Blog do Vilar
Blog do Vilar

Blogueiro do Cada Minuto

Postado em 26/05/2017 às 09:17 0

Senhores vereadores, é preciso ter cuidado com gratuidades. Alguém paga a conta


Por Lula Vilar

Ascom CMM

Vereadora Silvânia Barbosa

Há um projeto em tramitação na Câmara Municipal de Maceió que pretende conceder gratuidade no transporte público aos professores da rede pública da capital de Maceió. A minha primeira reação foi parafrasear a “político-pensadora” petista Maria do Rosário e indagar de forma retórica: “Mas o que é isso?”.

Explico!

É preciso ter muito cuidado com as gratuidades concedidas – que são cortesias com o chapéu alheio! – para que isto não venha a pesar no bolso dos outros contribuintes. Afinal, se há gratuidade de um lado, em pouco tempo haverá reajuste de tarifa do outro, diante do possível impacto financeiro. É que o serviço de transporte é público, mas as empresas são privadas. Como consequência, não são entidades filantrópicas e visam o lucro. Logo, vem uma frase que os populistas odeiam: “não há almoço grátis”.

Sei que existe uma relação entre as empresas e o órgão público que precisa ser investigada. Que se faça isso.

Mas, de qualquer forma, os dados da gratuidade entram nas planilhas de cálculo que estabelecem o preço das passagens. E mesmo ciente do salário ridículo que é pago aos professores neste país, enquanto políticos, que não possuem o mesmo benefício à sociedade, ganham muito, chamo atenção para as gratuidades. Além disso, há outra reflexão: em tese, a maioria dos usuários do transporte público também ganha pouco e já paga muito para se locomover. Então, é preciso pensar no todo e não em uma classe específica.

Sem contar que são os professores, de uma forma geral e não apenas os da rede pública, que ganham pouco e se sacrificam para comprar o próprio veículo (sejam moto ou carro) ou então se submetem ao transporte público. Não são todos professores?

Ou seja: não são apenas os da rede municipal. E se esta conta não cair no colo das empresas, sendo redistribuído na planilha de custos, na hora de conceder aumentos salariais para seus funcionários, contabilizar insumos, aumento de combustível etc, cairá na conta de alguém. Os vereadores gerariam despesa para o poder público? Creio que não. Pois, isto tornaria o projeto inconstitucional, ou então só poderia ser apresentado pelo Executivo.

Então, é preciso que a autora do projeto – a vereadora Silvânia Barbosa (PRB) – converse com a população em geral, que é usuária do sistema, sobre o estudo de impacto que fez para o projeto e prove, por A mais B, por qual razão ele não impactaria, futuramente, no preço final da passagem. A vereadora sabe, por exemplo, quantos são os professores da rede municipal de ensino? Já seria um bom início para o impacto financeiro do projeto de lei que se encontra na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e teve o parecer contrário derrubado.

É muito fácil fazer cortesia com o chapéu alheio. O projeto – após a CCJ – deve ir à votação já nos próximos dias.

E antes que alguém diga – em uma visão míope – que estou sendo contra os professores, lembro que estou sendo favorável a todos os trabalhadores que usam o transporte público, incluindo os professores, estando preocupado com um futuro aumento de passagem. Atualmente, ela já é um absurdo. O que devemos brigar é para que os professores sejam mais bem remunerados na rede pública, com reajustes acima da inflação e encontrar meios para que as tarifas do transporte público se fixem, custem o menos possível para todos, para que seja reduzido este impacto nos orçamentos familiares. A discussão correta é esta.

Afinal, a boa intenção de Barbosa faz sentido, quando diz que conversou com professores da rede de ensino de Maceió e ouviu reclamações sobre o deslocamento e os custos disso: os diretos e os indiretos. Mas é a mesma realidade, por exemplo, dos trabalhadores do comércio, dos camelôs, de vendedores, de empregados e empregadas domésticas e por aí vai...Todos sofrem com o orçamento mensal por conta das altas tarifas neste país. Como a Prefeitura pode ajudar a baixar este valor para todos? Eis uma pergunta que os vereadores poderiam fazer. Inclusive até investigar se a passagem aplicada hoje corresponde ao real ou pode ser reduzida. Que tal analisar as planilhas com maior afinco nas solicitações de reajuste?

Estou no twitter: @lulavilar


Postado em 24/05/2017 às 14:52 0

Beltrão afirma não ter relação direta com a JBS: “Doações à campanha foram repassadas pelo PMDB”



Foto: Agência Brasil

Ministro Marx Beltrão

Comentei – aqui no blog – sobre os valores pagos pela JBS aos políticos alagoanos, conforme consta na delação de um dos executivos da empresa. Entre estes, está o ministro do Turismo, Marx Beltrão, que se elegeu deputado federal em 2014. Beltrão se licenciou da cadeira na Câmara de Deputados para ocupar o comando do Ministério do Turismo.

O ministro recebeu – em sua campanha – R$ R$ 236 mil. Ressaltei que o valor estava registrado como doação oficial. Marx Beltrão – por meio de sua assessoria de imprensa – me encaminhou uma nota curta em que justifica exatamente isto.

De acordo com ele, “cabe esclarecer que todos os valores recebidos pelo então candidato Marx Beltrão foram regulares e constam na prestação de contas apresentadas e aprovadas pela Justiça Federal”.

O candidato diz ainda que os valores foram repassados à campanha pelo diretório regional do PMDB de Alagoas, sem qualquer relação direta entre o ministro e a empresa.

Eis a nota na íntegra:

“Sobre a citação do ministro na lista de doações da JBS, cabe esclarecer que todos os valores recebidos pelo então candidato Marx Beltrão foram regulares e constam na prestação de contas apresentadas e aprovadas pela Justiça Eleitoral. Vale destacar que os valores foram repassados à campanha pelo diretório regional do PMDB de Alagoas, sem qualquer relação direta entre Marx Beltrão e a empresa”.

Estou no twitter: @lulavilar


Postado em 24/05/2017 às 10:33 0

Divulgada lista dos que receberam dinheiro da JBS: governador, senadores, deputados federais e até estaduais de AL


Por Lula Vilar

Irmãos Batista: os doadores de peso!

O Estadão divulgou a lista do diretor da J&F, Ricardo Saud, que contou – durante sua delação premiada – como a empresa distribuiu dinheiro para o meio político do país. A lista detalha uma centena de beneficiados. Muitos deles declararam as doações de forma oficial.

Claro: não se trata de prejulgamento e cada um dos citados possui o direito à defesa, bem como pode se tratar de doação oficial. Mas, os números estão postos e é assustador que o grupo tenha sido um dos maiores doadores de campanha do país ao mesmo tempo em que conta com todo o auxílio do “capitalismo de compadrio”.

Aqui no blog trago apenas o nome dos eleitos. Todavia, quem olhar a lista vai perceber também as “doações” para candidatos que não conseguiram se eleger. Ao todo, são 1.829 candidatos distribuídos em 28 partidos com as mais variadas colocações. Todos receberam dinheiro do grupo controlado pelos irmãos Joesley Batista e Wesley Batista.

Eleitos são: 179 deputados estaduais (em 23 estados, incluindo Alagoas), 167 deputados federais e 19 partidos. O delator afirma ter dado propina para 28 senadores da República e para 16 governadores eleitos.

As doações ilícitas somam quase R$ 600 milhões. De acordo com Saud, a maior parte delas em troca de contrapartidas no setor público.

Em Alagoas, aparecem dois senadores: Renan Calheiros (PMDB) e Benedito de Lira (PP). Nesse caso, na lista não aparecem os valores, mas apenas o sinal de “Ok”. Pelos levantamentos oficiais, Benedito de Lira recebeu R$ 1,2 milhão. Ao ser citado em delação, Calheiros é apontado como tendo recebido R$ 9,3 milhões.

Os ministros Maurício Quintella Lessa (PR) e Marx Beltrão (PMDB) também receberam valores como doação oficial. Quintella recebeu R$ 450 mil e Beltrão, R$ 236 mil. Renan Filho – governador de Alagoas – recebeu R$ 1,3 milhão. Todos estes valores – repito – estão registrados como doação oficial.

Assim como também aparecem registrados os valores doados para os deputados federais Ronaldo Lessa (PDT), Arthur Lira (PP) e Givaldo Carimbão (PHS). Os três são citados na lista dos delatores. Lessa ficou com R$ 50 mil, Lira com R$ 500 mil e Givaldo Carimbão com R$ 150 mil.

As doações também seguiram para deputados estaduais alagoanos. Ricardo Nezinho (PMDB) recebeu R$ 130 mil, Olavo Calheiros (PMDB) recebeu R$ 300 mil, Givaldo Carimbão Júnior recebeu R$ 95 mil, Davi Davino recebeu R$ 8.850 mil, Tarcizo Freire (PSD) recebeu R$ 100 mil, Marquinho Madeira (PMDB) recebeu R$ 100 mil e Ronaldo Medeiros (PMDB) recebeu R$ 100 mil.

Veja aqui a lista completa.

Estou no twitter: @lulavilar


Postado em 23/05/2017 às 16:09 0

Vereadora de Farroupilha se desculpa na própria sessão. É nobre! Mas ainda há outra generalização...


Por Lula Vilar

Foto: Divulgação

Vereadora Eleonora Broilo

A vereadora Elionora Briolo (PMDB/Farroupilha) se corrigiu quando foi avisada e PEDIU DESCULPAS ao povo nordestino por sua fala. Isto na própria sessão, o que mostra que foi um pedido de desculpas sincero. É obrigação minha reconhecer a nobreza. Deixa claro que muitos dos adjetivos que usei inicialmente não cabem a ela. Então, também peço desculpas.

 É um ato de grandeza. Fez isto na própria audiência. Acho desculpar-se nobre. E em nada diminui quem o faz. Muito pelo contrário.

Movido pela indignação com a fala inicial fiz um texto aqui em meu blog, no qual repudio agressão aos nordestinos por achar que a vereadora generalizou. Ainda acho que há generalizações, mas é menos grave que no início. Reitero que – mesmo ela tendo pedido desculpas ao povo, que prontamente é aceita por mim, pois acho as desculpas um pedido NOBRE (REPITO PELA TERCEIRA VEZ) – ainda assim incorre em um erro de generalização novamente ao dizer que se refere aos “políticos nordestinos”.

Há quem diga que isso é “politicamente correto” de minha parte. Bem, eu não tenho absolutamente NADA de politicamente correto. É que ainda assim é um absurdo generalizar os políticos nordestinos afirmando que todos se unem para roubar, como se não existissem aqui representantes que travam bons debates nos parlamentos. Há sim! Mas uma vez, a generalização é a porta aberta para a ignorância.

Cito – por exemplo – o deputado federal Rogério Marinho (PSDB/RN). Não falo nem do partido ao qual ele faz parte que, enquanto instituição partidária, não tem diretrizes com as quais eu concorde. Mas, Marinho é – em minha visão – um parlamentar que enriquece o debate na Câmara de Deputados, levando referências teóricas, como no debate da Reforma Trabalhista. Pode-se discordar dele, mas não negar as posturas firmes e embasadas que ele tem.

Temos péssimos políticos no Nordeste? Sim. Temos no Sul do país, temos no Norte, no Sudeste e no Centro-oeste. Ou não? Creio ser até a maioria deles. Há até – em outras esferas – políticos com os quais discordo, mas reconheço que possuem preparo para o debate, a defesa de teses e buscam estudar. Até onde sei, não há nenhum escândalo que os desabone. É o caso, aqui em Alagoas, da deputada estadual Jó Pereira (PMDB). Discordo das teses dela, mas não digo jamais que tem sido desonesta. É o caso também dos deputados estaduais nordestinos Bruno Toledo (PROS) e Rodrigo Cunha (PSDB), que desempenham bons mandatos.

Abomino a generalização por ser porta de entrada da ignorância. E isto não é politicamente correto. Isto é convicção. A generalização pode ser mãe da burrice, da ignorância, do analfabetismo funcional, do pensamento por meio de clichês, dos preconceitos (os verdadeiros) etc...

A vereadora Eleonora Broilo precisou ser chamada atenção – por um colega – para corrigir sua fala e pediu desculpas. Ato nobre por parte da vereadora, mas poderia ter se corrigido como deveria: dizer que fala de alguns políticos nordestinos (ainda que sejam maioria) e ainda lembrar que como tem estes, tem outros de outras regiões que também são nefastos. Aproveitava e citava os nomes a quem ela se refere. Eu garanto que eu concordaria com ela em alguns exemplos, pois aqui neste blog, eu mesmo os denuncio. Afinal, precisam ser investigados políticos como o senhor Renan Calheiros (PMDB), Fernando Collor (PTC), dentre outros.

Como o assunto é política, em texto anterior citei Aureliano Tavares Bastos, que foi deputado estadual, jornalista e escritor, e tem uma profunda obra sobre política, que mostra que há nordestinos que entendem sim de política e que estão preocupados sim com o que se passa neste país. Claro que – infelizmente – não mais temos nomes como o de Tavares Bastos.

É claro que com o pedido de desculpas a vereadora diminui o dano de sua fala. Repito pela quarta vez: desculpas é um gesto nobre. Com isto, caem por terra algumas colocações que fiz e também peço desculpas à vereadora por eventuais exageros meus ao me sentir ofendido enquanto nordestino. Porém, pontuo que é um erro também a segunda generalização.

Eis o que disse a vereadora após o episódio: "Respeito muito o povo daquela região, minha afiliada mora lá e eu gosto muito do nordeste. Eu jamais falaria mal daquele povo, que é honesto, trabalhador e sofrido. E eu respeito qualquer trabalhador que seja honesto".

Diz ela ainda: "Todas as pessoas que, de uma maneira ou de outra, foram agressivas comigo nas redes sociais, vão ser interpeladas judicialmente depois. Não se faz isso com uma pessoa". As pessoas, senhora vereadora, foram tomadas pela indignação. Creio que com as suas explicações, os pingos voltem aos is. Todavia, ainda assim é preciso repensar na segunda generalização feita. Também é errada.

Estou no twitter: @lulavilar


Postado em 23/05/2017 às 12:47 0

O preconceito da vereadora Eleonora Briolo contra os nordestinos. Eis o exemplo da ignorância e da burrice!


Por Lula Vilar

Foto: Divulgação

Vereadora Eleonora Broilo

Leio na imprensa que a vereadora Eleonora Broilo (PMDB/Farroupilha) externou – em uma sessão pública – todo o seu preconceito contra nordestinos. Pelo posto na imprensa, uma ignorante. Pessoas boas e pessoas más existem em todos os lugares, profissões e convicções ideológicas. Todavia, a generalização é a mostra viva da intolerância, do preconceito e da mais profunda ignorância. A senhora Broilo não só não conhece nada do Nordeste, de sua história e de seus grandes homens, como perdeu uma excelente oportunidade de ficar calada e não cometer crime.

A pergunta que faço agora é: onde se encontra o Ministério Público Federal (MPF) para processá-la diante das declarações estapafúrdias contra um povo que em sua história tem homens como Tavares Bastos, que foi político e apresentou ao país uma obra visionária. Se ouvido lá atrás, Tavares Bastos tinha muito conselhos a dar sobre a descentralização deste país e desenvolvimento. Mais ainda é tempo de ouvi-lo em obras como A Província e Cartas ao Solitário, que com toda certeza Eleonora Broilo desconhece. Afinal, se mostra incapaz de um debate sobre corrupção neste país ao generalizar os nordestinos de forma tão rude.

O preconceito nos torna incapaz de aprender com o diferente.

Broilo não entende que o grande câncer deste país é um estamento burocrático, plutocrático e cleptocrático do qual o partido dela faz parte e, nem por isto, todos os peemedebistas devem ser generalizados. Tal estamento atingiu seu auge diante de um esquema de corrupção institucionalizado que teve como “ícone” dois presidentes: Luis Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT). O que não quer dizer que – lá atrás – o senhor ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) não tenha tido sua culpa, bem como outros que o antecederam, como mostra tão bem o gaúcho Raimundo Faoro na obra Os Donos do Poder. Será que ela conhece este? É da terra dela.

Mas, Briolo – do alto de sua incapacidade cognitiva para compreender a realidade – também deve desconhecer. Este é o preparo dos nossos políticos iletrados, que destilam ódio e generalizações em frases de efeitos. São burros! E a burrice é infinita.

Eu posso ter dúvidas a respeito do infinito do universo, mas jamais da burrice. Os responsáveis pela situação em que nos encontramos não são o que são por serem desta ou daquela região, mas por serem vis, traidores, desonestos, verdadeiros pulhas que devem ser punidos nos ditames da lei.

Dito isto, Eleonora Briolo poderia – ao invés de falar bobagens – estudar. Que ela um dia possa passear pela obra de Ariano Suassuna para ter a dimensão da cultura nordestina, para conhecer os muitos homens que – apesar das adversidades – conseguem o sustento com o suor do rosto, sem estarem pendurados nos banquetes estatais, ganhando muito para fazer muito pouco, como é o caso da maioria dos parlamentares – da vereança ao Senado – deste país. Políticos estes que, além de receberem muito para o que fazem, invertendo a lógica do custo-benefício, ainda possuem suas campanhas bancadas pelo fundo partidário.

E maioria do povo nordestino – honesto, trabalhador, empreendedor apesar das dificuldades – ajuda a pagar esta conta ao mesmo tempo em quem sofre diante de um pacto federativo mesquinho que concentra recursos na União e impede que muitos municípios, que é onde efetivamente as pessoas moram, tenham independência financeira, político e administrativa. É o que penaliza várias cidades nordestinas e outras em outras regiões do país.

Porém, talvez a vereadora em questão desconheça o que é pacto federativo, a necessidade de repensar o Estado para garantir maiores liberdades individuais para que homens de fato livre possam gerar riquezas neste país, nos mais diversos âmbitos, inclusive a riqueza cultural. No caso do Nordeste, mesmo sendo eu suspeito a falar, digo: uma das mais belas do mundo.

Senhora Eleonora, pode pegar qualquer área do conhecimento e se lá não tiver um nordestino servindo como exemplo de honestidade, integridade e competência, eu rasgo o meu diploma de jornalista. Conheça a obra – por exemplo – do professor Francisco Reinaldo Amorim de Barros, o ABC das Alagoas. Lá, podem ser encontrados homens e mulheres, transformados em verbete, que muito contribuíram para o país com suas ideias, nos mais variados campos do saber. Todos alagoanos. Por consequência, nordestinos.

Entre os mais famosos, Pontes de Miranda que ao apresentar sua teoria traz pontos que podem ser comparados – pela grandeza das ideias e aporte ao mundo jurídico e da ciência política – a pensadores como Eric Voegelin. Sei que corro o risco da senhora Eleonora – do alto de sua ignorância – não conhecer nem um, nem o outro.

A senhora – pelas declarações dadas – não é digna do mandato que ocupa. Mas, políticos indignos neste país não é exceção. Agora, mesmo assim, não tenho o direito de generalizar.

E pode ter certeza, senhora vereadora, que se a agressão fosse aos gaúchos, eu iria defendê-los. É que Eleonora Briolo não representa o que de belo há em sua região, que possui homens da grandeza de um Moacyr Scliar, de um Mário Quintana, de um Luis Carlos Borges, de um Teixerinha. Enfim, vários que vão da cultura popular à clássica. É claro que também existem os maus gaúchos, assim como existem os maus nordestinos. Mas não culpo os gaúchos pelas mazelas de um Getúlio Vargas, que teve flertes com o fascismo. Culpo o senhor Vargas, pois ele seria o que seria independente de onde tivesse nascido.

Todavia, orgulho-me de ser brasileiro e de neste país se encontrar o Rio Grande do Sul com tanta beleza a nos ofertar tantos bons homens que defenderam suas raízes, como na canção Percorrendo o Rio Grande. E defender sua terra, carregá-la em seu coração, não é ofender as demais. Eu carrego a pequena cidade de Mata Grande, no Sertão das Alagoas, no peito.

Estes homens gaúchos devem orgulhar o solo sulista, mas Eleonora Briolo, não. Ela é digna apenas de desprezo e pena.

Orgulho-me ainda de ser nordestino e de encontrar em minha terra homens que me servem de inspiração, como é o caso de Tavares Bastos. Leio a sua obra e me encanto. Pois, nascido na Europa teria a dimensão de um Edmund Burke na discussão das ideias políticas, apesar de aqui e ali serem pensamentos contraditórios, mas falo da excelência com que debatiam e viviam o que debatiam. Coisa que políticos como Briolo nunca saberão o que é. Políticos assim podem morrer e reencarnar mil vezes que nunca tangenciaram algo tão nobre, pois estão presos à sua própria mesquinhez, e caso não se libertem disso serão que são: exemplos do que não se deve ser jamais.

“Eu acho que os nordestinos sabem muito bem se unir, sim, para roubar”. É frase desta criatura que alcançou um espaço em uma Câmara de Vereadores, segundo a imprensa. “Sabem se unir para ganhar propina”, complementa.

Quanta ignorância! Por sorte temos a História a dar na cara de Eleonora Briolo. Uma História que registra os homens que são invisíveis para os políticos hipócritas, mas que são reais e estão a dar o exemplo todos os dias pelo país afora – independente de se no Nordeste, no Sul, Sudeste, Norte ou Centro-oeste - ao acordar cedo, ao trabalharem diuturnamente sem roubar nada de ninguém e assim construírem seus patrimônios (independente dos tamanhos deste), mesmo sufocados em impostos e leis absurdas que só privilegiam o establishment do qual a vereadora faz parte por mais que ela não roube, pois não sei se é honesta ou desonesta do ponto de vista material. Torço para que seja honesta e que seja apenas burrice mesmo. O que sei é que foi ignorante ao extremo na declaração dada.

Grande parte destes brasileiros estão no Nordeste. E nesta região, estão em regiões onde desafiam as condições sócio-ambientais, como a seca, mas dão exemplo de perseverança sem perder a fé, a humildade e sem abrir mão de valores como a honestidade. O homem simples do Sertão tem mais a dizer ao mundo que Eleonoras da vida. Mas, infelizmente eles não possuem tribunas, pois são ignorados. Todavia, para quem tem olhos, são exemplos que falam alto, que gritam, que dão lições, que mostram que Eleonora Briolo foi desprezível e deve responder pelo que disse.

Espero de coração que o caso de Eleonora tenha solução. Parte da vacina vem por meio de livros e estudos. A outra parte, evidentemente, depende de sua capacidade cognitiva compreender a sua própria miséria intelectual e moral neste episódio e assim se reerguer por meio de um pedido de desculpas honesto e sincero a um povo que tem, em sua História, grandes intelectuais, homens de bem, pessoas simples e moralmente superiores, que desprezam políticos desonestos e corruptos, sejam eles nordestinos ou não e por aí vai...

Senhora Eleonora Briolo, seu preconceito é uma doença que apequena a sua alma. É como diz Albert Einstein: “Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. Que Eleonora Briolo possa aprender com Machado de Assis: “O medo é um preconceito dos nervos. E um preconceito, desfaz-se - basta a simples reflexão”. Que um dia ela possa se deliciar com Graciliano Ramos; não apenas o da Literatura, mas o político que prestou contas a próprio punho como exemplo de honestidade.

Afinal, como diz o pensador Henry David Thoreau, “nunca é tarde para abrirmos mão dos nossos preconceitos”. Porém, é preciso muito cuidado, senhora Eleonora Briolo, para não cair na visão de George Bernard Shaw: “não tenho preconceitos, odeio a todos igualmente”. Lembre-se de Martin Luther King que, ao dizer que tinha um sonho, complementou afirmando que era o de que as pessoas fossem julgadas por suas personalidades, pelo que são e não por outros motivos.

É que já nos ensinava Mark Twain ao dizer que basta saber que o homem é um ser humano para que ele seja respeitado, mas também para que saibamos que dele pode vir o melhor ou o pior. Afinal, depende do caráter e não do local de origem.

Estou no twitter: @lulavilar


Postado em 22/05/2017 às 09:42 0

Marx Beltrão: “O que o Brasil menos precisa é da hipocrisia cujo discurso não condiz com a prática”


Por Lula Vilar

Foto: Fernando Bizerra Jr|Efe

Michel Temer e Marx Beltrão

O ministro do Turismo, Marx Beltrão (PMDB), se pronunciou sobre o momento que vive o Brasil e a crise que atinge o presidente da República, Michel Temer (PMDB), após as delações feitas pelos donos da JBS. Marx Beltrão se posicionou como aliado do presidente e defendeu estabilidade para que o Brasil “continue a crescer”.

Falei do silêncio dos dois ministros alagoanos em relação aos acontecimentos. Beltrão rompeu este silêncio no domingo, dia 21, em duas postagens nas suas redes sociais. Na primeira, uma indireta aos críticos do presidente Michel Temer. “Agora, o que o país menos precisa é da hipocrisia de políticos cujo discurso não condiz com a prática”.

Será destinada aos adversários de Temer ou a fogo amigo?

O ministro afirma que o país “tem instituições sólidas e maturidade suficiente para enfrentar os problemas e sair mais forte deste momento”. Marx Beltrão defendeu que as denúncias precisam ser apuradas, mas não se deve esquecer que o país “já começou a dar os primeiros sinais de recuperação e precisamos ter sabedoria para manter a trajetória de crescimento”.

“Grandes nações mundiais já passaram por turbulências político-institucionais e souberam superá-las”, complementou.

O ministro defende “serenidade neste momento”. “Que a Constituição seja respeitada e que o Brasil continue a crescer. De mim, tenham certeza de muito trabalho. Nada resiste ao trabalho”, também destacou.

Estou no twitter: @lulavilar


Postado em 19/05/2017 às 09:04 0

O silêncio de Renan Calheiros pode ser a postura de quem aguarda o que vem por aí


Por Lula Vilar

Foto: Facebook

Senador Renan Calheiros (PMDB)

Nunca faltou opinião ao senador Renan Calheiros (PMDB) – líder da sigla no Senado Federal – sobre os acontecimentos do governo do presidente Michel Temer (PMDB). Nos últimos tempos, Calheiros não economizou nas críticas às reformas Trabalhistas e da Previdência. Quase perde a liderança do PMDB no Legislativo por conta de sua posição mais dura.

Houve uma “rebelião” de alguns senadores e até reunião com Temer, o que fez com que Renan Calheiros adotasse, na sequência, uma postura mais comedida.

Mas uma crise estourou desde a quarta-feira, dia 17. Esta colocou o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves (PSDB) na berlinda. Temer é acusado, dentre outras coisas, de ter agido para dar aval à compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, já condenado pela Lava Jato.

É bem verdade que o áudio – somente divulgado na quinta-feira, dia 18 – não deixa isso claro, mas há um contexto que assusta: Temer recebe – fora da agenda oficial – um empresário investigado na Lava Jato que relata uma série de crimes. O presidente, no mínimo, se mostra omisso em relação a estes.

No mais, é a obviedade dos contextos. É difícil crer que Temer não sabia exatamente do que Josley Batista (o delator da JBS) falava ao se referir a Cunha. Há ainda menção a juízes, a um procurador que teria sido “comprado”, possível antecipação de informação privilegiada em relação à economia, enfim...

Todavia, diante de tudo isso e da crise que se instalou no Brasil, o falante Calheiros que se fazia de contraponto a Temer, calou! Não há declarações suas, mesmo depois de ter sido tão atuante na construção de uma agenda positiva que se aproveitava da péssima avaliação de Temer junto à opinião pública.

Há informações de bastidores que apontam que a delação da JBS não para por aí e – como colocou a jornalista Eliane Castanhêde – pode chegar a Renan Calheiros. O líder máximo do PMDB alagoano espera o desenrolar dos fatos para só então ter o que dizer? É isto? Pode ser. É que o peemedebista-mor de Alagoas sabe ser cirúrgico. É um enxadrista de primeira. Não dá ponto sem nó. Então, Calheiros assume uma cautela que interessa bastante a ele diante das incertezas.

Estou no twitter: @lulavilar


Postado em 19/05/2017 às 08:52 0

Crise polícia: A nota do PSDB de Alagoas é evasiva e não diz nada com nada...


Por Lula Vilar

foto: arquivo/Cada Minuto

Teotônio Vilela Filho (PSDB)

O PSDB de Alagoas emitiu uma nota, na noite de ontem, dia 18, sobre a recente (mais uma!) crise política que o país vivencia. São vários pontos da delação dos donos da JBS, em especial Josley Batista. Os personagens tratados de forma mais constante pela imprensa são o presidente Michel Temer (PMDB) e ao senador tucano Aécio Neves. Natural que seja.

Porém, a empresa também fala de sua aproximação com o BNDES na era petista, de dinheiro para campanha e o diretório do PT por meio do ex-ministro Guido Mantega, dentre outros pontos. Há quem diga que vem mais “bomba” por aí e que pode afetar outros políticos. É aguardar...

Quanto ao PSDB local, a nota é extremamente evasiva e não diz muita coisa. Aliás, não diz nada com nada. É um somatório óbvio sobre os clichês que envolvem o Estado Democrático de Direito e a necessidade de se investigar associada à preocupação com a situação do país. Porém, o PSDB é parte do governo federal e tem um senador envolvido em denúncias gravíssimas. Logo, tem que ir além disso.

Os tucanos da Terra dos Marechais sequer citam os investigados e não dão nem demonstração de apoio, nem de recriminação dos atos. Não se trata de cobrar que o PSDB faça prejulgamento, mas que se posicione de fato em relação aos episódios específicos que são postos. Os tucanos foram mais uma vez tucanos.

Qual a avaliação que o PSDB local faz das conversas do presidente Michel Temer? Como enxerga o escândalo envolvendo o senador do partido que pediu R$ 2 milhões a um empresário que tinha a ligação que tinha com um esquema de “capitalismo de compadrio” que foi extremamente fortalecido – em uma corrupção institucionalizada – na era petista? As respostas não vieram...

De acordo com a nota, a Executiva Estadual do PSDB – que é comandada pelo ex-governador Teotonio Vilela Filho – apenas reitera o apoio às instituições brasileiras, “neste momento de grave crise no país, entendendo que qualquer medida a se adotar deve passar pelo absoluto respeito à Constituição”.

Isto é o óbvio. A saída tem que se dá pelo Estado Democrático de Direito. É inclusive por esta razão que o presidente Michel Temer está na condição de investigado. Claro que estas investigações precisam ser rápidas; agora, as dúvidas sobre a conduta de nossos governantes e representantes políticos já pairam desde antes de qualquer delação da JBS e a nação já foi e está sendo penalizada por conta desse establishment montado. Establishment do qual os tucanos fazem parte, ainda que muitos deles não tenham culpa direta e sejam bons quadros.

Finaliza a nota afirmando que “o PSDB/AL continuará a lutar, de forma responsável, com feito nessas mais de duas décadas de existência, para que o Brasil supere os desafios sem se afastar do Estado Democrático de Direito”. É uma nota apenas para cumprir tabela. Os tucanos sequer tiveram a coragem de mencionar o fato de Aécio Neves deixar a posição que tinha dentro da legenda, avaliando a decisão como acertada ou errada.

O que o PSDB/AL acha que deve acontecer com Temer? O PSDB/AL externa apoio ao presidente ou não? Há ministros do partido no governo, afinal de contas. Os tucanos de Alagoas cumprem tabela para não pecar pelo silêncio como tem feito o PMDB local até aqui, inclusive as principais lideranças: o governador Renan Filho (PMDB) e o senador Renan Calheiros (PMDB). Esses ainda se encontram na espiral do silêncio.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) sozinho conseguiu dar declarações mais contundentes e precisas, ainda que não tenha feito isto quando a situação de crise era com o PT. Lá, ele foi parcimonioso. É por isso que digo que os tucanos são irmãos siameses dessa matriz ideológica e se fingem oposição na falsa polarização da política brasileira. O partido quer ter posição sem se comprometer. Que lindo! 

Estou no twitter: @lulavilar


Postado em 18/05/2017 às 17:41 0

Ronaldo Medeiros que defendia permanência de Dilma, agora defende saída de Temer


Por Lula Vilar

Foto: Vanessa Alencar/CadaMinuto/Arquivo

Deputado Ronaldo Medeiros

O deputado Ronaldo Medeiros (PMDB) – que era das fileiras do PT – disse em entrevista a jornalista Vanessa Alencar, ser favorável à renúncia do presidente Michel Temer (PMDB), que é de seu partido. Medeiros vê a situação como insustentável.

Temer – como se viu no recente pronunciamento – resolveu ficar. O presidente foi extremamente enfático: “Não renunciarei”.

O que pesa contra Temer são denúncias gravíssimas de ter usado de sua posição para comprar o silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB), já condenado na Lava Jato. De acordo com o jornal O Globo, Temer foi gravado conversando com os donos da JBS sobre o assunto. Eu concordo com Medeiros: confirmada a gravação, os áudios que estão sendo citados, e com o fato de Temer ser alvo de um inquérito autorizado pelo STF, o presidente deveria renunciar. Mas a renúncia é ato pessoal. O presidente não fazendo, deve ser colhido todo o material possível para substanciar um pedido de impeachment. É que isto NÃO É GOLPE! Não é Medeiros?

Dificilmente Temer atravessa a crise e garante a chamada governabilidade. Afinal, novos fatos devem se suceder de forma mais rápida que se possa imaginar, ainda mais quando os áudios aparecerem. O Congresso terá que se posicionar.

Mas, o Medeiros de hoje, mostrou preocupações que – em recente passado, quando estava nas fileiras do PT – não tinha. Preocupações com o futuro da governabilidade do país diante de um quadro caótico em que o presidente não tem mais condições de governar em função das denúncias que pensam contra seu governo. Naquele tempo, eu defendia a saída de Dilma Rousseff pelos crimes de responsabilidade e pela própria situação da própria presidente e de seu governo. A presidente estava envolvida em crimes de responsabilidade, não garantia a governabilidade, os indicadores do país só pioravam e se vivia – para usar a “expressão medeiriana” – o “armagedom da política”.

E não era só Dilma: os escândalos envolvendo lideranças nacionais do PT – e também de outros partidos da base governista, com o PMDB do presidente Michel Temer, e até de oposicionistas – apareciam aos montes, incluindo a figura central do partido Luís Inácio Lula da Silva (PT), que hoje responde como réu em alguns processos.

Mas, para os alguns petistas, eu era um golpista alienado que acreditava na Globo, além de outros rótulos muito usuais nos discursos mais inflamados que tendem a se distanciar da racionalidade por pura emoção.

Para Ronaldo Medeiros, diante da crise vivenciada agora por Temer, a situação do país “só vai piorar a vida dos que mais necessitam, gerar mais desemprego, menos consumo e menos investimentos. Será uma hecatombe social”. Concordo com ele. Mas quando Medeiros defendia Dilma, este mesmo diagnóstico já poderia ser feito daquele governo que deixou milhões de desempregados, uma economia em decadência, o aparelhamento completo do Estado, dentre outros pontos que apontam para uma “hecatombe social”.

É verdade que Medeiros fez críticas duras a gestão da petista, mas sempre esperando que ela se recuperasse. Justiça seja feita: ele criticou sim...não nego isto.

Porém, se Medeiros diz que só “Agora explodiu, atinge a todos...”, ele erra. Agora explodiu para cima do presidente Michel Temer que precisa se explicar e deve ter todo o direito ao contraditório e a ampla defesa, mas pelo bem do país deveria deixar a cadeira. Porém, o degringolar desta crise, que parece não ter fim, já havia explodido há muito quando alguns gritavam – dentre os quais Ronaldo Medeiros – que Dilma era vítima de um golpe.

Quem foi vítima de um golpe foi o país. Um golpe de um establishment que envolve PT, PMDB, PSDB entre outros partidos (mesmo havendo pessoas sérias em seus quadros) que mais lembram o Sermão do Bom Ladrão do padre Antônio Vieira, quando falam dos que roubam, mas não são punidos por possuírem o controle do “patronato”, tão bem já denunciado pelo cientista político Raimundo Faoro na obra Os Donos do Poder. Foi isto que a Lava Jato rompeu. Mostrou as vísceras deste establishment. Aliás, não é  de agora que mostra. Vê quem quer...

Afinal, na mesma delação que fala de Temer, também fala de Dilma e da solicitação de R$ 30 milhões para uma campanha em Minas Gerais. Natural que tenha menor destaque, afinal o presidente agora é Temer. Ele é o mais importante. Porém, ignorar? É achar que o delator só fala a verdade quando é conveniente.

É que para alguns petistas (e ex-petistas, mas que ainda carregam o PT no coração!) somente agora neste momento é que a Globo não é mais golpista, delator fala a verdade, gravações de presidente não é crime, mas é preciso se atentar para o conteúdo etc.

Onde estava Ronaldo Medeiros quando foram gravados áudios de Lula e Dilma e que mostravam o uso do establishment para obstruir a Justiça? Muitos disseram que a Lava Jato pararia com a queda de Dilma Rousseff. Eis a resposta: não parou! Os irmãos siameses, que se fingem opositores, PSDB e PT possuem muito que explicar. O PMDB também.

Medeiros acerta ao cobrar de Temer. Porém, é uma pena que tenha errado no passado ao aliviar para Lula e Dilma. E olhe que na época Lula e Dilma eram do PT e Ronaldo Medeiros também. Hoje, Medeiros é do PMDB e Michel Temer também. Então, nem dá para dizer que era uma questão de estrutura partidária.

Na Casa de Tavares Bastos, Medeiros é um dos maiores críticos do governo Temer, principalmente nas críticas acertadas que faz a Reforma da Previdência. Eu concordo com elas.

Ah, o Medeiros já chamou o impeachment de golpe...

Bem, agora Ronaldo Medeiros entendeu que pedir a renúncia de um presidente diante de um grave quadro que leva a ingovernabilidade, diante de indícios de um governo envolvido até o talo em corrupção, diante de possibilidade de crime de responsabilidade não é golpe. Como não é golpe este conjunto de fatores substanciar um pedido de impeachment. Golpe é o que PT, PSDB, PMDB, PP e tantos outros fizeram com o povo brasileiro e ainda fazem para tentar salvar os seus...

Estou no twitter: @lulavilar


Postado em 18/05/2017 às 15:29 0

Crise instalada: maioria dos políticos alagoanos entra na “espiral do silêncio”


Por Lula Vilar

Foto: Agência Brasil

Michel Temer

Com algumas exceções, como o deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB), o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), e o senador Fernando Collor de Mello (PTB), a maioria dos políticos alagoanos – que são tidos como lideranças – resolveu silenciar diante da crise instalada, ainda que alguns ocupem posição de destaque no governo de Michel Temer (PMDB) ou no Congresso Nacional.

Um dos silêncios mais constrangedores – pelo menos até aqui – é o do senador Renan Calheiros, que é líder do PMDB no Senado Federal. Na manhã de hoje, o Senado teve uma sessão esvaziada com poucos presentes. Alguns dos que lá estiveram reclamaram da ausência dos pares.

Por qual razão cito inicialmente Calheiros? Bem, o senador bancou uma oposição forte ao presidente Michel Temer no quesito “reformas”, mas depois deu uma recuada diante da possibilidade de perder a posição de líder do PMDB na Casa. Agora, Calheiros – como já mostrou a Coluna Labafero – adota sua posição na “espiral do silêncio”. Para quem sempre teve muitas opiniões sobre o atual governo, parece que agora Renan Calheiros não tem nenhuma, ou aguarda o momento propício de tê-la.

Ainda em Brasília, outros dois políticos alagoanos de “peso” no governo Temer também estão na espiral do silêncio: são os ministros Marx Beltrão (PMDB) e Maurício Quintella (PR), que respondem – respectivamente – pelo Turismo e pelo Transporte. Nem apoio a Temer, nem crítica. Adotaram a posição de aguardar o desenrolar dos fatos. Tanto Beltrão como Quintella são deputados federais e se licenciaram do mandato para assumir as funções estratégicas no governo Temer.

Na bancada federal, apenas JHC e Fernando Collor de pronunciaram. O primeiro foi mais agressivo e já protocolou um pedido de impeachment contra Temer. O pedido de JHC possui apenas duas páginas e faz referência à reportagem publicada – ainda na noite de ontem – em O Globo. Collor, de forma mais comedida, reforçou a gravidade institucional. “O Brasil é forte, e as nossas instituições são suficientemente sólidas. As duas Casas Legislativas são responsáveis o suficiente para que possamos encontrar o nível de crescimento e igualdade social que desejamos”.

Em Alagoas, o governador Renan Filho (PMDB) também silenciou. Mas, o prefeito Rui Palmeira (PSDB) adotou a postura da prudência e falou no assunto, ainda que um dos envolvidos nos escândalos recentes seja seu colega de partido: o senador Aécio Neves (PSDB).

De acordo com Rui, a crise preocupa em função dos seus aspectos econômicos. O prefeito ainda defendeu a Lava Jato. Mostrou apoio às investigações e não fez prejulgamentos.

No mais, Givaldo Carimbão (PHS), Pedro Vilela (PSDB), Cícero Almeida (PMDB), Rosinha da Adefal (PTdoB), Nivaldo Albuquerque (PRP), Arthur Lira (PP), Paulão (PT) e Ronaldo Lessa (PDT) ainda não se pronunciaram.

Estou no twitter: @lulavilar


Postado em 16/05/2017 às 14:37 0

Disputa entre Rui Palmeira e Renan Filho chega à Câmara de Maceió


Por Lula Vilar

Ascom/CMM/Arquivo

Câmara Municipal de Maceió

O clima de eleição antecipada já toma conta da Câmara Municipal de Maceió. De um lado, os vereadores que apóiam o prefeito Rui Palmeira (PSDB), já que ele é um possível candidato ao Governo do Estado ou ao Senado Federal, em 2018. Do outro, os aliados de Renan Filho, que são os vereadores eleitos pelo PMDB.

Um dos principais aliados de Renan Filho, por exemplo, é o vereador Silvânio Barbosa (PMDB). No caso de Barbosa, as preferências políticas se somam a uma disputa “paroquial” com o também vereador Siderlane Mendonça (PEN), que apóia o prefeito de Maceió. Mendonça e Barbosa já não se bicam há tempos. Dividem o mesmo “reduto eleitoral” que é o bairro do Benedito Bentes.

Desde o processo eleitoral, que Mendonça era o candidato de Rui Palmeira na região, com o apoio forte do secretário de Limpeza Urbana, Davi Maia. Silvânio Barbosa já era um opositor de Rui Palmeira na Casa de Mário Guimarães. O clima eleitoral apenas potencializou as trocas de farpas entre os dois, como mostrou a jornalista Vanessa Alencar em seu blog.

Mas, não vai parar por aí. O clima de “eleição antecipada” acordou até peemedebistas que estavam adormecidos. Barbosa agora quer fazer uma audiência pública para discutir a Zona Azul e o edil Galba Netto (PMDB) já pensa em um projeto de lei contra o estacionamento rotativo público.

Como em política não há coincidência, a pergunta que se faz é: por que os nobres vereadores chegaram tão atrasados na polêmica que cobrava há muito um posicionamento da Câmara? A resposta é simples: são peemedebistas e precisam cumprir o papel de peemedebistas.

De acordo com a Coluna Labafero, quem já anda preocupado com esta situação é o presidente da Casa, Kelmann Vieira (PSDB). Deve fazer às vezes do líder da turma do “deixa disso”.

Estou no twitter: @lulavilar


Postado em 16/05/2017 às 14:19 0

Possível saída de Petuba não foi “plantada”, mas confirmada por Almeida


Por Lula Vilar

Foto: Adaílson Calheiros

Cláudia Petuba

Se a atual secretária de Esportes, Cláudia Petuba, permanecerá ou não na pasta ou será remanejada para a Secretaria de Mulher, não sei. Nos bastidores, os indícios são de que ela permanecerá onde se encontra. Porém, discordo de uma informação veiculada pela Coluna Labafero aqui do CadaMinuto, quando diz que “desde o fim do ano passado que notícias plantadas em blogs e sites davam como certa a saída de Cláudia Petuba da secretaria dos Esportes”.

Nada foi plantado. Muito menos foram informações de bastidores. É preciso relembrar. A promessa de mudança existia e era oficial.

A saída de Petuba foi confirmada pelo deputado federal Cícero Almeida (PMDB) que revelou – inclusive em entrevista a este blog – o convite feito pelo próprio governador do Estado, Renan Filho (PMDB). Almeida disse que faltavam apenas os detalhes para a nomeação. Um destes seria um acordo do governo com o PRTB para que Almeida não tivesse o mandato ameaçado por ter mudado de legenda.

Almeida responde por “infidelidade partidária”, já que deixou o PRTB – partido pelo qual foi eleito – para ingressar no PMDB e disputar a Prefeitura de Maceió no ano passado. No processo eleitoral, ele foi derrotado por Rui Palmeira. O parlamentar foi o primeiro nome a surgir como futuro secretário na reforma que Renan Filho pretendia fazer. Se o governador desistiu da reforma, aí é outra história. Mas, ela foi confirmada. Inclusive, o chefe do Executivo estadual nunca negou, nem desautorizou Almeida. Isto por si só mostra que o convite de fato existiu.

Aqui neste blog, portanto, não se plantou nada. Não só foi dada informação, como se revelou a fonte e se conversou com ela. Em outros espaços da imprensa, o procedimento foi o mesmo.

É fato que – nos últimos dias – os rumores sobre a substituição aumentaram. É que toda imprensa que cobre política julgava que era só uma questão de tempo, já que Almeida se colocou disposto ao desafio de assumir o Esporte.

Agora, a informação dada pela Labafero – e segundo apurei é verídica mesmo! – é que o governo aguarda os desdobramentos do julgamento do processo que Almeida responde (que ficou conhecido como Máfia do Lixo) para evitar nomear um futuro condenado pela Justiça. O governo teme pela sua própria imagem. Se isto abala a relação de Renan Filho com Cícero Almeida? Não sei.

Mas, justiça seja feita. Não é apenas Almeida que queria ser secretário. É Renan Filho que o convidou, mas depois o desenrolar dos fatos deu sobrevida a Petuba na pasta. Uma trapalhada de uma mudança anunciada que não se fez.

Agora, a Labafero acerta em cheio neste ponto: “Em último lugar, as escolhas do secretário de saúde, e da indicação para conselheiro no Tribunal de Contas, mostraram que o governador não gosta muito de pressão política, e parece deixar claro, até para velhos aliados de seu pai, que o governador é quem define seus auxiliares”

Estou no twitter: @lulavilar