Governador ao falar da Saúde expõe a fragilidade do discurso. É preciso mais respostas…

Foto: Amanda Falcão/Cada Minuto Ed88772f b1f7 4850 98c0 445e177ee4b7 Governador Renan Filho

Li, nas entrevistas concedidas à imprensa, que o governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), rebateu a reportagem do Fantástico (Rede Globo) sobre a situação da Secretaria de Saúde do Estado de Alagoas. Primeiro ponto: poderia ter “rebatido” antes, pois a reportagem do Fantástico não apresentou novidades, mas sim mostrou o que a imprensa local já havia mostrado em rede nacional, expondo ainda mais o seu governo. 

Com todo respeito ao governador, que tem sim acertado em muitas áreas, como Segurança e Fazenda, suas respostas deixaram a dever e confundiram alhos com bugalhos. 

O governador, portanto, poderia ter usado de entrevistas antes para colocar os “pingos nos is” da forma mais detalhada. Afinal, as denúncias de fracionamento de compras, do não pagamento a fornecedores, de ambulâncias paradas, além de compras questionáveis já haviam sido feitas antes, tanto no parlamento estadual, quanto em muitas reportagens. Alguns desses questionamentos foram feitos, por exemplo, antes mesmo da Operação Correlatos da Polícia Federal. 

O deputado estadual Bruno Toledo (PROS) já havia encaminhado para o secretário Cristhian Teixeira uma série de questionamentos sobre o assunto. E outra: se há o abastecimento hoje no Hospital Geral do Estado (HGE), como já divulgou o governo do Estado, e Renan Filho voltou a tocar no assunto, é uma resposta e não uma constante. É só buscar as matérias jornalísticas antigas para perceber que a falta de insumos e medicamos existiam, bem como o problema com os fornecedores. 

E antes que acusem: sim, eu presto consultoria ao parlamentar. E isso é público. O que coloco aqui é um fato. Os questionamentos feitos por ele foram encaminhados antes da Operação. 

Agora, é sim função do governo buscar a solução e garantir os atendimentos no HGE, bem como em toda a rede. Simples assim. Se isto for feito, o governo age certo buscando corrigir seus erros. 

Mas, um ponto da entrevista de Renan Filho - conforme as declarações concedidas à imprensa - chama atenção. Trata-se da compra de matérias para a sede da Secretaria com preços no mínimo questionáveis. Entre eles, o Fantástico mostrou a compra de uma cortina para o gabinete da Secretaria ao custo de R$ 29 mil. 

Renan Filho diz que “esses R$ 29 mil da persiana não representam 0,1% da despesa”. Bem, não interessa. É que os “R$ 29 mil” não são citados em função unicamente da cifra, mas sim das prioridades. Afinal, não deve ser a única compra questionável com recursos que poderiam ser melhor empregados em outras áreas. O que se questiona é justamente as prioridades da pasta e as motivações de seus gastos. Utilizando-se de um exemplo, governador: é como R$ 802 mil em material de construção a partir do empenho 2017NE02494. 

São vários pontos do Portal da Transparência que podem ser discutidos. Então, pouco importa a porcentagem disso quando comparado ao gasto global. A questão é: o gasto foi correto? No todo, segundo a reportagem do Fantástico, são quase R$ 180 mil em mobília. Claro que isso é pouco perto do orçamento da pasta. Mas era necessário? Era prioridade? Nesses gastos estão a restauração do gabinete do secretário. 

O secretário - na reportagem do Fantástico - defendeu tais gastos como “necessários” e disse que “está andando dentro da legalidade, cobrando os materiais sejam eles quais forem, dentro da legalidade”. Como disse uma senhora ouvida pela Rede Globo, a cobrança existe porque não é de graça, mas sim dinheiro de impostos. É exatamente isso!  

Comparar o valor de tais gastos com o orçamento global da pasta não responde a nada. Por essa razão, a entrevista do governador à imprensa, incluindo o CadaMinuto, é muito pouco diante dos esclarecimentos que se pede. Não responde ao cerne da questão. 

No mais, que o Executivo apoie o andamento das investigações é a posição mais correta que o governador Renan Filho poderia assumir. Que assim seja e que todas as informações sejam prestadas para que a Correlatos possa avançar em seus detalhes. 

Culpa da imprensa

O que ainda espanta é o governador acusar a imprensa de ver a coisa “enviesada” e assim confundir o pensamento do cidadão. Renan Filho, a imprensa cumpre o seu papel, nesse caso, que é o de cobrar explicações ao governo. 

Na própria matéria do Fantástico, o secretário Cristhian Teixeira foi ouvido e a ex-secretária não falou porque não quis, ainda assim encaminhou nota. 

A questão é que - até esse momento - o governo não conseguiu encaminhar as respostas precisas em relação à Operação Correlatos e outros problemas da Saúde. Tanto é assim que quem fez o questionamento anteriormente não obteve as respostas. 

E vejam essa fala do governador dirigida a um repórter: 

“Na sala onde você trabalha também tem uma cortina e você nunca perguntou quanto custa. Você deveria perguntar ao seu chefe, que ele vai te falar”. 

Sim, governador. Na empresa onde trabalho tem cadeiras, cortinas etc. E eu nunca perguntei quanto elas custaram. Sabe por qual razão, governador? Elas foram pagas pelo empresário com o dinheiro obtido da empresa e não por meio dos impostos colhidos do cidadão. Essa é a diferença. 

Se um empresário resolve gastar uma fortuna com os móveis de sua empresa, o problema é dele. Se o governo resolve gastar uma fortuna com os móveis de uma secretaria, o problema é de todos os pagadores de impostos. Essa é a diferença, governador. 

E o governador ainda diz: “As organizações em Alagoas têm excelentes prédios para a imprensa trabalhar. A Secretaria de Saúde tem que ser em péssima condição?”. Desde quando excelentes locais para trabalhar são sinônimos de excessivos gastos com o que não é prioridade, ainda mais quando se trata de dinheiro público em uma área onde o “cobertor” parece ser sempre curto. 

Sinceramente, governador, as desculpas dadas não respondem aos pontos cruciais do que é levantado. 

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Existe uma forma de livrar Renan Calheiros das “denúncias requentadas”: o STF ser mais ágil nos 17 inquéritos

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No dia de ontem, 28, o Supremo Tribunal Federal (STF) - por meio de decisão do ministro Luiz Barroso - abriu mais um inquérito contra o senador Renan Calheiros (PMDB). Agora, são 17 inquéritos que apuram o envolvimento do senador peemedebista em diversos crimes de corrupção. Claro: Renan Calheiros tem seu direito à defesa, ao amplo contraditório, e deve buscar mostrar sua inocência. 

Todavia, como já disse aqui diversas vezes, há o impacto político. O novo inquérito aberto - por exemplo - surge em um momento em que Calheiros buscou se afastar de qualquer temática associada à Lava Jato, por meio da construção de uma agenda positiva que incluía a oposição ferrenha ao presidente Michel Temer (PMDB) e a aproximação com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

Renan Calheiros se reinventava/reinventa como o nome da oposição e “eterno esquerdista”. Tinha conseguido alguns avanços, inclusive sempre de olho na opinião pública. Porém, como diz o poeta Carlos Drummond, no meio do caminho tinha uma pedra, ou - em tempos modernos desse país - mais um inquérito. 

Calheiros domina a arte de ser a Fênix política.  

O pedido de abertura de inquérito é antigo. Foi feito pelo Procuradoria Geral da República (PGR), mas traz Renan Calheiros de volta às manchetes negativas. Desta vez, o foco das investigações são operações milionárias envolvendo o Postalis. Os envolvidos teriam capitado R$ 570 milhões no fundo de investimentos. 

Óbvio que isso não agrada a agenda de Renan Calheiros. 

Renan se defende. Diz que é mais uma acusação sem provas. Segundo o peemedebista-mor de Alagoas, ele nunca teve lobista ou operador. “Nunca autorizei que alguém falasse em meu nome”. Ele ainda diz que a História é requentada, deixando nas entrelinhas uma possível perseguição. Resta saber por parte de quem…

Bem, existe uma forma de livrar Renan Calheiros dessas “denúncias requentadas” que recheiam 17 inquéritos contra ele. Que os processo sejam adiantadas, que as diligências sejam céleres, assim como as investigações e as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Assim, Calheiros terá uma oportunidade de - já que é um homem público - deixar tudo claro, não é mesmo? 

Então, que os 17 inquéritos contra Renan Calheiros possam andar mais rápido no Supremo, para que ele não seja sempre de alvo de “notícias requentadas”, ainda que estas tragam - como foi o caso em tela - algo novo sobre um dos 17 processos. Afinal, com muitos processos e muitos passos em cada um deles, e sendo Renan Calheiros uma figura pública controversa, não resta dúvida que sempre será notícia. 

Mas, que Calheiros ache que é um requente obra dos inimigos imaginários e das forças ocultas sabe-se lá de onde…é um direito que ele tem. O senador possui o direito de subir em seu Rocinante, empunhar a lança, e ir de encontro aos Moinhos de Vento. O STF também pode ser mai rápido ao girar as pás desse moinho. No caso em tela, 17 pás. 

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SESAU resolve buscar acordo com os fornecedores da Saúde

Assessoria - Sesau 1303761906sesau Sede da Sesau

Surge uma luz no fim do túnel para os fornecedores da Saúde que estão sem receber. Até o final da quarta-feira passada, quando foi fechada a matéria que saiu na edição do CadaMinutoPress, alguns fornecedores que prestaram serviços à Secretaria da Saúde do Estado de Alagoas tinham a informação de que o Executivo poderia não pagar o que deve, mas o diálogo avançou.

Tanto é assim que o assunto repercutiu no parlamento estadual alagoano e até no Senado Federal.

Todavia, diante da repercussão negativa do fato, que foi manchete do CadaMinutoPress nas bancas, a Secretaria de Saúde do Estado de Alagoas resolveu, enfim, entrar em acordo com os fornecedores. Isto se dá – é sempre bom lembrar – após muita cobrança.

Mas, que bom que surtiu efeito no sentido do governo buscar solucionar uma questão que perdura desde o início da atual gestão e envolve pagamentos antigos.

O drama de alguns fornecedores foi relatado pelo CadaMinutoPress. Alguns na eminência de falência, outros com extremas dificuldades financeiras, tendo que demitir funcionários, dentre outras situações.

Para que se encontrasse uma saída, foi necessário que uma equipe de gerenciamento de crise entrasse em cena, com presença de um coronel enviado pelo próprio governador Renan Filho (PMDB), para que se resolvesse o impasse.

A prova de que quando o governo quer fazer, faz. É possível que muitos processos já comecem a ter um fluxo diferente a partir da segunda-feira e com isso os pagamentos liberados. De acordo com uma fonte, o governador Renan Filho se comprometeu a acompanhar tudo pessoalmente, cobrando celeridade e explicação da comissão designada pela Secretaria de Saúde para acompanhar os processos. Que assim seja feito.

Ao leitor: trago aqui esta informação em meu blog para atualizar a matéria que foi manchete principal do CadaMinutoPress. Quando o impresso foi às bancas, não havia tido ainda essa mobilização do governo do Estado de Alagoas para resolver o problema dos fornecedores. Ao contrário, as últimas reuniões ocorridas encaminhavam as coisas para um possível calote institucional. No entanto, após o jornal ter ido às bancas, houve uma mobilização por parte do Executivo que resultou no que o post descreve.

Que o governo se comprometa e de fato resolva.

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O porta-voz de Rui Palmeira tem direito a rebater críticas, mas mistura alhos com bugalhos…

Ascom/PSDB C63fe63e 84be 4bb5 a23c 10be948e6864 Welisson Miranda

Li, no blog da jornalista Vanessa Alencar, que o porta-voz do prefeito Rui Palmeira (PSDB), Welisson Miranda, rebateu as críticas dos deputados estaduais nessa semana acerca do grande número de pardais instalados na capital. Welisson Miranda acerta em alguns pontos e erra em outros. É natural de quando o debate é tomado pelas “paixões políticas”.

Se de um lado Miranda acusa os parlamentares de serem motivados por essas paixões oriundas do cenário eleitoral e dos palanques, do outro tal acusação também pode ser feita a ele, já que defende Rui Palmeira com o mesmo tom e recorrendo aos palanques. É simples assim.

Repito o que já disse aqui: o problema dos pardais em Maceió não são os pardais em si. A fiscalização eletrônica - se bem aplicada - é válida e, de fato!, salva vidas, como diz Welisson Miranda. A questão é a forma como eles estão sendo colocados, ainda que sinalizados, gerando uma imensa quantidade de multas. Esta quantidade sim, questionável. São os números que importam, desde a quantidade de multas as cifras geradas aos cofres da SMTT. 

É preciso que a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) - e não nenhum outro órgão ou porta-voz - responda com dados precisos: a quantidade de multas corresponde a um excesso de infrações do motorista maceioense? Quanto a SMTT tem arrecadado com isso? Onde está sendo gasto o dinheiro? No mérito, tais questionamentos tem razão de ser.

Agora, cabe sim o questionamento aos parlamentares estaduais - em especial os do PMDB - por terem “olho vivo” para umas coisas e deixar passar batido outras. Diante das prioridades que o parlamento estadual tinha, poderiam os parlamentares - de uma forma geral - acompanhar com mais afinco as investigações da Polícia Federal em relação à Secretaria de Saúde do Estado. Não farão, pois são - em maioria - governista. Os questionamentos ficaram por conta de opositores como Bruno Toledo (PROS) e Rodrigo Cunha (PSDB). 

É que não se trata apenas das questões levantadas pela Polícia Federal, mas também o pagamento dos fornecedores, o desabastecimento, dentre outros pontos que o parlamento não aprofundou e elegeu como prioridade os “pardais”, que - por sua vez - seria uma discussão que caberia à Câmara de Maceió. Esta bem que poderia encaminhar tais questionamentos à SMTT na busca por maiores informações. Afinal, é papel a fiscalização do Executivo municipal. Não faz pelo mesmo motivo: a imensa maioria é governista. 

E aí, fica claro que há sim motivações políticas nos pronunciamentos dos senhores deputados, o que não invalida o mérito de alguns questionamentos. 

Se o deputado estadual Ricardo Nezinho (PMDB) entrou nessa discussão por ter sido derrotado por Rogério Teófilo (PSDB) na disputa pela Prefeitura de Arapiraca, como diz Miranda, não sei. Mas duvido. Creio que Nezinho o faça pelas mesmas motivações de Medeiros, apontar possíveis erros do potencial rival do governador Renan Filho (PMDB), que é o prefeito Rui Palmeira (PSDB). A questão política está aí. 

E mesmo que Nezinho fosse motivado por resquícios da eleição arapiraquense, Welisson Miranda faz uma comparação infantil para dizer que Nezinho não entende de “poupar vidas” por ter sido o propositor do projeto Escola Livre. Ora, uma coisa nada tem a ver com a outra. 

Que Miranda discorde do Escola Livre é um direito dele. Mas, o desafio a provar - no texto daquele projeto - onde se encontra ameaças à vida de quem quer que seja. A discussão ali é sobre doutrinação escolar, senhor porta-voz. O mérito é outro. E a questão só é levantada por Miranda para tentar descredibiliza o crítico sem ter que discutir a crítica. É uma estratégia mesquinha. E nesse ponto, errada. 

Ricardo Nezinho pagou um preço pelo projeto polêmico, que dividiu opiniões. Mas em momento algum aquela lei tem a ver com entender ou deixar de entender sobre prevenção à vida. Ele tem a ver com outras questões, que nem mais entro no mérito. E quando digo que Nezinho pagou um preço, foi por ter - naquele momento - ao seu lado quem apoiava a ideia e contra ele quem rejeitava. Eu apoiei a ideia de Nezinho sobre o Escola Livre e discordo dele na questão dos pardais, pois acho que a fiscalização eletrônica é cabível em uma cidade desde que feita com total transparência. Logo, não é a existência do pardal em si.  

Portanto, Miranda - independente de suas motivações - está correto ao dizer que o parlamento estadual exagera e pinta com cores políticas tal fato. No entanto, a SMTT passa a dever os questionamentos feitos por Ronaldo Medeiros sobre a quantidade de infrações. Isto quer dizer que a SMTT estará certa ou errada? Bom, quem dirá serão os dados. 
 
O problema de Medeiros - que é o principal crítico dos pardais - é se perder no discurso por meio de analogias tolas na tentativa de ser irônico. E aí fica mais do que claro que o alvo é o prefeito e não a questão a ser levantada. 
 
No entanto, há um ponto da fala de Miranda - trazida por Vanessa Alencar - para qual chamo atenção: o porta-voz de Rui Palmeira convidou os peemedebistas a conversarem com o superintendente de Transporte e Trânsito, Antônio Moura, sobre os pardais. Sugiro, a partir disso, que o parlamento faça o convite ao secretário já que ele parece se mostrar disposto ao diálogo e à transparência desses dados. Nasce a oportunidade para o questionamento e a resposta sem a necessidade de tantos palanques armados. 

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Collor é réu, mas diz que teve vitórias diante de decisão do STF

Agência Senado/Arquivo E1deaed7 031a 4f74 a661 a54191cb5eb4 Senador Fernando Collor

O senador Fernando Collor de Mello (PTC) virou réu em um processo oriundo das investigações da Operação Lava Jato. Ele é acusado de ter recebido R$ 30 milhões em propina ao ter intermediado - segundo a Procuradora Geral da República - negócios com a BR Distribuidora, como a mudança de bandeiras de uma rede de postos. 

Todavia, a decisão diante do processo que tornou Collor réu livrou a cara de algumas pessoas, como a da esposa do senador. Em nota, é nesses fatos que o senador Fernando Collor de Mello se apega para dizer que conseguiu uma vitória no Supremo. É claro que na condição de réu, Collor - assim como qualquer outro brasileiro - deve ter suas garantias respeitadas, o que inclui o direito à legítima defesa. 

A diferença é que como homem público e com mandato legislativo, Collor sofre os danos da exposição de fatos que resvalam na política, ferem a sua imagem etc. Diante disso, obviamente precisa criar uma narrativa para convencer os outros de sua inocência. Pelo Direito, ninguém prova a inocência, mas quem acusa é que tem que provar a culpa. 

Porém, na política há cobranças de satisfações a serem dadas pelos homens públicos. 

Então, Collor buscou fazer emitindo nota reafirmando a inocência e negando envolvimento em atos ilícitos. Mas, fugiu ao mérito das acusações. Buscou construir uma narrativa de “vitória” diante do que decidiu o STF. Não há - ainda - vitória alguma para Collor. Há sim, para outras pessoas que se encontravam na mesma ação. 

Isto - em tese - não demonstra fragilidade nas acusações contra Collor, mas sim nas feitas contra as outras pessoas. Portanto, foi imposta uma derrota à Procuradoria-Geral, pois dos nove denunciados, somente se recebeu denúncia em relação a três, dentre os quais, o senador do PTC. Foram afastados alguns crimes imputados, repudiando excessos da acusação. Collor acerta nisso, mas não no todo. 

Em nada isso quer dizer que Collor terá vida fácil. Que o senador seja investigado e se inocente, que isto seja reconhecido. Caso contrário, que seja punido, como deve ser com qualquer um. Mas que não esqueçamos do mérito: lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. 

A principal acusação segue sendo a de que ele (Collor) teria pedido - entre os anos de 2010 e 2014 - pelo menos R$ 30 milhões em três negócios envolvendo a BR Distribuidora. Se a PGR foi derrotada em algum ponto dessa denúncia, em nenhum dele - ao menos por enquanto - Collor pode dizer que sai vitorioso. 

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Em Alagoas, Lula distribui afagos aos anfitriões “Renans”. É o esperado...

Foto: Cone Freire / Cortesia ao CadaMinuto Dbb75518 df0a 44af a282 c2a523939e00

Em seu primeiro discurso em Alagoas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) distribuiu afagos aos anfitriões. De um lado, elogios ao governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB). Do outro, o senador Renan Calheiros (PMDB). 

Nada fora da cartilha e/ou distante do esperando. A gafe foi Lula ter errado nome da cidade de Penedo, chamando o município de Toledo. Rapidamente corrigiu o erro no palanque. Em geral, Lula discursou para a militância e buscou este tom que é o de sua “pré-campanha pelo país”. Agora, pelo que se viu no palanque, com dois fortes cabos-eleitorais: Renan Filho e Renan Calheiros. 

A semente da aliança PT e PMDB em Alagoas está lançada. Renan Calheiros aposta que a aproximação com Lula pode lhe render bons frutos, apesar da imagem do presidente também sofrer desgastes. É que Calheiros não mira apenas em Lula, mas na ferrenha militância que o cerca. Terá êxito? Aí é com a História. 

Lula fez sua parte ao distribuir elogios a Renan Calheiros. Foi acolhido pelos peemedebistas assim como os acolheu. 

Quanto ao governador, segundo Lula, Renan Filho estar ao seu lado é um ato de coragem. Prestem atenção na fala: “normalmente, se um governador tiver medo do governo federal ele não virá receber um ex-presidente da República. Portanto, um projeto de independência é muito importante”. 

Como Lula diz que isso ocorre “normalmente”, fica a pergunta: eram assim as práticas de seu governo e do governo de sua sucessora Dilma Rousseff (PT) com os governadores? Terá sido um ato falho para mais uma crítica ao presidente Michel Temer (PMDB), insinuando que ele tem trabalhado para que governadores não estejam ao seu lado? Ou então, possivelmente, é algo muito comum no discurso de Lula: o “nós” contra “eles”?

Quem aproveitou o palanque de Lula para atacar Temer foi o senador Renan Calheiros. O peemedebista classificou as gestões do ex-presidente como “do povo, diferentemente do governo de agora”. Calheiros se abraça com Lula por apostar em uma agenda que o beneficie com a militância do PT. Uma forma de refazer a própria imagem para 2018, depois de ter o desgaste que teve - e provavelmente ainda terá - diante dos desdobramentos da Operação Lava Jato. 

De um lado, Renan Calheiros aposta na impopularidade de Michel Temer. No outro, acredita que a densidade eleitoral que Lula ainda possui e a militância de esquerda pode lhe dar sombra. Ao falar de Temer, Calheiros lembrou do déficit das contas públicas e de cortes em programas sociais. Fatos - diga-se de passagem - que também ocorreram na gestão de Dilma Rousseff. 

Renan Filho retribuiu os afagos. O governador evitou atacar Temer como fez o pai, mas elogiou as gestões de Lula e disse que “Alagoas e o Nordeste eram muito gratos” ao ex-presidente petista. Com os discursos, Renan Calheiros e Renan Filho reconstroem a união com o PT local, que sempre existiu em Alagoas, mas houve uma ruptura no processo de votação do impeachment de Dilma Rousseff. 

Lula reconheceu as divergências que teve com Renan Calheiros, mas salientou que na época em que o peemedebista foi presidente do Senado Federal os governos do PT tinham facilidade de aprovar matérias. É, a gente sabe bem disso! O ex-presidente destacou Calheiros como o principal opositor de Temer na luta contra “as reformas” Trabalhista e da Previdência. 

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Lançamento de livro une Lessa e Renan Filho “em troca de elogios”

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O portal oficial do governo abriu espaço para a divulgação de uma solenidade em que o deputado federal Ronaldo Lessa (PDT) lançou o livro “Mandato Digno”. 

Trata-se de uma coletânea de artigos de Lessa que foram publicados na imprensa alagoana. Os textos retratam o Estado, o Brasil e o mundo na visão do parlamentar. 

O evento contou com a presença do governador Renan Filho (PMDB). 

Como não creio em coincidências na política, lembro que já há algum tempo existe a discussão sobre de qual lado Lessa ficaria diante da aproximação do cenário eleitoral de 2018. Se o parlamentar apoiaria a reeleição de Renan Filho ou marcharia com o grupo do prefeito Rui Palmeira (PSDB)…eis a questão posta.

Pode ser que Rui Palmeira não seja candidato, mas o principal grupo opositor a Renan Filho, hoje!, é o do tucano. Por lá, Lessa ocupa duas pastas na administração estadual. Mas, não é por falta de convite que não mudou de lado ainda. 

No evento, Renan Filho contemplou Lessa com diversos elogios, colocando-o como “um dos mais experientes quadros da política alagoana”. 

O deputado federal ainda se associou a Renan Filho e o senador Renan Calheiros nas críticas ao presidente Michel Temer (PMDB), durante o evento. 

A ida de Lessa para o grupo político de Renan Filho não envolve apenas o apoio de um deputado federal que tem densidade eleitoral no Estado, mas também uma composição que eliminaria mais um possível rival do senador Renan Calheiros na disputa pelo Senado Federal. 

O PDT estuda duas possibilidades: Lessa ser candidato à reeleição ou disputar o Senado Federal. Obviamente que Lessa só teria o espaço para uma majoritária se estivesse em uma via de oposição. No PMDB, as vagas para disputar o Senado já estão quase certas. 

Uma é certeza: Renan Calheiros. A outra é prometida ao ministro do Turismo, Marx Beltrão (PMDB). Mas se Beltrão ameaçar demais a tranquilidade de Renan, eis que os planos podem ser revistos. 

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Thaíse Guedes quer estimular que comunidades “adotem escolas públicas”. É um bom projeto!

Assessoria 7e1d9e2e 4d90 4717 a55d 7fe2d2948e4f Deputada Thaise Guedes

Já fiz - aqui nesse espaço - algumas críticas a projetos de lei apresentados pela deputada estadual Thaise Guedes (PMDB) por entender que ampliavam o poder coercitivo do Estado para cima do setor produtivo, mesmo reconhecendo as boas intenções da parlamentar. Agora, tomo conhecimento de um projeto de Guedes que é bom e espero que o parlamento estadual aprove. 

O projeto já tramita na Casa de Tavares Bastos há algum tempo, mas infelizmente só tomei conhecimento dele na manhã de hoje. Li com bastante atenção e achei a ideia interessante. Explico. 

Trata-se da matéria de número 386/2017 que institui o programa “Adote uma Escola”. O projeto recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça e visa promover a solidariedade voluntária, como tem que ser. Esta deve ser estimulada, mas jamais obrigada. Thaise Guedes, desta vez, acertou no tom. 

De acordo com o artigo 1º do projeto, “fica instituído o Programa “Adote Uma Escola” com o objetivo de incentivar pessoas físicas e jurídicas a contribuirem para a melhoria da qualidade do ensino da rede pública estadual”. 

Segundo a proposta, a participação no programa pode ser por meio e doações de equipamentos, realização de obras de manutenção, conservação, reforma e ampliação de prédios. Isso incentiva a ideia de pertencimento, sobretudo se quem se envolver for da comunidade na qual a escola se encontra. 

Guedes tomou todos os cuidados na formulação do projeto, incluindo a obrigatoriedade de consulta à Secretaria de Educação, firmando o termo de cooperação e permitindo, assim, que as empresas possam fazer proveito da participação do programa, por meio do chamado “marketing do bem”, já que a publicidade pode ser proveitosa para as empresas que encaram a chamada “responsabilidade social”. É possível ganhar nas duas pontas com esse tipo de parceria. 

Em função das restrições da competência parlamentar, o projeto não gera ônus ao poder público (no caso o Executivo), nem legisla sobre compensação tributária. Agora, nada impede que, na busca por estimular, o governo do Estado aproveite o projeto para apresentar benefícios fiscais (ou outros) às empresas que abracem a causa. 

Fosse eu secretário de Educação colocaria tal projeto embaixo do braço para conversar com o governador Renan Filho (PMDB) sobre como dar maior substância a ele para atrair mais parceiros visando reduzir custos com a manutenção das escolas, compra de livros, montagem de bibliotecas ou laboratórios. 

Se Guedes errou, tempos atrás, na apresentação do esdrúxulo projeto que visa obrigar empresários a plantarem árvores a cada carro zero quilômetro vendido, nesse aqui acerta tanto na boa intenção quanto na formatação da lei. Por isso, acerta também a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ao emitir um parecer favorável. 

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“Onde está Cristovão?”. Agropecuarista encontra-se desaparecido desde o início do mês

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A postagem que vou colocar aqui é oriunda de uma publicação das redes sociais da jornalista e advogada Candice Almeida. Diante da gravidade do fato, resolvi abrir o espaço para o que a jornalista publicou após conversar com familiares do agropecuarista Cristovão Rodrigues Silva, que se encontra desaparecido desde o dia 3 de agosto, quando saiu de casa para ir à sua fazenda localizada em Murici. 

Eis o texto:

“Onde está Cristovão?

20 dias… O que são 20 dias? Quantos “bom dia” damos, quantos sorrisos trocamos, quantos abraços oferecemos? 20 dias!! 20 dias pode não ser nada se você está curtindo as férias, começando uma dieta, se adaptando a um novo emprego, mas 20 dias é uma eternidade se seu pai, seu marido, seu irmão está desaparecido. Se há 20 dias você percorre estradas de terra, viaja quilômetros, peregrina por delegacias, em busca de uma resposta, uma palavra, uma solução.

Onde está Cristovão Rodrigues Silva, um agropecuarista de 61 anos de idade, casado, pai de dois filhos? Cristovão saiu de casa nas primeiras horas da manhã do dia 3, rumo à fazenda localizada no município de Murici. Uma fazenda que possui há cerca de 17 anos, onde cria gado, próximo à famosa cachoeira da Tiririca, um lugar bucólico, calmo e lindo.

Normalmente Cristóvão ia à fazenda às quartas e sábados, mas desta vez ele resolveu ir numa quinta-feira, por quê? Ninguém sabe. Cristovão chegou à fazenda, mas ainda pela manhã saiu e nunca mais voltou ou foi visto por alguém.

A família guardou silêncio até hoje para evitar que as investigações fossem atrapalhadas, mas o desaparecimento de Cristovão, a falta de respostas, a dúvida, as incertezas, tudo leva a família a ponderar sobre a importância de revelar a dor pela qual estão passando, na esperança de que assim o Estado de Alagoas priorize o caso, a estrutura policial e os recursos tecnológicos.
A total ausência de vestígios tem levado a crer que se trata de crime cometido por profissionais, profissionais do crime. Que estado é este que tolera a profissionalização de bandidos em detrimento do aparelhamento minimamente profissional de seus próprios agentes?

Ultimamente são os números da segurança pública que mais trazem orgulho ao Governo estadual. As novas viaturas proporcionaram o quê? A redução de mortes foi de quantos por cento? A redução dos números da criminalidade foi de quanto? Números, números, números… Onde está Cristovão na contabilidade do crime em Alagoas? Ele entra no número de homicídios? De desaparecidos? De casos não resolvidos? 20… Eis o número de Cristovão e de toda sua família. 20 dias desaparecido. Nenhuma notícia”.

Comento: Subtraí do texto original apenas a última parte por fazer algumas indagações direcionadas a políticos. Entendo os questionamentos sobre não estarmos seguros onde que que estejamos, mas creio que, inicialmente, tais questionamentos cabem a pasta de Segurança Pública do Estado de Alagoas, que já se encontra investigando o caso. 

PS: Peço perdão ao leitor. No título da matéria estava "encontrasse" ao invés de "encontra-se". Já corrigi. É que a publicação foi feita de um dspositivo eletrônico e o corretor não reconheceu a partícula, "corrigindo" o verbo. Tive que alterar manualmente após a publicação. 

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Em tempos de vans e carros assassinos, um conselho do velho Aristóteles…

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É impressionante como boa parte da imprensa prefere culpar - por meio de manchetes - os objetos inanimados e esquecer que por trás deles existe uma ação deliberada do ser humano que, nos casos de terrorismo, possui uma motivação específica. 

Mas, dentro da linguagem do politicamente correto, é mais fácil simplesmente chamar atenção para o objeto utilizado em um atentado terrorista do que todo o resto. Assim, a cada fato que se sucede, temos matérias jornalísticas com chamadas como: “Carro atropela e mata pessoas em tal lugar”. No mais são variantes com vans e/ou outros objetos.

É de se indagar se, não mais que de repente, estivéssemos a sofrer um ataque transformers, mas especificamente dos decepticons…

Ironias deixadas de lado, o grande problema disso é não ir à raíz da discussão. Ora, é óbvio que o problema não são os carros e as vans. O problema é o que tem motivado o terrorismo em toda a Europa, enquanto o continente se encontra de joelhos. 

Todavia, em épocas de multiculturalismo e onde palavras machucam, o ocidente parece ter uma dificuldade imensa de reafirmar seus valores, se preocupar com eles, e com a herança que é fruto do direito romando, da filosofia grega e dos valores judaico-cristãos. 

Ninguém está dizendo para fechar a Europa ao diferente, mas simplesmente o óbvio: se queres viver em minha casa, saiba quais são os meus valores, então, no mínimo, que estes sejam respeitados e aceitos. E é preciso que o ocidente entenda a sua herança cultural e, como bem frisou o pensador Edmund Burke, que essa é um contrato social firmado com as gerações anteriores e com as próximas, com os vivos, os mortos e os que virão. 

Que entenda e a defenda. 

O que essa objetificação de automóveis nesses ataques esconde é uma discussão que poderia ser mais ampla e mais honesta intelectualmente sobre o que de fato tem ocorrido, o que é o globalismo e como ele se insere nisso, além de outros pontos como as diferenças entre as próprias crenças, sem relativizar o que de fato é tolerância e respeito ao indivíduo. 

Nesse texto falei da filosofia grega como um dos pilares do ocidente. Eis que em tempos de carros e vans “assassinos”, Aristóteles também nos dá um recado oriundo lá dos tempos antes mesmo de Cristo. 

Diz Aristóteles, em seu livro Política:

“(…) o homem está provido por natureza de armas que devem servir à prudência e à virtude, as quais (essas armas), todavia, ele pode usar para fins opostos. Eis que o homem sem virtude é a mais perversa e cruel das criaturas, a mais entregue aos prazeres dos sentidos e seus desregramentos. Mas, a justiça é o liame entre os homens nas cidades, pois a administração da justiça, a qual é a determinação do que é justo, é o princípio da ordem na sociedade política”.

A citação está no capítulo II do Livro I de Política. Vejam que Aristóteles fala de armas, mas serve para qualquer objetivo. 

Como ele fala em armas, aproveito para mostrar mais uma vez a falácia dos discursos desarmamentistas que possuem a mesma lógica de culpar o inanimado. Aristóteles é bem claro: as armas servem à prudência e à virtude - ou seja assegurar a segurança, dentre outros valores que são discutidos pelo filósofo em várias outras obras como Ética a Nicômaco - portanto, não são apenas instrumentos de ataque, mas sobretudo de defesa. 

Agora, podem sim cair nas mãos de pessoas ruins e perversas. Mas essas não vão esperar por autorização da lei para o acesso a elas, pois já descumprem a lei. Por isso que Estatuto algum vai desarmar bandidos. Logo, o que se deve fazer - como coloca muito bem Aristóteles - não é culpar as armas, mas os bandidos, que é o que Aristóteles chama de “homem sem virtude”. 

Assim, se pune quem pratica o mal, mas se reconhece o direito de quem busca seguir as leis, inclusive no direito de portar uma arma de fogo. Afinal, não é o fato de alguém ter um carro ou uma van que significa que ele é um potencial “atropelador em massa”. 
 

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