A beleza feminina desfila na sorveteria Bali

Faz alguns anos que eu escolhi a sorveteria Bali como o meu escritório, e em suas cadeiras e mesas tenho passado as tardes, na maioria das vezes. É para mim o melhor lugar que encontrei na cidade de Maceió. A sorveteria fica na praia de Pajuçara, de onde se pode contemplar a beleza do mar esverdeado e sentir a brisa que sopra do oceano para a terra.

 

         Sentado, tomando sorvete, café e jogando conversa fora − essa tem sido a minha gostosa rotina nos últimos treze anos em Maceió. Uma ressalva: quando saio do trabalho, claro. Os amigos que passam, sentam e conversam; fala-se de coisas interessantes da vida de cada um e da vida alheia, lógico.

 

Entre os meus muitos e queridos amigos há um com quem religiosamente sento para conversar e tomar sorvete: é o escritor e cronista Carlito Lima. O mais entusiasta entre os amigos pelas coisas de Alagoas, pelo mar, pelas comidas, pelos bens imateriais e, mais que qualquer um de nós, um admirador da beleza feminina.

 

No dia 23 de dezembro, antevéspera de Natal, telefonei para ele, como faço diariamente, e perguntei: − Capita, vamos à Bali, olhar as mulheres bonitas?

Ouvi a resposta pronta: − Vamos, meu irmãozinho.

 

Tomamos sorvetes de sapoti, mangaba e pitanga, pedimos depois café com leite e arrematamos com pão de queijo. Passamos uma boa parte da nossa tarde e início da noite refletindo sobre uma situação que já tínhamos observado, mas nunca havíamos nos debruçado sobre o tema, seriamente.

 

Talvez por estarmos na antevéspera do Natal e nos acharmos mais atentos para o movimento da sorveteria, o entra-e-sai de crianças, jovens, mulheres e casais. Em menos de vinte e cinco minutos, quatro homens − um italiano, um alemão, um francês e um português − acompanhados de lindas mulheres brasileiras e negras.

 

Esse fato realmente chamou a nossa atenção; talvez haja acontecido outros encontros, mas num espaço de tempo maior e não tínhamos notado como hoje.

 

A satisfação e o encantamento deles − dos gringos − pelas mulheres era visível, indisfarçável. Não havia possibilidade de fingimento. Mas não foram apenas esses quatro casais que estivemos, eu e Carlito, a observar extasiados como se fôssemos fiéis defensores da mulher brasileira, e da alagoana em especial, uma espécie de defensores tardios de uma exclusividade imaginária.

 

Sem que combinássemos, cada um de nós ergueu muros intransponíveis para que os estrangeiros, mesmo os portugueses, fossem impedidos de escalar, ou seja, namorar as “nossas ‘mulheres; no meu caso, particularmente, as mulheres negras, e muito menos ainda namorar em nossa presença. Pairou um sentimento de ciúme extremo. 

 

Esse delírio ou crise de ciúmes tardio pode ser imputado aos cafés. As nossas imaginações, sonhos; posso falar sem pudor para os internautas: os nossos ciúmes chegaram ao ápice durante a tarde.

 

Silenciosamente passamos a tarde da antevéspera do Natal namorando aquelas belíssimas mulheres negras, e nenhuma delas nos dirigiu o olhar, nem por compaixão; balbuciávamos palavras de afeto, até juras de amor eterno; prometemos em voz baixíssima e nem assim elas percebiam a nossa presença. Estavam cegas para nós dois, e mesmo sentados em posição estratégica na sorveteria, de nada valeu.

 

Ensaiamos um concurso particular e estipulamos notas por atributos anatômicos. Os quesitos obrigatórios, como bumbum, seios e coxas, foram votados na maioria dos casos com notas máximas: dez, com louvor e distinção.

 

A noite foi caindo, os casais felizes com suas negras saradas e ditosas foram saindo em direção as suas alcovas, imagino, e nós, membros de um júri fictício, pagamos a conta e fomos cada um para a sua casa, assistir ao Jornal Nacional e à novela das oito.

    

    

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Polícia para quem precisa

São Paulo é a maior metrópole do Brasil, com 11.253.503 habitantes, e uma das cinco maiores cidades do mundo, com área territorial de 1.521.101 km². A cidade tem sido, há mais de um século, um marco referencial no crescimento urbano brasileiro. Mas há um passivo social relevante a ser equacionado.
 
A luta por moradia é um desses problemas históricos, ocorrendo, devido  à organização dos movimentos sociais, ocupações de terrenos e edifícios abandonados, públicos ou privados.
 
A mídia noticiou mais um conflito no centro de São Paulo, em que centenas de famílias viviam num hotel abandonado há mais de dez anos. A reintegração de posse do imóvel foi realizada sem a necessária mediação para o cumprimento da ordem judicial, verificando-se violência tanto por parte da polícia quanto dos ocupantes. 
 
É sabido que a polícia de São Paulo e, para se fazer justiça, dos demais estados não está preparada para tratar de assuntos sociais. Continua a receber uma formação militarizada e se prepara como e para uma guerra, quando, em verdade, o “inimigo” são cidadãos pobres, crianças, mulheres, idosos, grávidas e adultos trabalhadores.
 
Diante dessa situação o caldo de cultura necessário para o confronto está posto: ausência de diálogo, intolerância, inabilidade no trato das questões sociais e a disposição para a violência, amparada na formação militarizada para matar o “inimigo”, com base na ideologia belicosa oriunda da ditadura militar.
 
No bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo, um policial militar, diante de uma multidão de comerciantes, funcionários das lojas, clientes e ambulantes, presencia o assassinato de um ambulante, com um tiro na cabeça, disparado por outro policial.
 
As imagens denunciam a incapacidade e o despreparo dos policiais paulistas. O conflito ocorrido entre ambulantes e a polícia militar e/ou a guarda municipal faz parte do cotidiano daquela metrópole.
 
Os eventos deixaram prejuízos materiais e econômicos, mudaram a rotina de trabalho da região conflagrada e aumentaram ainda mais o clima de insegurança da população na maior cidade do país, com repercussão em nível nacional.
 
Os conflitos sociais devem ser mediados com diálogo e inteligência. Ocorre que a polícia militar tem sido historicamente usada pelo Executivo e pelo Judiciário como instrumento de coação contra, tão somente, as populações empobrecidas e suas organizações. Em outros estados e cidades também se observam barbaridades semelhantes.
 
As polícias têm causado insegurança quando violam os direitos fundamentais e principalmente quando agem sem nenhum preparo técnico ao se defrontarem com questões sociais. Esta conclusão não requer muito esforço intelectual é uma evidencia clara. Por isso a banda de rock paulistana Os Titãs nunca foi tão atual ao dizer que: Polícia!/ Para quem precisa/ Polícia!/ Para quem precisa/ De polícia...
  

 

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Toque de recolher em Anadia

Anadia tem uma população estimada em 17.972 habitantes (IBGE, 2014), a cidade comemorou em julho 202 anos da sua elevação à categoria de vila.
O nome original do município era Campos do Arrozal de Inhauns e, em 1801, quando foi elevado à categoria de vila, passou a ser chamada de Vila Nova de São João de Anadia, em homenagem ao Visconde de Anadia, ministro português que autorizou a criação da vila. A freguesia foi instalada em 1802.
A área total do município é de 189,473 km² e esta situada no Bioma da Mata Atlântica. O que predomina como fonte econômica é a agropecuária e plantações de cana de açúcar. A agricultura familiar que no passado foi preponderante hoje é residual.
Mas o que vem chamando a atenção dos moradores da cidade é a crescente violência urbana. A violência tem algumas semelhanças com o que ocorre nas cidades maiores, por exemplo: o “toque de recolher” em determinadas regiões da cidade.
A localidade de Baixa da Pedra é um desses lugares onde o tráfico varejista de crack tem exercido esse poder. A polícia militar à noite não entra. Pequenos guetos vão se consolidando quando o Estado abandona as suas funções.
Em lugar do Estado entra em ação um “grupo” de justiceiro constituído para eliminar os traficantes e varejistas.
O saldo segundo os comentários dos moradores é estimado entre 18 a 20 execuções de adolescentes e jovens envolvidos com assaltos, homicídios, consumo e tráfico de drogas na cidade e região.
O que esta acontecendo em Anadia também acontece em outras cidades de Alagoas.     

 


 

 

 

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

O menestrel Aldemar Paiva

Aldemar Buarque de Paiva, filho de Mário Fortunato de Paiva e Maria Luiza Buarque de Holanda Paiva, nasceu em 20 de julho de 1925, na Rua do Macena, no Centro de Maceió, capital do Estado de Alagoas. Esta rua é um dos cenários do romance Angústia, escrito por Graciliano Ramos. Ao completar 23 anos, participou da inauguração da Rádio Difusora de Alagoas – ZY0-4.

A voz de Aldemar foi a primeira que se propagou − através das ondas do rádio − ao transmitir a solenidade de inauguração, no dia 16 de setembro de 1948, da primeira rádio de Alagoas. Este fato já o colocou na história da radiofonia brasileira.

Mário Marroquim era o diretor-geral da emissora, e Aldemar Paiva exerceu as funções de diretor artístico e de programação. O seu talento logo foi percebido pelos colegas e mais ainda pelos ouvintes da emissora pioneira de Alagoas.

A sua permanência no rádio alagoano foi curta: teve duração de apenas dois anos. Em 1951 foi trabalhar no Rádio Clube de Pernambuco – PRA-8 e no dia 20 de dezembro de 1952 começou um dos mais duradouros programas de rádio do Brasil, o Pernambuco, Você é Meu. Depois de dezesseis anos trabalhando no Rádio Clube, foi transferido, em 1968, para a Rádio Jornal do Comércio. Lá, continuou com o programa Pernambuco, Você é Meu até outubro de 1977.

Pernambuco, Você é Meu ficou no ar em duas estações de rádio durante 25 anos. Nesse período foi um dos mais importantes programas do rádio daquele estado. A música de qualidade foi sempre o que o norteou.

Aldemar Paiva fez parcerias com os músicos Rossini Ferreira, Inaldo Vilarim, Beto do Bandolim, José Meneses, Zé Gonzaga, Juraci Alves e o maestro Nelson Ferreira. A dupla Aldemar e Nelson Ferreira, seu parceiro mais constante, compôs: Bloco do Ataulfo, Saudade, Ninguém segura este Recife, Pernambuco, você é meu e Tem jeito, sanfona.  

Lourenço Capiba, ícone da música brasileira, foi outra amizade da vida inteira; nem por isso se tornaram parceiros de muitas músicas. Os dois até fizeram algumas músicas em parceria, que ainda não foram gravadas. Estão guardadas no arquivo de Aldemar.   

Não há precisão – pelo menos eu não tenho −, nesses 62 anos de vida artística, quanto ao número exato de músicas que Aldemar Paiva gravou ou outros cantores gravaram: de sua autoria ou em parcerias. A sua memória só alcança até o momento 62 composições gravadas.

Em seu escritório de trabalho estão nas gavetas cerca de dez músicas à espera de cantores, ou que ele ainda não apresentou aos seus amigos − entre estes, o mais importante cantor de frevo, Claudionor Germano, para que sejam gravadas.   

Esse homem multimídia tem sido reconhecido pelo valor como compositor, humorista, radialista, escritor, cordelista, em Recife e em outras cidades do Brasil. Foi agraciado com o título de cidadão pernambucano, mas nunca deixou de cantar a sua terra natal, Alagoas.

A Difusora foi inaugurada e Maceió ganhou uma bonita música, um hino. Verdadeiramente, a música Pajuçara de Aldemar Paiva deveria se tornar o hino oficial de Maceió. A primeira vez em que essa música foi executada foi no dia 16 de setembro de 1948, na inauguração da rádio. Muitos anos depois a cantora alagoana Leureny Barbosa gravou e assim a imortalizou num long play.

Desde esse momento Pajuçara entrou no coração dos alagoanos de Maceió e também no coração dos que para cá chegaram ou ainda estão chegando para viver junto ao mar e à sombra dos coqueirais.

A música Pajuçara tem para Maceió a mesma importância que Copacabana, música de João de Barros, tem para a cidade do Rio de Janeiro. O amor devotado à sua terra é uma marca na sua obra de compositor, humorista, radialista, escritor. Em vários momentos da sua vida cantou Maceió e suas belezas naturais.

Aldemar é o nosso menestrel.

 

Pajuçara

 

Eu que conheço meu Brasil

Sei muito bem

Das lindas praias, coqueirais, que ele tem

Por isso afirmo nestes versos que compus

Em Pajuçara há mais encanto, há mais luz

Pajuçara, onde o mar beija as areias

Com mais alma e mais amor

Pajuçara, lindo berço de sereias

Que nos deu o criador

Pajuçara que refletes num sorriso

O teu coqueiral em flor

Tens uma beleza rara

Pajuçara.

 

 

 

 

   


 

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Incluir Direitos Humanos na Agenda Política

 

O Brasil foi o primeiro país do Cone Sul a fazer a transição da ditadura militar (1964-1985) para a democracia. O regime militar resistiu, criou as condições ideais para realizar o que ficou consignado como a transição lenta, segura e gradual. Em 1979, o general João Figueiredo, o último ditador, enviou ao Congresso Nacional o projeto de lei que concedia a anistia para os presos e perseguidos políticos, entre eles os exilados e banidos.

Em vinte e um anos de ditadura, entidades da sociedade civil e personalidades do mundo cultural, jurídico, religioso e político denunciaram nacional e internacionalmente inúmeras violações dos direitos humanos, como a tortura, prisões, assassinatos e o desaparecimento de patriotas.

A luta em defesa dos direitos humanos, para muitos no Brasil, passou a simbolizar em primeiro plano as campanhas pelas liberdades, contra a censura, em favor do direito a manifestação e organização de partidos políticos, direitos suprimidos pelo regime militar.

Ao ser concluído o processo de transição, a democracia foi referendada através de eleições livres e da Assembleia Nacional Constituinte, que deu origem à nova ordem constitucional. O desmanche do arcabouço jurídico institucional não aconteceu de maneira automática. As resistências surgiram em todas as áreas do Estado brasileiro. E os setores mais comprometidos com a luta antiditatorial de um modo geral se bastaram com a defesa dos direitos humanos, quando o violador era o Estado ditatorial brasileiro.  

 A sociedade civil demorou a compreender que no momento pós-ditadura, a luta em defesa dos direitos humanos deveria ser ampla e focada nos setores mais vulneráveis. As bandeiras propostas inicialmente pelos partidos de esquerda foram se esvaindo com o lento cessar dos ecos ditatoriais.

O Estado brasileiro mantém-se como um violador contumaz dos direitos humanos, agora – desde 1988 − regido por uma nova ordem constitucional, mas com vícios antigos e com um aparelho de segurança ainda sob forte inspiração do período ditatorial, traduzido no militarismo adquirido no pós-64.     

As políticas públicas implantadas pelo Estado brasileiro têm os seus principais adversários nos remanescentes do período ditatorial: corporações militares, parlamentares direitistas, conservadores identificados com grupos de extermínios, setores da mídia, áreas do Poder Judiciário, entre outros.

O desafio posto é a transformação das políticas de promoção, proteção e defesa dos direitos humanos em bases centrais da política de Estado. Assim como o combate a inflação se transformou numa quase obsessão nacional e que, ao fim e a cabo, vem logrando êxito independentemente do partido político que esteja governando.

A afirmação dos direitos humanos não pode ser uma palavra de ordem, e muito menos um recurso de marketing utilizado pelos governantes em efemérides ou em solenidades realizadas em salões palacianos. A afirmação dos direitos humanos se dará na construção de ambientes do Estado brasileiro, nos três poderes. Quando se tratar da execução das políticas públicas, os três níveis do Executivo (União, Estados e Municípios) devem atuar em sintonia, no financiamento das políticas, na execução, na avaliação, no controle e na prestação de contas.

A integração das políticas públicas modificará, no médio e no longo prazo, a concepção do agente público, resultando na inevitável transformação da relação entre governos e sociedade. A implantação de políticas afirmativas de direitos humanos é o caminho mais curto para a superação da barbárie.            

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

A voz da minha avó

Acordei ouvindo uma voz que me era muito familiar. Levantei, fiquei de pé para ter a certeza de que estava realmente acordado. De fato estava acordado, mas permanecia com a sensação de que estava ouvindo a voz. Era uma voz suave, pausada, carinhosa. Era a voz de dona Rosinha, minha avó. Passados tantos anos da sua morte, voltei a me lembrar de dona Rosinha, que era assim conhecida, mas fora registrada como Rosa Soares de Moura.

Logo após a sua morte, passei muitos anos com o som da sua voz em minha cabeça. Quando acordava, antes de ir dormir, na hora do banho, caminhando na praia...

         A lembrança me acompanhou por muitos anos, mas fazia algum tempo que não me ocorria lembrar. No entanto, isso não significa que tenha esquecido seu jeito carinhoso e afável. A saudade me acompanha aonde quer que eu vá.

         Demorou muito tempo para que eu entendesse – e não era segredo de família − que a dona Rosinha não era a minha avó e sim a bisavó. Quando minha mãe (Marinalva) nasceu, seu pai, meu avô Moisés, morreu. O fato de a avó Novinha (Maria Fidelis de Moura) ter ficado viúva fez com que ela entregasse a criança para a bisavó criar.

A criança foi registrada como filha da avó dona Rosinha. É por isso que eu chamo e sempre chamei de Vó Rosinha ou dona Rosinha.

         Nunca passou pela minha cabeça, nem quando era criança, e hoje também não me preocupo em saber o que ela fez na vida. O que me atraía era a sua fala mansa, pausada e, claro, os seus mimos, distribuídos sem sovinice.

         As lembranças dos tempos em que eu era criança e fazia travessuras em sua casa ou para lá corria, fugindo de punições certas de minha mãe − não sem razão, pelas diabruras que realizava. A sua casa, arejada, com um quintal grande e com um pomar bem cuidado, era o meu esconderijo preferido.

         Surras não eram permitidas. A casa da Rua Nova era território liberto. Ninguém ousava usar castigos físicos; nem minha mãe, com sua vocação autoritária, ousou. O meu refúgio sempre foi a casa de dona Rosinha.

         O quintal-pomar tinha as frutas da minha preferência em abundância: sapoti, pitanga, manga-rosa, manga-jasmim, goiabas brancas e rosas, um pé de romã. E tinha o melhor: a Josefa, fiel escudeira, uma negra alta, de mãos grandes e habilidosas, uma artista na cena doméstica. O que de melhor comi foram os quitutes feitos pela Zefa. A minha memória afetiva me conduz: lembro-me dos sabores e dos prazeres da cozinha e da casa de dona Rosinha.

         O lanche das tardes era sagrado. Doces de coco com mamão, leite, caju, broas de goma quentinhas, pé de moleque. O forno a lenha estava sempre aceso. O café passado na hora, torrado em casa. Tudo ou quase tudo era caseiro. As broas começavam a ser preparadas após o almoço.

Dona Rosinha, sentava na sua “cadeira da vovó”, que ficava na sala de visita, ajudava na confecção das broas de goma. Quem fosse chegando era convocado para o trabalho artesanal de produção de broas de goma, iguaria também conhecida como sequilho, feito da farinha de mandioca.   

         No sábado, dia da feira, a despensa da casa era abastecida com os mantimentos. A energia elétrica era a grande novidade na cidade, e a geladeira − aliás, dona Rosinha, acredito, não chegou a conhecer esse bem, hoje indispensável a qualquer residência.

A água tratada para consumo humano era outra novidade. Demorou alguns anos para que todas as casas tivessem ligações e pudessem consumir água tratada e fornecida pela Casal. O abastecimento de água da casa vinha da cacimba e era armazenada nos potes de barro. Estes eram cuidadosamente colocados num dos cantos da cozinha, do lado da sombra, para manter em temperatura amena, assim resfriando o líquido, observando-se o cuidado para que não entrassem insetos.       

         Esse ritual demorou alguns anos; não foram muitos, mas como tudo naquela casa era simples e comum, talvez por isso tenha sido tão marcante para mim. Essas lembranças que emergem durante um sonho ou quase sonho, para mim, constituem uma evidência de quão importante são as avós. E como é saudável a infância quando é bem vivida − e se for numa pequena cidade, melhor ainda.

         A mesa da casa era o parlatório. A sala de visita era um ambiente confortável, mas onde pouco tempo ficávamos. O melhor lugar da casa era a sala de refeições, área interligada, separada apenas por uma meia-parede com a cozinha.

 Esforço-me para lembrar se em alguma ocasião houve alteração na sua voz. Se houve algum grito, esporro ou resmungo.  

         Resmungar é uma condição, dizem, inerente aos velhos, chatos e mal-humorados. Em nenhuma dessas categorias é possível enquadrá-la. A forma como dona Rosinha se dirigia aos adultos e a nós crianças era a mesma: carinhosa e educada. Hoje, percebo o quanto ela prestava atenção em nossas falas.

         Os conselhos, as orientações e as repreensões eram dados sem que houvesse constrangimentos. Os resmungos, esses sim, algumas vezes eram feitos por nós, ao sairmos da mesa. 

 

A dona Rosinha sabia das coisas.   

        

 

 

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

É Preciso Lutar

Admiro o cientista político Marco Aurélio Nogueira, professor titular da Unesp, desde o final da década de 1970, nessa época um jovem e influente intelectual da esquerda paulista. Essa admiração cresceu mais ainda com o tempo.    

Entrei em sua página no facebook, como de costume, e li um dos seus textos, com o qual tenho total concordância: “Uma coisa é quando a direita ataca a esquerda e os democratas com grosserias e infâmias. É da cultura dela fazer isso. Outra coisa é quando a esquerda se vale dos mesmos procedimentos fascistas para atacar, não a direita, mas as esquerdas e os democratas. A questão não é de mais ou menos vitimização, mas sim de mais ou menos honestidade, critério e fidelidade às próprias tradições. É uma questão que tem a ver com o método de fazer política e explicitar diferenças. Dizer que bato nos outros porque eles bateram antes em mim e por isso tenho o direito de mentir e difamar não é coisa de gente de esquerda. Nem de gente séria”.

 

        As campanhas eleitorais há muito tempo não são dirigidas pelos partidos políticos e menos ainda se inspiram em ideias dos seus intelectuais orgânicos, nem os acadêmicos, como era a tradição dos partidos de esquerda, centro ou de direita, até 1990. Esse marco temporal pode ser um pouco antes ou um pouco depois. Fica na margem de erro ou margem de segurança.

        As diretrizes das campanhas, os temas, as falas dos candidatos são emanadas dos marqueteiros e principalmente do que se apura nas pesquisas de opinião pública, as chamadas pesquisas qualitativas ou “qualis”, como são tratadas na intimidade.

        A disputa da presidência da República esta acontecendo entre duas mulheres, ambas com trajetórias de esquerda, e entre dois partidos com histórias que se cruzaram nos últimos 29 anos, para ficar nesses dois pontos, aparentemente convergentes.

        Mas quando o centro da campanha é a desconstrução da adversária, como faz Dilma Rousseff contra Marina Silva, tudo que se havia criticado e combatido, que a direita fazia de maldade, baixarias e mentiras, até bem pouco tempo antes da chegada ao poder, agora é natural, é parte da estratégia de campanha.

        Vergonhoso é perder, mas para ganhar vale tudo, até golpe abaixo da linha da cintura.

        Aguardemos o próximo round.

         

       

 

 

 

 

 

 

 

 

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Jatiuca, essa é a minha praia

[...] Como o mar de Jatiúca

Vive trágico, vive aflito

Perguntando se os coqueiros

E as jangadas vão restar

Pra passear no mar [...]

 

 (Música de Beto Leão)

 

        A urbanização de Jatiúca, iniciada na década de setenta, mudou o bairro definitivamente: foram abertas avenidas, ruas; conjuntos habitacionais construídos e inaugurados. O saneamento básico na área central do bairro foi efetuado. Os sinais de modernização chegaram com a urbanização dessa região que vivia apartada do resto da cidade.   

Em pouco tempo ocorreram mudanças tão significativas, que alteraram toda a paisagem e a vida do então bucólico bairro de pescadores.

A beleza natural estava escondida da maioria dos habitantes da cidade, mas com a urbanização houve a descoberta do belo − poucos tinham o privilégio de desfrutá-lo. O coqueiral, o mar e a Lagoa da Anta, ao serem apresentados ao grande público, pareciam um objeto exposto à venda na vitrine da loja.

Os pobres, que se banhavam nas águas mornas da Lagoa da Anta, sobreviviam − muitos deles − retirando o sustento da família do mar, do lindo mar de Jatiúca. Passaram a observar o desempenho das máquinas aterrando os manguezais, derrubando os coqueirais, alterando a paisagem do lugar.

O acesso à praia foi aberto pelas avenidas Álvaro Otacílio, João Davino e pelas outras que passaram a fazer a ligação entre o bairro e a praia: Amélia Rosa, almirante Álvaro Calheiros, Jatiúca e deputado José Lages. Foi dessa maneira que definitivamente Jatiúca entrou no mapa da cidade.     

        A longa barreira formada por coqueiros gigantes foi destruída. As novas gerações não têm a ideia de quanto era bonito o coqueiral que vigiava a orla de Jatiúca. Mas, infelizmente, as denominadas urbanização e reurbanizações foram engolindo os coqueiros e a faixa de área marinha. A prefeitura vem se dedicando sistematicamente a derrubar os coqueiros, a impermeabilizar o solo e usar cada vez mais o asfalto, desnecessariamente.  

O sociólogo pernambucano Gilberto Freyre disse que o alagoano é um povo anfíbio. No entanto, isto não sensibilizou o governador e o prefeito quando entregaram a Lagoa da Anta aos proprietários das Casas Pernambucanas, à família Lundgreen, que aterrou a lagoa e sobre as suas águas ergueu o imponente Hotel Alteza Jatiúca. O primeiro cinco estrelas de Alagoas nasceu engolindo as águas mornas e límpidas da Lagoa da Anta.

A outra margem foi entregue ao ex-governador de Sergipe, para construir um conjunto habitacional, o Parque Jatiúca. Hoje a região é um bairro consolidado. A ironia é que um dos hotéis recentemente construídos chama-se Ritz Lagoa da Anta.  

        O crime perpetrado deixou, como todos os crimes, suas marcas. Restou da Lagoa da Anta apenas um espelho d’água poluída e represada que, “generosamente”, o Hotel Jatiuca protege. Os turistas tiram fotos e se admiram da beleza do local.   

Em dias de maré alta a praia amanhece com os surfistas se equilibrando em pranchas que deslizam sobre o dorso das ondas que crescem e vão quebrar no Mata Garrote, nome primitivo dessa área da praia de Jatiúca que foi substituído pelo “carioca” Posto 7.

Na antiga Lagoa da Anta, os casais de namorados às tardes e noites andavam desviando-se dos coqueiros e estacionavam à sombra ou sob a luz da lua. Abriam as portas do carro para a brisa fresca do mar entrar. O som que se ouvia eram as ondas quebrando na areia.

Os coqueiros foram derrubados e em seu lugar foram erguidos edifícios que passaram a ser vistos como a paisagem do bairro. É um novo bairro, aquele bucólico sumiu, restando o apenas o mar, o lindo mar de Jatiúca.

Andar a cavalo à beira-mar, pescar, jogar futebol, acampar, subir nos coqueiros são coisas de um passado cada vez mais distante.

        A orla está decorada com alguns poucos coqueiros, sobra daqueles coniventes das tardes e noites de amor livre. É possível, sem muito esforço físico, contá-los.

      A beleza tem sido punida em Maceió. É uma tara nefanda. Não duvidem se um dia qualquer for publicado no Diário Oficial decreto municipal com os seguintes termos: “Fica terminantemente proibido olhar a beleza do mar em Jatiúca”.

       

         

       

         

                     

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Eleições no Brasil têm Emoção, Perda da Noção e Ódio

O fenômeno das redes sociais é revelador do quanto as pessoas podem se despir no mundo virtual. O impulso em curtir, compartilhar e opinar sem a preocupação mínima em fazer a leitura, rápida que seja, no caso do texto, escutar o áudio ou prestar atenção no vídeo, tem levado ao absurdo, ao trágico e também ao hilário.

A campanha eleitoral está em curso e todo tipo de crítica – fundada ou infundada – é veiculada pelas redes sociais. Se faço a crítica na internet, em maior ou menor grau, não há como retroceder e muito menos como domesticá-la. Essa é outra discussão.  

Há empresas especializadas em postar conteúdos sérios, programáticos e inteligentes. Há também o lado B. Esse lado é o da maldade. A empresa que posta conteúdos sérios e inteligentes também pode inundar as redes sociais de difamações e calúnias, que muitas vezes atingem a honra das pessoas, candidatos a cargos eletivos ou não.

Diante da realidade cruel das campanhas no Brasil, me socorro de uma licença poética para usar um verso da música “Pois é”, do grande compositor mineiro Ataulfo Alves: “[...] a maldade dessa gente é uma arte [...].”

Tenho evitado entrar em polêmicas eleitorais; nem sempre consigo, mas pego leve. Acontece que amigos fraternos, gente com quem tenho convivido nas últimas décadas, estão vivendo um alto nível de excitação eleitoral. Algo que beira o descontrole. Não os acho fundamentalistas, pois não é caso, pela complexidade da afirmação.

Eu os definiria como fanáticos torcedores de futebol. Se os denominasse de holligans das redes sociais não estaria, creio, exagerando na classificação. O ímpeto belicoso tem sido até o momento retórico, mas nada garante que num acesso de fúria ajam com violência física, até.

Essas pessoas com quem convivo e de quem sou amigo(a), quando são contrariadas em seus “argumentos” revelam uma face autoritária, malcriada e deselegante. Alguns, claro; outros até escutam, mas não conseguem realizar uma reflexão sobre o tema tratado.

A ameaça eleitoral é fator de ira e ódio explícitos. Nada que não entendamos com racionalidade, afinal está em jogo a presidência da República.

As sentenças acusatórias são peremptórias. Marina Silva é contra o Brasil. Está a serviço dos banqueiros nacionais e internacionais. É uma evangélica fundamentalista. É tutelada pelo pastor Silas Malafaia. Quando se trata da assessoria econômica de Marina Silva, o economista Eduardo Giannetti da Fonseca é identificado como neoliberal.

E a mais hilário até o momento: Marina Silva está sendo apoiada pelo Clube Militar, organização de oficiais direitistas e de extrema direita. O Clube Militar através de uma nota oficial desanca o pau em Marina e Dilma e anuncia o apoio a Aécio Neves. Não fiz outra coisa: ri.

Li na minha página no Facebook uma série de “análises”, sempre com um recorte de “esquerda”. O apoio do Bispo Edir Macedo, proprietário da Rede Record de Televisão e Rádio. Não vejo nada de anormal nesse apoio e aliança política; Edir Macedo tem uma sigla partidária, tem bancada no Congresso Nacional.

Nem sou daqueles que ficam estupefato com a ida da presidente-candidata Dilma Rousseff ao Templo de Salomão. E também nunca me senti traído pelo ex-presidente Lula, quando nomeou o tucano e banqueiro Henrique Meireles para presidir o Banco Central.

Lula não cometeu crime de lesa-pátria também ao nomear o representante do agronegócio Roberto Rodrigues para o Ministério da Agricultura.

O presidente Lula tinha como ministros Roberto Rodrigues, Dilma Rousseff e Henrique Meirelles. O ex-presidente formou um grupo de conselheiros econômicos de amplo espectro político e ideológico. E o célebre economista da ditadura militar Antônio Delfim Netto pontificou e continua sendo, no governo Dilma, ouvido e considerado.

Finalizou com a mais estonteante aliança realizada nos últimos anos: Lula, Dilma x Maluf. Confesso que me senti incomodado. Mas como não sou petista, nem voto em Dilma Rousseff, constato que há um nivelamento por baixo.

Delfim Netto era uma espécie de secretário do demônio para a esquerda de um modo geral, e o Paulo Salim Maluf, a encarnação do demônio.

Usei aqui a expressão demônio propositalmente, já que o maniqueísmo tem predominado e a perda de noção é uma evidência clara. Eleição não é jogo de futebol. E os meus amigos e companheiros não são holligans, apesar de se comportarem como tais.

 

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

As Origens do Policiamento Comunitário

Arthur Woods, comissário de polícia, trabalhou em Nova Iorque de 1914 a 1919. É possível que tenha sido o primeiro norte-americano a pensar na aproximação da polícia com a comunidade. Embrião do que atualmente se conhece em diversos países do mundo como Policiamento Comunitário. 

Esta ideia surgiu no ambiente de polícia, foi acompanhada de intensos e acalorados debates e logo se tornou tema de estudos e conferências na Universidade de Yale.

         O principal objetivo de Arthur Woods não era tão somente “incutir nas camadas rasas do policiamento uma percepção da importância social, da dignidade e do valor público do trabalho do policial” (Skolnick e Bayley: 2002:57). Buscava também tentar modificar a visão da polícia sobre a comunidade enquanto ator coletivo e social e em relação ao indivíduo, numa época em que os direitos civis, consagrados posteriormente, não eram tratados com o necessário respeito.  

Woods foi um tipo que não pode ser classificado como um teórico descolado da realidade. A polícia por ele dirigida era uma instituição racista, violenta e com desvios éticos e morais consideráveis, inclusive com altos níveis de corrupção.

Os problemas mais visíveis da sociedade americana foram superados. A segregação racista foi o principal deles. Nem por isso se podem fechar os olhos ao rastro de violência e corrupção que perdurou por muitos anos. O racismo como se manifestava nos EUA, pelo menos a sua face mais cruel e pública, foi sendo desconstruído a partir das manifestações públicas e pacifistas pelos direitos civis, dirigidas pelo líder negro Martin Luther King e por tantos outros.

Os milhões de negros foram vitoriosos, mas para tanto ocorreram batalhas com custos exorbitantes, inclusive com o sacrifício de inúmeras vidas de cidadãos norte-americanos e do próprio Martin Luther King, assassinado em Memphis em 1968.   

As ideias formuladas e difundidas a partir da segunda década do século 20 ganharam capilaridade no quase impermeável ambiente policial norte-americano. Tanto nos EUA como em outros países, a Polícia Comunitária é sinônimo de modernidade e de novas práticas policiais. Outros conceitos de atuação policial foram experimentados, e a relação direta da polícia com a comunidade gestou um novo ambiente de boa convivência e, sobretudo, de confiança mútua.

O tema tem sido cada vez mais discutido em academias de polícias, universidades e entre pesquisadores de segurança pública. A aproximação traz como resultado a valorização do papel da polícia e do policial enquanto cidadão e profissional de segurança pública. Esse é o ganho essencial para a sociedade em todas as suas dimensões. Aos poucos, impõem-se esses valores historicamente desprezados, embora o que se verbalize no interior do ambiente policial é o estado de beligerância e confronto iminente com um suposto inimigo interno, identificado como o cidadão nacional.

Os tipos de policiamentos comunitários são desde suas origens atividades restritas e especializadas. Muda de acordo com as situações de cada país e até mesmo de estados, cidades e regiões. O crescimento de áreas onde a atuação do policiamento comunitário tem trabalhado com a prevenção aos crimes transformou-se numa referência para a sociedade e para as polícias.

Isso não significa que a implantação do policiamento comunitário ocorra sem resistência. Há muita resistência interna, na corporação e entre os governos. A aceitação desse trabalho policial pela população acontece quando o policiamento comunitário cuida especificamente das suas atribuições, ocorrendo a separação desse trabalho de outras operações e ações em curso.

Woods não vivia isolado numa torre de marfim, porém “tinha um conhecimento profundo dos obstáculos consideráveis a uma reforma, inclusive da corrupção policial na cidade de  Nova Iorque. Desconfiava tanto do Serviço Civil como dos políticos, os quais, acreditava, iriam usar inescrupulosamente a polícia e o departamento policial para alcançar seus fins políticos particulares” (Skolnick e Bayley: 2002:57). 

O policiamento comunitário tem sido implantado nos EUA, Canadá, Suécia, Noruega, Dinamarca, Japão, Austrália, países desenvolvidos e em países em desenvolvimento como o Brasil. É possível voltar o olhar para as experiências do estado do Rio de Janeiro e Pernambuco, por exemplo.

A polícia comunitária não significa a resolução dos graves problemas da segurança pública, da criminalidade como fenômeno social e até mesmo da ordem pública. O policiamento comunitário é o elo essencial da Polícia com a comunidade. Desse modo, o diálogo estará aberto e os inúmeros conflitos sociais tendem, na maioria dos casos, a ser resolvidos entre os litigantes na própria comunidade.

 

 

 

Fonte:

Policiamento Comunitário. Skolnick, Jerome H. & Bayley, David H., São Paulo, Ford Foundation, Nev – Núcleo de Estudos da Violência – USP, Edusp, 2002, p. 57.

 

 

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
Comercial (82) 3313.6040 (82) 99812.2189 comercial@cadaminuto.com.br
Redação (82) 3313.2162 (82) 99664.2221 cadaminutoalagoas@hotmail.com