José Serra e Aécio Neves estão no ringue; Rui Palmeira não fica em cima do muro

O prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), não esconde a sua preferência pela candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG), à Presidência da República em 2014. Para ele, é hora de o partido apresentar um candidato com um perfil mais jovem, que desempenhou um papel satisfatório como governador de Minas Gerais.

 Mas, a caminhada do senador ao comando da nação não terá apenas como enfrentamento os adversários dos demais partidos que postulam o comando do Governo Federal. Dentro do próprio PSDB há um grupo que não considera Aécio Neves o melhor nome e esse grupo é ligado ao ex-governador de São Paulo, José Serra.

Candidato derrotado por duas vezes à Presidência, as últimas pesquisas eleitorais apontam Serra com maior intenção de votos do que Aécio. Na realizada pelo Datafolha, na metade deste mês, ele aparece com quatro pontos percentuais a mais do que o seu companheiro de partido, apesar de todos os diretórios estaduais do PSDB apoiarem a candidatura de Aécio Neves.

Empolgado com as pesquisas, José Serra quer ser o candidato do partido e quer que o PSDB realize prévia para indicar o candidato à Presidência. Dessa forma, o debate está reaberto, embora lideranças partidárias discordem da realização de prévias porque o candidato já está escolhido e definido e ele é Aécio Neves.

O problema, então, é à força representativa de José Serra. Caso ele não seja convencido a desistir da candidatura ou não seja atendido no seu pleito pela realização da prévia, pode mudar de partido – já foi convidado pelo PPS, inclusive. E só ainda não decidiu pela mudança porque seus aliados não aceitam deixar o partido em direção a outra sigla, embora o queiram como candidato mais uma vez. Além disso, os demais caciques tucanos também não o querem em outra sigla como candidato dividindo os votos dos simpatizantes dos tucanos, o que poderia impedir a chegada do PSDB ao segundo turno das eleições presidenciais.

Bom, entre as muitas qualidades que um político deve ter, virtude e sorte devem estar entre elas, assim como conseguir compreender as diferenças entre ver e perceber no mundo político.

Enquanto Aécio é mais jovem, exerceu o cargo de governador de Minas e não tem tanto desgaste político, José Serra tem rejeição alta, não é jovem, e agora enfrenta denuncias de supostas irregularidades nas linhas de trens e metrôs de São Paulo. E passar uma campanha se explicando, é quase certeza de derrota.

Porém, cada eleição é uma eleição.

 

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Vilela trai a Comunicação; faz jogada pra 2014 e Biu leva bico na canela

A escolha de um economista para a Comunicação do governo de Vilela significa total desrespeito a jornalistas, radialistas, publicitários e relações públicas. A justificativa de que o novo secretário, o economista Keylle Lima, é um excelente gestor, faz parte da tática do “me engana que eu gosto”.

Ora, convenhamos, se a questão é meramente de gestão, sugiro a colocação de um psicólogo ou psiquiatra na secretária da Fazenda. Um profissional com tal qualificação seria capaz de compreender o que se passa na cabeça dos sonegadores e dos usineiros.

Seguindo esse raciocínio, outra sugestão seria um membro do Sinteal na Educação, ou o pai, ou a mãe, de um aluno de escola pública. Ou melhor, que tal  um pai professor e membro do Sindicato? Um profissional assim entenderia o sofrimento enfrentado pelos alunos e as necessidades dos servidores. Claro que o nível de escolaridade seria uma exigência para assumir tal cargo.

Continuando o tal critério de excelente gestor de uma área desconhecida, sugiro um delegado ou um coronel na Saúde. O objetivo seria dar ordem e organização para que o cumprimento de horários nos hospitais seja feito com rigor e para que nada faltasse.

E na Defesa Social é que é preciso inovar mesmo. A minha sugestão é colocar alguém que saiba trabalhar o desenvolvimento motivacional dos colaboradores, policiais civis, militares e o pessoal administrativo. Acredito que um profissional com essa capacidade seria capaz de reduzir a insatisfação dos chatos dos policiais civis que reclamam de tudo e dos PMs que, em número reduzido e trabalhando demais, não dão conta do combate a criminalidade.

cAgora, falando sério, a impressão que tenho é que temos gente no governo que administra tendo como lema a filosofia do cantor Zeca Pagodinho: “Deixa a vida me levar, vida leva eu...”.

E, de novo, falando sério, a verdade é que a saída de Rui França, indicado para o cargo por Biu de Lira por ter sido o responsável pela sua vitoriosa campanha para o senado em 2010, é um bico na canela do senador. O resto, essa historinha sobre a necessidade de um gestor, é conversa pra boi dormir. Rui França estava incomodando a pessoas influentes dentro do governo pelas suas ligações com Biu de Lira, que quer ser o candidato a governador do grupo palaciano.

E antes que você, leitor, pense que o vice José Thomaz Nonô seria um dos insatisfeitos e que tem envolvimento com o caso, digo que não. O sonho de consumo do governador Vilela é que o senador Renan Calheiros seja ou indique um candidato a governador e que o candidato a senador em 2014 seja ele, Téo, claro. Este é o acordo tentado e intensamente desejado pelo governador e seus homens gestores de confiança.

Portanto, se Benedito de Lira tomou o primeiro chega pra lá ao perder alguém de confiança comandando um órgão com muitos recursos e que mantém contatos diretos e constantes com produtoras, agências de publicidade e meios de comunicação, o próximo a receber o seu chega pra lá será Thomaz Nonô, que também almeja ser o candidato majoritário do grupo. 

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Atuação de senador evita “explosão do vulcão” de Palmeira dos Índios

Usando uma figura de linguagem, a questão da demarcação de terras indígenas em Palmeira dos Índios estava quente como a larva vulcânica. Pequenos conflitos foram registrados, como se fossem pequenas erupções.

Nos últimos anos, e principalmente nas últimas semanas, o clima de animosidade só aumentou. Não estava distante a possibilidade de confronto armado. De um lado produtores rurais que há décadas e gerações tomaram conta das terras. Do outro, os verdadeiros donos, os descendentes indígenas, que ganharam na justiça o direito à demarcação.

Há que ser reconhecido, entretanto, que a atuação política e pacificadora do senador Fernando Collor (PTB-AL), em Brasília, reduziu a temperatura que estava a ponto de explodir, a tal ponto que, não seria surpresa, poderia se transformar num banho de sangue.

Ao chamar para participar da questão o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que virá a Alagoas, Collor evita uma ruptura, traz o Governo Federal para participar da questão, e abre uma janela para a possibilidade de entendimento, de uma solução que não seja totalmente negativa para um dos lados.

E é essa a consciência que produtores e a comunidade indígena devem ter: Uma negociação só prospera se inexistir vencedores e vencidos, pois é uma questão que só pode ser resolvida com o estabelecimento do diálogo. Caso não ocorra e caso haja um vencedor, o vulcão pode explodir definitivamente.

Aí, só teremos lamentações. E perdedores.

 

 

 

 

 

 

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O polêmico Joaquim Barbosa e o artigo que o coloca em seu devido lugar

Diretor da sucursal da revista Istoé em Brasília, Paulo Moreira Leite, consegue ser ao mesmo tempo claro e contundente ao comentar os fartos e graves escorregões provocados pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa.

Constantemente envolvido em polêmicas que trazem para si criticas de entidades representativas de advogados, juízes, Barbosa passa a impressão de que não está a altura do cargo. Ele simplesmente não consegue respeitar o contraditório, a opinião divergente, como quem pretende ser o dono absoluto da verdade.

A partir daí, é capaz de interromper um julgamento, é capaz de impedir um ministro a expor os eu ponto de vista jurídico. Se pudesse, Joaquim Barbosa seria capaz de fechar o Congresso Nacional como se fosse um beato que acredita ter sido abençoado para representar as vozes das ruas.

Leia, abaixo, o artigo de Paulo Moreira Leite:

O jogo feio dos bonzinhos

Nenhum ministro, nem o presidente do STF, podem tratar os direitos dos réus como aquilo que ele gostaria que fossem

Quando faltam 48 horas para o reinício do julgamento do mensalão, interrompido de forma abrupta por Joaquim Barbosa na quinta-feira da semana passada, é bom ir à substância das coisas.

Ao interromper o julgamento, Joaquim impediu o ministro Ricardo Lewandovski de expor seu ponto de vista sobre um recurso do deputado Bispo Rodrigues. 

Condenado pela nova lei anticorrupção, Rodrigues quer que sua pena seja definida pela legislação em vigor no momento em que os fatos ocorreram, e não pela legislação posterior, que agravou as condenações. É um recurso simples, com fundamento em regras tradicionais do Direito, e tem muito fundamento lógico. 

O mesmo princípio aplica-se a qualquer cidadão obrigado a prestar contas à Justiça, mesmo que envolva delitos mais leves, como o do estudante apanhado com um cigarro de maconha na mochila. 

É claro que o tribunal precisa realizar este debate. A fase atual, de recursos declaratórios, destina-se exatamente a sanar dúvidas e contradições dos acórdãos. 

E se alguém não enxerga uma contradição tão elementar como condenar uma pessoa com base numa lei que não estava em vigor no dia em que o crime foi cometido deveria voltar ao primeiro ano de Direito, certo? 

O problema é que todos sabem do que estamos falando. A truculência de Joaquim, expressa uma questão de natureza muito mais grave, que vai além das boas maneiras e da cortesia. 

Coloca em risco o direito dos condenados a apresentar recursos, o que, afinal, é um direito assegurado pela legislação. É disso que estamos falando. 

Nenhum ministro, nem o presidente do STF, podem tratar os direitos dos réus como aquilo que ele gostaria que fossem. 

A Constituição não é aquilo que o Supremo diz que ela é, mas aquilo que o povo, através de seus representantes eleitos, diz que é. 

Tem gente que diz que Joaquim e Lewandovski tiveram um “atrito” na quinta-feira. Que vergonha. O presidente do STF tomou a palavra de um ministro que tinha todo direito de exercê-la. Lewandovski reagiu com a dignidade que a situação impunha. Que “atrito” é este?

Outro truque é falar que há uma “divergência” de opinião entre os ministros. É inacreditável. Os fatos ocorreram numa data e a nova lei estava em vigor em outra. Cadê a "divergência"? 

Procurando livrar a cara de Joaquim, o último recurso de nossos conservadores é sugerir que ele peça desculpas a Lewandovski pelas palavras grosseiras que empregou na quinta-feira. Que bonito. 

Compreende-se a origem de uma sugestão tão cavalheiresca. Gratificados pelos serviços políticos prestados por Joaquim Barbosa no julgamento, nossos conservadores querem lhe dar uma saída honrosa, inofensiva e fútil. 

Topam fingir que assistimos a um incidente semelhante a um esbarrão numa escada no metrô, por exemplo. Ou à milésima reação “intempestiva”, “descontrolada”, do presidente do Supremo. Desculpas, desculpas. É, a palavra é mesmo apropriada. 

Nossos cavalheiros dizem que estão em desacordo com a forma, um pouco grosseira demais, digamos assim. Querem esconder que apoiam o conteúdo. O problema, porém, é de conteúdo.

Recusar o debate sobre embargos declaratórios implica em atropelar direitos assegurados em lei. Não é um problema de boas maneiras. Nem de psicologia. Nem de saber se Joaquim força uma crise diante das câmaras de TV para renunciar ao cargo e lançar-se candidato à presidência. Vai ser escandaloso se isso acontecer, é claro. Mas é uma especulação. 

É um problema de natureza política. 

O erro consiste em bloquear um debate sobre erros e contradições dos acórdãos. Joaquim intimida dissidentes e discordantes. Interrompe o julgamento quando lhe convém. 

E isso não é aceitável. 

Este é o direito ameaçado por suas atitudes. Não é um problema pessoal entre dois ministros. 

Depois de cobrir o julgamento como um espetáculo, sem o mais leve espírito crítico tão presente em seus editoriais, nossos meios de comunicação estão unidos a Joaquim Barbosa no esforço para acabar o show de qualquer maneira. 

Com graus variados de sutileza, a postura de muitos observadores é de chantagem em torno de um novo fantasma, o 7 de setembro. 

Perguntam: como “a rua,” “o monstro”, vai reagir, se até lá ninguém tiver sido preso? 

Em vez de assumir seu papel social com dignidade e explicar por que nem sempre a Justiça anda nos prazos de uma novela de TV ou no CSI, pretende-se fazer o contrário: subordinar o mundo e os direitos das pessoas às regras da sociedade de espetáculo. 

Estas regras, como se sabe, consistem em mostrar que tudo muda para que nada mude. 

Depois de seguir o mandamento de Rudolf Hearst, inescrupuloso magnata da imprensa norte-americana, para quem ninguém perderia dinheiro investindo na “pouca inteligência do leitor,” usa-se a “pouca inteligência do leitor” para justificar uma política sem escrúpulos. 

E aí chegamos ao verdadeiro problema. 

O espetáculo não foi tão bom como nossos críticos querem nos fazer acreditar. 

A contradição absurda entre datas, que chegou a consumir longos debates durante o julgamento, o que torna o tema ainda mais espantoso, é o primeiro ponto que precisa ser colocado em pauta. E é muito maior do que você pode imaginar. 

Os grandes troféus do julgamento, José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares, também foram prejudicados por essa falha “técnica”, digamos assim. Olhe, então, o tamanho do estrago que esse debate pode produzir – só no capitulo “datas”.

Será por isso que querem acabar logo com o show?

Sem dúvida. Há muito mais a ser debatido. E aí não vamos imbecilizar o diálogo. É claro que os condenados querem expor seu ponto de vista e provar suas teses, aproveitando cada brecha, cada pequeno respiro, que a legislação oferece. Isso não quer dizer que eles não tenham argumentos reais que devam ser considerados. 

Essa atitude não transforma seu esforço em malandragem – embora a cobertura tendenciosa, facciosa, dos meios de comunicação, como definiu mestre Janio de Freitas, destine-se a sugerir que toda visão discordante contenha elementos de desonestidade. 

Não é Fla x Flu. É Flu x Flu. Ou Fla x Fla. 

Os condenados precisam de tempo, que não tiveram na primeira fase do julgamento.

A leitura de muitas alegações sugere que não tivemos um julgamento de verdade em 2012.

Não se considerou os argumentos da outra parte, nem se deu a atenção devida a contradições entre as acusações e as provas. Estamos falando do direito de pessoas, não de personagens de um programa de TV. Estamos falando da liberdade individual – um bem que não pode ser tratado com pressa nem com desprezo, vamos combinar. 

Para quem está impaciente, fazendo a chantagem da rua, do monstro, não custa lembrar que não se teve a mesma impaciência com o propinoduto tucano, que começou a ser denunciado em 1998 e teve seu primeiro indiciamento há apenas quinze dias. Isso mesmo: há quinze dias. 

Mesmo assim, já tem gente reclamando contra o uso da teoria do domínio do fato contra o PSDB.

 

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“Deus me livre, minha mulher me bota pra fora de casa”, diz Rui sobre 2014

Nos últimos dias as especulações sobre uma possível candidatura do prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), ao governo de Alagoas ganharam musculatura. O tema, inclusive, chegou a ser tratado por auxiliares do prefeito como nunca havia sido. Virou motivo de análise nos gabinetes e corredores de alguns dos seus assessores.

 

Segundo essas especulações, Rui Palmeira seria o candidato do PSDB. A estratégia teria o objetivo de manter o partido no poder ao lançar um nome conhecido e sem desgaste. Dessa forma, o senador Benedito de Lira (PP), que pleiteia ser o candidato do governador Vilela, seria atendido porque o vice-prefeito, Marcelo Palmeira, seu enteado, ficaria no cargo. Já o vice-governador, José Thomaz Nonô, que também quer ser candidato e é muito ligado á família de Rui Palmeira, concluiria o mandato do governador.

Entretanto, Rui Palmeira não admite ser mordido pela mosca do poder por dois motivos: A sua mulher, Tatiana Araújo Alvim Palmeira, não concorda que ele se envolva em mais uma campanha e se afaste de casa por longos períodos.

A segunda questão que faz Rui Palmeira descartar a candidatura tem como exemplo o seu próprio pai, Guilherme Palmeira. Senador da República renunciou ao mandato para ser candidato a prefeito de Maceió por ser considerado pelos seus aliados como o único em condições de enfrentar o candidato a prefeito pelo PMDB, que foi Renan Calheiros.

Eleito prefeito de Maceió em 1988, renunciou ao mandato em 1990 para sair candidato ao segundo mandato como senador. Os objetivos foram alcançados, mas viraram uma marca negativa no histórico político de Guilherme que, a partir daquele instante, deu um discurso crítico as oposições para atacá-lo.

 E essa marca negativa se deu não apenas pelas renúncias, mas também pelo desastre administrativo que foi a gestão do então prefeito João Sampaio, o seu vice, que, pressionado por denúncias, acabou também renunciando.

Palmeira, o pai, foi responsabilizado por tudo. Começa aí a sua derrocada política. Algo que Rui Palmeira não quer repetir, aconselhado pelo próprio pai, sem falar na postura decidida de sua mulher.

Assim como na vida, a política também tem a sua hora exata para a tomada de decisões. Ambição de mais pode destruir uma carreira, assim como ambição de menos.

 

 

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Vida, morte, amor, falta, vazio, desesperança e coragem

Os pouquíssimos leitores do blog que assino jamais haviam lido neste espaço uma poesia ou um texto mais melódico, digamos assim. Não que eu não goste, nem faça. Mas porque é preciso, acredito, ter muita coragem para expor e tornar público sentimentos e pensamentos que, se não forem verdadeiros, o autor é um excelente ator, qualidades que não tenho, definitivamente e infelizmente.

A poesia que publico abaixo é de autoria de Murillo Rocha Mendes. Aos 79 anos e viúvo há quatro, vive uma danada de uma intensa saudade da mulher que amou e viveu desde a adolescência.

Agora, embora tenha saboreado a vida e o amor com a intensidade que lhe é característica, parece não ter mais planos para o futuro. E dá pra entender os motivos: Sem o amor da vida, os olhos fraquejando, o coração batendo descompassadamente, a audição se indo e as proibições para prazeres como atividade física e a gula.

O interessante sobre ele é como construiu a poesia abaixo, que mais parece uma despedida. Uma forte virose que afetou os intestinos e que ainda perdura teimando em esvair suas energias e sua paciência.

Para Murillo Mendes - um homem sempre de atividades intensas como secretário de Fazenda, Educação, deputado federal e Procurador -Chefe do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas - as limitações da idade e a falta da mulher amada tornam a vida, o aqui e agora, apenas um instante que o separa do reencontro com Celina, seu amor, passado, presente e futuro.

Espero que gostem.

Palavra e Promessa

                                                              Murillo Rocha Mendes

 

Meus olhos estão morrendo...

acomodados, moribundos

sem o vislumbre de novos projetos

vazios, opacos

sem a alegria dos áureos tempos

 

Meus olhos estão morrendo...

fugidios, passivos

sem a magia das fantasias

dos sonhos e das conquistas

contemplativos, presos no infinito

perdidos e acorrentados no horizonte

 

Meus olhos estão tristes...

evasivos, tíbios, sem rumo

fixos nos desvãos do imensurável

sem brilho, acorrentado no passado

sem olhar e ver o aqui e agora

conformados, submetidos

à finitude que se avizinha

 

Meus olhos estão vivendo...

a percepção da vida eterna

a crença na infalível Palavra

a renovação de votos e promessas

de eterno amor

na certeza

(com a graça de Deus)

da redenção do ansiado reencontro

com minha sempre amada companheira

esposa amantíssima e amiga solidária

 

Meu inquieto cérebro ancorou...

(ou encalhou?)

no vazio tedioso do nada

nas fortalecedoras lembranças do pretérito

que o mantém suplicante e diligente

nutrido na fertilidade da fé

aceitando e compartilhando a Promessa

vivo na fortuna de assentadas esperanças

as mais ansiadas e salvíficas

 

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O que não muda na mudança da secretaria Estadual de Educação

Nada vai mudar, ou seja, vai permanecer ruim como é agora. Os indicadores que medem a qualidade e eficiência do ensino público permanecerão entre os piores do País. Tal situação é uma marca do governo Vilela, de forma incontestável e inapelável.

Não muda porque o senador Benedito de Lira vai continuar mandando na pasta. A indicação foi dele e por ele comemorada, o que é triste. Triste porque parece querer comemorar o aumento de poder num território em que vislumbra, agora, maior capacidade de comandar, o que não detinha anteriormente com Adriano “O Grande Sempre Grande” Soares.

Apesar dos visíveis defeitos de relacionamento, o Grande Adriano tinha o conhecimento jurídico sobre as decisões administrativas. E tal conhecimento dá um grande nó nos objetivos políticos. Amarra mesmo!

Não muda porque quem está ascendendo ao cargo, Josicleide Moura, lá já estava como adjunta do “Grande Sempre Grande Adriano”, que, ao que parece, não viu na professora nenhuma qualidade para ocupar o cargo, e tornou isso público. Antes, Josicleide Moura, participou da gestão na secretaria de Educação de Maceió. Ninguém ouviu falar.

O que não muda, também, é o fato de o governador Vilela aproximar-se do final do seu mandato sendo responsável pelo desastre na educação. Já são quase sete anos de governo, e nada há para comemorar.

A não ser tetos de escolas que desabaram, crianças sem aulas, dispensa de licitações, enfim, enfim. E muitas promessas não cumpridas, inclusive e especialmente na educação.

Em 26 de novembro de 2011, por exemplo, o governador Vilela recebeu o então ministro da Educação, Fernando Haddad, para firmar o Pacto pela Educação Pública de Qualidade. O objetivo desse pacto era aumentar o número de matrículas, diminuir a repetência e a evasão escolar.  

Naquele dia, parece que antevendo o futuro, quando as autoridades começaram a discursar o professor da rede estadual, Cícero Fernandes Rodrigues, interrompeu o evento e disse, entre outras coisas, que o pacto “é uma farsa”. E ainda naquele dia, Sua Excelência, o governador Vilela, reconheceu que a “educação de Alagoas é a pior do Brasil”.

Portanto, é tudo isso, e muito mais, que não muda na mudança da secretaria de Educação.

Caso você, caro leitor, queira saber mais sobre o Pacto pela Educação, o mal estar causado pelas verdades ditas pelo professor Cícero Fernandes Rodrigues, leia nos links http://gazetaweb.globo.com/noticia.php?c=165121 e http://www.alagoas24horas.com.br/conteudo/?vEditoria=Pol%EDtica&vCod=57181

 


 

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Nas redes sociais, os sete “milagres” feitos no Brasil pelo Papa Francisco

De tanto escrever sobre coisas, digamos sérias, tem dia que a gente recebe um texto que nos faz simplesmente sorrir. É o caso desse que recebi por e-mail e resolvi compartilhar. O objetivo não é, absolutamente, magoar esta ou aquela figura citada, mas sim, sempre que possível, compartilhar algo que nos faça sorrir.

Leia abaixo:

Sete milagres que o Papa fez e você não percebeu

 

Em vez de sete pecados, sete milagres.

A passagem do Papa pelo Brasil já provocou fenômenos suficientes para serem estudados por décadas.

A seguir, sete coisas que ninguém consegue explicar, verdadeiros milagres de Francisco.

1) Andou de carro no Rio de Janeiro de janela aberta e não foi assaltado.
2) Fez o povo brasileiro aplaudir um argentino.
3) Andou no meio da polícia do Rio e não apanhou.
4) Encontrou Renan Calheiros e não foi acusado de nada.
5) Encontrou o governador e não gritou: “Cadê Amarildo?”"
6) Ficou engarrafado no Rio e não apareceu nenhum vendedor de Biscoito Globo.
7) Usou saia em Copacabana e não levou cantada.
Mas o papa se preveniu de qualquer imprevisto que poderia ter...

Ao descer uma das primeiras frases dita por ele foi...

"Não trago ouro nem prata..."!

Aí ele já desanimou os políticos e os assaltantes!!!  

 

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O Aniversário do senador Collor e o futuro político do governador Vilela

A festa surpresa para comemorar o aniversário do senador Fernando Collor (PTB-AL), sábado (10), em Arapiraca, representou o quanto ele vem conseguindo penetrar e reconstruir alianças políticas na região mais importante do interior de Alagoas, o Agreste.

Importantes figuras do PIB e da política alagoana lá estavam; caso do empresário e ex-prefeito de Arapiraca, Zé Alexandre, Cícero Almeida, Ronaldo Lessa, lideranças do PT, o vice-prefeito de Arapiraca, Yale Fernandes (PMDB), deputados estaduais e federais. Houve mais de 200 filiações ao PTB, sendo a mais importante a do ex-deputado estadual Alves Correia.

Enfim, um mundaréu de gente de todo o Estado que faz oposição ao governador Viela e integra os partidos da base aliada da presidente Dilma.

Sabedor de que a grande Arapiraca decide uma eleição e que a região também é o principal portão de entrada para o Sertão, Collor tem investido boa parte do seu tempo para consolidar tal presença. Com a filiação de Alves Correia e o apoio da prefeita Célia Rocha, Fernando Collor definitivamente coloca-se em posição privilegiada para o próximo pleito.

Não é novidade, mas o senador mira 2014 com a perspectiva de ser candidato ao senado ou ao governo. Sabiamente aguarda o posicionamento do senador Renan. Mas já decidiu que o seu adversário é o governador Vilela, a quem tem dirigido duras e contundentes críticas.

Quanto ao governador, em 13 de maio escrevi que alguém do palácio havia pedido informações a um advogado sobre os requisitos para que Vilela assumisse o Tribunal de Contas (http://cadaminuto.com.br/noticia/215237/2013/05/13/membro-do-governo-faz-consulta-para-saber-se-vilela-pode-ser-conselheiro-do-tc). No texto, trato como se fosse para o TC de Alagoas. Outros companheiros afirmaram, recentemente, que seria para o TCU. Tudo bem, pois os requisitos exigidos são os mesmos.

Porém, será complicada a concretização de tal ideia por conta da certa reação que vai haver por parte da imprensa nacional e de entidades da sociedade civil, caso tal tentativa seja levada adiante, o que duvido, por Vilela.

O governador foi denunciado pelo Ministério Público Federal como envolvido na célebre Operação Navalha. O processo contra ele está parado pelo fato de a Assembleia não ter autorizado o STJ a dar seguimento. Ele foi apontado como beneficiário. 

O Ministério Público Federal concluiu que Vilela teria recebido meio milhão de reais em forma de propina. Tudo com fotos, agendas e degravações de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça.

Portanto, se candidato ao TCU as denúncias voltarão com carga total. A exposição será imensa, podendo até trazer de volta as vozes das ruas. Se optar por uma vaga no TC-AL, a repercussão será bem menor, quase um traque.

Se for para TC ou TCU o julgamento ocorre no STJ.

Eleito para o Senado ou pra Câmara será julgado pelo STF, a não ser que uma das duas casas vote um decreto impedindo que isso ocorra, o que é improvável, pois não tem sido essa a prática.

Sem mandato o processo segue seu curso normal no STJ.

Qual será, então, o futuro do governador Vilela?

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Ou não?

 

 

 

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Com o “gigante adormecido”, política volta à rotina

Depois dos protestos que deixaram a classe política brasileira completamente assustada, eis que as vozes das ruas estão silenciosas. É como se tudo tivesse voltado à rotina. E voltou, sim.

O temor sentido pelos políticos desapareceu. Tantas promessas feitas pelo Congresso Nacional e pela presidente Dilma encontraram barreiras e não foram adiante.

É preciso que o povo volte a exigir que as mudanças ocorram efetivamente, caso contrário, poucos, ou nenhum, avanços serão alcançados. E o PODER É DO POVO. As ruas mostraram isso.

Terá sido tudo o que foi prometido - reforma política, constituinte exclusiva, plebiscito ou mesmo referendo, dois anos a serviço dos mais pobres para quem desejasse se graduar em medicina, um engodo? Sim, foi sim, até agora.

Depois do Programa “Mais Médicos”, agora a presidente Dilma avalia a importação de engenheiros. É que as prefeituras reclamam da falta de gente qualificada para elaborar projeto básico e executivo, fundamental para que os municípios recebam recursos da União.

Aqui em Alagoas os assassinatos continuam a ocorrer sem que nada aponte para alguma solução. O governador Vilela mantém um silêncio temeroso. Estamos entregues ao caos e ao acaso.

A Assembleia Legislativa permanece sangrando sob suspeita de irregularidades.

O prefeito Rui Palmeira explica que não há como implantar o passe livre na capital.

Nas ruas de Maceió comerciantes tomam pra si as calçadas e jogam o povo pra disputar o espaço com os automóveis. A Avenida João Davino é um exemplo. Farmácias, hotéis, enfim, tomaram o que é do pedestre. E ninguém faz nada.

O gigante voltou a dormir.

 

 

 

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