Pretos ainda são hóspedes incômodos na seara dos "morenos”.

Política é arte, portanto deverá ser exercida como tal.
Política é arte de governar com a percepção de que o discurso político é uma costura do tecido social alinhavado com as diversas produções humanas .
Política é a ciência da mobilidade social das histórias humanas no contexto do estado.
A arte da política contemporânea é um permanente ensaio de projetos hegemônicos que excluem, esfacelam possibilidades humanas. E, eleição após eleição continuamos permitindo...
O discurso da política contemporâneo imprime, com a conivência popular,uma invisibilidade escrava para “problemas” menores.
Pretos ainda são hóspedes incômodos na seara dos” morenos”.
Apesar dos 120 anos da sub-abolição e do longo período de discriminação racial no país, somado aos números da desigualdade,pobreza material e mortandade dos negros atropelando o processo de uma “segunda abolição”, o discurso sobre o racismo continua a ser minimizado pela “neutralidade” eurocêntrica da ótica miscigênica da pobreza.
Ser pobre é cartão postal para a teorização dos muitos cientistas políticos que vêem a desigualdade social do Brasil como fruto da escassez econômica do povo . E ponto final!
Precisamos entender que a “pobreza” de políticas públicas para a população negra/e/ou populações historicamente marginalizadas e subalternizadas é uma forma de explicitar o pensamento social-coletivo da democratização dos espaços, ou como se dá relação de igualdade entre diferentes.
Fazer política é bem mais do que transitar no cômodo território do discurso paternalista de “acabar” com a pobreza, engessando-a a programas assistencialistas.
“ A gente não quer só comida. A gente que comida, diversão e arte.” Arte de ser pessoa. Ter identidade. Ser história.
A política do bom combate aniquila com o estado mínimo.
E por falar em cotas: Quantos negros existem nos parlamentos dos ‘morenos’?
Fazer política é ter a capacidade de avaliar, criteriosamente, como o conjunto das propostas e ações de uma candidatura pode contribuir para agregar o bem estar da coletividade como riqueza social.
A arte da política quando bem exercida torna-se uma ciência. A ciência construtora da equidade social a partir das diferenças humanas.

 

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O Festival da Palavra é uma ação estatal que merece aplausos

A força-motriz do Festival foi a palavra. Cantada ou escrita fez-se verbo. Protagonista de histórias. Na verdade o I Festival de Artes e Cultura dos Servidores Públicos do Estado de Alagoas, ocorrido em 19 e 20 de março  foi um terreno adubado de brotos. Talentos hibernando entre papéis obrigações. Ponto de entrada e saída. Com a vírgula agregando arte , o som da música e as possibilidades...
Iniciativa singular da Secretaria de Estado da Gestão Pública (Segesp),o Festival da Palavra trouxe a visão inovadora do despertar de talentos na criação de pontes de diálogos entre servidoras/servidores e o estado.
Uma ação estatal que realmente merece aplausos!
Parabéns a toda equipe da Segesp responsável pelo Festival
Com o conto Passagem ficamos entre os dez finalistas na categoria palavra escrita do Festival da Palavra. Ei-lo:


O tempo a seguia enroscando-se nas varizes estouradas de seu corpo. O tempo fazia-lhe sombra , como uma vida emprestada.
Tivera uma vida difícil -pensara consigo-pontilhada de dores, sonhos, amores partidos ao meio. Já fora jovem um belo espécime de mulher. Bonita, feliz.
O sorriso amarelado espalhou-se pelo rosto das lembranças que inquietas saltavam-lhe dos pensamentos.
Já fora mais ousada quando o amor lhe chegara com a força das ondas arrebatando os dias iguais atirou-se nos braços da paixão esquecendo a ponderação uma característica tão sua.
O companheiro, antes príncipe encantado estava migrando da vida. A morte já traçara o atalho de chegada.
O sangue explode dentro das veias do marido, o coração espreguiça-se e arma cadeira de descanso, mas o homem insiste em permanecer vivo. Dia após dia contrariando o prognostico médico abre os olhos e a olha com um amor desmedido.
Ela olha os olhos dele e chora. Choro de cansaço, impotência. Noites inteiras ao pé do leito. A primeira chuva da madrugada fazem-na despertar para o cheiro do orvalho anunciando mais um desafio transposto.
Vai ao banheiro do quarto de hospital molhar o rosto e espantar a tristeza. Expõe-se na frente do espelho. Conta as rugas, inúmeras... O espelho puxa lembranças..
Muitos o chamam de mestre. Mestre na arte de moldar ferro e fazê-lo objetos de arte. Mestre na arte do sorriso solto, no conquistar fregueses. É funileiro. Passeou pela vida moldando ferro.
Houve um tempo que a vida deles merecia uma bela moldura de futuro. Futuro que lhe trouxera uma carrada de filhos. Nove. Diferentes. Impenetráveis.
A dor inquieta incomoda a faz chorar calada para não espantar a certeza do companheiro. Pensa o quão difícil é ser gente grande, adulto. Revê a juventude assoprando palavras aos ouvidos emparedados pela idade. O companheiro partirá mais cedo ou mais tarde.
Chora.
Chora a relação adormecida. O amor que virou costume e tornou-se compreensivo. A mulher enlaça braços do mudo desespero do homem naufrago que apela por socorro. Um bote para evitar o afogamento- pensa ela.
É a experiência do outono quando as folhas desprendem das árvores para renascer na próxima estação. Ela sente falta do calor aconchegante do sol.
O sol tem o poder de aquecer a alma da friagem da tristeza.
Pensa em rezar, entretanto as palavras do salmo preferido se escondem na mente. Esquecimento.
O correr dos anos deixara a sensação de cansaço. Estava se sentindo exausta. Tornara irmã-siamesa do companheiro e após a partida- se pergunta- o que fará com o vazio de não ter a outra parte?
Senta na soleira do mundo esperando a dor se aclamar.
E amanhã é outro dia!

 

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Henrique Cunha por ele mesmo

Segue o currículo mais expressivo de uma das grandes militâncias negras na academia brasileira

QUEM SOU EU?

Quem seguir a seqüência de artigos e sites realizados na proposta poderá perceber que as minhas propostas não são de hoje e fazem parte de uma vida de militância nos movimentos negros. Eu sou neto de militantes do movimento negro, nossa família esta neste movimento desde 1904. Entretanto fiz carreira profissional e acadêmica como engenheiro eletricista, formado pela USP em 1975. Hoje leciono tanto na engenharia elétrica, na pós-graduação a disciplina de Planejamento Energético e na graduação Introdução a Engenharia Elétrica, como também na Faculdade de Educação, na pós-graduação as disciplinas de Cultura Brasileira e de Etnia e Gênero na perspectiva dos Afrodescendentes. Estou orientado seis mestrados e doutoramentos em Educação na atualidade com temas relevantes a população negra. Já orientei mais de 30 mestrados e doutoramentos, em educação e engenharia elétrica. Nós implementamos desde 1999 uma linha de pesquisa em Sociopoética e Relações Étnicas, dentro do eixo de Movimentos Sociais, Educação Popular e Escola. Leciono também na graduação em pedagogia a disciplina de História dos Afrodescendentes. Ajudei a formar um dos grupos importantes em relações étnicas e educação do Brasil.
Como experiência internacional fui professor do Instituto Politécnico de Lorraine – Nancy – França. Também fui professor da Universidade de São Paulo – USP. Fui engenheiro e pesquisador do Instituto de Pesquisa Tecnológicas do Estado de São Paulo. Fui consultor do Instituto Nacional de pesquisas Espaciais – INPE. Fui professor Visitante e Conselheiro Externo da Universidade de Guiana – Guiana. Fui acadêmico visitante do Centro de Africana Studies de Cornell – USA. Fui bolsista de pós-doutoramento do DAAD, da Alemanha na Universidade Técnica de Berlin, em 1985. Sou, desde 1995, Professor Titular (cargo docente final da carreira das universidades brasileiras) concursado pela Universidade Federal do Ceará. Tenho também o Titulo de Livre Docente da Universidade de São Paulo em 1994 (grau acadêmico por concurso realizado depois do doutoramento com defesa de uma segunda tese).
Participei do movimento docente da Universidade de São Paulo e fui diretor da Adusp (Associação Sindical dos Docentes da USP) no período de 1987 – 1988.
Participei em 2000 da Coordenação das nove Conferências da Fundação Palmares de preparação para a Conferência Mundial Contra o Racismo de Duban – 2001 – África do Sul. Estive na nesta Conferencia Mundial de Durban na condição de assessor da CPLP, organismo reconhecido pela ONU.
Tenho como um dos interesses de trabalho os problemas da educação e desenvolvimento sustentável das comunidades de quilombo, e o da educação matemática e de ciências nos bairros de maioria negra. Sou um dos fundadores da Associação de Pesquisadores Negros em 2000. Sou também fundador do Núcleo de Consciência Negra na USP em 1988. Participei de diversos grupos e jornais do movimento negro brasileiro. Hoje sou membro diretor do Instituto de Pesquisa da Afrodescendência – IPAD – Brasil. Sou também membro do NUPE – Núcleo Negro da UNESP para Pesquisa e Extensão. Sou também membro do NACE, Núcleo de Africanidades Cearense. Como escritor, participei do inicio do Quilombo Hoje literatura tendo publicado em 15 dos livros destes 32 anos Cadernos Negros. Sou autor de Tear Africano, livro de contos da Editora Selo Negro. Tenho outros livros e capítulos de livros tratando da educação da população negra.
Na Conferência Nacional de Educação - CONAE – 2010 fui delegado de representação nacional do movimento negro.
 

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Como se deu na histórica Conferência Nacional de Educação é hora de unir as diferenças na busca da unidade.


Henrique Antunes Cunha Junior professor-doutor em História é um ativista negro que rima militância política com mobilidade social traduzida aqui como mobilidade humana.
A mobilidade humana traz possibilidade para que todas as pessoas, inclusive os grupos historicamente marginalizados e subalternizados tenham acesso as políticas públicas que garantam saúde, lazer e educação.
Henrique Cunha é um pensador negro em movimento e dos movimentos. Diferentes de tantos e muitos vem partilhando saberes e fazeres com a ótica das possibilidades acadêmicas em sintonia com as novas demandas educacionais.
Zélia Amador de Deus, traz a conquista inédita de ter sido primeira mulher negra que assumiu no Pará a Vice-Reitoria na Universidade Federal (1993-1997) é uma das fundadoras do movimento negro no estado do Pará, doutoranda em antropologia,professora da Universidade Federal do Pará, fundadora do Centro de Estudos e Defesa do Negro no Pará.
Conhecimento é bem mais do que uma mobilidade privada. É partilha!
Ao priorizar o conhecimento coletivo como bem público, Zélia Amador de Deus e Henrique Cunha nos trazem a certeza de que aos poucos, as academias brasileiras estão buscando trilhas para agregar outros modos de produzir e partilhar conhecimentos com a consciência ampliada da história da humanidade.
Como se deu na histórica Conferência Nacional de Educação é hora de unir as diferenças na busca da unidade.
Henrique Cunha Junior e a professora Zélia Amador de Deus são currículos, histórias e nomes legítimos para ocuparem os espaços.
Vamos pressionar o Excelentíssimo Senhor Ministro da Educação, Fernando Haddad para assentar a legitimidade de nossa história no Conselho Nacional de Educação (CNE).
E que seja inaugurado um novo capítulo para as políticas afirmativas.

PROPOSTA DE ATUAÇAO NO CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO
HENRIQUE CUNHA JUNIOR

O Conselho Nacional de Educação é um órgão colegiado responsável pela elaboração da política nacional da educação e pelo assessoramento do Ministério da Educação. Tem como atribuições formular e avaliar a política nacional de educação, zelar pela qualidade do ensino, velar pelo cumprimento da legislação educacional e assegurar a participação da sociedade no aprimoramento da educação brasileira. O conselho é composto de duas câmaras, uma da educação básica e outra da educação superior. Um exemplo importante da ação do conselho foi a edição de parecer e resolução sobre História e Cultura Africana e Afro-brasileira. Ato que normatizou e deu os conteúdos da lei 10.639/2003. Sendo este documento do Conselho Nacional da Educação que serve de guia na aplicação desta lei.
O Conselho Nacional de Educação (CNE) é composto de vinte e quatro membros, sendo que até o presente o movimento negro tem indicado apena um membro para conselheiro, ocorrendo que esta indicação é avaliada pelo Excelentíssimo Senhor Ministro da Educação e provendo a nomeação para quatro anos. Hoje se encontra em aberta a representação do movimento negro de um membro, sendo que estamos pleiteando a ampliação para dois membros. Em razão de acordo firmado por parte do movimento negro em semanas passadas foi feita à indicação de dois candidatos, eu Henrique Cunha Junior e da professora Zélia Amador de Deus.

Neste sentido é que apresento de maneira resumida e submeto aos movimentos negros e aos movimentos de religiosos de matriz africana a minha proposta de trabalho caso venha ser indicado. Da mesma forma que peço as estes movimentos que referendem estes nomes indicados.
Propostas de atuação no Conselho Nacional de Educação.
a) Trabalhar para o reconhecimento das diversas Umbandas e Candomblés como parte fundamental da cultura brasileira. Dentro de uma proposta de educação laica, pensar como a educação brasileira pode fornecer os esclarecimentos que restituam a dignidade e a importância destas religiões na sociedade brasileira. Que a educação trate dessas religiões de forma objetiva como parte da cultura nacional. Quem desejar maiores informações consultar artigo meu publicado no ano passado na revista eletrônica Espaço Acadêmico Numero 102 – Novembro de 2009. (http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/7738/48)
b) Propor, normalizar e implantar um modelo de educação nas comunidades de quilombo que ensine o desenvolvimento sustentável destas comunidades, com afirmação da cultura quilombola e com inclusão na modernidade tecnológica, social e econômica. Uma educação que realize uma preparação dos quilombolas para a agricultura e pecuária moderna, que trate das questões de saúde e habitação. Um trabalho como o que estamos realizando no Ceará, com a construção de dois centros de cultura negra em comunidades quilombolas e implantação de programa de especialização de professores de comunidades de quilombo. Para quem quiser ver a nossa proposta de construção em taipa renovada consulte o site do COBENGE 2006, artigo com nome: Taipa como processo construtivo: O Ensino cooperativo entre comunidade, arquiteto e engenheiros.
c) Atuar no sentido da implantação de métodos e campanhas de ensino de matemática e ciências nos bairros de maioria negra. A discussão do ensino de matemática nos bairros negros é um problema que tem impedido a acesso da população negra as profissões da engenharia e da tecnologia. Vide (Afroetnomatemática, África e Afrodescendência – site: http://www.mulheresnegras.org/afroetnoma.html )
(Vide também sobre a formação de pesquisadores negros em;
http://www.comciencia.br )
d) Trabalhar no sentido de discutir a proposta de ampliação do número de membros deste Conselho Nacional de Educação para 36 membros, abrindo uma terceira câmara de Educação Tecnológica, Ensino Profissional e difusão da matemática e educação cientifica. Nesta câmara difundir a preocupação especifica sobre a situação do ensino de matemática e ciências nos bairros periféricos de maioria negra. Problema este que tem incidência sobre a ausência de negras e negros nas áreas tecnológicas e médicas. Esta proposta de ampliação do número de membros de 24 para 36 implica num primeiro momento na elevação da representação das negras e negros para seis membros, sendo dois em cada uma das câmaras do Conselho Nacional de Educação. Proposta que esta coerente com a que realizei em 2005 sobre a participação da população negra nos conselhos de estado descrita em artigo que fazia um balanço do Movimento Negro na Conferencia Nacional de Promoção da Igualdade Racial. (Vide artigo: Revista Espaço Acadêmico – Agosto de 2005).
(http://www.espacoacademico.com.br/051rea.htm ).


 

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Resultados Étnicos da Conferência Nacional de Educação.

Em um momento ímpar de exercício coletivo e fraterno do poder argumentativo um equilibrado caldeirão étnico de povos e ideologias mobilizou a plenária da Conferência Nacional de Educação, ocorrida de 28 de março a 01 de abril, no Centro de Convenções Ulisses Guimarães em Brasília, na aprovação de TODAS as propostas que legitimam os grupos de menor representatividade política na configuração étnico-cultural e sócio-educacional do Plano Nacional de Educação do próximo decênio.
Ganhamos a primeira batalha. Que nossa unidade de luta torne-se cúmplice na utilização de novos mecanismos para mobilizar bases de sustentação no Congresso Nacional para a conseqüente aprovação de um novo Plano Nacional de Educação como política de estado.
São as seguintes diretrizes do Eixo VI – Justiça Social, Educação e Trabalho: Inclusão, Diversidade e Igualdade que foram contempladas:

279 I- Quanto às relações étnico-raciais:

a) Garantir a criação de condições políticas,pedagógicas, em especial financeiras,para a efetivação do Plano Nacional de Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnicorraciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana (Lei nº 10.639/03) no âmbito dos diversos sistemas de ensino, orientando-os para garantir a implementação das respectivas diretrizes curriculares nacionais, desde a educação infantil até a educação superior,obedecendo prazo e metas definidos no Plano Nacional de Educação e novo Plano Nacional de Educação e implantação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira (Lei n° 10.639/03) e dispondo de recursos provenientes de vinculação ou subvinculação definidas nas Leis nº. 10.639/03 e nº.11.645/2008.
b) Garantir o cumprimento integral dos artigos da Resolução 01/2004 do CNE/CP e que sejam considerados os termos do Parecer CNE/CP 03/2004.
c) Garantir que as instituições de ensino superior cumpram o Art. 1º, § 1º e o Art. 6º da Resolução 01/2004 do CNE/CP.
d) Construir um lugar efetivo no Plano de Desenvolvimento da Educação, para a educação das relações étnico-raciais, de acordo com a Lei n. 10.639/03 e suas modificações posteriores, bem como da Resolução CNE N.01/2004, do Parecer CNE N.03/2004 e do Plano Nacional de Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-raciais e Ensino de História e Cultura Afro-Brasileiras.
e) Implementar dentro da política de formação e valorização dos/das profissionais da educação a formação para de acordo com a Lei n. 10.639/03 e n.11.645/08 e suas diretrizes curriculares.
f) Ampliar a oferta,por parte das instituições de ensino superior públicas, de cursos de extensão, especialização,mestrado e doutorado sobre relações étnico-raciais, afro-brasileira, africana e indígena no Brasil, e a história e cultura afro-brasileira e africana.
g) Criar mecanismos que garantam acesso e permanência de populações de
diferentes origens étnicas, considerando a composição étnico-racial da população,em todas as áreas e cursos da educação superior.
h) Garantir as condições institucionais de financiamento, para sensibilização e comunicação, pesquisa, formação de equipes, em regime de colaboração para
a efetivação da Lei.
i) Implementar ações afirmativas como medidas de democratização do acesso e da permanência de negros/as e indígenas nas universidades e demais instituições de ensino superior públicas e garantir condições para a continuidade de estudos em nível de pós-graduação aos formandos que desejam avanço acadêmico.
j) Introduzir, junto a Capes e CNPq, a educação das relações étnico-raciais, afro-brasileira e indígena, e a história e cultura africana e afro-brasileira como uma subárea do conhecimento dentro da grande área das ciências sociais e humanas aplicadas.
k) Desenvolver políticas e ações, especialmente na educação básica e superior, que contribuam para o enfrentamento do racismo institucional, possíveis de existir nas empresas, nas indústrias e no mercado de trabalho,esclarecendo sobre as leis que visam combater o assédio moral, sexual e demais atos de preconceito e desrespeito à dignidade humana.

279 A- Quanto à Educação Quilombola

279 B- Garantir a elaboração de uma legislação específica para a educação
quilombola, com a participação do movimento negro quilombola, assegurando o direito à preservação de suas manifestações culturais e à sustentabilidade de seu território tradicional.
279 C- Assegurar que a alimentação e a infraestrutura escolar quilombola respeitem a cultura alimentar, observando o cuidado com o meio ambiente e a geografia local.
279 D- Promover a formação específica e diferenciada (inicial e continuada) aos profissionais das escolas quilombolas, propiciando a elaboração de materiais didático-pedagógicos contextualizados com a identidade étnico-racial do grupo.
279 E- Garantir a participação de representantes quilombolas na composição dos conselhos referentes à educação, nos três entes federados.
279 F- Instituir um programa específico de licenciatura para quilombolas, visando garantir a valorização e a preservação cultural dessas comunidades étnicas.
279 G-. Garantir aos professores quilombolas a sua formação em serviço e, quando for o caso, concomitantemente com a sua própria escolarização.
279 H- Instituir o Plano Nacional de Educação Quilombola, visando à valorização plena das culturas das comunidades quilombolas, a afirmação e manutenção de sua diversidade étnica.
279 I- Assegurar que a atividade docente nas escolas quilombolas seja exercida preferencialmente por professores/as oriundos/as das comunidades quilombolas


 

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Carta ao Secretário de Estado da Educação em Alagoas, Rogério Teófilo.

A educação contemporânea vem, paulatinamente, construindo com a crescente participação dos movimentos sociais, dentre eles o Movimento Social Negro, os Fóruns Permanentes de Educação e Diversidade Étnicorracial e organismos afins , Secretaria de Educação Continuada e Diversidade/ SECAD/MEC e o Ministério de Promoção da Igualdade Racial, a percepção da cultura da diversidade como um sistema de idéias que tem contribuído para a correta e efetiva aplicação dos princípios da equidade visando a diminuição gradativa da desigualdade educacional dos grupos minoritários no quadro da representação política e social da escola,(população negra ,indígenas, população do campo, pobres, e mulheres).
No contexto da educação brasileira os programas de formação continuada tem um relevante papel na qualificação profissional dos quadros funcionais do sistema de ensino, da merendeira ao gestor ou gestora, e se constituem em ferramenta de apropriação coletiva da uma nova lógica curricular buscando a equinanime moldagem educacional.
A política de inserção é uma imperiosa lição de casa para a escola revisar as diversas historias “dos povos” brasileiros e de agregar valor ao abecedário, ainda europeizado.
Dentro dessa perspectiva e ciente da postura democrática e dialógica do professor universitário e gestor da pasta da educação estadual em Alagoas, Rogério Teofilo, solicitamos de uma forma sistêmica e regular a inserção das Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Etnicorraciais e Ensino e Cultura Afro-Brasileira e Africana (Lei Federal nº 10.639/03 e Lei Estadual nº 6.814/07) no conteúdo programático de todas as formações do Programa Geração Saber / SEE, ou seja, na formação de professoras/professores, de funcionários, gestores, gestoras, conselheiros e conselheiras escolares, dentre outros.
Como coordenadora estadual para implementação das políticas educacionais é a Secretaria de Estado da Educação o agente responsável e competente para refletir a qualidade e o desenvolvimento do sistema educacional, a partir dos novos paradigmas da diversidade, subsidiando os programas de formações para a inclusão socioeducacional de setores da população historicamente marginalizados no país, com argumentos de natureza conceitual e metodológica. Formações de profissionais que por sua vez formarão gerações de meninos e meninas, homens e mulheres que miscigenarão conceitos e preceitos didáticos/ profissionais com a dignificação da vida e da pessoa humana.
Programas de formação que tenham o caráter colaborativo, mobilizando grupos que tenham conhecimento mais específico da temática, como Movimento Social Negro, os Fóruns Permanentes de Educação e Diversidade Étnicorracial, Instituições de Ensino Superior, os Neabs, SECAD/MEC, Organizações Não Governamentais, Ministério Público Estadual,Conselho Estadual de Educação, prefeituras municipais,outros poderes constituídos no Estado e segmentos comprometidos com a criação de mecanismos de inclusão em diversos níveis da sociedade.
A plenária da Conferência Nacional de Educação ocorrida de 28 de março a 01 de abril, na Capital Federal da República, em um consenso histórico aprovou mecanismos que legitimam as experiências espalhadas pelas escolas do Brasil, com a aplicabilidade ainda que parcimoniosa, da Lei Federal nº 10.639/03/Lei de Diretrizes e Bases Nacionais, como instrumentos que demonstram que meninos e meninas conscientes de seu pertencimento identitário incorporam e afirmam o discurso de sujeito social proativo, ocorrendo com isso uma evolução na queda de indicadores educacionais relacionados a evasão, repetência e distorção idade-série.
A concepção da Lei Federal nº 10.639/03/Lei de Diretrizes e Bases Nacionais e Lei Estadual nº 6.814/07, no Programa Geração Saber, ainda não saiu dos planos das idéias. Inclusão pede mentalidade coletiva de ação.
Portanto a educação de Alagoas tem dentre muitas, essa importante tarefa.
Já não é hora de começar?


 

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Meu amigo negro foi empossado ministro

Elói Ferreira de Araújo é filho de pai lavrador, e mãe doméstica, com uma história de menino negro e pobre que se mistura a tantas outras da infância excluída no Brasil.
Em 01 de abril de 2010 Elói Ferreira tornou-se Ministro de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.
Em contraponto ao 1º de Abril de 1964 quando a liberdade seguiu para o exílio, a posse de Elói Ferreira de Araújo, como ministro simboliza, nesse abril de 2010 uma rachadura na ditadura dos espaços de poder do país em que o racismo,ainda, é estruturante.
A posse de um ministro negro mais do que uma mera subtração nos dados da exclusão étnico-política, sinonimiza uma nova percepção de revolução, a partir da apropriação e garantia do discurso social do negro como ator político.
É uma quebra mesmo que,ainda, simbólica da bifurcação racial historicamente criada para alinhavar na costura social à imagem normativa dominante e imperativa, hierarquizando modelos, estilos e performances que minimizam o capital humano a partir da sua representação étnica.
No entanto o número, ainda, mínimo de negros ocupando cargos de poder maximiza as restrições de acesso dessa população ao poder.
Apartheid político!
A posse do ministro negro estabelece possibilidades de problematizar na internalidade dos espaços de poder a questão do racismo, como prática, que segrega, humilha e , discrimina.Como prática a ser combalida.
Elói Ferreira é um homem- político cuja prudência, sensibilidade e sabedoria ancestral produziram referencias em Alagoas.
O referencial do compromisso-coletivo como forma efetiva de estabelecer uma agenda proativa para o combate as desigualdades sócio-étnicas que eclodem nos quatro cantos e recantos do Brasil.
O lugar que agora ocupas, meu caro Elói é o lugar da competência. É seu/nosso dos grupos socialmente discriminados e marginalizados dentro da superestrutura do apartheid institucionalizado.
Tenho em Elói Ferreira um amigo dileto e um parceiro político com capacidade de doação e desprendimento.
Quando do afastamento da Gerência de Educação Étnico-Racial da Secretaria de Estado da Educação/Alagoas, em 2008, Elói, o amigo, se fez presente nas palavras com cor e cheiro de retomada: “Prezada Arísia, Seu entusiasmo com as perspectivas do trabalho de promoção da igualdade racial e social contagiam a todos. Continue lutando, cativando, agregando, enfim fazendo amigos e companheiros, porque nós é que te dizemos obrigado por tanta dedicação e desprendimento na luta por um Brasil cada vez melhor e mais igual. 2008/12/5 Um abraço, 2008/12/5”
Elói Ferreira, o homem-político, foi, é, presença marcante no exercício étnico-político em agendas do Projeto Raízes de Áfricas, Maceió/Viçosa/Alagoas.
Fico imensamente orgulhosa em dizer que o homem negro que hoje ocupa a cadeira de ministro é meu amigo. Orgulho por ter participado da posse e da festa regada a Leci Brandão, no Clube das Nações, em Brasília. A emoção de estar em espaços que historicamente, o povo negro não entrava deu a tônica.
Reafirmo palavras já sabidas, meu caro Elói, sou uma orgulhosa mulher negra por tê-lo como amigo e por meu amigo ter se tornado ministro. Orgulho de afetividade e pertencimento.
A posse de Ferreira afirma a necessidade de ocuparmos os “miscigenados”espaços de poder.
O desafio está posto Excelentíssimo Senhor Ministro. A tarefa poderá parecer penosa e desgastante, entretanto lembre-se, sempre, da sua extraordinária competência para exercê-la.
Siga em frente, Excelência! Estamos a postos!

 

 

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Negros e negras em movimento ganham espaço em Brasília

Estamos participando da Conferência Nacional de Educação, que acontece em Brasília desde domingo, 28, tendo como objetivo a criação de espaços afirmativos, enfatizando a continuidade das lutas afro-políticas, dentre elas a aplicabilidade da Lei nº 10.639/03, contra o racismo e as desigualdades a que está submetida à população negra no Brasil nos espaços educacionais.
Cerca de 2.400 delegados e delegadas eleitas nos diversos estados da federação, participam da Conferência, que acontece no Centro de Convenções Ulisses Guimarães.
Na tarde da terça-feira, 30, diversos representantes dos estados dos Fóruns Permanentes de Educação e Diversidade Étnicorracial, lideranças do movimento negro e representantes quilombolas, conseguiram a aprovação por unanimidade das propostas e emendas do Eixo 6, denominado Justiça Social, Educação e Trabalho: Inclusão, Diversidade e Igualdade, que garantem o direito à educação de qualidade para todos e todas, no Sistema Nacional de Educação.
De uma forma articulada, madura e proativa diversas representações dos movimentos de afirmação da diversidade demonstraram força política interna e a unidade programática na luta ao articular, a partir de diálogos e troca experiências, uma frente ampla, democrática e representativa que mobilizou e agregou valor étnico ao discurso da Conferência.
Uma frente que traçou uma política sistematizada de ação, que agregou valores com a máxima amplitude.
Uma frente que traduziu força e transformou-se em um movimento com mobilidade de expressão.
Estamos todos e todas de parabéns.
A cumplicidade se deu além da geografia das regiões ou diferenças ideológicas. Estivemos próximos e juntos visando o êxito do compromisso assumido.
Tornamos-nos unidade apesar da nossa multiplicidade, defendendo e aprovando uma agenda que se impõe como luta anti-racista.
Nossa unidade oportunizou um maior alcance e a participação popular se fez.
Somos sujeitos políticos de ação.
Vale ressaltar a participação aguerrida de representantes da Secretaria Continuada de Alfabetização e Diversidade na defesa de nossas propostas.
Essa Conferência Nacional de Educação ficará marcada na história como o momento de afirmação da diversidade étnica brasileira.
Os Fóruns Permanentes de Educação e Diversidade Étnico-Racial sinalizaram para necessidade do protagonismo do movimento social.
O movimento negro brasileiro, aqui representado busca assegurar o lugar da população negra na educação brasileira.
E que amanhã, 31, venha à plenária final.
Estamos a postos!
 

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Transformar a Gerência Étnica Racial em apêndice de Diretoria da Diversidade não é amplitude. É retrocesso!


Estamos em Brasília na Conferência Nacional de Educação como Delegada por Indicação Nacional para representar o Movimento Negro do Estado.
A iniciativa da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial em assegurar a participação do movimento negro e quilombola na Conferência Nacional legitima um espaço prioritário para inserção da Lei nº 10.639/03 e nos permite agregar pessoas e processos na produção e informação da história como a partilha do aprendizado mútuo com inúmeras possibilidades de construir um outro olhar sobre a realidade da população negra.
É uma conferência buscando a afirmação da diversidade, revelando lacunas nas quais o racismo estrutural torna-se protagonista.
Em pleno domingo participamos de uma reunião com representantes da etnicidade negra, visando a participação de diversos estados para estabelecer estratégias de atuação na CONAE 2010 que acontece de hoje, domingo 28 de março a 1º de abril no Centro de Convenções Ulisses Guimarães. Desse encontro também participaram delegados do Movimento Negro indicados para a CONAE pela SEPPIR
No inicio do processo civilizatório brasileiro a escravidão e o extermínio do povo preto foi a forma mais extrema e cruel do racismo .
Nos espaços contemporâneos o racismo estrutural é a forma mais invisível do racismo, que age de forma invisível, não menos cruel,restringindo espaços de oportunidades,isolando conhecimentos.
Transformar a Gerência de Educação Étnico Racial em apêndice de uma Diretoria de Diversidade não é amplitude. É retrocesso!
A Gerência de Educação Étnico-Racial fruto da Lei Delegada nº 43, de 28 de junho de 2007 tinha/tem um caráter sócio-pedagógico.
A Gerência de Educação Étnico-Racial pensava a educação de uma forma dinâmica e comprometida com uma realidade mais igualitária e justa.
A Gerência de Educação Étnico-Racial possibilitava um diálogo participativo e produtivo com cerca de 40 municípios dos 102 que compõem o cenário de Alagoas.
A Gerência de Educação Étnico-Racial foi assunto de pauta na Câmara Federal em 2004, quando ainda era Núcleo Temático. Pauta positiva.
A Gerência de Educação Étnico-Racial fez de Alagoas referência nacional da implementação da Lei Federal nº 10.639/03 e na sanção da Lei Estadual nº 6.814/07.
A criação da Gerência foi modelo no país e outros estados copiaram a receita. A ação deles continua. A ação da Gerência está com os dias contados.
A Gerência de Educação Étnico-Racial conseguiu envolver 70% das escolas alagoanas na compreensão de um projeto político-educacional que contemple a diversidade cultural e étnico-cultural.
A Gerência de Educação Étnico-Racial realizou em menos de quatro anos 33 Encontros Afros Alagoanos de Educação - Alagoas era o único estado do Brasil a oferecer formação permanente e continuada em diversidade étnico-racial.
A Gerência de Educação Étnico-Racial promoveu encontros sócio-educativos em espaços marginalizados ( presídios, unidades prisionais de internação feminina).
A ação da Gerência de Educação Étnico-Racial possibilitou por unanimidade, a escolha da Secretaria de Estado da Educação de Alagoas pelo Conselho Nacional dos Secretários de Educação para ser a representante do mesmo, no Grupo Interministerial, criado pelo Ministério da Educação, para a implementação da Lei nº 10.639/03. Era a única Secretaria de Educação do Brasil a fazer parte do referido grupo. ( agosto 2008).
A Gerência de Educação Étnico-Racial estabeleceu parceria acadêmica com os embaixadores de Moçambique, Cabo Verde, Angola, Cônsul de Guiné Bissau e a Comissão dos estudantes africanos da Universidade Federal de Alagoas.
A Gerência de Educação Étnico-Racial mais do que um cargo de comissão em disputa era/é a afirmação política do movimento negro na educação, e esse mesmo movimento assiste estático e silencioso o rolo compressor do corporativismo estatal esmagar um exercício de revisão referencial da geografia do povo preto na história da escola.
A extinção da Gerência de Educação Étnico-Racial é racismo estrutural, com a conivência de tantos e muitos doutores/doutoras que exploram a temática a exaustão e depois pregam o conhecimento na parede.
A extinção da Gerência de Educação Étnico-Racial é um grande equívoco político.

 

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Ser branco no Brasil é ter privilégios, já dizia uma mestra da geração

Era um corpo perplexo jogado na calçada. Um ser humano demolido da sua dignidade. Nos olhos lágrimas estupradas pela intolerância humana. Na roupa surrada pela ação do tempo, o apartheid da pandemia social de “sempre” vê-lo por entre olhares de soslaio da desconfiança secular. Na pele o crime perfeito: era/é negro!
Espalhados ao chão os produtos que havia comprado. Ao lado a nota fiscal. Acusaram-no de roubo. Pessoas ao redor se afastaram anônimas temendo o envolvimento com “problemas alheios”.
Homens transvestidos de autoridade abusavam da posição golpeando a auto-estima de um outro homem. Pessoas anônimas tornavam-se invisíveis e esquivam-se de “ver”. Era/é um homem negro, pobre e morador da favela. Veredicto: culpado!
Era/é um homem negro, pés sujos, roupas pinceladas com tintas do tempo, morador de uma das grotas de Maceió, com sangue escorrendo do nariz. E uma nota fiscal nas mãos.
O homem chorava, enxugando as lágrimas em mangas de camisa: Eu não sou ladrão! Só porque a gente é pobre eles acham que podem bater - completava com a alma combalida.
As “autoridades” justificavam a prática da violência arbitrária atribuindo a vitima, a “culpa” por desafiar o movimento da demarcação de espaços sociais.
Onde já se viu um morador da grota, pobre e negro com dinheiro para pagar compras? Na sutileza da memória humana, negro e pobre está associado à lógica do escravismo, da subalternidade, da dependência de outrem. São as cadeias invisíveis e históricas do preconceito que segregam e expelem o que não é igual.
Na lógica das “autoridades” de plantão isonomia é sinônimo de salário, nada a ver com princípios de igualdade humana.
Uma das autoridades abusadoras ainda afirmava: “Eu” ia lhe dar uma cesta básica e você vem aqui se alterar!
As benesses do poder.
O homem negro, pobre e maltrapilho chorava. A nota fiscal na mão.
Em nome de uma fictícia “segurança coletiva” o bom senso foi atropelado pela aceitação universal e tácita : até provar o contrário negro é sempre culpado.
A isso daremos o nome de segregacionismo social.
Ser branco no Brasil é ter privilégios já dizia uma mestra da geração em que o saber explodia na convivência diária e não em oficinas metódicas e emparedadas em conceitos não revisitados.
O homem negro, pobre e maltrapilho que chorava foi lesionado por ser homem negro, pobre e maltrapilho.
Ou o homem foi execrado porque era pobre?
Também!
 

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