Hoje tem espetáculo? Protesto? Tem sim, senhor! Eu vou protestar contra o protesto

Quando um circo chegava a uma cidade do interior, era uma festa. Os artistas desfilavam pela cidade como forma de se apresentar e convocar os moradores para assistirem o espetáculo.

Era cada figura! A criançada, aí me incluo, ficava curiosa. Os jovens de olho nas belas mulheres e suas poucas roupas. Tudo era atração.

Mas o texto não é pra falar de circo. É pra falar da farra dos protestos, do espetáculo que virou a divulgação das ações dos manifestantes. Justo ou não, tudo é motivo de protesto, mas que está atingindo o trabalhador.

Por falta de transporte escolar, fecha-se uma rodovia. Pro inferno as pessoas que precisam trafegar de uma cidade para outra, ir do trabalho pra casa, ir ao médico do SUS para uma consulta marcada há meses e meses.

Morre um taxista vítima de assalto, o protesto fecha as ruas e avenidas. O trânsito fica perigoso e agressivo.

Numa rua, por conta de atropelamentos, os moradores fecham-na para o tráfego. Por conta de um esgoto, moradores da Jatiúca fecham a via. Um inferno.

E já está certo pelo menos mais um protesto para esta quarta-feira (03). Serão os médicos. Eles vão andar pela  Fernandes Lima até a Praça Centenário. O trânsito vai complicar.

O justo seria que os protestos fossem feitos em frente à casa do prefeito, do secretário de Educação, na frente da casa do governador ou do secretário de Defesa Social, enfim, na frente da casa de todos eles.

Fico pensando que a culpa parece ser do cidadão comum. Com o fechamento da via, o punido é ele.

Portanto, sugiro aos manifestantes que protestem na casa, ou no local de trabalho, da autoridade responsável. Talvez impedindo que ele, sua família e seus vizinhos possam circular, a reivindicação seja atendida. Já imaginou o constrangimento das autoridades?

Hoje tem espetáculo? Tem sim, senhor. Hoje tem protesto? Tem sim, senhor!

Então, porque não protestamos contra o protesto?

É que esse espetáculo do protesto que só atinge o cidadão, o trabalhador, precisa ter limites.

Tudo em excesso é prejudicial.

Precisamos, também, assumirmos os nossos erros quando votamos, pois somos nós os únicos responsáveis quando escolhemos os nossos representantes.

 

 

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Depois dos protestos, o que irá acontecer para 2014 com Dilma, Lula, Aécio, Campos?

É fato que os protestos atingiram em cheio o PT e a presidente Dilma Rousseff. Tanto é assim que ela caiu 27 % na aprovação do seu governo. Porém, é normal, é perfeitamente natural que isso tenha ocorrido. Não dava mesmo para passar por surpreendente e tamanha turbulência sem sofrer avarias depois de quase onze anos no comando dos destinos da nação.

O que não é normal nem natural é que essa queda na aprovação da presidente Dilma não tenha sido transferida para o colo de Aécio Neves ou Eduardo Campos. Eles não engordaram seus índices.

Não é normal nem natural, mas dá pra entender. O senador Aécio é político profissional, sobrinho de Tancredo Neves, já foi governador de Minas Gerais e o seu partido, O PSDB, já comandou o País. Eduardo Campos também é político profissional, neto de Miguel Arraes, é governador de Pernambuco e além do mais, sua influência política limitam-se as fronteiras do seu Estado.

Então, o que a queda de Dilma significa como reflexão será observada a partir de agora. Se ela continuar em queda, ou permanecer nos índices impostos pela queda e não se recuperar ficará claro que a eleição de 2014 estará sob-risco para o Partido dos Trabalhadores. O que não existia até algumas semanas.

E aí será aquele sangramento de um partido e de uma natural candidata à reeleição: A discussão de continuar com Dilma e correr o risco de derrota ou trazer Lula para o ringue, mesmo ele dizendo que não será candidato?

Isso mesmo. Os petistas terão tal tema como discussão. Afinal de contas, o que estará em risco é o projeto de poder do partido.

Este poderá ser o roteiro de uma novela, daqui a pouco, assim que as coisas se normalizarem um pouco mais. E tudo dependerá das ações de Dilma, principalmente, e das reformas que irá propor. Porque nas ruas, nos protestos, não se viu um só cartaz pedindo qualquer político. Nem Aécio, nem Eduardo, nem Marina, nem Lula, muito menos Fernando Henrique Cardoso, Rui Palmeira ou Cícero Almeida.

Portanto, a bomba está nas mãos de Dilma e do PT.

 

 

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Almeida, os amores, o PRTB, os Calheiros e o blog do dia 17 de junho

E cá estou eu. Computador aberto, lendo isso e aquilo, buscando uma ideia sobre o que escrever para o blog. Preciso encontrar uma. É véspera do final de semana de São Pedro.

Continuo pesquisando, lendo. Isso não, tal assunto não... Solto um palavrão cabeludo, daqueles, tipo, @#$%&, mas em silêncio, dentro da mente, só eu escuto.

Por umas três ou quatro vezes vejo os companheiros escrevendo sobre o novo partido do ex-prefeito Cícero Almeida, o PRTB, que ele assume nesta segunda-feira (01-7).

Uma figura, o Cícero Almeida. Uma figura que já passou por um monte de partidos. Na mesma proporção já anunciou, também, que iria para outros tantos partidos, sem ter realizado tal promessa.

(Deixa pra lá. Promessa de político e @#$%&, é tudo a mesma coisa, não é mesmo?).

Voltando ao tema: Da mesma forma, ele, o Cícero, já se desmanchou em declarações de amor a essa e aquela figura política. Porém, o tempo mostrou que eram amores passageiros, que as palavras ditas eram fugazes e triviais, jogadas ao vento.

E daí, pergunto-me? O que vale é que o ex-prefeito Cícero Almeida tem voto, muito voto em Maceió, certo? Sim, o que vale mesmo é isso, na prática.

Entretanto, eu considero uma pena que, com o potencial de votos, o ex-prefeito seja figura secundária nas articulações para as eleições de 2014. Sem grupo, pulando daqui e dali, chega a um novo partido que é, verdadeiramente, emprestado a ele pelos irmãos Renan e Olavo Calheiros. 

Antes do raciocínio que você leu, eu já havia decidido repetir um texto que redigi no dia 17/06/2013, sobre o ex-prefeito Cícero Almeida, que você pode ler abaixo:

Articulações para 2014 estão passando longe do ex-prefeito Cícero Almeida

No cenário político atual o ex-prefeito Cícero Almeida está tendo um papel reduzidíssimo. Enquanto as principais lideranças políticas ocupam e tomam conta dos postos chaves nas discussões para o pleito do ano que vem, Almeida não é ouvido nas discussões para a formação dos palanques.

Se ainda será, quando isso ocorrer o corte principal no tecido político já terá sido feito. Assim, terá apenas como importância a provável grande quantidade de votos que vai carregar. Mas não vai influir nos nomes que serão definidos para concorrer aos cargos majoritários. É um papel pequeno, portanto.

Porém, é o papel que cabe a quem não foi capaz de demarcar e construir com tijolo e concreto o seu território político. Fruto da incapacidade de falta de visão de líder político. Cícero Almeida não conseguiu construir um grupo político. Sequer consegue ter controle sobre um partido, arma fundamental para demarcar o próprio território.

E todas as oportunidades lhe foram oferecidas, mas sempre desconfiou da oferta e/ou de quem ofertava.

Dizem que a culpa disso tudo é da própria personalidade do ex-prefeito, bastante difícil, e de sua dificuldade de construir e manter relacionamentos. Não confia em ninguém e desconfia de todos.

E em política tais características são mortais.

Pelas obras que realizou, pela aprovação popular que conquistou, hoje era pra Cícero Almeida estar no centro do furacão, influenciando nas decisões. Mas, apequenou-se de tal maneira que do ponto de vista político está relegado a um plano de muita inferioridade.

É fato que político sem partido e sem grupo é quase nada.

E mesmo sem tudo isso, se tiver voto e palavra ainda vale alguma coisa. Mas essa é outra história.

 

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Povo nas ruas também é uma oportunidade para outras reivindicações

O político brasileiro, em sua imensa maioria, morre de medo de protestos organizados por formadores de opinião. Os caras se tremem mesmo! Mas há aqueles que observam, conversam, pensam, avaliam e preparam uma jogada.

Esse cara é Luiz Inácio Lula da Silva.

Diante da onda contínua de protestos, ele teve encontros com os movimentos sociais mais próximos ao PT. Em vez de pedir para acalmar a crise que pesa sobre os ombros do Governo federal e da presidente Dilma Rousseff, aconselhou as lideranças a “ir para a rua”. Quinze lideranças de movimentos jovens, trabalhadores e a até dos sem terra ficaram surpresos, com o queixo nos joelhos.

Lula avaliou que o que vem ocorrendo nas ruas é positivo por ser uma oportunidade para aprofundar as mudanças, enfrentar a direita e empurrar o governo petista mais pra esquerda.

Ou seja, se a grande imprensa e a oposição atacam e responsabilizam o governo do PT pela insatisfação das massas, aprofundar as mudanças pode implicar em discussão de temas difíceis de serem defendidos pelo PSDB, DEM, Globo, Folha e Estadão, entre outros.

Aliás, pela leitura feita dos editoriais da grande imprensa nesta quinta-feira (27), as manifestações de rua começam a incomodar pelo transtorno à população, custo para a economia e risco à democracia.

O Estadão, por exemplo, diz, em seu editorial, que “Na ânsia de reverenciar o povo, os poderes federais competem, às cotoveladas, para fazer da noite para o dia o que a rua subitamente se pôs a cobrar com veemência nos quatro cantos do País em mobilizações que surpreenderam cobradores e cobrados pela amplitude e difusão”.

Na folha, o editorial também critica a forma como os Poderes buscam, de forma frenética, dar resposta aos protestos, mas correm o risco de se perder em medidas inócuas ou populistas. Ainda na Folha há um artigo com críticas aos transtornos causados ao trânsito.

Já O Globo fala em riscos à democracia e desconfia que o plebiscito sugerido pela presidente Dilma Rousseff só favorece o PT.

Mais parece que, se não atinge o governo do PT, há perda de interesse da grande mídia.

Até parece que Dilma ouviu Lula (alguém duvida?). Ela está pronta a ouvir a voz das ruas. E começa a reverter o problema, discutindo e dividindo a questão com os partidos da base aliada sobre o plebiscito para reforma política.

Algo que o PT sempre defendeu. Mas, na democracia brasileira, é preciso negociar com o Congresso Nacional escolhido por nós. E nem sempre o melhor para o eleitor-cidadão é o mesmo para o político profissional.

Então, vamos pras ruas pressionar. Empresários, partidos conservadores e políticos de direita já estão incomodados.

Aqui em Alagoas é preciso que as ruas mudem os rumos do governador Vilela na educação, saúde e segurança. E não deixar que o também tucano Rui Palmeira esqueça as promessas feitas durante a campanha eleitoral de 2012.

Policiais civis, militares, estudantes, sem teto, sem terra, sem saúde, sem educação, sem segurança, sem assistência social, enfim, cidadãos, o momento é oportuno para mais e maiores reivindicações.

Lula já fez essa leitura. Dilma está seguindo a cartilha e a direita começa a espernear.

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PT quer, no futuro, voltar a discutir o papel do Ministério Público

Apesar da fragorosa derrota da PEC 37, ontem (25), por 430 votos contrários, 9 favoráveis e 2 abstenções, o ex-ministro da Casa Civil, o ainda poderosíssimo José Dirceu, defende em seu blog que o Partido dos Trabalhadores pretende retomar a discussão futuramente. Para Dirceu, a discussão da proposta foi contamina pela “narrativa da grande mídia”, com o que eu francamente concordo. 

Portanto, se não foi feito, é preciso que o tema seja discutido tecnicamente. Qualquer decisão tomada tendo como base a emoção e o clamor das ruas somadas a uma versão ditada pela grande imprensa, tipo, quem é a favor da PEC é a favor da corrupção, contém uma grande e grave distorção.

Leia, abaixo, os principais pontos defendidos por José Dirceu (que você pode ler integralmente no endereço http://www.zedirceu.com.br/) ao afirmar que a PEC não retirava poderes do MP. E logo depois um texto redigido por Plínio Leite Nunes, advogado, mestre em direito pela UFPE e professor universitário, a quem peço sinceras desculpas por não tê-lo publicado há mais tempo.

Zé Dirceu: É preciso continuar a debater a regulamentação do papel do Ministério Público

"...Abaixo, publico novamente o texto explicativo mostrando por que a PEC 37 não é da impunidade e nem retira o poder e a função constitucional do MP, como a mídia – associada a procuradores e promotores – fez crer para parcelas dos manifestantes e da sociedade brasileira, impossibilitando um debate democrático e transparente sobre o atual poder do Ministério Público e das polícias.

Como disse no início, é preciso continuar a debate a regulamentação do MP, um órgão que atua sem controle externo – caso único na República – cercado de privilégios, que não respeita a lei da transparência e que abusa de sua autoridade, cooptado a serviço dos governos em muitos Estados. 

Na prática, por meio de Procedimentos Investigatórios Criminais (PICs), faz inquéritos e investiga, substituindo as polícias, viola direitos e garantias individuais, tudo em nome do combate à impunidade e a corrupção, como nos tempos dos Inquéritos Policiais Militares." 

Veja por que a PEC 37 não retirava poderes do Ministério Público:

 1- A Constituição prevê que o MP é o fiscal da lei e o titular da ação penal pública;

2- A Constituição confere ao MP o poder de requisitar, a qualquer tempo, a abertura de investigações e a realização de diligências investigatórias;

3- A Constituição atribui ao MP o controle externo da atividade policial;

4- A Constituição, de forma expressa, dispõe que compete às Polícias Civis e à Polícia Federal a apuração de infrações penais, exceto as militares;

5- Como a Constituição não confere ao MP o poder de investigação, nem explícita nem implicitamente, não se pode dizer que a PEC 37/2011 lhes suprime tal direito. ORA, NÃO SE PODE PERDER AQUILO QUE NÃO SE DETÉM;

6- A PEC 37 não impede a criação de CPIs;

7- A PEC 37 não impede a atividade de controle e fiscalização atribuídas legalmente a outros órgãos públicos que não promovem investigação criminal, tais como TCU, CGU, IBAMA, COAF e Receita Federal;

8- A PEC 37 não impede o trabalho integrado entre órgãos de controle e fiscalização, o Ministério Público e as polícias judiciárias;

9- A PEC 37 não impede que o MP e o Poder Judiciário investiguem os seus próprios membros pela prática de infrações penais;

10- A PEC 37 preserva a higidez do sistema de persecução criminal brasileiro, que se funda na separação de atribuições entre órgão investigador, acusador, defensor e julgador;

11- A PEC 37, não invalida nenhuma investigação já realizada pelo MP, ratificando as provas produzidas até a sua promulgação, moderando seus efeitos;

12- A PEC 37 evita a prática de investigações casuísticas, seletivas, sem controle e com o propósito meramente midiático;

13- Por não possuir o poder de investigação, o MP apresentou, nos últimos anos, duas propostas de emenda à Constituição, no intuito de alcançar esse fim, tendo o Congresso Nacional rejeitado ambas, em respeito ao sistema acusatório e a ordem Constitucional;

14- A Ordem dos Advogados do Brasil e a Advocacia Geral da União, visando a preservação da legalidade, manifestaram-se expressamente contrárias ao poder de investigação do MP;

15- A PEC 37 evita abusos, excessos, casuísmos e desvios de finalidade, permitindo apenas investigações legais, com o controle externo do MP e do Poder Judiciário, e acesso à defesa.

Abaixo, o texto de Plínio Leite Nunes, advogado, mestre em direito pela UFPE e professor universitário.

Apesar de ser totalmente CONTRA a PEC37, vejo que o foco da discussão está 
distorcido. O debate não pode se resumir, como tem se resumido, ao poder, ou não, de investigação pelo Ministério Público. O problema é bem mais amplo e complexo.

Não adianta atribuir ao MP o poder de investigar sem igualmente reformular a sua posição (função) no processo penal que, hoje, é HÍBRIDA: atua como parte (interessado) e fiscal da lei. Uma posição, por certo, que distorce completamente o sentido da paridade de armas.

É preciso considerar que o poder de investigação e especialmente a condição de parte no processo são absolutamente incompatíveis com a NEUTRALIDADE que se espera de um “fiscal da lei”. É no mínimo ingenuidade supor que o poder de investigar não é capaz influir no ânimo e no espírito de quem investiga.

 O mesmo que será provocado a se manifestar, na condição de "fiscal da lei", sobre a prisão do acusado, sequestro de seus bens, quebra de sigilo bancário etc. dentre outras medidas de extrema invasão na esfera individual das pessoas.

Pergunto-me: depois de investigar, de participar ativamente da produção de provas (que servirão futuramente ao oferecimento de uma denúncia), terá o membro MP a neutralidade suficiente para se manifestar sobre eventual pedido de prisão do investigado?

Acredito, sinceramente, que não. E a experiência cotidiana, salvo raras exceções, reforça essa conclusão. Por isso mesmo, penso que o MP não pode ser alijado do direito de investigar.

 No entanto, ele deve assumir, de uma vez por todas, a condição de PARTE com todos os ÔNUS processuais decorrentes. Um deles é passar ter rigorosamente o mesmo tratamento da parte diversa, o que não ocorre atualmente.

Enfim, não se pode ter o melhor dos dois mundos...

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Não adianta protestar como leão e votar feito cordeiro; o flerte com o autoritarismo

A frase que escolhi como título para esta postagem copiei de uma jovem que participou dos protestos em Maceió. Não foi ela, entretanto, quem criou, mas foi usada em um bate papo no facebook.

Anotei-a e guardei-a durante os festejos juninos no interior. Achei-a de uma profundidade e responsabilidade imensas. Ou seja, há consciência e criticidade, sim, na meninada, coisa que nunca duvidei.

Porém, é preciso ter os devidos cuidados com o que pode vir por aí. Algumas propostas – exigências – são perigosas, tanto quanto outras são inexequíveis. O fato é que precisamos avançar, melhorar o sistema político e administrativo. Gritar mesmo sobre o que queremos e o que precisamos.

Vivemos uma crise e dela precisamos tirar o melhor proveito para fortalecermos a nossa democracia. O voto, a escolha dos nossos representantes feita de maneira livre e secreta pelo voto do povo ainda é a melhor maneira de termos um governo legitimamente escolhido.

Portanto, sim ao leão e não ao cordeiro.

Fico, todavia, muito preocupado com decisões políticas tomadas pela emoção e pelo clamor popular. Acho que transferir às multidões a responsabilidade de decidir sobre a reforma política, pode acabar criando um sistema pior do que o atual. E é isso que vem sendo proposto pelo site "Reforma Política Já". Produzido pelos organizadores do Movimento Ficha Limpa, tem propostas que ferem de morte a democracia, como o fim dos votos secretos dos parlamentares, o que torna o político refém da imprensa ou de grupos organizados. Assim como o impedimento de que pessoas com processos, qualquer processo e em qualquer instância, possam concorrer a algum cargo público.

Leia, abaixo, algumas propostas do site Reforma Política Já e a opinião de cada ponto por parte do site brasil247 e tire as suas conclusões como leão e não como cordeiro:

1) Fim do voto obrigatório

O voto facultativo, de fato, é mais democrático, mas pode redundar num sistema político mais elitista.

2) Fim do voto secreto dos parlamentares

O movimento RPJ prega que as votações sejam abertas e transmitidas ao vivo. Seria um óbvio retrocesso, assim como ocorre em julgamentos transmitidos ao vivo, como o da Ação Penal 470, em que agentes públicos decidem em função das câmeras – e não da convicção ou da lei. O voto secreto, na realidade, protege parlamentares do linchamento de uma mídia que tem seus próprios interesses políticos e é capaz de manipular as massas ou os agentes públicos.

3) Eleições a cada quatro anos – e não de dois em dois anos

Uma medida que poderia, sim, trazer maior eficiência ao sistema político.

4) Impedimento para que pessoas envolvidas em processos se candidatem

A consequência será a judicialização ainda maior da política e o verdadeiro poder não será mais o das urnas, mas sim o dos delegados, o do Ministério Público e o dos grupos de mídia.

5) Fim do voto de legenda

O movimento RPJ propõe que sejam eleitos os candidatos com maior número de votos, independemente de seus partidos. Ou seja: é uma proposta que favorece iniciativas voluntaristas e enfraquece o poder dos partidos políticos.

6) Quebra de todos os sigilos

Para o RPJ, basta uma denúncia formal para que o político abra seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. Ou seja: o que esta reforma "popular" sugere é que garantias individuais sejam abolidas, mesmo sem decisão judicial, o que é, claramente, antidemocrático.

7) Financiamento público de campanha

O movimento RPJ defende o financiamento público de campanha, mas para candidatos que tenham sido aprovados com 70% num curso de preparação, com aulas de moral e cívica. Ou seja: trata-se de um movimento claramente conservador.

8) Reeleições limitadas

A proposta do RPJ limita a apenas uma reeleição para cada cargo público – e não apenas no Executivo. É um erro que evitaria que bons parlamentares façam carreira na Câmara, no Senado ou nas câmaras municipais.

9) Presunção de culpa

Em caso de suspeita de corrupção, o movimento RPJ defende que o político seja afastado para não prejudicar as investigações e que não possa renunciar. O resultado prático dessa proposta, absolutamente autoritária, é que todos sejam rapidamente transformados em suspeitos.

10) Confirmação de corrupção

Neste caso, o político será cassado imediatamente, sem votação, será preso e terá seus bens confiscados, mas o movimento RPJ não deixa claro o que é confirmação de corrupção. Uma decisão em primeira instância? Pelo STF?

Estes são apenas 10 pontos de uma agenda muito maior. Mas o suficiente para mostrar que o Brasil está flertando perigosamente com o autoritarismo.

 

 

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O protesto: consciência, alegria, sonho, cerveja, criatividade, erva e polícia

Estive ontem (20) acompanhando o protesto organizado pela meninada. Claramente eram, em sua maioria, jovens da classe média. Alguns, poucos, foram acompanhados pelos pais, mais preocupados com a questão da segurança.  Era gente demais, jovem demais. Avalia-se entre 10 e quinze mil participantes. PMs discretamente presentes no solo e o helicóptero sobrevoando a praça do Centenário. Tudo tranquilo, a não ser pela irritante explosão de bombas comercializadas nas festas juninas.

Encontrei um experiente ativista político. Com mais de 50 anos. Sempre militou em movimentos políticos desde quando descobriu o que é consciência política e social. O bom e agradável Juca Carvalho. Sempre atento, de forma questionadora avaliava pra onde iria o movimento e o que conseguiria conquistar. Uma das suas preocupações era a questão da legalidade. E com razão. Os políticos que nos representam e que não trabalham em prol do povo foram eleitos de forma livre e democrática.

Bom, deixando essa questão de lado, quero contar o que vi e senti. Havia um clima de emoção e alegria. Pela idade da maioria dos milhares de presentes, lembrei-me da primeira eleição direta para Presidente da República em 1989 depois dos governos militares. Ano marcante na vida de muita gente. Botafogo campeão carioca depois de 21 anos. Pense na festa! Eleição vai pro segundo turno. Disputa entre Lula e Collor. Muita emoção e participação popular. O Brasil dividido. A gente reiniciando e vivenciando momentos de democracia. Sonhando em mudar o mundo, em fazer a diferença.

Pois bem, foi o que senti na meninada. Mas havia também beleza, paquera, alegria e criatividade. Vi uma menina, morena, alta, bonita, cerca de 16 anos, com uma blusa bem acima do umbigo e uma calça jeans muito abaixo do umbigo. Nesse espaço descoberto e provocativo estava escrito: Ônibus a 2,30; maconha a 4,50; melhor viajar em casa.

Vi também um garoto carregando dois cigarros de maconha. Depois senti o cheiro da erva queimando. Vi garotos e garotas, na concentração, tomando cerveja. Muita gente bonita. Uns mais ativos outros menos. Se eles sabem o querem? Talvez não. Mas não importa.

 O certo é que estão descobrindo que têm força suficiente para transformar as suas certezas em realizações concretas, mas, desde que atuem de forma coletiva. Pena que os partidos políticos não estão sendo aceitos no meio da garotada. Na democracia e no mundo real ainda é a melhor forma de transformar o satus quo. Afinal de contas, o movimento não propõe nenhuma revolução.

Pra onde vamos, não sei nem posso afirmar. Mas sei que há uma insatisfação com as prioridades definidas pela classe política dominante. Algo está em transformação. Talvez até o enfraquecimento do partido mais poderoso dos últimos 11 anos, o PT.

O Brasil avançou e melhorou muito desde a redemocratização.

 Mas, quase tudo muda, assim como dia sempre encontra à noite.

 Sem saber onde nem quando vamos parar, estamos indo para algum lugar, empurrados pela garotada que está fazendo tremer os poderosos do país.

 

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Agência Brasileira de Inteligência monta sistema para acompanhar protestos

Um órgão público que trabalha com avaliação de fatos e informações de segurança tem obrigação de saber o que está ocorrendo, por quem e quando. E no caso dos protestos que têm varrido o país, os arapongas engoliram mosca, literalmente.

Resumindo, não conseguiram dar nenhuma resposta a qualquer órgão da Presidência da República. Do ponto de vista institucional, do ponto de vista da segurança nacional, é uma falha terrível e uma demonstração de mau gerenciamento.

E a culpa pelas moscas engolidas é das redes sociais. Pelo menos essa é a desculpa. Exatamente por isso, foi criada uma equipe para monitorar o Facebook, Twitter, Instagrm e ainda o serviço de mensagens por celular WhatsApp para acompanhar os manifestantes.

Oficialmente, o objetivo dos homens da Agência é conhecer o roteiro, o volume da manifestação, a infiltração de vândalos, participação de grupos políticos ou de financiadores.

Essa estrutura de acompanhamento das manifestações foi montada as pressas. O certo é que os protestos passam agora a ser monitorados diariamente por um sistema online Mosaico. Esse sistema é capaz de acompanhar cerca de 700 assuntos definidos pelo ministro-chefe do GSI, o general José Elito.

Então meninada, agora vocês estão todos monitorados pela Agência Brasileira de Inteligência, seja no chão ou nas redes sociais.

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Os protestos não vão parar. E o discurso da ordem vem aí

Os protesto vinham sendo iniciados perto do final da tarde. Depois se estendiam até altas horas. Agora começam a ocorrer no incício da manhã. Em São Paulo, nesta manhã (19), foram registrados três protestos e mais um em Brasília.

Em São paulo eles ocorrem na Zona Sul da capital, em Taboão da Serra e em   São Bernardo, na grande São Paulo, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto reivindicando moradia. Em Brasilia manifestantes fecharam  a BR-040 para reclamar por  melhorias no transporte público por conta das altas tarifas, descumprimento de horário e má qualidade dos ônibus que passam pela região.

Ou seja, o processo de questionamento e de reivindicações só aumenta, ao mesmo tempo em que desperta outras categorias para novas e velhas reivindicações. E também chegam ao interior, refiro-me ao ocorrido em Arapiraca, ontem (18).

A verdade é que a insatisfação com situações que deveriam ser básicas, por serem necessárias e cidadãs, chegou ao limite. Até protestos solitários já começaram a ser percebidos. É o povo reivindicando, batendo no peito e lembrando que é cidadão, que tem direitos e que vai lutar por eles.

Quem não participa diretamente dos protestos, concorda com eles e até se emociona. É o caso do relato da jornalista Sarah Mendes registrado em sua página no facebook: “Vindo para o trabalho, ao parar no sinal da Praça Centenário (oh, o lugar me diz alguma coisa, me diz onde é a concentração dos protestos), vi um rapaz entre os carros com um cartaz que dizia "Sou monitor de educação do estado e fiquei 6 meses sem receber".
Agora me diz, esse é o governo que te representa? Esse governo (PSDB) não tem um pingo de respeito pelo trabalhador.
Me diz se todas essas mobilizações estão acontecendo só por centavos. Me diz se você acha que é possível não ir às ruas. Me diz, vc acha que é possível se acomodar?! ”
 Portanto, as vozes das ruas não deverão se calar tão cedo, tamanha é a insatisfação com tantos e tão graves problemas que o Brasil enfrenta e que nos afeta diretamente na saúde, educação, segurança e transporte.

Nas redes sociais e nos cartazes a turma comemora e diz que o gigante acordou.

Mas, é bom ficarmos atentos. Os protestos são legítimos, apesar de alguns marginais infiltrados. Por isso mesmo, um discurso de “ordem” começou a aparecer na grande imprensa com os seguintes dizeres: "PM tarda a agir", na Folha de S.Paulo desta quarta-feira (19), referindo-se ao ataque ao prédio da Prefeitura da capital paulista, saques, depredações e o incêndio a um carro da TV Record.

No Estadão, o título de uma reportagem questiona a ação da PM: "De prontidão desde a tarde, choque só agiu horas após saques”. Por esses títulos, fica claro o questionamento quanto à ação da PM e que não vai tardar para que os agentes da ordem distribuam suas balas de borracha.

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O que querem os jovens com os protestos e o que precisa mudar?

Essa é a pergunta que está na cabeça de todos, especialmente dos prefeitos e governadores das cidades onde os protestos ocorrem com maior intensidade e até na cabeça da presidente Dilma.

É fato que o Brasil avançou bastante nos últimos anos ao reduzir as desigualdades sociais. Entretanto, não avançou satisfatoriamente, por exemplo, nos quesitos segurança, transporte e educação nem no combate a impunidade e a corrupção.

As classes sociais menos favorecidas ascenderam através dos programas sociais e dos diversos incentivos dados pela União.

Mas a classe média não foi tão beneficiada. E sofre para manter os filhos em razoáveis e médias escolas particulares, assim como nas faculdades também particulares. As quotas sociais abriram as portas para os menos favorecidos terem acesso às universidades públicas. Porém, por outro lado, dificulta o acesso da estudantada da escola paga.

O Governo Federal desonera produtos e alimentos. O empresariado não repassa o desconto para o preço final ao consumidor. Os assalariados não têm como fugir dos impostos e descontos obrigatórios em sua renda. O pior é que não vêm o que pagam obrigatoriamente transformado em benefício para o que mais necessita no seu dia a dia.

E esses jovens vêm, diariamente, o sofrimento e as dificuldades dos pais para conseguirem cumprir as suas obrigações. Assim despertam para a realidade e para o futuro perigoso que terão de enfrentar.

As obras para a Copa de 2014 pode estar sendo o estopim de um alerta. Ora, convenhamos, os estádios foram construídos com dinheiro público e muito deles serão entregue a iniciativa privada para explorar e ter lucro. O problema é que a promessa de melhorias no transporte e trânsito, nos aeroportos, na segurança, educação e saúde não foram cumpridas.

Algum político vai pegar essa conta. O dedo da insatisfação será dirigido pra quem nos representa e deve gerenciar os recursos públicos. Alguém, talvez muitos políticos, será responsabilizado. Um movimento crescente como o atual e bastante próximo das eleições de 2014, trará consequências e surpresas.

As redes sociais estão mostrando o seu poder de aglutinação e de força. Do ponto de vista político o momento é de intenso risco para a classe política e é ainda maior para a presidente Dilma

Os protestos ocorrem sem interferência de partidos ou lideranças políticas. Então é puro, digamos assim.

 O chamamento não é mais feito por carro de som, megafone, panfletos, como antigamente. E sim pela sua excelência as redes sociais: facebook, blog, twitter.

Como é bom ter liberdade, apesar de tudo.

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