Carta aberta ao bispo de Maceió, Dom Antônio Muniz

 

Dom Antônio Muniz,

Arcebispo Metropolitano de Maceió:

        Rogo a atenção de V. Exa. Revma. para fixar ainda mais o seu olhar sobre Alagoas. O estado não consegue controlar a epidemia de violência homicida que tem enlutado milhares de famílias.

Alagoas, nas últimas duas décadas, alcançou o primeiro lugar no ranking dos estados mais violentos. São números trágicos e vergonhosos que se assemelham aos de guerra.   

O Mapa da Violência de 2014 revela que entre 2008 e 2012 ocorreram 10.159 homicídios em Alagoas; desses, 6.114 são jovens, na faixa etária de 15 a 29 anos, ocorrendo 60% dos homicídios entre negros e pobres.

Os dados estatísticos produzidos pela Secretaria de Defesa Social (SDS) em 2013 revelam 2.260 crimes violentos letais, uma média de 6,19 homicídios/dia, e em 2014 foram assassinados mais 2.199; a média mantida é de 6,02 homicídios/dia. A soma do período é de 14.618 homicídios.

Esse contingente de jovens negros e pobres em idade escolar não teve o direito de viver com o mínimo de dignidade; foram assassinados e os motivos nunca serão esclarecidos pela policia alagoana, fato que mantém a impunidade como regra geral e política de Estado.

Dom Antônio, as condições em que o Estado se encontra é de sucateamento, notadamente nas áreas em que a população mais necessita: educação, saúde, assistência social, e com taxa de desemprego crescente.

As políticas públicas essenciais não existem concretamente, a não ser na propaganda oficial. A possibilidade de incluir os jovens no mundo do trabalho e da cultura é impensável em Alagoas.

O Núcleo Estadual de Atendimento Socioeducativo (Neas), localizado no Tabuleiro, em Maceió, é um depósito em condições inferiores às das piores pocilgas. A tortura física e psicológica tem sido o método de castigo implementado pelos agentes públicos. Não bastou o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, em 2014, ouvir dos adolescentes relatos de torturas e de que a comida era deplorável, pois as condições permanecem iguais ou o que mudou tem efeito meramente cosmético.        

Dom Antônio, a presença mais visível do estado nos bolsões de pobreza e miséria é através da presença da polícia, que insiste na “guerra contra a criminalidade” como meio de “oferecer segurança pública”. Essa prática retrógrada se mantém com o apoio e incentivo público dos responsáveis pela segurança pública.

Essa prática tem servido tão somente para incitar o ódio estatal contra o fenômeno crescente de violência, identificado como um estágio de epidemia. Toda a fúria policial é um instrumento que operacionaliza o processo de “limpeza social e étnica” instaurado há décadas no seio da segurança pública.  

Dom Antônio, como cidadão preocupado com essa questão, me reporto ao tempo em que era criança em Anadia, interior de Alagoas. Era então comum ouvir o dito popular: “vá se queixar ao bispo”. É o que me ocorre diante do estado de entorpecimento das autoridades de Alagoas.  

Apelo a V. Exa. Revma. por identificar na figura do arcebispo metropolitano e na Igreja Católica a possibilidade de intervir nesse quadro desolador.

Os meus respeitos e admiração

Geraldo de Majella

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Alagoas é o modelo do fracasso histórico na educação

 

O jornalista e empresário Arnon de Mello, ao ser lançado candidato ao governo de Alagoas, em agosto de 1950, disse: “em matéria de educação, estamos em penúltimo lugar nas estatísticas, com 77,9% de analfabetos, achando-se depois de nós o Piauí, com 78,4%”.

Passados 65 anos, Alagoas mantém-se alternando nas últimas posições no ranking dos estados com maiores índices de analfabetismo. Houve, no período, uma redução significativa; mesmo assim a taxa de analfabetismo de Alagoas continua a mais alta do país, 19,66%. O Maranhão aparece na sequência, com 18,76% da população com mais de 10 anos analfabeta. 

 “Alagoas e Maranhão também possuem altos índices de analfabetos entre outras faixas etárias. Alagoas lidera as piores estatísticas do analfabetismo entre as faixas etárias de 18 e 19 anos (5,93%, sendo a média nacional de 1,48%), de 25 a 29 anos (9,85%, diante da média nacional de 2,76%), de 30 a 39 anos (20%) e de 40 a 49 anos (26,82%). A pior taxa entre os jovens de 20 a 24 anos é do Maranhão (4,77%), que também lidera a de 50 a 59 anos (34,7%)”.

As explicações são muitas e são emitidas pelos governantes de acordo com a ocasião. Mas o fato é real e quase imutável.

O desmonte do Estado tem início no governo de Fernando Collor e continua com Geraldo Bulhões, quando a crise financeira e administrativa se aprofunda com o atraso dos salários dos funcionários públicos, e tem o desaguadouro fatídico nas gestões de Divaldo Suruagy e Manoel Gomes de Barros.

Nos últimos 25 anos a educação em Alagoas mergulhou no caos. Para a origem da quebradeira do Estado pode ser estabelecido como um marco histórico o dia 17 de julho de 1997, quando o então governador Divaldo Suruagy, depois de atrasar ainda mais os salários do funcionalismo público, chegando a dez meses de atraso, viu-se na contingência de renunciar ao mandato, diante das mobilizações dos funcionários.

A gestão da educação em Alagoas é fundada no improviso, no clientelismo e no patrimonialismo. O modelo em vigência é o símbolo e uma das causas da crise.

Os governadores Ronaldo Lessa e Teotônio Vilela foram eleitos e reeleitos, somando 16 anos, ou seja, 192 meses. O governador Renan Filho assumiu há cinco meses, a soma é de 197 meses. E o estarrecedor é que, nesse período, assumiram a secretaria de estado da educação nada menos que 14 secretários. A média de permanência no cargo é de 1,4 ano.

Esse método de gestão é marcado pela corrupção, baixa estima dos professores e funcionários e pela falta de um programa pedagógico estratégico que una a sociedade e os trabalhadores em torno da educação pública de qualidade.     

 A mudança efetiva da educação só poderá acontecer a partir de transformações na gestão, na formação continuada dos professores e na valorização do servidor público. A gestão da educação mantida por métodos arcaicos não serve para erradicar a chaga do analfabetismo e não será terreno fértil de revolução alguma.

Gostaria de estar completamente errado e que Alagoas superasse as suas dificuldades administrativas e os gestores públicos fossem tomados de súbito pela consciência da importância da educação pública, área mais importante e mãe de todas as outras, caminho da superação do atraso secular e meio de o povo pobre superar a pobreza e erradicar a miséria.  

 

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Autoridades dão vexame em audiência pública da CPI

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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da violência contra Jovens Negros e Pobres da Câmara Federal realizou uma audiência pública no plenário da Assembleia Legislativa de Alagoas. A CPI foi constituída no dia 20 de março deste ano, com objetivo de apurar as causas, razões, consequências, custos sociais e econômicos da violência, morte e desaparecimento de jovens negros e pobres no Brasil.

Os membros da CPI, os deputados Reginaldo Lopes (PT-MG), Paulão (PT-AL), Edson Moreira (PMN-MG) e Rosângela Gomes (PRB-RJ), já estiveram nos estados da Bahia e do Rio de Janeiro. Depois de Alagoas, eles seguem para São Paulo, onde está convocada uma audiência pública para o dia 25 deste mês.

A sessão se iniciou com discursos longos das autoridades – desconfio ter sido proposital, para cansar o público assistente. Dela participaram familiares de vítimas da violência policial como as mães do jovem negro desaparecido depois que foi abordado por policiais militares Davi Santos, a dona de casa Maria José, a educadora Ana Claudia Laurindo e a educadora Maria José (Zezé), entre outras e dezenas de ativistas dos movimentos sociais.

Depois dos longos discursos na hora dos familiares, das entidades e ativistas falarem, os secretários retiraram-se, com a desculpa de que tinham outros compromissos previamente agendados. Primeiro a sair foi o secretario de Defesa Social Alfredo Gaspar de Mendonça, em seguida Rosinha da Adefal, secretaria da Mulher da Cidadania e dos Direitos Humanos, Claudia Petuba secretaria da Juventude, Lazer e dos Esportes e Flávio Gomes representante do Ministério Público. 

O discurso oficial em Alagoas não é para ser levado a sério. A violência é institucionalizada em nosso estado. O discurso oficial foi descontruído pelos familiares e pelos movimentos sociais.

As autoridades não esperaram para discutir os problemas reais da violência policial e de como essa prática tem sido incentivada.

As vozes dos familiares das vítimas e dos ativistas foram ouvidas pacientemente pelos deputados.

Felizmente a CPI foi transmitida pela TV Assembleia, e milhares de alagoanos tomaram conhecimento de muitas ações violentas das polícias.

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Minhas Alagoas São Outras I

 

A primeira vez que fui a Penedo ainda era adolescente. Encantei-me pela cidade, amor à primeira vista. A visita foi rápida, meu pai tinha compromissos e não poderia me apresentar a cidade. Anos depois, voltei para conhecer e caminhar pelas suas ruas e becos.

Iniciei a segunda visita, desta vez, em companhia de amigos pela Praça 12 de Abril, onde olhei admirado o rio São Francisco, entrei na igreja de N. S. das Correntes, uma obra de arte barroca de 1729.

O estilo barroco, os azulejos portugueses, mais tarde soube serem policromados e o altar-mor folheado a ouro. Tudo na igreja era majestoso, aliás continua sendo e permanecerá assim por séculos sem fim.

Alguém, durante a visita, falou de um esconderijo no subsolo utilizado pelos escravos, que tinham a proteção de religiosos.

Entre lendas e mitos me apresentaram a Penedo, uma cidade heroica e pomposa, aristocrática nas suas tradições, mas que só anos depois me familiarizei com a sua história.

O Museu do Paço Imperial me impressionou pela diversidade e pela variedade de obras expostas. O acervo, por ser particular, me impactou ainda mais.

Ao andar pelas ruas, subindo e descendo ladeiras, parando diante do casario, fotografando e sentando em suas praças, deparei com a Barão de Penedo, uma das que mais me atraem.

O prédio da Prefeitura, o Oratório dos Condenados à Forca, de 1769 – nesse local os prisioneiros rezavam enquanto esperavam a execução capital. Nessa quadra hoje há indicação de ter sido durante o período de dominação holandesa que foi erguido o Forte Mauricio de Nassau. A imponente Catedral Diocesana de N. S. do Rosário, construção de 1690, compõe o conjunto de prédios históricos.

Diante da Praça Rui Barbosa está o Convento de São Francisco e a igreja de Santa Maria dos Anjos, construídos entre 1660 e 1759. O estilo é barroco e rococó, também com altar-mor folheado a ouro e o museu com imagens sacras e móveis antigos, No mesmo conjunto arquitetônico está a Casa São Francisco, que conta a história da ordem franciscana.

O Teatro Sete de Setembro, de 1884, projeto do italiano Luigi Lucarini, em estilo neoclássico, é o primeiro teatro de Alagoas. A poucos metros fica a igreja de São Gonçalo Garcia, de 1758, com traços barrocos ornamentados por pedra calcária.

A Fundação Casa do Penedo é uma criação do médico psiquiatra e acadêmico Francisco Alberto Sales, que em 1992 abriu ao público a biblioteca de 50 mil exemplares de escritores alagoanos, nacionais e estrangeiros, e demais acervos. Em convênio com a Petrobras foram especialmente catalogados cinco mil livros e a biblioteca foi totalmente informatizada, disponibilizando ao público imagens de Penedo, todas digitalizadas para consulta por computador.

O meu retorno a Penedo será para conhecer as 1.200 imagens da cidade e o que for mais possível ver do acervo raro da Fundação Casa do Penedo.

Alagoas deve um reconhecimento público à generosidade do médico Francisco Alberto Sales e a seu espirito de preservação da história do Penedo e das Alagoas.  

 

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Alagoas é onde o negro corre mais risco de ser assassinado no Brasil

Relatório da Secretaria Nacional da Juventude (SNJ) da Presidência da República apresenta o Índice de Vulnerabilidade Juvenil ― Violência e Desigualdade Racial IVJ, indicador inédito, utilizado no mapeamento, com o qual foi constatado que jovens negros de 12 a 29 anos estão mais expostos à violência. 

O estudo é resultado de uma parceria entre SNJ, Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Ministério da Justiça e Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no Brasil.  

Numa escala de 0 a 1, Alagoas (0,608) aparece como local de maior risco, seguido pelos estados da Paraíba (0,517), Pernambuco (0,506) e Ceará (0,502), na região Nordeste.

Nos estudos realizados tanto por pesquisadores como por órgãos do governo federal, invariavelmente o estado de Alagoas aparece no topo do pódio da escalada de violência.

“Em 2012, 56.000 pessoas foram assassinadas no Brasil. Destas, 30.000 são jovens entre 15 a 29 anos e, desse total, 77% são negros. A maioria dos homicídios é praticado por armas de fogo, e menos de 8% dos casos chegam a ser julgados”.

As ações anunciadas pelos governos federal e estadual não são factíveis, pois negligenciam o problema. É o caso do Programa Juventude Viva. Ao ser criado por motivação eleitoral e numa tentativa de responder às criticas, o governo federal tentou e não conseguiu agrupar programas consolidados nos ministérios e, com uma roupagem “nova”, apresenta-los aos estados e municípios.

O resultado é um fracasso. Inexiste como programa integrado e não articula com os estados e municípios ações concretas. Os entes federados, estados e municípios, também se desobrigam das suas responsabilidades.

O jogo de empurra é mantido e a escalada de violência cresce. Os jovens, negros e pobres são as principais vítimas, e a persistir a incúria governamental, a matança continuará sem fim. 

Reduzir a violência homicida e garantir direitos fundamentais é o desafio para o governo de Alagoas.

O marketing pode muito, mas não consegue esconder a realidade por muito tempo.

 

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A criminalidade é o tendão de aquiles do governo

 

O programa Brasil Mais Seguro é o título do Acordo de Cooperação assinado em 2012, entre o Ministério da Justiça e o Estado de Alagoas e a prefeitura de Maceió “visando à implementação, o desenvolvimento e a consolidação de um conjunto de ações imediatas e estruturantes nos órgãos de segurança pública que tenham como prioridade ações e metas voltadas para áreas de maior vulnerabilidade criminal, com a finalidade de integrar objetivos comuns entre o Ministério da Justiça e o Estado de Alagoas e o Município de Maceió, para redução da criminalidade violenta”.

O Brasil Mais Seguro é uma “caixa preta” e a sociedade pouco ou nada sabe a seu respeito. A mídia e a sociedade tiveram conhecimento tópico e seletivamente divulgado pelo governo. 

A transparência, antes preconizada, é um dos princípios sonegados à sociedade e aos envolvidos na execução do programa desde o início, em 2012.   

Envolto em sigilo, o programa tem pontos positivos; o primeiro é a integração das cúpulas da área de segurança estadual (Polícia Militar, Civil e Corpo de Bombeiros, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal), o Poder Judiciário e o Ministério Público Estadual. Esse trabalho teve início no governo anterior (Teotônio Vilela), tendo continuidade na atual administração.

O segundo: o esforço em estruturar e integrar as ações policiais no âmbito dos municípios com altos índices de criminalidade;

a construção de dois centros de detenção provisória no interior, um em União dos Palmares e o outro em Arapiraca;

e o anúncio do repasse para a Segurança Pública do resultado positivo da receita do DETRAN.

Esse conjunto de intenções anunciadas pelo governador são indicativos positivos e poderão, a fórceps, colocar em prática alguns pontos do programa Brasil Mais Seguro.   

O resultado parcial da redução dos homicídios nos três primeiros meses, comemorado pelo governador e pela cúpula da segurança pública é apenas um indicativo a mais para haver confiança. Mas para a sustentabilidade no médio e longo prazo são necessárias outras ações estruturantes e a transparência inclusive nas estatísticas. 

A reversão dos índices epidêmicos de violência homicida não acontecerá se não vier precedida de um conjunto de políticas públicas de segurança pública e políticas sociais. Para tanto, faz-se necessária a integração consensual dos entes federados no âmbito estadual.

 O governo estadual está paralisado diante da matança de jovens negros e moradores da periferia de Maceió e de outras cidades de Alagoas. O Brasil Mais Seguro propõe trabalhos de integração da segurança pública com a sociedade. O que tem sido realizado?

Mapear as áreas de crescente criminalidade é relativamente fácil, e anunciar com ares de “eficiência” mortes sem explicações ou sob a classificação de “auto de resistência” tornou-se a única participação do Estado nas comunidades.

Não há saída possível e duradoura do abismo monstruoso em que Alagoas se encontra. A redução temporária de homicídios e até uma explosão maior não acontecem devido ao trabalho da Força Nacional nos bolsões de criminalidade de Maceió. É o que dizem estudos encomendados pelo Ministério da Justiça.  

 A criminalidade é o tendão de aquiles do governo e um terror para a sociedade.

 

 

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Entrevista para o Blog do Carlito Lima

1 - Nome: Geraldo de Majella

2- Idade: 20 a 40 (  )   30 a 50 (  )   40 a 60 (x )  +60 (  )

3- Profissão: Historiador

4- Onde mora (cidade): Maceió-Alagoas

5- O que mais gosta em você: do conjunto, estou satisfeito como sou.

6 - O que menos gosta em você: do desvio do septo.

7- Hobby: caminhar na orla e em trilhas; cinema, leitura, música, passeios, assistir a futebol na televisão.

8- Livros inesquecíveis (3 a 5): Vidas Secas e Memórias do Cárcere (Graciliano Ramos), Poema Sujo (Ferreira Gullar), A Rosa do Povo (Carlos Drummond de Andrade), Morte e Vida Severina (João Cabral de Melo Neto), Cem anos de Solidão (Gabriel García Márquez) e Quatro Séculos de Latifúndio (Alberto Passos Guimarães). 

9- Autores prediletos (3 a 5): Graciliano Ramos, Jorge Amado, José Lins do Rego, Rubem Braga e Carlos Drummond de Andrade.

10- Filmes inesquecíveis (3 a 5): Memórias do Cárcere de Nelson Pereira dos Santos, Zorba, o Grego de Michael Cacoyannis, O Vagabundo, de Charlie Chaplin, Ladrões de Bicicleta de Vittorio de Sica e La Dolce Vita de Fellini.

11- Ator predileto: Paulo Gracindo.

12- Atriz predileta: Fernanda Montenegro.

13- Diretor predileto: Nelson Pereira dos Santos.

14- Músicas inesquecíveis (3 a 5): Foi um rio que passou em minha vida de Paulinho da Vila, Carinhoso de João de Barros e Pixinguinha, Asa Branca de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, Construção de Chico Buarque de Holanda e Chega de Saudade de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.

15- Compositor predileto (3 a 5): Chico Buarque, Paulo César Pinheiro, Vinicius de Moraes, Paulinho da Viola, Paulo Vanzolini e Gonzaguinha.

16- Melhor cantor: Nelson Gonçalves e Milton Nascimento.

17- Melhor cantora: Elizete Cardoso e Elza Soares.

18- Viagens inesquecíveis(3 a 5): Palmeira dos Índios, São Paulo, Rio de Janeiro, União das Repúblicas Socialistas Soviética - URSS  e Chile.

19- Grandes figuras da humanidade (3 a 5): Karl Marx, Friedrich Engels, Martin Luther King, Nelson Mandela e Einstein.

20- Grandes brasileiros (3 a 5): Luís Carlos Prestes, Darcy Ribeiro, Marechal Rondon, Orlando Villas Boas, Anísio Teixeira, Gregório Bezerra e Aurélio Buarque de Holanda.

21- Grandes alagoanos (3 a 5): Zumbi dos Palmares, Aureliano Cândido Tavares Bastos, Graciliano Ramos, Jorge de Lima, Jorge Cooper, Teotônio Brandão Vilela, o Menestrel.  

22- Quem merece um ovo podre na cara: Ninguém. O desprezo é mais eficaz.

23- Time que torce: Clube de Regatas Brasil (CRB), Vasco da Gama e São Paulo.

24- Bebida predileta: Whisky e Vodka, quando bebia.

25- Prato predileto: macarronada bolonhesa.

26- Frutas prediletas: pitanga, sapoti, mangaba, caju e manga-rosa.

27- Flores prediletas: rosa, violeta, girassol, cravo, gardênia, orquídeas, maria-sem- vergonha.

28- Programa predileto: Namorar

29- A melhor forma de relaxar: Namorando e ouvindo boas músicas.

30- Uma sabedoria de vida: “Faça como um velho marinheiro/ Que durante o nevoeiro/ Leva o barco devagar”.

31- Programa de televisão predileto: Dossiê Globo News com Geneton Moraes Neto e Globo News Literatura com Edney Silvestre e Claufe Rodrigues.

32- Programa de televisão mais chato: Todos os programas policiais.

33- Último livro que leu ou está lendo: Luís Carlos Prestes, Um revolucionário entre dois mundos, de Daniel Aarão Reis, foi o último que li. Agora estou relendo Ninho de Cobras, do poeta alagoano Lêdo Ivo.

34- Hora de dormir e acordar: Durmo por volta das 23 e acordo às 6 horas.

35- Pior sentimento humano: o ódio.

36- O mais bonito sentimento humano: a solidariedade.

37- Um sonho: Não tenho apenas um sonho, tenho vários. A erradicação da fome e da miséria em Alagoas e no Brasil, viver num país onde a democracia e a renda seja mais bem distribuída e as desigualdades sejam reduzidas entre as classes sociais. Acordo, passo o dia e durmo sonhando nessa perspectiva; às vezes penso ser uma miragem. O sonho e a utopia são irmãos siameses, pelo menos para mim. O jornalista e escritor Eduardo Galeano disse certa vez: “A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”.

38- Uma frustração: Não é propriamente frustração, é uma constatação. A história não se repete, a não ser como farsa. As esquerdas em alagoana ganharam várias eleições seguidas e não conseguiram consolidar um projeto de governo e muito menos um projeto de poder. A história não perdoa os que erram, e os que perdem o bonde da história ficam plantados na estação. Assim aconteceu com a esquerda em Alagoas. A minha geração nesse aspecto perdeu o bonde.

39- Uma realização: O fato de ter sido pai e fazer o que fiz em 54 anos de vida me tornaram uma pessoa feliz e de bem com a vida. Tenho amigos, bons amigos. Esse capital é importante para quem valoriza amizades. Lutei pela redemocratização do Brasil com o que havia de melhor em mim: a juventude. Tenho consciência de que fui mais um anônimo na multidão, nunca me incomodei com isso; o mais importante, para mim, é que estive no front e hoje posso dizer: “Confesso que lutei”. Tenho uma vida comum, nada especial, sempre me indignando com as injustiças.   

40- Passeio predileto: ir a Penedo, cidade barroca e ribeirinha das Alagoas. Outro passeio predileto é Olinda, cidade coirmã e barroca de Pernambuco. Esses dois lugares são os meus dois cantos preferidos, no Nordeste.

41- Projetos: Estou trabalhando em dois livros e pretendo concluí-los em breve, até dezembro. 

42- Com quem gostaria de trocar de lugar durante um mês? Trocar de lugar não é propriamente o meu desejo. Mas me contentaria em acompanhar, escondido, o dia a dia do ministro da Fazenda Joaquim Levy. Talvez compreendesse melhor as razões do arrocho econômico e como tem sido o diálogo ente Levy e a presidente Dilma Rousseff.  

43- Se ficasse náufrago numa ilha por 6 meses e pudesse escolher um(a) único(a) companheiro(a) de infortúnio, quem escolheria? A minha escolhida é Vânia Regina; com ela posso ficar mais tempo nessa ilha imaginária.

44- Se ficasse invisível por uma hora, onde iria xeretar: A minha opção seria o camarim das passistas do Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, no Rio de Janeiro.

45- Quais as prioridades do Brasil: São muitas. Os políticos brasileiros, regra geral, vivem de costas para a Nação. Educação, saúde e segurança pública são as três áreas que as pesquisas de opinião apontam como as reivindicadas pela população. E, mesmo assim, nada de significativo acontece nessas áreas. A sociedade civil está, felizmente, reinventando o caminho para pressionar os governos. Os gritos das ruas e as postagens nas redes sociais têm mudado o comportamento da população em relação aos governantes. Espero que as mudanças apontem caminhos para as transformações concretas e que, acontecendo isso, os mais pobres sejam incluídos na agenda governamental.

46- Quem admira no Brasil de hoje: A minha admiração é pelo antigo; as duas personalidades que admiro são os ex-senadores Pedro Simon e Eduardo Suplicy.

47- Quem admira em Alagoas, hoje: Continuo admirando o ex-deputado e advogado José Costa, o poeta Sidney Wanderley, o antropólogo Edson Bezerra e o anarquista Nô Pedrosa.

48- Existe esperança no Brasil? Claro que existe. “Não vamos desistir do Brasil”. Eu tenho esperança no Brasil, e mais ainda no povo brasileiro. O Brasil é maior que as crises. O Brasil é maior e melhor que os governantes.

49 - Dê um grau de 0 a 10 às seguintes figuras:

       - FERNANDA MONTENEGRO – 1.000

       - DJAVAN – 1.000

       - DILMA ROUSSEFF − 3

       - FERNANDO HENRIQUE CARDOSO − 5

       - HELOÍSA HELENA − 5

       - RENAN FILHO − 3

       - MARINA SILVA − 7

       - ARTHUR CHIORO (Ministro da Saúde) − 4

       - SÉRGIO MORO (Juiz do Petrolão) − 10

       - RUI PALMEIRA − 4

50- Um recado para os leitores da ESPIA.

O meu recado eu quero deixar através de uma música, Preciso Me Encontrar de autoria de dois grandes da MPB, Candeia, compositor carioca e do genial Cartola.

 

Preciso Me Encontrar

 

Deixe-me ir

Preciso andar

Vou por aí a procurar

Rir pra não chorar

Deixe-me ir

Preciso andar

Vou por aí a procurar

Rir pra não chorar

 

Quero assistir ao sol nascer

Ver as águas dos rios correr

Ouvir os pássaros cantar

Eu quero nascer

Quero viver

 

Deixe-me ir

Preciso andar

Vou por aí a procurar

Rir pra não chorar

Se alguém por mim perguntar

Diga que eu só vou voltar

Depois que me encontrar

 

Quero assistir ao sol nascer

Ver as águas dos rios correr

Ouvir os pássaros cantar

Eu quero nascer

Quero viver

 

Deixe-me ir

Preciso andar

Vou por aí a procurar

Rir pra não chorar

 

Deixe-me ir preciso andar

Vou por aí a procurar

Rir pra não chorar

Deixe-me ir preciso andar

Vou por aí a procurar

Rir pra não chorar

 

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O encontro do carcereiro com os filhos do preso político

A prefeitura do Recife homenageou, ontem (15), o engenheiro Pelópidas Silveira (1915-2008), numa solenidade realizada no Museu da Cidade do Recife, no antigo Forte das Cinco Pontas. O prefeito do Recife, Geraldo Júlio (PSB), o ex-prefeito Gustavo Krause, o vice-governador Raul Henry e muitas outras autoridades estiveram presentes ao ato.

Pelópidas Silverira foi prefeito em três momentos da cidade do Recife, sendo o primeiro prefeito eleito em 1955 pelo voto popular. As homenagens fazem parte das comemorações do centenário de nascimento do ex-prefeito.

        A prefeitura do Recife criou o Instituto da Cidade engenheiro Pelópidas Silveira, para pensar a cidade para o futuro, resgatando o planejamento urbano como um legado histórico deixado pelo ex-prefeito, a marca mais importante deixada como gestor público.

        Pelópidas Silveira influenciou várias gerações de administradores e políticos em Pernambuco. Além de prefeito, foi professor na Escola de Engenharia e no curso de arquitetura da Escola de Belas-Artes; também contribuiu como um dos criadores do Instituto Tecnológico do estado de Pernambuco, sendo vice-governador na administração de Cid Sampaio.

        A constituição da Frente do Recife, aliança entre os partidos de esquerda, é um dos seus principais legados. Quando em 1º de abril de 1964 aconteceu o golpe militar, foi preso nas primeiras horas, teve o mandato de prefeito e os direitos políticos cassados durante dez anos e permaneceu preso oito meses e meio.

        Ao sair da prisão reiniciou a sua carreira profissional, como engenheiro consultor da Brasilgás. Só em 1980 foi reintegrado à docência na Universidade Federal de Pernambuco. Em 1981 requereu a aposentadoria.

        Foi na prisão que o então tenente Carlito Lima o conheceu e com ele estabeleceu uma relação de amizade e solidariedade. Essa relação inusitada entre um tenente do exército e presos políticos a todos surpreendia e durou por mais de meio século.

        O capitão reformado Carlito Lima foi convidado pela família de Pelópidas Silveira para participar da solenidade, sendo recebido no antigo Forte das Cinco Pontas com abraços e beijos pelos três filhos do ex-prefeito: a médica Hebe, arquiteta Thaís Silveira e o músico Thales.

         

       

 

 

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Em Alagoas foi reeditada a lei de Talião: dente por dente e olho por olho

A lei de Talião é a expressão mais conhecida do código de Hamurabi (1780 a.C.), onde a máxima: “olho por olho e dente por dente” se tornou conhecida como o sistema de penas pelo qual o autor de um delito sofreria castigo igual ao dano por ele causado.

A lei de Talião foi praticada durante séculos e com maior abrangência no período obscurantista da Idade Média. A punição a ser aplicada obedecia a critérios diferenciados de acordo com a estratificação social em que estavam inseridos o criminoso e a vítima.

Mutatis mutandis, em Alagoas as autoridades responsáveis pela segurança pública têm procurado inspiração na lei de Talião. Em determinados momentos históricos, passa a utilizar-se da execução sumária de supostos bandidos ou bandidos de estratificação social empobrecida e de cor preta. E em outros, utilizam-se do “auto de resistência” como álibi, visto que as cenas dos crimes são desmanchadas pelos agentes públicos de segurança, desta maneira impedindo ou dificultando o trabalho da criminalística e da perícia técnica.

O Estado vem gradativamente perdendo o controle sobre a criminalidade, isso não chega a ser uma novidade, faz algum tempo. Por outro lado, a segurança pública não conta com a necessária credibilidade junto à população e passa a reagir na vã tentativa de afirmar-se como autoridade, com um grau cada vez maior de violência e consequentemente violando direitos e aterrorizando as comunidades por ele invadidas.

A violência estatal consentida e estimulada faz parte do processo de   retroalimentação e manutenção ideológica da guerra aos bandidos, em que vidas de policiais, cada vez mais, são ceifadas, e a dos supostos bandidos alcança números fantásticos, comparáveis aos dos países em guerra civil. A barbárie tem-se transformado num espetáculo midiático.

        A declaração do secretário Alfredo Gaspar de Mendonça: “prefiro um milhão de bandidos mortos que um policial em Alagoas assassinado” é o apoio necessário para uma tropa acuada e, no geral, despreparada para enfrentar com inteligência a crescente epidemia de criminalidade. E mais adiante, o secretário fundamenta a sua política de segurança pública, quando declara a um repórter em Santana do Ipanema: “Bandido em Alagoas na minha gestão só tem dois caminhos a seguir: ou se entrega e vai para a cadeia ou morre.”

        A barbárie instalou-se no território alagoano. Sejamos justos: o início não pode ser imputado à atual administração – é uma construção histórica em que o aparelho de segurança pública é o centro irradiador dessa concepção e seu protagonista há décadas.

O Estado − falo desse entre social com todas as suas vertentes: Executivo, Judiciário, Legislativo  − terá uma chance de superar a barbárie se compreender que o verso da medalha é a civilização. A segurança pública e o Executivo não entenderam, ainda, que na “guerra” o único vencedor é a criminalidade e seus protagonistas.

A História, antes da justiça, julga os agentes públicos.

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Aposentadoria

 

O lugar onde se nasce tem significado especial; é comum a exaltação, cada pessoa fala da cidade onde nasceu – seja grande, média, pequena ou até mesmo uma aldeia; lugar distante, esmo da zona rural −, mas nem por essas circunstâncias, esquecido.

        Se o indivíduo é um andarilho, viajante, marinheiro mercante ou funcionário de companhia aérea, andou por mares, desembarcou e conheceu portos e aeroportos em lugares distantes e exóticos, nunca deixa de pensar em sua terra; quando não deseja retornar, mesmo que fosse em férias.      

Essa criação humana chamada cidade tem mudado rápida e intensamente. É comum encontrar, e não são poucos, os que nasceram na zona sul do Rio de Janeiro, por exemplo. Outros nasceram na periferia, mas o cidadão é carioca. O nascido na periferia diz logo que é suburbano.

É “lúdico”: grandes figuras do samba que nasceram lá, cantavam e cantam as suas origens com reverência. Essa região apartada da cidade se liga através da música, no caso do Rio de Janeiro. Mas não se identifica como periferia.

Há sutilezas na identificação do território. O suburbano não é, e não quer ser, identificado como morador da periferia.  As dificuldades materiais de cada morador ou da maioria deles indica em determinado momento da vida o grau de animosidade com a cidade.

O atraso no transporte coletivo, a violência urbana, a falta de emprego ou o baixo salário fazem com que o cidadão extravase uma certa dose de raiva da cidade. Maldiz a vida que vai levando.

É comum sentar num botequim ou em outro lugar qualquer e alguém dizer: “É impossível continuar morando aqui.” Ou coisas do tipo: “Viver nessa selva de pedra, aguentar o barulho, a poluição, a violência, chega! Estou contando os dias para me aposentar e ir morar numa cidade sossegada.”

Há momentos de desagradáveis notícias, quando a ira e até mesmo os ressentimentos predominam. Mas esse sentimento humano, da raiva, do desprezo é substituído por lembranças afetivas; brotam então do pensamento as memórias da infância já distante, mas que não são e que jamais serão esquecidas.

Muitas vezes os versos da Canção do Exílio, do maranhense Gonçalves Dias, rompem o silêncio imposto pela saudade e pela distância da terra amada, maltratada, nunca esquecida − versos tantas vezes recitados na infância, que lembrados, retornam com a força de um furacão:

 

“Minha terra tem palmeiras,

 onde canta o sabiá;

 as aves, que aqui gorjeiam,

 não gorjeiam como lá”.

 

        Essa briga constante com a cidade é comum; não significa uma ruptura total, mas um desabafo dos que amam e também odeiam; uma relação ambígua que segue vida afora. Nessa relação não é permitido bater. Isso nunca.

        O trem que atrasa, a greve de ônibus, as rebeliões nos presídios, os apagões frequentes, tudo enfim de ruim ocorre e, no mais das vezes, quase simultaneamente. A denúncia do atraso dos trens que vão e vêm do e para o subúrbio, no caso carioca, é um tema recorrente de sambas. O Trem atrasou, de Paquito, Estanislau Silva e Artur Vilarinho, serve como meu apoio.  

 

“Patrão, o trem atrasou

Por isso estou chegando agora.

Trago aqui um memorando da Central

O trem atrasou, meia hora

O senhor não tem razão

Pra me mandar embora”.
 

        Até o dia em que o sujeito se aposenta e vai embora da cidade. Aliviado, diz orgulhoso: “Vou comprar um molinete, anzóis, todos os apetrechos para me dedicar à pesca.” Mas o zumbido da cidade permanece como se fosse um despertador rebelde que todos os dias dispara.

        A cidade, seja metrópole ou não, permanece presente, num sinal evidente de um mundo vivido que resiste em abandonar o pescador aposentado, o caminhante de todas as manhãs ensolaradas à beira-mar.

         

             

                  

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