Aposentadoria

 

O lugar onde se nasce tem significado especial; é comum a exaltação, cada pessoa fala da cidade onde nasceu – seja grande, média, pequena ou até mesmo uma aldeia; lugar distante, esmo da zona rural −, mas nem por essas circunstâncias, esquecido.

        Se o indivíduo é um andarilho, viajante, marinheiro mercante ou funcionário de companhia aérea, andou por mares, desembarcou e conheceu portos e aeroportos em lugares distantes e exóticos, nunca deixa de pensar em sua terra; quando não deseja retornar, mesmo que fosse em férias.      

Essa criação humana chamada cidade tem mudado rápida e intensamente. É comum encontrar, e não são poucos, os que nasceram na zona sul do Rio de Janeiro, por exemplo. Outros nasceram na periferia, mas o cidadão é carioca. O nascido na periferia diz logo que é suburbano.

É “lúdico”: grandes figuras do samba que nasceram lá, cantavam e cantam as suas origens com reverência. Essa região apartada da cidade se liga através da música, no caso do Rio de Janeiro. Mas não se identifica como periferia.

Há sutilezas na identificação do território. O suburbano não é, e não quer ser, identificado como morador da periferia.  As dificuldades materiais de cada morador ou da maioria deles indica em determinado momento da vida o grau de animosidade com a cidade.

O atraso no transporte coletivo, a violência urbana, a falta de emprego ou o baixo salário fazem com que o cidadão extravase uma certa dose de raiva da cidade. Maldiz a vida que vai levando.

É comum sentar num botequim ou em outro lugar qualquer e alguém dizer: “É impossível continuar morando aqui.” Ou coisas do tipo: “Viver nessa selva de pedra, aguentar o barulho, a poluição, a violência, chega! Estou contando os dias para me aposentar e ir morar numa cidade sossegada.”

Há momentos de desagradáveis notícias, quando a ira e até mesmo os ressentimentos predominam. Mas esse sentimento humano, da raiva, do desprezo é substituído por lembranças afetivas; brotam então do pensamento as memórias da infância já distante, mas que não são e que jamais serão esquecidas.

Muitas vezes os versos da Canção do Exílio, do maranhense Gonçalves Dias, rompem o silêncio imposto pela saudade e pela distância da terra amada, maltratada, nunca esquecida − versos tantas vezes recitados na infância, que lembrados, retornam com a força de um furacão:

 

“Minha terra tem palmeiras,

 onde canta o sabiá;

 as aves, que aqui gorjeiam,

 não gorjeiam como lá”.

 

        Essa briga constante com a cidade é comum; não significa uma ruptura total, mas um desabafo dos que amam e também odeiam; uma relação ambígua que segue vida afora. Nessa relação não é permitido bater. Isso nunca.

        O trem que atrasa, a greve de ônibus, as rebeliões nos presídios, os apagões frequentes, tudo enfim de ruim ocorre e, no mais das vezes, quase simultaneamente. A denúncia do atraso dos trens que vão e vêm do e para o subúrbio, no caso carioca, é um tema recorrente de sambas. O Trem atrasou, de Paquito, Estanislau Silva e Artur Vilarinho, serve como meu apoio.  

 

“Patrão, o trem atrasou

Por isso estou chegando agora.

Trago aqui um memorando da Central

O trem atrasou, meia hora

O senhor não tem razão

Pra me mandar embora”.
 

        Até o dia em que o sujeito se aposenta e vai embora da cidade. Aliviado, diz orgulhoso: “Vou comprar um molinete, anzóis, todos os apetrechos para me dedicar à pesca.” Mas o zumbido da cidade permanece como se fosse um despertador rebelde que todos os dias dispara.

        A cidade, seja metrópole ou não, permanece presente, num sinal evidente de um mundo vivido que resiste em abandonar o pescador aposentado, o caminhante de todas as manhãs ensolaradas à beira-mar.

         

             

                  

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O Programa Brasil Mais Seguro não faz de Alagoas um lugar seguro

 

O ministro da justiça José Eduardo Cardoso, o então governador Teotônio Vilela Filho e o ex-prefeito Cícero Almeida, no dia 27 de junho de 2012, assinaram o Acordo de Cooperação para o desenvolvimento de ações do Programa Brasil Mais Seguro no estado de Alagoas. O estado servirá como protótipo do projeto, que em seguida seria implantado no restante do país. Essa é, ou foi, a concepção desenhada na Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça.

        O Programa tem o slogan “Quem ama Alagoas constrói a paz”. Os objetivos definidos teoricamente deveriam promover a atuação qualificada e eficiente dos órgãos de segurança pública e do sistema de justiça criminal. O ponto fora da curva tem sido alguns itens essenciais preconizados pelo convênio, como: o foco na qualificação dos procedimentos investigativos, a falta de uma politica pública de segurança pública e o envolvimento dos municípios com maiores índices de criminalidade.

        O anexo I do Plano de Trabalho diz que para “o enfretamento à impunidade estão previstas ações de fortalecimento da perícia forense e da polícia judiciária, enfrentamento às organizações criminosas, forças tarefa da Força Nacional de Segurança Pública na investigação de homicídios e a integração entre os sistemas policiais e judiciais, com participação ativa do Ministério Público, do Poder Judiciário e da Defensoria Pública”.

        O que acontece no cotidiano é o oposto das determinações acordadas e ou pactuadas entre as partes. As autoridades policiais anunciam os “autos de resistências” antes da perícia forense e de a polícia judiciária iniciar o trabalho de coleta de informações da cena do crime. Esse flagrante desrespeito à legislação tem sido rotineiro.

        A mudança de concepção no fazer segurança pública acordado pelo estado de Alagoas e pelo Ministério da Justiça preconiza “o policiamento ostensivo e de proximidade voltado às áreas mais vulneráveis do Estado, considerando o mapa da violência, e a criação de centros de comando e controle integrados”.

        Esse é outro compromisso firmado através do convênio, e na prática não cumprido. Mesmo assim é possível ler alguns press releases das assessorias de comunicação relatando eventos ou a implantação de serviços nas comunidades carentes.

        O discurso construído está escudado na percepção de que a população que vivencia a sensação de insegurança será protegida com o discurso do enfrentamento ao bandido. A consequência dessa prática são as execuções sumárias de supostos marginais.

A sensação de insegurança da população não alterou desde que foi implantado o Programa Brasil Mais Seguro. O crescimento da taxa de letalidade entre os policiais cresceu possivelmente numa relação direta com a ação de enfrentamento à criminalidade como principal ou única forma de reduzir ou conter a criminalidade.  

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado em outubro de 2013 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública registra que Alagoas detém o maior número de homicídios: são 2.048, configurando uma taxa de 64,5% para cada grupo de 100 mil habitantes.

Em 2014, tiveram morte violenta 14 policiais em Alagoas. A SDS não vem a público explicar com clareza o que motivou essas mortes de policiais. Essa atitude não é casual, mas motivada pela concepção de guerra deflagrada ou continuada como estratégia de segurança pública. O resultado esperado é, infelizmente, o aumento da letalidade em Alagoas e a incapacidade da segurança pública para explicar tamanho clima de violência.

É urgente repensar o Programa Brasil Mais Seguro: “Quem ama Alagoas constrói a paz”.

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Aurélio, sinônimo de dicionário

 

Aurélio Buarque de Holanda Ferreira [1910-1989] nasceu no norte de Alagoas, na pequena Passo de Camaragibe. Quando jovem, morando em Maceió, iniciou a sua vida profissional como professor de português. Na década de trinta foi estudar direito em Recife, onde se bacharelou.

Em Recife estudou com quatro alagoanos que se tornaram amigos de toda a vida: Aloysio Branco, Antonio de Freitas Cavalcanti, José Moraes da Silva Rocha e Mário Gomes de Barros Rêgo.  

Bacharel em direito, não atuou como advogado. Dedicou-se ao magistério tanto como professor primário quanto como professor de literatura portuguesa e francesa. Trabalhou ainda como funcionário público municipal em várias funções, desde Oficial de Gabinete do prefeito Edgar de Góes Monteiro até Diretor da Biblioteca Municipal e, cumulativamente, ocupou a função de diretor do Departamento de Estatística e Publicidade da prefeitura de Maceió, em substituição a Rui Palmeira.  

Mestre Aurélio fez parte de uma geração de grandes intelectuais nascidos em Alagoas, como Alberto Passos Guimarães, Valdemar Cavalcanti, Humberto Bastos, Jorge de Lima, Aloysio Branco, Carlos Paurilio, Manuel Diegues Júnior, Mário Brandão, Rui Palmeira, Raul Lima e Théo Brandão.

Acrescente-se a essa relação Graciliano Ramos, o mais velho entre eles, e os aqui residentes Raquel de Queiros, José Lins do Rego e Tomás Santa Rosa, cearense e paraibanos, respectivamente.

A vida de mestre Aurélio em Maceió e no Rio de Janeiro esteve sempre envolvida com a língua portuguesa, seja ensinando, ou como revisor de livros e jornais, seja traduzindo de línguas estrangeiras para o português, ou escrevendo contos e pesquisando.

O saber popular ajudou o mestre a criar tantas palavras e verbetes. Vivia anotando tudo, principalmente a gíria cotidiana do povo. O dicionário Aurélio foi responsável por democratizar e desmitificar nossa língua, assimilando palavras de uso coloquial e do cotidiano até então ignoradas pelas pesquisas lexicográficas.

Em 1975, o Novo Dicionário da Língua Portuguesa – sua principal obra − foi lançado. A partir desse momento tornou-se o livro mais vendido no Brasil, fazendo de Aurélio sinônimo de dicionário.

Mas quem pensa ou pensava que a vida dessa figura era de clausura, está ou esteve enganado. Um novo Aurélio sempre deixou a mesa de trabalho para sentar em outra: a da boemia. Aquele homem aparentemente circunspeto desde jovem, era conhecido como boêmio na Maceió provinciana das primeiras décadas do século XX.  

Na capital alagoana, muitos amigos da época de juventude se tornaram parceiros nas rodas literárias e/ou de boemia. A maior parte da sua vida foi vivida na cidade do Rio de Janeiro, mas quando vinha passar férias em Alagoas era inevitável entrar na boemia.

Aurélio reunia-se com o jornalista Arnoldo Jambo, o teatrólogo Bráulio Leite Júnior, o poeta Carlos Moliterno, o cronista e político Teotônio Vilela, o industrial Napoleão Moreira, o escritor Emer Vasconcelos, a poeta e atriz Anilda Leão, dentre outros.

Esses encontros literorrecreativos ocorriam em residências de amigos ou nos bares, como o antigo Bar das Ostras, no banho da Bica da Pedra ou apreciando a lagoa Mundaú, bebericando no Pontal da Barra.

As honrarias e o reconhecimento em vida aconteceram e foram muitos, mas a maneira simples de viver e de encarar a vida o imortalizou. As academias − brasileira, alagoana de Letras e a brasileira de filologia e outras instituições a que pertenceu − não foram mais importantes do que o reconhecimento popular.

A imorredoura consagração aconteceu naturalmente fruto do valor de sua obra, sem que houvesse qualquer campanha de marketing. O reconhecimento popular de um trabalhador intelectual no Brasil não é tão comum assim. Aurélio conseguiu.

Indicação de leitura:

Marcos Vasconcelos Filho

Marulheiro – viagem através de Aurélio Buarque de Holanda

Maceió -Edufal, 2008, 339 p.

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Carta Aberta ao governador Renan Filho

 

Senhor Governador Renan Filho:

 

A maior conquista do povo brasileiro, no pós-ditadura militar, foi a eleição da Assembleia Nacional Constituinte e o que dela emergiu, a nova ordem constitucional que sepultou o autoritarismo ditatorial. 

A Carta Magna batizada pelo deputado Ulisses Guimarães como a Constituição Cidadã recepcionou direitos sociais e econômicos nunca antes mencionados num texto constitucional.

        Governador, li atentamente o discurso de posse e não encontrei uma única vez referência aos direitos humanos. O que mais se aproximou foi: “Este chamado à união, fraternal e sincero, eu o faço em nome de um valor humano, o mais alto deles, a maior conquista do mundo civilizado – a democracia”.

Talvez Vossa Excelência não tenha ainda percebido que a sua fala ou o silêncio sejam interpretados pelos seus auxiliares e gestores na área da segurança pública como uma ordem. Ou a concordância com a falta de transparência e o cumprimento legal das investigações após os sucessivos “autos de resistências”.

A transparência é um dos princípios do Estado democrático e a democracia é a maior conquista do mundo civilizado,  com o que concordamos integralmente.

Governador, as polícias civil e militar continuam sendo “reservas” do autoritarismo oriundo da ditadura militar. As polícias não agem como instituições defensoras da ordem constitucional, sendo nelas recorrente a violação dos direitos civis.

Vossa Excelência, pela juventude, pelos compromissos assumidos publicamente durante a campanha eleitoral, se assim desejar, poderá operar mudanças na concepção dos seus subordinados na área da segurança pública.

O discurso da ordem e da lei é insustentável e ineficaz tem sido usado apenas para aumentar o estado beligerante e autoritário das forças públicas de segurança. Esse discurso é velho e o levará ao cabo de sua gestão como governador à decepcionante realidade de que não foi capaz de estruturar uma política pública para a área da segurança pública. A explicação será encontrada com relativa facilidade pela opção autoritária e violadora dos direitos humanos.

Governador, ainda, me valendo do discurso de posse, em boa hora foi dito que: “Todos sabem que Maceió tornou-se uma das capitais mais violentas do mundo. Aqui morre-se de graça, e mata-se a qualquer pretexto”.

A reversão desses terríveis índices de criminalidade não será alcançada através da força bruta, da declaração de guerra e do incitamento à violência feito explícita ou veladamente.

Governador, o seu antecessor contratou consultores na área da segurança pública de excelente qualidade e com capacidade comprovada. Cito um, o professor Luiz Flávio Sapori. O produto de seu trabalho nunca foi posto em prática, e menos ainda norteou o planejamento da segurança pública alagoana.

É importante, me permita o direito de sugerir, que Vossa Excelência ouça outras vozes que não as vozes macabras dos “Falcões armados”, dos que primam pela manutenção do alto teor de adrenalina e que advogam a “doutrina” do enfretamento armado contra os moradores das periferias de Maceió e das cidades do interior.

Governador, o professor Sapori, na edição da Folha de São Paulo de 4/3/2015, diz: “Ainda é recorrente entre os gestores da segurança pública no Brasil acreditar que o trabalho de policiamento ostensivo é o mais decisivo no controle rotineiro da violência urbana.

“A investigação policial, por sua vez, teria um status secundário, limitando-se a fundamentar o inquérito policial direcionado à instância judicial.

“É um grave equívoco que tem comprometido seriamente a capacidade do poder público de enfrentar a criminalidade. A atividade de investigar homicídios, por exemplo, coletando e sistematizando as evidências de sua autoria e materialidade, é imprescindível ao controle do próprio crime”.

Essa é a maior dificuldade na sua gestão: mudar os rumos da segurança pública de Alagoas.

Governador, os relatórios oficiais são as melhores fontes para com pompa e circunstância o governante ser enganado a partir de gráficos e de estatísticas falseados. Os da segurança públicas são uma fonte fantástica, basta, Vossa Excelência pedir uma série histórica, pois não terá números confiáveis dos seus antecessores e agora, na sua gestão, essa área está sob suspeita.  

Vossa Excelência, tenho lido na mídia, é um internauta e faz bom uso das redes sociais, usando estas ferramentas modernas para divulgar ações da sua gestão. O mesmo não ocorre com alguns dos seus subordinados que usam as redes sociais para fazer apologia da execução de supostos marginais, inclusive postam imagens de cadáveres empilhados em viaturas da polícia militar, atitude acintosa de violação das normas legais, em que a cena do crime deve ser preservada.

Essa atitude contribui enormemente para aumentar a impunidade, sinaliza para a tropa que esse deve ser o procedimento e cultua o ódio como instrumento de vingança ou justiçamento, prática abominável para ser tolerada por um governo democrático.

Governador, não desejo cansá-lo. Sei das suas inúmeras atribuições e da agenda diária pesada. O BOPE tem sido utilizado em qualquer ação. A última ocorreu no dia 27, no CEPA, quando reprimiu adolescentes e causou transtornos a todos.

Os governadores Teotônio Vilela Filho e Ronaldo Lessa, este seu aliado, não permitiam que a pretexto de manutenção da ordem pública o BOPE fosse às ruas reprimir manifestantes, até mesmo durante as grandes manifestações de junho de 2013.

O Centro de Gerenciamento de Crises e Direitos Humanos da Policia Militar é o mais capacitado do Brasil e vem sendo desmobilizado numa “politica” de sucateamento. Esses bravos policiais têm cumprido missões históricas nos últimos vinte anos em Alagoas nas negociações de conflitos.

A persistir a orientação do confronto, não tardará e algum manifestante será vitima da violência policial.

Governador, lhe desejo o que de melhor se pode desejar para alguém que foi eleito democraticamente para conduzir os interesses de Alagoas: saúde e paz.

       

 

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Carta Aberta às Autoridades Brasileiras

O Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial ( CONEPIR) e dezenas de entidades da sociedade civil alagoana esteve acompanhando as lideranças da comunidade remanescente de quilombo Mumbaça do município de Traipu-Al, no dia 11.02 na sede da OAB-AL, em Maceió. Na oportunidade foi denunciada a perseguição e a violação de direitos.

O CONEPIR e as entidades formalizaram as denuncias através de uma Carta Aberta assinada por 22 entidades, o documento foi entregue à imprensa e também será protocolado em várias órgãos e no Ministério Público Federal.

CARTA ABERTA ÀS AUTORIDADES BRASILEIRAS

COMUNIDADE QUILOMBOLA TEM DIREITOS VIOLADOS E PEDE SOCORRO

Perseguições por parte do pároco da Igreja local e da prefeitura ameaçam exterminar o quilombo Mumbaça, em Traipu (AL)

Em que pese a nossa Carta Magna de 1988 reconhecer a existência de comunidades quilombolas no país, e ter como objetivo fundamental a construção de uma sociedade justa, livre e solidária; bem como promover o bem de todos sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade, religião e

quaisquer outras formas de discriminação, os moradores da comunidade remanescente de quilombo Mumbaça, situada no município de Traipu (Alagoas),  tem seus direitos desrespeitados e são obrigados a negar suas origens, culturas e tradições.

 

Esta carta tem como objetivo fazer um apelo às autoridades governamentais, jurídicas e eclesiásticas, para que os direitos dos quilombolas de Mumbaça sejam respeitados.

Segundo as lideranças quilombolas, desde que o padre Eduardo assumiu a paróquia Santuário Senhor dos Pobres, localizada na comunidade, as famílias de Mumbaça são vítimas de preconceito e discriminação por parte do sacerdote e da comissão que dirige a igreja, ao ponto de serem proibidas de falarem que são quilombolas se quiserem frequentar o santuário, afirmando inclusive que são ordens do bispo de Penedo, Dom Valério Breda. Além disso, por ordem do padre, os quilombolas de Mumbaça estão proibidos de passarem com seus mortos por dentro da igreja antes do sepultamento, uma tradição secular na comunidade, causando profundo sentimento de frustração, constrangimento e decepção, principalmente, entre os mais velhos.

 

Os desmandos e desrespeito dos que hoje mandam na Igreja Senhor dos Pobres, santuário que foi inclusive construído com a força e suor dos ancestrais quilombolas de Mumbaça, tem revoltado as famílias, que já chegaram a fazer protesto, no dia 23 de novembro de 2014, fechando as ruas

do quilombo, com a finalidade de serem recebidos pelo padre para um diálogo sobre suas reivindicações. Após intermediação do então gerente afro quilombola da Secretaria de Estado da Mulher, dos Direitos Humanos e da Cidadania, Jordinelson Santana (também integrante do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial - Conepir), o líder da comunidade, Manuel Oliveira (Bié) – igualmente conselheiro do Conepir -, pode entregar ao sacerdote uma carta, mas até o momento os quilombolas não receberam resposta.

 Vale ressaltar, que a partir do momento em que o padre aceitou receber a liderança, a comunidade suspendeu o protesto, e mesmo assim, uma dirigente da igreja chamou a polícia para prender o líder quilombola. A prisão só não foi efetivada devido à intervenção do representante do governo do Estado que estava acompanhado de um advogado.

 

De acordo com o líder comunitário, como se não bastasse a perseguição da igreja, a comunidade de Mumbaça também é impedida de se declarar quilombola quando procura uma vaga nas escolas e nos postos de saúde do município, sob ameaça de não conseguir matrícula nem atendimento médico.

Além disso, na escola ninguém pode falar em quilombo. O direito à cultura é igualmente proibido pela municipalidade, pois a ordem é parar qualquer festa que se refira a quilombolas.

Na questão educacional, já aconteceu de professor morador do quilombo, conhecedor dos costumes e tradições, ser transferido para outra localidade, sendo substituído por outros de origem externa, sem conhecimento da cultura quilombola. Ou seja, são atitudes que promovem a desconstrução da

identidade étnica da comunidade e ameaçam a existência do quilombo. 

 

Outra grave denúncia, diz respeito a um decreto aprovado pela Câmara Municipal de Traipu, o qual normatizou que a comunidade Mumbaça passou a ser um distrito do município, desconstituindo a toda uma ancestralidade já reconhecida pelo governo federal.

Diante das graves denúncias de violação dos direitos no quilombo Mumbaça, externamos nossa total indignação e solicitamos das autoridades as devidas providências para o restabelecimento do estado de direito. Para tanto, nos baseamos na premissa de que percorridos mais de 100 anos da derrocada

oficial do sistema escravagista, o Estado brasileiro abriu-se à possibilidade efetiva de garantir o exercício da cidadania para a população negra, em especial as comunidades remanescentes de quilombos, cujo direito foi reconhecido pelos constituintes no processo de construção do mais importante instrumento jurídico e político do país.

Maceió, 10 de fevereiro de 2015.

Entidades e instituições que referendam este documento:

- CONEPIR - Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial

- OAB\AL – Comissão de Defesa dos Direitos das Minorias da OAB\AL

- NEAB\UFAL - Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal de

Alagoas

- COJIRA\SINDJORNAL – Comissão de Jornalistas por Igualdade

Racial\Sindicato dos Jornalistas de Alagoas;

- UNEAL – Universidade Estadual de Alagoas

- Fretab – Federação Zeladora das Religiões Tradicionais Afro-Brasileiras em

Alagoas

- Ile Ifé Omi Omo Possu Betá

- Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô

- Pastoral da Negritude da Igreja Batista do Pinheiro

- Juventude Negra Independente

- Instituto Raizes de África

- FALC - Federação Alagoana de Capoeira

- GUESB - Grupo União Espírita Santa Bárbara

- CUT – Central Única dos Trabalhadores

- INEG\AL – Instituto do Negro em Alagoas

 - Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas Ganga Zumba

- Coordenação Nacional das Comunidades Remanescentes de Quilombo –

CONAQ

- Comunidade Remanescente de Quilombo Carrasco

- Comunidade Remanescente de Quilombo Cajá dos Negros

- Agentes de Pastoral Negros do Brasil - APNs

- NUCAB-IYA OGUN-TE, Núcleo de Cultura Afro Brasileira Iya Ogun-te

- CNTE - Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação

 

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O Balanço Econômico do Carnaval de Alagoas

 

O balanço econômico do Carnaval de Alagoas deve ser anunciado pela Secretaria Municipal de Turismo de Maceió, bem como pela estadual.

É esperado dos dirigentes das pastas que eles venham a público informar quantos empregos temporários gerou o Carnaval de Maceió e quantos milhões de reais foram injetados na economia de Alagoas.

As cidades de Paripueira e Maragogi, no litoral norte, e Barra de São Miguel, no litoral sul, permanecem como as três cidades polos do Carnaval alagoano. A cidade de Piranhas, no sertão, é uma promessa e pode se consolidar como mais  um polo de festa carnavalesca, pela localização, às margens do rio São Francisco, assim como pela beleza do seu patrimônio arquitetônico.

A imprensa nacional noticia o crescimento do carnaval de rua em quase todos os estados, seja nas cidades grandes, nas capitais e regiões metropolitanas, seja nas cidades médias ou em pequenas cidades. Alagoas está fora desse noticiário, e quando entra é negativamente.

Essa é uma boa luta. É necessário seguirmos o bom exemplo dos carnavalescos e dos secretários de Turismo de Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, pensar e influenciar, criticar e propor soluções para o nosso Carnaval.

Evoé.   

 

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Querem acabar com o carnaval de Maceió

 

“ Você diz que o carnaval é uma besteira

Que prefere descansar até quarta-feira

Não quer saber do frevo nem por brincadeira

Você não quer meu bem, mas tem quem queira

Você não quer meu bem, mas tem quem queira”.

(Edécio Lopes e Marcos de Farias Costa)

 

            O carnaval é a principal festa popular do Brasil há mais de um século em todas as cidades, por maior que seja a crise econômica. O povo, com uma alegria contagiante, se fantasia e vai às ruas sambar e dançar o frevo. Esses dois gêneros são os que mais atraem as massas, mas há outros que as animam em todas as regiões do país.

            As festas em todos os lugares do mundo são caminhos certos de atração de renda, de riquezas, além, óbvio, de prazer e alegria. Com o carnaval não é diferente. Mas parece que em Maceió estão – e não é de hoje, faz já bastante tempo − querendo cristalizar uma mentira: a de que a cidade durante o carnaval é um balneário e, portanto, um refúgio para os que não gostam ou não desejam se divertir no carnaval.

             Essa posição vai de encontro à dinâmica econômica e social do restante do Brasil. Os apelos publicitários têm sido veiculados cada vez mais pelas agências de turismo, pelos governos e pelos empresários das cidades e estados onde o carnaval atrai milhões de pessoas (consumidores). Em Alagoas há um movimento em sentido contrário: empresários da hotelaria e até, pasmem, secretários de turismo de Maceió e do estado, em coro dizem o mesmo: “Maceió é um destino consolidado para o turista descansar no carnaval”.

As prévias carnavalescas vêm crescendo a cada ano. Antes, na cidade tínhamos os famosos banhos de mar à fantasia, sempre no domingo que antecedia o sábado de carnaval. Blocos animando milhares de foliões que, frevando no asfalto da avenida da Paz e na areia branca da praia, se esbaldavam. O poder público apoiava, mas era a espontaneidade do povo que alegrava e abria triunfalmente o carnaval de Maceió.

A Liga dos Blocos, entidade presidida pelo jornalista Edberto Ticianeli, mantém a extraordinária façanha de organizar o Jaraguá Folia com 170 blocos, desfilando pelas ruas do bairro de Jaraguá. Esse trabalho é pouco valorizado, quando não incompreendido pelo poder público, tanto o municipal como o estadual.  

A racionalidade econômica diz que os empresários deveriam ser os principais interessados na oportunidade de geração de empregos diretos e temporários. Os hoteleiros podem ampliar ainda mais os seus negócios, assim como os distribuidores de bebidas e refrigerantes, água mineral, sucos, os varejistas de um modo geral, os supermercados, o setor de transporte e os taxistas etc. 

            O antropólogo Edson Bezerra, irresignado com a atitude passiva do poder público diante do lobby, que não oferece as condições básicas para que haja carnaval de rua em Maceió, disse: “Por trás da não existência do Carnaval de Rua, o trade turístico está ainda mais apartando a cidade de uma grande alegria”. E concluiu: “o jornalista Ticianeli, pelo trabalho desenvolvido através da Liga dos Blocos, merece uma estátua em praça pública”. Com o que eu concordo e assino em baixo.

            A luta pela ressureição do Carnaval de Rua em Maceió terá de partir da sensibilização dos empresários do comércio e da indústria alagoana. Esse papel pode e deve ser deflagrado pelo presidente da Liga dos Blocos e por intelectuais e membros e dirigentes de Escolas de Samba de Maceió.

O capitalismo prima pela geração de riqueza e pela obtenção de lucros, mas em Alagoas esse princípio é esquecido completamente, pois em determinados setores da economia alagoana essa possibilidade é desdenhada. Ao contrário de Pernambuco, Rio de Janeiro, Bahia e agora São Paulo, que têm se superado na organização do Carnaval de Rua. São Paulo é o principal polo industrial do carnaval brasileiro e em breve será também um polo importante de Carnaval de Rua.

 

Evoé.

 

 

 

 

 

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Meu primeiro carnaval

Meu primeiro carnaval é o título do CD do poeta, livreiro e compositor Marcos de Farias Costa, onde se apresenta cantando frevo alagoano de corpo e alma. Marcos é um intelectual multifacetado, um tipo raro na atualidade, que surpreende a todos, inclusive aos amigos mais próximos. 

Desta vez ataca de intérprete das suas músicas, os frevos. Marcos é autor de dezenas de composições e tem parceria com compositores e músicos, como Edécio Lopes, Ibys Maceió, Gustavo Gomes, Stanley de Carvalho, Juvenal Lopes, Robson Amorim, Tânio Barreto, Wellington Pinheiro, José Gomes Brandão e com o seu irmão, Marcondes Costa, o mais constante entre os seus parceiros.

        Mas afinal o que significa frevo alagoano? É o frevo composto a partir de temas e motivações alagoanas. Onde a cultura, o povo e os costumes são traspostos para as músicas. Em resumo: a identidade alagoana. Não se trata de mudanças melódicas. Pode parecer pouco, ou mesmo um detalhe, mas é a essência do que somos, a alma, a nossa identidade a ser preservada e perpetuada através da música, e nesse caso em particular, do frevo que arrasta multidões.

Isso não significa transformar o frevo feito em Pernambuco ou em qualquer parte do Brasil em alvo da nossa rivalidade. Não é isso e nem de longe se pode pensar tão pequeno. O frevo alagoano que Marcos e muitos outros compositores alagoanos querem e vêm fazendo é o caminho da afirmação de uma identidade, é a produção de um ritmo musical com o sotaque e o selo de Alagoas, nada mais que isso.

        O frevo de Marcos de Farias Costa, Stanley de Carvalho e Edécio Lopes, este último nascido em Pernambuco, trata de motivações, retrata pessoas e temas locais que exaltam as nossas tradições e riquezas culturais.

        O Moleque Namorador, folião notável, imortalizado e lenda dos antigos carnavais de Maceió, é um dos personagens homenageados por Marcos e Stanley de Carvalho num dos frevos, que tem o insuspeito título de “Moleque Namorador”:

 

“Bumbo, surdo, caixa e tarol

Arrocha os metais em bemol

O frevo promete

Azeita o moleque

Que diz que é namorador (Bis)

Enquanto eu me aqueço

Esquenta essa troça

Que na Ponta Grossa

Eu sempre arranjo um amor

Eu sou enxerido

E já na sexta-feira

A minha nega sabe como eu sou

Eu sou sempre moleque

Criança ainda

Na quarta-feira de cinzas

Volto e dou meu alô” (Bis)

 

Evoé, Marcos de Farias Costa.

       

 

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Jayme Miranda, um revolucionário brasileiro

 

Jayme Amorim de Miranda (1926-1975), jornalista, advogado e dirigente comunista, nasceu em Maceió, no bairro do Poço, no dia 18 de julho de 1926, filho do casal Manoel Simplício de Miranda e Hermé Amorim de Miranda, o segundo de uma família de dez filhos. São eles: Haroldo (1925-1988), Jayme (1926-1975), Valter, Edvar, Zenaide, Wilton (1931-2006), Nilson (1933), Neiza, Hélio, Manoel − Manelito − Amorim de Miranda.
Casa-se com Elza Rocha de Miranda e constituem uma família de quatro filhos.Dois nasceram em Maceió e dois no Rio de Janeiro: Olga Tatiana (1960) e Yuri Patrice (1961), são alagoanos; os outros dois, Jaime (1965) e André Rocha de Miranda (1970), são cariocas. 
Em 1974 e 1975 Jayme Miranda foi, também clandestinamente, a Moscou. A rota é pela Europa, passando pelo aeroporto de Orly em Paris, onde é vigiado pelo serviço secreto francês, como consta do seu prontuário. Essa foi, sem que ele pudesse supor, a sua última viagem internacional. 
No dia 4 de fevereiro de 1975, no Rio de Janeiro, é sequestrado pelo Doi-Codi. Até hoje não apareceu, nem as forças armadas entregaram seus restos mortais. Jayme Amorim de Miranda é um dos “desaparecidos políticos” brasileiros. 
Hoje, faz 40 anos que Jayme Miranda foi sequestrado e o Estado brasileiro continua sem informar a família e a nação para onde os facínoras do aparelho de tortura da ditadura militar levaram Jayme Miranda e os demais “desaparecidos políticos".

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Evoé, Ovo da Madrugada

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O carnaval no interior de Alagoas tem ressurgido das cinzas, depois de quase ser sepultado, os foliões com apoio institucional ou não, retomaram a tradição de organizar blocos de ruas.

A cidade de Penedo é um desses casos onde um grupo de foliões persistiu na organização de um bloco carnavalesco, o Ovo da Madrugada.  

O Ovo da Madrugada é um caso de sucesso e há sete anos anima a cidade colonial ribeirinha arrastando milhares de foliões pelas ladeiras mais bonitas e bucólicas de Alagoas.

O batismo feito em praça pública pelos dirigentes do  Pinto da Madrugada, irmão mais velho, Eduardo Lira, Marcos Davi e Braga Lira, a cerimonia aconteceu ao som das orquestras de frevos de Penedo e Traipu.

O hino do bloco é uma composição de Luiz Paulo Galvão e os principais organizadores foram e continuam sendo Betinha e Alcides Galvão e Júnior Dantas. A tradição está sendo construída ano após ano.

Os bonecos gigantes são dez e foram confeccionados pelo artista plástico Tadeu dos Bonecos, um pernambucano que adotou a cidade de Penedo há vários anos para viver e trabalhar.

O carnaval no interior de Alagoas vem ganhando novos brilhos e cores. A bola fora de 2015 ficou por conta da prefeitura de Marechal Deodoro que havia criado o Bloco Ninho do Pinto, mas na última hora, o Prefeito anunciou que o Bloco não iria sair, com a alegação de que o município vive uma crise financeira.

Ora, vejam bem: Marechal Deodoro é a cidade alagoana onde há o maior número de músicos e de orquestras, são cinco. E todas de alto nível. Mas quando falta boa vontade tudo é pretexto.

Vamos brincar o carnaval em paz.

Evoé!

 

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