Renan Calheiros e suas “preocupações seletivas” quando não é governo...

Crédito: Agência Brasil 6683277c 2127 4d73 bd13 051876192cc7 Renan Calheiros

Se há algo que o senador Renan Calheiros (PMDB) soube ser em Brasília é ser governo. Calheiros desliza pelas correntes de poder sempre acumulando mais poder dentro do estamento burocrático brasileiro. 

Assim, já foi ministro do governo tucano, aliado forte dos governos petistas, deu uma de “isentão” no processo de impeachment e ajudou a assegurar os direitos políticos de Dilma Rousseff (PT);  agora - como oposição ao governo de Michel Temer (PMDB) - aposta em uma aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

Tem sido opositor mais ferrenho. 

Ao mesmo tempo em que comemora os arquivamentos ocorridos de processos contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF), Calheiros investe em um discurso agressivo para capitalizar diante da impopularidade de Temer. 

Que Temer é um presidente fraco, não tenho dúvidas. Que no mérito algumas reclamações de Calheiros procedem, também não duvido. Afinal, Temer é a “parte do pacote” do lulopetismo que assumiu o Brasil e ficou como herança, ao mesmo tempo em que deixou Temer com uma herança maldita que, simplesmente pelo fato de ter feito parte dos governos de Dilma Rousseff, ajudou a construir. 

Renan Calheiros também já esteve nesse pacote.

Todavia, o texto é sobre a seletividade de Renan Calheiros. Hoje, o senador de oposição é um ferrenho preocupado com as nomeações que Michel Temer faz e com o futuro do país. Mas, onde estava Calheiros quando investigados faziam parte do governo e Dilma Rousseff? Quando Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado por corrupção, sabemos onde Calheiros estava: ao lado de Lula. 

Quando o petismo desandava, Calheiros alternou entre o silêncio, críticas tímidas e apoios. O que é natural de seu enxadrismo político sempre focado na matemática eleitoreira. O olhar de Renan Calheiros é voltado a 2018. Precisa chegar lá com o que dizer. Afinal, não é um processo eleitoral fácil mesmo para o homem mais poderoso de Alagoas e com tantos aliados, incluindo o filho: o governador da Terra dos Marechais, Renan Filho (PMDB). 

Agora, Calheiros ataca a nomeação de Carlos Marun. No mérito, tem até alguma razão. Porém, não é exclusividade de Michel Temer tais nomeações. Por qual razão mesmo que Dilma queria Lula ministro? Será que não era a busca por um primeiro-ministro e ao mesmo tempo uma tentativa de salvar o pescoço do ex-presidente em um momento tão delicado. Onde estava o combativo senador alagoano?

Marun é da “tropa de choque” de Temer. Mais um do estamento burocrático de uma nação onde o poder emana do povo, mas contra ele é exercido. Se com isso, vem de “brinde” uma influência de Eduardo Cunha no governo do presidente, como afirma Renan Calheiros, é algo de fato deplorável. Então, o que Renan Calheiros diz - por entender como ninguém dos bastidores da política - merece ser observado e destrinchado. 

Marun tem uma missão clara na função: angariar votos para a reforma da previdência. Isso é óbvio. Afinal, mostrou competência ao ajudar a barrar as denúncias contra Temer. 

Todavia, não é interessante esquecer da biografia de quem fala. Falo aqui da biografia política mesmo e não necessariamente da biografia dos processos contra Renan Calheiros, que tem todo o direito de se defender e assim deve fazer. Se tiver a inocência reconhecida, que esta seja reconhecida. 

Mas é que Renan Calheiros anda tão preocupado com o país que não avaliou que o presidenciável que carrega em seu coração disse essa semana que se sentia triste com a prisão dos governadores do Rio de Janeiro por conta de terem roubado o povo, apesar de terem sido eleitos democraticamente. Uma declaração terrível e que pouco repercutiu e pouco preocupou esses atuais baluartes da ética na política. 

Calheiros indaga quem falará com o “chefe do governo” e diz que é uma preocupação mesmo e não duplo sentido. 

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Governo nega ter perdido prazo de veto do projeto de lei envolvendo militares

Foto: Bruno Levy/CadaMinuto 1e4482fb c84e 4c46 8ba6 124feb943366 Palácio República dos Palmares, no Centro

Publiquei neste blog, na manhã de hoje, um texto falando do veto do governo do Estado de Alagoas ao projeto de lei que versa sobre o Estatuto da Polícia Militar. 

No texto anterior, há explicações sobre o mérito da matéria. Todavia, o que chamei atenção foi para o fato de ser um projeto polêmico, que envolveu embates com membros da corporação militar, por conta de idade de aposentadoria e progressões. 

O projeto sofreu uma emenda do deputado estadual Francisco Tenório (PMN). Esta foi vetada pelo governo do Estado. Só que, em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), os deputados estaduais avaliaram que o governador Renan Filho (PMDB) teria perdido o prazo para vetar o projeto e com isso, a decisão deste não mais teria valor, cabendo aos parlamentares sancionarem a lei, como manda a Constituição. 

Perder o prazo veto em matéria tão polêmica seria um erro primário por parte do Executivo, o que suscitou questionamentos naturais durante a sessão legislativa. Todos, evidentemente, feitos nos bastidores. 

Após o texto aqui publicado, a assessoria de comunicação do Gabinete Civil entrou em contato com o blog. 

Eles rebatem a informação do parlamento estadual e afirmam que não houve perda de prazo. De acordo com o Gabinete Civil, ao contrário do que o deputado Francisco Tenório afirma, o veto foi encaminhado dentro do tempo correto e caberia a CCJ analisar e encaminhar para apreciação em plenário. 

Como o parlamento deve tornar a lei válida, a discussão - ao que tudo indica - vai longe. O Gabinete Civil não entrou em detalhes, mas afirma que tudo é uma questão de interpretação dos horários de recebimento em protocolo. Segundo a assessoria de comunicação do órgão, assim que o processo retornar ao Gabinete Civil este deve se pronunciar em mais detalhes sobre as ações a serem tomadas. 

Aguardemos! 

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Como o governo do Estado perde prazo de veto em um projeto polêmico?

Foto: Bruno Levy/CadaMinuto 1e4482fb c84e 4c46 8ba6 124feb943366 Palácio República dos Palmares, no Centro

De acordo com informações oficiais da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa de Tavares Bastos decidiu - por maioria dos votos - promulgar o projeto de lei que altera o Estatuto dos Policiais Militares quanto a idade limite para ingresso e aposentadoria da corporação. 

O projeto foi um dos mais polêmicos desse semestre naquela Casa, com várias discussões e até uma emenda do deputado estadual Francisco Tenório (PMN), que é da base governista. É justamente a emenda o ponto de discussão.

O Executivo estadual vetou modificações no projeto e reencaminhou - como tinha que ser - para que os deputados estaduais apreciassem o veto. 

Porém, um “erro” primário - em tese de contagem de prazo! - fez com que a matéria chegasse na Casa sem que o veto fosse válido. Essa é a interpretação da Comissão de Constituição e Justiça. Não era um projeto qualquer. Houve muita discussão em relação ao assunto e a posição do Executivo já era conhecida, bem como a da tropa da Polícia Militar de Alagoas. 

Os militares presentes na Casa de Tavares Bastos no dia de ontem até foram surpreendidos pela informação que parecia uma brincadeira de mau gosto: o governo perdeu o prazo do veto. O fato, por demonstrar uma desorganização do governo estadual, suscitou especulações sobre uma articulação proposital. Será?

De acordo com Francisco Tenório, autor das emendas, o governo não cumpriu o prazo de 15 dias para vetar o Projeto de Lei, com isso não cabe mais ao parlamento qualquer apreciação e - explica ainda Tenório - conforme a Constituição, a decisão já é lei. A questão agora é saber se a Procuradoria Geral do Estado (PGE) vai orientar o Executivo em algum sentido, uma vez que o governo estadual já havia se posicionado contrário a matéria. 

Como registra matéria oficial da assessoria de Comunicação do parlamento estadual,  “com as modificações, a idade de acesso ao cargo de soldado de polícia será de 35 anos, cinco a mais que a idade determinada pela lei anterior, que exigia 30 anos. Segundo o deputado, atualmente a aposentadoria de um policial militar obedece a uma tabela que vai dos 47 anos até os 62 anos de idade. A partir desta lei, a categoria poderá ficar em atividade até os 65 anos, para homens e 60 para mulheres”. 

O presidente da Casa, Luiz Dantas demonstrou o mesmo entendimento de Chico Tenório e o ofício informando sobre o prazo extrapolado será encaminhado ao Executivo estadual. No governo não tem ninguém que conte prazos para o governador Renan Filho (PMDB)? Fica tudo para última hora? O governo precisa explicar como conseguiu esse fenômeno registrado pelos deputados estaduais: a perda de prazo de um veto em matéria polêmica que envolvia diversos interesses, inclusive da corporação da Polícia Militar de Alagoas. 

Será que mais ninguém se assusta com isso? Com a palavra, o governador Renan Filho...


Agora, a Assembleia Legislativa deverá publicar a Lei no Diário Oficial do Estado.

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O Jardim das Aflições: vi, gostei e recomendo. Recomendo até para os que querem desconstruí-lo...

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Não sou aluno do professor Olavo de Carvalho, mas tenho uma admiração profunda pelo pensador em função de muitas das obras por ele lançadas. Entre elas, O Jardim das Aflições, O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota, e a Nova Era e a Revolução Cultural. Carvalho é tido, na grande mídia, como um “guru de direita”, mas eu praticamente não tenho gurus e tenho alguns pontos em que ouso discordar dele, por justamente ter visto em O Jardim das Aflições uma passagem que muito me emocionou, que é quando Olavo de Carvalho afirma que temos que tratar nossas opiniões a chicotadas se tivermos mesmo preocupação em buscar a verdade. 

O professor coloca que há diversas camadas de poder (ou de busca pelo poder) que atuam sobre nós e tentam construir narrativas por meio das ideias que professamos muitas vezes sem saber a origem dessas. Nesse sentido, é fundamental que saibamos o porque pensamos o que pensamos, o que queremos com isso e busquemos o gênesis de determinadas ideias para refletir sobre essas camadas de poder. Isso inclui estar aberto a mudar de opinião caso se constate que se acreditou em uma falsidade, que se desmorona quando confrontada com o argumento contrário. Se este processo não é o livre exercício do pensar, não sei mais o que seja. 

Além disso, a análise que O Jardim das Aflições faz entre o materialismo e o epicurismo é primordial. A crítica presente, mostrando as analogias, denuncia justamente essas camadas de poder sobre algumas ideias e seus interesses meramente políticos sendo conduzidos por ideologias que amputam o homem do verdadeiro contato com a liberdade. Afastam o ser daquilo que o filósofo Ortega y Gasset já colocava: o insubordinável encontrado em nossa solidão extrema quando confrontamos o que acreditamos com a extrema honestidade intelectual e sem dever nada a ninguém. 

No próximo dia 7 de dezembro, o filme O Jardim das Aflições - que não trata da obra em específico, mas do pensamento de Olavo de Carvalho - será exibido na Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Percebo, em alguns textos, que já existem reações contrárias ao filme, classificando este como “filme de direita” ou “filme fascista”. Assistir ao filme duas vezes e afirmo: são pouquíssimas as reflexões políticas que levem a classificar o filme como um ato de direitismo. A película traz filosofia ao nos apresentar Ortega y Gasset, Eric Voegelin e até mesmo alguns conceitos como o da anamnese e da investigação das próprias ideias, dentro de um processo de filosofia contemplativa. 

Carvalho, por exemplo, ainda recorre a um autor de esquerda - Raimundo Faoro - para falar da visão do estamento burocrático brasileiro: uma classe que chegou ao poder, de forma muito anterior ao PT, e passou a desenhar um conceito de pseudo-democracia, onde o poder emana do povo, mas contra ele é exercido, garantindo benesses, favores, privilégios aos poderosos, mecanismos de controle dos indivíduos por meio de uma inflação de direitos e imposições às liberdades individuais. 

Com isso, surge uma reflexão sobre o papel do Estado e ao que de fato ele esta vocacionado, observando o desenvolvimento desse na História, seja aqui no Brasil ou no mundo. É que nunca na História da Humanidade existiram tantos mecanismos de controle de pensamento, criações de grupos internacionais de objetivo comum com poder de imposição de pautas (até mesmo e valores) sobre comunidades. É o que conhecemos hoje como globalismo. 

De certa forma, portanto, há sim no filme uma reflexão sobre o globalismo, que é a tendência de imposição de um “governo mundial” que frauda democracias por meio de mecanismos internacionais a serviço de grandes capitalistas que querem um metacapitalismo. Ou seja, chegar no topo e não permitir que ninguém mais chegue. Esses - entre eles George Soros - “brincam” com as ideologias e instrumentalizam grupos por meio de ONGs, entidades etc. O que Olavo de Carvalho diz está posto em muitas fontes, como nos trabalhos de Pascal Bernardin, Roger Kimball, Heitor de Paolla e por aí vai...

Do ponto de vista filosófico, associo muito do que é posto no filme ao conceito de “hiato ontológico” de Viktor Frankl, que descreve a forma como um homem - diante de tanto secularismo e materialismo - foi amputado da sua capacidade de pensar e refletir sobre o transcendente, que sempre foi uma necessidade da filosofia desde que a filosofia foi filosofia. Mas é possível discordar de Carvalho? Claro! É só expor a tese contraditória e colocar esta em debate. São inúmeros os que buscam fazer isso e defendo que estes tenham espaço para fazê-lo e direito de fazer também. O confronto é base da produção do pensamento. No fim, creio que a verdade sempre permaneça de pé. 

Agora, o que mais me assusta é o xingamento vazio e muitas vezes completamente dissociado da realidade. Entre eles, chamar de fascista quem comunga da visão da existência de um estamento e do globalismo. Vejamos: denunciar o estamento é justamente denunciar um Estado que quer o controle de tudo, quer se fazer a consciência do indivíduo, moldando-a por dentro do Estado e para serviço do Estado, encarando este ente como uma “babá”. A essência do pensamento de Mussolini é defender justamente que tudo seja pelo Estado, com o Estado e para o Estado. Se posicionar contra o estamento é se posicionar justamente contra todas as práticas fascistas, ora bolas. É justamente se opor aos mecanismos de controle global. 

Quem duvida que veja o filme e depois o discuta. É o que faço ainda hoje com autores com os quais discordo: me dedico à leitura desses para que possa retirar os conceitos-chaves e assim analisar - de coração aberto - com aquilo que previamente discordo. Não raro, alguns me convenceram de que o errado era eu e pude ali me fazer aprendiz do que não sabia, como ocorreu quando me deparei com a obra de Voegelin, por exemplo. Não tinha sequer noção do que era cosmovisão na análise das ideias políticas. Ao me deparar com aquilo posto, refiz todo o conceito que eu tinha de ciência política e filosofia política. Em minha visão, humildade diante do saber é algo que devemos cultivar sempre. O que sabemos sempre será um ponto no oceano da ignorância. 

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A lição do Fale, Educação: projeto tem que ser ampliado!

Ascom MP 14090826413531 Promotora Cecília Carnaúba

Logo que o Fale, Educação foi lançado - e ainda sequer tinha começado - conversei com a promotor Cecília Carnaúba sobre o assunto. Publiquei uma longa entrevista com ela no CadaMinutoPress. 

A ideia era formidável e visava levar para as escolas, por meio de palestras com profissionais de diversas áreas, várias formas de conhecimento de maneira interdisciplinar. Para além disso, buscou integrar a comunidade às escolas, sem esconder os problemas que a Educação estadual enfrenta, mas buscando soluções e o preenchimento de lacunas. 

Pelo que acompanhei, o projeto foi bem recebido por alunos, por professores, pela própria Secretaria Estadual de Educação (o que faz com que o governo de Renan Filho mereça sim esse elogio) e, nas escolas em que se fez presente, encontrou parceiros preocupados. Entre eles, o Legislativo alagoano. É fato que a Casa de Tavares Bastos merece inúmeras críticas, mas ao abrir portas para os estudantes fez um sinal positivo de “desencastelamento”. 

Não deixaria aqui de elogiar os parlamentares que compraram essa ideia, incluindo o presidente Luiz Dantas (PMDB), que já foi alvo de diversas críticas nesse blog. 

Que outros poderes também possa abrir as suas portas para as próximas edições do Fale, Educação. Aliás, que outros parceiros surjam para que o programa possa ser ampliado e assim envolver mais escolas, sobretudo no interior do Estado de Alagoas. 

O que o Fale, Educação apresentou de melhor em minha visão?

Bem, falo de algo que foi destacado pelo deputado estadual Bruno Toledo (PROS): “Eu acredito na Educação como apresentada nesse projeto: uma visão de respeito ao ser humano pelo simples fato de ser ser humano, sem a instrumentalização de pessoas em função de ideologia A ou B, com o foco naquilo que realmente é necessário aprender: de um lado o conhecimento técnico preciso que fará com que esses adolescentes tenham conquistas na vida pessoal e profissional. Do outro, o respeito às divergências, a tolerância, a noção de cidadania e a certeza de que as famílias precisam ser respeitadas e são responsáveis pela educação moral de seus filhos. Educação é um processo de parcerias e não um monopólio do Estado para jogar uns contra os outros”.

Compartilho da mesma visão e opinião. Foi possível discutir assuntos que envolviam o respeito ao próximo, às divergências, às liberdades individuais, sem a instrumentalização de coletivos por bandeiras políticas A ou B. Era riquíssima visão apresentada pelos alunos. A edição de 2017 chegou ao fim em dezembro. Por parte do Ministério Público, que foi o idealizador do projeto, vimos um órgão proativo que cumpriu uma missão por dedicação ao tema. Uma prova de que quando se quer, pode mais. 

É preciso registrar também o papel dos professores, coordenadores e diretores de escolas. Muitos deixaram claro que enxergam a profissão como um sacerdócio, superando as condições da estrutura ofertada pelo Estado (alguns até bancando coisas do próprio bolso) para tentar ofertar uma Educação de qualidade. Ocupar esses espaços (no bom sentido) e promover o resgate de uma alta cultura, ao mesmo tempo em que se trabalha a autoestima dos estudantes, é a verdadeira porta de saída para os tempos sombrios de miséria intelectual e moral em que vivemos. 

Não tenho dúvidas que o Fale, Educação fez diferença na vida de cada um desses estudantes. Não acompanhei o projeto de perto e pude estar presente em apenas uma das visitas que os alunos fizeram ao parlamento estadual, mas mesmo assim pude notar - naquele momento - o quanto ele era transformador em relação à verdadeira visão crítica que um estudante deve assimilar. Eram muitos aprendizes querendo mais do que o que era ofertado, interessados nas principais temáticas do Estado, questionando a própria base curricular e cobrando o “estudo sério”. Enche de esperança enxergar isso nas futuras gerações, sobretudo quando existem os que queiram tratá-los como massa de manobra. 

A promotora Cecília Carnaúba foi peça fundamental no desenvolvimento dessa ideia, bem como profissionais liberais como o advogado Arthur Toledo, Maria Ferro, Rita Lira, dentre tantos que fizeram da melhoria da Educação uma causa. Doaram-se de forma altruísta, pois nada havia em troca a não ser os resultados a serem colhidos em um futuro próximo. Que Deus abençoe vocês nas próximas jornadas. Que 2017 seja o ponto inicial de várias etapas, cada vez mais expandidas, do Fale, Educação. 

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Quintella não descarta disputar o Senado em grupo de oposição

Agência Brasil D16d6e03 fcf1 4744 8980 45038eae0c5b Maurício Quintella Lessa

O ministro Maurício Quintella Lessa (PR) - que se licenciou do cargo de deputado federal para assumir a “patente” no governo do presidente Michel Temer (PMDB) - não descarta a possibilidade de disputar o Senado Federal no grupo de oposição ao governador Renan Filho (PMDB) e o senador Renan Calheiros (PMDB). 

Sem antecipar os passos, Quintella trabalha com as duas possibilidades: a disputa pela reeleição à Câmara de Deputados ou a luta pelo Senado Federal. Há apostas, na oposição, de que o ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), que recentemente foi um dos alvos da Operação Lava Jato, não sustenta a sua candidatura. 

As denúncias contra Vilela pesam? Pesam. Mas essa não é a única questão e nem a mais importante. 

Há quem faça uma reflexão sobre a viabilidade financeira da candidatura, já que os Vilelas possuiriam - nesse cenário - dois candidatos: além de Teotonio Vilela ao Senado Federal, a candidatura do deputado federal Pedro Vilela (PSDB) à reeleição. Isso implica em custos pesados num cenário difícil de conseguir financiamento. 

Outro ponto é que o PSDB - com uma candidatura do prefeito de Maceió Rui Palmeira ao governo do Estado de Alagoas - ocuparia a cabeça da chapa majoritária o que abriria espaço para os outros partidos negociaram as outras duas posições de vagas ao Senado Federal. Vale lembrar que o senador Benedito de Lira (PP) tem o interesse na disputa pela reeleição e o secretário municipal de Saúde, José Thomas Nonô (Democratas) também quer participar do processo eleitoral estando nas cabeças. 

Quintella não descarta a possibilidade de um cenário favorável a si mesmo. Além disso, o ministro teria o apoio do governo federal em Alagoas já que Michel Temer tem um desafeto por essas bandas: o senador Renan Calheiros. 

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Nunca peça desculpas por ter dito a verdade de forma cirúrgica (Sobre o projeto de Silvânio Barbosa)

O projeto do vereador Silvânio Barbosa que quer transferir o feriado do Dia dos Professores para uma sexta-feira todas as vezes em que ele cair no sábado ou domingo é: ridículo, esdrúxulo, bobagem, populista, jogar pra galera, abre brecha para ações semelhantes com outras datas, não calcula o impacto disso no calendário escolar ou na produtividade de uma empresa, não tem qualquer substância, não faz sentido, e eu poderia citar mais umas 300 coisas pelas quais discordo. Pronto, ele pode se incomodar com o meu texto também.

Mas, quanto ao assunto em específico: a matéria foi feita pelo CadaMinuto no blog da jornalista Vanessa Alencar, que ironiza o que merece ser ironizado, mas explica de forma claríssima o que é o projeto de lei. Mas, o vereador acha que nas redes sociais a coisa foi deturpada e ficou parecendo que ele quer que TODO FERIADO que caia no fim de semana seja repassado para a sexta.

Se ocorreu isso, aí não tem nada a ver com o texto da Vanessa, que é claro do início ao fim. A jornalista não tem culpa do que entendem de seu texto, quando ela foi clara no que escreveu. É simples assim!

Vanessa - muito bem intencionada - ainda fez um segundo post explicando a polêmica e dando espaço a uma nota do vereador. Está lá no blog dela. Só não entendi UMA COISA. E aí vai a minha crítica pública a ela: NÃO SE PEDE DESCULPAS POR TER FEITO O TRABALHO DE FORMA PRECISA, CIRÚRGICA E CORRETA. Ela fez jornalismo. Era o que deveria ter feito.

Minha querida Vanessa Alencar, pedir desculpas ao vereador por enganos de quem leu a sua matéria? Peça não! Você foi até condescendente e de espírito humanitário ao mostrar o projeto de lei para o público com uma única ironia, ao indagar se aquele absurdo de fato existia, "né produção?".

Se fosse eu a ter acesso a essa bobagem de projeto, teria colocado na manchete: QUANDO O POPULISMO PRODUZ PROJETOS SEM SENTIDO ALGUM...

Se você deu o FATO, explicou o FATO, detalhou o FATO e fez de forma cirúrgica, a sua "culpa" foi apenas a de ter exposto essa jabuticaba maceioense...

Em tempo: a Vanessa Alencar tem hoje um dos melhores blogs do Estado. Sei que sou suspeito pra falar, mas acho isso mesmo. Textos cirúrgicos e que incomodam...jornalismo não é perfumaria!

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O discurso certeiro do novo reitor da Uncisal, Henrique Costa, coloca o dedo na ferida...

Foto: Cortesia / Assessoria De737d24 b8a6 4042 a006 a5bf220d023c Uncisal

Em um discurso objetivo, o novo reitor da Uncisal, Henrique Costa, fez duras críticas à forma como a universidade vinha sendo gerida e apontou para práticas administrativas como sendo responsáveis pelos problemas enfrentados na Santa Mônica e em outras unidades da instituição. 

Costa falou pouco durante a audiência pública de prestação de contas dos recursos do SUS, na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, mas destoou das “versões oficiais” do governo do Estado de Alagoas. 

Se o discurso de Costa terá resultados práticos, aí é com o tempo. 

Porém, o reitor mostrou que pode ser um incomodo para governistas em função da forma como pretende tratar os problemas que são enfrentados pela Uncisal na atualidade. “A Uncisal deve ampliar sua participação na Saúde e na sociedade e desde o primeiro momento, a pasta da Saúde tem se colocado ¡a disposição de ajudar ao seu complexo hospitalar. Esperamos ser parceiros”, pontuou Costa.

Todavia, ressaltou que são graves os problemas enfrentados pela instituição. “São problemas gravíssimos. Nossos hospitais estão em situação gravíssima. E é preciso entender que apenas a pintura das paredes das unidades não é reforma. Reforma foi só a pintura externa? Há obras indiciadas e com problemas para serem concluídos. São repasses de ordem de milhões e obras que mal saíram da condição de buraco no chão”, destacou. 

Henrique Costa voltou a frisar que o problema enfrentado pela Santa Mônica é muito mais de gestão que financeiro. “Medidas serão tomadas”, disse o reitor. Segundo ele, há de incomodar pessoas que estão acostumadas com as velhas práticas administrativas que acabavam contribuindo para o desabastecimento e a ausência de controle do almoxarifado. 

“Será instalado procedimento para apuração dos casos de desabastecimento nas unidades hospitalares. O problema não é a apenas a falta de recursos, mas gestão. É preciso operar mudanças e é meu dever dá notícias à população para que esta sabia a realidade que a Uncisal vivencia”, frisou.  

O que chama atenção no discurso do novo reitor é o seguinte: 1) ter chamado atenção para o desperdício de recursos em função de problemas de gestão; 2) a possível ausência de controle dos insumos nas unidades que agrava a situação de abastecimento; 3) o fato de reformas servirem apenas como maquiagem das unidades e com isso ter se desperdiçado recurso público e 4) a necessidade de que haja independência na reitoria para que esta não se submeta a um discurso governista e possa falar mais abertamente à sociedade. 

Pelo que Costa falou é de se perceber que ele tem mais informações, mas que não podem ser divulgadas sem respaldo e cautela. Por essa razão, os procedimentos que o reitor disse pretender instalar...é aguardar! 

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Lessa sobre retorno ao governo de Renan Filho: “os salários não são compatíveis, o começo não está maravilhoso. Mas estou satisfeito”

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As jornalista Raíssa França e Amanda Falcão publicaram, na manhã de hoje, uma matéria em que surgem declarações do deputado federal Ronaldo Lessa (PDT) sobre o retorno de seu partido à base aliada do governador Renan Filho (PMDB). 

Lessa fez elogios a Renan Filho e disse que o PDT até demorou a retornar ao Palácio República dos Palmares por conta da ausência de autorização nacional. Que autorização seria essa? A Executiva nacional avaliando essas alianças regionais? Sempre pareceu que o PDT local tinha toda autonomia, como quando fechou aliança com o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB). 

Bom, segundo Lessa, “a relação ficou tão boa que decidimos participar do governo”. Mas, como já é comum de Ronaldo Lessa, suas declarações sempre contém um pouco de polêmica e ele reclamou da demora em ajustar os espaços e dos salários ofertados aos indicados. Em resumo, o ex-governador e atual deputado federal diz: “o começo não está maravilhoso”. 

Porém, segundo ele mesmo, nada que tire a satisfação de observar seu grupo retornando ao Palácio República os Palmares. 

Ele mesmo explica porque o início da aliança não está tão bem: “há muita gente fora, os salários não são compatíveis (...) tem seus problemas, mas estamos satisfeitos”. Para o ex-governador, nada que não se resolva com alguns ajustes. 

Por fim, o governador disse que Renan Filho conta com um capital para fazer um bom governo e tem feito. O papel do deputado federal - conforme ele mesmo - será de tentar interferir, aconselhar e ser sincero e correto com o governador. 

O grupo de Lessa ainda aguarda os ajustes para assumir a Agência de Regulação dos Serviços Públicos de Alagoas (ARSAL). 

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Teotonio Vilela começa a soltar o verbo nas críticas ao PMDB

foto: arquivo/Cada Minuto 599152ea 1c85 4bc6 ab15 3bc449092104 Teotônio Vilela Filho (PSDB)

Quem acompanha os passos do ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) sabe que, em muitos momentos, o político é uma esfinge. Fala pouco sobre o que tem pensado, movimenta-se nos bastidores com cautela e toma decisões que podem alterar quadros. 

Foi assim em 2014, quando resolveu permanecer no cargo e não disputar o Senado Federal. 

A decisão - na época - causou incômodos aos aliados como o senador Benedito de Lira (PP) e até ex-secretários de sua gestão que sonhavam em se candidatar ao Executivo. O próprio vice-governador da época, José Thomáz Nonô (Democratas) se sentiu traído. Enfim...

Agora, Vilela mira no Senado Federal. 

Já movimentou o xadrez político ao entregar a presidência do PSDB para o prefeito Rui Palmeira, tornando-o - queira o prefeito confirmar ou não - o principal pré-candidato ao governo da oposição. Ao mesmo tempo, o ex-governador afastou de si os “boatos” de uma aliança branca com o senador Renan Calheiros (PMDB). 

Numa entrevista concedida à Tribuna Independente que analisava as perdas de prefeitos na legenda do PSDB, Vilela soltou o verbo nas críticas aos peemedebistas. Classificou a política de “atração de prefeitos” do governador Renan Filho e do senador Renan Calheiros de “nada republicana”, “arcaica” e disse que os prefeitos estão “mudando de lar” de “forma constrangida”. 

Eis uma das declarações: “Fui governador durante oito anos e nunca pedi ou induzi prefeito a vir para o meu partido. Não tirei prefeito de nenhum outro partido e sempre dei atenção a todos. Quando um prefeito foi eleito, ele é um representante do povo e tem que ser respeitado. Nunca perguntei a um prefeito se ele votou em mim ou se iria votar”. 

Para Vilela, Renan Filho usa do poder da máquina com o objetivo puramente eleitoral. Ele diz que os prefeitos são obrigados à mudança por “necessidade de sobrevivência”. 

“Diante de uma crise imensa e da oferta que está sendo feita a eles, de obras, ações, de ajuda do governo, que teria que ser feita até porque governo é para apoiar os municípios e não fazer disso uma moeda de troca. Eu respeito os prefeitos que saíram do meu partido porque sei que a grande maioria faz isso por absoluta falta de alternativa diante de uma crise”, complementou durante a entrevista.

Ainda aproveitou para mandar um recado. Relembrou sua eleição de 2010: “João Lyra amealhou 90 prefeitos, 26 deputados, praticamente a totalidade das Câmaras de Vereadores e perdeu a eleição no primeiro turno. O voto majoritário não obedece necessariamente ao comando do líder, porque é um voto que vai muito com o momento, com a impressão que o candidato a governador, a senador coloca. Essa é minha maneira de ver”. 

Foi a primeira entrevista em que Vilela não apenas se portou firme como oposição, mas subiu o tom. 

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