A voz que encanta as noites

Micheline Deise de Almeida, ou simplesmente Micheline, nome artístico da cantora que tem encantado as noites maceioenses há treze anos. Por onde canta enche a casa, seja em barracas de praias, restaurantes ou bares alternativos. Homens e mulheres ficam atraídos pelo seu repertório e pela sua beleza.

         É provavelmente a mais sensual das cantoras de sua geração −. atributo associado a sua voz afinada e seu repertório muito bem montado, vem cada vez mais atraindo admiradores.

         A vida das cantoras e cantores que trabalham na noite não é nada fácil: cantam em pequenos palcos − quando não em calçadas −, isso para não falar de ambiente onde a acústica é imprópria. Em meio a tanta falta de condições de trabalho, são obstáculos e desafios superados através de artifício vocais e/ou performáticos.

         Trabalhar na noite nunca foi moleza, não. Em qualquer época. Diante das dificuldades encontradas, a sorridente Micheline solta a voz e levanta o público. Nesses anos de estrada conquistou uma fatia de público e de fãs de causar ciúmes e dores de cotovelos às colegas de ofício.

Isso fica evidente, pois a cada casa em que se apresenta uma rede de fãs passa e repassa mensagens anunciando o novo ponto de encontro. É público garantido e casa lotada.   

         Não faz muito tempo abriu o show da cantora Ângela Rô Ro, no SESC – Poço, e a plateia a recebeu com entusiasmo e louvação. Sinal, quero crer, de empatia entre o público − que já a conhecia das noitadas – e o repertório montado com algumas canções clássicas da MPB, outras de compositores alagoanos, aliado a sua performance no palco.

         Micheline encanta. “Som de uma saudade” é o titulo do cd que lançou em 2008; são dezoito músicas gravadas, de vários estilos e épocas. Os compositores alagoanos Marcondes e Marcos de Farias Costas, e Robson Amorim – este paulista que já se alagoanizou − são interpretados por Micheline.

 

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Aqui Jazz Rex Bar

 

Há 14 anos os médicos me aconselharam a parar de consumir bebidas alcoólicas. Não vou esconder, confesso que fiquei chateado, pois sou boêmio das noites e dos dias e permaneço frequentando regularmente os locais onde há boa música e também boas conversas.

        O Rex Jazz Bar é um desses lugares em Maceió, onde é possível ouvir com qualidade o jazz, o blues, o chorinho e outros ritmos.

        O Helvio Gama, idealizador e proprietário, é uma dessas figuras alegres e de bem com a vida, e que vive para fazer amigos.

Helvio é o que antigamente se chamava de um cara boa-praça. Mais que dono de bar, é um sujeito que agrega as pessoas; refinado e modesto, duas das suas inúmeras qualidades e que me fazem cada vez mais admirá-lo.

        Acontece que depois da intempestiva invasão da Polícia Militar e dos funcionários da SMCCU, fato constrangedor para os frequentadores e para ele, claro, o pior veio a galope: foi o anúncio “fúnebre” do fechamento: Aqui Jazz Rex Bar. Ao ler a nota postada no Facebook me lembrei dum verso da música Sabiá de Chico Buarque e Tom Jobim:

 

“Vou voltar

Sei que ainda vou voltar

Para o meu lugar

Foi lá e é ainda lá

Que eu hei de ouvir cantar

Uma sabiá”.

 

        Os motivos expressos na comunicação pelo produtor cultural são para ser aceitos, quando diz: “Por não mais me sentir à vontade diante da humilhação sofrida, de ter o estabelecimento cercado por policiais fortemente armados, nossos clientes expulsos das mesas e nossos móveis apreendidos e confiscados, resolvemos ENCERRAR NOSSAS ATIVIDADES. Além do trauma psicológico sofrido, o cancelamento forçado dos shows também atingiu o financeiro do nosso querido Rex. [...] Após dois anos e sete meses, o Rex acha que, em parte, cumpriu sua missão. Provou que longe dos melhores bares da cidade, ali na Jatiúca, Stella Maris e em seus entornos, bem no meio da semana a música instrumental pode fazer sucesso”.

        Agora nos preparamos para a despedida, na torcida de que seja repensada a sua atitude, para o bem dos frequentadores, dos boêmios, dos jovens e da cidade tão carente de boa música e de um espaço alternativo saudável.

        Volta, Rex Jazz Bar!

 

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O Impacto da criminalidade na economia (Final)

 

        A inexistência de políticas públicas continuadas para a área da segurança pública tem ampliado o fosso entre o Estado e a sociedade. As autoridades responsáveis pela segurança não têm encontrado respostas convincentes para explicar a crescente criminalidade em Alagoas. Pior. Tratam o assunto em público com “argumentos” de uma época pretérita e que mesmo para aquela época já demonstrava ser ineficaz.

        A utilização do policiamento ostensivo tão só aparenta à população uma sensação – tecnicamente se comprovou falsa - de segurança. Os reais motivos são desprezados pela incapacidade de se fazer uma outra leitura da nova realidade social e econômica que se apresenta.

        As estatísticas disponíveis hoje são mais confiáveis que as coletadas no passado. Mas, volto a afirmar: devido à incapacidade de interpretar os dados e pensar politicas de segurança pública, as autoridades responsáveis pela segurança pública continuam insistindo em manter o posicionamento ideológico de que há uma guerra declarada contra a marginalidade. Para isso mantêm a justificativa do confronto, e as energias são canalizadas para essas concepções reacionárias e belicistas.

A guerra declarada pelo aparelho militar da segurança pública em nível local e nacional produziu nas últimas décadas milhares de baixas dos dois lados. Essa guerra tem interesses outros que não a segurança pública. O Estado que decreta a guerra nunca se declarou vencedor, e nas entrelinhas declara perder a “batalha” para a marginalidade.

Nesse ambiente conflagrado - esta é a visão dos falcões da segurança pública, quero aqui ressaltar -, há grupos de extermínios com origem nas polícias e/ou com o apoio delas, o que tem contribuído para elevar as estatísticas de crimes letais intencionais, os homicídios dolosos, assim definidos tecnicamente.

Os custos com a segurança pública crescem, mas numa proporção inferior ao crescimento do problema. Alagoas dispõe de 10.527 policiais nas três corporações: a Polícia Militar tem 7.294, o Corpo de Bombeiro Militar, 1.307, e a Polícia Civil, 1.926. O orçamento da segurança pública, em 2012, foi de R$ 797.408.780. Esse montante inclui todas as despesas correntes com folhas de pagamentos e custeios e contrapartidas junto aos convênios firmados com o governo federal.

A administração penitenciária é outro sorvedouro de recursos públicos e sem maiores controles em sua gestão. Em 2011 foram aplicados R$ 30.904.085,32, e em 2012 houve um considerável acréscimo, passando para R$ 53.287.101,06. Esse crescimento deu-se em função das construções e reformas de presídios na capital e no interior.

O sistema penitenciário alagoano em 2012 dispunha de 1.113 vagas e tinha 4.153 presos nos presídios, ou seja: um déficit de 3.040 vagas, e a exemplo do que ocorre nacionalmente, não há política de ressocialização dos presos. A população carcerária em 2014 aumentou. O crescimento da população carcerária não tem sido estudado para se encontrar um modelo de redução da população combinado com a ressocialização dos presos. Essa conta ainda não foi realizada, e assim o impacto da criminalidade na economia e nas contas públicas não foi ainda efetivamente mensurado pela falta de estudos e, mais grave, pela improvisação das ações governamentais. 

A violência que se abate sobre Alagoas nas últimas décadas tem tido visibilidade na mídia nacional, mas essa tragédia não fez com que o governo se mobilizasse para encontrar soluções para o problema.

O Mapa da Violência 2014, Jovens do Brasil, evidencia que nos anos 2011 e 2012 foram assassinadas 4.314 pessoas de todas as faixas etárias; e que 2.560 jovens, de 15 a 29 anos, foram mortos no mesmo período. “Um estado como Alagoas, que até poucos anos apresentava taxas moderadas, abaixo da média nacional, em poucos anos passou a liderar o triste ranking da violência do País, com crescimento vertiginoso a partir de 1999”.(Mapa da Violência,p.31,42)

Alagoas alcançou a taxa de homicídios juvenis cinco vezes maior que a dos estados de Santa Catarina e São Paulo. Os efeitos danosos que a criminalidade dissemina na sociedade vêm impactando a economia alagoana. Talvez os efeitos da epidemia de violência ainda não tenham obtido a real visibilidade no canteiro de obras ou no escritório.

        Reinam o temor, a sensação de insegurança da população e os elevados gastos com a segurança privada nas empresas, nos condomínios e nas residências de classe média. Os pobres, moradores dos bairros da periferia de Maceió, sem iluminação adequada, sem serviço de transporte coletivo decente, são submetidos à lei do silêncio e obrigados a conviver com o trafico de drogas; e ainda, muitos deles são obrigados a pagar por “segurança privada” − o justiceiro, uma versão alagoana do miliciano carioca.

            Diante dessa realidade, os governos se esmeram em exibir armamentos e instigam a força pública de segurança a reprimir indistintamente os guetos periféricos, onde a população vive sem a presença do Estado, e o braço estatal que aparece se expressa através da violência policial.

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Torturador foi secretario em Alagoas

 

A Comissão Nacional da Verdade entregou o relatório final à presidenta Dilma Rousseff, nesta quarta-feira (10) em cerimônia no Palácio do Planalto, o documento trata dos  crimes e violações de direitos humanos que ocorreram no período entre 1946 a 1988. A cerimônia aconteceu no Dia Mundial dos Direitos Humanos.  

A comissão sistematizou uma relação de agentes públicos responsáveis pela repressão, são 377 nomes de militares e civis de várias patentes obedecendo ao critério da cadeia de comando incluído os ex-presidentes da República os generais, ministros e comandantes de áreas.

A comissão apresentou uma relação com 434 nomes de mortos e desaparecidos políticos. Onde constam 210 desparecidos, 191 mortos e mais 33 corpos que localizados e não constavam das relações anteriores.

A ditadura atingiu a representação dos trabalhadores ao intervir em 536 sindicatos.

A ditadura prendeu, torturou, baniu e assassinou militares, a comissão apresentou uma relação com 6.591 militares perseguidos. Os números são espantosos: 3.340 da Aeronáutica, 2.214 da Marinha, 800 do Exército e 237 policiais militares.

Dois entres os 377 torturadores em momentos distintos estiveram em Alagoas e ocuparam postos importantes, o coronel Francisco Demiurgo Santos Cardoso, relacionado entre os envolvido diretamente no desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva e de outros presos políticos. Foi comandante do 20º Batalhão de Caçadores (20 BC), é falecido.

E o general Edson Sá Rocha, ex-secretário de Defesa Social no governo Teotônio Vilela Filho. Sá Rocha planejou o atentado à bomba do Riocentro, em 1981. No dia 1º de maio, quando explodiu uma bomba no colo de um dos militares, incidente que frustrou a ação planejada pelo general e outros militar da linha dura.

 

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Carta aberta ao prefeito Rui Palmeira

 

Senhor prefeito:     

Vi uma postagem no Facebook onde funcionários da Secretaria Municipal de Controle e Convivo Urbano (SMCCU) recolhiam mesas e cadeiras do Rex Jazz Bar, no bairro de Pajuçara. Fiquei sem acreditar tamanho o desproposito daquele ato. Se havia ou há alguma inconformidade no funcionamento do estabelecimento, o normal nesses casos deve ser a abertura de um procedimento administrativo e caso haja alguma irregularidade que se exija a pronta resolução. E não o recolhimento das mesas e cadeiras.

Senhor Prefeito, falo com a experiência prática de ex-fiscal de postura do município de Maceió, função que exerci durante alguns anos.

Há poucos bares em Maceió onde se pode ouvir música de qualidade. O Rex Jazz Bar é um desses locais, onde os apreciadores do jazz e de outros gêneros musicais passaram a se encontrar todas as semanas. O espaço público usado, em parte, pelos frequentadores é um cantinho escondido de nossa cidade, uma minúscula praça, construída no início da década de 1960, pelo prefeito Sandoval Cajú.

        A Praça do Rex, homenagem ao antigo cinema, esteve abandonada nas últimas décadas, vinha sendo ocupada por adolescentes em situação de risco e que vivem nas ruas e ponto de prostituição feminina e masculina. Esse era o cenário.

O produtor cultural Hélvio Gama, requalificou aquele espaço público ao abrir o Rex Jazz Bar criou alguns postos de trabalho e atraiu jovens e adultos, artistas de várias áreas, intelectuais e boêmios para as noites de música no Rex Jazz Bar.  

Senhor Prefeito, os cidadãos que gostam de boa música, de arte e divertimento proporcionado pelo Rex Jazz Bar à cidade de Maceió, esperam um gesto que aponte uma saída satisfatória para a administração pública e para o proprietário.    

Assim teremos mais músicas em nossas vidas.

Um forte abraço,

Geraldo de Majella

         

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A Voz do Povo

O semanário A Voz do Povo, órgão do Partido Comunista Brasileiro - PCB em Alagoas, começou a circular no dia 1º de maio de 1946. A redação de A Voz do Povo desde a sua fundação funcionou até a sua destruição, em 1º de abril de 1964, no nº 606 da rua do Comércio, num imóvel que pertenceu à histórica dirigente comunista Maria Augusta de Miranda (Marinete).

O primeiro diretor foi o jornalista e advogado André Papini Góes. Em 1947, Papini foi eleito deputado estadual constituinte pelo PCB. A redação era inicialmente constituída por jovens, alguns ainda estudantes, como Arnoldo Jambo, Floriano Ivo Júnior, Hélio de Sá Carneiro, Murilo Leão Rego e George Cabral, todos militantes do PCB.

        As dependências d’ A Voz do Povo eram compartilhadas com a direção regional de Alagoas. A ocupação destes espaços evidenciava a ligação umbilical que havia entre o PCB e a administração, redação e oficina do jornal.

A máquina que durante décadas imprimiu o semanário era uma Marinoni com muitos anos de uso. Os tipógrafos, além dos seus afazeres, inúmeras vezes consertaram a máquina depois dos sucessivos empastelamentos.

O jornal teve três diretores durante os dezoitos anos de existência [1946-1964]: André Papini Góis, Osvaldo Nogueira e Jayme Amorim de Miranda. 

Em vários momentos de sua vida o jornal teve de ser impresso em gráficas clandestinas em Maceió e no Recife. Esses fatos ocorreram durante os governos de Silvestre Péricles [1947-1951], Arnon de Mello [1951-1956] e Luiz Cavalcante [1961–1966]. O único período em que A Voz do Povo não sofreu com atos violentos foi no governo de Sebastião Marinho Muniz Falcão [1956-1961].  

Nilson Miranda, antigo dirigente comunista e repórter d’ A Voz do Povo, testemunhou: “O jornal circulou durante anos em condições precárias. Mesmo assim era distribuído e lido nas fábricas, nos bairros populares de Maceió e em outras cidades de Alagoas. Foi uma escola de jornalismo.”

No dia 1º de abril de 1964 a sede do semanário foi invadida e destruída; os seus bens foram saqueados e a gráfica foi destruída. Os seus diretores foram presos. Terminou assim uma longa trajetória.

A invasão foi comandada pelos delegados Rubens Quintela e Albérico Barros, e o responsável pelo ato violento foi o comandante do golpe militar em Alagoas, o governador Luiz Cavalcante.   

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Segurança Pública no fim do governo

 

 

O dia 27 de novembro entrou para a história da cidade de Penedo, quando Leandro Júnior, [Gamimbé], 18 anos, negro, foi preso e levado para a carroceria de uma caminhonete da PM, em pé e algemado, ao lado de dois com os rostos coberto e as viaturas em comboio com as sirenes ligadas, os faróis acesos a circular pelas ruas exibido o preso como um “troféu”.

        Esse ato indigno de uma guarnição militar que tem a função constitucional de garantir a segurança pública, se preste ao papel execrável de justiceira. Não devendo em nada as volantes do tenente José Rufino, algoz de Lampião, no final da década de 1930.

        Os responsáveis pela segurança pública de Alagoas e principalmente o governador Teotônio Vilela, está devendo uma explicação a sociedade alagoana.  

        O advogado Daniel Nunes, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, em nota pública, pede explicação do ignominioso ato policial.

        A maioria dos policiais militares não concorda com atos dessa natureza, mas o espirito beligerante passado à tropa tem sido enfatizado na corporação.  

        As chacinas, as execuções sumárias e agora o pelourinho instituído pela Polícia Militar de Alagoas tem marcado com sangue o final do governo Teotônio Vilela.

        A Polícia Militar não pode ser exposta a tamanho vexame. Tudo isso depõe contra a centenária corporação.

       

 

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Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos

O deputado provincial Tomaz Espíndola,  redigiu e aparentou na sessão do dia 26 de maio de 1865, da Assembleia Legislativa Provincial o projeto de criação da Biblioteca Pública, numa tramitação célere o projeto em menos de um mês, no dia 10 de junho, é aprovado e dezesseis dias depois, no dia 26, o presidente da Província, desembargador Joao Batista Gonçalves Campos, torna o ato através da Resolução n.453.

O artigo 1º da Resolução anuncia: “ Fica criada no Lyceu desta capital uma Biblioteca Pública, a qual se comporá dos livros existentes no atual Gabinete do referido Lyceu pertencentes à Província e dos que forem sendo comprados pela presidência por autorização da Assembleia Legislativa Provincial”.

O prédio onde passou a funcionar a  biblioteca  foi construído por José Antonio de Mendonça, o Barão de Jaraguá, mas só na década de 1940 é que a edificação passou  a ser chamada de Palacete Barão de Jaraguá.

A Biblioteca Pública iniciou as suas atividades com o acervo bibliográfico de 2.072 obras escritas em várias línguas, como latim, francês, italiano, inglês, alemão, espanhol, árabe, grego, além de português, o que perfazendo 2.622 volumes e mais 547 folhetos e 1.366 estampas de botânica.

Passados 149 anos a Biblioteca Pública Estadual recebeu o nome de Graciliano Ramos, através do Decreto nº 29.175 de 2013.

A Biblioteca Graciliano Ramos após a restauração foi ampliada e passou a ocupar todo o antigo Palacete, antes dividia com o Arquivo Público. Acessibilidade é um dos principais itens da reforma, o prédio secular passou a contar com um  elevador e computadores e áreas destinadas as pessoas com deficiências e espaços para crianças.

Os usuários terão a disposição 95 mil volumes, acervo de obras raras. “Espaço exclusivo, dotado de protótipo de uma Biblioteca Modelo, para o atendimento voltado às Bibliotecas Públicas Municipais de Alagoas. Além do acervo literário, a Biblioteca dispõe de um acervo de obras de arte, em exposição permanente, e ainda o Memorial Graciliano Ramos um espaço dedicado à vida e obra do escritor alagoano aberto a visitação pública”.

A Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos ficou bem mais atrativa para os usuários que já a conhecia e será certamente uma surpreendente novidade para os jovens e as crianças que não conhecem.

Visitar a biblioteca será um grande programa e a partir daí o antigo Palacete do Barão de Jaraguá será reincorporado a vida afetiva dos alagoanos.

Finalizo, parabenizando o Secretario de Estado de Cultura Osvaldo Viegas e a diretora da biblioteca, a bibliotecária Maria Luiza Russo pelo grande obra entregue a cidade de Maceió e ao povo alagoano.

Fonte: Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos. In Sant’Ana, Moacir Medeiros, Pequena História da Biblioteca Pública Estadual, Maceió, Imprensa Oficial Graciliano Ramos, 2014, p. 67.  

 

  

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O cantor e compositor Robson Amorim

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Robson Amaral Amorim (1948), músico e compositor. Nasceu em Recife no dia 13 de novembro de 1948. Filho de Aderson Evaristo Amorim e Diva Amaral Amorim. Estudou no Colégio Marista de Recife. Aos dez anos, acompanhado dos pais e das irmãs, deixou a cidade e foi morar em São Paulo, cidade onde passou a viver com a família.

O pai, Aderson, trabalhava como vendedor da Guararapes Tecidos em Recife. Chegando em São Paulo, continuou trabalhando como atacadista de tecidos. A mãe, dona Diva, trabalhava como cabeleireira.

Robson continuou os estudos em São Paulo no Colégio Mackenzie. Ao sair da adolescência, procurou um trabalho. Deixou, assim, por falta absoluta de tempo, os estudos. Trabalhou em várias empresas, mas foi na Crusoé Discos – época de vinil – onde trabalhou duro por dezoito anos.

Ter trabalhado como vendedor em uma loja de discos influenciou Robson para a música. No entanto, alguns anos depois, reconheceu que sua formação musical e também o gosto pela composição foram moldados no trabalho na loja Crusoé Discos.

As conversas frequentes com clientes, músicos, colecionadores, professores e gente simples que cultuavam bom gosto musical definitivamente abriram um novo horizonte na sua vida, e até mesmo a perspectiva de um dia viver como músico profissional.   

A música sempre esteve presente em sua casa. A mãe e as duas irmãs tocavam piano. O trio musical da família era composto pela mãe Diva e pelas irmãs Rose Mary e Sonia Maria do Amaral Amorim.

Mesmo com a influência musical na família, o verdadeiro interesse pelo violão surgiu por meio dos festivais de músicas da TV Record e da TV Tupi nos anos de 1960, período de efervescência da música popular brasileira.

São aproximadamente 130 composições musicais, compostas desde o tempo em que trabalhou na loja de discos em São Paulo, onde começou a compor e encontrou o seu primeiro parceiro, o músico Paulo Viana. A maioria das composições com letras foi feita com Paulo Viana. A outra parte são músicas instrumentais. Até o ano de 2010 foram gravadas 10 composições deste tipo.

Robson Amorim tem como influência musical o músico Baden Powell, definido como seu “mestre auditivo”. Robson continua, incansavelmente, ouvindo as composições de Baden. Seja dia ou seja noite, na varanda ou no quarto, com ou sem o acompanhamento do inseparável violão.

Em Maceió desde novembro de 2004, encontrou um ambiente musical ricamente favorável, bem como a receptividade dos músicos e compositores locais, o que tem contribuído para enriquecer a sua produção.

Integrado à vida cultural, reaproximou-se do choro, gênero musical pelo qual, desde muito jovem, nutre grande paixão. Durante os últimos seis anos [2004-2010], produziu como nunca havia feito e com vários e diversificados parceiros, como os irmãos Marcos e Marcondes de Farias Costa, Stanley Carvalho, Ubirajara Almeida, Ricardo Cabús e Gustavo Gomes.

A maturidade musical e o crescimento da produção musical o fizeram apresentar seu trabalho em festivais e mostras, tanto em Alagoas como fora do Estado. Participou, em 2006, com a música autoral “Marisol”, da 3ª edição do Palco Aberto, projeto da Secretaria de Estado da Cultura (Secult).

Outro evento em que também conseguiu classificar músicas autorais foi na Mostra do SESC, nos anos de 2006, 2007 e 2008. Em 2006, a música classificada foi “Pequena Suíte Alagoana”, composta com Marcos de Farias Costa e interpretada pelo cantor alagoano César Rodrigues, com participação de Robson Amorim no violão, Ricardo Lopes na guitarra, Van Silva no baixo, Herbeth Vieira na bateria, Luizito no pandeiro, Ronalso na percussão e Uruba na flauta.

Em 2007, foi a vez da música “Chorei”. Composta por Robson em parceria com os irmãos Marcos e Marcondes Costa. Interpretada por Micheline Almeida, acompanhada de Van Silva (baixo), Wilbert Fialho (violões), Everaldo Borges (flauta), Josivaldo Jr. (teclado) e Herberth Vieira (bateria). 

No terceiro ano seguido, 2008, voltou a classificar uma canção no Festival do SESC. “Malicioso”, composta em parceria com Marcos de Farias Costa, interpretada por Micheline Almeida, Robson Amorim (violão), Toni Augusto (guitarra), Van Silva (baixo), Josivaldo Jr. e Juliano Gomes (teclados), Everaldo Borges (flauta), Ronalso (percussão) e Pantaleão (bateria).

Maceió consolidou-se como grande palco para Robson Amorim. Na capital alagoana, vem se apresentando em festivais ou em eventos organizados por órgãos estatais, como ocorreu no 1º Festival de Música do Instituto Zumbi dos Palmares (IZP).

A música “Chorar Simplesmente”, de sua autoria com Paulo Viana, foi gravada no 1º cd do Choro Alagoano, “Chorano”. Participou da trilha sonora do filme “Lá vem Juvenal”, curta-metragem produzido e dirigido pelo cineasta Hermano Figueiredo.

Robson Amaral é autor da vinheta da Secretaria de Estado da Saúde (SESAU) veiculada em rádios e televisões, campanha de combate a hanseníase.

Tem se apresentado semanalmente em casas noturnas e também em encontros vesperais dos sábados e domingos. O repertório é composto de músicas instrumentais e das suas composições e de autores alagoanos.

Em 2010, Robson classificou-se para o projeto “Quinta instrumental”. A apresentação aconteceu em 7 de outubro, no Teatro de Arena Sérgio Cardoso. Na oportunidade, foram mostradas músicas de sua autoria e choros de consagrados músicos brasileiros. Nessa apresentação, esteve acompanhado de Zailton Sarmento, Mikla, Wagner e Wilbert Fialho.

 

Fontes:

Marise Leão Ciríaco e Robson Amaral Amorim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Para não esquecer e não deixar que esqueçam

A Comissão da Memória e Verdade Jayme Miranda enviou a Porto Alegre e São Paulo, Olga Tatiana de Miranda, membro da comissão, e Geraldo de Majella, historiador e voluntário, para gravar o depoimento de Nilson Amorim de Miranda, ex-vereador, jornalista e ex-dirigente do PCB, no Rio Grande do Sul. Em São Paulo foi realizado contato com a direção do Arquivo Público do Estado e com o Laboratório do Centro de Arqueologia e Antropologia Forense (CAAF) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

 

Para a Universidade Federal de São Paulo foram transportadas 411 caixas, guardadas em 30 nichos ou sepulturas. O conteúdo dessas caixas são ossadas encontradas numa vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus, em 1990, e que desde 2002 estavam alocadas no Ossário Geral do Cemitério do Araçá, à espera de definição quanto à retomada da identificação. Antes, essas ossadas achavam-se jogadas numa sala inapropriada da Unicamp.

 

O Centro de Arqueologia e Antropologia Forense está realizando a análise científica para a identificação dos restos mortais das ossadas transportadas em 1.049 caixas. O grupo de trabalho é formado por arqueólogos e antropólogos da EAF – Equipe Argentina de Antropologia Forense e da EPAF – Equipe Peruana de Antropologia Forense e especialistas brasileiros.

 

É a primeira vez que se verifica o envolvimento de instituições dos três níveis da administração pública: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da prefeitura de São Paulo, e da Unifesp – Universidade Federal de São Paulo. Os trabalhos estão sendo coordenados pelas técnicas Márcia Hattori, Patricia Fischer e Luana Alberto.

 

O desafio está sendo enfrentado. É preciso que seja dito que na vala clandestina do cemitério de Perus foram possivelmente enterrados corpos de militantes políticos, pois três militantes políticos já foram identificados entre essas ossadas.

 

A busca incansável de familiares e de militantes dos direitos humanos é o que tem mantido a esperança de que talvez se encontrem outras ossadas de desaparecidos políticos.

 

O advogado Yuri Patrice de Miranda forneceu as amostras de sangue para o Banco de DNA de Mortos e Desaparecidos Políticos brasileiros e idêntico ato tem ocorrido com outros familiares de presos políticos que desapareceram nos anos mais duros da ditadura brasileira.

 

No Arquivo Público de São Paulo, Marcelo Chaves, diretor do Centro de Difusão e Ação Educativa, entregou à Comissão da Memória e Verdade de Alagoas os documentos pertencentes ao arquivo do Deops de São Paulo, em mídia eletrônica (CD-ROM), num total de 538 imagens. São elas imagens de Gastone Lúcia Beltrão, Luiz Almeida Araújo, Manoel Fiel Filho e Manoel Lisboa Moura.

 

Foi solicito ainda a Marcelo Chaves para que levantasse a documentação de: Gilson Souza Leão, Agrimeron Cavalcante da Costa, José Albuquerque Rocha, Jarbas de Holanda Pereira, Gildo Marçal Bezerra Brandão, José Thomaz da Silva Nonô Neto, Selma Bandeira Mendes, Sílvio da Rocha Lira, Paulo Elisiário Nunes, Sebastião de Sá Figueiredo, Adalberto Timóteo da Silva, José Maria Cavalcante, Alberto Passos Guimarães, Alberto Passos Guimarães Filho, Audálio Dantas, José Francisco de Oliveira, Henrique Cordeiro Oest, Aloysio Ubaldo das Silva Nonô, Mário Agra Júnior, Nelito Nunes de Carvalho, Teotônio Brandão Vilela e Nilson Amorim de Miranda.

 

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