Josivaldo Ramos

União dos Palmares: Obra realizada em ponte de acesso a AL-205 apresenta defeito antes mesmo de ser concluída

Antônio Aragão 1328110795abdoncupertinoponteum Ponte de acesso a AL-205 em União dos Palmares

por Josivaldo Ramos com Antônio Aragão

Segundo informações do jornalista Antônio Aragão, site Tribuna de União, uma obra realizada no município de União dos Palmares, na ponte de acesso a AL-205, apresenta defeito antes mesmo de ser concluída.

Informações repassadas a redação do site Tribuna de União apontam para a empresa “Artileste” (a mesma que construiu o muro de contenção do Rio Mundaú e que desabou quando houve aumento do volume de água no inverno passado) a responsabilidade da obra “defeituosa”. Segundo estas informações, apenas três funcionários, sem a presença de máquinas e equipamentos, é que estão “tocando” o andamento da obra, além de que um dos acessos de pedestre (passarela) apresenta rachaduras. Para concluir, disse o denunciante que a obra já dura 15 meses.

Em visita ao local da obra, o jornalista ouviu um funcionário, cuja identidade foi preservada: “A firma Artileste está realizado obras em várias frentes de serviços e deixou União para trás, mas acredito que assim que a firma se desocupar de Murici virá toda para União. Só não sei dizer se já acabou o prazo de entrega” disse o funcionário.

O jornalista ainda ouviu um mestre de obras da cidade: “Tudo está sendo mal feito, só pra ganhar o dinheiro do governo, que é do povo. Não se faz aterro de cabeceira de ponte com terra escorando muro de proteção; as passarelas estão mal feitas – veja, uma já rachou pela economia de material usado na obra – e a sustentação das mesmas passarelas que são estreitas e não cabe sequer um animal, estão fora dos padrões de segurança. Com a força da água, em pouco tempo elas (as passarelas) vão cair, todos vão ver. Além do mais, a ponte que só cabe um veículo transitando de cada vez, não foi ampliada”.

Nenhum representante oficial da empresa Artileste foi localizado para comentar o fato, portanto, fica, desde já, disponível a empresa o devido espaço para apresentação dos esclarecimentos necessários. Bastando contatar a editoria deste blog através do e-mail josivaldoramos@hotmail.com ou diretamente o jornalista Antônio Aragão através do e-mail atribunadeuniao@gmail.com.
 

Eleições 2012: Oposição não consegue se unir em União dos Palmares

Cortesia Isolda Herculano 1318347621beto bahia João Lyra e Beto Baia

por Paulo Veras

A oposição em União dos Palmares terá um grande desafio nas próximas eleições. Isso porque o prefeito Areski Freitas (PTB) não pode ser candidato a re-eleição e deve lançar um nome de peso para sucedê-lo, o ex-governador Manoel Gomes de Barros (PSDB). Mano deixou o governo de Alagoas em 1998, após perder a eleição daquele ano para Ronaldo Lessa. Mas em União, sua influência política nunca se perdeu em todos esses anos.

Fato é que enquanto o nome de Mano é ventilado pelo governo municipal, a oposição aparece fragilizada. O recém formado PSD, sob liderança do deputado federal João Lyra, tem como pré-candidato o médico Beto Baía. Já o PDT de Ronaldo Lessa pavimenta o nome do ex-petista Emanuel Paulo. Ambos defendem a necessária unidade do grupo de oposição em público, mas em privado não abrem mão de suas candidaturas a prefeitura, o que gera o impasse entre os grupos.

Os dois estiveram unidos na última campanha municipal, em 2008, como candidatos a prefeito e vice, respectivamente. Mas o interesse de ambos em ser cabeça de chapa resultou em atritos que podem ter sido responsáveis pela derrota de ambos para o prefeito Kil. Em 2010, Beto Baía abriu mão de uma candidatura a deputado estadual – à época pelo PP. Como membro da coligação “Frente Pelo Bem de Alagoas” ele fez campanha para o governador Teotônio Vilela Filho (PSDB), juntamente com o ex-governador Mano, seu atual adversário.

Estou no twitter: @pjveras
 

Bancas de feira estão sendo usadas para prática de sexo

João Paulo Farias 1327795993bancasfeira02

por João Paulo Farias

Bancas que são usadas para a comercialização de mercadorias na feira livre do bairro Roberto Correia de Araújo, popular Terrenos, são armazenadas a céu aberto às margens da BR-104, na Rua Maria Carmelita e servem segundo informações, como banheiro para animais e pessoas que trafegam pelo local.

Cães, gatos e até mesmo gente usam as bancas como banheiro público, um risco para a saúde de quem consome os alimentos comercializados nos dias de feira, até mesmo a carne é vendida em cima dessas bancas, que são cobertas com um tecido, que é o único método de proteção da mercadoria.

A feira livre é realizada aos domingos no bairro e durante os outros dias da semana, as bancas ficam expostas ao relento sem nenhuma proteção, às margens da BR-104. Não há fiscalização e o mais grave além do acúmulo de lixo ao lado das bancas é, segundo denúncias, a utilização das bancas para a prática de sexo durante a noite, já que o local não possui iluminação e vigilância, segundo informações preservativos são encontrados com frequência ali.

O presidente da Associação Comunitária dos Moradores do Bairro Roberto Correia de Araújo (ACMBRA), Luís Carlos Lima, disse que inúmeras vezes a Associação encaminhou ofícios a diversos órgãos do município, mostrando o problema das bancas e pedindo que a situação fosse resolvida. Mais segundo o presidente, só a Vigilância Sanitária respondeu a solicitação, dizendo na época, (início de 2011), que não dispunha de fiscais suficientes para atender a localidade.

Luís Carlos fala das dificuldades enfrentadas pelos moradores do maior bairro da cidade, que enfrentam diariamente a ausência do poder público no local. Esgoto a céu aberto em mais da metade do bairro, falta de pavimentação e saneamento, são as principais carências dos Terrenos. “O poder público é morto nesse bairro, não faz nada é uma decepção”, desabafou.

Em relação à situação em que são armazenadas as bancas de feira, o presidente da Associação de Moradores, disse ter encaminhado semana passada um oficio ao Ministério Público, com cópias de ofícios anteriores encaminhados à Prefeitura Municipal e Câmara de Vereadores, órgãos esses que segundo Luís Carlos, nunca responderam as solicitações. “Espero agora um posicionamento do Ministério Público frente a essa situação”, concluiu.
 

Acostamento da AL-202, em de União dos Palmares, invadido por particulares, virou depósito de areia extraída do Rio Mundaú

Antonio Aragão (Tribuna de União) 1327676954acessouniaodois União dos Palmares - Conveniente para os empresário, maquinas invadem rodovia

por Antonio Aragão (Tribuna de União)

Abandonada pelas autoridades e já despida em parte dos princípios éticos e morais além de ser render a uma minoria privilegiada economicamente, o povo de União dos Palmares continua cada dia sendo mais oprimido pelos ricos e portentosos, e embora alimente seu espírito de revolta, por conveniência ou medo prefere silenciar diante dos abusos cometidos no caso especifico desta matéria, por empresários que a titulo de ‘desenvolvimento’ (de sua própria economia) utilizam o bem público como se fosse o quintal de suas residências.

O visitante que procura o acesso viário pela BR-104, antes de chegar à cidade adentra a AL-202 que há muito perdeu a característica de rodovia e hoje é um trecho de eminente perigo tanto para pedestres como para motorista. O acostamento foi invadido por particulares que ou com cerca de arame farpada ou com construções irregularidades tomaram para si o bem público.

No mais, uma construtora e um empresário de transporte após extrair a areia dos rios Canhoto (Rocha Cavalcante) e Mundaú com gigantescas dragas e depositam o material na margem da rodovia onde diuturnamente existe o perigoso trafego de pás carregadeiras e caçambas com o terceiro eixo, danificando a já desgastada estrada que além do transito normal recebe peso para a qual não foi cadastrada através de caminhões que transportam barro e material de construção para um núcleo residencial.

Desta forma e utilizando o tradicional, o único prejudicado é o povo massacrado por tantas injustiças e desprovido de seus direito, graças à aquiescência do Poder Público. Afinal de contas, o fato é registrado no interior do Nordeste, onde contradizendo a afirma de alguns ‘estudiosos’ que nunca conheceram a realidade do interior alagoano, o coronelismo é exercido livremente. Quem fala, sofre retaliações. É melhor se expor ao perigo no transito do que falar determinadas situações. É o que prevalece em União dos Palmares chamada ironicamente de ‘Terra da Liberdade’.

Em nome do progresso (das contas bancárias de alguns setores), vale tudo até depredar o patrimônio público. Este é um dos retratos de União dos Palmares.

antonio aragão

Caso Giovanna: Mirella Granconato busca liberdade no STJ

Jonathas Maresia - Arquivo 1309347840mirella Mirela dentro da viatura do Tigre

por Josivaldo Ramos

Tramita, desde o final da manhã desta sexta-feira, 20, pedido de habeas corpus em favor de Mirella Granconato, acusada, juntamente com seu marido Toni Bandeira, pelo Ministério Público do Estado de Alagoas de serem os mandantes do assassinato da estudante de fisioterapia Giovanna Tenório, morta em junho de 2011. O HC foi impetrado pelo advogado Rodrigo Cavalcante Ferro e ainda não foi apreciado pelo STJ, o que deve ocorrer até meados da próxima semana.

Em outubro de 2011 a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas, em decisão unânime, manteve a prisão preventiva de Mirella Granconato. Para o relator do processo, desembargador Orlando Monteiro Cavalcanti Manso, o decreto de prisão preventiva foi prolatado de forma legal e de acordo com os requisitos necessários, fundamentando a decisão na garantia da ordem pública e aplicação da lei penal.

“É latente que o crime pela qual a paciente está sendo acusada, resultou em grande clamor social no estado de Alagoas, diante do modus operandi praticado para obtenção da consumação do resultado na prática delituosa, como foi constatado em depoimentos e inclusive no laudo pericial constante nos autos”, explicou o relator.

O relator Orlando Manso afirmou que “a paciente Mirella Granconato demonstra grande periculosidade diante do modus operandi praticado no crime eu fato de a paciente afirmar, em seus depoimentos, que fez ameaças à vítima, pelo fato da mesma ter um envolvimento amoroso com um dos corréus, que é seu marido”, completou.

O crime

O desaparecimento de Giovanna Tenório mobilizou parentes, amigos e colegas de faculdade durante quatro dias. As esperanças de encontrá-la com vida tiveram fim na tarde do dia 06 de junho, com a notícia de que um corpo feminino com as mesmas características de Giovanna foi localizado num canavial em Messias. O corpo foi levado ao IML e reconhecido por parentes.

Toni Bandeira e Mirella Granconatto foram presos no dia 28 de junho de 2011 acusados de participação no crime. Luiz Alberto também é suspeito no assassinato da estudante.
 

Esgoto entupido há dois meses gera transtornos aos moradores de União dos Palmares

João Paulo Farias 1327088784esgotorobertao04

por João Paulo Farias


Moradores da Rua Roberto Alfredo do Vale, localizada no Bairro Roberto Correia de Araújo, popular Terrenos, na periferia de União dos Palmares, estão a cerca de dois meses sofrendo com um esgoto que está entupido e correndo a céu aberto na porta desses residentes. A sujeira está gerando proliferação de mosquitos e pondo em risco a saúde destes moradores.

Nos Terrenos, como é conhecido o maior bairro da cidade, a falta de saneamento é alarmante, além disso, poucas são as ruas pavimentadas e o esgoto corre a céu aberto em mais da metade do bairro. Na Rua Roberto Alfredo do Vale, no trecho do entupimento, que fica quase no fim da rua e faz divisa com uma área de pasto, há pavimentação, mais a ausência do poder público naquela área gera a insatisfação daqueles moradores.

Segundo Jaílson Nunes, inúmeras reclamações já foram feitas pelos moradores do local ao Serviço Autônomo de Água e Esgoto – SAAE, sobre a situação do esgoto, mais segundo ele, os pedidos para concertar o problema são ignorados pelo órgão, que promete vir ao local, mais não aparece.

Seu Jaílson lamenta a falta de atenção do poder público frente ao problema e diz que todos naquela área sofrem com o esgoto correndo em suas portas. “Os mosquitos mordem as crianças e as elas estão ficando doentes”, disse Jaílson, mostrando as marcas de feridas em sua filha pequena, que esteve doente por mais de uma semana, devido às picadas dos mosquitos que proliferam com a sujeira.

A insatisfação dos moradores da região é grande, dona Maria Betânia que estava varrendo sua porta, disse que se arrependeu de comprar sua casa ali. “Não aguento os mosquitos, baratas e até ratos que aparecem por aqui, a fedentina é horrível”, desabafou.

O esgoto está localizado no quintal da casa de Ancelmo Barros, o local virou uma lagoa e é impossível ficar mais que alguns minutos ali, pois o mau cheiro e os insetos afastam qualquer pessoa. Ancelmo lamenta o problema e espera uma solução urgente.

A falta de ação do poder público naquela área e as inúmeras e cansativas tentativas dos moradores junto ao SAAE, para resolução do problema, está revoltando os populares. “Já liguei dezenas de vezes para o SAAE e quando atendem prometem e não vem aqui, disse Rosilene Soares, moradora do local.

Além do esgoto entupido, há nessa mesma rua um poste com a lâmpada queimada há meses. Os moradores também clamam por iluminação pública, já que os mesmos pagam uma taxa destinada a esse serviço.
 

Barão do São Francisco: STJ nega pedido de liberdade para Marcos Antônio, prefeito afastado de Traipu

Arquivo 1264088718marcos santos traipu Marcos Santos, prefeito afastado de Traipu

por Josivaldo Ramos

O ministro presidente do STJ, Ari Pargendler, negou liminar em habeas corpus impetrada por Antônio Nabor Areias Bulhões em favor de Marcos Antônio dos Santos, o “Barão do São Francisco”, prefeito afastado do município de Traipu.

Este é o segundo habeas corpus impetrado no STJ em favor do “Barão”, o primeiro foi impetrado por João Henrique Campos Fonseca, e após análise do ministro presidente do STJ recebeu decisão nos mesmos termos da decisão atual, ou seja, primeiramente coletar informações junto ao TJ-AL, bem como submeter a analise do Ministério Público Federal para emissão de parecer, para só após, submeter o pleito liminar a sua análise; contudo, no primeiro caso o impetrante protocolou pedido de desistência do HC.

Marcos Antônio dos Santos é acusado de um desvio de cerca de R$ 8 milhões, oriundos do Fundo de Participação do Município (FPM) e fraudes no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), Marcos Antônio encontra-se preso, por ordem da justiça alagoana, desde 22 de novembro de 2011.

O caso

Marcos Santos ficou foragido por quase dois meses, depois que a Polícia Federal desencadeou a Operação Tabanga, cujo objetivo era cumprir mandados de prisão e busca e apreensão na cidade. O prefeito é acusado de comandar um esquema que desviou verbas públicas relacionadas com a Educação, cujo montante chega a R$ 8 milhões.

No dia 10 de novembro de 2011, o desembargador José Maria de Oliveira Lucena, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, concedeu o habeas corpus ao prefeito afastado e a primeira-dama e ex-secretária de Assistência Social do município, Juliana Kummer. Outros seis acusados na Operação Tabanga também foram beneficiados com a decisão.

Na Tabanga, dezesseis pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público pelos crimes de formação de quadrilha, prevaricação, peculato, falsidade ideológica, uso de documento falso, emprego irregular de verbas públicas, dentre outros crimes.

Na ocasião, o prefeito conseguiu escapar da prisão devido o vazamento de informações sobre a operação. O caso está sendo investigado pela Polícia Federal, que prometeu punir os responsáveis pelo vazamento.
 

STJ arquiva habeas corpus em favor de policial acusado de matar modelo

Reprodução 1325439786modelo Erick Ferraz era modelo

por Josivaldo Ramos

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o arquivamento do pedido de habeas corpus, com pleito liminar, em favor de Jaysley Leite de Oliveira, 31, policial civil de Alagoas, acusado de envolvimento na morte do modelo Erick Ferraz, crime ocorrido durante uma festa de réveillon na cidade de Viçosa.

Conforme o blog do Josivaldo Ramos, Portal Cada Minuto, havia antecipado há cerca de uma semana, o pedido de liberdade formulado junto ao STJ foi arquivado por supressão de instância, ou seja, “irregularidade jurídica” onde uma instância superior julga matéria não analisada pela instância inferior; de sorte que o STJ declinou sua incompetência para analisar o pedido, visto que o TJ-AL ainda analisa HC impetrado no tribunal.

Jaysley Leite de Oliveira, embora também seja suspeito de ter atirado no modelo, apresentou, através de seus advogados, requerimento para ser submetido a um teste residuográfico, que poderia, ou não, comprovar se o acusado efetuou disparo com arma de fogo nos últimos dias, entretanto o requerimento do acusado foi indeferido pelo juiz da Vara do Único Ofício de Viçosa, visto que por ser policial Jaysley tem como ofício o manuseio de armas de fogo e o teste em nada ajudaria no esclarecimento dos fatos.

O Crime

O modelo Erick Ferraz foi assassinado na madrugada do último dia 01, durante uma festa de Reveillon em Viçosa. Testemunhas contaram que o modelo teria ido tomar satisfações com Judarley, uma vez que o mesmo teria ‘paquerado’ a sua namorada.

Quando deu às costas, o modelo foi alvejado por três disparos de arma de fogo e não resistiu aos ferimentos. Além de trabalhar como modelo, Erick Ferraz era pré-candidato a uma vaga na Câmara de Vereadores de Marechal Deodoro.

Erick era membro de uma tradicional família deodorense. Seu pai é presidente do Bloco Nação Rubro Negra.
 

Blog do Josivaldo Ramos ganha coeditor

José Marcelo Pereira 1327088433paulo veras blogueiro Paulo Veras

Paulo Veras, blogueiro premiado e estudante de jornalismo da UFPE, passa oficialmente a coeditar o blog do Josivaldo Ramos, no Portal Cada Minuto; Paulo Veras chega com o objetivo de analisar os fatos que antecedem as eleições municipais de 2012 nos municípios alagoanos, no interior e na capital do estado, trazendo aos eleitores informações imprescindíveis para escolha de seu candidato. Paralelo a esta missão, Paulo Veras, possui autonomia para produzir outros textos, cujos temas sejam de interesse público dos alagoanos, sempre com enfoque político, com base na democracia e compromisso com a verdade. Ganha o leitor do blog do Josivaldo Ramos pela tecnicidade e imparcialidade do jornalista em formação.

Julgamento do caso Ceci Cunha expõe o lado podre da política alagoana!

Reprodução 1307623497ceci cunha Ceci Cunha

por Paulo Veras

16 de dezembro de 1998. Naquele dia, a deputada federal Ceci Cunha asseou-se elegantemente com um vestido azul, um broche a lapela e um bonito batom vermelho. Ela compareceu a cerimônia realizada no Fórum Desembargador Jairo Maia Fernandes no Barro Duro, onde foi diplomada deputada federal pela segunda vez consecutiva. De lá, rumou para a casa de uma familiar, Claudinete Maranhão, que recentemente tivera dado a luz.

Por volta das 19h30min, Ceci seria assassinada na varanda da casa com mais três parentes – seu marido Juvenal Cunha, o cunhado Iran Maranhão e a mãe deste, a senhora Ítala Maranhão. O caso seria conhecido como “chacina da Gruta” e só veio a júri 13 anos e um mês depois, levando cinco acusados ao banco dos réus. Ceci tinha 49 anos quando teve a vida ceifada.

Durante o julgamento que durou três dias, duas versões bastante distintas foram levantadas. Todas elas demonstram o lado mais podre da política alagoana. A acusação diz que o mandante do crime seria o ex-deputado Talvane Albuquerque. Naquele ano, Talvane havia perdido a eleição para deputado federal e ficara como primeiro suplente da coligação da qual participavam Ceci Cunha e Augusto Farias, dentre outros.

Com a ajuda de rastreamento telefônico, o Ministério Público conseguiu colocar três homens ligados a ele no entorno da cena do crime. Um quarto confessou, teoricamente sob tortura, que ficara esperando em Satuba para que eles se desfizessem do carro e rumassem para Arapiraca. De lá, todos se dispersaram por vários Estados no período posterior à morte.

Talvane Albuquerque assumiu o mandato, mas foi cassado no ano seguinte após denúncias feitas pelo pistoleiro Maurício Guedes, conhecido como “Chapéu de Couro”, de que, antes do assassinato de Ceci, Talvane o teria procurado para assassinar Farias a fim de “abrir uma vaga na bancada federal”.

A defesa de Talvane e dos acusados trabalhou ferozmente para apontar irregularidades na peça de acusação do ministério público. Sustentaram que Talvane havia sofrido perseguições, pôs foi adotado como mandante pela polícia antes mesmo de se haver qualquer investigação sobre o crime. Levantaram também as hipóteses de outras linhas de investigação que, à época, foram abandonadas apesar dos indícios.

Foram desconsiderados o reconhecimento do pistoleiro “Chapéu de Couro” na cena do crime, realizado pelo jardineiro Valmir Pereira Campos. A denúncia do militar Wolkmar (morto pouco depois) de que a “guerra da polícia civil” teria se iniciado por insatisfação na divisão do dinheiro do assassinato da deputada Ceci Cunha pelos PMs Walter Santana, Sinval, “Fininho” e Robson Rui. O fato de o senhor José Eduardo Praxedes ter alertado que o coronel Sarmento estaria em busca de policiais para matar Ceci Cunha.

E o mais espantoso, que o ex-governador Manoel Gomes de Barros teria interesse na morte da deputada porque atribuía a derrota eleitoral daquele ano a falta de apoio dela e lhe teria pago pelo apoio R$ 2 milhões que Ceci nunca devolveu. Mano, aliás, era o único que podia controlar a estrutura do Estado para tentar imputar a Talvane Albuquerque uma culpa que não era dele, uma vez que houve diversas intervenções estranhas da polícia na apuração do crime.

Sabemos qual foi o resultado dos jurados proferidos ás 3 horas da manhã de hoje. Sabemos qual foi a sentença proferida pelo juiz federal André Luiz Maia Tobias Granja para os cinco réus julgados. Mas, considerando que eles alegam inocência, talvez nunca saibamos ao certo o que aconteceu naquela noite do dia 16 de dezembro de 1998. Mas sabemos de uma coisa: o julgamento do caso Ceci Cunha serviu para expor a putrefata estrutura que compunha a política alagoana, sustentada a golpes baixos, assassinatos e toda a sorte de delitos.

O assassinato de Ceci Cunha foi um crime político por vários motivos, independente de quem o tenha cometido. Interferiu diretamente na vontade expressa do eleitor, manchando a democracia. Como todos devem saber a essa altura, os réus foram considerados culpados e condenados a mais de cem anos de prisão. Mas será que 13 anos depois da perda daquelas quatro vidas, ainda vivemos sobre a mesma política mesquinha e cheia de interesses obscuros?
 

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