Raízes da África
Raízes da África

Postado em 14/05/2017 às 13:25 por Arísia Barros em Raízes da África 0

Quando digo que sou poeta muitas pessoas riem de mim, me olham, arrogantemente, de lado.




Por Arísia Barros

Eu  sou  um poeta preto, pobre e moro em uma periferia de Maceió,AL, em que os jovens são mortos e morrem todos os dias.

Meu nome é André Fabrício e eu amo escrever. A escrita me salva de mim.

Eu escrevo poesias, mas minha poesia é morta todo dia pelo olhar preconceituoso de muitas pessoas. E todo dia tenho que escrever outras palavras para dar vida no que acredito.

Eu sou um poeta preto, pobre e moro em uma periferia de grande vulnerabilidade, e no mundo do racismo isso não combina muito. Quando digo que sou poeta muitas pessoas riem de mim, me olham, arrogantemente, de lado. Tenho milhares de poemas escritos, mas nunca tive chance de publicar.

Eu sou preto, poeta e pobre. Uma combinação igual à pólvora.

A poesia me salva das  dores, dos traumas de vida. São tantos...

A poesia me permite  reinventar caminhos em que eu possa existir.

O racismo não quer que a gente exista, mas minha palavra insiste, persiste e eu continuo a caminhar.

E escrever.

Fonte: https://www.facebook.com/andre.fabricio.902?fref=nf&pnref=story


Deixe seu comentário

Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.