\"Quem é de Axé diz que é!\'

Segundo o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ibge), apenas 0,3% da população geral do país (525 mil pessoas) se declaram praticantes de religiões de matrizes africanas, sejam elas o candomblé, a umbanda, o omolocô, o tambor de mina, o batuque entre outros elementos que formam o grande mosaico da religiosidade brasileira que se origina no continente africano. É interessante notar, no entanto, que festas como as de Yemonjá, tanto no Rio quanto em Salvador, as caminhadas que a cada ano se ampliam em todo o país, os dizeres e crendices populares, a literatura, o cinema e a tv, entre tantas outras manifestações brasileiras reconhecem nao só a existência da religiosidade de matriz africana como, também, mobilizam milhares, às vezes milhões de pessoas em torno de um festejo, da entrega de oferendas, do vestir-se de branco e do uso de fios-de-contas.

É perceptível que o temor da discriminação, a vergonha por praticar uma religião que é taxada como primitiva ou coisa de "negros e ignorantes" entre outros elementos faz com que milhares de pessoas não assumam sua religiosidade em público, não se orgulhem de sua prática de fé ou, como diz mãe Stella de Oxóssi, "é o caso de pensar se a pessoa tem algum problema, já que tem cargo ou função dentro da casa de santo mas para fora vai dizer que é católica", por exemplo.

Visando resgatar a auto-estima do praticante de religião de matriz africana e dar visibilidade maior ao número de praticantes em todo o país, o Coletivo de Entidades Negras (CEN) lançou na semana do 20 de novembro de 2009, durante a I Caminhada Nacional Pela Vida e Liberdade Religiosa, em Salvador, Bahia, com o apoio de diversas outras organizações sociais do Movimento Negro, a campanha "Quem é de Axé diz que é!

Esta campanha, cujo mote diz "Neste Censo, declare seu amor ao seu Orixá/Diga que é do Santo, diga que é do Gunzu, diga que é do Axé/Pois quem é de Umbanda, quem é de Candomblé/Não pode ter vergonha, tem que dizer que é!", buscará falar ao praticante de cada uma das vertentes religiosas de matriz africana no país, buscará valorizar o fazer religioso, buscará afirmar a identidade religiosa de cada homem, mulher e criança que pratica a religião.

O CEN acredita que esta campanha possibilitará uma alteração substancial nos números do Censo e, ao mesmo tempo, dará elementos para que novas políticas públicas sejam criadas especificamente para o povo-de-santo, uma vez que, havendo uma real impressão sobre a totalidade de praticantes no país, se terão elementos à mão para formular e aplicar estas novas políticas.

Para o CEN, a campanha "Quem é de Axé diz que é!\' será um passo importante também para o combate à intolerância religiosa uma vez que ao assumir sua religiosidade, seu praticante, tendo sua auto-estima elevada, adotará cada vez mais os elementos visíveis desta afirmação de identidade e, ao mesmo tempo constrangerá aqueles que fazem da intolerância ou do desrespeito religioso uma ação cotidiana.

Marcio Alexandre M. Gualberto
Coordenador Nacional de Política Institucional do
Coletivo de Entidades Negras - CEN - http://www.cenbrasil.org.br/
 

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Dois Pesos, Duas Medidas

Um exercício interessante para conhecer melhor a dinâmica das relações raciais no Brasil pode ser feito a partir do cruzamento de trajetórias e experiências distintas entre negros e brancos no trato com o Estado, principalmente, se forem de classes sociais diferentes.
A primeira experiência que sugiro é a leitura da sentença onde a Magistrada Geiza Diniz de Brasília absolveu o estudante universitário Marcelo Valle, branco, de classe média, acusado de racismo. Posteriormente, o Ministério Público recorreu da sentença e o estudante foi considerado culpado pelas acusações, em segunda instância, no caso conhecido como Marcelo Valle. Ele costumava se referir aos estudantes negros cotistas como “macacos”, “bosta” e dizia que eles roubavam as pessoas nas ruas e agora estariam roubando vagas nas universidades.
Uma experiência completamente diferente pode ser vista no documentário Justiça (2004), de Maria Augusta Ramos, que mostra o dia-dia do sistema penal no Rio de Janeiro. A cineasta acompanha interrogatórios, julgamentos e cenas da vida cotidiana de jovens negros moradores de favelas acusados de crimes como furto, roubo ou tráfico de drogas. Desde a instrução dos processos até a decisão final, fica nítido o caráter austero e simplório com o qual os magistrados definem o futuro das pessoas. Não se percebe ao longo do filme nenhum exercício de alteridade ou mesmo a disposição para ouvir as narrativas dos acusados, como se suas histórias fossem sempre as mesmas. Além disso, os mecanismos institucionais criados para garantir a ampla defesa, quando não eram ignorados eram utilizados de modo cerimonial.
Por outro lado, no caso Marcelo Valle, analisado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal, a Juíza chega a uma conclusão decisiva para a reflexão que proponho:
“É temerário que o juiz se abstenha de levar em consideração tais aspectos da psicologia criminal que, aliás, se tornou uma disciplina de muitos cursos de direito. O juiz de primeira instância tem contato direto com o acusado e todas as testemunhas e, assim sendo, pode concluir, como ora o faço, que o acusado Marcelo não é uma pessoa racista, mas sim um adolescente portador de transtorno emocional, que viveu toda sua vida sem uma orientação masculina, tendo uma mãe portadora de transtorno psiquiátrico e vivendo ora com ela, ora com a avó.”
O argumento citado não deixa dúvidas, existem dois tipos de atendimento judiciário no Brasil, um privilegiado e voltado para a classe média branca – já que os ricos parecem seguir inimputáveis – e busca compreender as origens do comportamento criminoso, as vulnerabilidades que os acusados de crimes estão suscetíveis ao longo de suas vidas e o risco que uma pena poderia causar para o futuro de um adolescente. No caso Marcelo Valle, a Juíza vai além, ao afirmar que o jovem seria vítima do movimento anti-racista em função da política de cotas para negros na UnB:
“‘Cotas geram ódio racial’ O presente processo é fruto de um ódio racial criado pelo sistema de cotas raciais para ingresso nas universidades públicas.”
Enquanto isto, em Justiça o procedimento é padrão, ou seja, dois pesos, duas medidas.

 

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Alagoas desconhece a dimensão simbólica da história das Áfricas em terras alagoanas.

Museu em grego que dizer museion, ou seja, o templo das musas que eram filhas da memória “Mnemósine”, protetora das Artes e da História. A deusa Memória dava aos poetas e adivinhos o poder de voltar ao passado e de lembrá-los para a coletividade.
O Parque Memorial Quilombo dos Palmares é um museu a céu aberto. Um museu vivo que nos transporta para entre a memória da intolerância humana e a resistência de refugiados escravizados e permite que a sociedade possua referenciais para a valorização e conhecimento da história negra brasileira,como também reflita e compartilhe conhecimentos e vivências sobre um passado escravocrata, ainda tão presente nos dias atuais.
Imagine se não tivéssemos o Parque Memorial Quilombo dos Palmares para recontar a saga de negras e negras heroínas que estabeleceram histórias de resistência e igualdade?
O Parque Memorial Quilombo dos Palmares fica localizado na Serra da Barriga que foi inscrita no Livro de Tombamento Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico do Instituto do Patrimônio Histórico - Artístico Nacional –IPHAN, em 1988 foi reconhecida como Monumento Nacional, através do Decreto 95.855. O Parque Memorial Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, em Alagoas, é símbolo da resistência negra à escravidão, graças ao Quilombo dos Palmares, refúgio dos escravos fugitivos. É um bem de valor cultural incalculável, cuja dimensão simbólica envolve a produção e a reprodução das culturas dos quilombos, o signo de identidade de um povo, o escravismo da época, inda hoje expresso no descaso com qual esse patrimônio é tratado.
Inaugurado em 2006 o Parque Memorial Quilombo dos Palmares é retrato vivo do descaso institucional. Espaço alternativo poderia ser atrativo para uma diversidade de turistas, tais como de negócios; desportivos; aventuras; religiosos; culturais; científicos; gastronômicos; estudantis; congressos, seminários; e ecológico, dentre outros.
Lamentavelmente a acessibilidade ao Parque, entre emendas parlamentares e alarde político, ainda, não saiu do papel e lá se vão cinco ou mais anos... Quem nos últimos anos vem exercendo controle social em relação ao abandono do Parque?
O Restaurante Kúuku-Wáana (banquete familiar), construído no Parque continua fechado desde sua inauguração em maio de 2006. Quase nada funciona. E o Parque Memorial Quilombo dos Palmares é um museu dentro de um mundo de histórias. No Parque temos o museu histórico, de ciências, arte, e porque não dizer um ecomuseu?
É urgente que o estado de Alagoas estabeleça para o Parque Memorial Quilombo dos Palmares estratégias para o desenvolvimento sustentável, gerando assim emprego e renda com o turismo receptivo; turismo social (empresarial) e de massa; como também lazer para população local
O Parque Memorial Quilombo dos Palmares desde seu nascimento tem vocação turística, é um lugar de descobertas! O Parque por si só possui atrativos, por excelência, capazes de motivar correntes turísticas de outras regiões do País e do exterior. Apesar da deficiente acessibilidade é um perfeito lugar para os adeptos de trilhas. Mas sem a propaganda oficial dificilmente haverá turismo permanente no Parque. Se propaganda é a alma do negócio, com certeza o Parque não é um bom negócio para o estado político de Alagoas.
Em 2006 realizamos um projeto chamado: Uma Viagem Viva a História de Alagoas, e meninos e meninas vivenciaram o conhecimento sobre museu e o aluno Cícero Henrique traduziu a visita em palavras: “Segunda 28 de agosto de 2006, um dia como outro qualquer se não fosse uma viagem no tempo e no espaço. Fui de um espaço a outro, saí de meu tempo e cheguei a um tempo em que tudo era estranho, desde um vaso indígena, a um objeto de tortura. Da arte para dor. Me perguntei se vi alguma diferença. Sim, muita. Como uma coisa tão linda e delicada como a arte poderia ficar tão perto da dor e da incompreensão humana. Parei diante de um tronco e viajei em minha imaginação. Pensei como o ser humano foi capaz de causar tanta dor e sofrimento a seu irmão de espírito por causa da cor de sua pele. Voltando a mim cheguei a conclusão que o respeito e a compreensão entre os seres humanos é o ponto de partida para uma vida de paz entre os seres de culturas diferentes.
Fora daquele espaço concluí que não é a cor da pele que faz alguém ser melhor ou pior, mas sim o que se leva no coração, o amor, o caráter e o respeito ao próximo, principalmente a si mesmo”.
É preciso que tenhamos ações permanentes e consolidas que valorizem o imenso patrimônio histórico-cultural que temos no estado de Alagoas que é o Parque Memorial Quilombo dos Palmares - o primeiro complexo arquitetônico de inspiração africana no Brasil e o único projeto afro-cultural do continente americano.
Em seu discurso de inauguração, o estado brasileiro, na figura de Gilberto Gil então ministro da Cultura fez a seguinte declaração: “ (...) Hoje entregamos a vocês o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, que vem atender uma reivindicação de quase um quarto de século da comunidade negra brasileira e vem legitimar Palmares como referencial maior da presença negra no Brasil. Há anos, Palmares foi tombado e está sob a guarda de nossa Fundação Cultural Palmares, hoje ela ganha ainda mais fôlego e projeção, definitivamente reconhecida como um de nossos mais importantes acervos históricos e pólos culturais do país.
O Ministério da Cultura, através da Fundação Cultural Palmares, não está aqui apenas entregando uma obra, mas várias possibilidades que esta obra dispõe, como a realização do turismo étnico; o intercâmbio cultural; a troca de experiência, reflexão, capacitação e, sobretudo, um novo olhar sobre o legado cultural da presença negra no solo brasileiro (...)
É urgente que os agentes, entidades, acadêmicos, militantes, ativistas, associações ligadas a etnicidade negra e aos direitos humanos, que por quatro décadas reivindicaram a valorização da Serra da Barriga façam valer a nossa resistente história africana,para que ela não saia do foco e vaze pelas frestas da invisibilidade.
Que o estado alagoano se aproprie da organização política na busca da equidade e igualdade humana para que o discurso do governador de Alagoas, na inauguração do Parque, em 2006 se transforme em ações práticas: “Neste momento, ao inaugurar este Parque Memorial Quilombo dos Palmares, estamos perseverando no caminho dos quilombolas. Não queremos ficar apenas na homenagem aos heróis e heroínas negras que viveram e brilharam nesta serra – queremos manter-lhes vivos os exemplos, aprender e espalhar as lições que elas e eles nos ensinaram. Queremos, neste terreiro quilombola, perseverar na luta pela autonomia e desenvolvimento de nossa comunidade. Queremos unir cultura, história, conscientização, cidadania, inserção étnica e crescimento econômico.”
 

 

 

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Discurso do Embaixador: Aos Amigos de Cabo Verde

Datas compassam o tempo vivido ou a chegar, catalogando o caminho, com memória. Nesta alvorada do ano 2010, esperanças e votos se confundem, na expectativa de um futuro completo de bem estar e harmonia. Esses são os votos, a todos os que vão clicando no Portal da Embaixada de Cabo Verde no Brasil, refazendo ou construindo pontes com as nossas ilhas. Consideramos uma aposta a ganhar, a construção deste diálogo. Desafio pela profusão de leitores, diversidade de notícias, pela oportunidade de construção de amigos, estreitando laços de convivência. Foi um ano de apostas, Cabo Verde ultrapassou estes meses, conseguindo ver tombada pela UNESCO, a Cidade Velha, Cidade da Ribeira Grande de Santiago, que a partir de 1462 nasceu como o primeiro agrupamento populacional em urbe implantado nas nossas ilhas, desde sempre muito amadas! Cidade da Ribeira Grande, berço da nossa Nação, lembra a todos, o caminho sem retorno de tantos africanos, que se espalharam, uma grande parte, justamente aqui, neste Grande Brasil.
Os que ficaram fizeram daquelas ilhas a sua casa e, no caldeirão de povos e culturas, que a Cabo Verde aportaram, somos hoje nós, os cabo-verdianos, onde quer que estejamos, os seus herdeiros, na honra e na glória das suas vidas, independentemente do grau ou coeficiente de dificuldade que souberam ultrapassar. O nosso tributo é o dever a manter as suas memórias, como um espelho vivo e ao alcance de todos nós, para que o passado nos ilumine no presente, visando a edificação do porvir. Futuro para os filhos das Ilhas implica progresso e melhoria das condições de vida, em sociedade equilibrada e apostada em alcançar índices de bem estar, em esforço, em trabalho, em capacidade de gerir recursos e parcerias. Ao longo deste ano, Cabo Verde viu reforçada, por reconhecimento internacional, a sua credibilidade no que diz respeito à gestão de recursos postos à sua disposição e, na seriedade de propósitos do seu desenvolvimento. Essa é uma marca que vamos seguir cultivando, por representar um bem ao serviço da sua população. O ano de 2010 vai continuar se apresentando como um desafio permanente, perante as novas batalhas de construção, em esforço na educação, numa sociedade em que a maioria dos seus cidadãos é jovem. Para eles, a escola é o melhor legado que as gerações mais antigas lhes podem deixar por herança. Escola de saber e de valores cívicos e de cultura, no todo da medida certa de um cidadão de parte inteira, à vez crítico e participativo. Em 2010, vamos comemorar os 550 anos da descoberta de Cabo Verde; 35º aniversário da Independência Nacional; 1º Centenário da Revolta de Ribeirão Manuel, símbolo da luta dos camponeses desprotegidos. Ou seja, o percurso histórico das nossas ilhas na sua dimensão temporal total. Momentos para olharmos para trás e avaliarmos o caminho percorrido, sem mágoas ou ressentimentos, mas com a serenidade que distância do tempo confere aos factos já vividos. Assim, comemorar implica relançar o futuro, em critérios de seriedade na medida da aposta que é ser Cabo Verde! Em família, e com amigos, povos e nações unidas pela Paz! Bom Ano!
 

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Codé di Dona morreu

Codé di Dona, um dos mais expressivos criadores de funaná, morreu esta noite de terça-feira, no Hospital Agostinho Neto, na cidade da Praia, República de Cabo Verde-África. A notícia acaba de ser dada pelo noticiário das 19 horas da Rádio de Cabo Verde. O corpo vai ser zelado em S.Francisco, localidade de Santiago, onde residia há vários anos.

De acordo com um familiar, a filha Quinha, Codé di Dona sentiu-se indisposto na segunda-feira, foi levado para o hospital, onde acabou por falecer. Antigo guarda florestal, aquele trovador estava reformado e era estimado não só pelas pessoas do convívio diário como também por um grupo grande de colegas músicos e não só.
Entrevistado em directo pela RCV, o ministro da Cultura salienta Codé di Dona nunca vai ser esquecido. “Codé di Dona é um trovador que marcou a cultura cabo-verdiana”, afirmou. Por causa disso, segundo Manuel Veiga, em Outubro passado, o governo homenageara Codé di Dona no Centro Cultural Norberto Tavares, na Assomada, Santa Catarina.
Compositor e tocador de gaita, Codé di Dona despontou para a cena musical cabo-verdiana com a gravação de algumas das suas composições pelo Bulimundo da primeira fase. “Febre funaná”, foi uma das suas peças gravadas pelo grupo de Katchass. “Fomi 47”, “Praia Maria” e “Pomba” são outros dos seus sucessos, gravados pelos Finaçon e outros grupos e cantores.
Além de várias composições, Codé di Dona gravou dois CDs. Um deles na França nos anos noventa. O seu último CD foi feito na companhia dos filhos, músicos como ele.

http://www.embcv.org.br/portal



 

 

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Em 07 de janeiro de 1937, nasce, em Salvador, Theodoro Sampaio, um dos grandes cientistas negros brasileiros

Biografia
Nasceu no Engenho Canabrava, pertencente ao visconde de Aramaré, hoje pertencente ao município baiano de Teodoro Sampaio.
Era filho da escrava Domingas da Paixão do Carmo e do padre Manuel Fernandes Sampaio. Ainda em Santo Amaro estuda as primeiras letras no colégio do professor José Joaquim Passos. É levado pelo pai, em 1864 para São Paulo e depois para o Rio de Janeiro, onde estuda no Colégio São Salvador e, em seguida, ingressa no curso de Engenharia do Colégio Central. Ao tempo em que estuda leciona nos Colégios São Salvador e Abílio, do também baiano Abílio César Borges (Barão de Macaúbas), sendo ainda contratado como desenhista do Museu Nacional.
Formou-se em 1877, quando finalmente volta a Santo Amaro, na Bahia, onde nasceu. Ali, revê a mãe e os irmãos, e comprando, no ano seguinte, a carta de alforria de seu irmão Martinho, gesto que repete com os irmãos Ezequiel (1882) e Matias (em 1884). Por ser filho de branco, Sampaio nunca fora um escravo. Em 1879 integra a "Comissão Hidráulica", nomeada pelo imperador Dom Pedro II, sendo o único engenheiro brasileiro entre estadunidenses.

Obras na engenharia
A convite de Orville Derby, que conhecera na expedição aos sertões sanfranciscanos, participa de nova comissão que realiza o levantamento geológico do Estado de São Paulo (1886).
Antes havia realizado o trabalho de prolongamento da linha férrea de Salvador ao São Francisco (1882). No ano seguinte é nomeado engenheiro chefe da Comissão de Desobstrução do Rio São Francisco, que deixa quando do convite de Derby para ir a São Paulo. Ali, dentre outra realizações, participa em 1890 da Companhia Cantareira (engenheiro-chefe), é nomeado Diretor e Engenheiro Chefe do Saneamento do Estado de São Paulo (de 1898 a 1903). Participou da fundação da Escola Politécnica, junto a Sales Oliveira e ao Coronel Jardim.
Institutos
Foi, em 1894, um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo; membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (1898), que presidiu em 1922; sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1902).
Em 1912 presidiu o V Congresso Brasileiro de Geografia.

Importância de Teodoro Sampaio
Teodoro Sampaio, que nasceu negro e filho de escrava, foi um dos maiores pensadores brasileiros de seu tempo. Engenheiro por profissão, legou-nos uma bibliografia de vasta erudição geográfica e histórica sobre a contribuição das bandeiras paulistas à formação do território nacional, entre outros temas. É formidável sua sofisticação na percepção da importância dos saberes indígenas (caminhos, mas não só) na odisséia bandeirante. Igualmente digna de consideração foi sua contribuição ao estudo de vários rios brasileiros, de pinturas rupestres em sítios arqueológicos nacionais, do tupi na geografia brasileira e da geologia no País. Neste campo, a geologia brasileira, participou de momentos marcantes, como a expedição de Orville Derby ao vale do rio São Francisco e de comissões específicas. Além disso, foi grande amigo de Euclides da Cunha, e auxiliou o escritor com conhecimentos sobre o sertão baiano na elaboração de Os Sertões.
Seu nome figura na memória intelectual do País ao lado de Capistrano de Abreu, Joaquim Nabuco, Nina Rodrigues e outros do mesmo patamar. Em sua memória, foram batizados dois municípios brasileiros (na Bahia e em São Paulo) e também uma importante rua da cidade de São Paulo.

Principais obras
•O rio São Francisco e a chapada Diamantina (1906)
•O tupi na geografia nacional (1901),
•Atlas dos Estados Unidos do Brasil (1908)
•Dicionário histórico, geográfico e etnográfico do Brasil (1922)
• História da Fundação da Cidade do Salvador (póstumo).

Os diários de Teodoro Sampaio
Os diários de Teodoro Sampaio (1855- 1937) estão arquivados no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB). Vale dizer que a conquista de um acervo tão precioso é mérito da atual presidente do instituto Consuelo Pondé de Sena.
Mas até hoje, o IGHB não conseguiu publicá-los por falta de apoio. Escritos a lápis eles correm o risco de perder a batalha para a ação do tempo e aí estarão fora de alcance partes preciosas da história de um dos mais brilhantes intelectuais brasileiros.
Há, inclusive, em meio a estes diários, uma carta de sua autoria, emocionante, direcionada a um senhor de escravos. Theodoro diz que como está prestes a se casar e, portanto, "montando casa", não tem todo o dinheiro estipulado para a compra. O escravo em questão é seu irmão. Ele queria cumprir uma promessa feita à mãe.
Não se sabe se o proprietário de escravos fez "a caridade pela liberdade", como pede Theodoro. Mas em um outro trecho está anexada a carta de alforria de um outro irmão seu.
"As condições em que se encontram os documentos não permitem sequer a consulta. Só um técnico pode manipular os diários. Tem cópia dos documentos em CD Rom, pois isso conseguimos fazer, mas é necessária a restauração. Infelizmente, o IGHB não tem verba para pagar".
O IGHB é uma instituição privada, mas de utilidade pública e que tem um valioso acervo de livros, documentos e periódicos. Atualmente, recebe uma ajuda de custo do governo estadual de cerca de R$ 10 mil que, com os descontos, fica em R$ 8 mil.
Engenheiro, Theodoro Sampaio foi também historiador e geógrafo. Hoje dá nome a uma avenida em São Paulo, com reverências por lá maiores do que as que recebe em seu Estado de origem, a Bahia, de forma tal que há quem pense que ele é paulista.
Mas Theodoro nasceu em Santo Amaro. É certo que hoje existe um município baiano que leva o seu nome, mas acho pouco diante da sua vida e obra.
Era filho de Domingas da Paixão do Carmo, uma escrava de origem jeje. O padre Manoel Fernandes Sampaio assumiu a paternidade e lhe deu o sobrenome, mas segundo a historiadora Consuelo Pondé, ele poderia também ser filho de Francisco Antonio da Costa Pinto.
Teodoro Sampaio escreveu trabalhos como O Rio São Francisco e Chapada Diamantina e Viajantes Estrangeiros no Brasil. Não é segredo que Euclides da Cunha utilizou várias das informações geográficas coletadas por ele em Os Sertões, mas não lhe deu o crédito merecido. Fez apenas uma pequena observação sobre a contribuição em uma das edições do seu livro que virou clássico. Conta-se que Teodoro, que dirigiu o IGHB de 1922 a 1937, ficou magoado com o amigo, mas engoliu a omissão de forma discreta.
Não tão discreto ele foi em relação a um episódio de racismo explícito. Convocado para integrar a Comissão Hidráulica do governo brasileiro, que faria um estudo dos portos e das condições de navegalibidade do interior do país, foi o único do grupo a não ter seu nome divulgado no edital de convocação.

Ao ser apurado o episódio, a justificativa do funcionário de gabinete foi a seguinte: "Poderia causar constrangimento aos outros estar ao lado de um homem de cor". A comissão era coordenada por um engenheiro americano: William Milnor Roberts. A omissão foi reparada, mas a agressão a Teodoro já estava feita.
Quem sabe órgãos como Seppir, Fundação Cultural Palmares ou Sepromi comecem a pensar em resgatar a história de Teodoro de uma forma mais marcante? Poderiam começar pelo auxílio ao IGHB para publicar seus diários.





Para saber mais
O Rio São Francisco e a Chapada Diamantina, Teodoro Sampaio (José Carlos Barreto de Santana org.), Companhia das Letras, São Paulo, 2002. {ISBN 85-359-0256-2)
Theodoro Sampaio e a Chapada Diamantina (Trechos da expedição de 1879/1880), Otoniel Fernandes Neto, ed. do Autor, Brasília, 2005. (ISBN 85-905834-1-4).
Baianos Ilustres, Antônio Loureiro de Souza, Salvador, 1949.
Otido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Teodoro_Fernandes_Sampaio"
Categorias: Baianos de Santo Amaro | Engenheiros do Brasil | Geógrafos do Brasil | Historiadores do Brasil | Afro-brasileiros

 

Pesquisa de textos e imagem: Carlos Eugênio Marcondes de Moura

Geledés-Instituto da Mulher Negra

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Políticas para o negro no Distrito Federal.

O Conselho de Defesa dos Direitos do Negro (CDDN), órgão da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania, lançará neste ano a primeira agenda de políticas públicas de ações afirmativas para a população negra do Distrito Federal.

Segundo o presidente do Conselho, Júlio Romário da Silva, a expectativa é de que essa novidade seja implantada ainda em 2010. "Isso vai fazer com que a comunidade negra do DF tenha um tratamento diferenciado", afirmou.

A agenda afirmativa visa a criação de mecanismos para a eliminação de comportamento racista no atendimento e na abordagem de pessoas negras. Isso inclui todos os serviços oferecidos pelo governo, como saúde, educação, segurança pública, entre outros. O documento foi elaborado pelo conselho, mas contou com a participação de representantes da sociedade civil e de órgãos governamentais.

O CDDN foi instituído em novembro de 1997 com o propósito de implementar políticas públicas que favoreçam a população afrodescendente. O objetivo é apoiar e defender seus direitos no tocante à discriminação e ao preconceito racial, além de oferecer atendimento psicológico às vítimas de agressões dessa natureza. Também elabora e executa programas de interesse da comunidade negra, especialmente nas áreas jurídica, cultural, educacional e de saúde.

Atendimento
No setor jurídico, o atendimento oferecido pelo CDDN abrange, principalmente, questões relacionadas à discriminação racial, além de orientação nas áreas civil, trabalhista e previdenciária. Por meio do atendimento pessoal, o conselho recebe, examina e encaminha aos órgãos competentes os fatos delituosos relativos à discriminação. Ainda acompanha as vítimas às delegacias, bem como os processos originados das denúncias.

No segundo semestre de 2009, por exemplo, o conselho deu encaminhamento a uma ação penal por injúria qualificada por preconceito racial. Ainda foram passadas orientações relativas à discriminação racial e sobre questões trabalhistas e previdenciárias.

Na área de saúde, o CDDN realizou, junto com a Coordenação para Assuntos da Igualdade Racial, a 2ª Conferência Distrital de Promoção da Igualdade Racial, quando foram discutidas questões relacionadas à saúde, educação, trabalho, segurança, comunicação, religiosidade, moradia, entre outros. Também foi parceiro da organização Coletivo de Mulheres Negras do DF na realização do Primeiro Ovulário de Saúde da População Negra, na Fundação Cultural Palmares.

Na área educacional, o conselho orienta alunos de escolas públicas e particulares - dos ensinos fundamental, médio e superior - sobre a diversidade racial, por meio de palestras, debates e pesquisas. No final de 2009, o CDDN formulou o primeiro curso de diálogo pedagógico para a aplicação da Lei 10.639/2003, que determina o ensino da cultura negra e africana nos currículos da rede pública e privada. Para incentivar a aplicação dessa lei, o órgão vai lançar, este ano, o primeiro concurso de artigos científicos sobre o assunto, abordando a história de Zumbi dos Palmares.

Metas para 2010
Em 2010, o conselho pretende ampliar as ações em defesa dos direitos dos negros por meio da integração com a sociedade civil. Serão realizados fóruns abordando a questão afrobrasileira, com foco na educação e na aplicação da Lei 10.639/2003.

Também fazem parte das ações prioritárias do CDDN a implementação e funcionamento do Centro de Informação Afrobrasileiro (Ciabra), a realização de procedimentos jurídicos para a defesa dos direitos do negro no DF e o acompanhamento das ações afirmativas previstas para a saúde da população negra no SUS e de pesquisas científicas, além da conscientização sobre o valor da população negra.

Como proceder em caso de racismo:
1º. Procurar a delegacia de polícia mais próxima de onde o fato ocorreu e preencher um Boletim de Ocorrência (BO)
2º. Levar duas testemunhas
3º. Procurar o advogado do CDDN/Sejus, munido do BO
4º. Manter sempre contato com o CDDN/Sejus para saber o andamento do processo judicial

Serviço
Sede do CDDN: SCS - quadra 3, bloco A, Ed. Planalto, 2º Andar
Telefax: (61) 3905-1509

 

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Chamada para Trabalhos - Revista África e Africanidades

A Revista África e Africanidades, periódico on-line com publicação trimestral (ISBN 1983-2354) recebe até o proximo dia 10 de janeiro artigos, resenhas, relatórios de pesquisa para avaliação e publicação em sua 8ª Edição (fevereiro/ 2010).
Tendo como missão a divulgação de estudos relativos às temáticas africanas, afro-brasileiras e afro-latinas e o subsídio de práticas pedagógicas e formação continuada de professores da educação básica a Revista África e Africanidades tem como principais linhas de estudo:
 

Estudos africanos: pesquisa e divulgação
A cultura afro-brasileira em seus diversos desdobramentos;
Literatura, mito e memória;
Educação, formação de professores e relações étnico-raciais;
Desenvolvimento econômico social e discriminação;
Corpo, gênero e sexualidade;
Teoria social e estudos raciais;
Questões negras na educação;
Comunicação, mídia e representações: produção, sentidos e veiculação da imagem do negro;
Os movimentos sociais negros brasileiros: do pós-abolição à contemporaneidade;
Relações raciais em discursos midiáticos e literários;
Trajetórias e estratégias de ascensão social de afro-descendentes;
Territórios e o patrimônio material e imaterial;
Territórios, religiões e culturas negras;
A África na sala de aula: questionamentos e estratégias;
A literatura africana para jovens e crianças;
Ritmos da Identidade: música, territorialidade e corporalidade
Literatura, história e artes: entrelaçamentos possíveis;
Estudos de narrativa: tendências contemporâneas;
Afrodescendências e africanidades nas artes no Brasil;Direitos Humanos e população negra;
O comparativismo literário: interdisciplinaridade e hibridismo;
Tradições orais;
Religiosidade;
Juventude e identidades
Luta e resistência em espaços urbanos e rurais;
Saúde da população negra;
Preservação do patrimônio histórico, artístico e cultural;
Políticas de ação afirmativas no Brasil e no exterior: avaliações e perspectivas;
Participação e representação política;
Identidades e trajetórias socais;
Educação: mudanças, desafios e novas perspectivas;
Mercado de trabalho;
Racismo institucional
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Cabe ressaltar que todos os trabalhos publicados em nosso periódico passam a participar da seleção para composição da Coletânea Cadernos África e Africanidades, versão impressa orgaziada por temáticas diversas, atualmente distribuída em 7 volumes, a saber:

Cadernos África e Africanidades 1: Literaturas Africanas e Afro-Brasileiras;
Cadernos África e Africanidades 2: Mulheres Negras;
Cadernos África e Africanidades 3: Memória, Tradição e Oralidade;
Cadernos África e Africanidades 4: Educação e Relações Étnicorraciais;
Cadernos África e Africanidades 5: História
Cadernos África e Africanidades 6: Religiosidade, Identidade e Resistência
Cadernos África e Africanidades 7: Política Educacional

Os volumes acima podem ser adquiridos em nossa livraria virtual - https://www.gg3.com.br/africaeafricanidades


Conheça mais o nosso trabalho em www.africaeafricanidades.com



 

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SEPPIR solicita que vítimas de discriminação por prática religiosa entrem em contato com Ouvidoria

O Ministério Público Federal acatou denúncia feita pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) contra suposta prática de racismo e discriminação nos aeroportos do Rio de Janeiro e de Salvador por agentes da Polícia Federal, em razão da condição religiosa dos viajantes.
A subprocuradora-geral da República Gilda Pereira de Carvalho solicitou, no último mês de dezembro, que a SEPPIR informe, além dos casos já relatados pela Secretaria, a existência de novos registros de reclamações contra agentes da Polícia Federal envolvidos em possíveis casos de racismo e discriminação contra muçulmanos ou praticantes de religião de matriz africana. A SEPPIR está fazendo um levantamento, e pede que as vítimas entrem em contato com a Ouvidoria pelo telefone (61) 3411-3695 ou e-mail seppir.ouvidoria@planalto.gov.br.
Histórico - Os casos denunciados pela SEPPIR ao Ministério Público e que envolvem agentes federais ocorreram nos anos de 2006 e 2007. Em outubro de 2006, ao passar pela porta magnética para chegar até a sala de embarque do aeroporto internacional de Salvador, um muçulmano teria sido intimidado a retirar a takia (gorro). Segundo o denunciante, o policial, que se identificou como evangélico, foi arrogante, indelicado e disse que se ele não retirasse o objeto -mesmo depois de ter passado pelo detector de metais sem problemas-, não embarcaria. Em maio de 2007, uma viajante chorou pela forma como abordada no aeroporto do Galeão (RJ) por um policial por causa do ojá, adereço típico das autoridades religiosas dos cultos de matriz africana.
Comunicação Social da SEPPIR /PR
http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/seppir/noticias/ultimas_noticias/racismo_aeroportos/


Humberto Adami
Ouvidor da Secretaria Especial de Políticas de
Promoção da Igualdade Racial
Presidência da República
Esplanada dos Ministérios, Bloco A, 9º Andar - 70.054-906 - Brasília (DF)
Telefone: (61) 3411-3695/4978
 

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O JOGO DA IDENTIDADE NA DIVERSIDADE:QUEBRA-CABEÇA GIGANTE

Essa idéia surgiu, em setembro de 2006, quando Eu e Ana Márcia Cardoso pensamos em criar novas propostas de alfabetizar meninos e meninas com a ótica da diversidade étnica, embasada na Lei nº 10.639/03. O jogo foi aplicado em uma escola da capital a receptividade foi positiva, afinal usamos a brincadeira do montar quebra-cabeça. Após a realização fizemos algumas observações para adaptá-lo. Segue a sugestão. Se servir como objeto de estudo em sua sala de aula, que bom, e caso o faça não deixe de nos enviar suas considerações.

Justificativa:
Esta oficina se justifica pela necessidade de discutirmos as questões étnico-raciais que estão intimamente relacionadas às questões sociais. Buscando, a partir da reflexão da nossa origem, a construção/valorização da nossa identidade, enquanto povos miscigenados, para o respeito às diferenças.
A oficina será desenvolvida a partir das vivências criadoras de meninos e meninas, ampliando laços afetivos e enredamento com uma nova postura social onde todos (as) e cada um (a) têm direito a construção da auto-imagem positiva que evidenciem a identidade cultural, a interação entre diferentes e participação solidária e cooperativa na comunidade, na verdade criaremos um grande espaços físico e emocional para que meninos e meninas possam partilhar seus saberes com elaboração de falas e textos, em condição de igualdade na coletividade. Utilizaremos a linguagem das artes para contar, pintar,dançar,expressar-se na promoção de dinâmicas de sensibilização e integração grupal.
Na entrada vamos plantar a árvore de expectativas. Cada menina/ menino terá a sua disposição um pedaço de papel e caneta onde escreverá ou verbalizará uma palavra que expresse sua expectativa e colará na árvore-mural.
Objetivo:
Trabalhar a questão da miscigenação do povo brasileiro, enfocando a chegada de vários povos durante o processo de colonização;
Enfocar a questão dos negros/ quilombos durante esse processo, em especial o Quilombo dos Palmares.

Materiais necessários:
Quebra-cabeça: folhas de papelão com cores variadas (ou pintadas no verso com giz cera, para não misturar as peças dos mapas); mapas (África, Europa, Brasil e Alagoas); cola; tesoura; lápis; borracha; envelopes ou caixinhas para cada quebra-cabeças.
Móbiles: bonecos plásticos; cordão; cola, tesoura; tintas (preta, branca, marrom); retalhos de tecidos ou TNT.

Como confeccionar:
Em virtude da oficina está direcionada para crianças, algumas delas sem jamais ter freqüentado o ambiente da escola, vamos confeccionar os quebra-cabeças previamente.
O primeiro passo é colar os mapas nas folhas de papelão. No verso (com cores diferentes) traçar as linhas, formando as partes do quebra-cabeça. Por último, recortar as partes e guardar no envelope/caixa.

Como jogar:
A proposta desta oficina é trabalhar de uma forma extremamente lúdica. Cabe a quem for administrar o processo da oficina transformá-lo em momentos do ‘brincando e conhecendo” .
Teremos 04 jogos de quebra-cabeça gigantes. O primeiro representará um mapa do continente europeu, o segundo do continente africano, o terceiro o mapa do Brasil e o quarto o mapa de Alagoas. Para contextualizar usaremos móbiles dos povos originários destas localidades.
Uma das primeiras regras do jogo é a divisão das crianças em 04 grupos para que cada grupo selecione, e monte o quebra-cabeça. Aqui estaremos trabalhando a concentração mental dos maiores e a coordenação motora dos menores.
Após a montagem vamos novamente pedir a cada grupo que descreva o que foi montado, com perguntas simbólicas: o que lembra este desenho? Se ficar difícil algumas dicas podem servir de estímulo.
Chegamos ao mote de começar a trabalhar as diferenças conceituais: um estado é diferente de um país que se diferencia de um continente, portanto existem as diferenças em formas, tamanhos, espaços,pessoas.
Agora vamos conhecer os habitantes do continente. Vamos confeccionar os móbiles, pedindo aos grupos que descrevam como eles imaginam as características dos povos mostrados, para caracterizá-los.
No continente africano como vocês acham que são as pessoas?
No continente europeu/. No Brasil trabalharemos, principalmente, com a questão das três etnias, que deram origem a miscigenação e em Alagoas pontuaremos a origem dos quilombos.
Ao descrever os povos dos dois continentes faremos uma rota giratória, com as crianças representando móbiles vivos e falando do encontro das diferenças.
É a partir da brincadeira que buscaremos levantar os conflitos comuns, as diferenças, as limitações, criando uma base para formular conceitos sobre as diferenças entre as pessoas, mostrar que somos diferentes sim, afinal viemos de lugares diferentes, origens/famílias diversas, entretanto precisamos criar espaços, primeiro dentro da gente, para respeitar e amar as nossas diferenças e as que existem nas outras pessoas. Reforçar sentimentos como o compartilhar, a solidariedade e principalmente o respeito à humanidade contribuindo de uma forma lúdica para combater o racismo e as discriminações que atingem particularmente crianças e jovens negros e negras, ao mesmo tempo preservando e promovendo a identidade étnica, os valores sociais e éticos.
Avaliação
Cada participante individualmente ou em grupo escreverá ou verbalizará uma palavra, em triângulos de papel, que possa definir seu sentimento ao final da oficina. Os sentimentos-palavras serão colados em um sol-mural e socializados.
Relatório
Um relatório final deverá ser apresentado com as observações-análise do oficineiro/oficineira

 

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