Que o caso de Marielle Franco seja rapidamente esclarecido. Mas só para lembrar: em Alagoas, dois vereadores foram mortos em um curto espaço de tempo...

Foto: Reprodução / Redes Socias 222f91e9 f859 4e61 a160 353f86dc221a Adelmo Rodrigues de Melo, o “Neguinho Boiadeiro”, morto a tiros na tarde desta quinta-feira, 9, em Batalha.

O presidente Michel Temer (MDB) se posicionou rapidamente sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson. Agiu corretamente. O assassinato da vereadora mostra bem o caos que vivenciamos nesse país em que a maioria da população não possui segurança, é coagida em seu direito de legítima defesa e, assim, se torna cordeira nas mãos de criminosos cada vez mais ousados, que acabam por estabelecer um “estado paralelo”, onde – em virtude de diversos fatores, entre eles, a impunidade – se colocam acima do bem e do mal.

Esse estado paralelo – seja ele por conta do tráfico de drogas, por conta da politicagem ou dos dois associados – muitas vezes é protegido e escondido por discursos que relativizam demasiadamente o bem e o mal, promovendo a degradação de valores, da ética e da moral. Banaliza-se a vida e não mais nos assustamos com um país que tem 60 mil mortes por ano.

Que o caso envolvendo Marielle Franco seja rapidamente esclarecido e os culpados punidos, independente de qualquer questão. Os familiares merecem isso. Merecem Justiça, como todos os familiares de vítimas. Temer coloca ainda que, em função do cargo que ela ocupava, o crime é um atentado à democracia e ao Estado de Direito.

Bem, qualquer homicídio é isto. Evidentemente que alguns casos possuem mais repercussão midiática que outros em função da posição de destaque da vítima na sociedade. E diante da repercussão midiática, parece que todos acordam para a calamidade instaurada desde sempre.  

Independente das ideias de Marielle Franco, o caso tem que ser investigado e os criminosos tem que ir para a cadeia, como em qualquer outro homicídio. Mas, estamos em um país de baixo índice de resolutividade de casos e alguns, sobretudo aquele que apenas somam estatísticas, acabam por cair no esquecimento.

Porém, olhando a mobilização em torno do assassinato de uma vereadora, relembro dois casos em Alagoas, ocorridos recentemente, que – em que pese a diferença de circunstâncias – também demonstra a ousadia dos bandidos. Mas esses não tiveram a mesma atenção de mecanismos internacionais, do presidente Temer etc. Em ambos, a possível mistura nefasta entre a política e a criminalidade.

Em ambos a lembrança de um passado de um Estado que – em 1957 – falava do “Sindicato do Crime” e na década de 1990 da mistura nefasta entre assassinatos e poder político.

Alagoas não mereceria a mesma atenção? O presidente não poderia – já que também se trata de vereadores – ter falado da agressão ao Estado Democrático de Direito e à democracia, exigindo assim a presença da Polícia Federal para acompanhar os casos? Os mesmos mecanismos internacionais também não poderiam ter voltado seus olhares para perceber Alagoas no mapa.

Em um dos casos, uma cidade inteira viveu um dia de terror no interior alagoano. Falo do município de Batalha. O edil Neguinho Boiadeiro foi assassinado na porta da Câmara Municipal da cidade em novembro de 2017.

Em fevereiro de 2018, um familiar do vereador gravou um vídeo colocando que Boiadeiro tinha informações que comprometeriam a administração da Assembleia Legislativa do Estado. Se verdade ou não precisa ser apurado, ainda mais diante de influências possíveis...

O outro vereador é Tony Pretinho, que foi executado, em dezembro de 2017. Também de Batalha foi morto na porta de casa. Surge aí também conotação de possível crime político. São casos também graves e que poderiam ter a mesma atenção, sobretudo em função de alguns registros históricos da violência em Alagoas. Afinal, uma vida não vale mais que a outra e todos os casos merecem resposta rápida. Homicídios devem ser solucionados sempre. Essa deve ser a regra.

No caso de Tony Pretinho, houve uma prisão. Um familiar do primeiro vereador morto é tido como acusado do crime, conforme reportagens.

Pouco importa o partido, a ideologia, a crença, a cor, o sexo, a posição política, o cargo que ocupa etc.

Torço para que o caso do RJ não seja igual aos de Alagoas, assim como torço para que todos os casos possuam igual empenho na busca por respostas.

Esse é o país dos 60 mil homicídios, mas parece que só lembramos disso em alguns momentos. Mas, são números de guerra em tempos de paz.

O assassinato no RJ chama atenção para um cotidiano de áreas dominadas por um poder paralelo e este não se combate com flores. Os assassinatos em Alagoas chamam atenção para pessoas que acreditam terem em mãos esse poder paralelo e não se combate isso com “pombas brancas”. Em que pese as diferenças, há as semelhanças.

E é preciso que coloquemos todas essas vítimas no mapa em nome da Justiça e da punição de culpados. Sem ideologização dos fatos e sem fazer de mortos palanques políticos. Respeitando a dor dos familiares e buscando efetivamente o esclarecimento de crime.

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Siderlane Mendonça e Silvanio Barbosa rebaixaram o parlamento-mirim. Uma vergonha!

Foto: Ascom/CMM-Montagem:CM 3ebc6f6e d900 4656 a6a8 883805099d9c Vereadores Siderlane Mendonça e Silvânio Barbosa

Eu não estou nem aí para questiúnculas pessoais que envolvam os vereadores Silvânio Barbosa e Siderlane Mendonça. Se na surdina de um apartamento, se em praça pública, se em um shopping da capital ou em qualquer outro lugar, o que é de suas vidas pessoais pertencem a eles. Se as especulações são mentiras ou verdades, também pouco me importam, pois não diz respeito a vida de ninguém...

Todavia, existem as quatro paredes de uma Câmara Municipal de Maceió, onde a quarta parede é quebrada para que o eleitor observe o comportamento dos eleitos; e há as quatro paredes que não dizem respeito a nenhum de nós. Ponto final. 

E é sobre o que eles protagonizaram na Câmara de Maceió, ao “lavar roupa suja” da forma como fizeram, que rebaixa o poder legislativo municipal ainda mais. 

Digo ainda mais porque são vários os casos onde, por meio de projetos de lei esdrúxulos, os vereadores parecem ter a certeza de que são babás do povo ou assumem de vez o caráter populista de suas propostas tentando fazer cortesia com o chapéu alheio, como quem já quis disponibilizar ônibus de empresa privada para funeral, quis regular estacionamento de shopping center, dentre outras bobagens. 

Agora, a mesquinharia de ontem deveria ter tido o repúdio imediato do presidente da Casa de Mário Guimarães, Kelmann Vieira (PSDB). Mas, a Mesa Diretora preferiu deixar a baixaria correr solta a pretexto dos dois senhores - Silvânio Barbosa e Siderlane Mendonça -estarem usando a tribuna. 

A tribuna deveria ser um espaço nobre para se discutir os problemas da cidade e não para se colocar combustível na pira das vaidades para saber quem fez mais ou menos pelo Benedito Bentes. 

Isso é o eleitor que julga e é até legítimo que o vereador use a tribuna para prestar contas do que fez, mas dentro do limite do prudente e sem quebra de decoro. 

Num parlamento-mirim sério, a atitude de Barbosa e Mendonça deveria ser alvo de uma Comissão de Ética. Será? Aposto que não. Até aqui a Câmara Municipal - em especial a Mesa Diretora - se encontra em silêncio. 

Mendonça foi deselegante - para dizer o mínimo - ao mandar o colega vereador para um circo. Por mais que ele ache isso e ainda que seja verdade o que fala sobre Barbosa, não é desta forma que se utiliza uma tribuna. O vereador em questão fez questão de se rebaixar, motivando uma discussão triste, que apesar dos aspectos cômicos que rendem piadas, tem muito de trágico. 

Silvânio Barbosa não ficou atrás em matéria de produzir o dantesco. Foi lavar roupa suja em plenário, tentando desqualificar o rival como hipócrita em função de aspectos de sua vida íntima. 

Uma vez atacado, Barbosa tinha todo o direito de se defender, mas dentro dos limites da crítica e até de forma proporcional já que a palavra “circo” foi usada. Porém, desviou de argumentos para propositadamente causar desconforto, humilhar e expor o outro vereador ao ridículo. Por mais que tenha agido pelos componentes derivados da emoção, fez de caso pensado. 

Ali, o que se viu, foram dois tolos que se fizeram indignos da população que dizem representar. Pois, a grande maioria das pessoas do Benedito Bentes trabalha honestamente para superar diversas circunstâncias, entre elas a de ser um região com comunidades muitas vezes esquecida pelo poder público. Não devem possuir nem tempo nem paciência para determinados enredos de novelas do pior canal televisivo. 

Sendo assim, ter dois vereadores no parlamento-mirim é de suma importância para ajudar a comunidade. Mas, o que esta lucra com tais brigas? Nada. 

Agora, Barbosa e Siderlane não podem fingir que o episódio não existiu. Devem desculpas - no mínimo - a cada maceioense. Assim como o presidente da Casa deveria comentar o repulsivo acontecimento e buscar apaziguar, pois isso - se tomar outras proporções - pode atrapalhar o colegiado. Mecanismos legais para isso a Câmara possui. Resta saber se há a vontade de utilizá-los, pois há a interpretação cabível da quebra de decoro. 

No mais, fica a lição sobre aqueles que elegemos. É claro que não é um episódio isolado que deve ser utilizado para julgar o todo do mandato desses vereadores. Porém, por vezes, um ato consumado pode ser o início do fim, caso reflexões sobre este não sejam feitas. 

O legislativo deveria ser um espaço nobre e por isso sempre defendido. É um poder importantíssimo para a democracia em função das prerrogativas que possui. No caso das câmaras legislativas municipais é justamente o “parlamento” mais próximo ao povo. 

É a Câmara de Maceió, ora bolas! Não é uma feira livre, muito menos o programa Casos de Família, onde a baixaria corre solta, sendo os personagens principais entregues aos leões da fofoca e do burburinho. 

Não vimos ontem dois vereadores, mais sim dois moleques que não entendem a importância desse legislativo, que nem sequer fingem entender. A tribuna não pertence a eles e por isso há regras. Se se comportam como moleques, como moleques devem ser tratados e por isso cabe o puxão de orelha, quiça colocar de costas para a parede para pensarem no feito. 

Afinal, é assim que se trata os infantis. Afinal, como diz Aristóteles, eduquem as crianças. Porém, como educar adultos que tem rompantes de menininhos que brigam no recreio expondo com malícia disfarçada o que consideram humilhar o outro?

Mesmo não se envolvendo na briga, qualquer vereador que se preze deve ter saído enojado da Câmara de Maceió no dia de ontem. Como telespectador foi assim que me senti, ainda que tenha garantido alguns risos e piadas. É o tipo de cena que só se acredita vendo...

Não quero crer que este seja o comportamento integral de ambos. Que tenha sido apenas um episódio singular. Por isso a crítica dura aqui nesse espaço...

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JHC: “Uma possível candidatura única atinge a democracia e o poder de escolha dos eleitores”

Reprodução/Facebook Ff963e66 e6d4 4233 a385 57e6b1e083a9 Deputado federal JHC

Na busca por ser protagonista na construção de uma terceira via, o deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB), lamentou a desistência do prefeito Rui Palmeira (PSDB) em concorrer ao governo do Estado de Alagoas. 

O lamento de JHC não se dá por Rui Palmeira, mas sim pelo desenho político que começa a ser feito a partir de então: a da busca por uma candidatura única, que é a do governador Renan Filho (MDB). Ele trabalha para a renovação do mandato.

Obviamente que esse desenho é favorável a Renan Filho. Porém, não é culpa dele a inexistência de uma oposição consolidada em torno de um projeto, que se diferencie de sua gestão ao ponto de apresentar uma alternativa para que a população escolha entre o já posto e o que busca se diferenciar. 

JHC está correto ao afirmar que esse cenário fragiliza a democracia. “Ao que me parece está se desenhando de forma bem clara em Alagoas uma candidatura única ao governo do Estado. Com isso vai atingir direto a democracia, ao poder de escolha dos eleitores porque será difícil fazer o debate e desafiar essas ideias que já foram postas”, salientou. 

É verdade. 

Por outro lado, também não se pode jogar a culpa nas costas de Rui Palmeira pelo cenário. Se ele era o único nome viável para uma disputa, isto por si só mostra o quão alarmante é o cenário que não produz novos grupos, novas lideranças e nem novas ideias. Reflexo de uma matemática eleitoral onde cada um quer o seu quinhão. 

Rui Palmeira tem o direito de não ser candidato e continuar com sua gestão para qual foi eleito para permanecer quatro anos. Se há um erro de Rui, foi ter mantido silêncio por tanto tempo e ajudado assim - querendo ou não (e aposto que sem querer) - a desarticular uma oposição que se fechava nos partidos que compõem seu governo municipal. Nisso, ele foi o carrasco de muita gente.

Mas essa “democracia” sem opção é um reflexo também dos parlamentos rebaixados pela presença daqueles que não possuem a mínima vocação para atividade política e estão em casas legislativas apenas para se perpetuarem por ali, por meio e acordos em benefícios próprios. É gente que é biruta de aeroporto e vai para onde o vento bate. Tanto que devem - neste momento - fazer fila na porta do Palácio República dos Palmares. 

Gente que mal sabe subir numa tribuna. Gente sem qualquer vocação para a política em um sentido nobre. E aí, geração após geração, se consolida o marasmo e um ciclo vicioso onde o eleitor escolhe entre as variáveis X e Y para que o resultado de uma equação seja sempre o mesmo: uma máquina pública azeitada para acolher em seus braços o estamento burocrático. 

Posso ter discordâncias com JHC (como as tenho), mas ele, por várias vezes, demonstrou ser um político que busca o debate, discute as ideias e coloca suas posições visíveis. Não se contentou em ser um mero parlamentar em um Congresso de 513 deputados federais e assume uma posição em relação ao cenário político local quando seria confortável ficar calado. 

JHC quer ser protagonista. Isto por si só não é virtude nem defeito. Mas uma ação que pode ser virtuosa caso seja motivada pela honestidade intelectual e princípios. E aí, que o eleitor julgue se concorda ou não com as ideias postas. 

Prefiro políticos assim, ainda que com discordâncias, àqueles que estão aí na surdina a fazer cálculos sobre como se manter ativo nas sombras apesar da desistência de Rui Palmeira. Sim, eles existem. 

Outros dois que merecem destaque nesse processo é Rodrigo Cunha (PSDB) e Bruno Toledo (PROS). São dois jovens políticos que se destacam no parlamento estadual e rapidamente deixaram claras suas convicções no processo. Cunha - que vem até sendo sondado para uma candidatura ao governo - não se esquivou desses questionamentos quando procurado pela imprensa. 

Toledo, que é de um dos partidos aliados de Palmeira, lamentou a decisão do prefeito pela questão do que representa para a democracia alagoana. Tom semelhante ao de JHC e acertou. Não escondeu do público que busca vias alternativas e reforçou as bandeiras do mandato. E aí, quanto a essas bandeiras, é a história que sempre dirá. 

Mas sempre é importante saber o que um político pensa, ainda mais em momentos cruciais. Primeiro para que eles sejam sempre cobrados, pois o exercício da cidadania não se finaliza no sufrágio nem é apenas o voto. O pior político é aquele que só faz cálculos matemáticos para uma eleição e quando eleito passa a entra mudo e sair calado dos parlamentos que ocupam. Essas são as pragas que fragilizam a democracia, pois tratam eleitores como peças de um feudo. 

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Humberto Gessinger: “Não tenho nada a ensinar pra ninguém. Também estou buscando caminhos, respostas...”

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     Aos 54 anos de idade, o compositor Humberto Gessinger afirma que chegou à idade em que precisa colocar “óculos para enxergar qualquer coisa”. Será coincidência a frase dialogar com a nova canção “Cadê?”, em que fala de “microscópios” e “telescópios” para enxergar o momento de um solo tão encharcado?

         Bem, quem acompanha a carreira de Gessinger sabe que qualquer entrevista pode vir recheada de reflexões, ironias bem-humoradas e uma honestidade intelectual incrível para com os fãs. Gessinger – que traz sua nova turnê à Maceió na próxima sexta-feira, dia 16 – concedeu entrevista a este blog.

         Falamos sobre futuro, presente e passado. Gessinger demonstra fôlego e uma disposição de ainda dialogar muito por meio da música. Como ele mesmo afirma, em Plano B, “o caminho se faz andando”. E nesta jornada, “é longo o caminho da água para o vinho”. HG, como conhecido entre os fãs, está correto ao afirmar em Das Tripas, Coração, que realmente é muita coisa, guerra e paz, inverno e verão...

         Confiram aí a entrevista na integra:

 

Você encerrou mais uma turnê de sucesso, com shows por todo o país. No palco, a releitura do Revolta dos Dândis e músicas da carreira. Porém, um som mais pesado que as inéditas que lançou recentemente. Estas possuem um ambiente mais minimalista e acústico. Na sua visão, como essas novas canções dialogam com o novo show? Teremos um Gessinger mais light ou uma mistura de universos?

 

Gravei as inéditas no formato acústico porque era o que o DVD pedia. Nas estrada, elas poderão ter outros arranjos, de acordo com o que o show pedir. Como compositor, acho que as várias possibilidades de uma canção enriquecem seu significado.

 

 O último álbum de inéditas de sua carreira foi o Insular. De lá para cá, dois DVDs ao vivo. Para quem acompanhava os Engenheiros do Hawaii, lembra de um Gessinger que tinha uma produção frenética – quase um disco por ano – e todos bastante conceituais, que podiam até ser ouvidos como uma única canção do início ao fim. Agora as inéditas ficaram mais espaçadas e farão parte de um ao vivo. O que ocasionou essas mudanças? Um HG sem tanta pressa de lançar novas composições? Como anda sua relação com as composições hoje em dia?

 

Quando um artista lança um novo trabalho, ele não joga fora tudo que já fez. Parece óbvio, mas muita gente não entende. Quando faço uma música, hoje, é para que ela se insira numa obra já extensa. É natural que o ritmo seja outro. Não faz sentido ficar se repetindo qualitativa ou quantitativamente. E uma análise mais ampla da minha produção recente - não só das composições, mas também dos trios que montei, dos livros que escrevi, do Pouca Vogal, das conexões que criei, do número de shows, novas tours e variações instrumentais, etc... - mostra que as pedras seguem rolando, sem criar limo. Talvez, pela fragmentação do mundo atual, isso passe despercebido para quem acompanha mais superficialmente. Mas quem tá ligado, sabe.

 

 As novas canções lançadas – quatro ao total – mostram preocupações com o tempo, com em Pra Caramba, e uma fé no futuro, como em Das Tripas, Coração. Essa visão da passagem do tempo já se fazia bem presente em Insular. Que sentimentos e reflexões tem levado você a escrever hoje? Você acredita que a mudança de Engenheiros para um trabalho solo influenciou na forma de compor?

 

Não sinto diferença nenhuma em ter meu nome ou o nome de uma banda à frente do meu trabalho. São só rótulos. O fato de meu nome ser menos conhecido do que o nome da banda até é bom, serve de filtro, uma peneira separando quem está interessado no conteúdo ou no rótulo.

A temática da passagem do tempo pinta, mas junto com outras. Talvez ela se sobressaia mais pela forma como as pessoas veem do que pelas letras em si. É natural que esperem que um artista longevo fale disso e por isso, essa faceta seja mais notada. Mas há outros papos rolando paralelamente nessas canções.

 

Uma coisa que marcante de sua carreira é que por mais que se revisite os hits, a cada show, eles ganham novas roupagens, sejam com sutis mudanças nas letras, sejam por meio de arranjos, ou diálogos entre canções de fases distintas. Há uma preocupação em não virar cover se de si mesmo? O que pesa na hora de pensar essas mudanças dentro de novos formatos? É planejado ou a música que acaba ganhando vida própria?

 

Não é algo planejado.  Quem compõem sabe que a escrita não é uma estrada reta. Ela tem muitas curvas, idas e vindas. Na hora de tocar é natural que toda a trajetória da composição, não só a versão gravada, renasça em fragmentos. Eu gosto de trazer isso à tona. Arte pra mim, é algo essencialmente humano, não pode ser repetição automática.

 

 Você lançou vários livros nos últimos anos. Textos que traziam crônicas sobre o cotidiano, com em Seis Segundos de Atenção, e outros que dialogavam com a carreira na música, como Pra Ser Sincero. Quando esperar algum novo trabalho de Gessinger nesse sentido? Creio que o fãs sintam falta do blogessinger. Ele foi “sepultado” ainda com tantos frutos a dar? Em resumo: ainda pensa em livros e qual a diferença entre escrevê-los e escrever canções?

 

Eu também sinto falta do BloGessinger. Sou imensamente grato pelo carinho e energia boa que muita gente gerou a partir daquele diálogo. Mas, com o tempo, fiquei com medo de que se transformasse em algo burocrático. Também fiquei com medo de um certo tom "professoral" que estava pintando em torno dos meus textos. Não tenho nada a ensinar pra ninguém. Também tô buscando caminhos, respostas... Por outro lado, a partir do inSULar, tem aumentado muito meu foco na música. Acho que o BloGessinger ajudou nisso me fazendo refletir sobre minha trajetória. Mas também acho que agora é hora de falar por música.

 

Saudade Zero é uma dica de que Engenheiros do Hawaii não mais retornarão? Ou ainda há chances de vermos novamente o GLM no palco? 

 

Não tenho planos a longo prazo, estou começando uma tour e só penso nela. A expressão Saudade Zero não se refere a EngHaw. Tenho muito orgulho da banda e um pouco de saudade é saudável. Talvez as frases  "todos sabem que hoje começa o verão, ninguém sabe em qual hemisfério" e "na mão a chave que abre o salão só falta encontrar a porta" possam ser usadas pra descrever aqueles que acham que têm respostas e receitas pra tudo, mas se esquecem do essencial.

 

 Você sempre foi um compositor que – como você mesmo cantou – anda só. Porém, os últimos anos foram várias parcerias que incluíram Nico, Thiago Iorc, Bebeto Alves e até regravações de parcerias do passado, como a que fez com Barão Vermelho e Capital Inicial. Como você encara a composição solitária e esses projetos em parcerias? Quais semelhanças? Quais diferenças?

 

Acho que, sozinho, eu escrevo de forma mais particular e pessoal. Nas parcerias, sou mais "correto". São dois prazeres diferentes, caos e disciplina. Ambos necessários.

 

Canções como Não Consigo Odiar Ninguém, Alexandria e a mais recente Cadê, assim como de cera forma Pra Ficar Legal, são músicas que acabam denunciando essa modernidade liquida que vivemos, onde todo mundo fala em voz alta. Na minha visão, acabam sendo irmãs de Canibal Vegetariano Devora Planta Carnívora. Como você tem lidado com esse mundo em voz alta, onde todos falam demais, mas ao mesmo tempo é o universo – como nas redes sociais – que são fundamenta para escoar novos e bons artistas, assim como os que já possuem carreira consolidada mas não estão na grande mídia?

 

É um mundo complexo, cheio de véus e jogos de espelhos, às vezes as cópias falam mais alto do que os originais... há uma velocidade ilusória nisso tudo. Quem sacar isso, filtrar o que está no ar, pode aproveitar o que há de bom. Fazer das tripas coração. Pois sempre há dois lados. Ou mais.

 

Como você observa hoje esse cenário de artistas engajados e sempre prontos para adotar uma ideologia? Sempre a figura do eterno revolucionário para o qual o tempo não passa? A juventude, em sua visão, no meio desses artistas, ainda é uma banda numa propaganda de refrigerante?

 

É bom que a gente não se acomode, é bom que a gente se expresse. Se for verdadeiro. Se não for só no discurso.

 

As novas tecnologias ajudam ou atrapalham? Quais vantagens e desvantagens você apontaria, já que hoje é tão fácil produzir, mas ao mesmo tempo temos uma overdose em que é dificílimo separar o joio do trigo?

 

Antes era mais difícil gravar do que fazer as pessoas ouvirem. Agora é contrário. Isso é verdade, mas é uma simplificação. No decorrer desse processo muita coisa mudou, mas há, também o que permaneça. Muita água passa sob a ponte, mas é o mesmo rio. 

 

Como você enxerga o cenário do rock hoje?

 

Aos 54 anos, já tenho que colocar óculos pra enxergar bem qualquer coisa. Mas, quando se trata de arte, às vezes a gente vê melhor de olhos fechados, né? A música vai bem!

 

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Rui Palmeira bateu o martelo...na cabeça dos aliados

Foto: Cada Minuto/ Arquivo 8cdecea4 0c90 484f acc5 4dbea765bfdc Rui Palmeira

O prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), definiu o seu o futuro político: segue no comando da prefeitura e não disputará as eleições desse ano. Era uma decisão que só cabia ao próprio Rui Palmeira. Era ele quem deveria avaliar os pros e contras diante da posição que ocupava.

Logo, do ponto de vista de que se tratou de uma decisão individual, ainda que não tão solitária, difícil falar sobre se foi acertada ou não. A questão é avaliar as consequências...

E aí, a decisão de Rui Palmeira tem consequências políticas. Uma delas (e talvez a mais visível) é que a eleição caiu praticamente no colo do atual governador Renan Filho (MDB). Se o chefe do Executivo estadual já ocupava as primeiras posições nas pesquisas de intenções de voto, agora o emedebista deve estar com o sorriso fácil pelos corredores do Palácio República dos Palmares. Aquele que era tido como seu rival está fora do jogo.

A decisão de Rui Palmeira também beneficia o senador alagoano Renan Calheiros (MDB). Com o Palácio República dos Palmares se preparando para uma eleição mais tranquila, grande parte das forças podem ser direcionadas ao pleito de “Renan pai”.

É válido lembrar que são duas vagas. A eleição de Calheiros começa se desenhar como mais provável a partir de agora por também outro motivo: é difícil um grupo político se estabelecer em um processo eleitoral sem a referência de uma “cabeça de chapa”.

E nesse sentido – de se ter uma cabeça de chapa – o “bater de martelo” de Rui Palmeira foi uma pancada na cabeça dos aliados, que não possuem plano B. Todos estavam contando com a decisão do tucano ser candidato ao governo de Alagoas. Ela não veio.

Isso atordoa de imediato quem estava pensando em disputar o Senado Federal, como o ministro do Transporte, Mauricio Quintella Lessa (PR), e até o próprio senador Bendito de Lira (PP).

Nas proporcionais, outros partidos também terão que repensar caminhos, como o PROS do deputado estadual Bruno Toledo. É inegável que o bloco dos aliados fica fragilizado. Os próximos dia serão de arrumação...

Rui Palmeira é a segunda importante “desistência” no pleito por parte dos tucanos. A primeira foi o ex-governador Teotonio Vilela Filho que abriu mão da candidatura ao Senado Federal. Isto traz impactos também para o PSDB. O partido deve sair do pleito diminuído, depois de ter um bom desempenho em 2016, mesmo não sendo a sigla que ocupava o Palácio República dos Palmares. O PSDB, naquele ano, ganhou prefeituras importantes – incluindo Maceió – e impôs derrotas ao governador Renan Filho.

 Porém, entra agora em um processo eleitoral esvaziado de suas próprias lideranças. O único nome de peso do PSDB nesse processo eleitoral é Rodrigo Cunha, que deve concorrer a uma vaga da Câmara de Deputados. Os demais são políticos que seguem uma linha tradicional em relação à matemática eleitoral. Os tucanos assumem uma condição de “nanicos”.

É uma consequência indireta da decisão de Rui Palmeira...e o futuro agora passa a ser incerto sobre as próximas eleições para Palmeira, pois ao fim do mandato, terá dois anos sem cargo eletivo pela frente e com a possibilidade da oposição ser voz de comando.

Agora, apesar dos nossos políticos não serem os melhores quadros, a decisão de Rui Palmeira também é ruim para a democracia alagoana. Não há um processo democrático de fato, quando não há sequer candidatos. Quando tudo se desenha de uma forma a concentrar poder nas mãos de um único grupo político, que é o dos Calheiros. Queiramos ou não, perde-se o poder de decisão, já que tudo passa a ser montado previamente no xadrez que posteriormente é só legitimado pelas urnas.

Tenho inúmera críticas a Rui Palmeira. Vejo a administração como medíocre e com erros de posição escabrosos em alguns casos polêmicos (que já comentei aqui). Todavia, lamento a inexistência de vias em uma democracia indireta. Ao que tudo indica, a eleição de Alagoas pode ser assim...

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Ausência de Rui Palmeira no pleito pode desarticular toda a oposição a Renan Filho

Foto: Lisa Gabriela/Cada Minuto C07d1e44 abfb 498b 9344 0e23d9233059 Prefeito Rui Palmeira

O grupo tido como oposição ao governador Renan Filho (MDB) para disputar governo do Estado de Alagoas pode acabar se esfacelando, para alegria do próprio Renan Filho e do senador Renan Calheiros (MDB), caso o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), desista da possibilidade de ser candidato ao Executivo estadual.

Há alguns dias, todos davam a decisão de Palmeira como certa: ele iria para a disputa. Mas, o silêncio e a cautela demasiada de Rui Palmeira, começa a gerar desconfianças entre os vários caciques do grupo, incluindo o ministro dos Transportes, Maurício Quintella (PR) e o senador Benedito de Lira (PP).

O próprio PSDB tenta impulsionar Rui Palmeira a uma candidatura, mas já deixando claro um “tom de desespero”, como ocorreu na mais recente fala do tucano Claudionor Araújo, em suas redes sociais. Mesmo sendo, por parte de Araújo, uma opinião pessoal, não deixa de ser um sentimento compartilhado por tucanos que queriam ver Palmeira na disputa.

A questão central é que a oposição apostou demais em Rui Palmeira e agora não tem outro nome a ser construído em tão pouco tempo. As preocupações se fazem por vários motivos: 1) uma chapa para disputar o Senado Federal precisa de “cabeça”; 2) isso também envolve a vida de outras agremiações, já que há a questão de votos de legenda e coeficiente eleitoral; 3) as pesquisas eleitorais indicam Rui Palmeira como a única alternativa viável em uma campanha polarizada.

Por isso que, dentro do grupo de Palmeira, já há partidos que discutem vias alternativas, como o PROS que tem conversado com o PSB. Este um fato confirmado. Sem confirmação ainda, mas já se fala de um possível diálogo entre Mauricio Quintella Lessa e o governo. O próprio ministro do Turismo, Marx Beltrão, que em passado recente cogitou a saída do MDB para estruturar uma candidatura ao Senado, sabe agora que a via mais concreta é o MDB.

Em outras palavras, a indecisão de Rui Palmeira é, atualmente, a maior aliada de Renan Filho. O governador, apesar dos pontos fracos de sua gestão (como a Saúde), tem uma boa avaliação e são poucos os críticos consistentes no Estado.

O papel de oposição de fato vem sido exercido apenas por dois deputados estaduais: Bruno Toledo (PROS) e Rodrigo Cunha (PSDB). Isso é um fato, repito.

Assim como não é segredo que o Palácio República dos Palmares torce para que Rui Palmeira não seja candidato.

Se a saída do ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) do pleito já ajudou a Renan Calheiros, uma desistência de Rui Palmeira de disputar a eleição, ajuda Renan Filho.

Além disso, O PSDB se diminui enquanto legenda e observa o aprofundamento de um possível desgaste no protagonismo, que já teve no passado. Esse vai se esvair para futuros próximos, pois essa eleição terá consequências em 2020 e 2022. Vale lembrar que, em 2016, o PSDB alcançou resultados importantes, mesmo sendo o governo do Estado do MDB. Os tucanos impuseram derrotas ao governador em Maceió e em Arapiraca, por exemplo.

Os velhos caciques tucanos vão caindo no ostracismo e ficando relegados aos bastidores. A única nova liderança de peso nesse ninho que surge é o deputado estadual Rodrigo Cunha, que sonha com a Câmara de Deputados ou com o Senado Federal. No fim, a decisão de Rui Palmeira – obviamente – só pertence a ele, mas as consequências dessa decisão será um saldo político a ser distribuído entre todos que o acompanharam até aqui.

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Para Claudionor Araújo, se Rui Palmeira não for candidato “amargará o ostracismo”

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O tucano Claudionor Araújo - que foi secretário na gestão do ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) e chegou a dirigir o partido - destacou que o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB) vive um “dilema” de ser ou não candidato ao governo do Estado de Alagoas. 

Para uns, a candidatura de Rui Palmeira é dada como certa. Para outros, ainda é dúvida e o prefeito está cada vez mais distante de se anunciar no pleito. O que acontecerá - ao que tudo indica - ficará para o dia 7 de abril.

O PSDB, entretanto, não esconde o desejo de querer o nome de Rui Palmeira nas urnas. Teotonio Vilela Filho, ao desistir de disputar o Senado Federal neste ano, deixou claro esse sentimento. 

Na visão de Araújo, Rui Palmeira - se for candidato - “enfrentará uma bem azeitada máquina de propaganda, um grupo político amplo, comandado pelo governador Renan Filho (MDB), com a caneta em atividade”. Ele ainda destaca ser o partido de Renan Filho o com maior tempo de televisão e rádio, além das alianças políticas firmadas com os prefeitos alagoanos. 

É óbvio que a base de sustentação de Renan Filho é maior que a de Rui Palmeira. 

Porém, Claudionor Araújo - quem sabe para pressionar uma decisão do prefeito - diz que, se Rui Palmeira, não for candidato, “amargará dois anos de ostracismo político”. É a próxima eleição só se dará em 2022 e com uma só vaga na disputa para o Senado Federal.

Caso Rui Palmeira queira ser senador lá na frente deve enfrentar Fernando Collor de Mello (PTC), que tentará renovar o mandato, além de Renan Filho (caso reeleito governador), ou até mesmo o deputado estadual Rodrigo Cunha. Sim, ele é citado por Claudionor Araújo.  

Caso Rui Palmeira sonhe com o governo em 2022, também existirão nomes de peso a depender dos resultados das eleições deste ano.
Trocando em miúdos o que Claudionor Araújo diz, ainda que sem dizer, é o seguinte: “Ô seu Rui Palmeira, o negócio pode ser difícil agora, mas se não for agora, lá na frente vai ser bem pior”. Eis o incentivo de um tucano para a candidatura de outro tucano... É quase um "ou vai ou racha". 

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Renan Filho fala o óbvio. Mas quem depende da saúde pública quer mais que o óbvio

Foto: Lisa Gabriela/Estagiária E47dd4a9 b655 4697 a8a2 cf6895afbf8d Governador Renan Filho durante a abertura de 26 novos leitos

Já elogiei o governo de Renan Filho (MDB) algumas vezes e há setores que merecem sim elogios. Entre eles, o trabalho técnico exercido pelo secretário da Fazenda, George Santoro, e algumas das políticas adotadas na segurança pública que, de fato, fizeram índices melhorarem, apesar de estarmos longe do ideal. Todavia, é preciso reconhecer.

Agora, a Saúde tem sido um problema grave nesse atual governo. Recentemente, isso foi constatado pela vistoria que os Ministério Públicos fizeram na maternidade Santa Mônica. A fala da promotora Micheline Tenório é gravíssima. Ela praticamente diz que os leitos foram reabertos faltando de tudo. O leito existente por si só não é garantia de atendimento.

Ao rebater o posicionamento dos órgãos fiscalizadores, Renan Filho falou o óbvio: “é melhor leitos funcionando do que fechados”. Mas é claro que é, governador. Porém, a população que paga impostos e sustenta a máquina estatal com esses, não quer apenas os leitos existentes, mas funcionando com serviço de qualidade, sem falta de medicamentos e outros insumos. E isso é o básico, não é os 100%, já que o Estado é pago para isso.

Ninguém reclama dos leitos terem sido reabertos, mas sim da forma como fora reabertos. A questão é essa. A fala do governador – querendo ele ou não – acaba passando a ideia de que o serviço “meia-boca” deve ser compreendido pelo fato dele existir ser melhor que sua inexistência. Ora, o contribuinte não pode jamais aceitar isso. Sei que essa não é a intenção de Renan Filho. Por isso, ao ler a matéria aqui no CadaMinuto, fiquei com aquela sensação de “que frase infeliz”.

E lembrando que aqui abre espaço para um questionamento que tenho feito há tempos: não sou contra a construção de novos hospitais, mas é preciso que o governo do Estado detalhe como se dará o funcionamento destes para deixar claro que não são apenas prédios físicos que estão sendo prometidos. Creio que o governo deve ter esse planejamento.

No caso da Santa Mônica, se fosse um hospital privado já estaria sofrendo penalidades que colocariam em risco seu funcionamento. Duvidam disso? Eu não.

 Na continuidade de suas falas, Renan Filho disse: “Era uma vontade do Ministério Público em abrir os leitos, nós abrimos. Agora vamos conversar com eles, ouvir as sugestões e afinar o trabalho para que o Estado junto com os Poderes prestem um bom serviço para a população”. Torço para que isso ocorra. Afinal, torcer para o quanto pior melhor e burrice por parte de quem o faça. Então, que Renan Filho saiba conduzir a situação para uma solução.

A prova de que a preocupação é grande está na fala da promotora Micheline Tenório. Eis: “Anunciar a abertura de leitos sem que esses espaços possam ser ocupados é uma grande irresponsabilidade. O corpo técnico da maternidade admitiu que faltam vários medicamentos, insumos, equipamentos e também servidores. Não adianta existirem apenas as incubadoras. É preciso que elas estejam com os aparelhos necessários ao seu funcionamento, assim como são imprescindíveis as luvas, máscaras, algodão, gases e álcool para que os profissionais façam os devidos procedimentos nas crianças. Sem falar na nutrição parenteral, que costuma faltar com frequência, e a carência de servidores para cuidar dos bebês”.

Aguardemos!

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Renan Calheiros, guerreiro do Lula o tempo inteiro...

Foto: Paulo Whitaker/Reuters/Arquivo 5c7d051b fb64 4409 94a2 4c876dcd04ec Renan Calheiros e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Penedo

O senador Renan Calheiros (MDB/AL) quer alcançar o posto do mais fervoroso lulista de Alagoas, quiçá do país. Obviamente que não pensa apenas em Lula (se é a preocupação é de fato), mas em no que pode também lucrar junto à militância petista que tem sim capilaridade. Afinal, é inegável que Lula ainda tem alguma densidade eleitoral.

Calheiros agora fez um novo vídeo para dizer que se junta ao coro dos que não querem o ex-presidente Lula (PT), condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, na cadeia. O emedebista gravou um vídeo para manifestar seu apoio vermelho à causa petista.

Só um detalhe: a decisão que derrubou o pedido de habeas corpus de Lula se deu porque o Supremo Tribunal Federal, muito antes de Lula ser condenado, decidiu que as penas decretadas em segunda instância já podem ter o cumprimento imediato. Não há nada de pessoal do STJ contra Lula. Mas, não se espante se em breve Renan Calheiros pegar a “vibe” dos senadores petistas e começar a ver o fantasma dos EUA em tudo.  

Para Calheiros, a decisão do STJ pode jogar o Brasil “na mais insana crise institucional”. Se Renan Calheiros não se reeleger senador, pode tentar o stand-up. Afinal, a crise que o Brasil vivencia e se arrasta é decorrência de um estamento burocrático pré-existente que foi aperfeiçoado pelo Partido dos Trabalhadores, aparelhando estatais com ajuda de partidos amigos – entre os quais se inclui o PMDB, agora MDB – para a construção de um projeto de poder com viés claramente ideológico em busca da homogeneidade.

E olhe que nem falamos de BNDES...

É só pesquisar sobre o Foro de São Paulo, senhor senador. Ou então, como aconselha Groucho Marx, não mais acreditar no que dizem, mas sim nos próprios olhos. O PT e Lula pagam o preço por seus erros, com direito a tesoureiros presos, comando de mensalões e petrolões. Se hoje temos o fraco governo de Michel Temer (MDB) no comando do país, é mais uma herança petista.

O máximo que Renan Calheiros fez diante de tudo isso, além de ser parte das alianças políticas com o PT nos últimos anos, conduzir o processo de impeachment mantendo – na reta final – os direitos políticos de Dilma Rousseff (PT), como prêmio de consolação. Isto foi ajudar a rasgar a Constituição Federal tendo o presidente do Supremo Tribunal Federal (na época) ao seu lado: Ricardo Lewandovksi.

O que Calheiros espera? Figurar com seu rosto nas faixas que versam sobre os “guerreiros do povo brasileiro”? O senador do MDB de Alagoas pega a contramão da história e assume um viés ideológico, pois até já disse em passado recente que sempre foi de esquerda.

Mas Calheiros fez mais. Ainda conclamou os presidentes do Congresso (Câmara e Senado) a não serem omissos. Eles farão o que? Ficarão de oposição ao Judiciário – um outro poder constituído – causando, aí sim!, uma crise institucional. Vão zombar da “Justiça burguesa” com aquela inspiração bolchevique que parece conduzir Renan Calheiros nesse momento?

Sinceramente, Renan Calheiros, o Michel Temer não escolheu. Dado ser vice de quem era e ter aceito essa condição, já se colocou como um decorativo encolhido desde o início, em favor do estamento burocrático tão denunciado por Raimundo Faoro muito antes do PT chegar ao poder. Afinal, tão casta sempre existiu. O Partido dos Trabalhadores só usou o “sistema” para aperfeiçoá-lo, contando com a militância orgânica e os preceitos gramsciano.

Parafraseando Renato Russo, Renan Calheiros fala demais por não ter nada a dizer...

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Alencastro e Nassif: a entrevista que me rendeu muitas risadas...

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Mathias Alencastro. Este é o nome do cientista social com especialização em relações internacionais que, em entrevista ao jornalista Luis Nassif, editor do GGN, cravou que a direita e a extrema-direita podem chegar ao segundo turno nessa eleição de 2018 no país. E atenção: o tom não é de análise, mas sim de ALERTA. Uma gracinha...

As esquerdas, diante da crise que enfrentam, se encontram mesmo atordoadas, ao ponto de ainda acreditarem que podem, por meio de intelectuais esquerdistas travestidos de isentos, vender esses cenários ilusórios, quando as mais de 30 siglas desse país, com a diferença de graus, defendem sempre mais intervencionismo estatal, seja por ideologia ou por fisiologia.

As exceções só surgem agora como Novo e PSL.

E essa defesa de gigantismo estatal e aparelhamento da máquina pública é justamente o contrário de uma proposta de direita, que tem um viés mais liberal, com a defesa da redução do Estado, de maior garantia de liberdades individuais, estímulo à livre inciativa, maior liberdade econômica, dentre outros pontos que se dividem por haver discordâncias entre conservadores e liberais.

Mas, na cabeça de Alencastro, o PSDB é a “direita brasileira”, mesmo sendo um partido fundando dentro de uma linha gramsciana em que tucanos tomam um banho de boutique, mas não perdem uma oportunidade – como já fizeram Aécio Neves, José Serra e Fernando Henrique Cardoso – de bajular um comunista. Lembram das falas dessa turma diante da morte do ditador cubano Fidel Castro?

Em que pese algumas medidas do PSDB nos anos 90 em função do que a realidade colocava em cena para o país, como o necessário Plano Real diante da economia que tínhamos, o PSDB é uma das faces da esquerda e compõe a chamada “estratégia das tesouras”, onde as disputas eleitorais se dão nas diferenças de graus do mesmo viés ideológico. Até Luiz Inácio Lula da Silva – o ex-presidente condenado do PT – já assumiu isso em uma entrevista.

Agora, é claro: com o sabor de chuchu o tempo todo e mais próximo de uma banana que de um tucano, o PSDB sempre será o rival preferido de uma esquerda e visto como “direita” porque é até onde qualquer possibilidade de direita nesse país poderia ir. Mas aí, surgiram – para o desespero dos ideólogos do plantão – novos movimentos que de fato retomaram o que é direita e alguns partidos políticos nesse sentido também. O Novo é um exemplo. A reestruturação do PSL também.

É que os tucanos, apesar do bico longo, sabem o limite de onde podem colocar o nariz...sempre souberam...basta a leitura de Diários da Presidência do FHC.

Porém, veja, com exceção de Jair Messias Bolsonaro (PSL) – a quem também tenho algumas críticas – qual outro nome de uma direita se mostra com possibilidade de vitória, conforme as mais recentes pesquisas eleitorais. João Amoedo (Novo) não chegou a dois dígitos percentuais. Flávio Rocha vai no mesmo caminho. Se pode mudar o cenário eu não sei. Mas com base nos dados de hoje, não há o menor risco, a menor chance, de dois nomes de direita chegarem a um segundo turno.

Alencastro não traduz a realidade, mas sim coloca em cena um falso alerta para confundir a opinião pública sem sequer definir claramente os rótulos de esquerda e direita, quanto mais os extremos de cada lado. Um cientista político deve saber que tais classificações não são meros adjetivos, mas definições com base nas bandeiras que se defende.

Uma direita acredita no livre mercado, acredita que o setor produtivo é responsável por geração de emprego e renda e abomina a visão de “luta de classes”. Se com um viés mais conservador, vai se posicionar em defesa das tradições, culturas e religiões. E aqui estou colocando um resumo bem superficial.

Na esquerda, há um campo revisionista que reconhece atrocidades do comunismo, mas ainda assim acredita na intervenção estatal em tudo, aposta em coletivismo apoiados em bandeiras minoritárias e há uma ala mais radical que ainda usa o comunismo até no nome. Há, portanto, suas gradações.

Creio eu que os dois campos devam existir, apesar de me definir como direita. Faço sem medo e não escondo do meu leitor meus posicionamentos. Creio que é necessário para que assim ele concorde ou não comigo. Por essa razão que afirmo, a análise de Alencastro é uma balela sem tamanho.

O que temos no Brasil é um campo de direita ainda em formação, com seus desentendimentos, na busca pelo amadurecimento dessas mesmas ideias e que ganhou força com essa crise de representatividade após tanto tempo onde a hegemonia esquerdista era tão grande que “direita” virou um adjetivo pejorativo, como Alencastro ainda usa. Parece que ele fala de um “bicho-papão”: “olha, cuidado, a direita vem aí”. Só faltou usar os jargões de sempre e xingar quem quer menos Estado de fascista, quando o fascista é justamente aquele que quer que o Estado controle tudo.

Não há vazio na centro-esquerda nem na esquerda brasileira. Os principais partidos políticos ainda estão nesses setores: PDT, PSB, PSDB e alguns outros. Mas, Alencastro se entrega quando fala desse vazio. Ele diz que existe esse vazio porque é o PT que tem a “responsabilidade de ocupá-lo”. Ah, tá! E usa mais uma vez o termo “movimentos progressistas”. Na certa, mensalão e petrolão foram frutos da imaginação dos investigadores da Lava Jato.

Sinceramente, dá até preguiça de falar do resto da entrevista do cientista...

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