Voney Malta
Voney Malta

Blogueiro do Cada Minuto

Postado em 21/02/2017 às 10:27 0

Carnaval, política e os delatados da Odebrecht


Por Voney Malta

É bom que os políticos, especialmente os alagoanos no Congresso Nacional, comemorem bastante o carnaval, visitem suas bases, abracem e sejam abraçados e bebam com os seus amigos de ocasião, eleitores e aliados.

É que 2018 já começou. E passado o carnaval, no início de março o ministro relator do STF Luiz Fachin deve receber e autorizar pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre fim do sigilo das delações da Odebrecht.

Já há uma bolsa de apostas sobre nomes. Só de ministros do governo Michel Temer seis estão na lista: Eliseu Padilha (Casa Civil/PMDB), Moreira Franco (Secretaria Geral/PMDB), José Serra (Relações Exteriores/PSDB), Bruno Araújo (Cidades/PSDB), Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia e Comunicações/PSD) e Marcos Pereira (MDIC/PRB), o último de que se tem notícia. Ah, o nome do presidente também consta na relação.

Se o sigilo dos 77 delatores da Odebrecht cair, haverá uma explosão. Ela atinge, além de membros do Executivo, deputados, senadores, governadores e prefeitos. Reputações serão colocadas ainda mais sob suspeição quase um ano antes das eleições, um farto material a ser explorado pelos adversários.

Claro, vários políticos alagoanos estão nessa relação.

Portanto, a maior das dores de cabeça fica pra depois da quarta-feira de cinzas. A dor de cabeça de agora dependerá do que for ingerido.

Por enquanto.


Postado em 20/02/2017 às 09:45 0

Senador do PT critica o PT


Por Voney Malta

Em visita a Israel e a Palestina junto com deputados e senadores, o senador Humberto Costa (PT-PE) usou as redes sociais para justificar uma entrevista que concedeu à revista Veja. Nela, ele critica o partido e todo o sistema político.

No entanto, vem sendo duramente criticado por simpatizantes do partido por ter dito o que pensa a um veículo de comunicação considerado um dos “agentes do golpe” parlamentar que afastou Dilma Rousseff da presidência.

Resumidamente, o senador afirmou que chegou a hora de o PT admitir que se envolveu em corrupção, pedir desculpas à sociedade pelos erros que cometeu, abandonar o discurso de “denúncia do golpe” e apresentar propostas econômicas para tirar o país do atoleiro.

De fato, Humberto Costa tem razão. As pesquisas de opinião que colocam o ex-presidente Lula como líder em todos os cenários na disputa pela presidência em 2018 – e o enfraquecimento dos principais nomes do PSDB -, mostram que o PT precisa mudar o discurso e apresentar propostas para o enfrentamento da crise econômica, política e ética.

Afinal de contas, a população já percebeu que um dos motivos do impeachment foi frear as investigações da Lava Jato.

Assista ao vídeo do senador aqui.


Postado em 17/02/2017 às 15:00 0

STF: Edson Fachin arquiva inquérito contra Collor


Por Voney Malta

Atendendo ao pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu arquivar um dos inquéritos contra o senador Fernando Collor (PTC-AL) no âmbito da operação Lava Jato, por insuficiência de provas.

Collor era suspeito de receber vantagens indevidas em uma operação da subsidiária da Petrobras, em Salvador, a BR distribuidora. A citação de envolvimento no caso foi feita na delação premiada de Nestor Cerveró, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras.

“Seria temerário o oferecimento de uma denúncia com base apenas em declarações de um colaborador”, escreveu o procurador-geral da República ao pedir o arquivamento.

Nos casos que envolvem as investigações da Lava Jato, o senador Fernando Collor ainda é alvo de outros cinco inquéritos.

Leia reprotagem na íntegra aqui.


Postado em 16/02/2017 às 10:54 0

Pesquisa: Bolsonaro ultrapassa Aécio


Por Voney Malta

O dado novo somado de todas as pesquisas – Ibope, Data Folha, Vox, entre outras - feitas desde que Michel Temer assumiu o governo e dividiu o poder com o PSDB é a queda continuada de Aécio Neves e Marina Silva.

Apenas Jair Bolsonaro e Lula têm crescido nos últimos levantamentos na disputa presidencial para 2018.

Em quatro meses Bolsonaro pulou de 3,5% para 6,5%. Com Marina, Ciro e Aécio candidatos ele sobe para 11,3%. Os números são bem distantes de Lula, que passa dos 30%.

Porém, enquanto o ex-presidente tem mais eleitores entre os mais pobres e com menor escolaridade (49,5%), Jair Bolsonaro começa a se fortalecer entre os eleitores com mais dinheiro – renda acima de 5 salários mínimos (20,4%); mais educação (20,4%); e mais jovens (20,7%).

Ou seja, Bolsonaro, desde que consiga se viabilizar, pode ser a alternativa para setores mais conservadores da sociedade, o anti-Lula.

Só que a pesquisa CNT/MDA feita pelo Ibope e divulgada nesta quarta-feira (16) é desastrosa para Aécio Neves e o PSDB. No levantamento espontâneo ele foi ultrapassado por Jair Bolsonaro (7% a 2%). Na estimulada ficou tecnicamente empatado.

O desastre está na constatação de perda continuada de eleitores desde que o partido aderiu ao governo Temer. Bolsonaro, para uma parte do eleitorado que votou nos tucanos, parece representa-los melhor.

Por outro lado, se Lula, apesar dos ataques sofridos, vem recuperando a intenção de voto sofre o risco de virar réu e se tornar inelegível.

A única chance para o PSDB em 2018 é a recuperação da avaliação do governo Temer, o que é improvável pelo curto tempo até 2018, além do envolvimento dele e de ministros nas investigações da Lava Jato.

Dessa forma, o cenário aponta que está aberto para surpresas e indefinições, pelo menos por enquanto, para todos os lados e tendências.

Abaixo mais dados sobre a pesquisa:

Aqui,

e aqui

 

 


Postado em 15/02/2017 às 10:58 0

Zona Azul: Rui ganha chance para consertar


Por Voney Malta

Acerta quem cravar que a decisão da Justiça de suspender - acatando pedido de liminar do MPE - a implantação da Zona Azul em Maceió foi vista como uma oportunidade para alguns assessores do prefeito Rui Palmeira.

A questão vem sendo discutida internamente em reuniões. Rui, embora tenha cobrado anteriormente dos secretários providências para reverter a medida, ainda avalia se o município irá recorrer.

Apesar disso, a suspensão dá tempo ao governo para melhorar o processo de implantação da cobrança de estacionamento em áreas públicas.

Questões como melhorias para a comunidade, o contrato com a empresa que vai administrar os espaços e o impacto social que irá atingir os flanelinhas estão sendo discutidas internamente.

De qualquer forma, essa questão está sendo vista como uma lição: A de que os gestores dos órgãos devem debater mais, conversar mais e trabalhar mais em conjunto para reduzir, e até evitar, que possíveis impactos jurídicos, sociais e econômicos prejudiquem a imagem da administração após o lançamento de algum projeto ou medida.

É que num caso aparentemente simples como este têm que estar envolvido para planejamento, execução e divulgação diversos órgãos da administração pública.

É a interface entre os setores.

De qualquer forma, antes tarde do que nunca.

Fica a lição.


Postado em 14/02/2017 às 10:38 0

Flanelinhas e Zona azul são tempestades para Rui


Por Voney Malta

Muito mais do que a ação civil pública ajuizada pela a 16ª Promotoria de Justiça da Capital para suspender a implantação do sistema de estacionamento rotativo pago, conhecido por “Zona Azul”, lançado pela prefeitura de Maceió, está o risco de imenso desgaste político para Rui Palmeira não só para agora, mas também para o futuro.

Em qualquer projeto é preciso observar não só os riscos jurídicos e os bons resultados financeiros, mas, especialmente, as consequências políticas. E no caso de estacionamento rotativo, do ponto de vista político e da forma como foi lançado, é simplesmente desastroso.

Porque simplesmente só se olhou para o retorno financeiro, para o dinheiro novo que chegaria para o município via SMTT, onde o projeto foi gestado. Ainda bem que o MPE coloca o dedo no problema, o que pode significar a saída para Rui Palmeira rever e alterá-lo.

É que pode recair sobre o prefeito a insatisfação dos usuários dos estacionamentos e das ruas ao redor que não vão ganhar benefícios como melhoria da iluminação e do asfalto, além da presença de guardas municipais, por exemplo.

E o que mais grave: O que será dos pobres flanelinhas que vivem nos estacionamentos? Simplesmente vão perder a renda miserável que recebem para cuidar dos carros? É incapaz o município de oferecer uma qualificação para que possam sobreviver? Há algum projeto?

Pois bem, caro leitor, imagine um protesto dos flanelinhas, pneus queimados, mulheres e filhos desses pobres coitados apoiando o movimento, polícia e imprensa presentes, correria, confusão.

Meses depois, 2018, campanha eleitoral. Uma equipe de TV de um candidato entrevista a mulher e os filhos de um daqueles flanelinhas que perdeu o sustento e foi morto ou está preso porque teve que entrar no mundo do tráfico para sobreviver.

E qual foi o início dessa tragédia? Um projeto do prefeito Rui Palmeira colocado sob suspeição pelo MPE para arrecadar mais dinheiro. Isso é campanha eleitoral. Verdade e mentira não importam, mas sim a versão.

Portanto, antes que a Zona Azul vire uma Zona Negra o melhor caminho é observar, também, as consequências de uma decisão e suas implicações sociais, políticas e humanitárias.

O que impressiona nesse caso é falta de visão da assessoria do prefeito, (leia-se SMTT), incapaz de um mínimo de projeção futura.

Aliás, a pior coisa para um político é ter ao seu redor assessoria sem capacidade de análise de risco e de pontos positivos e negativos.

Dinheiro nem sempre é tudo no comando de um município.

E nesse ofício o que fica para sempre é o que as pessoas pensam do político.


Postado em 13/02/2017 às 10:34 0

Ciro e 2018: Se eleito, vou "quebrar ou ser quebrado."


Por Voney Malta

Candidato declarado à presidência da República em 2018, o ex-ministro e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, não alivia nem quando trata sobre o amigo e aliado Lula da Silva quando o tema é política e eleição.

Para ele, a candidatura do petista seria um “desserviço, tanto para o país quanto para ele (Lula)”.

Pois bem, dependendo do ponto de vista, Ciro tem razão.

Primeiro: O cearense quer que Lula não se candidate.

Segundo: Ciro quer o apoio de Lula.

É que, como reconhece o presidenciável do PDT, Lula ainda detém capital político para canalizar a favor e contra ele todo o processo eleitoral.

Porém, analisa Ciro Gomes, “na melhor hipótese ele ganha potencializando essa hostilidade mesquinha que vai agredir na porta do hospital a mulher dele que estava moribunda."

De fato, uma candidatura vitoriosa de Lula tende a manter o Brasil perigosamente dividido e uma disputa eleitoral de duros ataques entre os oponentes.

Por outro lado, até o momento apenas o ex-presidente surge como capaz de resgatar, no imaginário popular, o passado recente de desenvolvimento e inclusão social que a sua gestão proporcionou.

Ciro Gomes também tem tratado sobre o governo Michel Temer e outros temas. Leia abaixo algumas de suas declarações concedidas à coluna Estadão:

"Governo Temer: É um desastre em todos os ângulos que se queira considerar. Hoje você tem taxa de juros de 13% com uma inflação projetada inferior a 4%. Ou seja, a taxa real de juros do governo Temer está subindo no momento de depressão econômica”.

“Hoje o Congresso é fisiológico e corrupto. Você tem na linha de sucessão delatados: Michel Temer, que eu conheço e sei que está envolvido até o pescoço com tudo o que não presta nos últimos 20 anos- Tem o Enuncio Oliveira (presidente do Senado), que o Brasil vai conhecer. Chega a ser vulgar e inacreditável como a maioria esmagadora dos senadores vota.”

“Eu vou pensar cem vezes antes de ser candidato. Eu tenho vontade de ser presidente do Brasil, isso é notório há muitos anos. Me preparo para isso. Porque se eu entendo que é minha tarefa, vou fazer história. E não tem conversa, não vou me reeleger. Não vou para fazer graça com ninguém, eu vou para fazer o que tem de ser feito e ir pra casa. Quebrar ou ser quebrado."


Postado em 10/02/2017 às 10:52 0

Biu de Lira cobra de Moraes lealdade no STF



A crise brasileira chega ao fundo do poço. Mas não é o seu fim. É sim a sua continuidade. Só que agora com um precipício imenso que virá com a insatisfação e revolta de diversas categorias. No caso mais emblemático, a perigosa probabilidade de que a crise institucional vivida no Espírito Santo entre policiais e o Executivo se espalhe por outros estados, casos do Rio de Janeiro, Pernambuco, entre outros.

Alagoas também está nessa lista. Foram claras as palavras de representantes de Associações Militares nesta quinta-feira (9) ao afirmarem que estavam negociando a reposição da inflação de 2015 e 2016 e que ainda não haviam discutido (entre os militares), caso não sejam atendidos, “paralisação” e as consequências que o motim causa, tendo o Espírito Santo como exemplo. Convenhamos, essas palavras foram uma “clara ameaça”.

Pois bem, esse é o precipício. A generalização das insatisfações somada à falta de credibilidade das autoridades dos poderes Judiciário,  Executivo e Legislativo. E não poderia ser diferente. Com centenas de ex e atuais deputados, senadores e ministros suspeitos de corrupção a partir de delações no âmbito da Lava Jato, a sociedade parte para o perigoso “cada um por si”, algo que os políticos já vêm fazendo organizadamente.

Que o digam alguns senadores – entre eles Benedito de Lira (PP-AL). Nesta terça-feira (7) Biu e outros companheiros de ofício participaram de um jantar no barco do senador Wilder Morais (PP-GO), ancorado no Lago Sul do Paranoá, em Brasília. O encontro ocorreu para recepcionar o ministro licenciado da Justiça, Alexandre de Moraes, indicado por Michel Temer para o STF.

Entre bebidas e comidas finas, coube a Benedito de Lira, segundo o jornalista Luís Costa Pinto, perguntar se Moraes iria esnobar os parlamentares, caso fosse aprovado o seu nome pelo senado, “como outros fazem na Corte”. Dizem que Biu de Lira ficou satisfeito com a resposta dada. Imagino leitor que, se rolou esse diálogo, o que mais não teria sido acordado?

Entre os senadores que participaram do encontro, vários respondem a processos diversos que vão além da Lava Jato. São eles que vão aprovar o nome de Moraes para a mais alta Corte. E precisam de mais alguém que os entenda e atenda, afinal de contas, Alexandre de Moraes é da confiança de Temer, de Aécio, de Padilha, e agora de Sarney, de Renan, de Biu, de Perrela.

Ou seja, é da confiança do PIB da política brasileira enrascada nas delações das construtoras que revelaram como funciona a troca de obras por financiamento de campanhas, de partidos e de políticos.

Com o grau de credibilidade da classe política em frangalhos, o precipício está bem ali. Só que alguém pode jogar gasolina e acender o fósforo.

E bbbbuuuuummm!

Leia o texto do jornalista Luís costa Pinto aqui.

 


Postado em 09/02/2017 às 08:56 0

Cunha publica artigo e ataca juiz Moro


Por Voney Malta

Em artigo publicado na folha de São Paulo, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusa e questiona decisões do juiz Sérgio Moro.

Em uma das críticas, diz que foi montado nas carceragens da PF em Curitiba um hotel para forçar os presos a delatar. Afirma que está preso sem que tenha ocorrido qualquer fato novo, “salvo a necessidade de me manter como troféu”.

Eduardo cunha teme, por causa do artigo, que ele e sua família sofram ainda mais retaliações do juiz Moro, “mas não posso me calar diante do que acontece”.

Reclama também do MPF e do espetáculo feito nas denúncias contra o ex-presidente Lula e propõe uma nova legislação para frear ilegalidades praticadas.

Bom, independente do que eu e você pensamos sobre Eduardo Cunha ou sobre o juiz Sérgio Moro, vale a pena ler o texto do principal responsável pela maior crise política desde a redemocratização do Brasil para tirarmos as nossas conclusões.:

Confira abaixo o artigo, publicado na Folha de S.Paulo:

"Faz pouco tempo, esta Folha publicou um artigo de Rogério Cezar de Cerqueira Leite com críticas ao juiz Sergio Moro, expressando sua legítima opinião. O juiz escreveu resposta em que criticou a Folha por dar espaço ao texto, como se a democracia comportasse que as opiniões contrárias às nossas fossem censuradas -ou seja, ou me elogie ou se cale. Essa era a lógica da resposta.

Com este artigo que publico agora, sei que minha família e eu poderemos correr o risco de sermos ainda mais retaliados pelo juiz, mas não posso me calar diante do que acontece.

Estou preso por um decreto injusto, o qual contesto através de habeas corpus e da reclamação ao Supremo Tribunal Federal, já que não houve qualquer fato novo para ensejar uma prisão, salvo a necessidade de me manter como troféu.

Minha detenção afronta a lei nº 12.043/11, que estabelece que antes da prisão preventiva existam as medidas cautelares alternativas.

Deve-se ainda levar em conta que um dos fundamentos de minha prisão veio de proposta do Ministério Público -prisão preventiva para evitar a dissipação patrimonial- incluída no chamado pacote anticorrupção. Essa medida, todavia, já foi rejeitada pela Câmara.

Para coroar, o juiz, para justificar sua decisão, vale-se da expressão "garantia da ordem pública", sem fundamento para dar curso de legalidade ao ato ilegal. Isso, afinal, tornou-se mero detalhe em Curitiba, já que basta prender para tornar o fato ilegal em consumado.

A jurisprudência do STF não permite, pela via do habeas corpus, a supressão de instâncias, fazendo com que se leve no mínimo seis meses para que o mérito chegue ao tribunal, punindo quem está preso ilegalmente com uma antecipação de pena, sem condenação. O meu habeas corpus está no Superior Tribunal de Justiça.

Convivendo com outros presos, tomo conhecimento de mais ilegalidades -acusações sem provas, por exemplo, viram instrumentos de culpa. A simples palavra dos delatores não pode ser a razão da condenação de qualquer delatado.

Ocorre ainda pressão para transferir a um presídio aqueles que não aceitam se tornar delatores, transformando a carceragem da Polícia Federal em um hotel da delação.

Apesar das condições dignas do presídio e do tratamento respeitoso, é óbvio que a mistura de condenados por crimes violentos e presos cautelares não é salutar.

Uma das principais causas da crise do sistema penitenciário é o contingente de 41% de presos provisórios. Esse fato tende a ser agravado com a decisão do STF de autorizar o encarceramento após condenação em segunda instância.

É bom deixar claro para a sociedade que a minha segurança e a dos demais presos cautelares é de responsabilidade do juiz Sergio Moro. Ninguém questiona a existência de um criminoso esquema de corrupção; punições devem ocorrer, mas observando o devido processo legal.

Não podem ocorrer fatos tais como a entrevista em que a força-tarefa de Curitiba, quando eu ainda era presidente da Câmara, declarou minha culpa e pregou minha prisão, ignorando o fato de que eu ainda desfrutava de foro privilegiado.

Ou ainda o espetáculo deprimente da denúncia contra o ex-presidente Lula -independentemente da opinião ou dos fatos, jamais poderia ter se dado daquela forma.

Algumas propostas legislativas são importantes para combater as ilegalidades praticadas.

1) Definir com clareza o conceito de garantia de ordem pública para motivar uma prisão cautelar.

2) Estabelecer um prazo máximo para a prisão preventiva, caso o habeas corpus não subsista com o trânsito em julgado.

3) Separar os presos cautelares dos condenados.

4) Determinar a perda dos benefícios de delatores que não comprovam suas acusações.

5) Alterar a lei das inelegibilidades para quarentena de no mínimo quatro anos para juízes e membros do Ministério Público que queiram disputar mandato eletivo.

6) O juízo de instrução não pode ser o juízo do julgamento. Os processos não podem ser meros detalhes de cumprimento de formalidades para chegar a condenações já decididas de antemão.

Juízes e membros do Ministério Público devem respeito à Constituição, às leis, ao Estado democrático de Direito. A história mostra que o juiz popular ou o tribunal que lava as mãos como Pilatos não produzem boas decisões."

 


Postado em 08/02/2017 às 11:17 0

População revoltada com “ânsia" de Rui por mais arrecadação


Por Voney Malta

No final de uma corrida diária pela orla de Maceió, eu e 3 conhecidos paramos para conversar. Respiração ainda ofegante, o tema é o prefeito Rui Palmeira (PSDB) e sua segunda gestão que, segundo eles, só pensa em arrecadar e pouco faz para organizar a capital. Eu só escuto, mas vou registrando na memória as opiniões, que são idênticas.

“Até parece que Rui tá apenas de olho em 2018, ser candidato a governador, ter dinheiro para gastar. Aí vem com Zona Azul. Cara, é R$ 2,50 a hora e só pode ficar quatro horas nos bolsões e duas horas nas vias públicas. Se não, meu irmão, é canetada, multa. Se agente precisar ficar quatro horas tem que dar R$ 10. Bichosa mais caro do que estacionamento particular”, diz o primeiro.

O segundo emenda: “É a SMTT do Rui. O negócio vai ficar é ruim”, diz fazendo rima. “Vão voltar com os pardais. Beleza. O problema é que colocam fiscalização eletrônica até em ladeira, lá na da rodoviária, e a gente tem que descer freando e olhando pra velocidade. Lugar errado, tira a concentração”.

O terceiro interrompe pra dizer: “E apois! Quero ver é o Rui ter coragem de mandar os guardas fiscalizarem os ônibus de turistas que param em frente dos hotéis, os comerciantes donos das calçadas que viram estacionamento, cadê coragem? Esses caras são iguais, só pensam em quebrar a gente”.

Resolvo sair do silêncio. Pior que essas coisas que vocês reclamam é a história da mudança na Previdência. Especialistas (leia aqui ) dizem que o que o governo Temer vai fazer vai acabar com a aposentadoria porque quem é jovem não vai ter vantagem. É aquela coisa, pagar por mais de 40 anos e não usar, não é vantagem. Melhor aplicar o dinheiro, desde que não seja na poupança”.

O terceiro companheiro concorda e compara ao IPTU. “É o caso do IPTU, chegou lá em casa. Dá 10% de desconto se pagar em março. Rui tá me chamando de Mané. É pouco. Vou pagar parcelado, 10 vezes, e deixo o dinheiro rendendo numa aplicação que vai dar mais do que o desconto oferecido. Só não pode ser poupança, como você disse. Procurem o banco. Vou dar nada pra esses caras que nada fazem. Aqui pra eles!”

Despedimos-nos e fomos embora. Ao chegar em casa vejo reportagem de Vanessa Alencar – aqui no CM. É que o deputado federal JHC (PSB) protocolou uma representação solicitando ao Ministério Público de Contas (MPC) a suspensão, em caráter de urgência, da cobrança da Zona Azul (Leia aqui).

Pelo Whats App aviso aos companheiros de corrida, que comemoram com “alegres expressões".


Postado em 07/02/2017 às 10:30 0

Indicação de Moraes vai desativar a Lava Jato


Por Voney Malta

A polêmica nacional do momento é a indicação do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, para o Supremo Tribunal Federal. As críticas surgem de todos os lados, afinal de contas, ele será o revisor das ações da Lava Jato, onde antigos e atuais amigos e aliados políticos foram delatados, casos do presidente Temer, dos senadores José Serra e Aécio Neves, ambos do PSDB, entre outros.

O ministro já foi filiado ao PMDB, DEM e agora está no PSDB, que o indicou para a pasta. Ganhou a confiança de Michel Temer no ano passado, quando era secretário de Segurança Pública de São Paulo. Temer o procurou e pediu ajuda para investigar a clonagem do celular de sua esposa, Marcela. O caso foi resolvido em 40 dias, com a prisão e condenação do suspeito.

Bom, as duras críticas contra o indicado são contundentes. Anteriormente, nenhum indicado foi tão questionado. O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) diz que a indicação de Moraes “é a lama no fundo do poço”.

O Centro Acadêmico da Faculdade de Direito da USP, onde o ministro se formou, disse que ele “demonstrou ao longo de sua trajetória desrespeito a princípios fundantes da Carta Magna. São constantes declarações e posturas histriônicas e fortemente partidarizadas”.

A jornalista Miriam Leitão disse que o governo “errou na indicação. Temer foi citado na Lava-Jato, vários dos seus ministros também, alguns deles já estão sendo investigados. Esta não é a hora de escolher para o STF alguém da sua copa e cozinha e membro do PSDB". O também jornalista José Nêumanne diz que “amigo e subordinado de Temer, apoiado por partidos, Moraes não tem independência para STF".

Bom, são várias reclamações, mas, há uma defesa importante, que é a do ministro do STF, Gilmar Mendes. Alexandre de Moraes é qualificado e “tem todos os predicados para compor o STF". Mendes falou de outros ministros com vínculos partidários: 'Tivemos o Ayres Britto, Toffoli foi advogado do PT, Fachin tinha posicionamento político e isso em nada afetou os julgamentos. Não teve contaminação'.

Bom, fato é que a turma de procuradores lá de Curitiba está preocupada. É que mesmo com a redistribuição da Lava Jato no STF para Edson Fachin “a escolha do novo Ministro terá forte impacto na Lava Jato e nas demais investigações sobre corrupção. Isso especialmente em razão da orientação do tribunal sobre a execução provisória da pena. Ano passado, o tribunal entendeu que ela é possível, por 6 votos contra 5. O Ministro Teori estava dentre os vencedores. O novo Ministro pode inverter o placar", diz o procurador Deltan Dallagnol.

Ou seja, caro leitor, Alexandre de Moraes é, como ministro da Justiça, e será como ministro do STF, peça-chave na continuidade e no futuro das investigações.

O que o presidente Michel sente por nós, opinião pública, é nada, coisa alguma. Afinal de contas, ele não foi colocado na chefia do poder pela classe política que teme ir para na cadeia.

E no dia da indicação de Alexandre Moraes, mais uma bomba: Reportagem sobre o seu patrimônio mostra evolução milionária no serviço público.

“Entre os anos de 2006 e 2009, quando foi membro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e secretário do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), Moraes comprou oito imóveis por 4,5 milhões de reais. A lista de aquisições inclui dois apartamentos luxuosos em São Paulo, onde vive, e terrenos em um condomínio dentro de uma reserva ambiental”. (Sobre o patrimônio de Moraes, leia mais aqui).


Postado em 06/02/2017 às 10:10 0

Propina: Aécio será alvo da Lava Jato


Por Voney Malta

Principal responsável pelo clima de instabilidade política que afetou enormemente a economia brasileira, o senador Aécio Neves, que tanto trabalhou pelo “quanto pior, melhor” para desestabilizar o governo Dilma Rousseff, é a bola da vez nas próximas fases das investigações da Lava Jato.

Mas, antes de tratarmos sobre essa questão, vale divulgar um estudo sobre a economia brasileira atual: Análise da Tendências Consultoria Integrada aponta que “os dois anos de recessão que o país amargou em 2015 e 2016 fizeram a economia de 12 estados mais o Distrito Federal (DF) retroceder ao patamar do início da década”.

As maiores perdas ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul Paraná, no Amazonas, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Distrito Federal. Ou seja, o recuo da economia ocorreu em todas as regiões.

Dito isso – apenas pra lembrar que ele (Aécio Neves) é um dos responsáveis pelo quadro econômico – voltemos o foco para Aécio. Reportagem da TV Record mostra Oswaldo Borges da Costa, tesoureiro pessoal do senador mineiro, que, segundo delação da Odebrecht, seria responsável pela arrecadação de recursos ilícitos.

Aécio é acusado de comandar pessoalmente, na obra da cidade administrativa, no valor de R$ 2,1 bilhões, um esquema de propinas.

Assista aqui a reportagem: