Voney Malta
Voney Malta

Blogueiro do Cada Minuto

Postado em 28/04/2017 às 10:20 0

Aumenta rejeição ao PSDB, diz Ibope Inteligência


Por Voney Malta

Pesquisa realizada pelo Ibope, entre os dias 7 e 11 de abril, ouviu 2.002 pessoas em mais de 143 municípios. Objetivo foi levantar o potencial de votos e a rejeição de potenciais candidatos à presidência em 2018. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

A surpresa (será que é?) é a crescente rejeição dos três principais nomes do PSDB que, aliás, disputam essa liderança negativa. Em primeiríssimo lugar está o senador Aécio Neves. 62% dos entrevistados não votariam nele de jeito nenhum para presidente da República.

José Serra com 58% e Geraldo Alckmin com 54% estão colados nos seus calcanhares. Logo atrás aparecem Lula (51%), Marina (50%), Ciro Gomes (49%), Bolsonaro (42%), João Doria (36%) e Joaquim Barbosa (32%).

Quando perguntado em quem o eleitor votaria com certeza, o ex-presidente Lula lidera. 30% dizem que votariam nele com certeza; 17% declaram que poderiam votar nele para presidente em 2018, o que lhe dá um potencial de votos de 47%.

Em seguida aparecem Marina Silva com 33% (9% com certeza votariam e 24% poderiam votar), José Serra com 25% (7% e 18%), Geraldo Alckmin com 22% (7% e 15%), Aécio Neves também com 22% (6% e 16%), Joaquim Barbosa com 24% (12% e 12%), Ciro Gomes com 18% (5% e 13%), Bolsonaro com 17% (8% e 9%) e João Doria com 16% (6% e 10%). 

Pesquisa nos mesmo molde desta feita este mês ocorreu em abril do ano passado, ou seja, com a mesma pergunta. A rejeição de Lula foi a única que diminuiu - de 65% para 51%, o que dá 14 pontos.

A rejeição de todos os demais possíveis candidatos subiu. Aécio cresceu 9%, Bolsonaro 8%, Marina 4%. Já as de serra, Ciro e Alckmin permanece praticamente inalterada, oscilando apenas 1 ponto para cima.

Claro que esse resultado é um reflexo da opinião de momento do eleitorado, mas que pode ser alterado de acordo com os acontecimentos políticos, policiais e jurídicos causados pela instabilidade que a Lava Jato tem trazido.

Aguardemos o desenrolar dessa novela – com prazo de conclusão em outubro do ano que vem -, inclusive com a possibilidade de surgimento de novas candidaturas.

 


Postado em 27/04/2017 às 09:42 0

Lula fala sobre tudo e é candidato em 2018


Por Voney Malta

Quem viu, viu, quem não viu ainda pode assistir. Vale a pena para quem simpatiza ou não com o ex-presidente Lula assistir a entrevista que ele concedeu ao jornalista Kennedy Alencar, no SBT, na noite desta quarta-feira (27).

Todos os temas foram tratados. Lula falou sobre Moro, tríplex do Guarujá, delação de Léo Pinheiro, da OAS,  a também possível delação de Palocci, prisões, traição de Temer, situação política e econômica, enfim, tratou sobre tudo.

Afirmou, inclusive, que “Agora quero ser candidato à Presidência em 2018”, e chorou quando falou sobre a morte da esposa, Marisa.

 Abaixo alguns trechos da entrevista:

"Sem nenhuma falta de modéstia: as pessoas sabem que eu sei, as pessoas sabem o que eu fiz, e as pessoas sabem que eu tenho condições de consertar este país", afirmou.

"Para começar a consertar esse país, nós precisamos temos de fazer com que o povo vol volte a ter confiança nele próprio. E segundo, precisamos fazer com que o governo volte a ter credibilidade. E para ter credibilidade é preciso alguém ser eleito democraticamente pelo povo”.

"Eu digo para todo mundo: para resolver os problemas, é preciso incluir o pobre. E não fazer o que estão fazendo, jogando a culpa para cima dos pobres”. 

"Eu vou ter condições jurídicas para ser candidato. Não há razão nenhuma razão jurídica para evitar que eu seja candidato".

Assista a entrevista aqui e tire as suas conclusões (http://www.sbt.com.br/jornalismo/sbtbrasil/noticias/89372/Exclusivo-Kennedy-Alencar-entrevista-o-ex-presidente-Lula.html).


Postado em 26/04/2017 às 10:18 0

Diárias e o prefeito de AL que ganha mais que o de SP


Por Voney Malta

Trimm, trimmm. Toca o telefone, insistente. Assim que atendo escuto o “fala, primo”. “Diga aí, qual a novidade, pergunto”.

“Rapaz, tú num sabe nada daqui do Sertão, né?”

“O que houve”?

“Tú num viu o site radar 89 e o canapi agora, não? Meu irmão, leia mais as coisas daqui, trabalha mais, porra, kkkkk!

“Né isso, não. Vou olhar agora. Qual o assunto?”

“Os meninos sabidos de Canapi. Os caras assumiram agora e já tão fazendo merda”.

“Beleza”, digo e me despeço do parente lá de Mata Grande.

Os fatos:

Levantamento feito pelo site radar89.com.br revela que o prefeito de Canapi, Vinicius José Mariano de Lima (DEM), recebe salário maior do que o prefeito do PSDB da maior e mais rica capital brasileira, João Doria.

No município em que a maioria da população sobrevive do Bolsa Família, Vinícius Mariano recebe R$ 21 mil. Doria ganha R$ 17.948.

Mas não pense que é só isso, caro leitor, infelizmente. O jovem prefeito enviou para a Câmara - que aprovou, claro – Projeto de Lei sobre pagamento de diárias. Ou seja, organizou e legalizou o que vai virar uma farra para os políticos locais. E essa farra é visível pelos valores e distâncias definidas.

 

Deslocamento dentro do estado:

1 - Até 150 km da sede do município, 300,00 para o Prefeito e o vice, e 150,00 para secretários municipais, comissionados e demais agentes públicos;

2 - Acima de 150 km, 500,00 para o prefeito e vice, e 250,00 para secretários municipais, comissionados e demais agentes públicos.

Deslocamento para fora do estado:

1 - 1.200,00 para prefeito e vice, e 600,00 para secretários municipais, comissionados e demais agentes públicos.

Deslocamento para fora do Brasil:

1 - 2.000,00 para prefeito e vice, e 1.000,00 para secretários municipais, comissionados e demais agentes públicos.

O detalhe é que o projeto não menciona a devolução das diárias que não forem integralmente utilizadas, mas determina que se o deslocamento for feito em veículo particular do servidor haverá acréscimo à diária de R$ 0,50 por quilômetro percorrido.

Bom, né?

Como a prática mostra que o prefeito nunca vive efetivamente na cidade que administra, e sim em outra residência na capital. Além disso, secretários e vereadores sempre viajam para reuniões com o prefeito em Maceió, portanto, a turma vai engordar bem os ganhos mensais.

Ou seja, fica claro que essa questão foi regulamentada para beneficiar apenas e tão somente a classe política.

E o povo, ah, o povo, é só um detalhe!

Leia na íntegra as reportagens do radar89 e do canapiagora.

 


Postado em 25/04/2017 às 10:39 0

Michel Temer entrega os pontos


Por Voney Malta

Os relatos têm sidos claros e não são desmentidos nem pelo presidente da República nem pela sua assessoria. Michel Temer virou um fantasma dentro do papel de presidente, aquele que teria que entregar o combinado com o mercado financeiro, as reformas, mas não tem conseguido.

Nenhuma surpresa. Lá atrás, quando Renan Calheiros, na efervescência do processo de impeachment de Dilma, presidia o Senado, comparou a capacidade política e administrativa de Temer a um personagem atuando como mordomo de um filme de terror.

A história de Michel Temer é de uma vida nas sombras do poder e do PMDB. Levou para o governo o que há de pior no partido, um grupo pra lá de suspeito, casos de Moreira Franco, Eliseu Padilha e Geddel Vieira Lima – como vimos e estamos testemunhando.

A fidelidade dos deputados federais está caindo. No ano passado, em julho, a média de apoio na Câmara dos Deputados era de 91%, de acordo com uma ferramenta do Estadão. Em abril, ficou em 79%. Até o PSB já decidiu votar contra as reformas do governo.

Está complicado para qualquer político associar o seu nome a um governante tão fortemente rejeitado, exatamente às vésperas de uma eleição.

Nem Renan Calheiros quer estar próximo a Temer. Inimaginável as bordoadas recentes que deu no governo, independente dos motivos.

É possível que nem Michel Temer suporte mais Michel Temer. Um homem que vai entrar para a história como traidor e incompetente. Um mordomo de filme de terror de quinta categoria.

Na verdade a imagem dele lembra um praticante do satanismo, conforme revelou recentemente o marqueteiro João Santana. Por isso quase não foi utilizado na campanha eleitoral. Essa associação foi detectada em pesquisas internas feitas pelo comitê da campanha.

Definitivamente é um personagem fraco, mas assustador.

Leia mais aqui.


Postado em 24/04/2017 às 10:18 0

O silêncio da política; mas nem tanto


Por Voney Malta

Em condições normais de temperatura e ambiente já era - como em outras épocas não tão distantes - para os candidatos certos e também para os desejosos estarem com as suas vidas sendo definidas na disputa por um mandato em 2018.

No entanto, o que há é muito silêncio e indefinição, o que é parte da lógica do momento. É que os principais políticos e partidos têm tido muito mais espaço em investigações polícias e ações judiciais por suspeitas de envolvimento no esquema de corrupção da Lava Jato do que qualquer outra coisa.

Por isso tem muita lógica o silêncio de gente como Collor, Teo Vilela, Renan Calheiros e Biu de Lira. Os dois últimos devem tentar renovar o mandato de senador. Quanto ao ex-governador, até ensaiou reaparecer no meio político, mas desapareceu logo em seguida após ser citado nas delações da Odebrecht.

Ou seja, com a imensa série de delações e de processos em curso fica difícil organizar o futuro. O ritmo é devagar e a ordem é esperar. O fato é que ninguém sabe até quando a dança da política ficará em compasso de espera para a formação de grupos, discussões sobre coligações e candidaturas, além das tradicionais traições e vítimas deixadas para trás durante o processo.

Mas é certo que assim ficará por um bom tempo, até o instante em que os hoje senhores da política alagoana decidirem entrar no ringue para definir o que é necessário. Só que eles não sabem quando isso será possível.

 A Lava Jato teima em permanecer assustadoramente vivíssima e constantemente sendo realimentada.

Por isso, dizem, é que os nossos representantes sonham com uma figura qualquer que lembra a Lava Jato bafejando nas suas nucas, roçando os seus calcanhares, causando terríveis pesadelos!

Também dizem que lá no DF as farmácias comemoram recorde de venda de calmantes.

 


Postado em 20/04/2017 às 09:38 0

Nova pesquisa Ibope e entrevista de Lula


Por Voney Malta

Tudo bem que essa pesquisa do Ibope foi feita antes da divulgação da delação dos executivos da Odebrecht – o que significa que não deu para saber se houve contaminação - mas ela é simplesmente impressionante para quem ama e para quem odeia o ex-presidente Lula.

Porque mostra que Lula é o presidenciável com maior potencial de votos entre os nove nomes testados e que pela primeira vez desde 2015, “os eleitores que dizem que votariam nele com certeza ou que poderiam votar se equivalem aos que não votariam de jeito nenhum”.

Tem mais: a rejeição a Lula caiu 14 pontos”.

Na direção contrária, os votos de Aécio, Serra e Alckmin, principais caciques do PSDB, seguiram caminho inverso e tiveram diminuição no seu potencial de voto.

O deputado federal Jair Bolsonaro e o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, aparecem com capacidade de crescimento.

Já o potencial do prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), tem como vantagem o fato de ser desconhecido além das divisas de SP. Ele tem a menor rejeição entre os seus companheiros tucanos.

Certamente os institutos de pesquisas estão correndo para fazer novos levantamentos após estas semanas de fortes notícias sobre corrupção envolvendo partidos, políticos e o próprio Lula.

Mas, aparentemente, Lula, candidato ou não, decide a eleição de 2018, principalmente porque inexistem adversários nos demais partidos, pelo menos neste momento, pelo menos por enquanto.

Leia mais sobre a pesquisa Ibope aqui e aqui.

ENTREVISTA:

Na manhã desta quinta-feira (20) Lula concedeu entrevista a uma rádio sergipana.

Leia abaixo, com exclusividade, os principais trechos retirados do perfil dele no Twitter e o perfil @comsensoweb que tuitaram em tempo real:

"Muita coisa precisa mudar. Se eu for candidato em 2018, é para mudar muitas coisas: para q o trabalhador tenha direitos, possa se aposentar"

"É muito cedo para falar de pesquisa. Não gosto de comentar pesquisa. O que tenho certeza é que se for candidato é para lembrar ao povo o que aconteceu no Brasil enquanto eu fui presidente, para o povo voltar a sonhar. O brasileiro tinha orgulho de ser brasileiro"                       

"Eu sei como cuidar do povo mais humilde, não é teoria. É prática. Esse governo está destruindo a vida do brasileiro. A renda está caindo, não tem emprego, e o que é pior... o povo não tem esperança".                 

"Governar este país é governar com o coração de uma mãe"                       

"A verdade é que eu já perdi a minha cota de eleição que eu tinha que perder. Eu depois passei a ganhar. Se eu for candidato, é para ganhar, não é para perder"                       

"O Brasil precisa acabar com a corrupção. O que não dá é a pirotecnia da operação"                       

"Eu não tenho que provar minha inocência, eles é que tem que provar a minha culpa"                       

"Duvido que eles encontrem 50 centavos meus em qualquer lugar do mundo"                       

" A globo vai ter que provar se tem ap meu , se tem conta minha, pq já apareceram as contas dos candidatos da globo".

Possibilidade de aliança com Ciro Gomes em uma chapa para 2018, Lula foi cauteloso: "É muito difícil dizer isso. O Ciro é candidato também, vamos esperar o tempo passar".

"É um crime contra os trabalhadores brasileiros o que estão fazendo com a Previdência nesse País. Eu tenho certeza que não vai passar [no Congresso]. Os trabalhadores não merecem ser castigados pelos erros do governo".

"Sempre achei que de tempos em tempos deve-se fazer uma adequação na legislação trabalhista, fazer algumas reformas. Mas isso tem que se fazer discutindo com os sindicatos, com os trabalhadores. É claro que essa lei pode precisar de um aperfeiçoamento, mas isso se faz discutindo com quem está no mundo do trabalho. Agora você rasgar tudo aquilo que os trabalhadores conquistaram no século XX e não propõe nada para eles... isso é um atentado contra as conquistas dos trabalhadores. Um grande equívoco do governo".


Postado em 19/04/2017 às 10:13 0

Rede Globo, todos culpados e o candidato


Por Voney Malta

Ainda atingido por uma gripe que provoca forte dor de cabeça, ler e raciocinar não tem sido fácil, especialmente hoje.

Por isso resolvi apenas compartilhar um texto analítico – de autoria de Marco Aurélio Garcia - sobre o tema em evidência nos últimos anos: O papel da Rede Globo, a Lava Jato, as delações que parecem fatos consumados e as perspectivas futuras (sombrias?).

Leia e tire as suas conclusões:

Por Marco Aurélio Garcia, no Nocaute

Quem viu os noticiários da Globo, da CBN, ou leu as páginas dos jornais das organizações Globo, teve a impressão nessa semana que passou que o único assunto que existia eram as delações da Odebrecht, que foram primeiro vazadas e depois de vazadas foram liberadas. O que é interessante observar, sobretudo no Jornal Nacional, que tem uma audiência, ainda que declinante, muito grande no país, é que foi praticamente o único assunto. E um único assunto vazado muito menos em termos de informação, mais parecia um programa político de um partido. Aí a pergunta que fica: mas as organizações Globo não são um partido político? Sabe que eu acho que não é bem assim.

E eu me lembrei de uma história que presenciei há muito tempo. Em 1992 eu fui à França e havia um seminário internacional sobre os Quinhentos Anos do Descobrimento e convidaram personalidades de toda a América Latina para estarem lá. Era o descobrimento evidentemente das Américas. E uma das personalidades que estava era o doutor Roberto Marinho, o condestável das organizações Globo. E quando ele tocou a falar, no teatro Odeon em Paris, ele sem nenhuma inibição, sem nenhuma cerimônia contou alguns episódios de sua intervenção na política e relatou que logo depois da democratização, mais concretamente em 89, ele havia patrocinado a candidatura presidencial do candidato Fernando Collor de Melo e diz: “Era filho de um amigo meu, um rapaz de boa aparência, falava línguas. Eu achei que daria um bom presidente.”

 Ora, se fosse apenas uma opção pessoal, tudo bem, cada um tem a sua. Mas em se tratando de alguém que detém um instrumento de tamanha penetração na sociedade, como é a Rede Globo, com televisão, com rádio, naquela época poucas, hoje muito mais com jornais, evidentemente, isso muda de figura. E depois, pensando bem, eu digo: mas isso não tem nada de surpreendente.

 Em 1954 o que existia das organizações Globo se engajou na derrubada do presidente Getúlio Vargas. Em 1955 eles tentaram obstaculizar a candidatura de Juscelino e durante todo o governo JK fizeram ferrenha oposição muitas vezes abrigando nas páginas do Globo artigos que propugnavam o golpe de Estado. Obviamente em 1964 apoiaram o golpe de Estado, apoiaram o Regime Militar nos vinte anos. Anos depois fizeram uma autocrítica, um perdão muito discreto e insuficiente, evidentemente.

Eu me lembrei também ligando justamente esse pronunciamento do Roberto Marinho que a Globo teve um papel muito complicado na distorção daquele debate que houve entre o Lula e o Collor. Sobretudo na divulgação num momento em que a propaganda já estava encerrada. A propaganda eleitoral já estava encerrada.

Portanto havia sinais muito evidentes que essa organização se comportava efetivamente como um partido político. Com sua linha própria e mais do que isso: os treze anos e pouco dos governos Lula e Dilma demonstraram que mais do que um partido político, ele se transformou num verdadeiro guia das forças de oposição no país.

Assim que não é para nada surpreendente que tenham utilizado essa concessão pública (porque a televisão é uma concessão pública) para enveredar num caminho extremamente perigoso.

E eu vou explicar porque é um caminho extremamente perigoso. O que está em questão no momento nas famosas delações de membros da Odebrecht, dirigentes, altos funcionários, não é concretamente uma denúncia com o foro jurídico, com qualidade suficiente e credibilidade que possa efetivamente ser o instrumento de uma ação penal. Ali são delações, e delações de pessoas implicadas até o pescoço, a começar pelos altos dirigentes da Odebrecht e depois por aqueles que seguiram as suas instruções criminosas, delações com as quais eles pretendem salvar suas vidas. Não por acaso um deles disse: o que eu quero é sair disso rapidamente, poder tirar minha tornozeleira e aproveitar o que me resta de vida. Isto é, o muito de dinheiro que ganharam, entre outras coisas, sugando o Estado brasileiro.

Mas qual é o problema. O problema é que pelo menos duzentas pessoas e sabe-se lá quantas mais, ficaram com sua credibilidade questionada. É verdade que muitos que estão ali são delinquentes, são um bando de ladrões que se apossou durante muito tempo do poder político do país em benefício próprio, em benefício de suas corporações. No entanto, existe uma coisa chamada Estado de Direito e o Estado de Direito tem como um dos pilares a presunção de inocência. Aquilo é uma delação, é uma denúncia, que vai ser depois processada pelo Ministério Público e pelo poder Judiciário e só aí ganhará efetivamente foros de veracidade até o julgamento final, inclusive, julgamento recorrível.

Antes disso, fazer desses elementos e sobretudo de uma forma muito seletiva, atacando, mais de 60% do tempo de divulgação, ao Lula e ao PT, então isso aí é outra coisa. Isso é difamação. Mas essa difamação não é uma difamação movida somente por um certo ódio de classes desses setores pudentes da sociedade brasileira. Ela tem um outro objetivo que é atacar o sistema político brasileiro. Ainda que alguns digam: eles foram longe demais porque estão atacando todo mundo. Isso me fez pensar naquela fala do Roberto Marinho. Quando o Collor se apresentou como candidato ele era um outsider, ele era um homem fora do sistema. E havia, evidentemente, depois do colapso da ditadura brasileira, que não foi um colapso militar, foi um colapso político, havia, digamos, todo um desejo de reconstrução da vida democrática do país. Essa reconstrução, era provavelmente para a Rede Globo ameaçada por candidatos que tinham compromissos mais diferenciados. Como o Lula, o Brizola, o Covas, todos, mesmo os candidatos mais conservadores. E eles estavam em busca de alguém que fosse um pouco aparentemente antissistema, mas que fosse perfeitamente dócil a uma condução de uma grande organização empresarial como já era naquela época e hoje muito mais o é a Rede Globo.

 Então, a minha pergunta é: não estará a Rede Globo tentando potencializar mais ainda aquele papel que teve no passado? Hoje numa configuração distinta, associada a uma parte do Ministério Público, a uma parte do poder Judiciário, a uma parte, até certo ponto, dessa quadrilha que frequenta o Congresso Nacional, que agora começou a ser vítima também. E obviamente, a setores empresariais que começam a se preocupar com os rumos desse governo. Não estarão eles tentando produzir um novo Collor, um novo aventureiro que possa ser dócil nas suas mãos? Se eu faço essa pequena análise é para chamar a atenção e quero com isso concluir: nós estamos vivendo uma situação, já em outras ocasiões tivemos oportunidade de conversar sobre isso, uma situação de grave estremecimento do sistema democrático brasileiro. Não é possível que efetivamente nós venhamos a ter como forma de superação da crise atual, que é profunda, simplesmente um apelo a homens providenciais e a destruição da democracia brasileira. Essa democracia tem de ser reconstruída, mas ela não pode ser reconstruída com instrumentos que são próprios de um Estado de exceção.

 Nós estamos vivendo um Estado de exceção no Brasil, mas nós estamos vivendo a cada dia que passa incrustações de um Estado de exceção no que nos queda de democracia nesse país. Esse é o momento de reagir. E o momento de reagir com os olhos postos no ano próximo, em 2018, quando haverá eleições e quando essas eleições, as mais livres que seja possível e imaginável, nós teremos a oportunidade de refazer a democracia e sobretudo de entender as grandes demandas que a sociedade brasileira está começando a vocalizar, sobretudo, porque ela começa a sentir os efeitos gravíssimos dessa contrarreforma social e econômica impulsionada desde Brasília por esses tiranos que ocuparam o Palácio do Planalto e os Ministérios.

 


Postado em 18/04/2017 às 10:39 0

Lava jato: Por acordão, políticos apostam no “quanto pior, melhor”


Por Voney Malta

Com cerca de 20 partidos, oito ministros e quase todo o Congresso Nacional envolvido nas denúncias de irregularidades no âmbito das delações da Operação Lava Jato, até hoje não havia ficado claro o motivo de ainda não ter sido encontrada uma saída política decente e viável para a crise brasileira.

A quadrilha instalada no poder aposta, de forma óbvia, no quanto pior, melhor. Isso mesmo. E não fique surpreso, caro leitor.

Essa estratégia visa forçar um acordão porque eles sabem que a crise tem implicações na economia com consequências para todos os setores da sociedade e também para as instituições.

Até discussões importantes e impactantes - caso da Reformas da Previdência e Trabalhista – não recebem o tratamento devido e sério exatamente por causa da estratégia em andamento.

É aquele raciocínio perverso de quem está quase sem saída: “Já que estamos fud$%&*#@ e na lama, vamos deixar o País também afundar ainda mais”.

Ou seja, o caos crescente levaria todos os setores – economia, política e judiciário – a sentar para conversar. Esse é o raciocínio perverso.

Qual a saída?

Bom, com todas as principais lideranças política citadas, suspeitas e investigadas, a agilidade das investigações e das denúncias por parte do MPF e da PF, além dos julgamentos no STF, STJ e na Justiça Federal precisam de celeridade, portanto, são fundamentais nessa travessia.

No entanto, rapidez não é exatamente uma das qualidades desses atores.

Conclusão: O fundo do poço para onde o Brasil desaba ainda não foi avistado, consequentemente ainda não há solução a vista.

 

 


Postado em 17/04/2017 às 09:43 0

Ibope e o político mais impopular do Brasil


Por Voney Malta

É claro que o dono desse título só poderia ser Michel Temer, um presidente sem votos, comandante de um governo que tem oito ministros acusados de receber propina da Odebrecht.

A pesquisa Ibope, divulgada pelo jornalista José Roberto de Toledo, revela que Temer tem apenas 9% de aprovação. Ele perde para todos os governadores e prefeitos.

Tem, esse sujeito, condições de concluir o mandato?

O fato é que a atividade política é, hoje, sinônimo de quadrilha, de bandidos reunidos em partidos em defesa dos seus próprios interesses.

No entanto, qualquer saída para enfrentarmos a podridão revelada pelas investigações da Lava Jato só se dará através da política.

Talvez a saída seja a convocação de uma nova Assembleia Nacional Constituinte.

Leia aqui o texto de José Roberto de Toledo sobre a pesquisa Ibope.


Postado em 12/04/2017 às 10:19 0

Você vota no candidato O-d-e-b-r-e-c-h-t ou L-a-v-a J-a-t-o?


Por Voney Malta

Já dá até pra antever a guerra nas redes sociais. Candidatos investigados, denunciados, suspeitos e citados pedindo votos ao eleitor em 2018. Os adversários aproveitam a oportunidade e divulgam, secretamente, a foto do delatado com as seguintes sílabas abaixo do nome, tipo:

Fulano de Tal

Candidato O-d-e-b-r-e-c-h-t.

Ou também pode ser;

Fulano de Tal

Candidato L-a-v-a J-a-t-o

Pronto, estrago feito que corre o mundo.

Assim será para aqueles carimbados pela operação em Alagoas e alhures.

Serão tantos que carregarão esse carimbo. Vão seguir em frente, com a cara dura, séria, sem-vergonha.

Caberá, primeiramente, ao eleitor julgá-los culpados ou inocentes antes da decisão da justiça, o que vai demorar bastante.

Mas, nesse mar poluído da política brasileira há também muitas surpresas positivas entre alguns alagoanos. Lessa, Rui, JHC, Carimbão, Paulão, entre outros, que não foram citados.

Pelo menos por enquanto.

Já na política nacional os únicos de renome que escaparam do carimbo O-d-e-b-r-e-c-h-t  foram o ex-governador do Ceará e ex-ministro Ciro Gomes (PDT), a ex-ministra Marina Silva (REDE) e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC), que devem disputar à Presidência da República.

Fica aquela pergunta:

Em 2018 você vai votar no  candidato O-d-e-b-r-e-c-h-t ou L-a-v-a J-a-t-o?

Ou não vai votar nessa turma carimbada?

 


Postado em 11/04/2017 às 10:55 0

Rui pode ser candidato ao Senado em 2018


Por Voney Malta

Tem muito político alagoano se aproximando do último capítulo do livro para descobrir entre os personagens quais serão candidatos ao Senado em 2018. Entre esses leitores tem gente apostando firmemente na candidatura do prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB).

De um secretário municipal ouvi que tudo pode acontecer, inclusive nada. Rui se nega a falar sobre o tema e até já deu esporro em um secretário que tentou provocar uma discussão sobre o tema eleições 2018.

De qualquer forma, para muita gente o caminho menos tortuoso para o prefeito é a disputa ao Senado. Ao governo ele enfrentaria o também bem avaliado governador Renan Filho (PMDB), páreo duríssimo, de risco elevado. Mas se topar o Senado as chances aumentam. Afinal de contas são duas vagas.

Talvez exatamente por causa dessa leitura o prefeito foi alvo, nos últimos vinte dias, de ataques do senador Renan Calheiros (PMDB). Rui deu o troco, na mesma proporção, em entrevistas a veículos de comunicação.

Para disputar o Senado, Rui teria ainda que chegar a um entendimento com o senador Biu de Lira (PP) - aliado que deverá tentar renovar o mandato. Assim como com o chefão do PSDB em Alagoas, o ex-governador Teotonio Vilela, outro citado como candidato, mas o único capaz de decidir o futuro de Rui porque controla partido.

Além disso, outros nomes – uns mais e outros menos fortes - podem entrar na disputa, casos de Ronaldo Lessa (PDT), bem avaliado nas pesquisas, Marx Beltrão (ainda no PMDB), a surpresa JHC (PSB) e a sempre competitiva Heloísa Helena (REDE).

No entanto, é importante notarmos que Biu, Renan e Vilela estão enroladíssimos nas investigações, processos, denúncias e delações no âmbito da Operação Lava Jato. Ou seja, as perspectivas de que esses três tenham imensas dificuldades, ou que até desistam da candidatura para um voo com menor risco não pode ser descartada.

Não será brincadeira para qualquer um enfrentar a pancadaria de Heloísa e/ou JHC, por exemplo.

Outro problema que pode surgir para o lançamento da candidatura de Rui ao Senado é a proximidade histórica e política que existiu (existe) entre Renan e Vilela e entre Vilela e Biu de Lira.

Será que isso pode ser reatado?

O fato é que fazia tempo que o estado não testemunhava uma possibilidade concreta de derrota de algumas de suas principais lideranças políticas nos últimos dez, quinze anos.

Aguardemos a conclusão do livro para sabermos como e se esses nós serão mesmo dados, mantidos ou refeitos com acordos, entendimentos, traições e vítimas.

As apostas estão em cima da mesa.


Postado em 09/04/2017 às 12:22 0

Calma nessa hora: ALE publica relatório de auditoria da FGV


Por Voney Malta

Já está no site da Assembleia Legislativa de Alagoas o relatório da auditoria realizada na casa pela Fundação Getúlio Vargas. Ela também foi disponibilizada para algumas autoridades, caso do deputado Rodrigo Cunha (PSDB).

São milhares de informações em 242 páginas. Mas, caro leitor, tenha calma ao ler e muito cuidada ao interpretar. Por exemplo, há um pulo da pagina 142 pra 237. Fui informado que se trata apenas do ementário de leis (conjunto legislação que trata de direitos e deveres do servidor).

Cautela também ao imaginar que muita gente vai ser demitida ou é fantasma, especialmente após uma declaração anterior dada pelo presidente da ALE, Luiz Dantas, que criou a maior expectativa quando disse que “se publicar a auditoria não fica um servidor”.

Numa leitura rápida e superficial você poderá perceber que a FGV constatou que 240 servidores estão desprovidos de qualquer informação em suas pastas funcionais. Isso não significa que serão demitidos ou que são fantasmas.

Sabedores da esculhambação histórica, má gestão e até de uma enchente que destruiu o antigo departamento de Recursos Humanos quando funcionava em uma rua paralela à Thomaz Espíndola, no Farol, tem muita gente que deve ter toda a documentação guardada em casa.

No entanto, também é fato que há irregularidades e inconformidades, mas é preciso avaliar se elas são sanáveis ou não, do ponto de vista do Direito Administrativo, algo que certamente será estudado pelo procurador-geral da ALE, Diógenes Tenório. A ele deverá caber à missão de examinar a auditoria e emitir parecer.

O grande esquema de irregularidades políticas e financeira na Assembleia Legislativa, nas últimas décadas, não está na folha de servidores efetivos. Mas, isso sim, na de comissionados, fonte rotineira de todas as operações policiais que por ali passaram.

Portanto, que essa auditoria da FGV não sirva apenas de bucha de canhão pra retirar a alça de mira das instituições fiscalizadoras da tal GDE (gratificação de desempenho), nem da misteriosa folha de comissionado e muito menos das prestações de contas dos gabinetes.

Por isso, repito: Muita calma nessa hora para que as pessoas erradas não sejam execradas e que tenham garantido o direito ao contraditório.

Leia o relatório na íntegra aqui.