Raízes da África
Raízes da África

Postado em 06/05/2017 às 16:49 por Arísia Barros em Raízes da África 0

Não é uma dor coletiva, feito o merchandising #mexeucomumamexeu com todas.




Por Arísia Barros

 

A dor é tanta que a mulher fica quietinha, em seu canto, falando palavras desconexas que rompem o silêncio hierárquico dos que não querem ouvir.

A mulher é preta, senhora cheia das idades, uma mãe órfã.

Sua filha única foi morta pelo marido que  a considerava  posse, propriedade. Ele era dono  da esposa , e ponto final.

Parada no meio da sala nua, mas, vestida de significados,  a mulher-mãe-orfã  faz um inventário intimo da vida, que agora-sem a filha morta, se faz letárgica, feito hibernação da dor, que se arrasta voraz por todas as artérias do corpo.

Tem horas que ela deposita a mão sob o peito, como a sufocar  uma tristeza tamanha que ameaça consumi-la.

Essa dor é só dela. Não é uma dor coletiva, feito o merchandising #mexeucomumame xeu com todas.

A filha da mulher foi morta e ela está só, com sua dor.

E ponto final.


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