Alagoano Aldo Rebelo também “trabalhou” em avião da FAB com a família

O ministro do Esporte, o alagoano Aldo Rebelo, é mais uma autoridade listada entre aquelas que se beneficia do cargo para trabalhar e se divertir. O fato se deu durante uma viagem para Cuba, no carnaval, quando Aldo carregou a tiracolo a mulher, o filho e assessores.

A justificativa para levar a família pra Havana é a de que havia um convite oficial do governo cubano. Porém, na lista oficial da comitiva o nome dos dois, mulher e filho, inexiste.

E não se assuste caro leitor, mas, o preço de uma viagem no percurso entre Brasília e Havana está cotado em cerca de R$ 5.500 em avião de carreira.

Portanto, vale aquela pergunta irônica que tem sido feita nas redes sociais e sites: Até tu, Aldo? É que ele se junta ao também alagoano, Renan Calheiros, presidente do Senado, e Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara dos Deputados, que usaram os jatos oficiais para compromissos, digamos, particulares.

O primeiro levou a mulher a uma festa de casamento da filha de um colega do Senado. O segundo deu carona a uma penca de parentes para se deliciar com um jogo da seleção brasileira durante a Copa das Confederações.

Só pra não dizer que não falamos de todos, o campeão da mamata nos aviões da FAB foi Alexandre Padilha, o dinâmico e atuante ministro da Saúde da presidente Dilma Rousseff, que embarcou e desembarcou 110 vezes, principalmente para São Paulo, onde tem residência.

Voltando a falar do alagoano Aldo Rebelo, ele rebateu a questão da viagem por meio de nota, dizendo que não foi passear em Cuba.

Tudo bem, meu caro alagoano de Viçosa, mas só uma perguntinha: Autoridade, se a viagem foi a trabalho e a convite do governo cubano, qual o motivo de levar na possante aeronave a mulher e o filho? Na nota, Aldo não responde a esse questionamento.

Abaixo, na íntegra, a nota do ministro do Esporte Aldo Rebelo:

Nota de esclarecimento: Viagem a Cuba foi a trabalho

A viagem do ministro Aldo Rebelo a Cuba foi amplamente divulgada pelos meios do próprio Ministério do Esporte e veículos da imprensa nacional e estrangeira.

Foi uma missão oficial. "Não fui passear em Cuba. Fui trabalhar, como mostra a agenda", afirma Aldo. Durante os dias em que permaneceram em Cuba, os dirigentes do Ministério do Esporte cumpriram vários compromissos.

O ministro foi recebido pelo vice-presidente do Conselho de Ministros da República de Cuba, Miguel Díaz, e pelo vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Rogerio Sierra e se reuniu duas vezes com o presidente e diretores do Instituto Nacional de Esportes, Educação Física e Recreação (INDER) e com a direção da empresa Cubadeportes. Além disso, o ministro do Esporte visitou a Universidade das Ciências, Cultura Física e Deporte Manuel Fajardo.

Nesses encontros, foi concretizada a criação de grupos de trabalho e intercâmbio entre Brasil e Cuba neste período de preparação dos atletas brasileiros e da infraestrutura esportiva do Brasil para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. O ministério do Esporte e o INDER assinaram o acordo que cria o Grupo de Trabalho de Acompanhamento do Programa de Atividades para o triênio 2013/2016.

O secretário Nacional de Esportes de Alto Rendimento, Ricardo Leyser, e o diretor executivo da Agência Brasileira de Controle de Dopagem, Marco Aurelio Klein, também concretizaram acordos de cooperação em Havana.

Cuba vai colaborar com o Brasil na formação de fiscais de controle de dopagem. No futebol, o Ministério do Esporte, em parceria com a Federação de Futebol do Rio de Janeiro, vai oferecer um curso de árbitros para os cubanos. Os três melhores classificados farão estágio na federação carioca. Além disso, estão sendo acertadas as condições para que jogadores de futebol da categoria sub 20 também sejam recebidos para treinamentos em clubes brasileiros.

 

 

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‘Dilma está cercada de gente de quinta categoria sentada na putaria’, diz Ciro

Antes de tudo quero dizer que o título acima optei por copiá-lo integralmente. É que o achei excelente, direto, nitroglicerina pura. Assim é o ex-ministro Ciro Gomes. Autor de entrevistas críticas e duras contra adversários e até contra aliados.

As declarações que você vai ler do ex-ministro foram concedidas à Rádio Verdes Mares.

Louco, irado, tresloucado? Nada disso. Ciro Gomes diz o que pensa. Age, quase sempre, de maneira completamente diferente da que estamos acostumados a ver na rotina das entrevistas dos políticos profissionais.

Ciro Gomes defendeu a redução de ministérios e desceu a lenha na convivência difícil com aliados como o PMDB. Ele também não poupou sequer o presidente do seu partido, Eduardo Campos (PSB) governador de Pernambuco e um dos nomes citados como candidato provável à Presidência da República.

Preservou, apenas, a presidente Dilma Rousseff.

Leia, abaixo, reportagem publicada no brasil247:

PE247 - O ex-ministro Ciro Gomes defendeu a redução do número de ministérios do governo da presidente Dilma Rousseff (PT) para que ela possa concentrar foco em pastas estratégicas como Fazenda e Planejamento e desceu o malho ao dizer que “Dilma é decente e trabalhadora, mas está cercada de gente de quinta categoria pilotando e sentada na putaria”, referindo-se à convivência com aliados como o PMDB. Ciro também apontou suas baterias contra o correligionário e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ao afirmar que “a População não quer retrocesso, quer avanços, não uma candidatura que não faz sentido”.

Segundo o Blog do Eliomar, Ciro defendeu que o total de ministérios, hoje são 39, seja reduzido para apenas 15. De acordo com ele, com o encolhimento das pastas, seria possível despachar mais e melhor com setores estratégicos como Fazenda e Planejamento, no lugar de priorizar uma agenda de encontros.

As declarações do ex-ministro foram dadas nesta terça-feira (23), em uma entrevista à Rádio Verdes Mares. Na ocasião, Ciro teria admitido que ainda almeja a Presidência da República. “Admito, mas brigar, não brigo mais não!” , afirmou.  Ciro, que ao lado do irmão e governador do Ceará, Cid Gomes, é uma das poucas vozes que discordam abertamente do projeto de uma candidatura própria por parte do PSB. Ambos defendem que o PSB permaneça na base governista e apoie a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2014.

Nesta segunda-feira (22), Ciro voltou a questionar o porque do PSB querer disputar o Planalto nas próximas eleições. “Por que o partido, no fim do ciclo Lula, e quando a Dilma era desconhecida, não lançou candidato para, agora, quando a sigla participa ativamente do governo Dilma, apostar numa candidatura de oposição?” questionou o ex-ministro, segundo o jornal Aqui CE.

Nas últimas semanas, Ciro amainou as críticas à postulação do correligionário e até havia sido designado para elaborar uma série de propostas visando à retomada do crescimento econômico e que devem ser encaminhadas à presidente Dilma. Mas, nesta segunda-feira (22), durante palestra para alunos da rede municipal de Fortaleza (CE), Ciro surpreendeu a todos ao afirmar que Eduardo Campos não tem nada de novo a oferecer à população.

“Vejo com muita naturalidade a vocação de um partido como o nosso de disputar, com nossas próprias ideias e quadros, a Presidência da República. Entretanto, a População não quer retrocesso, quer avanços, não uma candidatura que não faz sentido”, teria dito.

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Será que as lideranças dos militares entendem de gestão na segurança pública?

Depois da morte do sexto PM somente este ano, os ânimos estão exaltados entre as lideranças das associações militares. As promessas de irem pras ruas, o pedido de afastamento da cúpula da Defesa Social e os ataques ao programa Brasil Mais Seguro e as entidades que defendem os direitos humanos mostram bem como o clima está quente.

Essas lideranças acertam, em parte, nos alvos, mas erram feio na dosagem ao generalizar os supostos responsáveis pela insegurança que enfrentamos diariamente. E mais, erram feio ao não apresentarem o problema crucial da violência que faz Alagoas líder em homicídios, que é a certeza da impunidade, a falta de efetivo e de condições de trabalho para as policiais civil e militar.

Criticar o Brasil Mais Seguro dizendo que a PM executaria melhor esse trabalho é imaturo. O Programa é importante pelos investimentos disponibilizados pela União. Esse apoio é fundamental porque coloca o Governo Federal como responsável pelo enfrentamento da questão em Alagoas.

Culpar as entidades que lutam pelo respeito aos direitos humanos é mais um tiro dado no alvo errado. Tem que haver, sim, investigação e punição para os abusos cometidos por policiais. A história mostra que sem fiscalização da atuação dos policiais os abusos contra os direitos civis ocorrem em grande escala. As entidades que defendem os direitos da sociedade lutam, na verdade, para que tenhamos uma polícia eficiente, confiável, equilibrada e qualificada.

A verdadeira dificuldade enfrentada pela polícia alagoana é a falta de efetivo, condições de trabalho, remuneração e treinamento. Este deveria ser o foco das associações, ou seja, o governador Vilela e o não cumprimento das promessas de campanha para a segurança pública.

Vejo, ainda, que reclamar e responsabilizar as entidades de direitos humanos só afasta os policiais da sociedade civil organizada, o que é pouco inteligente. A não ser que as associações acreditem que devem estar acima da lei, ou a margem dela, quem sabe.

 

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A solidão do deputado João Henrique Caldas

Desde que começou a fazer denúncias sobre supostas irregularidades cometidas pela Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, o deputado estadual João Henrique Caldas (PTN) parece sofrer de uma doença contagiosa que ninguém quer se aproximar.

Nenhuma entidade da sociedade civil organizada, partidos políticos, centrais sindicais e até mesmo deputados que criticam os comandantes da Mesa Diretora da ALE fizeram qualquer declaração de apoio ou de solidariedade ao deputado JHC.  

O máximo que vimos foi o deputado estadual Judson Cabral (PT) propor uma auditoria externa na folha de pessoal da ALE, oferecendo, inclusive, que a investigação começasse pelo seu gabinete.

Entretanto, considero esse posicionamento pequeno, miúdo, diante da relevância da questão e das denúncias de que 61 comissionados teriam recebido R$ 7 milhões em um ano. Era pra ser mais e maior a reação.

Sozinho e isolado, e, dizem, até ameaçado de morte, o deputado JHC vai tirar, naturalmente, dividendos eleitorais por estar enfrentando e denunciando o Poder Legislativo. Talvez isso explique o não recebimento de apoio e solidariedade de outros parlamentares e, quem sabe, de entidades que mantêm proximidade com algumas figuras do mundo político.

 E isso é uma pena.

 

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Para especialista em segurança, sem os prefeitos não há solução pra violência

Um dos males que atinge violentamente a nossa sociedade é a violência. Sempre perguntamos, sempre questionamos essa problemática na tentativa de entendê-la.

As respostas não são fáceis. Entretanto, excetuando-se os casos de pessoas com doenças mentais, a certeza da impunidade me parece ser o caminho para que entendamos o alto índice de criminalidade com o qual convivemos.

Nosso Estado – refiro-me a todos os entes públicos, a todos os poderes – não atua com eficiência e eficácia para atender as demandas da sociedade. Dessa forma, o cidadão não respeita o Estado, nem as leis, as normas e as regras. Transgredir e agredir vira regra uma vez que a mão dura do Estado não chega o toca para punir, como nunca tocou para melhorar a sua condição de vida.

Se tivéssemos uma sociedade em que o Estado cumprisse a lei e agisse para que o particular também assim o fizesse, as relações e ocorrências seriam outras, acredito.

Olhando para o nosso Estado, de forma concreta e tomando como exemplo, Alagoas e Maceió lideram com tranquilidade como os mais violentos do país. Faltam policiais, estrutura, treinamento, equipamentos, uma série de coisas. Isso significa que o governante não cumpre o seu papel, portanto não é respeitado enquanto representante do Estado. A bandidagem fica segura e age com liberdade.

Uma boa alternativa para melhorarmos os índices e as ocorrências que nos atingem foi dada pelo secretário de Segurança Urbana da Cidade do Recife, Murilo Cavalcanti. Durante palestra na OAB/AL ele afirmou que os prefeitos também devem participar das discussões com comprometimento, reconhecendo os problemas e criando ações de políticas integradas com os demais entes públicos.

E não é que ele tem razão. Poucas vezes cobramos a participação dos prefeitos. Sempre os deixamos a margem das cobranças e das críticas sobre o papel que eles podem e devem desempenhar, especialmente nas maiores cidades de Alagoas e do Brasil.

Resumindo, nós, cidadãos e eleitores, no final de tudo somos os principais responsáveis pelo que existe de bom e ruim na nossa sociedade. Afinal de contas, é com o nosso voto que elegemos prefeitos e vereadores, governadores e deputados estaduais, presidente da República e os deputados federais e senadores.

Sugiro, então, que cobremos, se preciso vamos pras ruas protestar e, principalmente, precisamos escolher bem os nossos representantes.

Uma boa notícia é que o secretário de Segurança do Recife, Murilo Cavalcanti, esteve reunido com o prefeito de Maceió, Rui Palmeira. Eu soube que o prefeito gostou de algumas experiências feitas na capital pernambucana. Vamos aguardar, e cobrar.

 

 

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Durante palestra, ex-presidente Lula faz revelações

Quem conhece, ou já viu num palanque ou numa conferência, sabe muito bem que o ex-presidente Lula consegue controlar com maestria o espaço do palco e o público que o assiste. O discurso dele é mais uma conversa com a plateia, com tiradas de humor e dados estatísticos sobre o tema em questão, sem importar a ordem.

Pra muita gente Lula representou, nos anos 80 e 90, a esperança de transformação do país. Para outros, ao conquistar o poder fez o Brasil avançar. Mas há aqueles que discordam, e também não são poucos.

O fato é que, durante palestra sobre “Brasil no Mundo: mudanças e transformações”, no encerramento da Conferência Nacional “2003 – 2013: uma nova política externa”, o ex-presidente demonstrou estar em dia com os protestos que agitaram as principais cidades brasileiras.

Algumas frases ditas pelo ex-presidente Lula:

"Na Europa, as pessoas protestam para não perder o que conquistaram. No Brasil, as pessoas protestam para conquistar mais".

“Ficar fora do Brasil é um jeito de eu não encher o saco da Dilma, ficar dando palpite".

"Eu estava ali, pensando, e o Bush estava falando e falando de terrorismo, e pra mim era tudo novidade. Eu tinha poucos dias de eleito presidente, e o presidente mais importante que eu já tinha visto na vida era o da Volkswagen".

"É preciso colocar o pobre no orçamento, para ficar gordinho, como eu".

Leia, abaixo, na íntegra, texto publicado no brasil247:

¶ "Na Europa, as pessoas protestam para não perder o que conquistaram. No Brasil, as pessoas protestam para conquistar mais", comparou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante palestra “Brasil no Mundo: mudanças e transformações”, no encerramento da Conferência Nacional "2003 – 2013: uma nova política externa", evento realizado no Campus São Bernardo do Campo da Universidade Federal do ABC (UFABC) pelo Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais (GR-RI).

Repetindo o que disse no artigo distribuído pelo jornal New York Times nesta semana, o ex-presidente disse que "a pior coisa no mundo é a gente aceitar a negação da política". "Estou dizendo isso porque não é de hoje que a gente vê em vários países do mundo as pessoas colocarem a política no ralo da podridão", completou, pedindo aos jovens da plateia: "Não neguem a política".

Lula comentou os boatos de que está com metástase. "Deixa falar uma coisa: se eu tivesse, eu jamais esconderia. Graças a Deus não tenho mais câncer. Tenho de fazer meus exames rotineiros a cada quatro meses durante cinco anos. Não é correto que algum canalha ou imbecil fique pela internet botando essas análises, essas mentiras", disse.

Na primeira aparição em evento público de Lula após a onda de protestos de junho, cerca de 30 jornalistas foram mantidos do lado de fora do auditório, mesmo depois de credenciados. De acordo com a assessoria do ex-presidente, a orientação aos jornalistas partiu da organização da conferência. Mas a assessoria da UFABC diz que a orientação de impedir a entrada de jornalistas partiu da equipe de Lula.

Na palestra, Lula destacou a política externa de seu governo, dizendo inclusive que vem dando sequência a ela nas viagens que faz pelo mundo. "Ficar fora do Brasil é um jeito de eu não encher o saco da Dilma, ficar dando palpite", brincou. "A verdade é que nós não éramos levados a sério. Mas porque nós não nos respeitávamos. Uma parte dirigente deste país tinha complexo de vira-lata", comentou o ex-presidente.

Ao ser questionado sobre o ex-prestador de serviço da NSA Edward Snowden, Lula disse que "esse rapaz está prestando um serviço à humanidade fazendo as denúncias que ele fez". "Não é aceitável, acho que os países do mundo inteiro têm de exigir dos EUA uma explicação", disse Lula, brincando: "Espero que ele não tenha ouvido minhas conversas".

Política

"Diferentemente do que algumas pessoas falam, 'o Lula teve muita sorte, a maré estava favorável'... (o documento que trago) demonstra claramente que, antes de ser eleito, a gente já tinha uma vocação para fazer o que fizemos do ponto de vista da relação com a América Latina, com a África", disse o ex-presidente, fazendo referência a documentos que comprovariam essa intenção e dizendo que não permitiria a instalação da Alca (Área de livre comércio das Américas) no continente.

Segundo Lula, "não seria possível fazer a policia externa que fizemos se a gente não tivesse uma definição, uma prioridade". E se eu não tivesse a sorte de encontrar o Celso Amorim para ser o meu ministro das Relações Exteriores", disse Lula, comentando que identificou no seu chanceler (hoje ministro da Defesa) uma pessoa humilde como ele. Para exemplificar o tom de sua política externa, Lula contou como foi sua primeira reunião com o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

"Em dezembro de 2002, fui convidado para ir ao EUA, conversar com o 'Tio Sam'. Quando cheguei, Bush estava 'mui nervoso', por causa dos atentados às torres. Ele tinha de encontrar alguém para pagar", lembrou o ex-presidente. "Era preciso pegar o culpado, e ele estava muito nervoso e queria invadir o Iraque. Ele falava de forma compulsiva, eu no Salão Oval. Já foi no Salão Oval? Eu conheço gente que já foi, e não foi legal", brincou.

"Eu estava ali, pensando, e o Bush estava falando e falando de terrorismo, e pra mim era tudo novidade. Eu tinha poucos dias de eleito presidente, e o presidente mais importante que eu já tinha visto na vida era o da Volkswagen", ironizou Lula, contando que Bush pediu seu apoio para a empreitada contra o Iraque. "O senhor faça a sua guerra, que eu faço a minha", respondeu Lula, acrescentando que a denúncia sobre armas químicas no Iraque foi a maior mentira deste século.

Fome

Lula também contou sobre os esforços de seu governo para estabilizar a Venezuela e destacou a atenção de sua gestão com a fome. "Nossa política externa teve três coisas básicas. Umas delas, de que me orgulho muito, é que conseguimos colocar para o mundo a questão do combate à fome. Nunca a fome foi tão debatida como a partir do momento que começamos a introduzir, primeiro em Davos, depois numa reunião com o Chirac, em Genebra, e depois em todas as reuniões de que participei", disse.

"É preciso colocar o pobre no orçamento, para ficar gordinho, como eu", disse Lula, lembrando sua experiência de vida, de ter nascido e crescido numa região pobre, para destacar o "pilar mais importante" de seu começo de mandato. O segundo mais importante, segundo ele, foi a diversificação das relações. "Me incomodava a subserviência do Brasil", disse, comentando que ninguém quer romper com os Estados Unidos, mas que era importante olhar para a América do Sul.

De acordo com o ex-presidente, seu governo puxou o "período mais progressista, socialista e de esquerda da América do Sul". Lula lembrou suas relações com presidentes como o boliviano Evo Morales. "Diziam que eu era frouxo por não querer brigar com ele. Mas eu quis brigar com o Bush e ele não quis brigar comigo. Por que eu brigaria com o Evo, questionou.

Locomotiva

Ao comentar sobre as limitações do poder, Lula apelou para uma de suas metáforas. "O presidente é como se fosse uma locomotiva. A estação é a máquina pública. O tempo passa e a máquina está lá, impávida, e a locomotiva vai trocando. A gente passa e a coisa não vai como a gente queria. Faz acordo com um país e, 10 anos depois, ele não é aprovado nem pelo nosso Congresso, nem pelo deles", lamentou, completando: "Sei que a presidente Dilma tem tanta ou mais vontade do que eu".

Ao destacar a importância das relações com a África, Lula creditou aos países africanos e da América Latina o fato de o Brasil ter emplacado José Graziano no comando da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o embaixador Roberto Azevêdo como diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) e Paulo Vannuchi na Comissão de Direitos Humanos da OEA.

Apesar do aumento de expressão brasileiro, Lula admitiu que se avançou pouco nos últimos anos na melhoria da governança global. "A impressão que eu tenho é que a (chanceler alemã) Angela Merkel está com tanto poder agora que conseguiu fazer com a Europa o que duas guerras não fizeram", criticou.

 

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Médicos querem parar. É o influente conservadorismo de branco (Parte II)

As reações ao texto publicado anteriormente foram, em sua maioria, agressivas. Faz parte de quem se habilita a expor alguma ideia. O importante, entretanto, é que houve posicionamento.

O fato indiscutível é que é necessário e urgente a presença de médicos nas cidades do interior e nas periferias das grandes cidades. Assim como são juízes, promotores e delegados. Esta é uma necessidade básica, humana e de sobrevivência.

É logico que todos esses profissionais precisam receber do poder público condições para executar com qualidade o seu ofício. Isso não se discute e tem que ser cobrado dos prefeitos, governadores e presidente da República. Como também é lógico que o melhor para a categoria médica é que o atendimento seja centralizado em Maceió e Arapiraca, por exemplo. Do ponto de vista logístico são as duas melhores cidades de Alagoas pra se viver e para ganhar dinheiro porque têm maior população e maior renda e melhor estrutura.

Bom, vamos a outras informações sobre o tema. Apesar da reação conservadora e estúpida das entidades representativas dos médicos, o último dado divulgado pelo Ministério da Saúde revela que quase 12 mil médicos em todo o país fizeram sua inscrição para se habilitar no programa Mais Médicos, criado pelo Governo Federal através de Medida Provisória. 92% dos interessados são brasileiros. A outra boa notícia é que 66 municípios alagoanos estão na lista do Ministério para receber profissionais do Programa.

Os dados acima, porém, são ruins para muitas lideranças da categoria, hospitais e clínicas privados, enfim, é ruim para todos que fazem da medicina apenas um grande negócio lucrativo, incluindo para aqueles que se dedicam ao comércio e ao consumo dos grandes laboratórios internacionais.

Por isso generalizo ao chamar os médicos encastelados em suas entidades de conservadores de branco. Ora, esse pessoal não quer que nada mude, assim como muitos estudantes que frequentam faculdades públicas de medicina, porque do jeito que está à profissão é bastante rentável.

Como pode uma entidade representativa da categoria ser contrária a um programa que paga para médicos trabalharem nos lugares mais pobres e distantes do país, aonde poucos querem ir?

Como pode uma entidade representativa ser contra uma proposta para aumentar em mais dois anos o tempo do curso fazendo com que o estudante de medicina de faculdade pública, orientado por profissionais experientes, atenda aos mais pobres, nos lugares mais distantes?

Será que esse contato humano, em lugares pobres e distantes, não será capaz de mostrar ao estudante de medicina os mundos diferentes e divergentes que existem?

Saúde dá dinheiro, o que é normal e perfeitamente humano. Só que saúde é um direito de todos nós.

De toda forma, desejo sorte aos médicos que estão se inscrevendo no programa e muita sorte, também, aos médicos estrangeiros. O povo agradece. Os mercadores, provavelmente, não.

 

 

 

 

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Médicos querem parar. É o influente conservadorismo de branco

Se existe uma categoria profissional neste país que não tem do que reclamar, é a classe médica. Os salários são ótimos, mesmo para o médico que precisa ter mais de um emprego para sobreviver muito bem. Tanto isso é verdade que há falta de médicos para trabalhar em cidades do interior. Poucos querem. Já as condições de trabalho no setor público, é outra discussão.

Agora, esses profissionais articulam protestos e paralisações por insatisfação com as medidas adotadas pelo Governo Federal. A verdade é que os conservadores de branco estão mesmo é insatisfeito com a vinda de médicos estrangeiros para atuar em cidades distantes e de difícil acesso. Eles também são contrários à medida que vai obrigar os estudantes de medicina a atuarem no Sistema Único de Saúde por dois anos para que possam ter o diploma.

Ora, convenhamos, essa elite profissional também está irritada porque quer a derrubada do veto presidencial sobre o Ato Médico, que fixava a supremacia dos médicos sobre os demais trabalhadores de nível superior da saúde, caso dos enfermeiros, fisioterapeutas, etc.    

Avaliar que a questão fundamental é apenas a condição de trabalho e não a carência de médicos para atender o povo, é não querer mudar nada e olhar para o andar de baixo sem entender a dor enfrentada pelos mais necessitados. Afinal de contas, o que vai custar dois anos a mais na vida de um recém-formado que estuda em faculdade pública de medicina para atender àqueles que a mantêm com o pagamento de impostos?  Sinceramente, isso não é injusto.

No Brasil existem 1,8 médicos para mil habitantes. Na Inglaterra esse número é quase o dobro, 2,7. E em Cuba, que muitas idiotas criticam, são 6 médicos para cada mil habitantes. Nos últimos anos surgiram mais de 147 mil novas vagas, mas o mercado só formou 93 mil médicos. Quase três mil municípios brasileiros sofrem com o fato de existir menos de um médico para cada 3 mil habitantes, além de os doutores não terem residência fixa na localidade.

Quando o Governo Federal criou um programa para levar médicos ao interior e bairros paupérrimos das grandes cidades, a necessidade de contratação era de 13 mil trabalhadores. Mesmo com salário de R$ 8 mil,  só 3,8 mil postos foram ocupados.

Portanto, eu quero mais médicos para o povo brasileiro. Não importa o idioma, não importa se é um médico vindo de Cuba. Não pode é faltar médico no interior, o que ocasiona a corrida pelo atendimento nas maiores cidades.

Entretanto, é preciso que também entrem na pauta da discussão as condições de funcionamento e os investimentos necessários para o setor público. O que não é suportável, nem aceitável, é que a classe médica simplesmente diga não a tudo o que é proposto.

Ou, que simplesmente, adira as palavras ditas pelo Instituto Teotônio Vilela – órgão político do PSDB sobre políticas públicas -, que chamou o Programa Mais Médicos, lançado pelo Governo Federal para combater a escassez de médicos no serviço público, de temeridade, ilusionismo, mandracaria, arbitrariedade e excrescência.

O povo precisa de médicos e de melhor atendimento. Esse é o caminho e o debate a ser seguido.

 

 

 

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Apesar da turbulência política, Dilma Rousseff lidera pesquisa

Manifestações nas ruas, críticas duras feitas pelos oposicionistas, saraivada de pancadas de meios de comunicação, racha entre deputados federais do PT, além de amigos, empresários e aliados articulando para que o ex-presidente Lula volte a disputar à Presidência da República. Esse tem sido o roteiro diário enfentado pela presidente Dilma.

Embora ainda não tenha domado essa crise sob suas rédeas, pesquisa realizada pelo instituto MDA a pedido da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) divulgada nesta terça-feira (16), Dilma Rousseff lidera a pesquisa contra todos os adversários: Marina Silva (Rede), Aécio Neves (PSDB) e Educardo Campos (PSB). E na hipótese de segundo turno, sairia vencedora em todos os cenários.

Entetanto, Dilma Rousseff foi atingida pelas manifestações populares ocorridas nas ruas do Brasil, o que é perfeitamente natural e aceitável. Se em junho a aprovação do seu governo atingia 54%, agora está em 31,3%. Já a avaliação negativa mais do que triplicou, passando a 29,5%, ante 9%. E é neste ponto, avaliação negativa, que esta o “X” da questão. Continuará Dilma caindo nas pesquisas e aumentando os índices negativos, ou isso será revertido?

Leia, abaixo, todos os dados e avaliações com informações da Reuters, Agência Brasil e do Brasil247:

A presidente Dilma Rousseff é a candidata à presidência da República em 2014 de 33,4% dos eleitores brasileiros, segundo o último levantamento realizado pelo instituto MDA a pedido da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e divulgado na manhã desta terça-feira 16. A pesquisa foi realizada entre os dias 7 e 10 de julho com 2.002 pessoas – portanto, depois da onda de manifestações que tomou o País – em 134 municípios de 20 Estados das cinco regiões.

Segundo a mostra, a presidente lidera o ranking de candidatos, que tem em segundo lugar a ex-ministra Marina Silva, do Rede Sustentabilidade, com 20,7% dos votos. Completam a lista o senador mineiro Aécio Neves, do PSDB, com 15,2%, e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, com 7,4% da preferência. Em um dos cenários, Marina venceria Aécio no segundo turno, com 35,6% dos votos, contra 23,3% do tucano.

A presidente Dilma Rousseff venceria os três opositores no segundo turno, como mostra o levantamento. Contra Marina Silva, a vitória seria de 38,2% contra 30,5% da ex-senadora. Se disputasse contra Aécio Neves, a petista sairia vitoriosa com 39,6% dos votos, enquanto o tucano teria 26,2%. A vitória contra Campos, da base aliada do governo, seria a de maior vantagem: 42,1% x 17,7%.

Avaliação do governo

As manifestações populares que tomaram as ruas em todo o país continuam cobrando seu preço do governo da presidente Dilma Rousseff, que viu sua avaliação positiva despencar para 31,3% neste mês, ante 54,2% em junho, mostrou pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira.

Segundo o levantamento do instituto MDA, 38,7% vêem o governo como regular, ante 35,6% no mês passado. Já a avaliação negativa mais do que triplicou, passando a 29,5%, ante 9%. A margem de erro da pesquisa é de 2,2%.

O desempenho pessoal da presidenta foi avaliado como positivo por 49,3% dos entrevistados. O dado mostra queda, em comparação a última pesquisa quando o percentual foi de 73,7%. No total, 47,3% desaprovam a gestão de Dilma. Em junho, os que desaprovavam o governo eram 20,4% dos entrevistados.

A pesquisa registra que a queda na avaliação da atuação da presidente Dilma ocorre após as manifestações públicas realizadas por todo o país "as quais foram motivadas, principalmente, por insatisfação elevada com a qualidade dos serviços públicos, gastos com a Copa do Mundo e com a corrupção", diz o texto.

 

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Curto-circuito político: O racha tucano e o racha petista

Embalado pelas vozes das ruas e pela queda vertiginosa da presidente Dilma nas pesquisas para as eleições de 2014, o ex-governador de São Paulo, José Serra, saiu do casulo para ocupar todo o espaço possível nas redes sociais e nos meios de comunicação.

Para quem estava praticamente fora da disputa, o tucano está de volta com carga total pra ser candidato à Presidência da República pelo seu partido ou pelo PPS que, inclusive, já o convidou para essa tarefa. Também tem conversado com o PSD do ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab.

Para ser indicado pelo PSDB, José Serra aposta que pode tomar o lugar do senador mineiro Aécio. Para tanto toma como base pesquisas recentes que o colocam em empate técnico com Marina Silva em segundo lugar nas intenções de voto.

Para evitar qualquer racha dentro do ninho tucano e abrindo a possibilidade efetiva da sua candidatura, ele também defende entre os companheiros de partido que, não sendo candidato pelo PSDB, a sua candidatura pelo PPS reforçaria os partidos de oposição e levaria a disputa presidencial para o segundo turno.

E o candidato de oposição ao PT pelo PPS e pelo PSDB que chegasse ao segundo turno seria apoiado pelo outro. Mas não é o que deseja o senador Aécio Neves, que quer o partido unido em torno de uma única liderança, portanto, sem divisões. Quando perguntado sobre o tema, a resposta é a mais política possível: "Respeito qualquer que seja a decisão do companheiro José Serra. É uma decisão muito pessoal. Desejo pessoalmente que ele seja feliz e que as oposições possam vencer as eleições. Vou trabalhar muito para o PSDB vencer as eleições."

Já no PT, o racha atinge o partido dividindo-o entre os simpatizantes de Lula que ainda não desistiram de convencê-lo a ser candidato a Presidente e entre os deputados federais Cândido Vaccarezza (PT-SP) e Henrique Fontana (PT-RS). Enquanto no primeiro caso Lula nega qualquer intenção, na Câmara os dois deputados e seus aliados estão em clima de guerra. Tudo por causa do grupo de trabalho criado para discutir a reforma política.

A origem desse conflito está na decisão dos líderes dos 13 partidos que integram o plenário de que cada um indicaria um representante. Só que o PT tem dois. O presidente Henrique Alves deveria ter colocado Fontana, indicado pela legenda para ser o coordenador por ser do partido com o maior número de deputados. Mas o presidente preferiu colocar Vaccarezza.

Por conta desse curto-circuito, o grupo criado ainda não foi instalado e há ameaças de renúncia. Claramente há uma divisão entre os parlamentares mais fieis ao Planalto, do lado de Fontana, e outros mais alinhados acreditem, com o PMDB de Alves, apoiadores de Vaccarezza.

De acordo com o site brasil247, quem está no time oposto do deputado paulista diz que ele é contra o plebiscito sugerido pela presidente Dilma Rousseff e contra a própria reforma política.

E a prova de que ele estaria mais próximo do PMDB foi uma declaração sua de que não há tempo hábil para que a reforma valha já para 2014, enquanto o partido governista luta para convencer o Congresso de que o plano ainda é possível.

Do outro lado, os opositores do parlamentar gaúcho criticam sua habilidade na relatoria da comissão especial de reforma política da Casa. De acordo com eles, Henrique Fontana teria sido um mau articulador político, pois, em mais de dois anos, não foi capaz de convencer a maioria de seus aliados a apoiar o projeto de reforma.

 

 

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