Juízes definem data da ‘Greve do privilégio’

Recesso duas vezes ao ano, auxílios-moradia, livro, educação, plano de saúde, poder ser professor e por aí seguem vários privilégios – para muitos penduricalhos – voltados para os juízes federais engordarem os seus ganhos mensais. Também acabam beneficiados os juízes estaduais, os do trabalho, membros dos ministérios públicos, além de conselheiros dos tribunais de contas dos estados, municípios e da união.

É por conta exclusiva da marcação para o dia 22 de março do julgamento, no STF, que vai decidir se os juízes têm direito ou não ao benefício do auxílio-moradia que permite que a maioria deles ganhe acima do teto constitucional, hoje em R$ 33,7 mil, que os juízes federais ameaçam uma paralisação no dia 15.

O argumento da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) é que outra ação que poderá definir os tipos de benefícios aos quais todos os magistrados brasileiros têm direito permanece ainda sem data marcada de julgamento. A Ajufe também alega que é justo o pagamento e diz que o benefício passou a ser questionado devido à “atuação imparcial e combativa contra a corrupção” dos juízes.

O esquema desse penduricalho funciona da seguinte maneira: A menos que o próprio juiz recuse o benefício, o auxílio-moradia é pago em todo o Brasil, mesmo àqueles que têm imóvel na cidade onde trabalham ou os que moram lá há anos.

Muitos magistrados, caso de Sergio Moro, da Lava-Jato, já declararam que o auxílio-moradia é uma forma de compensar a falta de reajuste da categoria. Há casos de juízes dono do próprio imóvel na cidade em que trabalha, casado com outra juíza, em que cada um recebe o seu auxílio. E tem ainda aqueles que são proprietários de vários imóveis.

Torçamos para que seja o fim desse e de outros privilégios. Só que não apenas do Judiciário. E sim também no Legislativo e no Executivo. Não como uma guerrinha entre os poderes, mas com uma discussão profunda com a sociedade.

É fato que há uma disparidade imensa de excessivos benefícios para várias categorias dos funcionários de carreira do Estado, ao contrário do que ocorre com trabalhadores do setor privado, inclusive quanto a remuneração fixa.

Aliás, o país precisa rediscutir o seu pacto social, digamos assim, construído a partir da Constituição Cidadã aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte em 22 de setembro de 1998 e promulgada em 5 de outubro de 1988.

Bem antes, porém, desse sonho vem aí a “Greve do Privilégio”.

E na manhã desta sexta-feira (23) o senador Roberto Requião (MDB-PR) leu o relatório que propõe o fim do auxílio-moradia de R$ 4,3 mil mensais para juízes e procuradores.

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Intervenção no Rio: Militares são ‘bucha de canhão do gato angorá'

Publiquei terça-feira (20) um texto questionando se na intervenção do Rio Temer era o fantoche ou os militares eram ‘bucha de canhão’ (leia aqui). Dois dias depois, de acordo com os desdobramentos, afirmo que os militares foram transformados, infelizmente, em solução para a ambição e sobrevivência política do presidente mais detestado na história da política brasileira.

Toda uma estratégia de marketing em curso foi montada por publicitários ligados ao governo federal. Uma campanha publicitária sobre a intervenção militar foi lançada nos veículos da Globo. Ela firma que a ação dos militares “vai tirar o Rio de Janeiro das mãos da violência”.

O idealizador da intervenção é o ex-governador do Rio, Moreira Franco (1987-1991), atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência e amigo do peito (e de negócios?) de Michel Temer.

Ele teve maior visibilidade recentemente ao ser chamado nas planilhas de propinas das construtoras como “gato angorá’, no âmbito das investigações da Lava Jato.

Questionado pela Folha se foi feita análise de riscos da intervenção se algo der errado e toda a culpa recair sobre Temer, ele disse que “Aqui não tem amador. As pessoas têm 50, 45, 40 anos de vida pública. Claro que fez.”

O ex-governador reconhece, na mesma entrevista, que é uma ação de risco: “O cálculo é que na vida, tem certas horas, que você tem que assumir riscos, tem que decidir. Nessas circunstâncias, não dá para ficar empinando pipa, tem que mergulhar com coragem e convicção.”

Ou seja, a turma do Temer foi ‘pro tudo ou nada’, e usa as forças armadas para tentar sobreviver e até se manter no poder. A tentativa clara é resgatar a imagem de Temer e tentar viabilizá-lo como candidato á Presidência.

Mas quem é Moreira Franco, o ‘gato angorá? Reportagem de Laura Capriglion, no Jornalistas Livres (leia aqui), revela que ele foi o primeiro governador do Rio a andar para cima e para baixo acompanhado de Nazareno Barbosa Tavares, homem do Comando Vermelho.

Foi ele que organizou e comandou o sequestro do empresário Roberto Medina, dono do Rock in Rio. Nazareno e outros criminosos da época participaram de campanhas de Moreira, trabalharam no governo do Rio. Vários deles foram mortos depois de presos. Contam que para não revelar os nomes dos envolvidos do andar de cima.

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Arthur, Cunha, Quintella e Vilela podem formar ‘Chapa da Morte’

Divulgação Daedf133 d71f 49c3 bfaa e2541f12930c Arthur Lira

Muitas vezes nem percebemos, mas a matemática, como ciência exata, está constantemente presente em nosso dia a dia e também na política, especialmente em ano eleitoral. Partidos, candidatos e especialistas estão debruçados fazendo cálculos em torno de nomes e coligações.

Daí surgem avaliações que batizam este ou aquele grupo, ou coligação, que pode, ou deverá se formar, de ‘Chapa da Morte’. Tive acesso a uma dessas análises que alguém pode dizer que é apenas especulativa, tudo bem, mas é assim que funciona a tal análise de cenário que define, consequentemente, aceitação de candidatos e formação de grupo político.

E essa chamada ‘Chapa da Morte’ poderá ser formada na oposição, desde que nomes com a densidade eleitoral de Arthur Lira (PP), Pedro Vilela (PSDB), Rodrigo Cunha (PSDB) e Maurício Quintella (PR) disputem coligados o mandato de deputado federal.

A aposta é que desse quarteto com grande potencial de votos apenas três sejam eleitos. E é aqui onde entra exatamente a matemática. Para eleger o primeiro deputado a soma dos candidatos tem que chegar a 170 mil votos. Para eleger quatro são necessários em torno de 640 mil votos.

Aparentemente esse número, analisando politicamente, é improvável de ser alcançado – embora não seja matematicamente. Na eleição anterior, com JHC na coligação e com uma votação surpreendente, esse grupo ficou distante dos 640 mil votos, e elegeu três federais.

O que também leva esses quatro prováveis integrantes de uma coligação a estarem numa ‘Chapa da Morte’ é a mudança na legislação eleitoral. Na última eleição, 2014, a chapa que atingia o quociente eleitoral e obtinha a maior sobra conquistava a última vaga.

Agora é apenas a maior sobra - independente da chapa – coligação - que ocupa essa última vaga, o que, segundo os especialistas, tende a beneficiar Heloísa Helena uma vez que ela vai disputar com condições e pode conquistar essa última vaga dada a sua provável alta votação.

Ou seja, HH é competitiva, porém - neste cenário, repito -, ela vai disputar o chamado ‘voto de opinião’ com Ronaldo Lessa (PDT), Rodrigo Cunha (PSDB), entre outros nomes que deverão surgir. E isso pode ser um problema para Heloísa.

Voltando a ‘Chapa da Morte’, caso Teotonio Vilela decida entrar verdadeiramente na disputa para ajudar o seu sobrinho Pedro Vilela (PSDB), esse apoio será decisivo por conta da sua liderança política. Por outro lado, irá colocar rochas e espinhos na caminhada de Rodrigo Cunha (PSDB).

Talvez por isso o ex-governador já deu declarações indicando o aliado e companheiro de partido para o Senado.

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Intervenção: Temer é fantoche ou os militares são ‘bucha de canhão’?

Coleção de improvisos; ‘me engana que eu gosto’; democracia ameaçada, intervenção de Temer foi acertada com os seus marqueteiros; Bolsonaro diz que Temer não vai roubar o seu discurso; vídeo dá dicas de como sobreviver à abordagem indevida de policiais e militares; Alexandre de Moraes, ministro do STF, se reúne com Temer para sugerir alterações legislativas, administrativas e medidas operacionais para tentar equacionar a crise na segurança pública.

Ufa!

Enfim, essa série série de frases do parágrado acima trazem ideias, notícias e posicionamentos que estão sendo colocadoas pelas mais variadas personalidades publicas sobre o decreto que dá ao Exército o comando total da estrutura de segurança do Rio de Janeiro.

Uma análise que deve ser observada é a do presidente do PCO, Rui Costa Pimenta. Ele entende que a esquerda erra ao avaliar que os militares foram transformados em bucha de canhão, ou em "porteiros de favelas", na intervenção do Rio, com o propósito de servir a um projeto demagógico e eleitoreiro de Michel Temer. "A meu ver, os militares estão no comando desse processo, atuando nos bastidores, e fazendo aproximações sucessivas para a tomada do poder, como disse o general Mourão", diz ele.

 

Tem lógica, claro, porque Michel Temer é um político fraco, um personagem frágil, sem apoio popular, portanto, não seria estranho se não passasse de um simples boneco nas mãos dos militares, certo?

 

Ainda segundo Rui Costa Pimenta, a posição do governador Luiz Fernando Pezão não foi uma escolha, mas uma imposição dos militares.

 

“O Brasil corre o sério risco de cair numa nova ditadura militar. Mas a tendência maior é tentarem realizar eleições controladas – e sem Lula, portanto – para dar aparência de legitimidade ao golpe de 2016”, acredita o presidente do PCO.

Será?

Pois bem, caro leitor, escolha VERDADEIRO ou FALSO:

Na intervenção no Rio...

A - Temer é fantoche

B - Os militares são ‘bucha de canhão’

C -Tudo não passa da famosa 'teoria da conspiração'

D - Nenhuma dessas opções

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Teoria da conspiração (2)? O jogo que une Renan e Biu

Ainda nos gabinetes políticos e de análises em Alagoas e em Brasília onde as decisões estão sendo tomadas e avaliadas, alguns fatos estão mais do que claros. O prefeito Rui Palmeira (PSDB) é o único nome da oposição competitivo para disputar o governo de Alagoas.

O seu partido comanda os dois maiores colégios eleitorais, Maceió e Arapiraca, entre outros municípios importantes. Além disso, Rui faz uma boa gestão, sem crises, e ainda pode utilizar no seu discurso político o fato de ser um administrador livre de qualquer processo ou suspeita de corrupção, o que é muuuuito nesse período em que são poucos os políticos livres do bafo da PF ou dos MPs em seus calcanhares.

Mas para ser candidato efetivamente competitivo para enfrentar a máquina estadual e um governador bem avaliado é necessário mais do que isso. É preciso formar uma chapa majoritária forte. Ou seja, bons nomes para ocupar o cargo de vice e as duas vagas de senador, o que Rui tem entre os partidos que o apoiam.

É aí onde está um grande problema. A análise dos especialistas é que interessa ao senador Benedito de Lira (PP) a candidatura de Rui por todas as qualidades citadas acima, mas não interessa ter um segundo nome competitivo na disputa pelo Senado, o que significa que Maurício Quintella (PR), ou qualquer outro com alguma força eleitoral, não terá o apoio da Prefeitura da capital.

É que Rui Palmeira candidato terá que renunciar ao mandato e quem assume é o vice. Só que Marcelo Palmeira, o vice, além de ser indicado por Biu de Lira é um querido enteado do senador. Será natural que com a caneta na mão Marcelo foque e priorize o seu padrasto, mentor e chefe político.

Para o governador Renan Filho (MDB) e para o senador Renan Calheiros (MDB) o raciocínio é o mesmo. É desinteressante ter um segundo candidato competitivo dentro do grupo da situação para o Senado, o que inclui Marx Beltrão (MDB).

Essa questão une, de alguma forma, os Renans a Biu, e vice versa. Interessa aos dois eliminar qualquer chance de surgimento de um terceiro ou quarto nome com densidade eleitoral. Dessa forma a reeleição de Renan e Biu será provável. E é isso que interessa, de preferência que o companheiro de chapa não tenha força eleitoral, repito, e que não tire nem dispute votos.

Isso significa que o acertado entre Rui e Marcelo Palmeira pode furar por conta da questão política e familiar, o que é natural, bem ao contrário dos Renans. Outro fator que une o objetivo de Renan ao de Lira é que ambos não podem ficar sem mandato, independente de quais sejam os motivos.

Ao contrário de Rui, Renan Calheiros tem o apoio de um filho que vai permanecer com a caneta na mão. Renan Pai e Renan Filho, que ninguém se engane, se dão muito bem e sincronizam todos os passos estratégicos e o discurso para sobreviverem.

São situações familiares como essas que podem fazer muita diferença. Eleição é soma e multiplicação de apoios, jamais divisão, subtração ou neutralidade. Mas eleição também deixa pra trás no seu rastro, historicamente, dezenas de vítimas. É uma corrida formada por um grupo que quer alcançar um objetivo, mas é também um salve-se quem puder num esforço muitas vezes individual.

O fato é que as cartas estão na mesa. Dependendo de como elas forem sendo reveladas também é aberto um novo campo de possibilidades e perspectivas. Collor, João Caldas, Alfredo Gaspar de Mendonça, Rodrigo Cunha, entre outros, acompanham esse capítulo cuja data de término não pode ultrapassar 7 de abril.

Aguardemos.

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Teoria da conspiração? Políticos duvidam da desistência de Vilela

Em Alagoas e em Brasília há quem duvide da decisão anunciada por Teotonio Vilela (PSDB) de que não irá disputar o mandato de Senador. Nos gabinetes e nos restaurantes vários cenários são analisadas, todas as opções são testadas para que os atores e autores dessa novela não sejam surpreendidos.  

Como em política tudo pode mudar e tudo é possível, há, portanto, argumento para tudo, inclusive para idas e vindas. E como faltam 50 dias para o dia 7 de abril, prazo limite para troca de partidos e para a saída definitiva, por exemplo, de Rui Palmeira (PSDB) do comando da Prefeitura de Maceió, caso opte por disputar as eleições deste ano, nada é definitivo. Por tudo isso o anúncio de Teotonio Vilela ainda é visto como não definitivo, uma espécie de 'stand by' estratégico.

E ele praticou, basta lembrar, duas ações que lhe dão argumento para modificar a sua decisão. A primeira quando entregou o comando do PSDB estadual ao prefeito para que ele tivesse facilidade de montar a chapa para concorrer ao governo com o seu apoio. Depois quando anunciou que não seria candidato ao Senado, mas que apoiaria Rui.

Até hoje o prefeito não moveu uma palha que indique que será candidato. Jamais tratou sobre o tema candidatura com a sua bancada na Câmara, nunca visitou qualquer município, não foi ao maior colégio eleitoral do interior, Arapiraca, comandado por um companheiro de partido, e não aceitou sequer o oferecimento de um político simpatizante do interior que queria colocar o seu nome, sem custo financeiro algum, em camisas que seriam distribuídas numa festa.

E como seria, nesse cenário, que Teotonio Vilela desistiria da desistência? Rui Palmeira não sendo candidato ao governo deixa o PSDB ‘fragilizado’ em Alagoas, o que levaria Vilela a usar o discurso de que o partido é forte, comanda as duas principais prefeituras do Estado, tem que ter nome forte na disputa e não pode ficar fora das eleições sob risco de enfraquecimento da legenda.

Simples assim, não parece, embora lembre, digamos, uma teoria da conspiração, não é mesmo?

Mas não é impossível porque nessa cartada faria ainda uma aliança com o PMDB do amigo Renan Calheiros. E este é um cenário, repito, também avaliado por políticos profissionais para evitar surpresas.

Aguardemos até 7 de abril.

Na segunda-feira (19) vou tratar sobre o segundo cenário, só que referente aos nomes para o Senado.

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O espaço vazio deixado pela desistência de Teotonio Vilela

O anúncio publicado no Facebook , nesta segunda-feira (12), deixa claro que o ex-governador Teotonio Vilela não vai disputar o Senado: Hoje comuniquei ao prefeito Rui Palmeira, presidente do meu partido, o PSDB, que não disputarei o Senado da República agora em 2018”.

Porém, ficou um pouco dúbio se ele será ou não candidato a outro cargo, como por exemplo, o de deputado federal, o que levaria o seu processo para o STF - se for denunciado no caso em que é investigado sobre suposto esquema de propina na construção do Canal do Sertão, delatado à PF por executivos de construtoras.

“A todos, muito obrigado. Depois de três mandatos de senador, dois de governador e por várias vezes presidente nacional e estadual do PSDB, continuarei a contribuir com o meu estado como cidadão”, disse no final da nota Vilela. Veja bem, repito, Téo Vilela afirmou apenas que não será candidato ao Senado, nada disse claramente sobre outro cargo.

Entretanto, essa decisão movimenta o cenário. Teoricamente fica mais fácil para Rui Palmeira (PSDB) – único nome da oposição com musculatura para disputar o governo, arrumar e agradar ao seu grupo dividindo as duas vagas para o Senado e ainda a de vice.

Por outro lado, caso seja confirmado que o ex-governador não disputará efetivamente nenhum outro cargo e que ficará afastado da atividade diária de uma campanha, isso representa uma perda enorme para a oposição.

Ele ainda é uma liderança expressiva na política alagoana. Tanto isso é verdade que todas as pesquisas o mostravam em segundo ou terceiro lugar, com reais possibilidades de conquistar uma das duas vagas.

Digamos que Maurício Quintella ou Rodrigo Cunha o substituam. Afirmo que nenhum dos dois tem densidade eleitoral. O ministro dos Transportes não é uma forte liderança política, muito menos popular, o que é mostrado pelo resultado, por exemplo, da eleição de 2014 quando foi apenas o sétimo mais votado. E é, atualmente, aliado de Michel Temer, o que pode trazeer prejuízos.

Rodrigo Cunha não tem base eleitoral no interior, também é desconhecido do povão e circula numa faixa de eleitorado mais consciente. Nas pesquisas para deputado federal ou estadual aparece bem cotado. Tem um discurso e uma imagem de político sério e honesto. Contudo, eleição majoritária é outro mundo.

E aí me vem a memória Heloísa Helena, que tem maior densidade eleitoral, reconhecimento público local e nacional, mas que não conseguiu enfrentar a máquina de moer gente, por mais de uma vez, ao tentar retornar ao Senado. Ela agora vai buscar uma vaga na Câmara Federal.

Portanto, aguardemos os próximos passos e se a saída de Teotonio Vilela foi melhor ou pior para a situação ou para a oposição.

Mas é sabido que em política qualquer espaço vazio é rapidamente ocupado. Veremos já nos próximos dias como ficará o que foi deixado pelo ex-governador, além de como e se ele vai atuar no processo eleitoral deste ano.

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Rui, Renans, Marx, Quintella, Biu, Vilela e como está a eleição em AL

Parada e cheia de especulações, o que é natural. De concreto, neste momento, a certeza de que o governador Renan Filho (MDB) irá disputar a reeleição. O restante dos principais personagens, com uma ou outra exceção, aguardam definições.

E essas definições dependem não apenas do quadro local, mas também do nacional. Sem Lula, encarcerado ou em prisão domiciliar, ou até protegido por uma decisão do STF de que qualquer pena só deve ser cumprida após julgamento de tribunal superior, teremos uma eleição com um cenário diferente.

Mas, voltando para o nosso campo de visão, Rui ainda tem tempo para decidir se concorre ou não ao governo. Porém, é fato que sem a sua candidatura o seu grupo tende a se esfacelar. O ministro Maurício Quintella, por exemplo, já anunciou que quer Rui para o governo, que é candidato ao Senado, mas que as suas bases permanecem sob controle caso ocorra qualquer imprevisto.

Ou seja, se Rui decidir permanecer no cargo o ministro fica livre para escolher o seu próprio caminho. Vale lembrar que Quintella e Renan Filho são amigos pessoais - dentro do que é possível na política - e não têm qualquer inimizade política. Aliás, Maurício Quintella é sonho de consumo dentro do círculo do governo estadual.

Quanto a Marx Beltrão, ministro do Turismo, a sua candidatura ao Senado não é descartada pelo grupo palaciano. Mas para viabilizá-la precisa crescer e crescer nas pesquisas eleitorais. Pode ir para o grupo de oposição e disputar o Senado? Sim, desde que Rui seja candidato – único nome viável pela oposição – e um dos três postulantes ao cargo, Quintella, Biu de Lira ou Teotonio Vilela, desista do Senado.

Outra opção seria o senador Benedito de Lira aceitar ser vice de Rui. Porém, essa possibilidade levantada por Rui ao ser questionado publicamente sobre sua candidatura pelo senador ainda deixaria três para duas vagas. Como vemos, não está fácil a montagem desse quebra-cabeça.

No entanto, enquanto a teia da política alagoana não é desvendada Renan Filho e Renan Calheiros seguem buscando e fechando apoios e abrindo portas e janelas para receberem novos e antigos e aliados que estavam, digamos, mais afastados.

O tempo da política corre de forma própria. Embora ele (o tempo) também esteja visível e disponível para Rui Palmeira, entre todos é o único que perde- repito – caso opte pela candidatura ao governo e seja derrotado, pois fica sem mandato e entrega o poder ao vice, Marcelo Palmeira, enteado do senador Benedito de Lira.

Mas há tempo ainda, claro, para mais e muitas outras negociações.

Vida que segue e bom carnaval.

 

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Eleições 2018 e o plebiscito dos sonhos: Renan contra Vilela

Toda eleição em que o chefe do Executivo disputa a reeleição ela pode ser vista como uma espécie de plebiscito. Não foi diferente com Rui Palmeira (PSDB) recentemente, em Maceió, contra o ex-prefeito Cícero Almeida, nem será diferente agora com o governador Renan Filho (MDB).

Análises a partir de pesquisas internas no Palácio do Governo avaliam que são grandes as possibilidades de o governador vencer no primeiro turno, mesmo que o candidato da oposição seja o prefeito da capital. É que é bastante alta a diferença percentual entre ambos no interior.

Essas mesmas análises também apontam - tendo como base a visão de eleição plebiscitária onde o eleitor diz se quer que o governante permaneça ou não no cargo - que o candidato ideal seria o ex-governador Teotonio Vilela (PSDB).

Isso mesmo. Simplesmente porque o eleitor seria provocado a comparar as duas gestões. Aí, acreditam, seria uma vitória, como se diz no interior, ‘de lavada’. E alguns exemplos são citados: Vilela não teria construído nem reformado nenhuma delegacia durante os seus oito anos de governo, ao contrário dos quatro anos da gestão atual.

Também seria possível comparar construção e recuperação de hospitais, novas rodovias e recuperação de outras, além da construção de ginásios, reforma de escolas e implantação do ensino integral.

De fato, há alguma lógica nesse pensamento de eleição plebiscitária e do entendimento de que o candidato ideal seria Vilela e não Rui. O prefeito tem possibilidades de crescimento eleitoral por uma série de fatores, o ex-governador, entre outras questões comparativas e impeditivas, concluiu o seu mandato muito mal avaliado, é investigado pela PF no caso Odebrecht-Canal do Sertão (leia aqui).

Apesar das dificuldades e do caráter plebiscitário, será que o ex-governador teria coragem para enfrentar o desafio?

Pode ser. Todo político profissional é movido a desafios.

Porém, contam que Teotonio Vilela tem enfrentado imensa oposição de entrar na disputa deste ano por qualquer cargo. É que essa oposição radical e combativa é da pior espécie: dentro de casa, portanto, de origem familiar.

 

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Sem Lula ou com Lula, novos e velhos candidatos devem surgir

Desde o início da Lava Jato dava para prever que as eleições seguintes significariam uma resposta do eleitor. Foi assim em vários municípios do país, caso do Rio, com o religioso-conservador Marcelo Crivella, de BH, com o empresário Jorge Kalil, e de São Paulo, com o apresentador João Doria, todos eleitos prefeitos das capitais.

De alguma forma, mas de maneira diferente, cada um dos três representava uma negação dos eleitores aos políticos profissionais. Passado pouco mais de um ano desde que foram empossados, nenhum deles conseguiu crescer e se estabelecer como liderança estadual ou até local.

A negação da política e dos políticos tende a se acentuar nas eleições deste ano. Os números das pesquisas eleitorais mostram claramente isso ao revelarem o provável alto índice de votos – cerca de 40% - brancos e nulos em pesquisas para qualquer um dos cargos que estarão em disputa.

É dessa crise de representatividade e confiabilidade que aparece espaço para candidatos como o apresentador Luciano Huck, numa ponta, em outra surge o Coordenador do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Guilherme Boulos, que admite a disposição de concorrer à Presidência pelo PSOL, entre outros.

Com Lula ou sem Lula dificilmente deixaremos para trás essa crise de representatividade onde o político é visto como bandido, os partidos são a organização criminosa e o Congresso Nacional local onde todos se reúnem. E, claro, o sistema é repetido nos estados e municípios.

Como os atores políticos suspeitos até a medula em esquemas de corrupção irão convencer a maioria do eleitorado, é o que veremos aqui e alhures.

 

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