Rui diz que terá candidato ao Executivo e ao Senado. É mesmo? Quem?

Arquivo: Cada minuto E4f71bf5 bee6 40ed 8ebc ffba027c3cdd Rui Palmeira e Téo Vilela fora da disputa em 2018

As recentes declarações do prefeito Rui Palmeira (PSDB) podem até ser sincera do ponto vista pessoal, mas não se traduzem na prática.

Repito o que já disse: Rui Palmeira tem todo o direito de não querer ser candidato e focar no comando Prefeitura de Maceió, cargo para o qual foi eleito. Não foi esse seu erro.

Seu erro foi ter assumido para si – ao e tornar presidente estadual do PSDB – o papel de articulador de uma oposição e a partir daí dar passos nos bastidores no sentido de construir uma candidatura, silenciar diante dos holofotes e depois afirmar que não é candidato, pegando todo mundo de surpresa e desarticulando o grupo.

Para isso, houve um preço. O primeiro a ser pago foi a ida do ministro dos Transportes, Maurício Quintella Lessa (PR) – que seria um nome para disputar o Senado Federal pela oposição – para o lado do MDB do senador Renan Calheiros e de Renan Filho.

Quintella fez a travessia com a consciência de que manteria espaços políticos tanto na gestão estadual de Renan Filho quanto na de Rui Palmeira. Logo, além de ser uma perda para o grupo de oposição mostra o enfraquecimento desta ao quadrado, já que se torna uma ponte entre os dois grupos. O poder não deixa vácuo.

O ministro já deu até declaração pública de uma busca de entendimento entre os grupos por meio das administrações estadual e municipal e suas “relações institucionais”.

O mesmo pode ocorrer com um fiel escudeiro de Rui Palmeira: Abraão Moura, que – conforme bastidores – já circula pelo Palácio República dos Palmares trabalhando a eleição da filha: Cibele Moura.

Rui Palmeira – querendo ou não (ele afirma que é o que não quer, pois se diz oposição) – foi de presidente do PSDB a coveiro dos tucanos no processo eleitoral. O dirigente Claudionor Araújo, em entrelinhas, cantou essa bola ao falar de “ostracismo”. Araújo agora pode até dizer que foi mal compreendido. Pouco importa. Para bom entendedor, meia palavra basta...

Se não é assim, que saia das declarações genéricas que lhe são costumeiras e aponte efetivamente qual nome tucano, além dele e do deputado estadual Rodrigo Cunha, que tem alguma condição de disputar o governo ou o Senado Federal. Vale lembrar que o ex-governador Teotonio Vilela Filho é carta fora do baralho.

Quanto a Rodrigo Cunha, ele não depende do PSDB. Tem vida própria em função de sua trajetória na Assembleia Legislativa e seus planos não passam por uma majoritária. O deputado federal Pedro Vilela (PSDB) – que seria outra liderança da legenda – sabe muito bem qual é o seu tamanho nesse processo eleitoral. Ou não?

Rui Palmeira abriu mão de ser articulador da oposição. E isto é consequência. Sendo assim, pouco importa se o prefeito agora é oposição ao senador Renan Calheiros ou não. Sua influência no pleito cada vez mais se aproxima de zero. Ou o PP do senador Benedito de Lira e do deputado federal Arthur Lira já não corre por fora, inclusive buscando eles (e não o prefeito) o diálogo com o ministro do Turismo, Marx Beltrão (MDB)? Se desse mato sairá coelho ou não é outra história.

Afinal, Beltrão esteve próximo ao MDB em recentes eventos e pode compor sem sair do lugar onde sempre esteve (ainda que sem estar realmente) em função das circunstâncias.

Rui Palmeira pode, evidentemente, por convicção ser oposição aos Renans, ou ao senador Renan Calheiros apenas que é quem foi citado por ele em entrevista ao CadaMinuto. Mas qual o efeito prático disso agora? Quem são os candidatos de Rui? Nem ele sabe! Que peso terá o seu apoio ou seu papel de articulador? É por isso que se lamenta a decisão de Rui Palmeira para o processo democrático e não por ele, Rui Palmeira, em si.

Chega a ser engraçado afirmar que o PSDB voltou a reforçar a oposição do partido em relação ao grupo comandado pelo senador Renan Calheiros. Reforçou como? Desarticulando tudo e permitindo que ex-aliados fechem alianças com o Palácio sem perder espaços na Prefeitura? Belo reforço, hein?! Rui Palmeira não esclarece mais dúvida alguma. Agora só fala por si mesmo.

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Uma indagação diante da entrevista de Omar Coêlho: afinal de contas o que é o Podemos?

Arlindo Tavares/Cortesia/Arquivo 13792479340281 Omar Coêlho

 

O ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil e líder do Podemos em Alagoas, Omar Coêlho, concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Ricardo Alexandre, aqui no CadaMinuto. Primeiro ponto: a entrevista é excelente.

O jornalista não se furta de colocar o dedo na ferida ao tentar esmiuçar o que é o Podemos, pois mesmo surgindo como novidade no pleito é uma reformulação de uma nanica legenda que era, e dizer o contrário é hipocrisia, uma legenda de aluguel em muitos cantos do país.

Poucas vezes li uma entrevista tão boa.

Não há como querer que o eleitor afaste esse ranço de uma hora para outra e agora enxergue na legenda uma opção viável em função da presença deste ou daquele político. Ao dirigente partidário Omar Coêlho coube a tentativa de explicar a necessidade de mudança de nome e que não se trata apenas de uma mudança de nome.

Coêlho avaliou o cenário político e me pareceu ser bastante franco em suas posições, o que é bom para o processo.

Tão franco que abre espaços para questionamentos que tomo a liberdade de fazer por meio de análise.

Ao falar de “democracia direta” – como se ela fosse algo possível e não meramente utópico nos dias atuais, diante do nosso sistema representativo – ele fala, na realidade, pela busca de uma participação mais efetiva dos filiados da legenda e um contato maior com os eleitores. É algo bom. Só não vejo isso como sinônimo de democracia direta, tal qual como o conceito derivado dos gregos.

É válido lembrar que democracia é um processo sujeito a reformas quando há uma ameaça à liberdade, uma crise de representatividade etc. Democracia é um processo e jamais um produto. E assim tem que ser para que sempre tenhamos democracia.

Concordo com as entrelinhas exposta por Omar Coêlho: estamos diante de uma crise de representatividade e não é uma mera reforma eleitoral que vai resolver. Todavia, uma instância partidária precisa de um objetivo mais sólido que esteja sedimentado, alicerçado, em convicções prévias que reúnam seus filiados em torno de interesses comuns. Não pode ser algo tão maleável e moldável a sugestões a serem dadas conforme as pautas que virão.

Dou exemplo: se uma agremiação tende a uma visão liberal, essa passa a ser o sustentáculo de ações futuras, propondo redução da máquina pública, da carga tributária, defendendo liberdades individuais, o livre mercado etc. Isso pode variar em graus, mas não em essência. Se tende uma visão mais conservadora, vai se preocupar com valores, com a tradição, com visões mais transcendentes e a certeza de que um racionalismo não resolve a tudo e que a política é um subsistema da sociedade, sendo decisões tomadas de baixo para cima em um governo cada vez mais descentralizado. E aí, há até pontos em comum com a visão liberal.

Do outro lado, se mais à esquerda, teremos partidos que defendem um estado maior, mais presente, com mais poder de decisão em diversas questões da comunidade etc. Nem tudo é ideologia, mas um estatuto partidário define metas e projetos onde as divergências internas possuem linhas mestras. Na entrevista de Omar Coêlho fica a impressão de um partido tão aberto que as linhas mestras podem variar de uma ideologia para outra conforme a participação nas redes sociais ou humor de filiados junto à opinião pública.

São espectros políticos que variam em graus. Mas não há como fugir deles.

É nesse vácuo que surgem os que pagam de “isentão”. Não que Omar Coêlho seja isso. Não é! Sempre teve posições definidas e às vezes paga um preço por isso. Mas, para mim é uma qualidade positiva, por mais que venha a discordar de uma dessas posições.

Diz Omar Coêlho: “(...) o Podemos não tem uma ideologia determinada e que para cada causa ele terá uma posição, ouvindo todas suas bases”.

Não falo nem de ideologia aqui, mas vamos a posições simples: entre a intervenção econômica do Estado em tudo e o livre mercado, o que pensa previamente o Podemos? Vamos votar em um partido que depois é que saberemos o que ele pensa conforme a participação de uma “democracia direta”?

Outras questões: o que pensa o Podemos sobre aborto, sobre redução da maioridade penal, sobre o Estatuto do Desarmamento, sobre carga tributária, sobre pacto federativo, sobre reforma da previdência etc. São temas caros a um Congresso Nacional. É claro que há temas circunstanciais ou imprevisíveis que podem surgir ao decorrer de uma legislatura que leve o partido a uma reflexão para decisão posterior. Mas até esses dependem de uma convicção prévia.

O que mais irrita nos partidos é o fato de terem perdido credibilidade justamente por ausência de posições sólidas ao invés de especulações genéricas como pautas “contra a corrupção”. Ora, contra a corrupção todo mundo é. Publicamente, até o mais corrupto será.

Para não votarmos no escuro, o Podemos precisa ser mais claro. Afinal, durante a entrevista, o próprio Omar Coêlho – acertadamente – reconhece que o problema de muitas legendas brasileiras, diante de um mar de tantos partidos, é não terem posições claras, sejam elas conduzidas por ideologias seculares ou não.  

Eis a fala de Omar Coêlho: “As pessoas que chegam para lhe ajudar, chegam em busca de recursos e não querem outra coisa, como se a ideologia  não tivesse valor, querem apenas saber do voto e quanto ele custa. Isso é muito triste e desanima qualquer cidadão de bem a entrar na política”.

Por isso pergunto o que o Podemos pensa em relação a tanta coisa. Afinal, para não ser o que Coêlho crítica, o partido precisa ter posição e algumas delas independem da democracia direta, pois são a razão da agremiação existir caso queira representar alguém. O nome é “partido” justamente por não ser um “todo” e sendo partido, em tese, representa uma parte que já sabe o que pensa e assim se submete à democracia.

Tenho um respeito enorme por Omar Coêlho. Julgo ser inclusive um bom nome no pleito. Respeito suas convicções mesmo quando temos divergências e não nego que já declarei publicamente quando votei nele para o Senado Federal. Todavia, não escondo: até aqui o Podemos me parece algo flácido, se moldando a realidade na tentativa de se ofertar como algo fora dos “extremos”, para dar uma impressão de quem nem é direita, nem é esquerda, mas uma terceira via que ninguém consegue definir claramente o que é por se esconder por trás da expressão “democracia direta”.

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Quintella pode ser a ponte entre a Prefeitura de Maceió e Renan Filho

foto: Ascom 8d3cfc9a 9eee 4c9a a6e0 f5bceb29f509 Ministro Maurício Quintella e governador Renan Filho

O ministro Maurício Quintella Lessa (PR), em sua mudança de 180 graus às vésperas do pleito eleitoral, pode ser a ponte entre a prefeitura de Rui Palmeira (PSDB) e o governo estadual de Renan Filho (PMDB).

Se antes, diante da possibilidade de Rui Palmeira (PSDB) ser candidato, os grupos políticos do governo estadual se engalfinhavam com a Prefeitura de Maceió, gerando troca de farpas até entre órgãos, agora pode haver uma “missão pacificadora”.

Quintella que indicou cargos na pasta da Infraestrutura do governo estadual sem perder espaços na Prefeitura pode ser o pacificador. É que o governador Renan Filho quer desarmar os palanques para assim poder cooptar tranquilamente quem ainda resta no território dos tucanos e sonha com uma oposição.

Podem nascer diálogos com o Democratas do secretário municipal Thomaz Nonô e até mesmo com o fiel escudeiro de Rui Palmeira, Abraão Moura, que trabalha incansavelmente para eleger sua filha, Cibele Moura, deputada estadual.

Renan Filho já não quer mais uma chapa. Mesmo jovem e sem barbas brancas, quer construir uma Arca de Noé ainda que não haja dilúvio por perto. O objetivo é mesmo abrigar na nau, que navegará por mares sempre calmos, todas as espécies da fauna política alagoana.   

Em entrevistas recentes, Quintella já assumiu o discurso de que a união pode fazer Maceió ganhar, com o governo do Estado ajudando mais as ações da Prefeitura de Maceió.

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Rui Palmeira entrará para história como o homem que implodiu o PSDB de Alagoas

Foto: Bruno Levy/CadaMinuto 18d64ca8 11e2 47f2 9c17 821b82d9ec50 Prefeito Rui Palmeira (PSDB)

Não é justo colocar toda a culpa do esfacelamento de uma oposição nas costas do prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB). Ele tem todo o direito de não sair candidato e priorizar a Prefeitura de Maceió, cargo para o qual foi eleito. Porém, grande parcela dessa culpa é sim do prefeito. Não por sua decisão ou pelos motivos que levaram o gestor municipal a esta. Isso é o mínimo.

É a demora. O poder não deixa vácuo e o rio corre para o mar. Ditos que qualquer político experiente sabe interpretar. Rui é experiente nesse ramo...

O silêncio de Rui Palmeira durante um longo tempo foi associado – nos bastidores políticos – a posturas, tomadas por ele mesmo, que o colocavam como um articulador dessa frente opositora ao senador Renan Calheiros (MDB) e ao governador Renan Filho (MDB). O tucano, ao aceitar assumir a presidência do partido, disse – com todas as letras! – que participaria do pleito direta ou indiretamente. Não fez nem um, nem outro.

A desistência de Teotonio Vilela Filho (PSDB) de disputar o Senado Federal foi o primeiro passo para essa implosão. Mas, se Rui Palmeira tivesse sido candidato abriria os espaços que o ministro do Transporte, Maurício Quintella Lessa (PR) alemajava para disputar o Senado. Se, lá atrás tivesse já deixado claro que não iria para a disputa, seria articulador do grupo junto com Quintella e os demais líderes de partido (o senador Benedito de Lira (PP), o secretário municipal Thomaz Nonô (Democratas), o deputado estadual Bruno Toledo (PROS) etc) para se trabalhar um nome.

Ainda que esse nome tivesse menos densidade eleitoral que Rui Palmeira e – consequentemente – menos chances, ele serviria para estabelecer o norte de uma força política no enfrentamento ao MDB e seus aliados, que daria sobrevida ao PSDB para disputar eleições em 2020 e 2022, incluindo o próprio Rui Palmeira para eleições futuras.

Não que uma oposição liderada por Rui Palmeira seja lá grande coisa em termos de diferenciação de projetos para Alagoas. A gestão municipal tucana tem seus defeitos, não é exemplo em muitas ações e os aliados transitam, levando em conta o gênesis da política alagoana, ao sabor das conveniências por vários grupos políticos, sempre com a desculpa das “relações institucionais”.

É claro que relações institucionais boas entre as forças políticas fazem parte do bom combate. Mas, em grande parte das vezes – não sejamos hipócritas – ela é apenas uma desculpa para deixar todas as portas abertas.

Sem Vilela e sem Rui Palmeira, o PSDB tem hoje – de concreto – uma administração municipal em Arapiraca, que é conduzida pelo tucano Rogério Teófilo, mas que sofre com os vereadores e na opinião pública. Além dele, o deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB) que tem sua evidência por méritos próprios e a terá independente de partido. Logo, pode sair sem causar impacto.

O mandato de deputado federal de Pedro Vilela (PSDB) não teve o peso esperado. Está longe de ser uma futura liderança apesar de ter sido uma promessa. O PSDB sairá nanico desse processo eleitoral apesar de ter conseguido vitórias importantes em 2016 ao enfrentar o MDB. Terá enormes dificuldades de se recompor. O dirigente tucano Claudionor Araújo acertou ao falar que Rui Palmeira ainda poderá amargar um ostracismo ao fim da Prefeitura Municipal diante de lideranças que podem surgir. Entre elas, o próprio Rodrigo Cunha caso consolide a renovação do mandato, uma eleição a deputado federal ou qualquer outro passo a ser dado.

Rui Palmeira lavou as mãos em relação ao processo político. Até mesmo indiretamente está cada vez mais distante. Muitos dos seus aliados migram para o Palácio República dos Palmares com a confortável posição de fechar alianças com Renan Filho (MDB) sem perder espaços na Prefeitura de Maceió. É o caso de Maurício Quintella, que ainda assumiu – conforme bastidores – a missão de uma aliança institucional entre o prefeito e o governador.

Abraão Moura, fiel escudeiro de Rui Palmeira, também já anda pelos corredores do Palácio República dos Palmares e pode levar sua filha, pupila política e pré-candidata a deputada estadual Cibele Moura ao PR de Quintella. Até José Thomaz Nonô pode acabar conversando com o MDB. Pelo visto, Rui Palmeira nunca esteve interessado nesse processo eleitoral. Abriu mão de tudo. De ser candidato e de ser líder de um grupo.

De fora das conversas apenas o PP do senador Benedito de Lira que tenta, de todas as formas, salvar candidatos proporcionais e a eleição de Benedito de Lira ao Senado Federal. Por sinal, o senador, conforme bastidores, ainda irritadíssimo com o prefeito.

Cada vez mais sobra aos alagoanos a “opção única” diante da pouca projeção de um grupo de oposição. Repito: não falo da qualidade dessa oposição. Mas, por pior que ela fosse, em uma democracia, não ter opções, é sempre uma perda. A eleição se torna um passeio e legitima qualquer projeto, sem o mínimo questionamento, de uma força política que passa a deter muito poder em poucas mãos. Isto é sempre perigoso por mais bem intencionados que sejam os vitoriosos. É que, às vezes, de boa intenção o inferno está cheio.

Maurício Quintella foi o mais esperto da turma. Aparou arestas ao ser o primeiro a pular do barco e chegou ao Palácio com pompas e circunstâncias que o faz de ponte para outras alianças. Quintella rumo ao Senado dividirá a atenção com o senador Renan Calheiros. O governador Renan Filho sabe que, com isso, pode conversar de forma mais incisiva com os prefeitos cobrando o primeiro e o segundo voto ao Senado para o seu grupo. Afinal, é o todo poderoso Renan Calheiros e um ministro. É preciso muita convicção para um prefeito dizer não.

No xadrez, ainda se isola o ministro Marx Beltrão. Beltrão pensa em que agora? O MDB tinha compromisso com ele. Dane-se! É passado! A apatia de Rui Palmeira rende muitas rasteiras. No final das contas, o PSDB é aquele tapete escrito “wellcome” no qual os emedebistas e aliados poderão limpar os sapatos.

E todo mundo suspeitando que um postura favorável ao MDB viria de Teotonio Vilela Filho por conta de sua relação pessoal com Renan Calheiros? Quem diria...

Se nessa história, o PSDB perder os poucos nomes que ainda possui, Rui Palmeira – ainda que sem querer – pode ser chamado a uma reunião de diretório para que deixe de ser presidente estadual e assuma a função de coveiro.

E a terceira via que agora passou a ser a segunda pode sofrer da mesma inanição caso não tenha posturas firmes do deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB), e do procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça. São os principais players do jogo por lá. Ainda que não tenham uma “cabeça” de chapa para ganhar, podem apostar no futuro e na busca por reeleger JHC e eleger Gaspar para o Senado. Em caso de êxito passam a ser referência...mas, somente em caso de êxito...

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Do direito à fé e o respeito ao próximo

Foto: Reprodução D743035d 391d 4621 b2b6 6217fde2325b Ifal Maceió ocupado

Ocorreu no Instituto Federal de Alagoas (IFAL) IFAL algo que acho grave: um professor atacou a fé alheia, no caso em tela o catolicismo, afirmando - conforme a denúncia - que a Igreja era uma “suruba”. Escarneceu Nosso Senhor Jesus Cristo, colocando-O como um “maconheiro”. Diria o mesmo se fosse outra fé ou se a aluna tivesse sido humilhada por ser ateia. 

Assim como um cristão não pode agredir quem possui outras religiões, nem agredir quem tem a liberdade de não acreditar, o cristão também merece respeito por sua fé. Fui ateu durante muitos antes de minha vida e me converti há quatro anos. Lembro aqui das palavras do meu pároco ao falar de outras religiões: “Respeitamos escolhas e não atacamos pessoas, mas sabemos no que cremos e como defendemos o que cremos. É como Jesus nos ensinou”. 

Quando ateu, nunca tive raiva de cristãos. Dialogava (no que depois me vi errado) sobre as razões da crença, mas compreendendo o que esta trouxe de salutar à humanidade, como uma moralidade que é pautada pelo amor e misericórdia ao pecador. Creio na importância de uma moral que respeito à vida e às liberdades individuais. Sempre vi isso no Cristianismo, apesar dos erros de alguns cristãos. Sim, como todos os seres humanos, eles também erram. 

Nosso Senhor Jesus Cristo sempre trouxe isso em suas palavras até, quando falou a pecadores. Mesmo ateu, lia a Bíblia com atenção e me encantava com o ensinamento de muitas parábolas, como a pregação do amor ao próximo e o respeito de forma indiscriminada. O bem sem olhar a quem. 

Há aqueles que achem que a fé cristã é inimiga de suas ciências. Para mim, uma bobagem. A Igreja Católica, em específico, foi a guardiã da filosofia grega e de muito dos conhecimentos produzidos pelos romanos antigos (que não sobreviveriam após a queda do Império), conservando obras que desenvolveram a lógica e a pedagogia muito antes de qualquer Renascimento; não se desfazendo inclusive das obras históricas que discordavam dela e possibilitando que, a partir do século XV/XVI, essas pudessem ser interpretadas longe da visão cristã, como fizeram filósofos do Iluminismo.

Sem a Igreja, não se teria esse momento histórico. Isso é um fato!

Em Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico da Igreja, há ainda o respeito às visões científicas. Quem duvida que leia a Suma Teológica. Vai encontrar isso logo nos primeiros capítulos. Poderia também falar de Mendel e a genética, de George Lemaître e o conhecimento da astrofísica que rendeu a tese do Big Bang, tão enaltecida tempos depois fora da Igreja. Do respeito à visão cosmológica de Sobre o Céu de Aristóteles, da filosofia de Leibniz, Pascal e tantos outros. 

É uma ignorância achar que uma visão religiosa limita o intelecto de alguém. Maior ignorância é confundir o conservadorismo filosófico, que tem apoio em visões transcendentais (em especial o Cristianismo) com algo reacionário e pegar um “espantalho” (que é alguém que não consegue rebater críticas sofridas) e colocar como exemplo do que é um conservador ou um cristão.

Como creio que o estudo elucida, indico o exemplo de Roger Scruton que, em um trabalho voltado à Educação e às Artes, resgatou milhares de pessoas que sofriam com o regime totalitário, ofertando-a novas perspectivas e ajudando a ampliar seus intelectos. Scruton, ainda vivo, é um dos maiores filósofos da humanidade. Leiam suas obras e vocês não encontrarão um pingo de ódio. Ao contrário, encontrarão uma preocupação em conservar valores caros à humanidade, como o respeito à vida, às divergências, às liberdades individuais e ao que de belo - ao longo da História - a humanidade construiu. 

O maior panfleto político em nome da liberdade, que é de Bastiat e se chama A Lei, é consagrado a Deus logo em suas primeiras páginas. 

O mesmo se dará com pensadores como Michael Oakeshott ou Edmund Burke. O conservadorismo filosófico tem por base, como diria o filósofo Ortega y Gasset, não o ataque aos outros, mas a busca pelo que não se banha no rio do tempo por serem considerados direitos naturais do homem, ou pré-civis, que é o que embasou o reconhecimento da vida como valor sagrado. Pois, ao contrário do que acreditava Thomas Paine ao falar da Revolução Francesa, não somos gerações soltas umas das outras, ou “folhas em branco” onde se pode construir uma utopia por meio de ideologias seculares.

Todas as nossas conquistas de hoje se dão porque subimos nos ombros de gigantes do passado. E aí, não se trata de uma visão nostálgica de querer regredir, o que caracteriza o reacionarismo. Mas sim, de uma visão sóbria de que devemos ser gratos a quem nos proporcionou as conquistas que temos hoje, como Dostoiévski e Shakespeare no campo das artes, Platão e Aristóteles no campo da filosofia, e tantos pensadores no campo da ciência. Muitos deles, cristãos. Outros, não cristãos. 

Atacar a fé ou a ausência de fé alheia de forma desmedida, humilhando o outro por meio de suas crenças, é que é promover o ódio. Defender-se disto não. A defesa é legítima desde que proporcional ao ataque. E o que a mãe do aluno fez foi usar dessa legitimidade: defendeu a crença de sua família apresentando queixa na instituição. Agora, é com o processo administrativo ou com a Justiça, caso também haja essa ação cabível. 

Não se promoveu, nesse caso, em momento algum ódio ou perseguição. Mas apenas, um fato: um católico tem todo o direito de reagir para que não seja alvo de perseguição por ser católico.

Como é direito de um homossexual não sofrer preconceito por ser homossexual. Como é direito de um negro não sofrer preconceito por ser negro. Pois tudo isso é crime. E pessoas nessa situação devem reagir e buscar seus direitos. Se é crime, como crime deve ser tratado. O ser humano deve ser respeitado por ser humano e ponto final. Em sua liberdade individual, ele tem direito a crer no que ele quiser. 

Assim como, o professor da instituição tem direito a ser ateu ou a acreditar em qualquer coisa que deseje. O que ele não tem é o direito de, usando do cargo, impor sua visão aos demais, humilhando quem pensa diferente por este se encontrar em uma situação de fragilidade, já que é audiência cativa e depende de notas concedidas pelo professor para avançar em sua carreira estudantil. Isto é coagir. Neste caso, a coação serve à doutrinação. Simples assim. 

Vi os depoimentos da mãe e, de forma prudente, ela ensinou a filha a como agir nas mais diversas situações justamente para evitar o ódio e o confronto. Mas, diante de algo que extrapolou os limites, o que fez ela? Buscou a legitimidade da ação. 

Ela e a filha não responderam ao ataque gratuito com outro ataque gratuito, mas sim com a postura adequada. Se alguém exagerou nas redes sociais, que responda por isso. Agora, não se pode usar um exemplo fora do contexto, para achar que o ocorrido em sala de aula não é grave. 

Não quero (e não se deve fazer) a promoção do ódio para cima do professor. Eu condeno o ato e não a pessoa. Essa tem que ter até o direito ao perdão, caso venha o arrependimento.

O Cristianismo nos ensina a piedade e a misericórdia no bom combate àquilo que consideramos pecados, adotando as vias justas e proporcionais. Fosse com a minha filha, eu faria exatamente o mesmo que esta mãe. Faria sem rancor ou ódio pelo professor, mas na esperança que o fato o servisse de lição. 

Tolerância não é deixar de discordar ou de se posicionar de forma incisiva quando necessário. Tolerância é entender que os outros possuem direito de professar uma fé com a qual eventualmente eu discordo. Se devo respeitar, devo ter respeito. Simples assim. E a fé de alguém não é elemento para que eu o julgue ou o humilhe, execrando aquilo que faz parte de seu culto. 

A lei penal prevê isso, é bom lembrar. 

Seria o mesmo caso se alguém, por ser de religião matriz africana, fosse humilhado com palavras pejorativas. Eu seria o primeiro a defender essa pessoa, como - nesse espaço - já defendi de injustiça pessoas que possuem convicções contrárias às minhas. É que uma injustiça contra um ser humano segue sendo uma injustiça, independente de eu concordar ou não com este ser humano. Se me calo diante disso, sou covarde. Se só defendo os alvos de injustiça que concordam comigo, faço seletividade.

Neste caso, meu elogio a gestão do IFAL. Marcou sua posição com prudência e imparcialidade, pois ainda precisa apurar os detalhes do ocorrido e garantir a legítima defesa que é direito de qualquer um. Por fim, atendeu a mãe com presteza e deu início aos procedimentos cabíveis. 

A gestão ainda lamentou o ocorrido e ratificou os preceitos de liberdade religiosa e respeito mútuo aos princípios básicos de convivência. É como tem que ser. 

Li textos que afirmam que o professor foi ameaçado de morte. Se alguém fez essa ameaça que seja investigado, que se mostre a ameaça. Agora, cito a postura de conservadores sérios nesse momento. Um deles é o Leonardo Dias, que foi em socorro da mãe, orientando aos procedimentos cabíveis, sem exageros, sem ameaças a quem quer que seja, mas pautado por valores de respeito ao outro. Dias agiu corretamente ao estender a mão. 

Católicos, por essência, defendem a vida, o respeito e a liberdade. É o que se encontra no Catecismo da Igreja Católica. Quem tiver dúvida que leia. Devem defender o combate a qualquer preconceito injusto. É o que se encontra no Catecismo da Igreja Católica, quem tiver dúvidas que leia. Se há uma postura a ser adotada pela Igreja é a de defender o seu direito à fé, sem exageros, sem ódio, mas pautado pelos ensinamentos cristãos e sem esquecer que para nós, Nosso Senhor Jesus Cristo é “Caminho, Verdade e Vida”. 

Se Cristo não é visto dessa forma por alguns de meus leitores, eles possuem o meu respeito. Todavia, não escondo a discordância. Você - assim como qualquer um - tem direito a acreditar no que bem entende. Eu não imponho minha visão católica a ninguém. Agora, a defendo minha crença onde quer que eu esteja; e quero ser respeitado por isso, assim como respeito o direito de outros não crerem, ou terem suas crenças divergentes. 

Não bastasse isso, ainda há as questões fáticas, que levam ao uso das falácias para humilhar os outros. Afinal, o que dá suporte a um professor - e aqui não é uma questão de fé, mas de lógica - para chamar Cristo de “maconheiro” ou afirmar que a Igreja é uma “suruba”. Uma simples leitura de Ian Mortimer - historiador não católico - seria o suficiente para derrubar uma bobagem que não se mantém em pé. Ainda há historiadores como Cristopher Dawson, Thomas Wood Júnior, Regina Pernoud e tantos outros que mostra de fato o que é a Igreja na História. 

Qualquer assunto discutido sem suporte fático para isso é falácia em nome de alguma ideologização.

Será que ainda há quem ache que a tese de Idade das Trevas se sustenta, mesmo depois das obras de Aquino, Santo Agostinho, Hugo de São Vitor, a contribuição do Trivium para a pedagogia, a fundação de hospitais, orfanatos etc. 

Claro que há maus católicos, como há pessoas más em todos os lugares. Mas a essência de uma fé se enxerga por aquilo que ela é e produz. Não pelo que exemplos isolados, por pior que sejam, fazem dela, no sentido de iludir incautos. Isso é uma coisa que os próprios bons cristãos denunciam, inclusive dentro da Igreja. 

Minha total admiração por essa mãe que assumiu para si uma função nobre: educar os próprios filhos dentro daquilo que é a crença de sua família. É um direito aos católicos como a qualquer um outro. Por ser católico, também me senti ofendido e injustiçado. Afinal, tenho amigos espíritas, ateus, de religiões de matriz africana e nunca ofendi nenhum deles, nem nos momentos em que fomos incisivos em discussões de defesa de nossas religiões. 

O direito que quero para mim, de ser católico onde quer que eu esteja e não ser agredido por isso, é o direito que quero para todos de professarem suas crenças sem serem alvos de qualquer tipo de preconceito, ataque, agressão injustificada, humilhação ou exclusão. Não tiro, portanto, o direito de alguém ser ateu. Mas uma agressão a quem quer que seja é algo a ser combatido.

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Quintella: de nome da oposição ao lugar de destaque no bonde dos Renans...

Assessoria 94df33d8 de2e 40ad a3c2 c9599108d289 Maurício Quintella

Em eleição – e nos períodos que a antecede – pode acontecer de tudo só não mesmo boi voar.

Prestem atenção nessa declaração dada em janeiro desse ano:

“Reconheço que há conquistas no governo estadual que contaram com a inestimável ajuda da bancada federal para renegociar a dívida de Alagoas, por exemplo. Em tempos de crise, isso garantiu estabilidade fiscal, ordens de serviço que foram assinadas e investimentos. Por outro lado, NÃO TEMOS UMA GRANDE OBRA EM SUA GESTÃO QUE FOI ENTREGUE À POPULAÇÃO (o grifo é meu e se refere à gestão de Renan Filho)”,

A declaração segue:

“Educação e Segurança são péssimos e isto só para citar essas três áreas. Não evoluiu como se esperava. Há parceria institucional com o governo de Alagoas. Estamos ajudando o Estado neste sentido e vamos continuar, pois isso independe de processo eleitoral. Porém, nosso grupo político é de oposição”.

Ela foi dada pelo atual ministro dos Transportes de Michel Temer (MDB), Maurício Quintella Lessa (PR). Ele era um dos articuladores da frente de oposição – quando havia a possibilidade do prefeito Rui Palmeira (PSDB) – na busca por disputar o Palácio República dos Palmares.

Mas, a oposição esfacelou. Quintella foi um dos primeiros a pular do barco e, diante da boa relação “institucional” com o governador Renan Filho (MDB), já conseguiu um lugar de destaque no Palácio República dos Palmares. Indicará a Infraestrutura.

É um caso clássico do famoso “chegou por último, mas já sentou na janela”. É que Quintella tem peso político e busca construir seu retorno à Brasília (DF), seja como deputado federal ou alçando voo ao Senado em uma dobradinha com Renan Calheiros (MDB), que é hoje o principal adversário de Michel Temer.

Dá até para parodiar uns versinhos de Carlos Drummond de Andrade: era Quintella que amava Rui Palmeira, que amava Benedito de Lira, que amava PSDB, que nunca amou Renan Filho...Mas, diante da decisão de Rui Palmeira, agora é Quintella que ama Renan Filho, que ama Renan Calheiros que ama o Senado Federal.

É, boa relação institucional entre Quintella e o governo sempre houve. Mas, nunca é demais lembrar que Quintella já fez até críticas públicas a Renan Filho por esse ter “esquecido” (coloquem aspas gigantescas aí) de convidar o ministro dos Transportes para um evento em que tinha frutos do trabalho deste mesmo Quintella em Brasília (DF). Lembram? Rendeu postagens com print e tudo mais...

A política dá voltas. E assim como águas que movem o moinho, as oportunidades são essenciais para o rodar das pás em função do que se quer conseguir.

Quem sabe agora – relembrando as declarações de 2018 – o governador Renan Filho, na visão de Quintella, não entregue UMA GRANDE OBRA e a EDUCAÇÃO e a SAÚDE não deixem de ser péssimas...né?!

Agora, Quintella chega ao Palácio e, como confirmou ao blogueiro Edvaldo Júnior, da Gazetaweb, indicará a pasta de Infraestrutura.

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Em menos de uma década, crescimento de 10 mil homicídios. E o Estatuto do Desarmamento? Falácia pura!

Ilustração/Internet 34447aca d8c2 4222 814d 9052673c4023 Roubo a mão armada

Diante dos últimos casos de repercussão que vimos nesse país, vidas sendo ceifadas, entre elas vereadores mortos, policiais, trabalhadores, negros, brancos, mulheres, homens, enfim...ninguém escapa de ser uma potencial vítima...há uma pergunta a se fazer: até quando vamos continuar brincando com segurança pública, tratando um tema sério com ideologizações, politicagens e interesses confusos?

A pergunta que faço é pelos dados divulgados no dia de hoje, como consta no site G1, que apontam um Brasil que teve, no ano de 2017, 59.103 vítimas assassinadas. Isto corresponde a um homicídio a cada 9 minutos. É algo gravíssimo.

Somos todos vítimas, desarmadas, desprotegidas, num quadro de segurança pública falida, onde ousadia dos criminosos só aumenta, haja vista os últimos crimes de repercussão que foram cometidos sabendo previamente da repercussão que teriam, como no caso da vereadora do PSOL do Rio de Janeiro.

Os bandidos nesse país não temem mais nada e somos cordeirinhos. E algumas autoridades só acordam quando eles são o alvos. É o que aconteceu com o PSOL, que diante do brutal assassinado e injustiça contra uma de suas políticas, quer que o Estado forneça segurança para seus candidatos. O PSOL vive o que já sabemos: estamos todos na alça de mira da criminalidade, que mata por qualquer motivo, por qualquer trocado e ainda encontra as desculpas mais estapafúrdias para justificar a crueldade, como o famoso bordão: “a vítima sabe que não pode reagir!”.

Neste número absurdo – 59.103, repito – estão casos de homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, que são os que compõem o quadro dos crimes violentos letais e intencionais. Banalizamos a vida, relativizamos valores e não temos nem ações preventivas e ainda demonizamos as onstensivas, por meio de discursos ideológios, que colocam as forças policiais como inimigas. Há maus policiais? Sim. Mas esses são bandidos.

A grande maioria é de bons quadros que estão sendo mandados para uma guerra com a missão árdua e ingrata de enxugar gelo. Homens que colocam suas vidas em risco e ainda há quem apareça para condenar uma reação diante de uma bandidagem cada vez mais ousada e mais armada. Precisamos definir claramente o mal e o bem. Precisamos ter a noção do Brasil que queremos.

O número de 2017 representa um aumento de 2,7% na criminalidade. Em 2016, foram 57 mil assassinatos. Desde 2011 que esse número só cresce. O malfadado Estatuto do Desarmamento, vendido como a solução de tudo, no início dos anos 2000, se revelou uma fraude, um discurso demagógico, apoiado por víeis ideológico, que só fez desarmar o cidadão de bem, mas não o bandido.

E há quem relativize a classificação “cidadão de bem”. Ora, estamos falando daquele sujeito ordeiro, que busca seguir a lei, que cumpre suas obrigações e quer o direito à legítima defesa diante do caos instalado, para proteger a si, sua família e sua propriedade. Um cidadão desses pode se envolver em um ato de crime? Sim. Mas estatisticamente, como mostram estudos de Bene Barbosa e Fabrício Rebelo, é mínimo.

Ainda sobre 2017, esse número de 59 mil pode subir. É que os dados não estão todos contabilizados. Faltam Minas Gerais e Tocantins, por exemplo.

Então repetindo (com os dados do G1):

  1. O Brasil teve 59.103 pessoas assassinadas no ano passado;
  2. A taxa de mortes a cada 100 mil habitantes subiu e está em 28,5;
  3. O número de homicídios e de lesões corporais seguidas de morte aumentouo;
  4. O Ceará é o estado que teve o maior crescimento de mortes tanto em número absoluto (1.677 mortes a mais em um ano) como percentualmente (48,5%) e
  5. O Rio Grande do Norte é o que tem a maior taxa de mortes: 64 a cada 100 mil

O nosso Estado de Alagoas, meus caros ouvintes, é o 4º mais violento. Nossa taxa é de 52,6 assassinatos por 100 mil habitantes. É quase o dobro da média nacional. Somos o Estado que mais desarmou a população. Somos o exemplo da falácia do Estatuto do Desarmamento.

É claro que não é apenas a revogação do Estatuto que resolve. Revogar não é armar a população, como vendem por aí. Quem tiver dúvidas que leia o projeto de lei do deputado federal Rogério Peninha. Revogar é estabelecer critérios objetivos para a posse de arma; critérios estes que envolvem maioridade, psicotécnico, psicológico, perícia, não ter antecedentes etc. O projeto de lei é bom e precisa ser discutido em detalhes e não por meio de slogans e chavões.

O admite-se, evidentemente, o contraditório, mas não a criação de um espantalho. Agora, é claro que além dessa medida precisamos de outras, que incluem políticas preventivas sérias. Se continuarmos nessa caminhada, fecharemos a década como um dos países mais perigosos do mundo e isto sem guerra civil, em tempos de paz e ainda fingindo que temos uma democracia sadia. Não, não mais a temos.

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O desmantelar de uma oposição...

Cada Minuto 2a705656 e741 4626 8fb6 a9591a296dc4 Reunião promovida por Rui nem aconteceu

A oposição em Alagoas - se é que se pode chamar assim algo que se desintegra sem referência ou norte - anda mais perdida que cego em tiroteio. Nunca foi uma oposição ideológica, de conteúdo ou convicção (com exceção de alguns nomes do grupo)...é bom lembrar disso...

No que deveria ser uma semana decisiva, PP, PR, Democratas, PROS e PSDB não mais conseguem se recompor em um bloco e o problema vital, diante da desistência do prefeito Rui Palmeira em disputar o governo do Estado, passa a ser as coligações proporcionais de parlamentares que antes tinham uma certa folga no processo eleitoral. 

Cito como exemplo o PP do senador Benedito de Lira. Lira vai para o eleição majoritária. Depende de ter mais voto ou não que o adversário. Porém, seu filho - o deputado federal Arthur Lira (PP) - que se preparava para ser um parlamentar bem votado e estar entre os primeiros de um bloco, sem grupo ao seu redor precisará atingir o coeficiente eleitoral praticamente sozinho. Fica mais difícil. 

O mesmo ocorre com Pedro Vilela (PSDB), que também busca à reeleição. E até mesmo o deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB), que mira na Câmara de Deputados. Apesar de Cunha ter uma capilaridade impressionante em função de sua atuação parlamentar, a estrada para a Câmara passa também a ser mais perigosa. É a matemática. 

Estes exemplos se repetem quando se fala das coligações para estaduais. 

Do lado dos partidos que formavam um bloco de oposição, estão deputados estaduais de peso como Edval Gaia (PSDB), Gilvan Barros (PSDB), Chico Holanda (PP), Bruno Toledo (PROS). E todos querem voltar a Assembleia Legislativa. Todos possuem votos para disputar dentro de uma chapa, mas não para se elegerem sozinho.

É por isso que, ao colocar a situação na ponta da caneta, o ministro dos Transportes, Maurício Quintella Lessa (PR), que era poderoso no grupo oposição e um virtual candidato ao Senado Federal, foi o primeiro a debandar e conversar com o governador Renan Filho (MDB) e o senador Renan Calheiros (MDB). É uma questão de sobrevivência. 

Quintella teve reduzir as expectativas e agora passa a mirar em renovar o seu mandato de deputado federal com o auxílio do Palácio República dos Palmares. E mantém o silêncio diante dos holofotes da imprensa. Afinal, teria muito o que explicar. 

A fila de pessoas contrariadas, e até com raiva do prefeito Rui Palmeira, é grande. A oposição esperava ter em mãos um plano B rapidamente. Convocou uma reunião para o fim de semana, mas nem isso conseguiu. Estão todos perdidos. Perdidos na Selva? Perdidos no Espaço? Perdidos no Tempo? O leitor escolhe...

O PROS do deputado estadual Bruno Toledo busca alternativas na terceira via. Ele tem conversando com o deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB). Por lá, as portas estão abertas para o procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça, que concorreria ao Senado Federal. 

Para o governo do Estado, caso se monte esse bloco, o PROS poderia oferecer nome. Um dos cotados é o ex-delegado da Polícia Federal, José Pinto de Luna. Lembram dele? O homem da Operação Taturana. Esse grupo poderia ainda contar com o ex-presidente da Ordem dos Advogados de Alagoas, Omar Coêlho. E aí, nessa aliança, viriam os cálculos proporcionais. 

Todavia, não é apenas na ex-oposição que há dificuldades de cálculos. No Palácio República dos Palmares também. Afinal, são muitos pesos pesados debaixo do mesmo guarda-chuva. O que faz com que surja a possibilidade de pequenas chapas entre os partidos aliados do MDB para garantir as suas vagas. 

Por lá, pode ter deputado estadual que venha a perder a eleição com 20 mil votos. Acomodar interesses e satisfazer tantos aliados será a tarefa árdua do governador Renan Filho (MDB) e do deputado federal Ronaldo Lessa (PDT), caso seu papel de coordenador de campanha não seja mera figuração. Lessa tem experiência em eleições seja com vitórias ou com derrotas. 

Em todo caso, Renan Filho age corretamente diante dos acontecimentos. Sabe que os apoios virão por gravidade e pressiona os mais resistentes diante do poder que concentra em mãos, sobretudo quando encontra prefeitos do interior do Estado, que são base de apoio para a eleição de muitos deputados. 

Diante dos holofotes da imprensa, Renan Filho não fala em eleição, mas em trabalho. Nos últimos dias, ao lado do pai Renan Calheiros, manteve um ritmo intenso. Ambos não perderam nem festa de boneca. Pousaram para foto até em ações em escolas da rede estadual do interior. 

O governo quer se mostrar presente e não trata como W.O. Está corretíssimo na estratégia. 

Alguns poderiam ainda perguntar: e nesse jogo onde fica o PT, PSOL e outros partidos de esquerda? O PT volta a ser um puxadinho e sua preocupação é com proporcionais. O PSOL deve ter sua chapa como sempre teve e ter os resultados que sempre teve...nada de novo no front. O Rede, que também está fora desse jogo, tem Heloísa Helena e Heloísa Helena. Uma aposta para a Câmara de Deputados, mas que também enfrenta as condições da matemática eleitoreira. 

O PSL - partido do presidenciável Jair Bolsonaro - até tinha diálogos para montar uma frente, mas hoje marcha sozinho diante dos planos mirabolantes do agente da Polícia Federal, Flávio Moreno. Ele acha que o crescimento de Bolsonaro nas pesquisas vai produzir mini-bolsonaros por aí...

Em outras palavras, o único espaço de onde poderia surgir um nome que polarizasse as eleições já não existe. Todavia, mesmo sem um nome que polarize é um espaço que precisa existir. Não mais para tentar eleger um governador, mas para salvar deputados estaduais e federais da guilhotina do coeficiente eleitoral. 

Enquanto isso, Renan Filho - sentado na cadeira do Palácio República do Palmares - confia não mais em um político, mas em um cientista: Newton. Pois, muitos apoios podem chegar por gravidade. Podem perder o discurso de oposição, mas podem ganhar a eleição. 

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Felipe Rotta: “Se tá marasmo, desliga a rádio, sai do comodismo e vai buscar um disco, vai buscar a boa música e apoia”

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Quem tem acompanhado a nova turnê do músico e compositor gaúcho Humberto Gessinger tem se deparado com um “show dentro do show”: o trabalho do multi-instrumentista Felipe Rotta. Seja na guitarra, nos violões ou no bandolim, Rotta conseguiu, de forma brilhante, dialogar com os clássicos de Gessinger e, ao mesmo tempo, deixar sua assinatura nesse trabalho.

Felipe Rotta toca com a alma. Demonstra uma virtuose que ainda trará bons frutos em futuras composições de Gessinger e até mesmo, torço por isso, em trabalhos solos. Músico estudioso, Rotta ainda trabalha com trilhas sonoras e tem um projeto belíssimo chamado Led Acústico. Vale a pena conhecer.

Em Maceió, pude conversar com o músico. Falamos sobre o cenário da arte no país, sobre sua carreira, sua chegada ao universo da engenharia havaiana, dentre outros assuntos. Confiram o papo:

 

Você migrava para a carreira de jornalista. Porém, a vida lhe conduziu à música. Como se deu esse processo?

Cara, na verdade, eu comecei a trabalhar com música aos 14 anos. Comecei a dar aula em um colégio e preparava crianças para apresentações na escola. Quando tinha 15 fiz carteira de música e conciliava o colégio com a música. Fiz violão erudito e jornalismo ao mesmo tempo. A música assim tomou conta da minha vida. Toquei com várias bandas, trabalhei muito em estúdio e a música foi tomando conta da minha vida. Creio que ela tenha me escolhido. Então, foi seguir o caminho que me trouxe ao lugar no qual me encontro hoje.

E como se deu o convite para trabalhar com Humberto Gessinger?

Eu toquei com muita gente conhecida no Sul. Num desses trabalhos conheci o Protássio Júnior, que virou um amigo. Ele trabalha com o Humberto. Até aí toquei com Garotos da Rua, TNT, com o Duca (Leindecker) e tantos outro trabalhos. Foram vários artistas dessa cena. Por meio do Protássio, o Humberto conheceu o meu trabalho.

Dá para perceber, que nesse trabalho, você assumiu um desafio imenso que foi mexer com os clássicos do Revolta dos Dândis, dentre outros dos Engenheiros, mas ao mesmo tempo deixar a tua assinatura ali. Como se deu essa equação? Como você conseguiu isso?

Cara, na verdade, por duas coisas: toquei em todo tipo de situação e tendo que se virar muitas vezes em diferentes situações. Isso dá um suporte. Mas, o mais importante, é que eu nunca perdi o meu coração de fã. Sou fã de vários músicos, inclusive do Humberto. Então, subo no palco pensando em como o fã gostaria de escutar, mas ao mesmo tempo colocar um pouco do meu lado artístico que é a minha visão dos fatos. Eu tento aliar esses universos, com muito respeito pelos fãs.

Vocês fizeram shows em um universo mais pesado, que relembra mais o Surfando Karmas e DNA, o Dançando no Campo Minado, enfim...um universo mais distante do formato acústico. Agora, o Humberto lança músicas mais minimalistas que soam como um álbum dentro de outro álbum. Como tem sido o diálogo dessas canções no palco?

Sempre essas canções vão dialogar porque antes de tudo vem a música. O que você fala do ser pesado é porque chama atenção para as guitarras e as pessoas classificam como “o guitarrista”. Eu não sou um guitarrista. Eu sou músico. Eu gosto da guitarra, gosto do piano, gosto de tocar a gaita. Fiz gaitas em um show recente. Faço o que precisar. Não que eu seja bom neles, mas gosto de me expressar por todos esses instrumentos (risos). A gente sempre conversa muito sobre arranjo. O importante é o que a música tira da gente. O Revolta era um disco diferente e acabou no palco ficando mais pesado. Também, sigo a ideia que o Humberto fala, do disco dentro do disco.

Uma das características do trabalho do Gessinger é brincar com as próprias canções, que vão ganhando – ao longo da vida – novos arranjos e mudanças nas letras. A inéditas já estão passando por isso no palco?

Sim. Pra Caramba começamos tocando como um disco e depois mudou. Cadê está mais parecida com a original, mas tem percussão. A mais parecida é Das Tripas, Coração. Saudade Zero ficou bem diferente ao vivo, ganhou instrumentação elétrica e tal. Eu acho isso muito rico no universo do Humberto.

Os fãs de Engenheiros e do Humberto são muito fortes nas cobranças. Sempre atento ao trabalho dos demais músicos que tocam com ele. Você sente esse peso? Como você lida com isso?

Não pesa. Eu tento ver as coisas de forma mais simples. Eu me expresso pela música e amo o que faço. Quando subo em cada palco é para dar o melhor de mim sempre. Quando eu entro no estúdio é para dar o melhor de mim sempre. Será sempre assim. Se eu me conectei com alguém por esse trabalho, fico imensamente grato. Se alguém não gosta, faz parte. É direito. Eu não gosto de ficar pensando nisso. O que me ajuda também e simplifica isso é o fato de que desde novo sou fã do trabalho do Humberto. Sou fã de todas as fases, todos os discos. São grandes músicos que passaram pela banda. Eu respeito muito essa trajetória e vejo como um fã. Arte não é corrida de cavalo para buscar quem é o primeiro. Arte parte de dentro e toca dentro de ti. Eu tento esquecer e busco personificar: o que é que eu posso passar pelo meu trabalho e tento passar.

Como você vê o cenário de hoje em dia, quando se busca fazer trabalhos inéditos e com qualidade e nas rádios está um maramos total, sempre as mesmas coisas?

Bem, eu começo vendo o cenário não ligando mais a rádio (risos). Acho que tem muita coisa boa acontecendo. Há hoje uma facilidade de gravar, ao mesmo tempo em que é mais difícil divulgar. É confuso, mas abre a possibilidade de você ir atrás do diferente. Infelizmente, há coisas boas sendo produzidas que não conseguem chegar a um maior público, que talvez seja até um público que tenha esse interesse. Isso é uma dificuldade. Mas, cara, eu acho que há muito comodismo por parte de quem fica sentando reclamando de que está tudo ruim e não vai atrás de coisas novas que estão sendo feitas. Que as pessoas comecem a apoiar a incentivar o que gostam, independente do mainstream. Desliga a rádio e vai ouvir os bons discos. Não podemos ter o comodismo e ficar só reclamando.

Existe possibilidade de trabalho solo?

Eu tenho há anos um disco de jazz engavetado. São composições instrumentais engavetadas. Já fiz shows nesse projeto. Tenho um projeto de Beatles em violões de náilon e trabalho com trilhas sonoras. Eu penso em lançar um disco um dia com guitarra e piano em primeiro plano, com instrumentos dialogando em função da música. Músicas dialogando com imagem em um DVD. Enfim, eu penso sim nisso.

Como é trabalhar com um compositor totalmente outsider? Um roqueiro que é tímido e família?

O Humberto é um lobo solitário que dialoga com lobos solitários por todo o Brasil, né? E aí, em um determinado momento, quando você observa esses lobos solitários, você se pergunta quem de fato é um lobo solitário, saca? Eu acho isso muito emocionante. Há coisas que algumas vezes algumas pessoas não entendem, que é isso do Gessinger nunca virar cover de si mesmo, sabe... isso nos tira sempre da zona de conforto para buscar um diálogo diferente por meio de canções até consolidadas, mudando aqui e ali. Ele faz o que está afim de fazer e faz com a alma. Eu me identifico com isso. Acho que por isso ele sempre está presente aí, com quem acompanha. Isso me agrada. Eu sempre escutei Engenheiros e na época, só quem escutava era eu e um coloca. Tínhamos a sensação de que só tinha uma dupla ouvindo aquele som e aí íamos no show e lá estava um monte de duplas se reconhecendo como lobos solitários. E há coisas que nos fazem pensar muito do tipo: quando todo mundo estava tocando nos Estados Unidos e na Europa, lá vai o Humberto tocar na Rússia. Totalmente fora de tudo. É difícil até entender. Esse tipo de visão inquieta é muito bom. É muito bom trabalhar com alguém assim e que nos dá uma liberdade artística que é maravilhosa, pois demonstra confiança e alimenta o desafio. Eu faço parte desse grande público de lobos solitários que amam isso.

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Alagoas: reta decisiva para uma oposição perdida e uma situação folgada...

Foto: Reprodução 107e5724 570a 425a a008 72808588bf2b Governador Renan Filho decreta luto oficial por três dias, após morte militares em acidente na BR 101.

Em Alagoas, eis que entramos em uma semana decisiva para o processo eleitoral desse ano. De um lado, o Palácio República dos Palmares – com o governador Renan Filho (MDB) e seus aliados – busca consolidar uma eleição fácil para o chefe do Executivo, já que não há nome da oposição que possa rivalizar com o MDB.

A eleição “mais fácil” para Renan Filho faz com que se tenha maior atenção na resolução de outros pontos, como priorizar a candidatura do senador Renan Calheiros (MDB) ao Senado Federal, acomodar o ministro do Turismo, Marx Beltrão (MDB), que acaba ficando sem alternativa já que não existe outro bloco. Além disso, sem pressa, definir o vice para Renan Filho.

Se antes, com uma oposição liderada pelo prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), a escolha do “vice” poderia ser algo de vital importância para uma disputa; hoje é apenas uma consolidação de grupo, que reúne diversos partidos.

Em outras palavras, Renan Filho tem hoje a “faca e o queijo na mão”. Não há adversário no radar, possui uma ampla base de partidos ao redor de si mesmo e outros podem chegar. Isto garante ao governador maior tempo de televisão. Vale ressaltar ainda que, do jeito que o cenário se encontra hoje, a eleição ainda fica mais barata para o chefe do Executivo.

Quem também vai deixando de ter dificuldades é o todo poderoso e rival do presidente Michel Temer (MDB), Renan Calheiros. Um de seus “rivais” – o ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) – já havia pulado fora do processo eleitoral.

Como são duas vagas, isso ajuda a aumentar e muito as chances de reeleição de Calheiros que terá pela frente apenas o senador Benedito de Lira (PP) e, caso essas se consolidem, as candidaturas de Marx Beltrão e do procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça.

Do lado do que seria uma oposição, as ruínas de um cenário onde alguns nomes ainda tentam tirar um coelho da cartola. Sem Rui Palmeira, como já sabemos, o bloco formado por PP, PR, PSDB, Democratas e PROS não tem uma “cabeça de chapa”. E isso é vital para articular qualquer até as eleições proporcionais, para deputado estadual ou federal. É a matemática eleitoreira, e consequentemente da sobrevivência, que entra em jogo.

Alguns vereadores por Maceió, por exemplo, devem desistir de candidaturas. O ministro Mauricio Quintella Lessa (PR) já dá sinais que deve pular do barco e entra no bloco de Renan Filho. Sobrará quem? Vale lembrar que essa nunca foi uma oposição tão ativa e combativa. Não por acaso, desse grupo, apenas dois nomes tinham discursos que de fato incomodavam o governo: os deputados estaduais Bruno Toledo (PROS) e Rodrigo Cunha (PSDB). O primeiro busca se reeleger. O segundo deve sair para deputado federal.

Não há nomes na oposição para uma majoritária ao Executivo estadual. O tempo é curto para construir uma candidatura.

Se é bom para Renan Filho, é ruim para a democracia. O cenário não é culpa do governador, nem significa que a oposição que se teria era de fato um projeto diferenciado. Há muito Alagoas não vê diferenças significativas entre projetos de governo, que realmente discutam Estado etc. O que temos são brigas políticas entre nomes e partidos que se arrumam conforme as circunstâncias e a matemática eleitoral.

De toda forma, sem no mínimo uma bipolarização, a democracia fica enfraquecida por não existir nada como possibilidade de escolhas. No mais, tanto a Prefeitura de Maceió, quanto o governo do Estado são administrações razoáveis, com alguns pontos positivos, mas problemas sérios. Cito, no caso do governo, a boa gestão fiscal, os avanços na segurança pública, mas as falhas gigantescas na Saúde.

Por fim, o PSDB de Alagoas é que corre o risco de sair do mapa. Sem lideranças renovadas – apenas Rodrigo Cunha é o único nome que desponta – pode cair em um ostracismo num próximo futuro político. Para um partido que já comandou Alagoas e comanda a Prefeitura de Maceió e Arapiraca; para uma legenda que impôs derrotas ao MDB em 2016; enfim...é a prova viva de que tudo pode se transformar em pó.

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