Porém, o que é mais importante é que em todos esses lugares havia muita gente. Ora, gente vota, portanto, gente é eleitor. E eleitor tem um valor danado de bom a partir dessa época.

Como o tempo do vídeo é curtíssimo – e assim deve ser o uso dessa ferramenta, o senador não apresenta os nomes das lideranças políticas que estão ao seu lado naquele instante. Essa forma pode deixar alguns chateados, por um lado, mas, por outro, essa limitação técnica o livra de citar algumas figuras polêmicas e até pouco recomendáveis.

Porém, que são influentes e quem tem influência transfere votos. E voto depois que é contado não tem cara, cheiro, sexo, caráter, ação judicial, anfim, não tem defeito.

É só número, operação matemática de adição ou multiplicação.

Nessa corrida estratégica Renan Calheiros sai na frente.

E política também é uma caçada aos votos e conquista de apoios.

 

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Um prefeito é cassado por semana no Brasil

Os dados fornecidos por Tribunais Regionais Eleitorais foram levantados a partir das eleições do ano passado. Até agora 49 governantes perderam o cargo, o que dá uma média de um prefeito cassado por semana no Brasil.

Problemas como ficha limpa, abuso de poder político e econômico, compra de voto e propaganda eleitoral irregular são as causas. São mais de 300 cidades sendo governadas em meio a uma intensa guerra travada no Judiciário.

Funciona como uma espécie de terceiro turno no tapetão. Prefeitos que já foram cassados em primeira instância, mas permanecem no cargo graças a recursos interpostos nos TREs e no TSE. Uma disputa contra candidatos derrotados que seguem brigando por uma nova eleição ou para derrubar o adversário.

Essa situação crescente cria uma imensa instabilidade política e administrativa. Em Alagoas, segundo levantamento feito pelo O Globo, 27 municípios alagoanos são administrados por gestores com recursos judiciais.

É uma questão crítica para a democracia e para os administrados e, por outro lado, bastante lucrativa para os escritórios de advocacia.

Culpa de uma legislação que permite muitos recursos e de uma justiça eleitoral lenta, o que transfere o pleito das urnas para o “tapetão eleitoral”.

O fato é que temos uma justiça rápida durante o processo eleitoral, mas que demora a julgar os recursos do mandato, o que permite que os maus políticos sigam no poder administrando os recursos públicos.

 

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“Extremo amargor”: o depoimento que teria abalado Lula

Quem conta essa história são pessoas próximas do ex-presidente Lula, que dizem que se antes ele dizia entender delatores como os donos de construtoras, o mesmo não ocorreu com o ex-ministro Antonio Palocci.

A revelação é que Lula teria ficado chocado, tocado, com um sentimento de “extremo amargor” pelas fortes acusações.

De fato, parece mesmo ter sido atingido. Não me lembro de nenhuma outra vez em que Lula foi citado e acusado sem que, sem muita demora, ele próprio não tenha vindo a público se defender.

Certamente Lula e Palocci eram bastante íntimos. Tanto que conviveram no mesmo partido, fizeram política no mesmo Estado, São Paulo, e governaram juntos.

Se for verdade o sofrimento do ex-presidente, deve relevar e sair dessa “depressão”, digamos assim. São pouquíssimos os presos que suportam manter o silêncio e não fechar um acordo de delação premiada – exceção do também ex-ministro José Dirceu.

Certo dia um amigo me contou a seguinte história que exemplifica bem essa situação: dois políticos alagoanos, que já haviam sido presos, mas por crimes diferentes, comentaram e cravaram que os presos da Lava Jato iriam abrir o “bico”, um a um.

Diziam os dois experientes na causa que ninguém aguenta ficar trancafiado numa cela, longe da família e do conforto e que é melhor revelar os esquemas, salvar ainda uns bons trocados e cumprir parte da condenação em casa.

Acertaram em cheio. Quase a totalidade dos condenados na Operação Lava Jato e nos seus desdobramentos fizeram acordo de delação. Disseram verdades e mentiras. Alguns omitiram informações ou se excederam e na busca pela salvação do pescoço.

Por isso também é preciso ter cuidado com o que é dito e fechado nesses acordos. O devido processo legal deve ser excessivamente respeitado.

Voltando especificamente a Lula, ainda não dá pra deduzir se o seu “extremo amargor” é por decepção com o amigo e aliado ou se é o receio de ficar sem saída.

Aguardemos.

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“Invenção judicial para afastar Aécio é golpe”, diz jornalista

A primeira vez que ouvi o nome do jornalista Mario Rosa foi em 2006 durante a disputa pelo governo de Alagoas. Na época eu fazia parte da equipe de comunicação do então deputado federal João Lyra, que disputava o cargo de governador.

A partir daquele instante comecei a acompanhá-lo. Foi reconhecidamente um excelente profissional no dia a dia do jornalismo (ganhou vários prêmios), bem como se destacou na função seguinte: a de administrador de crises de grandes empresas e de políticos. É também, atualmente, um excelente autor de livros sobre essas questões.

Exatamente por respeitá-lo, mesmo quando discordo - o que não significa necessariamente que discordo de tudo neste momento – que abro este espaço para o texto que ele publicou sobre a decisão do STF no caso do senador mineiro Aécio Neves.

Diz Mario Rosa que a decisão do STF que afastou o senador Aécio Neves, de quem já foi vítima, “representa uma espécie de golpe de Estado. Este é o Ato Institucional número 01 desses tempos da Lava Jato”.

Para ele, “as aproximações simultâneas do general da ativa do Exército Antonio Hamilton Mourão expressam um axioma político. Ele é composto pela incapacidade da política de se autopurificar, mas também pela disputa mesquinha entre atores do poder que apenas aprofunda a crise, ao invés de aliviá-la. Togas podem muito. Baionetas podem muito mais”.

É certo que muitos brasileiros estão felizes com a decisão que atingiu Aécio Neves, o tutor de Michel Temer. Há, inclusive, um gosto doce de vingança e o desejo de que outros políticos sejam atingidos pela mesma arma.

O senador é tido como um dos responsáveis pelo aprofundamento da crise brasileira, além de ser causador de imensa decepção entre os seus simpatizantes por conta das graves denúncias de recebimento de propina como governador e senador.

Porém, há quem acredite que o posicionamento do STF põe em risco os preceitos constitucionais.

Queremos todos os políticos punidos, mas com o devido processo legal. Não sendo dessa forma o risco institucional é imenso, mesmo com a previsão de eleições em 2018.

Leia abaixo o texto de Mario Rosa e tire as suas conclusões:

Por Mario Rosa, no Poder 360

Todos nós temos enorme respeito pelo Supremo Tribunal Federal. Reconhecemos a seriedade e a probidade pessoal de seus integrantes. Compreendemos que o acúmulo terrível de decisões complexas e verdadeiramente paradigmáticas vem requerendo um esforço mental e emocional dessas pessoas. Sim, são pessoas, como eu e você. Sujeitas a erros e detentoras de virtudes. No caso dos ministros, virtudes excepcionais. Mas sejamos francos: seus erros, quando ocorrem, são potencialmente devastadores.

decisão de afastar o senador Aécio Neves, a invenção judicial por trás disso, representa uma espécie de golpe de Estado. Consolidada, caberá aos ministros da Suprema Corte decretar de maneira sumária quem vai ou não vai permanecer na política. Este é o Ato Institucional número 01 desses tempos da Lava Jato.

O senador Aécio Neves foi eleito por Minas Gerais. Pode ser acusado de tudo e investigado por tudo. Mas o afastamento de seu mandato, o sagrado mandato, o precioso mandato da inestimável democracia, só pode ser usurpado pelas vias legais, a partir de mecanismos previamente pactuados e deve seguir estradas iluminadas, amplas e retas. E não esgueirar-se por atalhos astuciosos, por mais bem intencionados que sejam.

Não defendo o senador Aécio Neves. Defendo a lei, a Constituição e rejeito as tentações autoritárias, mesmo que emanadas de boas intenções. Sinceramente, o tom jocoso em alguns momentos do julgamento da cassação-não-cassação do senador Aécio me assustou. Estamos brincando com coisa séria? É isso?

Por acaso, algum tribunal, diante do caos social, conseguiu se contrapor a canhões e baionetas? Alguém imagina que a desordem política e agora jurídica vai fortalecer as picuinhas entre os Três Poderes e isso tornará a democracia mais sólida? Não.

Há os cientistas do caos, do caos teoricamente controlado, do caos de laboratório, aquele caos que vai até um certo ponto mas nunca sai do controle. Pois bem: esses serão simplesmente trucidados, esquartejados em praça pública ou nos porões.

Vão sair de fininho na calada da noite prendendo a respiração no porta-malas em direção ao exílio, depois de despertar do sono os únicos atores que verdadeiramente têm poder real para se investir de guardiões do Estado –as Forças Armadas– que em algum momento, cansadas e com o povo cansado, serão chamadas a intervir na liberdade que os civis não souberam gerir.

Nesse sentido, as aproximações simultâneas do general da ativa do Exército Antonio Hamilton Mourão expressam um axioma político. Ele é composto pela incapacidade da política de se autopurificar, mas também pela disputa mesquinha entre atores do poder que apenas aprofunda a crise, ao invés de aliviá-la. Togas podem muito. Baionetas podem muito mais.

Pessoalmente, sofri as maiores ofensas e degradações do grupo do senador Aécio Neves. Na surdina, mas devastadoramente. Em função de minha proximidade pessoal com aquela que viria a se tornar mulher de um adversário dele na política local, o atual governador Fernando Pimentel, vi e senti como ele, sua irmã hoje presa e alguns lacaios guerreiros à sua volta fizeram todas as maquinações possíveis para disseminar imputações injuriosas envolvendo meu nome em práticas que jamais cometi.

Sei, hoje, o espectro exato de algumas perseguições. Isso trouxe danos irreparáveis para a minha vida, anos de prejuízo emocional, profissional, o fim de minha família, o escárnio. Escrevi até livro sobre o tema, poupando o leitor das escaramuças políticas de bastidor que também fizeram parte do processo.

Foi necessário muito tempo para que minha vida recuperasse o mínimo de normalidade depois de ter sido transformado em alvo político por uma crueldade desnecessária. Até tentar me desonrar em CPI o senador afastado dedicou-se pessoalmente para me aniquilar. Era detalhista. Logo eu, um nada. Não defendo aqui a pessoa de Aécio Neves. Mas não serei eu a espezinhá-lo no seu martírio.

Se os nossos doutos magistrados imaginam que estão adotando uma higienização da política com essa medida extrema, o ato institucional que efetuaram representa na prática a anulação potencial de todos os mandatos.

Caberá, agora, acompanhar as sessões do Supremo para saber qual dos eleitos pelo único legitimador na democracia –o voto popular– continuará ou não no cargo na semana que vem. Tudo em nome de uma nova Redentora?

Perdoem-me, ministros: se a ideia é revogar a Constituição de 1988 para promover uma terra arrasada na elite política que a população já não aguenta mais, se é esse o caminho, a “jurisprudência Mourão” é muito mais eficaz, orgânica e com precedente histórico.

Ainda traz a vantagem eventual de levar essa faxina aos três Poderes. Por que não? Já que a política é suja, alguém pode imaginar que tudo que decorre dela também é. As ditaduras sempre adotam a teoria dos frutos podres e revolvem os cancros de todos os outros Poderes.

Inclusive a nossa egrégia Suprema Corte, uma construção política da democracia. De-mo-cra-cia. Com todas as suas contradições, suas imperfeições, sua lerdeza exasperante. Rápidas e ágeis costumam ser as ditaduras, sobretudo no seu florescer: sabemos onde terminam essas ações açodadas.

Leis criadas em gabinetes não são coisa de democracia. Podem ser leis lindas! Magníficas! Maravilhosas! Mas leis precisam ser feitas por esses seres horrendos, sim, eles mesmos, os representantes do povo, os…argh!!!…políticos…depois de muitas negociações (algumas enojantes).

Os tecnocratas da ditadura tinham horror a essa gente, os eleitos. A corrupção pode ter provocado a decepção de muitos magistrados, mas não se esqueçam: quando a democracia cai, o Supremo desaba. Não brinquem com os pilares dela.

Ao tomar essa decisão, os magistrados jogam a política ainda mais contra a opinião pública. Sinceramente, com todo respeito, a democracia que recebemos e na qual suas excelências exercem papel tão notável merecia um pouco mais de carinho. Carlos Lacerda brincou com ela. Outros brincaram com ela. Não ficaram para ver o monstro que se seguiu.

A democracia não pertence ao Supremo. A Constituição não pertence ao Supremo. O Supremo pertence à democracia. O Supremo pertence à Constituição.

Por pior que seja para a sociedade conviver com a situação política de Aécio Neves, inventar uma cassação ad hoc é avançarmos mais um passo para um caminho de voluntarismos e casuísmos no qual a democracia sempre perde. A democracia só funciona com regras claras, gerais e aplicáveis a todos, depois de amplamente discutidas.

Preservar os direitos do senador Aécio Neves –o mandato que lhe foi conferido pelo povo de seu Estado– não é defender a impunidade. É defender o devido processo legal, é defender ordenamento jurídico, é defender a soberania do voto popular.

Ele pode ser cassado? Pode. Mas não com a canetada de três ministros do Supremo, por mais bem intencionados e patriotas que sejam. O Brasil já teve outras trocas patrióticas.

Relembro a frase hoje histórica do coronel Jarbas Passarinho [1920-2016], um querido e íntegro amigo que tive a honra de conviver e admirar no início de minha carreira como jornalista, ao proferir seu voto na dramática votação do AI 5. Lembrei-me lembrei dela ao ver o que fizeram com Aécio Neves:

As favas, neste momento, todos os escrúpulos de consciência.”

 

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Exército reclama, STF afasta e Senado prepara reação contra afastamento de Aécio

Os senadores do PSDB preparam uma resposta a decisão do STF de afastar o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e determinar o recolhimento noturno do parlamentar. Eles acham que essa decisão cerceia a liberdade de Aécio.

Acreditam - mais ou menos assim, que a obrigação do recolhimento é uma forma de prisão indireta, por isso o Senado deve se manifestar. Para isso tomam como base uma interpretação da Constituição que diz que “desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão”.

Bom, esse posicionamento dos senadores tucanos é uma visão do problema e também apenas pode ser uma versão. É que o artigo da Constituição não prevê qualquer necessidade de  manifestação dos senadores no caso de recolhimento domiciliar.

Na verdade os tucanos estão misturando alhos com bugalhos. Recolhimento em sua própria residência no período noturno jamais pode ser comparado ao recolhimento em um presídio, por exemplo. Mas, vai haver barulho e talvez confronto entre os poderes. Aguardemos.

Agora, o que de fato significa essa decisão é o enfraquecimento do presidente Michel Temer. Sem a presença de Aécio, a tendência é que a ala do partido favorável ao afastamento do governo fique mais fortalecida.

De toda forma, aconteça o que acontecer nos próximos capítulos, a decisão do STF é humilhante para o senador que perdeu por pouco uma eleição presidencial em 2014 e era nome fortíssimo para vencer o pleito de 2018, mas que agora é lembrado como receptor de propinas da JBS.

Um golpe talvez fatal no político e no PSDB.

Outro detalhe é que o afastamento e o recolhimento noturno do senador Aécio Neves também pode atingir outros parlamentares investigados e denunciados em esquemas de propinas, inclusive alguns alagoanos.

Será que essa decisão do STF tem a ver com a cobrança dos generais do Exército? Vale lembrar que eles reclamaram da crise, da corrupção e falaram até em intervenção e isso tem poucos dias.

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A estratégia do “lucrativo” Temer para o Congresso

Ao contrário da primeira denúncia, a estratégia montada pelo presidente Temer para enfrentar a segunda é diferente, embora o método seja o mesmo: comprar deputados para barrar a denúncia feita pela Procuradoria Geral da República.

Porém, dessa vez o governo não tem pressa. E mostrou isso ao não mobilizar os aliados na sexta-feira (22) e nesta segunda-feira (25) para dar quórum. Também aguarda o desenrolar os fatos da CPI da JBS, o que pode reforçar a defesa do presidente.

O governo também sabe que os parlamentares estão ansiosos. Percebe que os seus apoiadores entendem que essa denúncia é mais uma oportunidade, talvez a última, de tirar vantagens do governo.

E qualquer demonstração de pressa valoriza ainda mais a fome dos aliados. Portanto, é melhor acompanhar o desenrolar dos fatos e agir no momento necessário, como já vem fazendo. O governo prepara a liberação de mais dinheiro para programas como o refinanciamento de dívidas Refis e o Bolsa Família.

Acusado agora por organização criminosa e obstrução de Justiça, no dia em que a PGR o denunciou o governo liberou R$ 65 milhões em emendas parlamentares. Fora os cargos dados e os que ainda estão por vir.

A emoção do jogo da classificação do CSA passa, assim como a alegria de mais uma edição do Rock in Rio também ficou pra trás.

O que não muda é a violência e os esquemas políticos.

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EX-presidente do STF apoia ex-presidente do STF para presidente

O papo é entre dois ex-presidentes do STF. Carlos Ayres Brito e Joaquim Barbosa estão sendo assediados por alguns partidos para que disputem à Presidência da República em 2018.

Brito – que já foi convidado pelo PSB, diz que Barbosa é um grande homem público e se “as coisas afunilarem para o nome dele (JB), estarei ali para apoiar, para incentivar".

Joaquim Barbosa não se pronuncia sobre convites, possibilidades e pré-candidatura. O máximo que faz é usar as redes sociais para questionar o atual momento político, inclusive a turma da Lava Jato instalada no Paraná.

Carlos Ayres Brito assessora a ex-senadora Marina Silva (Rede), que deverá disputar novamente à Presidência.

Nesse quadro louco da política brasileira tudo é possível e incerto, inclusive o surgimento de salvadores da pátria.

No entanto, quem for sabido deve aguardar até meados do ano que vem.

Indicações apontam que a partir de outubro o STF começa a julgar os políticos envolvidos na Lava Jato, os tais com foro privilegiado.

Muitas mudanças e surpresas deverão ocorrer, o que poderá causar drásticas alterações nas composições políticas e candidaturas.

Até mesmo o Exército Brasileiro já deu o seu recado ao dizer que espera uma solução jurídica e/ou política. Caso contrário o caos estará instalado - inclusive falaram abertamente sobre intervenção.

Dizem que política é como as nuvens que passam e mudam o seu formato a todo instante.

Mas no atual cenário político é bem mais do que isso. Elas passam devagar, carregadas, escuras e prontas para desabar uma tempestade com trovões e raios devastadores.

Aguardemos.

Vida que segue.

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Professor cita corrupção no governo militar e convoca resistência armada

Enfim, uma personalidade respeitada surge e critica a postura do Exército Brasileiro que, através de generais, ameaçou intervenção militar em caso de caos. Em artigo publicado na Folha, o sociólogo Vladimir Safatle, professordo Departamento de Filosofia da USP, é contundente.

Para ele, as Forças Armadas não agem contra o caos, mas são parte fundamental dele. Também questiona quem poderia explicar “à população de qual delírio saiu a crença de que as Forças Armadas brasileiras têm alguma moral para prometer redenção moral do país?”

Cita por exemplo, personalidades políticas que cresceram dentro do palácio do Planalto na ditadura militar, como Sarney, Maluf, Antônio Carlos Magalhães, entre outros. Relembra, mesmo com o ambiente da época marcado pela censura, casos históricos de corrupção na Capemi, Coroa Brastel, Brasilinvest, Paulipetro, grupo Delfin, projeto Jari, entre outros.

Questiona, ainda, “como esperar moralidade de uma instituição que nunca viu maiores problemas em abrigar torturadores, estupradores, ocultadores de cadáveres, operadores de terrorismo de Estado, entre tantas outras grandes ações morais?”

Contra o que chama de marcha da insanidade, convoca “àqueles que entendem não terem nascido para serem subjugados pela tirania, que não estão dispostos a abrir mão do resto de liberdade que ainda têm para se submeter a mais uma das infindáveis juntas latino-americanas, prepararem-se para exercer seu mais profundo direito: o direito de resistência armada contra a tirania”.

Leia o artigo na íntegra aqui e tire as suas conclusões.

 

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