Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos

O deputado provincial Tomaz Espíndola,  redigiu e aparentou na sessão do dia 26 de maio de 1865, da Assembleia Legislativa Provincial o projeto de criação da Biblioteca Pública, numa tramitação célere o projeto em menos de um mês, no dia 10 de junho, é aprovado e dezesseis dias depois, no dia 26, o presidente da Província, desembargador Joao Batista Gonçalves Campos, torna o ato através da Resolução n.453.

O artigo 1º da Resolução anuncia: “ Fica criada no Lyceu desta capital uma Biblioteca Pública, a qual se comporá dos livros existentes no atual Gabinete do referido Lyceu pertencentes à Província e dos que forem sendo comprados pela presidência por autorização da Assembleia Legislativa Provincial”.

O prédio onde passou a funcionar a  biblioteca  foi construído por José Antonio de Mendonça, o Barão de Jaraguá, mas só na década de 1940 é que a edificação passou  a ser chamada de Palacete Barão de Jaraguá.

A Biblioteca Pública iniciou as suas atividades com o acervo bibliográfico de 2.072 obras escritas em várias línguas, como latim, francês, italiano, inglês, alemão, espanhol, árabe, grego, além de português, o que perfazendo 2.622 volumes e mais 547 folhetos e 1.366 estampas de botânica.

Passados 149 anos a Biblioteca Pública Estadual recebeu o nome de Graciliano Ramos, através do Decreto nº 29.175 de 2013.

A Biblioteca Graciliano Ramos após a restauração foi ampliada e passou a ocupar todo o antigo Palacete, antes dividia com o Arquivo Público. Acessibilidade é um dos principais itens da reforma, o prédio secular passou a contar com um  elevador e computadores e áreas destinadas as pessoas com deficiências e espaços para crianças.

Os usuários terão a disposição 95 mil volumes, acervo de obras raras. “Espaço exclusivo, dotado de protótipo de uma Biblioteca Modelo, para o atendimento voltado às Bibliotecas Públicas Municipais de Alagoas. Além do acervo literário, a Biblioteca dispõe de um acervo de obras de arte, em exposição permanente, e ainda o Memorial Graciliano Ramos um espaço dedicado à vida e obra do escritor alagoano aberto a visitação pública”.

A Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos ficou bem mais atrativa para os usuários que já a conhecia e será certamente uma surpreendente novidade para os jovens e as crianças que não conhecem.

Visitar a biblioteca será um grande programa e a partir daí o antigo Palacete do Barão de Jaraguá será reincorporado a vida afetiva dos alagoanos.

Finalizo, parabenizando o Secretario de Estado de Cultura Osvaldo Viegas e a diretora da biblioteca, a bibliotecária Maria Luiza Russo pelo grande obra entregue a cidade de Maceió e ao povo alagoano.

Fonte: Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos. In Sant’Ana, Moacir Medeiros, Pequena História da Biblioteca Pública Estadual, Maceió, Imprensa Oficial Graciliano Ramos, 2014, p. 67.  

 

  

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O cantor e compositor Robson Amorim

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Robson Amaral Amorim (1948), músico e compositor. Nasceu em Recife no dia 13 de novembro de 1948. Filho de Aderson Evaristo Amorim e Diva Amaral Amorim. Estudou no Colégio Marista de Recife. Aos dez anos, acompanhado dos pais e das irmãs, deixou a cidade e foi morar em São Paulo, cidade onde passou a viver com a família.

O pai, Aderson, trabalhava como vendedor da Guararapes Tecidos em Recife. Chegando em São Paulo, continuou trabalhando como atacadista de tecidos. A mãe, dona Diva, trabalhava como cabeleireira.

Robson continuou os estudos em São Paulo no Colégio Mackenzie. Ao sair da adolescência, procurou um trabalho. Deixou, assim, por falta absoluta de tempo, os estudos. Trabalhou em várias empresas, mas foi na Crusoé Discos – época de vinil – onde trabalhou duro por dezoito anos.

Ter trabalhado como vendedor em uma loja de discos influenciou Robson para a música. No entanto, alguns anos depois, reconheceu que sua formação musical e também o gosto pela composição foram moldados no trabalho na loja Crusoé Discos.

As conversas frequentes com clientes, músicos, colecionadores, professores e gente simples que cultuavam bom gosto musical definitivamente abriram um novo horizonte na sua vida, e até mesmo a perspectiva de um dia viver como músico profissional.   

A música sempre esteve presente em sua casa. A mãe e as duas irmãs tocavam piano. O trio musical da família era composto pela mãe Diva e pelas irmãs Rose Mary e Sonia Maria do Amaral Amorim.

Mesmo com a influência musical na família, o verdadeiro interesse pelo violão surgiu por meio dos festivais de músicas da TV Record e da TV Tupi nos anos de 1960, período de efervescência da música popular brasileira.

São aproximadamente 130 composições musicais, compostas desde o tempo em que trabalhou na loja de discos em São Paulo, onde começou a compor e encontrou o seu primeiro parceiro, o músico Paulo Viana. A maioria das composições com letras foi feita com Paulo Viana. A outra parte são músicas instrumentais. Até o ano de 2010 foram gravadas 10 composições deste tipo.

Robson Amorim tem como influência musical o músico Baden Powell, definido como seu “mestre auditivo”. Robson continua, incansavelmente, ouvindo as composições de Baden. Seja dia ou seja noite, na varanda ou no quarto, com ou sem o acompanhamento do inseparável violão.

Em Maceió desde novembro de 2004, encontrou um ambiente musical ricamente favorável, bem como a receptividade dos músicos e compositores locais, o que tem contribuído para enriquecer a sua produção.

Integrado à vida cultural, reaproximou-se do choro, gênero musical pelo qual, desde muito jovem, nutre grande paixão. Durante os últimos seis anos [2004-2010], produziu como nunca havia feito e com vários e diversificados parceiros, como os irmãos Marcos e Marcondes de Farias Costa, Stanley Carvalho, Ubirajara Almeida, Ricardo Cabús e Gustavo Gomes.

A maturidade musical e o crescimento da produção musical o fizeram apresentar seu trabalho em festivais e mostras, tanto em Alagoas como fora do Estado. Participou, em 2006, com a música autoral “Marisol”, da 3ª edição do Palco Aberto, projeto da Secretaria de Estado da Cultura (Secult).

Outro evento em que também conseguiu classificar músicas autorais foi na Mostra do SESC, nos anos de 2006, 2007 e 2008. Em 2006, a música classificada foi “Pequena Suíte Alagoana”, composta com Marcos de Farias Costa e interpretada pelo cantor alagoano César Rodrigues, com participação de Robson Amorim no violão, Ricardo Lopes na guitarra, Van Silva no baixo, Herbeth Vieira na bateria, Luizito no pandeiro, Ronalso na percussão e Uruba na flauta.

Em 2007, foi a vez da música “Chorei”. Composta por Robson em parceria com os irmãos Marcos e Marcondes Costa. Interpretada por Micheline Almeida, acompanhada de Van Silva (baixo), Wilbert Fialho (violões), Everaldo Borges (flauta), Josivaldo Jr. (teclado) e Herberth Vieira (bateria). 

No terceiro ano seguido, 2008, voltou a classificar uma canção no Festival do SESC. “Malicioso”, composta em parceria com Marcos de Farias Costa, interpretada por Micheline Almeida, Robson Amorim (violão), Toni Augusto (guitarra), Van Silva (baixo), Josivaldo Jr. e Juliano Gomes (teclados), Everaldo Borges (flauta), Ronalso (percussão) e Pantaleão (bateria).

Maceió consolidou-se como grande palco para Robson Amorim. Na capital alagoana, vem se apresentando em festivais ou em eventos organizados por órgãos estatais, como ocorreu no 1º Festival de Música do Instituto Zumbi dos Palmares (IZP).

A música “Chorar Simplesmente”, de sua autoria com Paulo Viana, foi gravada no 1º cd do Choro Alagoano, “Chorano”. Participou da trilha sonora do filme “Lá vem Juvenal”, curta-metragem produzido e dirigido pelo cineasta Hermano Figueiredo.

Robson Amaral é autor da vinheta da Secretaria de Estado da Saúde (SESAU) veiculada em rádios e televisões, campanha de combate a hanseníase.

Tem se apresentado semanalmente em casas noturnas e também em encontros vesperais dos sábados e domingos. O repertório é composto de músicas instrumentais e das suas composições e de autores alagoanos.

Em 2010, Robson classificou-se para o projeto “Quinta instrumental”. A apresentação aconteceu em 7 de outubro, no Teatro de Arena Sérgio Cardoso. Na oportunidade, foram mostradas músicas de sua autoria e choros de consagrados músicos brasileiros. Nessa apresentação, esteve acompanhado de Zailton Sarmento, Mikla, Wagner e Wilbert Fialho.

 

Fontes:

Marise Leão Ciríaco e Robson Amaral Amorim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Para não esquecer e não deixar que esqueçam

A Comissão da Memória e Verdade Jayme Miranda enviou a Porto Alegre e São Paulo, Olga Tatiana de Miranda, membro da comissão, e Geraldo de Majella, historiador e voluntário, para gravar o depoimento de Nilson Amorim de Miranda, ex-vereador, jornalista e ex-dirigente do PCB, no Rio Grande do Sul. Em São Paulo foi realizado contato com a direção do Arquivo Público do Estado e com o Laboratório do Centro de Arqueologia e Antropologia Forense (CAAF) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

 

Para a Universidade Federal de São Paulo foram transportadas 411 caixas, guardadas em 30 nichos ou sepulturas. O conteúdo dessas caixas são ossadas encontradas numa vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus, em 1990, e que desde 2002 estavam alocadas no Ossário Geral do Cemitério do Araçá, à espera de definição quanto à retomada da identificação. Antes, essas ossadas achavam-se jogadas numa sala inapropriada da Unicamp.

 

O Centro de Arqueologia e Antropologia Forense está realizando a análise científica para a identificação dos restos mortais das ossadas transportadas em 1.049 caixas. O grupo de trabalho é formado por arqueólogos e antropólogos da EAF – Equipe Argentina de Antropologia Forense e da EPAF – Equipe Peruana de Antropologia Forense e especialistas brasileiros.

 

É a primeira vez que se verifica o envolvimento de instituições dos três níveis da administração pública: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da prefeitura de São Paulo, e da Unifesp – Universidade Federal de São Paulo. Os trabalhos estão sendo coordenados pelas técnicas Márcia Hattori, Patricia Fischer e Luana Alberto.

 

O desafio está sendo enfrentado. É preciso que seja dito que na vala clandestina do cemitério de Perus foram possivelmente enterrados corpos de militantes políticos, pois três militantes políticos já foram identificados entre essas ossadas.

 

A busca incansável de familiares e de militantes dos direitos humanos é o que tem mantido a esperança de que talvez se encontrem outras ossadas de desaparecidos políticos.

 

O advogado Yuri Patrice de Miranda forneceu as amostras de sangue para o Banco de DNA de Mortos e Desaparecidos Políticos brasileiros e idêntico ato tem ocorrido com outros familiares de presos políticos que desapareceram nos anos mais duros da ditadura brasileira.

 

No Arquivo Público de São Paulo, Marcelo Chaves, diretor do Centro de Difusão e Ação Educativa, entregou à Comissão da Memória e Verdade de Alagoas os documentos pertencentes ao arquivo do Deops de São Paulo, em mídia eletrônica (CD-ROM), num total de 538 imagens. São elas imagens de Gastone Lúcia Beltrão, Luiz Almeida Araújo, Manoel Fiel Filho e Manoel Lisboa Moura.

 

Foi solicito ainda a Marcelo Chaves para que levantasse a documentação de: Gilson Souza Leão, Agrimeron Cavalcante da Costa, José Albuquerque Rocha, Jarbas de Holanda Pereira, Gildo Marçal Bezerra Brandão, José Thomaz da Silva Nonô Neto, Selma Bandeira Mendes, Sílvio da Rocha Lira, Paulo Elisiário Nunes, Sebastião de Sá Figueiredo, Adalberto Timóteo da Silva, José Maria Cavalcante, Alberto Passos Guimarães, Alberto Passos Guimarães Filho, Audálio Dantas, José Francisco de Oliveira, Henrique Cordeiro Oest, Aloysio Ubaldo das Silva Nonô, Mário Agra Júnior, Nelito Nunes de Carvalho, Teotônio Brandão Vilela e Nilson Amorim de Miranda.

 

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Festas Literárias em Alagoas

A FLIP é a Festa Literária Internacional de Paraty que ocorre anualmente desde 2003 na cidade de Parati, idealizada pela editora inglesa Liz Calder e organizado pela Associação Casa Azul, uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) presidida pelo arquiteto Mauro Munhoz.

Na primeira Festa Internacional de Parati o homenageado foi o poeta, diplomata e compositor Vinicius de Moraes. Ao tomar conhecimento, comprei as passagens aéreas, reservei hotel e fui a Parati. Foi paixão à primeira vista. Daí em diante fui a sete Flips seguidas.

Em Parati conheci Ovídio Poli Junior, idealizador e organizador da OffFlip, evento paralelo que inclui dezenas de escritores de várias cidades do país. O OffFlip tornou-se também um evento de repercussão nacional. Em companhia do escritor Carlito Lima participamos de algumas edições da OffFlip.

Os três primeiros homenageados foram Vinicius de Moraes (2003), Guimarães Rosa (2004) e Clarice Lispector (2005); em 2006, o homenageado foi o escritor Jorge Amado. A delegação alagoana, inicialmente composta por mim e Carlito Lima, agora recebia dois reforços de alta qualidade, o casal Janaina Amado e Luiz Carlos Figueiredo, residentes em Maceió.

Esse grupo no Rio de Janeiro se encontra com Dora e João Jorge Amado; numa van descemos a serra em direção a Parati. Numa das paradas João Jorge, filho de Jorge Amado, lança um desafio: por que vocês não organizam uma festa literária em Palmeira dos Índios, terra de Graciliano Ramos?

Respondemos que iríamos levar à frente o desafio. A conversa mudou de rumo e voltamos a falar de acontecimentos, e mais que isso, de “causos” engraçados.

O desafio não saiu mais de minha cabeça, nem da cabeça de Carlito Lima.  Quando voltamos ainda esboçamos a intenção de falar com o então prefeito de Palmeira dos Índios, Albérico Cordeiro, mas resolvemos aceitar a sugestão do médico Fernando Andrade, que conversou conosco na barraca Pedra Virada. Com muito entusiasmo, ele nos sugeriu a cidade de Penedo.

A proposta foi aceita e passamos a organizar a Festa Literária de Penedo (FliPenedo), que se realizou de 30 de novembro a 3 de dezembro. Num prazo de três meses, 28 escritores alagoanos e de outros estados participaram, sem cachê, e cerca de 4.500 livros foram doados às bibliotecas das escolas e aos estudantes. A FliPenedo teve uma única edição.

Em 2010, o escritor Carlito Lima, agora na condição e secretário de Cultura de Marechal Deodoro, criou a Festa Literária de Marechal Deodoro (Flimar). Em pouco tempo tornou-se um dos principais eventos culturais de Alagoas, dividindo essa salutar disputa com a Bienal do Livro de Alagoas.

Faço este registro para tornar público como uma ideia despretensiosa se materializa, ganha corpo e passa a influenciar uma nova geração de leitores e escritores.

A V Flimar homenageou o compositor, arranjador e cantor Djavan Caetano Viana (1949), alagoano de Maceió.

A sugestão de João Jorge Amado nasceu com o nome de FliPenedo e brotou no solo fértil de Marechal Deodoro pela cabeça e mãos de Carlito Lima.

Vida longa à Flimar.

 

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Cadê o Davi?

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Davi da Silva é negro, pobre, jovem, mora na periferia de Maceió desaparece após ser abordado por policiais militares. A dona de casa Maria José da Silva, mãe de Davi, tem chorando, batido em portas que não se abrem e menos ainda responde a pergunta da mãe desesperada: cadê o meu filho?

Os negros, jovens, pobres e moradores da periferia de Maceió são os mais vulneráveis do Brasil. Em Maceió a possibilidade de um jovem, negro ser assassinado é cerca de 20 vezes maior que em qualquer outra cidade do Brasil.

O comandante da polícia militar não vem a público explicar o que aconteceu e esse caso, como tantos outros, começa a ser “esquecido” pela (in)segurança pública de Alagoas e pela banalização da vida. 

Dona Maria José gravou um apelo dramático e postou nas redes sociais. A PM e a Secretaria de Defesa Social emudecida esperam o tempo passar e que outro fato tenebroso apareça para encobrir o desaparecimento de Davi da Silva.

Não podemos deixar esse caso entrar para a estatística do esquecimento oficial.

Cadê o Davi? É o que todos nós queremos saber.

 

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O Impacto da criminalidade na economia (II)

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A segurança pública não entrou definitivamente na agenda governamental nacional e estadual. As ações são reativas. O impacto da criminalidade na economia pode ser mensurado de vários ângulos; o econômico talvez seja o mais concreto. Mas como se devem tratar as crescentes perdas humanas e seus desdobramentos?

A juventude está sendo dizimada em Alagoas. Falar assim não causa impacto, afinal os jovens que estão morrendo são pobres, negros, moradores da periferia e com pouco poder ou sem poder para influenciar os formadores de opinião.

Os custos com a violência no Brasil atingiram a cifra de R$ 258 bilhões no ano passado – quase 6% do PIB, que é a soma de todas as riquezas que o país produz em um ano. É a conclusão do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Esses dados estão sistematizados no anuário da violência.

“Dos 258 bilhões gastos com os custos da segurança pública e da violência no Brasil, só R$ 65 bilhões são gastos com políticas públicas de segurança e com o sistema prisional. Isso significa que a gente gasta três vezes mais com os efeitos perversos da violência e da segurança privada do que com políticas públicas voltadas ao enfrentamento do crime e da violência”, afirma Samira Bueno, diretora do Fórum.

O improviso do governo federal na área da segurança vai ficando evidente quando não há politicas públicas consolidadas e as relações com os estados são pontuais. A secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki, diz que a violência só vai cair se houver integração dos poderes. “A solução está em aproximarmos o Judiciário da política de segurança pública e termos o respaldo da ressocialização dentro do sistema prisional”.

O Programa Brasil Mais Seguro foi lançado em Alagoas como um piloto na área da segurança pública. Não há mudanças significativas e menos ainda métodos de avaliação do programa que venha afiançar a sua eficácia. Os indicadores negativos na área levaram Alagoas à condição de estado mais violento do Brasil.

O Mapa da Violência de 2014 indica que em Alagoas, de 2008 a 2012, foram assassinadas 10.159 pessoas, 6.114 jovens (entre 15 e 25 anos), 60% do total de homicídios. Em Maceió no mesmo período ocorreram 4.799 homicídios; desses, 3.199 foram de jovens (67%).

       Os trágicos números apresentados pelo anuário revelam que em 2013, 490 policiais foram mortos, sendo 75% assassinados fora de serviço. E que 11% dos homicídios do mundo aconteceram no Brasil.

Os custos econômicos, sociais e humanos estão juntos, mas essa conta não fecha por uma razão simples ou relativamente simples: diante de tantas mortes, muitas delas evitáveis, não é possível colocar numa planilha de custos e depositar numa conta pública.

Essa questão é mais complexa e muito mais difícil de ser conduzida com serenidade e racionalidade como são conduzidas as questões econômicas em si. A violência tem um custo alto para toda a sociedade e tem impactado severamente a economia e as famílias.

 

 

 

 

 

 

 

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O impacto da criminalidade na economia (I)

O fenômeno da criminalidade tem sido estudado por pesquisadores brasileiros e estrangeiros. As pesquisas têm impactado o governo federal nos últimos vinte anos, de FHC a Dilma Rousseff.

Há esboços e tentativas de construção de politicas públicas sendo discutidas por técnicos e gestores, inclusive projetos pilotos têm sido testados.

        O governo federal, desde o primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, demonstrou ter-se curvado à realidade do crescente fenômeno da criminalidade no país.

Mas como a segurança pública é constitucionalmente uma atribuição dos estados, o governo federal é o polo passivo e só tem atuado quando solicitado pelos governos estaduais.

A participação do governo federal − a face mais visível − tem se dado pela Força Nacional de Segurança, tropa constituída por policiais militares, civis e peritos cedidos pelos estados, Alagoas inclusive.

A Força Nacional tem prazo predeterminado: são 60 dias, podendo ser prorrogado. Atua no policiamento ostensivo e auxilia a polícia judiciária na conclusão dos inquéritos instaurados por homicídios, tráfico de drogas etc.

Estados com dificuldades financeiras – é o caso da maioria − não poderão arcar com os custos da Força Nacional. Entretanto, superar a crise de insegurança pública não será possível mediante profissionais de segurança pública com baixa qualificação e também com orçamentos restritos, o que tem tornado difícil esboçar uma reação inteligente e eficaz para que seja superada a crise de segurança publica e haja redução da criminalidade.

A criminalidade é uma questão complexa e de dimensões multifacetadas, por isso mesmo suas razões estão fora do entendimento e do alcance das polícias e dos políticos. Essas polícias e esses políticos têm atuado ao longo dos anos com modelos anacrônicos e com foco exclusivo nas “políticas tradicionais” de segurança pública, as repressivas, que giram em torno de armamentos, construção de presídios e ações ostensivas, sem nenhum efeito duradouro e com resultados pífios.

Essa receita está esgotada. A sociedade exige políticas públicas de segurança em que os resultados se evidenciem e a paz seja o resultado concreto.

As experiências de políticas públicas, algumas delas, estão ainda em fase de implantação. Os resultados são pontuais, como nos casos de Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Há diferenças significativas entre um estado e outro, e até mesmo os estágios de execução são distintos. 

Em Alagoas, diante da explosão de violência das últimas décadas, há ações positivas e pontuais a serem estudadas, e já com resultados concretos. São as Bases de Policiamento Comunitário.

O controle da criminalidade e a reconquista do território para o Estado, como no caso do Rio de Janeiro, reduzindo os índices de violência urbana nas regiões metropolitanas e/ou nas cidades médias, são uma evidência de que a estruturação de políticas públicas para a área da segurança é a saída segura e duradoura.

As forças econômicas da sociedade estão há tempo submetidas ao estado de insegurança pública no Brasil. É raro identificar um político que faça constar em sua plataforma de governo o controle da criminalidade e a redução da violência, sem manipulação de dados estatísticos nem violações dos direitos fundamentais da população mais pobre e excluída.

Isso para não falar de que não há garantias concretas para os agentes econômicos e para a sociedade de que as políticas públicas na área social serão integradas com uma estratégia de governo.

A criminalidade crescente tem impactado a economia em várias regiões do país. Esse impacto pode ser mensurado, primeiro, pela insegurança provocada pelo tráfico de drogas em territórios sob o domínio de facções criminosas.

Segundo: o efeito devastador causado pelas disputas dos pontos de comercialização de drogas nos bairros atinge diretamente a educação, expondo a comunidade escolar (diretores, professores, funcionários, alunos e suas famílias)  e tornando-a presa fácil do conflito.

Terceiro: o aumento vertiginoso da criminalidade tem atingido majoritariamente os adolescentes e jovens que ocupam ou poderiam ocupar os postos de trabalho, irradiando um clima geral de insegurança na população e no empresariado.

Muito embora tenha havido discussões, não se chegou ainda a um consenso a respeito das melhores formas de atacar esse grave problema social.

O fato de a sociedade civil, suas agências e o empresariado ainda não fazerem constar de suas agendas a redução da criminalidade a níveis toleráveis requer a  mobilização geral de todas as forças sociais e atores políticos para que haja um controle da criminalidade e da violência como estratégia de governo.

 

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Poeta, compositor e boêmio

 

Paulo Renault Braga Villas Boas [1958-2003], poeta, compositor, funcionário público, trabalhou na Fundação Cultural Cidade de Maceió e Fundação Teatro Deodoro – Funted. Antes havia trabalhado como vendedor da Brahma. Nasceu em Maceió no dia 29/10/1958 e faleceu em Maceió no 19/11/2003. Filho de Renault Paranhos Villas Boas e Leda Braga Vilas Boas. Cursou até o 3º período de administração de empresas no Centro de Estudos Superiores de Maceió - CESMAC. Casou-se com a professora Márcia Maria Lima Villas Boas; o casal teve dois filhos, Rodrigo e Sergio Lima Villas Boas.

        A política foi um dos assuntos que mais atraiu Paulo Renault, além da poesia e da boemia. Tinha nas veias o sangue do histórico militante comunista Júlio de Almeida Braga, seu avô e um dos fundadores em Alagoas do Partido Comunista Brasileiro – PCB, razão fundamental de tanto falar do avó e de relatar em segunda mão as proezas do velho comunista nas prisões e durante a vida de operário e inventor de instrumentos mecânicos.

         Paulo Renault ousou na juventude entrar para a militância política no antigo PCB, mas logo admitiu não ser essa a sua opção de vida. Pediu “baixa” do PCB e seguiu o seu caminho de poeta e compositor. O que de fato estava certo, pois a política partidária não seria o melhor caminho para ele trilhar.    

Paulo Renault foi parceiro de Chico Elpídio, Eliezer Setton, Marcondes Costa e Carlos Moura, dentre outros. Das músicas compostas em parceria com os amigos, algumas foram gravadas. A temática de suas composições foi sempre focada na condição social do ser humano, seus desejos e suas fraquezas, com influências da bossa nova, da música de raiz nordestina e da MPB.

Integrou um dos mais importantes grupos musicais de Alagoas, o Grupo Terra. Esse conjunto musical foi criado no final dos anos 70 e permaneceu até o início dos oitenta. Márcia, sua companheira, diz que ele “possuía aguçado senso musical e uma voz privilegiada, com um agudo incomum, e que a sua relação com o violão – instrumento de sua predileção − era apenas a de um pretenso tocador, pois não se dedicava com a profundidade que gostaria ou deveria”.        

Os músicos que constituíram o Grupo Terra se tornaram uma referência da sua geração. Entraram de corpo e alma na produção de música alagoana, com forte influência do estilo regional. Durante a década de 70 despontavam no cenário artístico nacional grupos musicais como o Quinteto Violado e a Banda de Pau e Corda ambos pernambucanos.  

A motivação dos músicos era também a do compositor Paulo Renault, que tinha como uma das suas características pessoais o entusiasmo e a grandiloquência. Talvez por ser dessa maneira, “mergulhava de cabeça” em tudo que escolhia

A passagem pelos vários órgãos públicos de cultura era, além do seu oficio, um caminho para tentar se expressar politicamente no ambiente artístico e cultural das Alagoas.     

    

Autodidata

 

O temperamento irrequieto o conduziu por toda a vida – curta, é bom que se destaque. Morreu com apenas 45 anos. Era autodidata; sem que nunca houvesse estudado direção teatral, codirigiu com Paulo Déo, em 1995, uma peça do consagrado escritor gaúcho Moacyr Scliar, Introdução à Prática Amorosa.

Três anos depois, em 1998, ajudou a montar o espetáculo Maceió Cidade Aberta, com o seu amigo o cantor e compositor Chico Elpídio. Esse show foi baseado numa de suas obras, e os poemas foram musicados por Chico Elpídio. A direção ficou a cargo do experiente diretor José Márcio Passos.

O trabalho como produtor musical também o atraia e por muitos anos produziu shows de cantores alagoanos como Eliezer Setton, Leureny Barbosa, Nara Cordeiro, Wilma Miranda, entre outros. O envolvimento na produção não era restrito à montagem formal do espetáculo apenas mas acabava se envolvendo muitas vezes na escolha do repertório; opinava sobre os arranjos musicais e até mesmo sobre a apresentação no palco de cada um dos artistas.

Livros

 

 

A Saga do Toureiro é o primeiro livro, com 18 poemas inéditos, editado pela FUNTED em 1990. O livro fez parte da coleção Palco e Luz. Os poemas são críticos ao mundo capitalista globalizado, onde a ideologia do individualismo domina o mundo e transforma os seres humanos em objetos e/ou máquinas de consumo.

Quando Paulo Renault morreu, Maceió Cidade Aberta estava sendo produzido. Os 25 poemas que compõem o livro foram ilustrados por Mário Aloísio, arquiteto e seu amigo. Só em 2004 foi publicado pela Editora Catavento.     

Maceió Cidade Aberta é um conjunto de poemas em que a cidade e sua gente são retratadas. A identidade do poeta com a cidade natal rende muito mais que uma ode. É possível se perceber o que liga um poeta marginal aos marginalizados sociais. É a denuncia do cotidiano mais cruento, são os encontros e desencontros ocorridos entre Paulo Renault e Maceió.

A cidade que sucumbe diante da miséria a que sua gente é arrastada é a mesma cidade em que o poeta foi criado e andou pelos becos, ruas, avenidas, cruzou córregos e se banhou na lagoa Mundaú e no mar. O descaso e o sofrimento do povo e da cidade se confundem com a vida do poeta que romanticamente quer vê-la aberta, livre da miséria e feliz.

Renault produzia lentamente. Publicou apenas dois livros com 43 poemas; deixou outros poemas inéditos, letras de músicas e textos esparsos que merecem ser organizados em outro volume, para assim completar a sua obra.

 

 

O boêmio

 

         A boemia era uma das atividades que lhe davam prazer desde a adolescência. O bate-papo em bares, restaurantes e botecos, nas casas mais seletas ou na periferia, não o incomodava e da sua boca ninguém ouviria nenhum comentário ou resmungo. O boteco com três mesinhas à beira do riacho do Salgadinho era um termômetro da sua satisfação.

Agora imaginem os finais de tarde no Largo do Mercado de Jaraguá, no alegre Buraco da Zefinha? Um típico pé-sujo da cidade, mas que durante muitos anos foi frequentado por boêmios de várias extrações sociais. Era o local onde o poeta pontificava com mais assiduidade.

O samba cantado pelo cantor Zé Paulo era o que havia de melhor e diferente nas tardes de sábado em Maceió. O velho cantor de samba, com seus óculos escuros, adorno que o identificava muito mais que o documento de identificação, o RG. 

Os intervalos invariavelmente eram destinados aos recitais dos poemas de sua autoria ou de outros poetas. Os amigos, depois de tomar muitas, insistentemente solicitavam que Paulo Renault declamasse Vou embora pra New York, o seu mais conhecido poema. Era um delírio embebido no álcool. Palmas, assovios, gritos e mais bebidas, sempre.

No entorno do Buraco da Zefinha e do Poeta se formou uma confraria em estilo profundamente anárquico, e até foi criado um bloco de carnaval chamado Família Josefina. O bloco desfilou apenas um ano pelas ruas do bairro. O poeta foi um dos destaques. Fantasiado, desfilou pelas ruas e becos de Jaraguá. O ponto alto foi o momento em que solenemente foi afixada uma placa em homenagem à Rapariga (prostituta) Desconhecida.  

O território mais conhecido das prostitutas em Maceió recebeu em pleno carnaval essa singela homenagem póstuma. Nada mais justo do que se prestar uma homenagem pública às trabalhadoras do sexo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O poeta Zé da Feira

 

 

José Alves Feitosa, jornalista profissional (repórter fotográfico) e poeta. Nasceu em 29 de março de 1951 na cidade de Paulo Jacinto, Alagoas. Filho do cearense Antonio Alves Barbosa e de Rosa Feitosa Barbosa. O pai “seu” Antonio, trabalhador, passou parte da vida entre Alagoas e o Ceará, mas em 1960 o velho artesão toma uma decisão definitiva na vida: fixou-se em Paulo Jacinto, região serrana no agreste alagoano. Estabelecido na cidade montou uma pequena fábrica de calçados de couro.

A produção da semana era vendida aos sábados nas feiras de Viçosa e aos domingos em Paulo Jacinto. Os chinelos, as alpercatas e os sapatos eram de boa qualidade, rapidamente formou uma boa clientela nas duas cidades. O negócio era pequeno, não dispunha de capital suficiente para comprar matéria prima em quantidade suficiente para obter maior lucro. Mas mesmo assim criou a família com o suor do seu trabalho.

José, o segundo dos filhos, depois de perambular como cigano com o pai entre Alagoas e juazeiro do Ceará, e também após o falecimento da mãe, dona Rosa em 1963, foi estudar em Viçosa, cidade vizinha onde morava o avô paterno “Seu” Camilo. O contato com os cantores, a música popular e a poesia de cordel, abriu uma janela na vida do adolescente que mais tarde se tornaria poeta.

O ambiente de boemia em Viçosa, terra de grandes figuras, como o músico Zé do Cavaquinho, Teotônio Vilela, Octavio Brandão, José Maria de Melo, José Pimentel, José Aloísio Brandão, Alfredo Brandão, Sidney Wanderley, Denis Melo, Eloi Loureiro Brandão, Nelson Almeida e outros. Feitosa, diz sempre que: “Foi em Viçosa que iniciou o aprendizado do jornalismo e de minha profissão de repórter fotográfico.”

Trabalhou como repórter fotográfico em todas as redações de Alagoas, dos extintos Jornal de Alagoas, o mais antigo do Estado, que pertencia a cadeia dos Diários Associados e Jornal de Hoje, até os atuais Gazeta de Alagoas, Tribuna de Alagoas, na primeira fase do jornal, quando foi inaugurado e pertencia ao saudoso senador Teotônio Vilela. Novamente está trabalhando como repórter fotográfico na redação do jornal Gazeta de Alagoas.

O fotógrafo desenvolveu habilidade e apurou a sensibilidade no dia-a-dia: cumprindo pautas, fotografando a seca, a miséria no sertão de Alagoas ou em Maceió, captando cenas cruéis de crianças saciando a fome catando resto de comida no lixo para comer em bairros periféricos. O olho de repórter e a sensibilidade de poeta caminharam juntos, sempre e desse feliz casamento nasceu um grande fotografo e cidadão.

O dia-a-dia na redação de um jornal é, para muitos, enfadonho, sem grandes perspectivas, mas para José Feitosa, essa rotina foi superada com os projetos que desenvolveu. O afastamento temporário das redações aconteceu em vários momentos. Primeiro vieram as campanhas eleitorais, ao ser tratado para cobrir campanhas de candidatos majoritários tanto ao governo de Alagoas como ao senado da República, em 1982 e 1986.

Nas eleições de 1982 entregou-se de corpo e alma, passou a ser fotógrafo e poeta oficial dos candidatos José Costa e José Moura Rocha. O Brasil desde 1966 não elegia os governadores dos estados, a ditadura militar havia acabado com as eleições diretas através do voto popular, os governadores passaram a ser escolhidos pelas assembléias legislativas.

A década de 1980 entrou com esperanças de que o país superaria a ditadura militar. José Feitosa foi eleito dirigente sindical, em diversas oportunidades e para diversos cargos na diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas. O movimento sindical brasileiro havia crescido, greves eram proibidas, mas os trabalhadores vinham realizando movimentos paredistas em vários estados e categorias, os jornalistas de Alagoas também fizeram a sua em 1979.

A luta contra censura nas redações era uma das principais bandeiras dos jornalistas. Em todos esses momentos esteve presente o jornalista e poeta José Feitosa, o Zé da Feira. 

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O legado das eleições

A reeleição da presidenta Dilma Rousseff (PT) é indiscutível. Em menos de uma hora, Aécio Neves (PSDB) admitiu a derrota e ligou, parabenizando a candidata reeleita.

A segurança e a rapidez como têm ocorrido as eleições no Brasil − há mais de uma década – são um dos pontos a ser destacado pelos brasileiros, fato que tem chamado a atenção de outras democracias. É um exemplo o desenvolvimento e o uso de tecnologias no processo eleitoral.

Já que falamos mal de tantas coisas, esse é um legado a ser cultuado no país. Por ter se incorporado à vida nacional, poucos se dão conta de que a democracia no Brasil tem se fortalecido ainda mais. As eleições são limpas e não se fala mais em fraudes eleitorais.

O acirramento dos ânimos nas ruas e principalmente nas redes sociais foi uma nota destoante; embora compreensível, nem assim podemos tratá-lo como algo positivo. O resultado do embate sem quartel – dos dois lados – ativou a xenofobia, o preconceito e o ódio entre as regiões, ou seja, sulistas x nordestinos.

De quem, onde e como surgiram essas manifestações odiosas, não é possível identificar, mas não se pode fugir da realidade cruel deixada como resultado do processo eleitoral.

Diz a boa tradição que o vencedor deve manifestar os melhores gestos e procurar arrefecer os ânimos. As avaliações de muitos comentaristas políticos nas rádios, jornais e nas televisões abertas e por assinatura se centraram na divisão do país.

Essa divisão na realidade nunca deixou de existir. O Nordeste pobre e com poucas possibilidades de superar a pobreza é secular. Mas os brasileiros nascidos no Nordeste sempre se sentiram brasileiros e construtores dessa nação fantástica chamada Brasil.

Procurar dividir ou abrir uma fenda a partir de refregas eleitorais é golpe baixo.

Os legados positivos do processo eleitoral devem ser conservados, e quanto aos negativos, como o preconceito, o ódio e a insídia, é dever dos democratas, do governo e da oposição lutar decididamente contra eles.

Dilma Rousseff venceu. Que os que perderam as eleições continuem na oposição ao governo e, mais ainda, na defesa do Brasil.

Na democracia quem ganha as eleições governa e quem perde fica na oposição.   

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