A Alagoas que emergiu das urnas

 

 

O deputado federal Renan Filho (PMDB) venceu as eleições para governador de Alagoas no primeiro turno com 52,16%. O seu oponente, o senador Benedito de Lira (PP), obteve 33,91% dos votos válidos.

 

A vitória do peemedebista confirmou o que as pesquisas indicaram durante a campanha. A Alagoas que Renan Filho vai administrar é conhecida, pelo menos estatisticamente, pois lhe foi apresentada na pré e durante a campanha eleitoral.

 

Os estudos realizados pelos consultores contratados identificaram os problemas e também indicaram os caminhos para superá-los. Os três eixos principais discutidos na campanha eram comuns a todos os candidatos: saúde, educação e segurança pública, acrescidos da renegociação da gigantesca e impagável dívida do estado de Alagoas com a União.  

 

A dívida é um problema a ser resolvido entre o plenário do Senado Federal e a presidência da República, passando pelo Ministério da Fazenda.

 

A crise sistêmica na segurança pública é inegavelmente o pior e mais complexo problema a ser superado. A redução das altíssimas taxas de violência pode parecer algo a ser resolvido com decisão política, como se quer passar para a opinião pública, com pulso forte e colocando mais polícia nas ruas. E coisas do gênero.

 

São necessários mais policiais nas ruas − não se fala o contrário −, mas os policiais terão de ter uma eficiente formação técnica, o que não vem ocorrendo nos últimos anos em Alagoas.

Os governantes em poucos meses percebem – quando querem perceber − que o problema é mais complexo e tem inúmeras variáveis. A reestruturação da segurança pública, a gestão amadora e empírica, tem de ser substituída por mecanismos modernos de gestão de pessoas e eficiência na execução das políticas pública na área.

 

Para que isso se torne factível o governador terá de tratar a questão com absoluta disposição e abertura suficiente para ouvir as comunidades conflagradas, os pesquisadores e instituir mecanismos modernos de controle das polícias. Terá também, óbvio, de ouvir as polícias e os órgãos técnicos vinculados à segurança pública.

 

Não se deixar contaminar com as vozes oriundas das corporações. E não usar as polícias como instrumento político. Esse é um detalhe fundamental. Tratar a segurança pública com profissionalismo, sabendo que um erro nesse campo comprometerá a sua administração. Exemplo histórico não falta em Alagoas.

 

 As polícias têm representação no parlamento, realizam permanentemente lobby político nas diversas instâncias da administração pública e nos três poderes.

 

As duas outras áreas, saúde e educação, são também importantes e complexas na sua efetividade. A melhoria das condições de trabalho dos profissionais é importante. É esperado pela sociedade que a melhoria dos serviços e a remuneração dos funcionários públicos ocorram numa relação direta.

 

Mas como abordar essa questão com tão poucos recursos orçamentários de um lado e a massa de funcionários desestimulados do outro? Tudo isso é parte dos desafios do novo governante.

 

O que emergiu das urnas pode ser traduzido como esperança e pressa no encaminhamento dos problemas.

 

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Não vamos desistir do Brasil

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As pesquisas divulgadas pelo Ibope e Datafolha estão indicando, com algumas diferenças, que haverá segundo turno na eleição para presidente da República.  

Os eleitores de Marina Silva – 40 - a candidata mais atacada pelos adversários - devem aumentar ainda mais os esforços para garantir os votos suficientes para mantê-la na disputa indo para o segundo turno.

O esforço extra é fundamental diante da renhida disputa pelo segundo lugar com Aécio Neves. O segundo turno entre Dilma e Marina Silva, é o cenário ideal para se travar a luta por mudanças no Brasil.

Não vamos desistir do Brasil.

Marina 40.

 

 

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A cidade e as bibliotecas

As cidades surgem em lugares muitas vezes inesperados, à beira-mar, de lagos, restingas. Maceió é um exemplo: bate com os costados no oceano Atlântico, mas não deixou por menos, abriu o seu coração para os canais e manguezais da Mundaú; outras foram construídas em topo de montanhas, depressões vulcânicas, às margens de rios, como Anadia, banhada pelo São Miguel.

Maceió, para o historiador Craveiro Costa, “nasceu espúria (...) no pátio de um engenho colonial, sem ascendência conhecida e assentamento autorizado nas crônicas do período histórico da luta pelo domínio do gentio e conquista da terra”.      

 O sítio histórico tido por Craveiro Costa como sendo o núcleo formador de nossa cidade conserva, apesar de maltratado, um conjunto arquitetônico importante. As construções remanescentes dos séculos XIX e XX localizadas na praça Pedro II resistem, não sabemos como e de que maneira, à fúria da demolição do patrimônio histórico formado ao longo dos séculos.

Abstenho-me de encampar a polêmica versão sustentada por Craveiro Costa, que defendeu a tese de que a cidade surgiu a partir do engenho Massayó, que moeu cana e fabricou açúcar onde hoje se localiza a Assembléia Legislativa e suas adjacências. Décadas depois, essa tese foi contraditada pelo pesquisador Moacir Sant’Ana, que afirma, baseado em documentação, haver Maceió nascido à beira-mar, na enseada de Jaraguá. 

No quadrado onde foram erguidos os prédios da Assembléia Legislativa, a Catedral metropolitana, a sede do Ministério da Fazenda, o Arquivo e a Biblioteca Pública estadual, além da majestosa estátua do imperador Pedro II, que do centro da praça a tudo impávido observa, antes existia um bem cuidado jardim; restaram apenas as árvores centenárias, oitizeiros e palmeiras imperiais que continuam a ornamentá-lo, oferecendo sombra ao cidadão que ao passar pelo antigo logradouro pode livrar-se do sol escaldante do verão alagoano.

As cidades cada vez mais se tornam conhecidas através dos seus símbolos econômicos, intelectuais e culturais. Em Maceió ocorre o oposto: a representação do passado é o canal que a todo instante denuncia a ignorância e o obscurantismo, por não ser preservada. É fácil constatar isso ao caminhar pelas ruas centrais da cidade e com atenção olhar o casario abandonado ou já destruído.

 

Bibliotecas da cidade

 

A Biblioteca Pública estadual é a voz necessária encravada no centro de Maceió. Ao ser transferida da rua do Comércio, na década de 1960, para o atual prédio, ganhou espaço e pompa ao ser instalada no novo edifício, ajudando portanto a manter o clima de efervescência intelectual na cidade. Teve o acervo ampliado e ganhou melhores acomodações.

A criação da Universidade Federal foi decisiva e, daí em diante, outras escolas de ensino superior foram abertas em Maceió. As mudanças no mundo cultural são expressivas, mas um dado é preocupante nesse contexto: a biblioteca estadual continua a ser a única a prestar serviços à comunidade e a preservar um acervo que a cada dia se deteriora pela falta de recursos destinados à manutenção e à modernização desse imprescindível equipamento cultural público. Atualmente, os maiores freqüentadores são os estudantes da rede pública de ensino, moradores de bairros distantes.

Os avanços tecnológicos têm modificado hábitos de pesquisadores e de estudantes: a facilidade de se obter informações através da rede mundial de computadores, a internet, é o diferencial em relação ao que se realizava no passado recente, quando a biblioteca, enquanto instalação física, era determinante. Ao conectar–se, qualquer um entra nas principais bibliotecas do Brasil e do mundo.

Localizado no centro da cidade, rua do Sol, com a ladeira do Brito, o Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas - IHGAL, fundado em 1869, mantém extraordinário acervo onde a história, a geografia e a cultura da gente alagoana estão  efetivamente preservadas e postas à disposição dos que têm interesse em pesquisar esses temas. A biblioteca do IHGAL tem milhares de volumes, muitos desses, raros; há ainda coleções de periódicos em sua hemeroteca, que vem sendo formada desde o século XIX até os nossos dias. 

O IHGAL é na atualidade o principal guardião da memória alagoana e certamente, por ser uma instituição privada, é que pôde ao longo de 136 anos manter em excelentes condições de conservação o rico acervo formado essencialmente pelas doações de seus sócios.

A Academia Alagoana de Letras, também localizada no centro da cidade, é outra instituição que tem se preocupando em organizar uma biblioteca e em dar acesso ao público, principalmente aos pesquisadores. E pode-se afirmar que o acervo já catalogado é uma das referências na cidade na área de literatura, muito embora pouco conhecida.

A Fundação Jayme de Altavila – Fejal, mantenedora do Cesmac, tem surpreendido a todos com a organização e com o crescimento do acervo bibliográfico. Há uma nova concepção em prática naquela instituição, na qual a biblioteca central tem recebido investimentos na modernização e na ampliação do seu acervo, inclusive tendo sido incorporada parte considerável da biblioteca do historiador Jayme de Altavila, que empresta seu nome à instituição.

Infelizmente o mesmo não podemos dizer do enorme acervo bibliográfico, patrimônio valioso da Biblioteca Central da UFAL. São milhares de volumes em situação precária, sem falar de outros tantos milhares de livros amontoados em depósitos,  ainda não catalogados e postos à disposição dos alunos e dos pesquisadores. É o sinal do sucateamento da universidade pública brasileira, obra que ardilosamente vem sendo executada durante as últimas décadas. A alegação para tal descaso é a crônica falta de recursos financeiros.

Mas o mundo encantado das bibliotecas pode ser visualizado no bairro do Poço, na biblioteca do Serviço Social do Comércio - SESC, pela movimentação de milhares de jovens,  principalmente, que para ali acorrem. É, creio, a única biblioteca da cidade que empresta livros à população há quase três décadas, contribuindo assim para a formação de leitores daquele bairro popular e de outros que para lá se dirigem com esse fim.

 

O leitor essencial

 

A magia da leitura e o encantamento das bibliotecas atraem milhares de leitores. Desde a década de 1970, consta como usuário assíduo, Walfrido Pedrosa de Amorim – Nô Pedrosa, como é conhecido, personagem tradicional da esquerda alagoana. A carteirinha de usuário da biblioteca é talvez a identidade desse velho e irrequieto leitor.

A figura pública de Nô Pedrosa, ex-militante do PCB na juventude, é sempre associada ao anarquismo, militância que abraçou como opção de vida. De uma coisa ele não pode ser acusado: de que não gosta de livros e de bibliotecas. Fez disso um sacerdócio; digo isso consciente de que estou proferindo uma heresia, já que o incrédulo anarquista talvez não entenda que o seu modo de viver seja um sacerdócio.

Esse personagem é uma raridade em nossos tempos, despojado de qualquer apego a bens materiais. Assim é conhecido, mas para muitos é tido como louco; para outros, é um ser integrado à paisagem urbana de Maceió e umbilicalmente vinculado à Biblioteca estadual. Foi a partir desse local que chegou a formar seguidores durante a década de 1970, quando resistir à ditadura militar era, também, freqüentar o grupo do Nô Pedrosa, em frente à BPE.

O fato de nunca ter vendido a sua força de trabalho a qualquer patrão o torna um ser que vive livre das amarras da sociedade capitalista. Encantado com os livros, continua a viver como nasceu: livre. Devemos manter a luta para que seja criada, em Maceió, uma rede pública de bibliotecas. Assim iniciaremos a grande caminhada em direção ao futuro, quando os livros passarão a ser um bem essencial e disponível a todos.

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Sobreviventes das Alagoas - os sebos de livros

         

        Os sebos em Maceió têm crescido nos últimos anos e vêm se tornando um “mercado promissor”. Fazem-se visíveis as livrarias de usados em um improviso generalizado, funcionando em logradouros públicos. São locais onde se vendem livros, dicionários, almanaques, discos, cd-rom, dvds, revistas e outros produtos culturais. A maioria deles está localizada nas ruas dr. Pontes de Miranda, marechal Roberto Ferreira, do Imperador  e barão de Atalaia. São dezenas de barracas encostadas no gigantesco  paredão da Assembléia Legislativa e alhures. Nessa área concentra-se a maioria dos sebos da cidade, mas há os diferenciados.

 

Um dos primeiros sebos da cidade

      

        O crescimento dessa atividade em Maceió tem contribuído para a difusão da cultura, mas por ironia do destino o aparecimento, da forma descrita por mim, ocorreu de uma maneira não usual - pela singularidade. Um dos primeiros comerciantes nesse tipo de atividade foi uma pessoa simples, do povo, “de poucas letras”, que havia frequentado alguns poucos anos de salas de aula, e que antes de descobrir esse filão exercia uma atividade profissional típica dos excluídos, dos pobres: a de carroceiro.

        Benedito Ferreira Lima, o Biu, como era conhecido, se tornou o primeiro, creio, vendedor de livros usados estabelecido no paredão da Assembléia Legislativa, em meados da década de setenta. O livro, para Biu, não passava de uma mercadoria que ele comercializava a preço baixo em relação aos das livrarias legalmente estabelecidas. Dessa forma o ex-carroceiro sustentou a si e à sua família.

O livro evolui como parte do processo de desenvolvimento das civilizações, até chegar ao que atualmente conhecemos, passando por várias fases: a do papiro, a do pergaminho, chegando ao papel manufaturado, confeccionado a partir de trapos, e alcançar a fase do papel industrializado, feito de pastas de madeira, para hoje tornar-se virtual. O nosso livreiro jamais soube desta longa e difícil trajetória, mesmo que de forma remota ou ilustrativa, mas o fato é que ele conseguiu involuntariamente estimular o que hoje podemos denominar de corredor cultural do “Paredão da Assembléia”.

 

O surpreendente início

 

        No começo, Biu negociava com papel velho, garrafa, lata e outros objetos, hoje em dia denominados “recicláveis”. Um certo dia comprou, a preço módico, uma biblioteca, de uma tradicional família alagoana desejosa de livrar-se finalmente daquele estorvo. Biu iniciou o transporte em sua carroça, por ele próprio puxada – conhecida como “burro sem rabo”. Cansado, parou na praça Dom Pedro II, em frente à estátua do imperador, um belo monumento construído em homenagem a Sua Majestade; ao arriar a carroça, pesada, cheia de livros, os transeuntes, vendo a inusitada cena, foram parando e aglomerando-se em torno da carroça: iniciava-se ali mesmo a venda dos livros, adquiridos inicialmente como papel imprestável, destinado a embrulho.

Ao despertar o interesse dos “clientes” que transitavam apressados pela praça, ato contínuo Biu percebeu sua nova e repentina aptidão, sem sequer saber ao certo como deveria chamá-la, mas o fato inquestionável é que agora ele inaugurara nova atividade comercial.

O destino da carga foi subitamente alterado, e a “montanha” de livros comprados das famílias ilustres de nossa capital teria destino glorioso: a difusão da cultura. Não mais papel para embrulhar mercadorias vendidas no Mercado Público, em bancas fedorentas de peixes, mariscos, verduras, frutas, crustáceos, além dos embrulhos de sabão, prego, material de construção etc.

        Passados mais de 10 anos de sua morte, acontecida quando contava ainda 48 anos de idade, percebemos hoje que ele nos deixou a  perseverança como legado cultural - os sebos do centro de Maceió cresceram e se tornaram referência -, e uma nova geração de livreiros surgiu. Nesse contexto, a segunda geração de sua família deu continuidade, através do seu filho, José Augusto da Silva Lima, que desde os oito anos de idade trabalhava na banquinha do pai, estabelecendo-se posteriormente como proprietário de uma livraria de usados.

        O livro está distante de se tornar um produto essencial à vida da população, que não o considera gênero de primeira necessidade. Os preços proibitivos têm transformado os livros em produtos para poucos. Talvez esse seja o motivo do crescimento de freqüentadores de sebos, o preço relativamente acessível se comparado aos das livrarias estabelecidas.

        Na falta de alfarrábios mais sofisticados, com raridades bibliográficas, os sebos improvisados do “Paredão da Assembleia” e das ruas adjacentes vão sobrevivendo às intempéries: enfrentam sol, chuvas e enchentes, a voracidade dos roedores inimigos declarados dos impressos, esses convivas folgados que transitam pelos logradouros da capital causando enormes prejuízos aos proprietários de lojas e bancas.

        A pouca visibilidade que este comércio tem deve-se talvez a que os seus consumidores são oriundos de classes sociais pauperizadas ou mesmo a baixa classe média, que velozmente se proletariza. Porém, diante da pobreza material da população e das altas taxas de desemprego, os que ainda conseguem manter seus negócios em face de um quadro econômico adverso pela persistência laboriosa e enfrentado as pesadas peculiaridades e preconceitos de toda ordem, merecem nosso respeito e elogio pela dignidade com que exercem o seu ofício.

 

 

 

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O cinéfilo das Alagoas

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Elinaldo Soares Barros [1947], crítico de cinema, cinéfilo, jornalista e professor de educação artística, nasceu em Maceió, dois dias antes do natal de 1947, no dia 23 de dezembro, filho do casal José Soares Filho e Elita Soares Barros. Estudou no Colégio Estadual e na Universidade Federal de Alagoas, onde iniciou as suas atividades político-culturais, sendo eleito segundo secretário do Centro Acadêmico do Instituto de Letras e Artes (ILA), na gestão de Élcio Verçosa, no biênio 1968/69.

Licenciado em Letras pela Ufal em 1970, trabalhou como professor do Colégio Guido de Fontgalland e a partir de 1974 no Curso de Educação Artística do Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac).

A segunda metade da década de 1960 foi o período em que a ditadura militar recrudesceu e a censura às manifestações artísticas e políticas atingiu o seu ápice. Nesse momento difícil, um grupo de jovens cinéfilos organiza o Cinema de Artes em Maceió, tendo à frente Radjalma Cavalcanti, Gildo Marçal Brandão e Imanoel Caldas.

Todos esses jovens tinham em comum o gosto pelo cinema e pelas artes, alguns também pela política. Nem todos eram vinculados à política, mas ao movimento estudantil e suas vertentes.

Elinaldo, estudante de Letras e já cinéfilo, frequentava desde a infância os cinema de bairro, que existiam naquela época: o cine Lux, na Ponta Grossa, o Ideal, na Levada, e o Royal, no centro. Integrou essa turma de difusores da sétima arte em Maceió.

O jornalismo na década de 1960 em Alagoas ainda tinha um aspecto romântico e boêmio. Nem todas as seções do jornal eram profissionalizadas; o caderno de cultura era uma dessas áreas do jornalismo que necessitavam de colaboradores, e foi a partir da critica de cinema e até mesmo das crônicas esportivas que intelectuais e jovens universitários passaram a colaborar mais assiduamente.

 

Os primeiros trabalhos publicados de sua autoria foram crônicas esportivas no Diário de Alagoas. Com o fim desse jornal, passou a escrever criticas de cinema no Jornal de Alagoas, que na naquela época era o mais antigo jornal do Estado, órgão de comunicação impressa onde mais publicou, inclusive assinando uma coluna chamada “Cinema”.

Colaborou ainda em outros jornais diários e semanais como: Gazeta de Alagoas, Tribuna de Alagoas, O Jornal e O Diário. Escreveu em 1985, para o jornal do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Voz da Unidade, o artigo “Uma Visão Histórica do Cinema de Alagoas”. Ainda escreveu nos jornais e revistas que foram surgindo e logo em seguida despareciam, em alguns casos sendo obrigados a fechar por força da pressão econômica. Foi o caso da revista Última Palavra. Versátil, também colaborou com o jornal semanal da arquidiocese de Maceió, O Semeador.

A longeva atividade de critico de cinema, toda ela exercida como colaborador nos jornais e nas televisões de Alagoas, o coloca na condição do mais influente intelectual nessa área. Formou várias gerações de professores, jornalistas e de espectadores.  

Foi comentarista de cinema na Tv Gazeta, afiliada da Rede Globo. Atualmente é comentarista da Tv Pajuçara, afiliada da Rede Record em Alagoas. Em companhia do médico e acadêmico Ismar Gatto e de Maria Flora de Melo Soares, sua esposa, produziu um programa que marcou época no rádio alagoano: “Difusão Cultural”, veiculado pela Radio Educativa FM.  

Na década de 1970 o Diretório Central dos Estudantes da Ufal organizou alguns Festivais Estudantis de Música Popular. Imediatamente foi convocado pelas lideranças estudantis para colaborar. 

Na condição de funcionário da Secretaria de Cultura participou da organização de outros eventos importantes, como o Festival de Fotografia, o Salão de Humor, o Festival de Verão de Marechal Deodoro e vários Seminários de Literatura. Ainda foi diretor, por dois anos, do Museu da Imagem e do Som (Misa).

O maior e mais significativo momento do cinema alagoano ocorreu entre 1975 e 1982, período em que foi criado o Festival do Cinema Brasileiro de Penedo (AL), um evento de excepcional importância para os cineastas locais e também para a produção nacional, com sede na cidade barroca ribeirinha de Alagoas. Os festivais atraíram público, cineastas e produtores de várias partes do país e passou a ser uma das referências do cinema nacional. Em todos os festivais de cinema trabalhou na organização, pois na época era funcionário do Departamento de Assuntos Culturais (DAC) da Secretaria de Educação do Estado de Alagoas.

É critico de cinema em Alagoas desde 1969. São 42 anos de atividades ininterruptas. Em 2010, foi relançado em segunda edição o livro Panorama do Cinema Alagoano, sob o patrocínio do Cesmac.

Obras de Elinaldo Barros: Panorama do Cinema Alagoano, apresentação de Jorge Barbosa, capa e montagem fotográfica de Esdras Gomes, Maceió, DAC/Senec/Sergasa, 1983; Cine Lux: Recordações de um Cinema de Bairro, Maceió, Edicult/Secult, 1987 (prêmio da AAL em 1988); Rogato: a Aventura do Sonho das Imagens em Alagoas, com uma Apresentação Quase Desnecessária, de José Maria Tenório Rocha, Maceió, Secult [1994]; O Povo Diante das Lentes, in Arte Popular de Alagoas, de Tânia Pedrosa, p. 105.

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As livrarias e os livreiros

 

Há entre as profissões uma que particularmente me seduz: a de livreiro. Comercializar livros é disponibilizar um bem cultural que contribui para transformar as pessoas e o mundo.

É recorrente lembramos de livreiros e livrarias. Monteiro Lobato foi múltiplo, criou a livraria Brasilense, foi editor, jornalista e um extraordinário escritor. Outro nome que sobressai no cenário nacional é o de José Olympio, editor e livreiro. Na sua famosa livraria os principais intelectuais do Brasil se reuniam. Entre esses o alagoano Graciliano Ramos, junto a Jorge Amado, José Lins do Rego, Raquel de Queiroz, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e tantos mais. Os encontros diários na livraria José Olympio se tornaram célebres e marcaram definitivamente a história da literatura brasileira.

Não é raro ouvirmos referências às livrarias que foram importantes, mas que por motivos outros fecharam suas portas. Essas lembranças surgem num clima de certa nostalgia, seja entre jovens intelectuais, estudantes, ou entre antigos leitores que freqüentaram ambientes agradáveis como são os das livrarias. Por mais simples e singelas que sejam, paira nas livrarias uma aura de saber sobre os livros e prateleiras.

As gerações que adquiriram o hábito da leitura e estabeleceram com o livro uma relação de amor sentem pelas livrarias uma atração indescritível, diferentemente dos que estão se formando em contato direto com o mundo virtual. O livro em papel é algo menos prazeroso, imagino. As janelas que se abrem ao mundo através da tela de computador vêm via conexão à rede mundial, onde é possível acessar as mega-livrarias virtuais que disponibilizam milhões de títulos em todos os idiomas e dialetos. Algo impensável até bem pouco tempo. Isso evidencia que o livro no formato tradicional continuará sua trajetória secular e insubstituível.

 

Antigas livrarias de Maceió

 

Livraria em Maceió sempre foi uma atividade econômica de pouca expressão. No entanto, esse tipo de negócio marcou época na cidade e na vida cultural de Alagoas. A livraria Casa Ramalho, fundada por Manoel Joaquim Ramalho, foi um grande marco na vida cultural de Alagoas no século XX. Estabelecida na rua do Comércio, funcionava também como editora. Pela Ramalho, nomes como Jayme de Altavila, Humberto Bastos, Alfredo Brandão, Craveiro Costa, Théo Brandão, Abelardo Duarte, Felix Lima Júnior, Humberto de Araújo Cavalcanti e tantos outros importantes intelectuais foram editados e tiveram seus livros vendidos por mais de setenta anos.

A rua do Comércio era o principal logradouro da “Maceió de Outrora”. Nessa mesma rua funcionou por muitos anos a livraria José de Alencar, propriedade do Enéas, local que também aglutinou intelectuais nas décadas de cinqüenta, sessenta e setenta na cidade. Já na Moreira Lima reinava a livraria Castro Alves do livreiro José Barros.

Em Maceió, na década de 1970, instalou-se a Livro 7, livraria originária de Recife que funcionou de 1976 a 1983, e ajudou durante esse período na ampliação do horizonte de leituras na cidade. Quando o País vivia as agruras de uma ditadura militar, o mercado editorial se ressentia em não poder editar livros que aos olhos dos ditadores eram tidos como subversivos. A intensa censura aos meios de comunicação, as artes em geral ampliava o terror, intimidava, para dizer o mínimo.

Os editores mais ousados corriam os riscos e colocavam pequenas edições no mercado. A Livro 7 era uma dessas livrarias que ousava e corria os riscos necessários para difundir os bons livros e arejar o ambiente pesado e turvo da cidade. Comercializar livros que expressassem o pensamento filosófico e político de esquerda ou simplesmente de adversários do regime militar era um ato de ousadia e uma maneira de resistir à tirania.

Localizada na rua Cincinato Pinto, a Livro 7 não demorou muito tempo e tornou-se um ponto freqüentado pela intelectualidade de esquerda e democrática. Em torno dos livros, nos finais de tardes reuniam-se jovens ativistas, estudantes, professores universitários, profissionais liberais. Era o point de que a rapaziada necessitava. Os encontros serviam para discutir, resenhar o último livro lido, comentar o filme da semana - não eram muitos, pois o cinema andava em baixa -, falar mal do governo militar e marcar o encontro para a farra no final de semana no Bar do Alípio, à beira da lagoa Mundaú ou no Ipaneminha, na Pajuçara.

O leitor que desejasse adquirir os clássicos da economia política do filósofo alemão Karl Marx, por exemplo, não teria outro local mais apropriado que a Livro 7. O teatro do dramaturgo alemão Bertold Brecht, a poesia russa e universal de Maiakoviski, a de Ferreira Gullar, o teatro de Dias Gomes ou do “marginal” Plínio Marcos, perderia tempo quem fosse a outro local que não a Livro 7. A livraria tornou-se o ponto de encontro da esquerda dos anos 70 e 80 em Maceió. Durante um certo tempo, na década de 80, quem se tornou vizinho da Livro 7 foram os comunistas do PCdoB, o que fez aumentar ainda mais a aglomeração de militantes da esquerda alagoana na livraria. A razão social da Livro 7, a partir de 1983, muda, passando a se chamar Caetés, nome que permanece até hoje, no mesmo local, sob a direção do João Pereira.

Alagoas durante boa parte do século XX teve altas taxas de analfabetismo, rivalizando com o Piauí. Se levarmos em consideração as estatísticas do censo de 1950, Alagoas tinha 77,9% e o Piauí 78,4% de analfabetos. Argumento forte para qualquer cidadão pensar muito ao decidir instalar uma livraria ou editora e se perguntar: quem compraria livros nessa terra?

O Brasil tem apenas 2.008 livrarias e uma população que ultrapassa os 180 milhões de habitantes, o que dá, em média, um estabelecimento para cada 89,6 mil habitantes. A Argentina, nosso vizinho ao sul do continente, chegou a ter 950 livrarias para uma população de 37 milhões de habitantes, o que dá, em média, 34,9 mil habitantes para cada estabelecimento. Cerca de 250 livrarias fecharam com a crise econômica, mesmo assim ainda há 700 livrarias. O que dizer de Paris, que tem duas mil livrarias apenas na capital francesa?

Entanto, não há por que desanimar. Como nem tudo está perdido, muitas livrarias nas últimas décadas abriram e fecharam em Maceió (mas isso faz parte de outra história, não desta que contamos aqui).  É crescente a profissionalização e o empenho de livreiros, editores e escritores, o que gera um significativo incremento na venda de livros em nosso Estado.

 

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A refundação da polícia é o novo desafio

As mudanças pelas quais o Brasil tem passado nas últimas três décadas são marcantes. Houve a superação de uma longa ditadura militar, sendo eleita uma Assembleia Nacional Constituinte, de onde se originou uma nova ordem constitucional. Assim foi instaurado o Estado de Direito Democrático, que havia sido violado a partir de 1º de abril de 1964, com o golpe civil-militar que depôs o presidente João Goulart.

 

A polícia é imprescindível para o cumprimento das funções definidas na Constituição Federal, na manutenção da ordem pública.

 

Esse tema é um dos principais desafios e um dos últimos − talvez a última – herança significativa remanescente da longa noite de 21 anos em que se instaurou a ditadura.

 

As principais candidaturas à presidência da República passam ao largo dessa questão, e por isso mesmo não fazem menção ao tema. Os cuidados mantidos pelos candidatos e por seus assessores são calculados para não deixar margem a discussão e muito menos que se venha eventualmente a contrariar as corporações.

 

A refundação da polícia só poderá ocorrer sob pressão da sociedade e da mídia sobre o Senado, onde tramita a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 51/2013, de autoria do senador Lindbergh Farias (PT/RJ).

 

            A proposta de desmilitarização da polícia brasileira tem origem em discussões entre especialistas, entidades de direitos humanos e profissionais de segurança pública. Estes consideram o assunto polêmico, dada a natureza e a força corporativa que os policiais ainda detêm no aparelho de Estado.

 

Mas o elevado grau de ações violentas protagonizadas pela Polícia Militar em todo o país coloca em evidência as discussões sobre o fim do vínculo da corporação com as Forças Armadas. Prevalece o entendimento de que as corporações devem estar próximas da sociedade, dotadas de uma formação cujo principal objetivo é a proteção da cidadania e os direitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal.

 

O projeto do senador Lindbergh Farias prevê a carreira única e que os estados teriam autonomia para estruturar os próprios órgãos de segurança pública. A nova polícia faria os trabalhos ostensivos, como a investigação, funções hoje atribuídas, respectivamente, às polícias militar e civil.

 

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o Ministério da Justiça mostram que 73,7% dos policiais apoiam a desmilitarização. Entre os policiais militares, o índice sobe para 76,1%. O levantamento ouviu 21.101 policiais militares, civis, federais, rodoviários federais, bombeiros e peritos criminais de todo o país entre os dias 30 de junho e 18 de julho.

 

Segundo Renato Sérgio de Lima, pesquisador da FGV e membro do fórum, a maioria dos entrevistados apontou a transição para o caráter civil e a integração das polícias em uma carreira única como caminhos para a modernização das corporações. “Eles identificam um limite no modelo atual. Os policiais apoiam o fim da Justiça Militar e a desvinculação do Exército para que o foco seja a proteção da sociedade, e não os interesses do Estado. Isso não significa ausência de disciplina, hierarquia, uniformes e controle, elementos necessários em uma organização policial”, esclarece o pesquisador da FGV.

Fonte:

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/excessos-cometidos-por-pms-impulsionam-debate-sobre-desmilitarizacao-da-policia-1256.html

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A beleza feminina desfila na sorveteria Bali

Faz alguns anos que eu escolhi a sorveteria Bali como o meu escritório, e em suas cadeiras e mesas tenho passado as tardes, na maioria das vezes. É para mim o melhor lugar que encontrei na cidade de Maceió. A sorveteria fica na praia de Pajuçara, de onde se pode contemplar a beleza do mar esverdeado e sentir a brisa que sopra do oceano para a terra.

 

         Sentado, tomando sorvete, café e jogando conversa fora − essa tem sido a minha gostosa rotina nos últimos treze anos em Maceió. Uma ressalva: quando saio do trabalho, claro. Os amigos que passam, sentam e conversam; fala-se de coisas interessantes da vida de cada um e da vida alheia, lógico.

 

Entre os meus muitos e queridos amigos há um com quem religiosamente sento para conversar e tomar sorvete: é o escritor e cronista Carlito Lima. O mais entusiasta entre os amigos pelas coisas de Alagoas, pelo mar, pelas comidas, pelos bens imateriais e, mais que qualquer um de nós, um admirador da beleza feminina.

 

No dia 23 de dezembro, antevéspera de Natal, telefonei para ele, como faço diariamente, e perguntei: − Capita, vamos à Bali, olhar as mulheres bonitas?

Ouvi a resposta pronta: − Vamos, meu irmãozinho.

 

Tomamos sorvetes de sapoti, mangaba e pitanga, pedimos depois café com leite e arrematamos com pão de queijo. Passamos uma boa parte da nossa tarde e início da noite refletindo sobre uma situação que já tínhamos observado, mas nunca havíamos nos debruçado sobre o tema, seriamente.

 

Talvez por estarmos na antevéspera do Natal e nos acharmos mais atentos para o movimento da sorveteria, o entra-e-sai de crianças, jovens, mulheres e casais. Em menos de vinte e cinco minutos, quatro homens − um italiano, um alemão, um francês e um português − acompanhados de lindas mulheres brasileiras e negras.

 

Esse fato realmente chamou a nossa atenção; talvez haja acontecido outros encontros, mas num espaço de tempo maior e não tínhamos notado como hoje.

 

A satisfação e o encantamento deles − dos gringos − pelas mulheres era visível, indisfarçável. Não havia possibilidade de fingimento. Mas não foram apenas esses quatro casais que estivemos, eu e Carlito, a observar extasiados como se fôssemos fiéis defensores da mulher brasileira, e da alagoana em especial, uma espécie de defensores tardios de uma exclusividade imaginária.

 

Sem que combinássemos, cada um de nós ergueu muros intransponíveis para que os estrangeiros, mesmo os portugueses, fossem impedidos de escalar, ou seja, namorar as “nossas ‘mulheres; no meu caso, particularmente, as mulheres negras, e muito menos ainda namorar em nossa presença. Pairou um sentimento de ciúme extremo. 

 

Esse delírio ou crise de ciúmes tardio pode ser imputado aos cafés. As nossas imaginações, sonhos; posso falar sem pudor para os internautas: os nossos ciúmes chegaram ao ápice durante a tarde.

 

Silenciosamente passamos a tarde da antevéspera do Natal namorando aquelas belíssimas mulheres negras, e nenhuma delas nos dirigiu o olhar, nem por compaixão; balbuciávamos palavras de afeto, até juras de amor eterno; prometemos em voz baixíssima e nem assim elas percebiam a nossa presença. Estavam cegas para nós dois, e mesmo sentados em posição estratégica na sorveteria, de nada valeu.

 

Ensaiamos um concurso particular e estipulamos notas por atributos anatômicos. Os quesitos obrigatórios, como bumbum, seios e coxas, foram votados na maioria dos casos com notas máximas: dez, com louvor e distinção.

 

A noite foi caindo, os casais felizes com suas negras saradas e ditosas foram saindo em direção as suas alcovas, imagino, e nós, membros de um júri fictício, pagamos a conta e fomos cada um para a sua casa, assistir ao Jornal Nacional e à novela das oito.

    

    

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Polícia para quem precisa

São Paulo é a maior metrópole do Brasil, com 11.253.503 habitantes, e uma das cinco maiores cidades do mundo, com área territorial de 1.521.101 km². A cidade tem sido, há mais de um século, um marco referencial no crescimento urbano brasileiro. Mas há um passivo social relevante a ser equacionado.
 
A luta por moradia é um desses problemas históricos, ocorrendo, devido  à organização dos movimentos sociais, ocupações de terrenos e edifícios abandonados, públicos ou privados.
 
A mídia noticiou mais um conflito no centro de São Paulo, em que centenas de famílias viviam num hotel abandonado há mais de dez anos. A reintegração de posse do imóvel foi realizada sem a necessária mediação para o cumprimento da ordem judicial, verificando-se violência tanto por parte da polícia quanto dos ocupantes. 
 
É sabido que a polícia de São Paulo e, para se fazer justiça, dos demais estados não está preparada para tratar de assuntos sociais. Continua a receber uma formação militarizada e se prepara como e para uma guerra, quando, em verdade, o “inimigo” são cidadãos pobres, crianças, mulheres, idosos, grávidas e adultos trabalhadores.
 
Diante dessa situação o caldo de cultura necessário para o confronto está posto: ausência de diálogo, intolerância, inabilidade no trato das questões sociais e a disposição para a violência, amparada na formação militarizada para matar o “inimigo”, com base na ideologia belicosa oriunda da ditadura militar.
 
No bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo, um policial militar, diante de uma multidão de comerciantes, funcionários das lojas, clientes e ambulantes, presencia o assassinato de um ambulante, com um tiro na cabeça, disparado por outro policial.
 
As imagens denunciam a incapacidade e o despreparo dos policiais paulistas. O conflito ocorrido entre ambulantes e a polícia militar e/ou a guarda municipal faz parte do cotidiano daquela metrópole.
 
Os eventos deixaram prejuízos materiais e econômicos, mudaram a rotina de trabalho da região conflagrada e aumentaram ainda mais o clima de insegurança da população na maior cidade do país, com repercussão em nível nacional.
 
Os conflitos sociais devem ser mediados com diálogo e inteligência. Ocorre que a polícia militar tem sido historicamente usada pelo Executivo e pelo Judiciário como instrumento de coação contra, tão somente, as populações empobrecidas e suas organizações. Em outros estados e cidades também se observam barbaridades semelhantes.
 
As polícias têm causado insegurança quando violam os direitos fundamentais e principalmente quando agem sem nenhum preparo técnico ao se defrontarem com questões sociais. Esta conclusão não requer muito esforço intelectual é uma evidencia clara. Por isso a banda de rock paulistana Os Titãs nunca foi tão atual ao dizer que: Polícia!/ Para quem precisa/ Polícia!/ Para quem precisa/ De polícia...
  

 

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Toque de recolher em Anadia

Anadia tem uma população estimada em 17.972 habitantes (IBGE, 2014), a cidade comemorou em julho 202 anos da sua elevação à categoria de vila.
O nome original do município era Campos do Arrozal de Inhauns e, em 1801, quando foi elevado à categoria de vila, passou a ser chamada de Vila Nova de São João de Anadia, em homenagem ao Visconde de Anadia, ministro português que autorizou a criação da vila. A freguesia foi instalada em 1802.
A área total do município é de 189,473 km² e esta situada no Bioma da Mata Atlântica. O que predomina como fonte econômica é a agropecuária e plantações de cana de açúcar. A agricultura familiar que no passado foi preponderante hoje é residual.
Mas o que vem chamando a atenção dos moradores da cidade é a crescente violência urbana. A violência tem algumas semelhanças com o que ocorre nas cidades maiores, por exemplo: o “toque de recolher” em determinadas regiões da cidade.
A localidade de Baixa da Pedra é um desses lugares onde o tráfico varejista de crack tem exercido esse poder. A polícia militar à noite não entra. Pequenos guetos vão se consolidando quando o Estado abandona as suas funções.
Em lugar do Estado entra em ação um “grupo” de justiceiro constituído para eliminar os traficantes e varejistas.
O saldo segundo os comentários dos moradores é estimado entre 18 a 20 execuções de adolescentes e jovens envolvidos com assaltos, homicídios, consumo e tráfico de drogas na cidade e região.
O que esta acontecendo em Anadia também acontece em outras cidades de Alagoas.     

 


 

 

 

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