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Alagoas, 21 de março de 2010

Balaio do Teles / Últimos Posts

20/03/2010 01:24

 

A Paz de Helena

Conto premiado no I Festival da Palavra de Alagoas

Olá, pensadores!

O Balaio sempre foi um espaço para crítica e análises das notícias de Alagoas, do Brasil ou do Mundo. Mas quero pedir licença aos meus leitores para fazer menção ao I Festival da Palavra, organizado pela Secretaria da Gestão Pública de Alagoas, do qual eu, apesar de estreante em literatura, estive entre os 10 finalistas, na categoria Conto.

O primeiro dia do festival aconteceu na noite dessa sexta-feira, dia 19, e os vencedores da categoria conto foram conhecidos. Para minha surpresa, meu conto - que se intitula "A Paz de Helena" - foi premiado com a segunda colocação, ficando atrás apenas do belíssimo "Tatuamanha", do Professor Doutor em Literatura, Márcio Ferreira da Silva.

Muitos me pediram e aqui cumpro as ordens. Publico, na íntegra, o conto que escrevemos e que recebeu o prêmio:

A Paz de Helena

__ Às treze horas... É o último lugar – disse a voz no telefone.

A moça decidiu embarcar. Ao meio dia, no local endereçado na lista, chegou, num taxi amarelo. Esperou o troco e, num movimento firme e honesto, apertou a mão do motorista, sentindo o contraste da superfície das peles.

__Vocês guiam vidas... Deviam sempre lembrar-se disso!

O motorista parou, atônito, sem entender o peso das palavras ditas. A moça tomou, na outra mão, sua única bagagem – uma maleta de madeira, revestida de couro vermelho, com trancas douradas, imponente – e saiu do carro, com passo firme. Dentro do terno cinza, riscado de giz, uma mulher alta, esguia e encantadoramente bela, dirigiu-se ao recepcionista da empresa rodoviária:

__Plataforma 4B, por favor?

__ À esquerda.

Cada passo seu, lento e decidido, confirmava a certeza do ideal proposto.

Como ainda dispunha de algum tempo antes de o ônibus iniciar seu percurso, sentou-se num café, próximo à plataforma, e pediu uma água tônica. Tirou uma caixinha, tarjada de preto, rompeu-lhe o lacre e segurou a cartela de capsulas miúdas e escarlates. Pôs duas delas na boca e, num só gole, sorveu metade dos trezentos mililitros da bebida. Já não aguentava a dor lancinante, apertando sua cabeça como se estivesse num torno mecânico, como aquele que tinha seu pai, na oficina, na pequena Rosário. Aquele mesmo torno que, em sua infância, havia lhe rendido doídas surras de cabo de vassoura, quando era flagrada:

__Helena, não mexa no torno!

Como uma lebre cutucada, punha-se a correr, fugindo do corpulento genitor que empunhava a madeira dolorida. Esquivava-se das primeiras pauladas, mas, vencida pelo cansaço, ofegante, entregava o corpo – forte para uma menina de apenas dez anos – para o algoz. A carne ganhava tom arroxeado pelas pancadas do pau verde.

Quando o sangue já lhe encharcava as longas melenas loiras, colorindo também a roupa de um tom que beirava o funéreo, era largada no chão de barro, sendo acudida pela mãe, que assistia a tudo, chorando, mas totalmente impotente e condicionada àquela cena. Uma vez, a menina quase não torna. Teve uma crise convulsiva, seguida de parada respiratória e ficou roxinha, roxinha. Mas seu anjo da guarda estava de plantão e, sabe-se lá como, foi ressuscitada. Depois daquele dia, o pai não mais bateu na menina. Não com madeira. Usava o cinto.

A buzina soou. Era o sinal da partida. Helena deixou sobre a mesa o dobro do valor da água comprada, pegou sua maleta e olhou, uma última vez, para aquela terra que jamais voltaria a ver.
Entrou no ônibus e encarou o motorista. Leu seu nome no crachá. Sorriu e desejou-lhe bom dia e boa viagem. Procurou a poltrona 28. Que bom! É Janela, pensou. Todos se acomodaram e ela percebeu que estava sozinha. O funcionário da empresa de viagem devia ter se enganado ou alguém acabara de perder o horário.

Na poltrona, com o veículo em movimento, Helena começou a lembrar de sua história desde que chegara a Rio Grande, há quinze anos, cidade que fora seu berço, depois de Rosário. Sentiu-se despertada com uma voz irritante, que pareceu vir da poltrona da frente:

__Feche a janela, Priscila.

Lembrou-se da avó materna. Será que ainda vive?, perguntou-se. A velhinha, sempre atada aos caros terços de marfim, tinha sido responsável por grandes lições. E pela maior decepção, também. Helena adorava a avó... Não o bastante para lhe perdoar. Para ela, a avó era culpada de ter casado a única filha com um “rapaz de respeito, de boa família, elegante, educado e cortês”. Odiava o pai. Bastante. Não apenas por si mesma e pelas surras levadas. Mas pela falta de palavra, de um único gesto de afeto, uma única oferta de paz. E pelo legado que ele a deixou.

Durante um dos gratuitos espancamentos, quando a madeira zunia, cortando o ar – o pai abandonara a promessa de não mais usar a flagelação contundente – Clarice, tomada pela compaixão, interpôs-se entre o marido e a filha, servindo-lhe de escudo. Absorveu, com uma coragem leonina, os golpes deferidos pelo animal enfurecido. A nuca foi, enquanto viva, o último local atingido. Abraçada à filha, com o sangue jorrando pelos orifícios faciais, balbuciou, engasgando-se:

__Viva...

Depois da morte da mãe, Helena fugiu de Rosário e foi viver em Rio Grande, cidade distante mais de quinhentos quilômetros de sua terra natal.

Mendigou um bocado. Passou fome e frio. Sexualmente violentada, de todas as formas. Um corpo branco, um buraco quente e nadinha de resistência. Até Zé Pinote, o mais sujo mendigo de Rio Grande, já trepara com a menina: alguns reais e três noites de sono em seu barraco pagaram a conta. Às vezes, batia-lhe um forasteiro senso de dignidade e, para matar a fome e vencer o frio, apelava para os entorpecentes. Para consegui-los, muitas vezes, roubou. Sua dignidade se resumia ao ato sexual, fruto ainda das incipientes aulas de catecismo e das conversas com a mãe.

Apesar de mal ter frequentado a escola, era fascinante a desenvoltura de Helena, quando em público. Despontava a tagarelar sobre assuntos diversos. Recortes lidos em jornais, notícias ouvidas no rádio ou vistas nas TVs, pelas vitrines alheias.

O balanço do ônibus despertou-lhe das lembranças. Segurou firme o braço móvel da poltrona, sentido que a dor de cabeça retornara em desnorteantes luxadas. Cerrou os olhos por algum tempo e, tonta, teve ânsia de vomitar. Iria perder o controle da situação, e isso foi o que lhe deixou mais preocupada. A maleta estava acima de sua cabeça. A dor mordeu-lhe o cérebro e ela gritou, sufocada, por socorro.

Levantou-se, oscilando com o balançar do veículo, e apoiou-se no maleiro. Sustentou-se nas pernas trêmulas e com os dedos, de unhas totalmente roídas, destrancou a maleta, procurando pela seringa. Apanhou-a e a uma ampola – listrada de preto e vermelho – e desabou, novamente, no porto seguro acolchoado. Quebrou o frasco, cortando o dedo, e sugou o líquido para dentro do cilindro com êmbolo. Num movimento reverso, empurrou-o na veia, no local marcado por tantas outras pontas de agulha. Relaxou o corpo. Dormiu. Sonhou.

Era o dia mais feliz de sua vida. A primeira bicicleta. Sem rodinhas, com cesta, branca. Rezaria todas as noites uma ave-maria para a alma da avó. A bicicleta era o único presente que Helena lembrava ter ganhado na vida. Único, antes de conhecer os Moura, simpática família em cujo seio vivia antes de entrar naquele ônibus.

Girou, com a sola crua dos pés, exaustivamente, a pedivela, alegrando-se com o deslocamento apressado, frenético. Arriscou ficar de pé sobre as duas rodas. Sentia-se livre. Livre em pleno vôo. Deixou sob o comando de uma só mão o guidão. Ergueu a outra e sentiu o frescor que lhe atingia o rosto, assanhando-lhe os cabelos. A próxima sensação, entretanto, foi a mais marcante (hoje, ainda, se via marca acima da orelha esquerda de Helena): desequilibrou-se e se estatelou no chão, batendo com a cabeça no meio-fio. Levou dez pontos de sutura e teve metade dos cabelos – um pouco menos, talvez – arrancados pela enfermeira. Antes de ser conduzida ao posto de saúde, na rua central, ganhou do pai mais alguns hematomas e perdeu o único irmão. Fora ele quem dera a Hermelinda, a avó, a idéia de bicicleta. O pai o surrou e, depois da salmoura, o garoto escafedeu-se. Aos treze anos, morreu para Helena. Todo mundo, em Rosário, sabia a verdadeira história de Pedro; não sabiam do que era capaz Geraldo e sua violência brutal. Por isso, silenciavam. O silêncio do temor.

No ônibus, a mão áspera, revestida de carinho, ajeitou-lhe os cabelos caídos por sobre a face. Lentamente, no abrir dos olhos, a mulher sentiu o cheiro suave de madeira adocicada. Tinha certeza: perfume de homem.

__Está melhor? – perguntou o jovem senhor ao lado de Helena.

A última cena de que lembrava era a da seringa perfurando seu vaso. Agora, estava com a cabeça encostada no peito de alguém que nunca tinha visto.

__Estou... Mas ainda um pouco tonta.

André Vargas era promotor na cidade de Rio Grande, estava indo visitar familiares em Rosário. Ao perceber o desespero da moça, chegou-se mais perto, acolhendo-a em seu súbito desmaio. Desde então, havia se sentado ao lado de Helena, preocupado. Seu cuidado fez a jovem lembrar-se dos Moura.

Agenor e Salete Moura não tinham filhos. Passeavam, olhando as aves que se acomodavam, com o pôr-do-sol, na copa das árvores, quando tiveram o primeiro: Eduardo. Agora já tinha vinte e um irmãos aquele Eduardo, entre eles, Helena. Viviam no lar Casa dos Moura, que deixou de ser a morada de um casal frustrado pela falta de filhos e virou um dos mais referendados orfanatos de Rio Grande.

__Não é difícil, Salete, educar essa Helena. Não é mesmo. Veja só que hoje ela me perguntou o que era plebiscito. Eu tentei responder, gaguejei, e ela logo arrematou: ‘tio, quando eu souber, eu te digo também’ – disse Agenor, sentado na cadeira de palha, na varanda, tomando um café com leite.

Helena amava os Moura como à mãe, Clarice. Era amada pelos irmãos como se fossem Pedros. Quase tudo lhe fora dado, do que lhe fora roubado. Mas trazia consigo muitas sequelas na mente, no coração.

Aos vinte e dois anos, terminou o ensino fundamental e sofreu sua pior crise. Incendiou, com querosene, o quarto onde dormia com mais três meninas. Por sorte, as pequenas nada sofreram. Ela teve cinquenta por cento do corpo queimado. Passou seis meses internada no hospital e mais seis, numa clínica para distúrbios mentais.

__Talvez algum trauma na infância – arriscou o psiquiatra.

Nunca relatara nada de sua vida aos Moura. Não havia, segundo ela, motivo para falar de tristeza, naquela casa. E assim, suplantando o passado, foi vivendo.

Reabilitada, procurou emprego. Pensando em desistir, ouviu as palavras mágicas:

__Começa amanhã, pode ser?

Telefonista. O primeiro salário: comprou roupas novas, inclusive o terno cinza riscado de giz que usava. As queimaduras deixaram cicatrizes horrendas. Preferia ocultá-las sob roupas longas. Com o segundo ordenado, pagou a conta telefônica da empresa onde trabalhava:

__Andei dando uns telefonemas, sim – confirmou.

No terceiro mês, foi despedida. Margarete emprestou-lhe a mala para que juntasse seus objetos e fosse embora. A mesma maleta vermelha, imponente.

“Boa menina, inteligente... Mas um pouco descontrolada”, passou a ser sua referência profissional. Louca. Não era louca. Era?

Com parte do dinheiro que lhe sobrara, após a demissão, comprou um revolver, calibre 38, e seis balas. Foi ao posto telefônico e pagou por duas horas de ligação interurbana. Falou quinze minutos. Como ainda restava-lhe crédito, ligou para estação rodoviária e perguntou o horário do próximo ônibus com destino a Rosário.

__Às treze horas... É o último lugar.

Decidiu embarcar. Tomou um táxi.

André, ao lado de Helena, terminara de ler seu jornal. Rosário estava próximo. Helena ergueu-se, pegou sua maleta.

__Com licença, vou ao banheiro – explicou.

Passou a tranca na portinhola. Sentou-se na tampa do vaso e abriu, sobre as pernas, a maleta de madeira. O niquelado brilhou e ela, uma a uma, colocou as balas no tambor da arma. Molhou o rosto e refez o coque.

Voltou ao seu lugar. Sentou-se e pôs-se a conversar com André, que ficou admirado com a mudança de humor da jovem. Conversaram hora e meia sem parar. Assunto puxa assunto. Profissões, viagens, drogas, amores... Passado... O dela havia chegado e estava à mostra pela janela do ônibus.

Rosário não tinha mudado nada. Helena reconheceu a mesma cerâmica da Igreja e seus vitrais. Os mesmos bancos da praça. Os bares fedorentos. As crianças na ruas, brincando. Quem havia mudado era ela. Mais velha, mais vivida. Decidida.

O ideal a que tinha se proposto tinha que ser cumprido. Havia chegado o lugar. E, chegado o lugar, era chegada também a hora. Sóbria, Helena abriu sua maleta e pegou a arma, ainda sentada na poltrona 28, ao lado de André. Examinou a arma, sem receio de que a vissem. Encostou o cano na própria cabeça. Os passageiros entraram em pânico.

Helena levantou-se e alcançou o corredor. Com passos largos, dirigiu-se à porta do automóvel. Vai se matar lá fora, alguém pensou. Empunhou firme a coronha do 38, sem tremer um só instante. Puxou o cão e pressionou o gatilho uma única vez. O coro de vozes cessou dentro do ônibus, tentando compreender o que se passava.

Um corpo caiu no chão do veículo, ensanguentado. No peito, um crachá identificava: GERALDO - Motorista. Pai e filha, reunidos, quitando impagáveis débitos.

Bastaram alguns trocados e quinze minutos de ligação para descobrir o paradeiro do pai, inclusive profissão. Bastou uma viagem para que Helena pudesse buscar a única coisa que, quando criança, lhe fora tomada e não devolvida: a paz.

Helena desceu do ônibus e caminhou, vagarosamente, em direção às pessoas que estavam na praça, deixando cair, no percurso, a arma do crime. O pai, perfurado na face, morto no ônibus. Sentia-se alcançada pela justiça.

Restava a ela, agora, duas opções: aguardar ser algemada pelos policiais ou tomar um sorvete de creme, enquanto o veneno que injetara na veia, durante a viagem, fazia efeito. Enfim, teria sua paz.

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15/03/2010 23:34

 

Quem nomeou o Brasil mediador universal? (ou: A forca diplomática e a fogueira de Israel)

Texto reeditado em 17/03/2010, às 11h12

por "

Este texto foi publicado, também, no portal O Globo:

oglobo.globo.com/opiniao/mat/2010/03/17/quem-nomeou-brasil-mediador-universal-916090186.asp

Olá, pensadores!

É bem verdade que o Brasil, com Luis Inácio Lula da Silva, ganhou merecida posição de destaque internacional. Mas, sinceramente, Lula nos últimos dias tem posto em xeque sua condição de “o cara”. Pelo menos,  em matéria de relação diplomática: não bastasse sua lista de incidentes internacionais, como os refugiados de Cuba, nos jogos do Pan, a polêmica extradição de Cesare Battisti, a trapalhada com Zelaya e as sofríveis declarações acerca dos dissidentes cubanos, entre outras, Lula acaba de colocar o Brasil, mais uma vez, em maus lençóis com a opinião pública internacional, desta feita, em Israel.

Candidato a mediador geral do universo, nosso presidente chegou ao Oriente Médio e, de cara, recusou-se a participar da visita ao túmulo de um dos maiores lideres sionistas dos judeus, Theodor Herzl. Lula rejeitou a visita a um dos lugares mais importantes para os judeus e, com isso, refutou toda a base sionista do Estado Israelense, que defende a escolha do território palestino como a terra prometida para a fundação de sua pátria. Para alguns, foi um insulto. A diplomacia internacional requer obediência aos protocolos. Na cartilha “como liderar o mundo”, que Lula deve estar lendo, essa lição foi cabulada. E ele errou feio.

Em mais um péssimo discurso – este nem tanto por sua retórica populista rasteira, mas pelo conteúdo sofrível –, na Knesset, o parlamento israelense, sem a presença do ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman (que decidiu retribuir a gentileza de Lula e o boicotou), Lula foi obrigado a ver inúmeros integrantes do partido União Nacional, ultra-direitista, literalmente, virarem-lhe as costas.

Lula, que chegou a Israel afirmando que possuía o “vírus da paz”, fez um discurso subliminar perigoso. Em vez do apoio a Israel, que era o que os judeus esperavam, o presidente brasileiro teceu críticas aos arsenais nucleares e se esqueceu que Israel já tem suas nukes. Esqueceu-se, também, de sua proximidade com Mahmoud Ahmadinejad, que anseia suas bombinhas atômicas, para, como já prometeu, riscar do mapa Israel, os Estados Unidos e todo Ocidente. Vem fazendo isso, aos poucos, financiando inúmeras organizações terroristas por todo o mundo.

Sem trato com a diplomacia e sem habilidade para resolução sequer de briga de vizinho, que dirá de um dos mais históricos e polêmicos conflitos do mundo, Lula assoprou a fogueira dos judeus e fez a labareda crescer. Abandonando o critério que usou em Cuba, de não se intrometer em assuntos internos, criticou a construção das 1.600 casas na Jerusalém Oriental (sob domínio palestino) e, ao falar em terrorismo, foi genérico. Deve ter se lembrando de seu amigo iraniano. Lula se esqueceu, também, que Israel não quer e não deseja paz com os palestinos. Israel quer consolidar seu Estado, custe o que custar, doa a quem doer.

Nesta quarta-feira, na Cisjordânia, Lula usou o termo "mágica", referindo-se ao atual estado animoso entre Israel e EUA e uma possível solução transcedental para o conflito israelo-palestino, que dura séculos. Como, presidente? Nao tem "Mister M" ou "Lulinha Paz e Amor" que, assim, num truque, instale a paz naquelas bandas do médio oriente. A razão é simples: as pretensões dos contendores jamais se harmonizarão. Sedentos, é como se disputassem o último gole d'água. Além disso, a falta de imparcialidade do presidente, camuflada de discursos de amigo geral do universo, deixa o Brasil numa solução, no mínimo, curiosa. Lula não está indo longe demais em suas pretensões pessoais? Lula disse que o Brasil faria tudo o que fosse possível par a resolver a contenda oriental... Quem nomeou nossa nação como mediadora universal?

Talvez Barack Obama nem saiba do mal que fez quando decidiu, publicamente, condecorar Lula com o título de “o cara”. Com sua obsessão desenfreada em ser o "homem do planeta", aliada a sua notável falta de habilidade política (de querer o mel e a cabaça), foi como se Obama tivesse dito: “toma a corda, rapazinho”. E Lula, incauto e acreditando estar construindo brilhante carreira diplomática, desanda e atrai o descrédito internacional. Sem se dar conta, já passou a corda no pescoço e fez um laço duplo. Só falta, agora, alguém tirar a banqueta debaixo de seus pés. E olhe que o que não falta é (pré)candidato para isso!

Tags: Israel, incidente diplomático, Lula, sionismo

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11/03/2010 22:58

 

A amnésia presidencial e os mártires cubanos

Olá, pensadores!

Não há dúvidas que, em Cuba, impera um regime ditatorial que, mesmo sendo a “democracia de lá”, no dizer de Lula, nem de longe é aceito com unanimidade pelos cubanos. Como todo bom regime “democrático”, há dissidência. Também, não é novidade que Lula, Fidel e Raul Castro são amigos e parceiros ideológicos de longa data, parceria que teve uma de suas primeiras feições públicas em 1990 com a edição do Foro de São Paulo, que desde aquela época congrega os movimentos de esquerda (agora nem tanto esquerdistas) da América Latina e do Caribe.

É verdade, ainda, que quando tinha seu discurso firmado nos ideais revolucionários, Lula foi considerado pelo regime militar um dissidente, em 1980, ficando detido por trinta e um dias no Departamento de Ordem Política e Social, em São Paulo. Em 1981, foi condenado pela Justiça Militar por desordem coletiva, embora tenha recorrido e obtido a absolvição. Sua história pública não nega. Lula, até antes de assumir a presidência, era o dissidente por excelência.

Desde os tempos desse Lula combativo, operário, revolucionário e realmente esquerdista, muita coisa mudou. Depois de sucessivas “trombas” eleitorais, Lula entendeu que o discurso deveria ser outro. Agradar a gregos e troianos. Repaginou-se, fez a barba e foi eleito presidente do Brasil. De carona no bom momento internacional, fez seu nome. Anda por ai, procurando projetar sua imagem como o grande negociador.

Na sua ficha, a trapalhada com Manuel Zelaya e a frustrada restituição ao cargo do presidente hondurenho; o inconveniente com Mahmoud Ahmadinejad e suas pretensões atômicas; e, agora, as mundialmente rechaçadas declarações contrárias aos dissidentes cubanos. O parlamento Europeu, que Luís Inácio tem se esforçado por agradar em troca de reconhecimento internacional para suas pretensões pós presidência, declarou sua desaprovação ao regime de Raul Castro, deixando Lula descabriado. Até dentro do PT, muitas foram as censuras a mais essa falta de zelo do presidente.

Nesse caso de Cuba, com a intenção de ficar bem na fita com os velhos amigos de revolução, o presidente negou seu próprio passado, apoiado num falso discurso de apoio à democracia. Que democracia há em Cuba? Esqueceu que os dissidentes cubanos representam, exatamente, o que ele foi um dia. Que lutam pela mudança de um regime que oprime, assim como Lula lutou pelo fim da ditadura militar e dos governos de Direita. Os revolucionários de Cuba foram tão inocentes que clamaram ao “ícone brasileiro” que intercedesse na libertação dos presos políticos, junto aos Castro. Mas receberam do ex-revolucionário brasileiro uma punhalada fatal, em forma de discurso, comparando-os a bandidos.

A morte de Orlando Zapata e o gravíssimo estado de saúde do jornalista Guillermo Fariñas, ambos provocados pela greve de fome, não podem ser vistos, como quer fazer parecer o nosso presidente, atos de capricho. Se bem analisadas, são as legítimas extensões do Foro de São Paulo, se mantidos fossem seus objetivos iniciais. Morrem e estão morrendo em busca de liberdade, coisa que em Cuba não há, há muito tempo. Não são bandidos, são mártires. O mundo todo vê e declara isso. Mas Lula, sofrendo de amnésia presidencial e demonstrando ser mais fiel a conveniências que às idéias pelas quais um dia se sacrificou, demonstra, novamente, como tem habilidade em mudar de discurso.

Tags: Dissidentes cubanos, Lula, mudança de discurso, reprovaçao mundial

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09/03/2010 00:15

 

Lula e o endereço dos bandidos

Olá, pensadores!

Sinceramente, fico admirado com a capacidade do nosso presidente da República em remediar problema sério com frases prontas, velhas e, o que é pior, inoportunas! Ele usou mais uma vez esse seu artifício plebeu, ao inaugurar obras do PAC, na favela da Rocinha, na periferia do Rio de Janeiro.

Reunindo a nata ministerial, Lula usou toda sua retórica populista para dizer, aos moradores de uma das maiores favelas cariocas, que não é somente lá que tem bandido não. “Nos prédios chiques de Copacabana também tem”, disse o presidente com o ar de quem descobriu o elo perdido ou como se, através de um discurso compensador negativo, quisesse nivelar por baixo o drama da violência urbana. Em outras palavras, ele disse: não é somente aqui que tem bandido, não, fiquem tranquilos!

Ora, presidente, se o senhor, que é o comandante supremo das forças armadas, chefe do sistema nacional de segurança pública e dirigente das políticas públicas sociais, chegou ao ponto de tentar compensar a falta de investimentos e de assistência em uma comunidade pobre com argumentos do tipo “vocês não são o único foco de bandidos” é porque a coisa ficou séria... A população da Rocinha, tenho certeza, gostaria de ouvir o que o senhor pode ofertar, como chefe dessa nação, para o bem estar daquele povo. E o senhor aparece com um discurso infeliz, no estilo “vocês não são os únicos miseráveis...”. Tenha dó.

Senhor presidente, não é apontando a existência de mal feitores, ou de qualquer outro problema, onde se aparenta não haver, que se gere um país. Se Copacabana tem bandidos, e o senhor insinuou haver, por que já não mandou prender? Suas palavras são fortes, Lula, e insinuar não é coisa de presidente. A essa altura, o senhor já deveria ter aprendido isso.

Aliás, até no exemplo o senhor foi infeliz. Por que, sem medo de errar, se sua intenção era causar impacto com sua sofrível ilustração e com seu desarrazoado discurso de inauguração de obras pré-eleitoreiras, o senhor deveria ter usado outra referência, outro endereço. O endereço dos bandidos de verdade, aqueles que causam medo só de se olhar, é mais pro centro... No centro do Brasil. Um reduto chamado Brasília, onde o senhor vive há oito anos.

Ali, sim, se mata e manda matar. De fome, de sede, de enchente, de seca. De lá saem as ordens para que o Brasil continue como está, com tantas “rocinhas” marginalizadas, “crackolandias” bem povoadas, “copacabanas” prostituídas, “rios de janeiros” alagados, tantos brasileiros e brasileiras ainda esquecidos, desassistidos... E o senhor vem com historinha de bandido de ponta de linha, que tem aqui ou tem ali? Poupe-nos, senhor presidente.

Garanto, senhor presidente, que se a devassa que se faz em determinados morros, com baculejos e “caveirões”, fosse feita em Brasília, o Brasil seria outro. Diferente do benefício local, como ocorre na comunidade “dominada”, os efeitos benéficos seriam nacionais. Ah, mas, eu ia me esquecendo: o senhor não vê nada e não sabe de nada... Então, nunca deve ter se dado conta que a bandidagem de verdade é, no mínimo, sua vizinha.

Tags: Lula, rocinha, bandidos, inauguração, PAC, endereço, Copacabana

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05/03/2010 00:54

 

Inferno astral: nem arruda dá jeito!

Olá, pensadores!

Inferno astral é coisa séria! E parece que o do governador afastado do Distrito Federal, José Arruda, começou! Nove, de dez ministros do Supremo Tribunal Federal que votaram, decidiram pela manutenção da prisão preventiva decretada pelo Superior Tribunal de Justiça em desfavor de Arruda, envolvido no esquema de corrupção que ficou nacionalmente conhecido como “Mensalão do DEM”.

A prisão preventiva, medida cautelar disciplinada pelo Art. 312 do Código de Processo Penal, no caso  Arruda, foi decretada com o fundamento na efetiva interferência do investigado no processo de coleta de dados, durante a fase do inquérito policial. Como ficou comprovado, Arruda tentou subornar uma testemunha, arrolada na operação “Caixa de Pandora”, da Polícia Federal, que investiga o esquema de pagamentos indevidos a diversos parlamentares do Distrito Federal em troca de apoio político.

Para completar a urucubaca, antes, na manha do dia 04, o relatório pedindo o impeachment de Arruda foi lido e aprovado, por unanimidade, na Câmara Distrital. O governador terá 20 dias para se defender e, não conseguindo convencer os deputados, será licenciado por 120 dias, quando correrá o processo de cassação.

Na prisão, as coisas também não se houveram bem para o “mensaleiro do panetone”. De uma cela “super luxo”, de 40 metros quadrados, com banheiro privativo, janelões e vista panorâmica, Arruda passou para uma sala de 4x4m, com um beliche e um refrigerante basculante. É nessa sala que, com a decisão do STF, Arruda deve permanecer, no mínimo, mais 30 dias, prazo para que a PF conclua as investigações da “Caixa de Pandora”.

Sem partido, sem governo, sem amigos, sem liberdade e sem habeas corpus, o inferno de Arruda ainda não está completo. Brevemente, a menos que decida renunciar, pode ficar, temporariamente, sem direitos políticos. Do jeito que as coisas andam, com as informações que estão sendo acostadas no Inquérito da PF, além das “renúncias-confissões” de Leonardo Prudente e Geraldo Naves, Arruda terá que trocar de cela novamente: da sede da PF para uma imunda cela num presídio, quiçá o da Papuda. Acho que ele pode estranhar a vizinhança, apenas, porque com a imundície ele já está acostumado.

Talvez, lá, na Papuda ou em qualquer outro estabelecimento penal, José Arruda tenha um pouco mais de sorte. Se ele conseguir uma solitária, já vai ser um bom sinal! Talvez, lá, ele consiga por em ordem seu mapa astral e volte a se harmonizar, pagando seus débitos, que, mais cedo ou mais tarde, serão no total conhecidos. Porque, por enquanto, para a surpresa dos céticos, a despeito de ser um governador e de sua inegável influência, não teve sal grosso, jeitinho, mensalão, panetone, nem mesmo arruda, que desse jeito!

Tags: Caso Arruda, prisão preventiva, STF,

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02/03/2010 00:44

 

O exemplo chileno e o Apocalipse

Esse texto foi publicado, também, no portal O Globo:

oglobo.globo.com/opiniao/mat/2010/03/02/exemplo-chileno-o-apocalipse-brasileiro-915971450.asp

Olá, pensadores!

O mundo está com os olhos e antenas voltados para o Chile, sobretudo depois do terremoto ocorrido na manhã do último dia 27, e que alcançou a atemorizante marca de 8,8 graus na escala Richter.

Muitos sites de notícias entrevistaram especialistas em tremores e geólogos e diferenças, quanto às características do terremoto e seus efeitos, foram apontadas entre as catástrofes hondurenha e chilena. A principal pergunta foi: “como é possível que um abalo mais severo, no Chile, tenha causado menos destruição que o ocorrido no Haiti?”

É verdade, fatores naturais contribuíram para os efeitos mais danosos no Haiti. Por exemplo, no Chile, o epicentro do tremor ocorreu a 34 km da superfície da terra, enquanto que no Haiti foi a apenas 12 km. Nos Andes, o tremor mais intenso se deu numa área relativamente desabitada, enquanto que no Caribe, ocorreu a poucos quilômetros de Porto Príncipe. O solo haitiano é menos estável que o chileno.

Entretanto, o que os especialistas apontaram como determinante na minoração dos efeitos danosos no sinistro chileno a preparação do país para lidar com situações desse tipo. Com constante histórico de acidentes naturais, o governo chileno, ao longo de décadas, entendeu que prevenir seria o melhor caminho.

Por isso, lá, existe um rigoroso e obedecido código de construção civil. A rede de sismólogos é a maior do mundo. O sistema de saúde está pronto para atendimento a esse tipo de ocorrência. As crianças aprendem desde cedo como proceder no caso de terremoto.

Os danos, no Chile, ocorreram... Mas nem de longe se comparam ao estrago haitiano. No Chile, eles esperavam o convidado. No Haiti, apesar dos avisos, a negligência, a corrupção e o mau zelo os pegaram de calças nas mãos. 

Embora as medidas chilenas pareçam óbvias, elas demonstram algo maior, que serve de lição, inclusive para nós, brasileiros. Aqui, apesar de nossas leis rígidas e “previsões perfeitas”, na prática, prevalece a cultura do jeitinho, do arrumadinho: suborna-se um fiscal da prefeitura e se constrói irregularmente; um mensalão qualquer ao diretor do órgão ambiental e nascem hotéis de luxo às margens do mar, escalando, desafiadoramente, encostas de morros. Residenciais, com licenças viciadas e construções improvisadas, trincam, tombam. Os prédios públicos são feito com material de terceira.

Isso é reflexo direto da nossa cultura e do nível de banalização da corrupção a que nós, brasileiros, chegamos. Por isso que somos os campeões da modalidade, enquanto o Chile é apontado como o país menos corrupto das Américas.

Não bastasse a cultura geral do povo, os nossos representantes também nos dão "exemplos bons", quanto aos nossos incidentes naturais: campanhas contra a seca, contra as enchentes catarinenses ou fluminenses, contra a estiagem prolongada, entre outras, ressurgem, anualmente, como se tais tragédias fossem de prevenção impossível. E, todo ano, lá se vão não sei quantos mortos e feridos nos nossos desastres da natureza. Por que aqui não fazem como no Chile? Estou quase certo: o Haiti é aqui.

Deus foi muito generoso com o povo brasileiro quando decidiu pôr nosso país sobre uma placa geológica estável, de pequena incidência de tremores. Onisciente, Ele sempre soube quem eram as gentes que habitariam essa terra e seus maus costumes. E mais: Ele tinha a certeza que um terremoto aqui, no Brasil, não seria um desastre: seria o Apocalipse.

Tags: terremoto, chile, haiti, corrupcão, prevenção

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