Prefeitura de Viçosa e Secretaria da Igualdade Racial se unem para atender quilombolas


 

O cenário é de tristeza e abandono

 


O prefeito de Viçosa, Flaubert Filho, e o subsecretário da Secretaria Especial de Política de Promoção da Igualdade Racial(SEPPIR),Alexandro Reis, fizeram neste final de semana uma visita a comunidade quilombola do Gurgumba, que estava isolada desde o dia 18 de junho quando o Rio Paraíba arrastou a ponte que dava acesso ao povoado, e
constataram a situação de abandono dos remanescentes de Zumbi dos Palmares.
Saindo do Centro de Viçosa, a equipe passa pela comunidade quilombola do Sabalangá, segue pela estrada de barro até onde é possível, mas depois tem que seguir a pé porque não existem estradas de acesso até oGurgumba. Uma ponte improvisada de madeira permite atravessar as águas do Rio Paraíba. Foi por meio desta ponte que o Corpo de Bombeiros conseguiu entregar cestas básicas aos moradores durante a semana.
Para visitar as 22 famílias que residem às margens do Rio Paraíba, nas imediações da histórica Serra Dois Irmãos, onde Zumbi morreu, é preciso andar mais um bocado. Na chegada um carrinho de rolimã é logo avistado. Este é o meio de transporte da comunidade. O cenário é de tristeza e abandono.
Casas de taipa, condições impróprias para sobreviver. O acesso aos serviços de educação e saúde são comprometidos pela dificuldade de chegar ou sair daquele povoado. Benedita Chaves é uma das que ainda resistem aquele lugar de confinamento, ela diz que não tem vontade de sair do Gurgumba, mas descreve o lugar com um semblante de tristeza: “Aqui tá morto”.
José Fabiano da Silva tem seis filhos e é um dos cinco chefes de
famílias que viram sua casa arrastada pelas fortes águas do Paraíba mais uma vez. “Fiquei sem nada. Sem saber o que fazer. Só comi no dia seguinte porque a vizinha me deu. Já perdi a casa três vezes. Estou morando na casa de um amigo”.
A comunidade vive entre o Rio Paraíba e os trilhos da linha da rede ferroviária, que também foram afetados pela força da água. Um paredão de concreto foi erguido para proteger a rede ferroviária, mas não foi suficiente. As águas ultrapassaram o paredão e arrastaram os trilhos de ferro.
O prefeito Flaubert Filho se enche de esperanças ao receber o
representante da SEPPIR, porque entende que a complexidade da situação do Gurgumba não lhe permite resolver todos os problemas sozinho. “Precisamos unir forças com o poder Estadual e com o poder Federal para tiramos estas pessoas da vida de isolamento e proporcionar uma
qualidade de vida que hoje eles não têm. Temos que começar resolvendo a questão da acessibilidade. Viabilizando estradas, assim eles terão
educação de qualidade, saúde e vamos poder construir casas de
alvenaria para abrigar estas famílias, com acesso à água potável e saneamento”.
Flaubert Filho explica para Alexandro Reis que há mais de um ano tem o projeto de um posto de saúde para atender o Sabalangá e o Gurgumba, mas ainda não obteve êxito. Outro projeto do prefeito é implantar um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) para atender as cerca de 1100 pessoas que residem nestes dois quilombos.
Alexandro Reis comprovou in loco a necessidade de concentrar esforços para garantir a dignidade e o bem-estar daquelas pessoas. “Vamos fazer uma parceria entre o governo federal e a prefeitura para reconstruir as casas do quilombo, melhorar o acesso e instalar o CRAS que o prefeito apontou”.
O representante da SEPPIR disse que dentre tantas cenas fortes o que mais lhe chamou atenção foi: “a situação de confinamento, com pouco
espaço físico para sobreviver. Se houver nova enchente a situação vai ser ainda pior. As casas são de taipa e os moradores estão expostos a
doença de chagas. O governo Lula criou o Programa Brasil Quilombola para garantir a melhoria da qualidade de vida. Vamos lutar juntos para
solucionar estes problemas”.
Alexandro Reis garantiu enviar, em caráter emergencial, cestas de
alimentos para as famílias do Gurgumba e vai se esforçar para que esta assistência não seja apenas uma vez, passe a ser mensal se estendendo também para a comunidade do Sabalangá. A Prefeitura já trabalha no cadastramento destas famílias e prepara os projetos discutidos com a SEPPIR para acelerar o processo que visa a garantia de uma vida digna aos quilombolas viçosenses.
A visita do subsecretário da Secretaria Especial de Política de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Alexandro Reis, ao município de Viçosa de Alagoas foi viabilizado pela parceria com o Projeto Raízes de Áfricas. A coordenadora do projeto, Arísia Barros, acompanhou a visita.


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Motorista usa megafone em ofensa de trânsito e acaba vendo o jogo do Brasil na cadeia no Espírito Santo

VITÓRIA - Dia de jogo do Brasil, trânsito engarrafado. Em Vitória, no Espírito Santo, o motorista de um guincho acabou indo parar na cadeia, acusado de racismo. O homem vítima de racismo disse que o tráfego estava parado e o guincho estava atrás do carro dele. Ao passar, o motorista do guincho teria dito num megafone: "Só podia ser preto!"
- Eu ouvi, todo mundo ouviu - contou a vítima.
Um outro motorista afirma que, pouco depois, o motorista do guincho voltou a reagir a um xingamento dizendo: "Se eu fosse preto você teria razão".
" É repugnante, inaceitável usar de um microfone para ofender a dignidade e a raça de alguém "
Revoltados, outros motoristas perseguiram o guincho e conseguiram fazê-lo parar perto do Palácio do Café, na Enseada do Suá.
O rapaz ofendido disse que estava disposto a retirar a queixa se o motorista do guincho pedisse desculpa, mas ele se negou a pedir e negou que tenha feito qualquer ofensa.
- É repugnante, inaceitável usar de um microfone para ofender a dignidade e a raça de alguém - disse o delegado João Calmon.
O motorista do guincho segue preso por injúria racial. Somente um juiz pode estipular o valor da fiança para que ele seja solto. A pena para esse tipo de crime varia entre um e três anos na cadeia.

 

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Empresa de Educação Profissional de grande porte está recebendo currículos

Empresa de Educação Profissional de grande porte está recebendo currículos de docentes autônomos/temporários (RPA) com perfil de educadores sociais para as seguintes oficinas:

 

Oficina: Português

Graduação: Superior em Letras com ênfase na Língua Portuguesa e Literatura Brasileira

 

Oficina: Matemática

Graduação: Superior em Matemática, Administração, Ciências Contábeis, Economia ou em qualquer área das Ciências Exatas

 

Oficina: Formação Social (Auto-conhecimento e Auto-desenvolvimento; Formação Cidadã; Emancipação Juvenil)

Graduação: Superior em História, Geografia, Psicologia, Ciências Sociais Aplicadas ou em qualquer área das Ciências Humanas

 

Observação importante para todas as oficinas e perfis: formações diferentes do perfil serão analisadas caso a caso.

 

Os currículos devem ser enviados no corpo do e-mail para sergiozarro@yahoo.com.br, citando no título a(s) oficina(s) que deseja(m) se candidatar.
 

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A exclusão sócio-étnica em Gurgumba é um flagrante desrespeito aos direitos humanos.

Gurgumba é a guetificação do abandono sócio-político, a ação violenta do descaso com a vida humana e a historicidade de um povo.
Gurgumba fica localizada entre o ocaso e o nada. Em proporções menores Gurgumba é um Haiti, nas terras em que morreu o herói nacional e o símbolo da resistência contra a opressão no Brasil,Zumbi.
Gurgumba é uma comunidade de remanescentes quilombolas, no município de Viçosa/AL, certificada em evento festivo no Palácio República dos Palmares, em 18 de novembro de 2009.
Como comunidade remanescente certificada Gurgumba deveria ter recebido dos organismos responsáveis suporte técnico e teórico para o estabelecimento de ações voltadas para garantia do desenvolvimento e sustentabilidade da comunidade.
As gentes de Gurgumba estão excluídas do diálogo democrático e faz parte da crescente massa de miseráveis dos ocos invisíveis em Alagoas.
Sobreviventes de uma realidade de exclusão e abandono, meninos e meninas descendentes de quilombolas, alagoanos, estão expostos a permanente situação de riscos de uma infância partida antes da juventude.
A infância mal nutrida dos meninos e meninas em Gurgumba floresce, com uma vulnerabilidade alarmante, esmagando-os entre os trilhos retorcidos da Rede ferroviária, terras divididas e as águas do Rio Mundaú.
São perversos os efeitos do racismo institucional que estrangula as possibilidades geracionais, confina os espaços das gentes de Gurgumba em míseros metros quadrados.
A miséria exposta de Gurgumba não é devido às águas furiosas que sangraram territórios alagoanos.
A miséria de Gurgumba é uma epidemia escancarada da internalizada ideologia da inferioridade étnica. Negros e quilombolas experimentam no Brasil contemporâneo, o elevado grau de desigualdade social que a abolição inacabada nos deixou de herança. A negação secular de direitos materiais, sociais e simbólicos.
Existe um beco sem saída para meninos e meninas quilombolas de Gurgumba que possuem um acesso precário à rede escolar, que por sua vez não pensa a historicidade dos descendentes de Zumbi e como em um ciclo vicioso as crianças descendentes de quilombolas, não reconhecem sua história, não se pensam quilombolas.
São crianças, entre nove e doze anos que, sem a companhia de um adulto, desbravam diariamente,quilômetros e quilômetros de um íngreme caminho pavimentado por lamaçal, árvores, gado no pasto,até chegar a uma ponte mambembe. A ponte liga Gurgumba à civilização urbana.
A exclusão sócio-étnica em Gurgumba é um flagrante desrespeito aos direitos humanos.
É preciso que os órgãos competentes definam responsabilidades para avançarmos na arquitetura de instrumentos que gerem políticas estruturais para que Gurgumba saia do exílio. Do abandono social.


 

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O turismo negro da Serra da Barriga/Palmares não conta para Alagoas?

As secretárias de turismo do estado e do município em entrevista conjunta declaram que as cidades turísticas de Alagoas não foram afetadas pela tragédia e que Alagoas está aberta ao turismo, ignorando de uma maneira inequívoca a real importância do inventário histórico e turístico de Palmares e do Parque Memorial Quilombo dos Palmares, ao tempo que conclamam os/as turistas a virem ao estado, pois “ os turistas que desejam viajar a Maceió ou qualquer outro destino turístico dos litorais Norte e Sul do Estado não precisam cancelar a viagem de férias, porque os municípios turísticos não foram afetados".
União dos Palmares traz a memória coletiva de cidade ícone da resistência negra do Brasil para o mundo da história.É a cidade do turismop etnico-cultural-afro.
Palmares traz a simbologia da liberdade humana e mesmo afogada pelas águas invernosas, Palmares é um roteiro investigativo de cantos e encantos diversos. É o encontro de culturas que pode ser considerado como ponto de partida para novos olhares e novas formas de “conhecer” Alagoas.
Palmares é a capital do maior e mais longo quilombo da história das Américas.
Os não-diálogos, a invisibilidade da história negra em Alagoas, nos leva a refletir sobre os hiatos que sobem a Serra e desembocam no ostracismo sócio-institucional.
Alagoas turística é muito mais do que sol e mar. O turismo étnico em Alagoas ainda é um turismo marginal,subjugado pelo olhar universal e eurocêntrico.
É preciso que haja um esforço concentrando para ampliar a visão ainda unilateral do que é fazer turismo em Alagoas. Investir em ações voltadas para uma nova cartografia turística que “venda’ o espaço étnico-afro que marcou profundamente a história do conceito de liberdade como bussola do não- apartheid.
O Parque Memorial Quilombo dos Palmares,inaugurado em novembro de 2007, na Serra da Barriga, ainda pode se tornar um pólo do turismo étnico na região Nordeste.
Já não é hora de explorar as potencialidades produtivas do segmento étnico-afro?
Já não é hora de investir criteriosamente no Projeto Região dos Quilombos?
O reconhecimento do território étnico como possibilidade turística é apenas o primeiro passo no processo da abertura das portas do território alagoano para o mundo.
Para todo mundo!
 

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Ele tinha apenas 14 anos + uma vítima de homofobia

A intolerância gera situações de discriminação que  são letais. O texto do Bruno serve de reflexão para as intolerâncias nossas de todos os dias. Não é fácil aceitar o que é diferente de nossos padrões sociais. Afinal, o que é mesmo padrão social?

O grito extravasou em euforia, alegria e celebração! Gol! Alexandre e amigos comemoravam a vitória do Brasil no jogo contra a Costa do Marfim pela Copa do Mundo da África do Sul, como muitos outros garotos de 14 anos faziam em São Gonçalo e no país inteiro após aquele jogo. Diferente da maioria desses jovens, no entanto, Alê era… Alê era um bom aluno na escola, um adolescente tranquilo e que até participava de atividades em uma igreja, o que nos deixa com uma imagem bem afinada ao que as pessoas entendem como um bom jovem. Ah, Alê também era gay, e consciente da necessidade da luta diária contra a homofobia. Isso, convenhamos, é uma qualidade raríssima em garotos de sua idade, e alinha a imagem de Alê a um bom jovem gay, um exemplo para muitos.
Na ocasião da festa de comemoração, um outro grupo de amigos envolveu-se com o de Alê em uma briga. Alê e seus amigos então foram à 72ª Delegacia de Polícia, em São Gonçalo, para registrar uma queixa por agressão. Eles retornaram à festa após isso, e, por volta das 2:30, Alê esperava um ônibus, no bairro do Mutuá, para voltar para sua casa, quando foi visto vivo pela última vez.
Os fatos são que às 10h da manhã de segunda, dia 21/06/2010, seu corpo foi encontrado em um terreno baldio no Jd. Califórnia, com sinais de espancamento, tortura e estrangulamento, e o IML informou também que sua morte se deu por volta das 4h, o que nos permite concluir que Alexandre sofreu por pelo menos 1 hora e meia nas mãos daqueles que o mataram. Segundo ligações ao disque-denúncia, um veículo branco foi visto no local do seqüestro, e segundo amigos de Alê, o mesmo carro teria rondado o cemitério durante o enterro. Os amigos de Alê relatam também que os jovens desse grupo rival pertenciam a um grupo de “skinheads”, com a prática de usar redes sociais para propagar mensagens de intolerância.
Mas isso são os fatos. Esses dados serão matéria de investigações da polícia, e, com alguma esperança, das mídias que tiverem vontade de denunciar esse grave quadro de violência e homofobia. Os fatos e dados não racionalizam as lágrimas sentidas da mãe de Alê, que me comoveram no vídeo da reportagem. Eles não dão conta de expressar também a angústia, os olhos cheios de lágrimas e a garganta apertada que me tomaram, por exemplo, quando vi as mensagens dos amigos de Alê no Orkut, ou o texto que ele usava em seu perfil, extraído do discurso de Pedro Bial no BBB pela eliminação do participante Serginho. Esse discurso, aplicado ao jovem Alê, se resignifica e me assassina de dor:
É Peter Pan, a criança que não cresceu e sabe voar. Quer aprender? Quer voar? Pense numa coisa boa, pense numa coisa bem boa. É só pensar em coisa boa que a gente voa. Pense numa coisa bem linda, que você nem viu ainda. Num raio de luar, que você vai voar Peter Pan, sombra na parede da caverna de Capitão Gancho. Travessura? Espectro? Imagem só? Será? Não é possível. É ele… Pan… Está lá? Lá? Ele está? De que lado ele está? É só pensar em coisa boa que a gente voa. Se pensar em coisa ruim? Bom! Pode até chegar ao fim!
Alê não irá mesmo crescer jamais, e será sempre um jovem, que sabia voar. Pensando em uma coisa boa, um mundo melhor, ele, com seus 14 anos, tinha uma consciência que muitos de nós levamos décadas para formar, e que a grande maioria ainda não construiu ou vai construir. Ele não acreditava que esse mundo melhor fosse apenas uma ilusão e lutava por isso. Alê era companheiro do Grupo Gay Atitude e fazia parte da organização da Parada Gay da cidade. Sua preferência afetiva por outros garotos, que deveria ser apenas um detalhe do ser completo que era, infelizmente não foi vista como um detalhe por outros não acostumados a ideais de liberdade e humanidade.
Por que Alê foi assassinado? Nós não sabemos com detalhes, e eu estou certo de que bons advogados saberão “preservar os direitos dos agressores” (o que não significa “dizer a verdade e ter punições justas por isso”, mas “mentir para não ser preso”), como foi com os assassinos de Isabela Nardoni e João Hélio, crianças que ganharam a comoção do Brasil, que não sei se o jovem Alexandre Ivo também vai ganhar, porque era gay. Não sei se o Brasil irá se comover com a morte dele, e isso me retalha por dentro, porque o que temos para os gays no Brasil é o Eduardo Cunha com seu projeto para proteger os heterossexuais da discriminação e “assegurar o direito de ser normal”; os livros didáticos de ensino religioso com suas mensagens homofóbicas, denunciadas em pesquisas da UNB; o Silas Malafaia e suas constantes equiparações entre homossexualidade e pedofilia; a Revista Veja com suas mensagens de que vivemos uma era de tolerância em que o preconceito não existe; Carlos Apolinário tentando tirar a maior Parada Gay do mundo da vista de todos; Marcelo Crivella e seus delírios sobre uma ditadura gay no Brasil.
Na verdade, eu sei sim por que Alexandre Ivo foi assassinado. Está aí a ditadura que temos no Brasil, e ela, definitivamente, não é gay. Ela é homofóbica. Ela mata. A cada dois dias, segundo o Grupo Gay da Bahia, um homossexual é morto no Brasil por causa da homofobia. E não temos uma legislação competente contra crimes de ódio ou contra a difusão dessa intolerância nos meios de comunicação e nas instituições, que é a verdadeira assassina, posto que joga veneno no rio da cultura e nos sufoca com uma mortalha de séculos de idade. Nós, os pecadores, doentes, criminosos, imorais, sujos, rejeitados, humilhados, ridicularizados, mortos. Eu também me sinto morto agora.
O curso esperado dos fatos, nessa realidade que desilude, é esperar que a impunidade vença, que os políticos e líderes homofóbicos continuem tripudiando de nossa dignidade para criarem para si o status de arautos contra a imoralidade, enquanto outros tantos líderes e políticos dão de ombros para nós e oferecem-nos migalhas achando que fazem muito.
Mas isso precisa ter um fim, e precisamos urgentemente fazer com que isso tudo não resulte no curso esperado dos fatos, mas no curso ideal, justo.
Que a justiça seja feita, e não se restrinja à punição dos culpados.
Que, como Matthew Shepard, nos Estados Unidos, Alê não tenha morrido em vão e sua morte denuncie a violência diária à qual estamos sujeitos diariamente, encerrando os infindáveis debates sobre a inquestionável necessidade de leis contra os crimes de ódio.
Que sua morte abra nossos olhos para a necessidade de termos mais jovens conscientes como ele, e gays adultos com um pouquinho mais de boa vontade de aderir à causa e levantar bandeiras.
Que este Manifesto de Luto e Luta por Alexandre Ivo marque o nascer de uma nova consciência para os homossexuais do Brasil e do mundo.
A Comunidade e o Blog Homofobia – Já Era declaram luto por Alexandre Thomé Ivo Rajão, e luta infindável para que sua morte não seja em vão.
A família e os amigos de Alê estão organizando um ato de homenagem a Alê e protesto em favor da justiça, no Domingo dia 27, às 15h, na praça do Zé Garoto em São Gonçalo, ao lado do pano preto que foi estendido em luto a ele. Serão distribuídas fitas pretas e camisas. Se puder, compareça, solidarize-se e reflita.
Nós precisamos.

 

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Ministro Elói envia ajuda aos Remanescentes dos Quilombos, vítimas das enchentes em Alagoas.


Por determinação de Elói Ferreira, Ministro Chefe de Estado de Políticas e Promoção da Igualdade Racial, o representante das políticas para Comunidades Tradicionais, da SEPPIR, Alexandro da Anunciação Reis virá a Alagoas verificar in loco as conseqüências das enchentes, uma das piores ocorridas em Alagoas, no território das comunidade dos Remanescentes dos Quilombos.
No município de Viçosa, duas comunidades atingidas, serão inspecionadas: Sabalangá, surgida, no século 17, a partir de escravos livres é uma das mais antigas povoações de Viçosa, no vale do Paraíba alagoano e a comunidade do Gurgumba, onde moram aproximadamente 30 famílias que vivem da agricultura, da pesca as margens do rio Paraíba do Meio,no município de Viçosa e de Muquém, em União dos Palmares.
Segundo, o ministro-chefe de estado, Elói: “o momento agora é de fazer balanços dos prejuízos para que numa ação integrada e articulada de vários setores, possamos fazer todo o necessário para suprir as comunidades quilombolas no processo de reestruturação”.
Alexandro complementa a fala do ministro-chefe ”levando em conta a sustentabilidade ambiental, resgate cultural e o fortalecimento da cultura quilombola, assegurando ainda, seu direito à questão da territorialidade e da identidade étnica, como um fator fundamental para a construção da própria identidade do grupo”.

Visita
Alexandro da Anunciação Reis chegará, na manhã de sexta-feira, 25, ao aeroporto Zumbi dos Palmares, lá será recepcionado pela secretária da Mulher, Cidadania e Direitos Humanos, Marluce Caldas Prefeito de Viçosa, Flaubert Filho e a coordenadora do Projeto Raízes de Áfricas, Arísia Barros que o acompanhará às áreas das comunidades atingidas.
Segundo Alexandre a visita as comunidades atingidas servirá como base para planejamento de ações que visam a recuperação e sustentabilidade das comunidades em questão.
 

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O dia em que Palmares virou mar

Car@s,

Palmares em Alagoas, como Palmares em Pernambuco contam hoje uma história de destruição.  Cidades de estados vizinhos que clamam,  pela ajuda emergencial. Marina Dias da Veja.com relata...

"Parecia que eu estava no Haiti". Os olhos do advogado Severino Gomes não param de percorrer o escritório completamente destruído pela enchente que na última sexta, dia 18, atingiu a cidade de Palmares, na zona da Mata pernambucana, a 128 quilômetros de Recife. A água subiu mais de 10 metros com o transbordamento dos rios Una e Pirangi, que cortam a cidade. "Em menos de quatro horas, a cidade estava tomada pela água. Perdi tudo. Acho que serão mais de 50 mil reais de prejuízo", lamenta Gomes.
O drama do advogado é o mesmo de milhares de pessoas que possuem casa ou comércio na parte baixa de Palmares, região mais atingida. A parte central da cidade foi tomada pela lama, as construções estão destruídas, móveis e roupas se espalham pelas ruas onde não há abastecimento de água nem energia elétrica há cinco dias. No rosto dos moradoers, olhares desesperados percorrem o rastro de destruição.
Geraldo Francisco de Oliveira, 46 anos, diz que nunca em sua vida viu uma situação como essa em Palmares. Ele ainda tentou salvar a mercadoria do supermercado onde trabalha como gerente, "levando o estoque para o primeiro andar do prédio". Mas não adiantou. A enxurrada de sexta levou equipamentos de corte de carne e computadores, totalizando um prejuízo de mais de 30 mil reais. "Palmares não existe mais como cidade", lamenta Oliveira, de cabeça baixa.
Segurança - Diante da situação caótica do centro e das regiões rurais de Palmares, as polícias Civil e Militar de Pernambuco fazem ronda apenas em algumas avenidas principais e nas proximidades da prefeitura e da Igreja Presbiteriana do Brasil. "Estamos aqui para garantir o apoio à segurança da cidade", afirma o major Carneiro, do batalhão da PM.
A presença policial, no entanto, não tem sido suficiente. Durante a noite, quando fica tudo sem luz, a preocupação dos moradores é com os assaltos e saques ao comércio. "O pessoal está sem água, sem casa sem comida", diz o comerciante Glebson Lins, de 26 anos. "Estão saqueando para comer."
Auxílio escasso - Mesmo após cinco dias da enchente, quem mora na parte baixa de Palmares continua desamparado. A ajuda propagandeada pelo Governo Federal ainda não chegou. As poucas doações de alimentos e roupas ficam na região mais alta da cidade, menos atingida pela chuva e com maior facilidade de acesso para os veículos.
Na área mais destruída, praticamente intransitável até mesmo a pé, os moradores ficam sentados em frente ao que restou das casas na esperança de um socorro. Como os hospitais e as escolas também estão tomados pela água, quem perdeu a moradia recorre a familiares e amigos da região menos afetada.
Em todo o estado de Pernambuco, 15 mortes foram confirmadas até o momento em decorrência da inundação. De acordo com a Defesa Civil, mais de 40.000 pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas por causa das chuvas destas, 24.552 foram acolhidas por parentes ou amigos, outros 17.808 estão desabrigados e dependem de abrigos da prefeitura e do estado.
 

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Eu que já não tinha nada- diz uma senhora em lágrimas - perdi tudo.

O município de Viçosa fica localizado a 86 quilômetros da capital do estado de Alagoas, Maceió, as margens do Rio Paraíba e faz parte da região serrana dos quilombos, na zona da mata alagoana. Em Viçosa Zumbi morreu.
Viçosa, atualmente possui duas comunidades de remanescentes de quilombo. São elas Sabalangá e Gurgumba que foram auto-identificadas em 17 de novembro de 2009, pela Fundação Cultural Palmares/Ministério da Cultura.
Ser remanescente é ser bem mais do que um lugar. É a soma das possibilidades étnico-sociais que agregam pessoas em torno do pertencimento histórico, reproduzindo a continuidade da história atemporal. É um lugar de transição das correntes fustigando pés para a liberdade explodindo no tracejar dos passos.
A auto-identificação de Sabalangá e Gurgumba demarcou, simbolicamente, os terrenos existenciais para os quilombolas viçosenses, é o registro é a “prova” da existência, da quebra de isolamento histórico.
Nos últimos dias as águas caídas, na terra das lagoas, que deveriam molhar de esperança a secura do solo/seca nordestina afogaram com voracidade os espaços de vivência de milhares de pessoas, isolando-as de seus territórios de construção emocional/material.
Eu que já não tinha nada- diz uma senhora em lágrimas - perdi tudo. Numa controvérsia de sentimentos.
As pontes que dão acesso as Comunidades de Sabalangá e Gurgumba caíram. Os quilombos estão isolados. O prefeito de Viçosa, Flaubert Filho, diz: “Sozinho eu não tenho como recuperar a cidade. Preciso de ajuda do governo Estadual e Federal. A burocracia do governo federal impossibilita atender a demanda de desabrigados. Acumulei desabrigados do ano passado, que continuam no Estádio Teotônio Vilela. Entreguei 63 casas ano passado, mas foram construídas com recursos próprios. Em um ano e meio de gestão eu já presenciei duas enchentes em meio a uma crise financeira. Não é fácil”, afirmou.
A prefeita da cidade de Branquinha chora ao falar da cidade que-um dia estava lá e hoje, simplesmente desapareceu. Branquinha acabou!
Localizada na microrregião da Mata Alagoana, a 55 km da capital alagoana, Branquinha tem um histórico de enchentes e reconstrução. A cidade já foi destruída e reconstruída algumas vezes. A primeira grande enchente aconteceu em 1949 quando o rio Mundaú inundou parcialmente a prefeitura e inúmeros documentos e informações sobre a história da cidade foram destruídos.
Milhares de pessoas das cidades como Branquinha, Quebrangulo,Atalaia, Santana do Mundaú, Joaquim Gomes, São José da Laje, União dos Palmares, São Luiz do Quitunde, Matriz do Camaragibe, Jundiá, Jacuípe, Paulo Jacinto, Capela, Cajueiro, Viçosa, Rio Largo e Murici estão agasalhadas sobre o guarda-chuva da ajuda comunitária.
É hora sim, para sermos solidário-solidárias. Creio que cada um/cada uma de nós pode contribuir, com alimentos não perecíveis, água potável, roupas, medicamentos, cobertores, material de higiene pessoal, doações de caráter emergencial, para mitigar o sofrimento de milhares de pessoas.
Se 50% dos 192.304.735 habitantes do Brasil depositar um real R$ 1,00, nas contas da Caixa Econômica Federal: Agência: 2735 /Operação: 006/ nº da conta : 955-6/Nome: Corpo de Bombeiros Militar; Banco do Brasil: Banco do Brasil - C/C 5241-8 / Agência 3557-2 , já teremos uma ajuda considerável.
A vida nas cidades alagoanas segue em estado de emergência e pede socorro.
Socorra!

 

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SOS-Alagoas-Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente,

 

Prezados (a)


Devido a calamidade que se encontra em nosso Estado por consequencia das fortes chuvas e do grade numero de desabrigados, o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, a Sociedade Alagoana de Pediatria, o Forum dos Conselhos Tutelares, a Pastoral da Criança, o Pacto do Semiárido e demais parceiros convidam a todos para unirmos forças em prol das vitimas desta tragédia.

Confira os endereços dos locais para onde devem ser encaminhadas as doações:

 

- 1º Grupamento de Bombeiros Militar (1º GBM) – Rodovia 316, Km 14, Tabuleiro dos Martins, próximo a PRF, 3315-2900 / 3315-2905.

 

- Grupamento de Socorros de Emergência (GSE) – Conjunto Senador Rui Palmeira, S/N, 3315-2400.

 

- Subgrupamento Independente Ambiental (SGIA) – Av. Dr. Antônio Gouveia, S/A, Pajuçara, próximo ao Iate Clube Pajuçara, 3315-9852.

 

- Quartel do Comando Geral (QCG) – Av. Siqueira Campos, S/N, Trapiche da Barra, 3315-2830.

 

- Defesa Civil Estadual (CEDEC) - Rua Lanevere Machado n.º 80, Trapiche da Barra, 3315-2822.

 

- Grupamento de Salvamento Aquático (GSA) – Av. Assis Chateaubriand, S/N, Pontal, próximo a Braskem, 3315-2845.

 

Interior:

- 2º Grupamento de Bombeiros Militar – Maragogi, (82) 3296-2026 begin_of_the_skype_highlighting (82) 3296-2026 end_of_the_skype_highlighting / 3296-2270.

- 6º Grupamento de Bombeiros Militar – Penedo, (82) 3551-7622 begin_of_the_skype_highlighting (82) 3551-7622 end_of_the_skype_highlighting / (82) 3551-5358 begin_of_the_skype_highlighting (82) 3551-5358 end_of_the_skype_highlighting.

- 7º Grupamento de Bombeiros Militar – Arapiraca e Palmeira dos Índios, (82) 3522-2377 begin_of_the_skype_highlighting (82) 3522-2377 end_of_the_skype_highlighting, (82) 34212695 begin_of_the_skype_highlighting (82) 34212695 end_of_the_skype_highlighting.

- 9° Grupamento de Bombeiros Militar – Santana do Ipanema e Delmiro Gouveia, (82) 3621-1491 begin_of_the_skype_highlighting (82) 3621-1491 end_of_the_skype_highlighting / (82) 3621-1223 begin_of_the_skype_highlighting (82) 3621-1223 end_of_the_skype_highlighting

 

Assessoria de comunicação de Rio Largo:

Trav. Antonio Maciel de Oliveira, n°122, apt. 503,

Ponta Verde, Ed. Pharaons

Naira – 91062713-9141-2181 – Rodrigo 9321-2726 – 9999-7171


Igreja de São Gonçalo, localizada no Mirante São Gonçalo, no bairro do Farol, mas que todas as paróquias estão de portas abertas para receber doações, os materiais arrecadados serão distribuídos para as vitimas das cidades atingidas

 

 

FEDERAÇÃO ESPÍRITA DO ESTADO DE ALAGOAS
Rua Barão de Maceió, 212, Centro, Maceió/AL - Cep: 57020-360
Portal: www.feeal.org.br - Fone/Fax: 82 3223-8699

 

 

Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente - CEDCA

Rua Ladislau Neto, 367, Centro 57.020-010

Maceió-AL Fone/Fax: (82) 3315. 1739/1792 Cel. (82) 8883.7564

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20º aniversário do Estatuto da Criança e do Adolescente

 

 

 




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