Abaixo a burguesia, viva o anarquismo

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Estou republicando esse texto consternado com o assassinato do amigo e companheiro Nô Pedrosa, no dia 23. A memória de Nô Pedrosa será sempre lembrada por todos que o conheceram e conviveram com essa figura histórica do movimento de esquerda de Alagoas.

 

O militante anarquista mais conhecido em Alagoas é Nô Pedrosa. Nasceu em Santa Luzia do Norte (AL), há 75 anos, no dia 7 de setembro de 1940, e foi registrado com o nome de Walfredo Pedrosa de Amorim. Filho de Hermes Calheiros de Amorim e Lidia Pedrosa de Amorim. Por ironia do destino, nasceu no dia em que o Brasil comemora a Independência de Portugal.

        Nô Pedrosa pertence a uma família com tradição e militância política na esquerda alagoana. O irmão mais velho, o escritor e engenheiro Valter Pedrosa de Amorim, foi o primeiro que iniciou a militância política quando se filiou ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), na segunda metade da década de 1950. Nô e Waldir Pedrosa de Amorim seguiram o primogênito; dos quatro irmãos, três militaram no PCB.

        O que liga as famílias Calheiros-Amorim a Miranda são os irmãos Hermes, irmão de Hermé Calheiros, que por sua vez casou-se com Manoel Simplício de Miranda e constituíram uma prole com dez filhos, entre eles, os jornalistas Jayme e Nilson Amorim de Miranda, dirigentes do PCB em Alagoas.

        Os primos constituíram um núcleo destacado na estrutura do PCB nas décadas de 1950 e 1960. O ativismo do jovem Nô Pedrosa ajudou a formar vários núcleos de jovens militantes comunistas no movimento estudantil secundarista e universitário.

        O golpe civil-militar de 1964 levou os irmãos Jayme e Wilton Miranda, Nô e Valter Pedrosa para o cárcere, e outros irmãos e primos para a vida incerta na clandestinidade. Nilson, Anivaldo, Waldemir e Clístenes Miranda tiveram de sair de Alagoas e viver em outros estados clandestinamente.

        Nô Pedrosa ao sair da prisão continuou a militância política, voltou a estudar na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e a sonhar com uma possível resistência armada, e dessa maneira derrotar a ditadura. O tempo passou, prisões voltaram a acontecer, líderes estudantis foram presos e submetidos a tortura em Alagoas e por todas as partes do país.

        A delegacia de Ordem Política e Social (Dops) anotou na ficha do Nô Pedrosa, após o golpe civil-militar de 1964, o seguinte: “participou de todos os movimentos grevistas nos sindicatos filiados ao CGT, em companhia do comunista Nilson Miranda e outros. Tomou parte ativa nos comícios programados pelo CGT. Desenvolve atividades comunistas no meio dos estudantes. Distribui literatura comunista e boletins subversivos. Preso no movimento revolucionário de 31 de março de 1964”.  

        A militância comunista se esvai, e Nô Pedrosa torna-se cada vez mais um anarquista em franca aliança com os demais grupos de militantes de esquerda. Não deixa de ser curiosa a sua atitude. O que não mudou entre uma fase e outra foi a capacidade de aglutinar jovens seguidores. Fez da porta da biblioteca pública estadual e dos corredores da Ufal o seu palco de proselitismo político-ideológico.     

  

Esse personagem é uma raridade em nossos tempos, despojado de qualquer apego a bens materiais. Para muitos é tido como louco; para outros, é um ser integrado à paisagem urbana de Maceió e umbilicalmente vinculado à Biblioteca Pública Estadual (BPE).

O fato de nunca ter vendido a sua força de trabalho a qualquer patrão o torna um ser livre das amarras da sociedade capitalista. Encantado com os livros, continua a viver como nasceu: livre. De uma coisa ele não pode ser acusado: de que não gosta de livros e de bibliotecas. Fez disso um sacerdócio. Digo isso consciente de que estou proferindo uma heresia, já que o incrédulo anarquista talvez não entenda que o seu modo de viver é um sacerdócio.

Vida longa ao camarada Nô Pedrosa.

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Livro,  Carapeba e Cachaça

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O poeta alagoano Lêdo Ivo faleceu, no dia 23 de dezembro de 2012, é com saudade e carinho que republico: Livro, Carapeba e Cachaça, último texto escrito pelo poeta, prefácio do meu Panorama Cultural de Maceió.

Lêdo Ivo

Os sebos e alfarrábios de minha infância e adolescência sobem agora à minha lembrança, diante deste livro de evocações do historiador e investigador cultural alagoano Geraldo de Majella.

Os que ele registra neste Panorama Cultural de Maceió, não são os mesmos do meu tempo. Situam-se em locais diferentes. Guardam uma multidão de volumes que surgiram após a minha partida, refletem a realidade de uma época vertiginosa marcada pela emergência de tecnologias atrevidas e até agressivas. Mas, apesar de todas as mudanças ocorridas no ar do mundo e do tempo, hão de conservar a mesma atmosfera plácida da cidade antiga e cuja placidez só era interrompida pelo fragor dos tiros sazonais que ceifavam vidas e saciavam rancores, disputas e vinganças.

Lembro-me de alguns deles. Na Rua do Livramento, junto à igreja, era o sebo do Barbosa, que ocupava a sala de visitas de sua casa familiar. Na Rua do Comércio, entre o Beco São José e a Praça dos Martírios, situava-se outro sebo, no qual terei adquirido os meus primeiros livros em francês. Um deles era Notre Coeur desse Maupassant que ainda hoje suscita a minha admiração, e do qual possuo, compradas num alfarrábio insigne de Paris, as obras completas ilustrada e editadas pela Librarie Paul Ollendorf. E havia ainda outro sebo, na esquina da Rua Boa Vista com o Beco São José.

Onde terei encontrado Song-Kay o Pirata, de Emilio Salgari, uma das estrelas bem-amadas da constelação e Coleção Terramarear? Ainda hoje ele está na minha biblioteca, guardado como uma relíquia ou sobra de naufrágio. E, graças a ele e a tantas outras histórias de tesouros e piratas, e ilhas e ventos dos mares do Sul, pude sulcar a vida inteira, confiante na verdade de minha imaginação, o caminho que me indicaram na infância.

Os sebos e alfarrábios ora registrados pelo historiador Geraldo de Majella  — um historiador tão atento à vida cotidiana e provinciana e ao episódio aparentemente irrelevante — são outros, mas conservam o mesmo rito comercial  de antigamente e sustentam iguais intenções. São lugares em que nem sempre se encontra o que se procura ou deseja; mas se encontra sempre o que não se esperava e surpreende. E, entre os vendedores de livros velhos aqui consignados, avulta a figura do ex-carroceiro Biu, que estacionava o seu “burro sem rabo” na Praça Dom Pedro II.

Contém esta obra de Geraldo de Majella muitas informações e reflexões sobre as bibliotecas de Maceió e as livrarias alagoanas. Será que elas existem atualmente ou são ficções graciosas? Ou não será no Recife que se abastecem os alagoanos contagiados pelo que o poeta Logan Pearsall Smith chamou de “a leitura, esse vício impune”?

Recordo-me de que, no meu tempo de colegial desejoso de ser escritor, havia na Rua do Comércio a Casa Ramalho, que chegou até a ser uma editora, publicando autores alagoanos. Durante semanas, ela exibiu na vitrina um exemplar de Angústia de Graciliano Ramos. Ninguém o comprava, embora seu autor (então enclausurado na Ilha Grande, como comunista) retratasse naquele romance uma Maceió noturna, soturna e dostoiewskiana.

Todos os dias eu me detinha diante da vitrina da livraria e namorava o volume solitário. Finalmente juntei sobras das mesadas semanais e o comprei. A sua leitura foi um dos grandes acontecimentos de minha vida de leitor em flor.

Também são diferentes os dispersos bares e restaurantes captados pela pena astuciosa de Geraldo de Majella. No meu tempo, imperavam a Helvética, defronte à Igreja do Livramento, o Ponto Certo na Praça Deodoro, o bar da Casa Colombo, e o Bar Elegante na Rua do Comércio. Destes, o que ainda é mencionado, como local de reuniões literárias, é o Bar do Cupertino. Nele, no início da década de 30, costumavam reunir-se Graciliano Ramos, Jorge de Lima, José Lins do Rego e Rachel de Queiroz, Maceió era então a capital literária do Nordeste e ignorava sua suprema condição.

No livro de Geraldo de Majella são outros os bares, botecos e restaurantes, outros os boêmios gulosos e mulherengos e os literatos ambiciosos e sedentos de notoriedade e glórias. Mas haverão de ser os mesmos os naufrágios e as impiedades do tempo. E também não terão mudado as comezainas e bebezainas; são as mesmas, os peixes, crustáceos e mariscos da Alagoa Australis, “rica em pescado”, como está no nosso brasão ilustre. A novidade é a macarronada.

E sabe a essas iguarias incomparáveis este valioso livro de Geraldo de Majella. Tem um gosto de carapeba, de camorim e de sururu; de caranguejo; de tira-gosto de caju regado a cachaça; de feijão de corda e manteiga de garrafa. É um livro visceralmente alagoano. Lateja nele o mistério de nosso berço, de nossas águas e terras, de nosso passado e presente, das chuvas e das tanajuras, de nosso povo e de nossos sonhos e pesadelos. E o longo mistério de nossa alagoanidade. E nele sopra o vento do mar.

 

 

 

 

 

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Ford julgada na Argentina

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Raul Ellwanger

Ex-diretores da montadora Ford na Argentina começaram a ser julgados nesta terça-feira, por permitir o sequestro de 24 funcionários de uma fábrica da empresa americana em Buenos Aires durante a ditadura (1976-1983). Trata-se de um julgamento emblemático pela cumplicidade do âmbito empresarial nos crimes da ditadura argentina, e que condenou centenas de militares, policiais e civis.

As vítimas eram operários da fábrica da Ford localizada em Pacheco, um subúrbio ao norte de Buenos Aires, alguns deles líderes sindicais. Os funcionários foram presos por forças militares enquanto faziam seu trabalho dentro da fábrica entre 24 de março de 1976, data do golpe de Estado, e agosto desse ano. Foram retidos em um local de descanso para os operários, onde as vítimas apanharam e foram torturadas por 12 horas, segundo testemunhas que do caso. Depois foram levados a delegacias e, mais tarde, alojados em prisões à disposição do Poder Executivo.

Os acusados são o ex-gerente de Manufatura da Ford Pedro Müller, o ex-chefe de Segurança da fábrica em General Pacheco Héctor Francisco Sibilla, e o ex-chefe do Corpo IV do Exército Santiago Omar Riveros. O presidente da empresa na época, Nicolás Enrique Courard, e o gerente de Relações Trabalhistas, Guillermo Galarraga, já faleceram.

Os acusados estão presentes na primeira audiência, realizada em um tribunal federal de San Martín, na periferia norte da capital argentina, e o processo deve durar meses. Alguns dos 24 sequestrados eram líderes sindicais.

 

Dois anos preso

"Militares uniformizados me sequestraram no meu ponto de trabalho. Eu estava pintando. Me torturaram durante 12 horas, das 11h às 23h", conta à AFP Carlos Propato, de 69 anos, que trabalhou na fábrica de 1970 a 1976. Propato era líder sindical. "De lá fomos levados à delegacia. Ficamos lá 40 dias com tortura quase diária, fome, sujeira. Perdi um olho e fraturaram uma vértebra", relembra.

No total, passou dois anos na prisão e quer justiça. "A fábrica da Ford em Pacheco foi um centro de detenção e tortura. Da Ford nunca recebemos nada, nem uma palavra, uma carta. Nada de nada", afirma. Os militares envolvidos foram acusados de sequestro, coerção ilegal e ameaça. Müller, de 86 anos, e Sibilla, de 91 anos, são acusados de cumplicidade por terem facilitado os meios necessários para cometer os crimes. "Os 24 foram presos por ordem da empresa. Quarenta anos depois é importante que haja justiça", disse Propato.

Enquanto estavam sequestrados, suas famílias receberam da Ford telegramas intimidando-os a se apresentar aos seus postos de trabalho, e mais adiante telegramas de demissão. A ação sustenta que os responsáveis da Ford desempenharam um papel-chave na identificação dos funcionários que tinham atividade sindical, colocaram à disposição a fábrica da empresa e permitiram que ali montassem uma sala de tortura, além de facilitar os veículos para transferir as

vítimas à prisão. "Qual era o meu crime? Apenas reclamar os direitos dos trabalhadores", afirma Carlos Propato.

Uma fonte judicial próxima ao caso considera que se os 24 trabalhadores "não foram eliminados, foi porque não representavam um perigo para os critérios militares. Apenas os castigaram por sua ação sindical", considerou. Desde 2005, quando caíram as leis de impunidade, centenas de torturadores e repressores foram julgados, entre eles o ex-hierarca Jorge Rafael Videla, condenado e falecido na prisão em 2013.

 

 

 

                                

 

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Aurélio, sinônimo de dicionário

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Aurélio Buarque de Holanda Ferreira [1910-1989] nasceu no norte de Alagoas, na pequena Passo de Camaragibe. Quando jovem, morando em Maceió, iniciou a sua vida profissional como professor de português. Na década de trinta foi estudar direito em Recife, onde se bacharelou.

Em Recife estudou com quatro alagoanos que se tornaram amigos de toda a vida: Aloysio Branco, Antonio de Freitas Cavalcanti, José Moraes da Silva Rocha e Mário Gomes de Barros Rêgo. 

Bacharel em direito, não atuou como advogado. Dedicou-se ao magistério tanto como professor primário quanto como professor de literatura portuguesa e francesa. Trabalhou ainda como funcionário público municipal em várias funções, desde Oficial de Gabinete do prefeito Edgar de Góes Monteiro até Diretor da Biblioteca Municipal e, cumulativamente, ocupou a função de diretor do Departamento de Estatística e Publicidade da prefeitura de Maceió, em substituição a Rui Palmeira. 

Mestre Aurélio fez parte de uma geração de grandes intelectuais nascidos em Alagoas, como Alberto Passos Guimarães, Valdemar Cavalcanti, Humberto Bastos, Jorge de Lima, Aloysio Branco, Carlos Paurilio, Manuel Diegues Júnior, Mário Brandão, Rui Palmeira, Raul Lima e Théo Brandão.

Acrescente-se a essa relação Graciliano Ramos, o mais velho entre eles, e os aqui residentes Raquel de Queiros, José Lins do Rego e Tomás Santa Rosa, cearense e paraibanos, respectivamente.

A vida de mestre Aurélio em Maceió e no Rio de Janeiro esteve sempre envolvida com a língua portuguesa, seja ensinando, ou como revisor de livros e jornais, seja traduzindo de línguas estrangeiras para o português, ou escrevendo contos e pesquisando.

O saber popular ajudou o mestre a criar tantas palavras e verbetes. Vivia anotando tudo, principalmente a gíria cotidiana do povo. O dicionário Aurélio foi responsável por democratizar e desmitificar nossa língua, assimilando palavras de uso coloquial e do cotidiano até então ignoradas pelas pesquisas lexicográficas.

Em 1975, o Novo Dicionário da Língua Portuguesa – sua principal obra − foi lançado. A partir desse momento tornou-se o livro mais vendido no Brasil, fazendo de Aurélio sinônimo de dicionário.

Mas quem pensa ou pensava que a vida dessa figura era de clausura, está ou esteve enganado. Um novo Aurélio sempre deixou a mesa de trabalho para sentar em outra: a da boemia. Aquele homem aparentemente circunspeto desde jovem, era conhecido como boêmio na Maceió provinciana das primeiras décadas do século XX.  

Na capital alagoana, muitos amigos da época de juventude se tornaram parceiros nas rodas literárias e/ou de boemia. A maior parte da sua vida foi vivida na cidade do Rio de Janeiro, mas quando vinha passar férias em Alagoas era inevitável entrar na boemia.

Aurélio reunia-se com o jornalista Arnoldo Jambo, o teatrólogo Bráulio Leite Júnior, o poeta Carlos Moliterno, o cronista e político Teotônio Vilela, o industrial Napoleão Moreira, o escritor Emer Vasconcelos, a poeta e atriz Anilda Leão, dentre outros.

Esses encontros literorrecreativos ocorriam em residências de amigos ou nos bares, como o antigo Bar das Ostras, no banho da Bica da Pedra ou apreciando a lagoa Mundaú, bebericando no Pontal da Barra.

As honrarias e o reconhecimento em vida aconteceram e foram muitos, mas a maneira simples de viver e de encarar a vida o imortalizou. As academias − brasileira, alagoana de Letras e a brasileira de filologia e outras instituições a que pertenceu − não foram mais importantes do que o reconhecimento popular.

A imorredoura consagração aconteceu naturalmente fruto do valor de sua obra, sem que houvesse qualquer campanha de marketing. O reconhecimento popular de um trabalhador intelectual no Brasil não é tão comum assim. Aurélio conseguiu.

 

Indicação de leitura:

Marcos Vasconcelos Filho

Marulheiro – viagem através de Aurélio Buarque de Holanda

Maceió -Edufal, 2008, 339 p.

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Mostra Sururu exibe 25 produções audiovisuais alagoanas no Arte Pajuçara

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Vinte e cinco produções audiovisuais genuinamente alagoanas serão exibidas a partir do

próxima dia 14 de dezembro na Mostra Sururu de Cinema Alagoano. O evento, que chega a

sua oitava edição, acontece até domingo, dia 17, no Centro Cultural Arte Pajuçara. A

entrada é gratuita. Este ano a Mostra Sururu celebra os 200 anos de Alagoas com a

diversidade do olhar cinematográfico de seus realizadores.

A mostra competitiva apresenta 19 filmes que concorrem aos prêmios oferecidos pelo Júri

Oficial, o Júri Popular e pelos integrantes do Laboratório de Crítica Cinematográfica. Outras

mais três produções convidadas complementam as sessões noturnas, ao lado de obras de

consagrados cineastas que recebem um espaço para exibição dentro da programação.

“Calabar”, de Hermano Figueiredo, será exibido para recordar os 10 anos do lançamento do

filme. Já “Sobrevivências” e “O mar de Corisco”, de Pedro da Rocha, compõe a sessão que

marca a homenagem ao realizador.

Este ano, além das exibições, a Mostra Sururu realiza atividades paralelas que acontecem

antes mesmo da Mostra Competitiva começar. No dia 11, 12 e 13 acontecerão exibições

nas escolas públicas estaduais que estão localizadas no entorno do Cine Arte. A proposta é

de aproximar a comunidade circunvizinha ao cinema realizado em Alagoas. Também estão

previstas na programação atividades formativas, como o Laboratório de Crítica

Cinematográfica e as mesas de conversa que serão realizadas com os profissionais que

integrarão o corpo de jurados.

Profissionais estes que tendem a somar na experiência dos realizadores locais com a troca

de informações e no diálogo com a produção nacional. O trio de jurados deste ano é

formado por: João Paulo Procópio, que é realizador, produtor e roteirista; Camila Vieira que

é crítica, realizadora e jornalista; e Eduardo Valente, cineasta, crítico e curador. Todos com

reconhecimento nacional e internacional.

Outra marca da Mostra Sururu é o fortalecimento dos realizadores como categoria

profissional por meio do Fórum Setorial do Audiovisual Alagoano, que nasceu dentro da

edição de 2015 da Mostra Sururu e hoje é responsável pela realização da mesma. Esse

espaço é de construção coletiva e de planejamento estratégico para o ano seguinte, onde a

categoria busca melhores condições de produção no nosso estado. Também será

reservado um momento para o encontro dos cineclubes alagoanos, uma vertente que está

em ascensão novamente e que dialoga para promover o seu desenvolvimento.

Em sua oitava edição, a Mostra Sururu de Cinema Alagoano vem se configurando como a

principal janela do nosso cinema. É o espaço de encontro da produção local com o público

de Alagoas como também de fortalecimento de uma área de atuação cultural que está em

ascensão no âmbito nacional. Todos os filmes serão exibidos gratuitamente no Cine Arte

Pajuçara.

SERVIÇO:

O quê: VIII Mostra Sururu de Cinema Alagoano

Onde e quando: No Arte Pajuçara, de 14 a 17 de dezembro, em diversos horários

Entrada gratuita

Mais informações: 98719-1131 e http://mostrasururu.com.br/

PROGRAMAÇÃO COMPLETA:

SEGUNDA A QUARTA, DIA 11 A 13

09h - Mostra Sururu nas escolas:

Escola Estadual Benedito de Morais

Escola Estadual Campos Teixeira

Escola Estadual Virgínio de Campos

18h - Laboratório de Crítica Cinematográfica com Fernando de Mendonça

QUINTA, DIA 14

16h - Sessão 10 anos Calabar com a presença de Hermano Figueiredo

19h - Cerimônia de abertura e Mostra Competitiva

FILMES:

Tupi Or Not Tupi. Direção Coletiva, Animação, 03min3seg

Furna dos Negros. Wladymir Lima, Documentário, 26min

Enéias, O Picapau. Celso Brandão, Documentário, 13min

Uma interrogação para o mundo. Arnaud Borges, Experimental, 3min19seg

Ressonância. Fabiana de Paula Ficção, 14min28seg

Cadê minha casa que estava sempre aqui? Renata Baracho, Documentário, 10min32seg

A Noite Estava Fria. Leonardo A. Amorim, Ficção, 17min51seg

O Peixe. Jonathas de Andrade, Documentário, 23 min (FILME CONVIDADO)

21h - Debate com os realizadores

SEXTA, DIA 15

16h - Conversa: “Produção Independente de Conteúdos Audiovisuais - a Experiência da

Pavirada Filmes”, com João Paulo Procópio

19h - Mostra Competitiva

FILMES:

Teresa. Nivaldo Vasconcelos, Ficção, 19min

Avalanche. Leandro Alves, Ficção 21min19seg

Imaginários Urbanos. Glauber Xavier, Documentário, 15min

Onde Você Mora?. Direção Coletiva, Documentário ,13min

Trem Baiano. Robson Cavalcante e Claudemir Silva, Documentário. 28min23seg

Eu me preocupo. Paulo Silver, Ficção, 19min35seg (FILME CONVIDADO)

21h - Debate com os realizadores

SÁBADO, DIA 16

16h - Conversa: “Curadoria e Crítica nos festivais – Experiências”, com Camila Vieira e

Eduardo Valente

19h - Mostra competitiva

FILMES:

Entrerio. Larissa Lisboa, Experimental, 11min57seg (FILME CONVIDADO)

Delas. Karina Liliane, Documentário, 15min23seg

A Batida da transformação. Levi Yuri, Documentário, 14m48seg

Meninos do Francês. Duda Bertho, Documentário, 15min32seg

Entre as Linhas do Tear. Marcelo Nivaldo da Silva Junior, Documentário, 10min50seg

O Carpinteiro de Jesus. Celso Brandão, Documentário, 15min32seg

Os Desejos de Miriam. Nuno Balducci, Ficção, 19min32seg

As melhores Noites de Veroni. Ulisses Arthur, Ficção 16min

21h Debate com os realizadores

DOMINGO, DIA 17

14h - Reunião dos Cineclubes de Alagoas

16h - Reunião FSAL: Planejamento do Fórum Audiovisual Alagoano para 2018

19h - Sessão Homenagem ao Cineasta Pedro da Rocha

Sobrevivências, Documentário, 20 minutos

O mar de Corisco, Documentário, 20 minutos

20h - Cerimônia de Premiação

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O Cartão Postal do Stuckert

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        Após servir a sobremesa do jantar, a minha companheira Vânia Assumpção, colocou sobre a mesa cinco álbuns de fotografias, coloridas e preto-e-branco, de sua coleção.

Olhei com a curiosidade dos que procuram descobrir preciosidades. Vejo-me, muitas vezes, como se fosse um garimpeiro à procura de esmeraldas, ouro ou pedras preciosas de valor. Os historiadores, em grande medida, são seres com essas características.

        Não demorou muito, abri um dos álbuns e me deparei com duas joias raras: cartões fotográficos de Roberto Stuckert.

Fiz uma inevitável pergunta:

− Vânia, onde você comprou?

− Não comprei, ganhei de presente.

E me explicou, detalhadamente, que havia recebido de Dona Alma, uma imigrante octogenária russa. Dona Alma havia chegado a São Paulo após a revolução socialista de 1917. Em 1984, Vânia alugou um dos quartos de sua casa, onde viveria por um ano enquanto fazia um curso de especialização em paisagismo.

Quando estava retornando a Maceió recebeu como presente os dois Stuckert. Passamos um tempo falando sobre fotografia e sobre o Stuckert e outros importantes fotógrafos alagoanos ou que por aqui estiveram.

Num gesto de desprendimento, recebo das mãos de Vânia os dois cartões. A partir de agora vão para a minha coleção, e como não sou fominha, vou disponibilizá-los através da internet, pelo Blog do Majella, Jornal da Besta Fubana e pela minha página no Facebook.

Mas, afinal, quem é o fotógrafo R. Stuckert, que assina os cartões fotográficos ou postais?

Os Stuckert são originários da Suíça, tendo chegado ao Brasil pelo porto de Cabedelo, em João Pessoa (PB), em 1900. O patriarca da família, Eduard Francis Rudolf Deglon Stuckert, um homem de múltiplos ofícios profissionais, era fotógrafo, desenhista, escultor e intérprete em oito línguas estrangeiras.

A viagem entre o continente europeu e o Brasil durou quase um mês. Eduard Stuckert foi o responsável pela elaboração das cartas náuticas. Em João Pessoa, fixa residência e começa a trabalhar como fotógrafo, em companhia dos filhos Manfred, Gilberto e Eduardo Roberto. Criou o Foto Íris, que posteriormente mudou de nome e passou denominar-se Foto Stuckert, na rua Duque de Caxias. Entre 1900 e 1930 realizou um importante registro fotográfico da cidade, e em 1942, no Rio de Janeiro, expôs a sua coleção de desenhos de bico de pena e nanquim no Museu de Belas-Artes.

O filho caçula, Eduardo Roberto, na década de 1950 deixa João Pessoa e ao passar por Maceió (AL), emprega-se no jornal Gazeta de Alagoas e se torna o precursor do fotojornalismo. É dessa época a coleção de cartões fotográficos ou postais impressos e distribuídos nacionalmente.

Ao deixar Maceió, dirige-se à então Capital federal, Rio de Janeiro, e passa a trabalhar no jornal O Globo. Em 1957, durante o governo Juscelino Kubitschek, é destacado pela direção do jornal para fazer uma longa reportagem da construção de Brasília.

Eduardo trabalhou durante um ano fotografando a construção da nova capital do país e registrando o cotidiano da construção e dos trabalhadores. Quando é chamado de volta ao Rio de Janeiro, deixa o filho Roberto Stuckert a documentar a construção de Brasília.

Roberto depois se tornou conhecido também como fotógrafo, recebendo o apelido de Stukão. É a terceira geração da família a fotografar profissionalmente. Ao filho não restou outra alternativa a não ser permanecer em Brasília, onde criou raízes.            

Poucos meses antes de Brasília ser inaugurada, Eduardo Roberto retorna com toda a família para o Planalto Central, onde fixa residência. Na década de 1970, com os filhos Roberto, Rodolfo, Eduardo e Rosiane, funda a Stuckert Press, empresa de fotojornalismo.

Roberto Stuckert foi o fotógrafo oficial da Presidência da República no governo do general Figueiredo, trabalhou para jornais e revistas e realizou a cobertura de três copas do mundo.

A quarta geração da família Stuckert é representada por Ricardo Stuckert, brasiliense, fotógrafo desde os 19 anos de idade. Iniciou-se no jornalismo no jornal O Globo, passou pelas redações das revistas “Caras”, “Veja” e “IstoÉ”. Trabalhou na campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva e, durante os dois mandatos do presidente Lula, foi o fotógrafo oficial da presidência da República.

A família Stuckert continua em destaque no prestigioso trabalho de fotografar a presidência da República. Agora, quem está nessa função é Roberto Stuckert Filho, fotógrafo da presidenta Dilma Rousseff.    

 

 

 

 

 

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Montevidéu, a cidade dos livros

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        A escolha do Uruguai para passar alguns dias nas férias, numa curtíssima passagem, não foi aleatória. O destino programado inicialmente era o Chile, mas o terremoto do início do ano fez com que mudássemos de roteiro. A viagem foi reprogramada; o poeta Sidney Wanderley e eu definimos que iríamos para Buenos Aires, a linda capital da Argentina, e em seguida, para duas outras bonitas cidades do Uruguai: Colônia do Sacramento e Montevidéu.

        A viagem foi planejada de forma tal que caberia um título: roteiro gastronômico-cultural e esportivo. Em Montevidéu o que me chamou particularmente a atenção foram as livrarias e os cafés. Deparamo-nos com uma forte tradição na capital uruguaia: os livros continuam sendo adquiridos em grande quantidade nas centenas de livrarias. Traçamos um roteiro sem qualquer sinal de rigidez. Partimos inicialmente da Avenida 18 de Julho e fizemos um périplo pelas livrarias que encontramos na majestosa avenida e adjacências.

        As estatísticas do vizinho ao sul poderiam servir de espelho para o Brasil. A população do Uruguai é estimada em 3.399.237 habitantes, Montevidéu está em torno de 1,8 milhões. Acontece que 97,9% dos uruguaios são alfabetizados, a mortalidade infantil é de 13,1/ por mil nascidos e a expectativa de vida chega a 76,4 anos. Esses, entre outros indicadores, colocam o país na 47ª colocação entre as nações do mundo.

        Mas quando se trata da tradição acadêmica o recuo alcança o século XIX, quando foram criadas as duas primeiras Universidades, a da República em 1849 e a do Trabalho do Uruguai em 1878. No campo das artes estão entre os principais teatros dois que são duas joias: a Casa de Comédias de 1795 e o teatro Solís, aberto ao público em 1856.

        Caminhamos por algumas dezenas de ruas e avenidas na Ciudad Vieja, a principal delas a Avenida 18 de Julho. Andávamos olhando a maior parte do nosso tempo para o alto, observando as edificações. Sem medo de errar:, afirmo: são centenas de imponentes edifícios construídos entre o século XIX e XX. As praças estão bem cuidadas e em todas há monumentos que homenageiam os heróis nacionais.

        A Plaza Independência e o conjunto arquitetônico que a circunda merece a atenção, e por esse motivo a ela tornamos algumas vezes. O conjunto formado pelo Palácio Salvo, o Palácio Rinaldi e a Puerta de la Ciudadela, além do monumento central que está no centro da Plaza Independência com mais de 10 metros de altura, estonteiam qualquer visitante. A sede do governo uruguaio é uma edificação modernosa e espelhada, destoando do restante das edificações centenárias.

        O presidente José Mojica – Pepe despacha na área central da capital, e o povo uruguaio não necessita andar muito para protestar, pois a Plaza Independência é ampla e comporta muita gente.  

        A busca incessante por livrarias e cafés foi o foco central de nossa estadia em Montevidéu. Estivemos em dezenas, nas grandes, de que já tínhamos alguma referência, em outras que fomos encontrando, e em pequenas, das quais já dispúnhamos de informações mais ou menos precisas.

        Sidney se esbaldou em quase todas, comprou dezenas de livros, sobretudo poesia e livros de artes. O meu objetivo principal foi comprar cds e dvds de música latino- americana, tango e, pasmem!, de música brasileira. Encontrei relíquias de Pixinguinha, Clara Nunes, Jackson do Pandeiro, Garoto e Luiz Bonfá, estes últimos, dois gênios do violão; do alagoano Jacinto Silva, de Elis Regina, João Gilberto, Vinicius e Toquinho, dos argentinos Astor Piazzolla, Mercedes Sosa e Carlos Gardel, entre outros. Reconheço a extravagância e por pouco não me inviabilizo financeiramente.

        A Librería La Lupa fica na Calle Bacacay, 1.318, vizinha ao Café Bacacay, um dos mais tradicionais da capital uruguaia. Entre tantas que visitamos esta foi a menor; uma livraria especializada e completamente diferenciada. O tamanho do empreendimento chama a atenção: são quatro metros de frente por cerca de onze ou doze metros de fundos, com um mezanino onde são expostos quadros de pintores e também se apresentam músicos, artistas plásticos e poetas performáticos. 

Júlia Ortiz, uma bela jovem, torcedora do Nacional (evitem elogiar o Penharol em sua presença), em pouco tempo de conversa confessou: “Aqui não temos best-sellers nas estantes principais; eles estão em pequena quantidade, numa área separada, quase escondidos.” Os best-sellers na La Lupa ficam confinados numa espécie de calabouço. Essa fala foge a qualquer lógica empresarial e foi a abertura de uma longa conversa. Entramos na La Lupa porque estava chovendo e fazendo frio. Mas para nossa surpresa encontramos ótimos livros e bom papo.

        Comprei alguns poucos livros, e novamente o poeta comprou um lote de obras de autores sul-americanos: Pablo Neruda, Gabriela Mistral, Mário Benedetti, Juan Carlos Onetti, Eduardo Galeano, Idea Vilariño. 

        A televisão ligada não me dizia muita coisa, um dvd tocava rock and roll e, na sequência, uma voz conhecida cantando em português: era Djavan. Mais um motivo para continuarmos a conversa com Júlia, que se declarou fã do cantor alagoano − para ela um brasileiro muito querido pelos uruguaios; para nós, orgulhosos, sorrisos largos, pois quem estava cantando era um conterrâneo, e dos mais ilustres.

        Os clientes que chegaram enquanto estivemos na livraria vinham pegar as encomendas; Neruda, Benedetti, Saramago, esses eu observei bem, confesso que com bastante curiosidade. Os livros que estavam nas estantes para ser comercializados são rigorosamente selecionados; são livros de arte, literatura (lá se encontra, para nossa felicidade, praticamente toda a obra de Clarice Lispector e alguns dos clássicos de Gilberto Freyre), ciências sociais, gastronomia, música e raros best-sellers, estes invariavelmente escondidos.

        Quando as lojas comerciais fecham suas portas, às 14 horas do sábado, a livraria La Lupa inicia a arrumação para as performances musicais. Todos os sábados, a partir das 18 horas, a música reina naquele pequeno espaço; os jovens lotam as dependências, chegando muitas vezes a ocorrer aglomeração na calçada.

        Montevidéu tem mais de 100 livrarias, e a La Lupa vem sobrevivendo nesse mercado concorrido onde as gigantes do ramo dispõem de melhores condições tanto para comprar como para vender ou distribuir, usando e abusando da internet. Jorge Larrosa, o proprietário, e Júlia Ortiz, a funcionária, vão rompendo barreiras e conquistando novos clientes, incluindo os alagoanos.   

 

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Democracia direta

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A democracia representativa tem dado sinais de esgotamento. Os representantes da população eleitos para os parlamentos (vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores) e para os executivos (prefeitos, governadores e presidente da República) não têm representado os interesses dos eleitores e muito menos da população.  

Os eleitos, de um modo geral, há exceções, evidentemente, o que melhor fazem é defenderem interesses privados, patrimonialistas e os seus próprios interesses.

A democracia direta é a ruptura com esse sistema de representação; nela, a própria população decide diretamente sobre o que é de interesse público. Os cidadãos através das redes sociais dizem o que querem para o seu bairro, cidade, estado e para o país.

A democracia direta é o exercício da cidadania no grau mais avançado que se conhece, sobretudo pela inovação tecnológica que a internet oferece: a participação do cidadão nas discussões dos seus interesses sem a intermediação da representação parlamentar ou mesmo do Executivo. A participação horizontal dos cidadãos interferindo com voz ativa nas decisões, exercendo o legítimo poder de pressão junto aos Poderes do Estado, é o maior ganho e a real participação na democracia.

A participação política tende a aumentar e a consolidar instâncias de poder com ampla discussão dos reais problemas da população.

A internet tem sido a ferramenta que mudou radicalmente a comunicação entre os cidadãos e entre o cidadão e as empresas. Para não falar do impacto que o exercício da cidadania tem causado junto ao Estado (Judiciário, Legislativo, Executivo e Ministério Público).  

Democracia não pode ser o voto como símbolo da expressão e vontade popular. A permanente interferência no dia a dia dos políticos e dos agentes do Estado tem sido o mecanismo mais eficaz para se exercer a cidadania plenamente.

As iniciativas populares são possibilidades de o cidadão propor mudanças, seja apresentando um projeto de lei, seja pedindo a modificação ou a revogação. Isso no plano legislativo. Exercer a vigilância sobre os agentes públicos e protestar ou mesmo exigir a mudança de atitude tem sido o novo no Brasil.

Os partidos políticos, as representações sindicais de trabalhadores e patronais e as demais organizações do sociedade civil, ou mudam as suas posturas, deixando de ser burocratizadas e dominadas por grupos internos, ou vão perder função diante das mudanças, dos avanços e da participação do cidadão na defesa dos seus interesses individuais e coletivos.

 

 

 

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Historiador debaterá importância da Revolução Russa no ano do centenário [1917-2017].

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O historiador e advogado Natanael Sarmento, participará hoje, 23/11, de um debate comemorativo ao  centenário da Revolução Russa [1917-2017], em Maceió. O tema será: Ecos da Revolução Russa no mundo e no Brasil.,  às 19 horas na sede do Sindicato dos Bancários de Alagoas.

Sarmento é Doutor em História pela Universidade Federal de Pernambuco (1998). Bacharel em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco (1978). Pós graduado lato sensu, em Direito, pela Escola Superior da Magistratura de Pernambuco (1995) e AVM - Faculdade Integrada RJ (2012).

O historiador, na década de 1980, estudou na Escola Internacional de Quadros do Partido Comunista da União Soviética, com longa militância acadêmica e politica no estado de Pernambuco, tendo sido dirigente do PCB naquele estado.

Ecos da Revolução Russa no mundo e no Brasil é o tema que vem debatendo em vários estados. “ a importância da Revolução Russa para o mundo no século XX é, mesmo após o fim da URSS, motivo de discussão e de reflexão a ser feita pelos comunistas e pela esquerda. É com esse proposito que me disponho a caminhar pelo país discutindo esse fato histórico relevante para a humanidade”, disse Natanael Sarmento.

Lançamento do Livro

Às Armas, Camaradas é o titulo da trilogia cujo primeiro volume foi lançado em 2016 (Editora Sarau das Letras, 184 p.), o segundo volume lançado em 2017 (Sarau das Letras, 284p.), trata da Insurreição militar dirigida pelo PCB em Natal, no Rio Grande Norte, registrando episódios curiosos, poucos conhecidos e outros, inéditos, dessa história.

O segundo volume aborda a Insurreição em Pernambuco, e contextualiza a situação política internacional, nacional e local, a Rebelião do 29 BC, a Batalha do Largo da Paz, a luta solitária de Gregório Bezerra, na tomada do Quartel general da 7ª Região Militar, no centro do Recife.

Serviço:

O livro será lançado após o debate

Dia 23 de novembro (quinta-feira)

Horário: 19 horas

Local: Sindicato dos Bancários de Alagoas

 

 

 

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ÀS ARMAS, CAMARADAS!

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Natanael Sarmento transforma pesquisa assentada em documentos e depoimentos da tese doutoral sobre a Revolução Comunista de 1935 em trilogia de linguagem acessível e quase coloquial com o título geral: Às Armas Camaradas!

O primeiro volume lançado em 2016 (Editora Sarau das Letras, 184 p.) trata da Revolução no Rio Grande Norte, registrando episódios curiosos, poucos conhecidos e outros, inéditos, dessa história. A tomada do Quartel do Exército 21 BC e da PM,  a participação dos líderes e das mulheres na vitória efêmera dos comunistas, na conquista da Capital Potiguar, a marcha das três Colunas que conquistam 2/3 dos Municípios do Estado, o recorde de exílios do governador deposto, da proclamação da Junta Popular Revolucionária, da edição do Jornal A Liberdade, a “expropriação” do Banco do Brasil, o pitoresco episódio dos  “achadores de dinheiro” a farsa da polícia potiguar antecipando o Plano Cohen das mirabolantes anotações do “ Comunista Bluche”, a pantomima inventada pela polícia do herói morto em combate soldado Luiz Gonzaga, do desfecho trágico da Guerrilha rural, do Vale do Açu. 

O segundo volume que está lançado em 2017(Editora Sarau das Letras, 284 p.) aborda a Revolução em Pernambuco, contextualiza a situação política internacional, nacional e local, a Rebelião do 29 BC, a Batalha do Largo da Paz, a luta solitária de Gregório Bezerra, na tomada do Quartel general da 7ª Região Militar, no centro do Recife, as ações e conquistas revolucionárias, em delegacias dos bairros da Capital e cidades de Olinda e Limoeiro,  a Guerrilha camponesa no Vale do Pajeú, Moxotó e São Francisco do interior pernambucano,  a  derrota e debandada dos rebeldes, as execuções criminosas da PMPE nas pedreiras da Muribeca, em Jaboatão e a devassa da “caça às bruxas”. Analisa a contradição dos números oficiais de mortos, feridos, prejuízos ao erário, faz detalhada classificação das explicações da Revolução no âmbito da historiografia brasileira e estrangeira.

O terceiro volume (s/d para lançamento) abordará os sucessos da Revolução de 1935, no Rio de Janeiro, a Capital Federal e também local escolhido para sediar o Comando Geral da Revolução, encabeçada por Luís Carlos Prestes, Olga Benário, Rodolfo Guioldi, dirigente do Birô Sul-americano, ente outros assessores da 3ª internacional sediada em Moscou.   

O autor considera “ideologia” no sentido de ocultação a pretensa história social contada pela historiografia dita “neutra”, a neutralidade é farsa, na sociedade de classes, por isso não esconde a defesa do projeto de Revolução Nacional-libertadora de 1935, compra briga com toda historiografia, inclusive os setores críticos ditos de esquerda, considerado por ele reformistas e revisionistas que perderam a perspectiva revolucionária da luta da luta de classes, esquecidos de que o papel do revolucionário é fazer a revolução. Não desconhece erros e equívocos, mas faz veemente defesa da revolução e dos revolucionários de 1935.

  

Serviço:

Natanael Sarmento é advogado e historiador, professor da Universidade Católica de Pernambuco.

O lançamento será durante a palestra Ecos da Revolução Russa no mundo e no Brasil.

Dia 23 de novembro (quinta-feira)

Local: Sindicato dos Bancários de Alagoas 

Horário: 19 horas

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