Marx Beltrão exagera na dose. Discordar de jornalista é direito dele. Partir para acusações sem prova, não!

Foto: Bruno Levy/CadaMinuto 96184601 b0a8 4b7a 9533 0a12db30052a Ministro Marx Beltrão

O ministro do Turismo, Marx Beltrão (PMDB), tem todo o direito de discordar do teor de uma reportagem ou análise em relação a ele ou aos seus atos. Tem o direito inclusive de ir à Justiça se achar que deve, apesar de eu entender que não há razão alguma para isso no caso mais recente que o envolveu.

E o que falarei aqui não é uma questão de mérito, mas sim de ação diante das críticas. 

Quanto aos fatos: Beltrão foi personagem de uma matéria do jornalista Davi Soares em que o jornalista diz que o chefe de sua assessoria parlamentar foi exonerado no dia 27 de outubro após a Operação Lavat. 

Ele - o jornalista - aponta que houve inércia de Beltrão ao manter um suspeito nomeado por tanto tempo, como seu auxiliar político direto junto ao Congresso Nacional. 

Não entendo como Soares, mas ele foi extremamente prudente no questionamento que fez, garantindo, inclusive, espaço para o contraditório. Sendo assim, não entro no mérito das conclusões de Davi Soares, que julgo como um jornalista sério e competente, apesar de divergirmos em algumas opiniões. Acho a divergência salutar e construtiva. No período em que trabalhamos juntos, falo por mim!, isso muito mais me enriqueceu. 

Todavia, ressalto que o jornalista teve a preocupação de colocar em sua matéria o seguinte: “tal contexto está longe de levantar qualquer suspeita de envolvimento de Beltrão nos esquemas investigados pela Polícia Federal”. Ao meu ver, um ponto de honestidade intelectual que deve ser levado em conta. Ele mostra claramente que não acusa o ministro de absolutamente nada a não ser de uma inércia para a exoneração que, a meu ver, a nota do Ministério explica. 

Afinal, uma coisa é questionar o cargo ocupado pelo chefe da assessoria e a outra é envolver o ministro na trama. Soares - de forma competente - soube separar as coisas. 

Daí, evidentemente, surgem questionamentos próprios de uma análise mais detalhada e em busca de respostas. O leitor que julgue. 

Beltrão tem todo o direito de expor sua versão e, segundo Soares, ele não atendeu às ligações, nem respondeu aos questionamentos enviados por WhatsApp pelo Diário do Poder. O Ministério do Turismo destaca que no momento da nomeação de Norton Domingues Maseru não havia nenhuma denúncia ou fato que desabonasse a conduta do mesmo. Ora, como não há bola de cristal no ministério, se isto é um fato, é algo que deve ser levado também em conta. O argumento está posto na matéria de Soares. Portanto, o jornalista considerou a informação relevante.

O Ministério ainda coloca em nota que assim que o acusado passou à condição de investigado, foi exonerado. Sabemos disso também pela matéria de Davi Soares. 

A meu ver, o procedimento do jornalista, ao tratar do fato, não traz absolutamente nada que venha a ferir o que se espera do jornalismo. Levanta, é verdade, um questionamento incômodo ao ministro Marx Beltrão, que tem todo o direito de pontuar e explicar as questões. Porém, em momento algum Beltrão foi xingado, atacado ou teve a imagem exposta de maneira indevida. Logo, perde a razão em uma reação desproporcional. 

Como vemos em matéria jornalística da Tribuna Independente, Soares foi alvo de uma série de xingamentos em um grupo de WhatsApp. Beltrão acusa o jornalista de não ter escrúpulos ao fazer matéria tendenciosa, sendo um “mal caráter de carteirinha”. Beltrão diz que processará o jornalista. 

Quanto ao processo, é direito de qualquer um, citado em uma matéria, ir à Justiça ao se sentir ofendido. Aí é com a Justiça avaliar se a reclamação tem ou não razão de ser. Todavia, o ministro deveria ter mais calma e prudência nas colocações, justamente em função do cargo que ocupa, sobretudo batendo-boca em grupos de WhatsApp. 

Ao promover determinados “bate-bocas” por conta de questionamentos que são feitos pela imprensa, Beltrão não ajuda em esclarecer absolutamente nada. Ainda mais quando, não houve ofensa pessoal ao ministro na matéria. Repito: há um parágrafo em que deixa claro que Beltrão não pode ser responsabilizado pelos atos do comissionado, restando apenas a divulgação de dois pontos: 1) que o acusado era assessor (e isso é fato); 2) a acusação de uma inércia para demitir o assessor (que aí é uma avaliação) que pode muito bem ser rebatida, explicada ou até - em caso extremo - fazer com que o ministro exerça o seu direito de ir à Justiça (o que para mim é uma bobagem). 

A reação desproporcional não é cabível, pois em momento algum do texto se verifica desonestidade do repórter, muito pelo contrário, uma vez que afasta o ministro das investigações e expõe a explicação dada pelo Ministério do Turismo. Há apenas uma pequena análise - da qual pode se concordar ou não - sobre a “inércia” do Ministério. A não ser que existiam outros fatos que irritaram Marx Beltrão, ele exagera e parte para acusar o jornalista sem apresentar qualquer tipo de prova.  

O que mais preocupa é essa acusação que Beltrão faz. E assim como vale para a imprensa, vale também para o ministro: o ônus da prova cabe a quem acusa. Ao dizer que a matéria é um ato de “canalhice”, Beltrão afirma que Soares recebeu “para fazer matéria tendenciosa” e insinua que não é a primeira vez. 

Trabalhei com o jornalista Davi Soares. Temos pontos de opinião divergentes sobre muitos assuntos, o que é possível de se perceber comparando os temas e a forma como analisamos. Mas jamais soube de qualquer coisa que desabonasse a sua conduta profissional. Soares sempre tratou das pautas que levanta de forma séria. Nos textos opinativos - apesar de duro, incisivo e com pontos de divergência em relação ao que eu penso - exerce da honestidade intelectual e da clareza ao expor sua visão. 

Isto, evidentemente, pode incomodar e incitar visões opostas. Ora, que estas sejam expostas também. Nada como um bom confronto de ideias e o ministro tem todo o direito a exercê-lo, mas não de acusar, atribuindo a um texto que o incomodou uma “ação paga”. 

Se isto vira regra, todo jornalista que passar a criticar um homem público (e criticar um ato é diferente de atacar a honra de quem quer que seja) - seja por qual motivo for - passa a ser visto como alguém a soldo. 

Lembro das inúmeras vezes em que já fui acusado disso (por outras pessoas), simplesmente por achar que deveria escrever o que era necessário de ser escrito. Neste ponto, um ataque deste a um jornalista - sem a apresentação das provas - é um ataque a todos, ainda mais quando em um ambiente público, com pessoas que acompanharam tal declaração. 

Ressalto apenas que: discordar de um jornalista também é DIREITO de qualquer político ou homem-público, mas isso também não o habilita para sair atacando por aí a honra alheia de quem o criticou enquanto homem público que é. 

Já elogiei Marx Beltrão e não retiro os elogios que fiz. Ele tem sido ágil em muitas ações no Ministério do Turismo e buscado parcerias inteligentes que espero que tenham resultados. Concordo com o foco de Beltrão de tornar o turismo interno mais barato, de buscar melhor aproximação com o trade e de entender que é uma indústria limpa, que gera muitos empregos e tem peso relevante para Alagoas. Muitos pronunciamentos do ministro, nesse sentido, estão corretíssimos. Mas não é por tê-lo elogiado, que ache que está acima de críticas ou cobranças. Não, não está. Neste caso, errou feio! 

E no caso em tela, é natural que - diante dos fatos - um jornalista busque saber sobre o subordinado do político. Nesse texto em específico Davi Soares foi prudente e destaco novamente os pontos: 1) quando avisa que “tal contexto está longe de levantar qualquer suspeita de envolvimento de Marx Beltrão nos esquemas investigados pela PF” e 2) quando reproduz na íntegra a explicação do Ministério. 

Concordo com o Ministério do Turismo, quando diz (em outras palavras) que para o bem de algumas políticas públicas - se não há nada que desabone um quadro técnico - é melhor optar-se pela continuidade caso tal política seja importante e bem posta, ainda mais no contexto de mudança de governo que tivemos. Mas isso não retira a necessidade de questionar sobre a nomeação diante da investigação da Polícia Federal. 

Repito: não há na matéria em questão qualquer coisa que desabone a honra de Marx Beltrão, mas um questionamento a um homem público sobre os procedimentos para o preenchimento dos quadros do ministério. Logo, vejo uma ação de Beltrão na Justiça como infundada. O próprio ministro que atraiu para si uma polêmica desnecessária, quando bastava a explicação dos fatos - ainda que de forma dura e incisiva e mostrando discordância com Davi Soares - atestando o não envolvimento dele com o caso, o que foi dito pelo próprio texto publicado. 

Mais calma, ministro! E desde já adianto a Beltrão - que já recebeu elogios públicos de minha parte - sequer consultei Davi Soares pelo que aqui escrevo; e não defendo o jornalista por “corporativismo”, sendo eu também um jornalista. Odeio corporativismos. Defendo sim por achar que a matéria dele, nesse caso, foi cabível e não há agressão alguma. Se há erro na informação divulgada, ministro, aponte o erro. 

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Em tom de brincadeira, Rui diz que só decide se é candidato, após Vilela confirmar candidatura ao Senado

Foto: Bruno Levy/Cada Minuto 7877d55c b28e 4b45 ad2e 06666987e71c Prefeito Rui Palmeira

Em entrevista ao jornal Painel Alagoas, o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB) destacou que - no que depender dele - tanto o senador Renan Calheiros (PMDB) quanto o governador Renan Filho (PMDB) não terão vida fácil em 2018, pois o grupo liderado pelo chefe do Executivo municipal vai se articular para fortalecer a oposição. 

Rui Palmeira pontua: “Os Calheiros terão oposição na eleição de 2018”. “Não há sentido haver um grupo único nessa disputa. Vamos estar na oposição”, complementou. Porém, Rui Palmeira segue sem adiantar se o candidato a disputar o governo do Estado será ele ou não. 

Ele destacou que a legenda tucana tem quadros para isso, incluindo o próprio ex-governador Teotonio Vilela Filho na lista. Todavia, Vilela é muito claro: só será candidato ao Senado Federal. Não há outra possibilidade. 

O que Rui Palmeira promete é estar 100% comprometido com o processo eleitoral dentro desse grupo de oposição que reúne ainda o senador Benedito de Lira (PP) e o ministro dos Transportes, Maurício Quintella Lessa (PR). Agora, é possível perceber - nas entrelinhas - que quanto mais o calendário anda, mas o prefeito se “solta nas declarações”. 

Segundo as pessoas mais próximas de Rui Palmeira, o tucano que comanda os destinos de Maceió tem começado a levar mais a sério e possibilidade de candidatura e já tem se reunido com presidentes de outras legendas aliadas para traçar planos, ouvir o que acham, conversar sobre sugestões, inclusive recomposição de governo para novas alianças já visando o ano de 2018. Entretanto, os aliados de Palmeira também frisam que Rui quer fazer isso sem descuidar da administração municipal. 

Na entrevista concedida à jornalista Eliane Aquino, no Painel Alagoas, Rui Palmeira brincou ao ser indagado sobre a candidatura ao governo. “Costumo perguntar ao Téo (Teotonio Vilela Filho) quando ele pretende decidir se disputará ou não o Senado Federal. Ele me responde que em seu aniversário (29 de janeiro), e me devolve a pergunta. Aí eu respondo, em tom de brincadeira, que decidirei 48 horas depois dele. É que para mim, o foco agora não é eleitoral. A minha prioridade continua sendo a gestão de Maceió”. 

Se esta é a versão de Rui Palmeira para a imprensa, nos bastidores não é bem assim. As reuniões tem acontecido, as pesquisas eleitorais estão sendo avaliadas e o prefeito tem cobrado dos aliados mais proximidade. O tucano busca montar o cenário favorável. Agora, é verdade que não quer descuidar dos feitos que puderem ter êxito nessa gestão. Afinal, a Prefeitura de Maceió será - caso se consolide a sua candidatura - seu maior cabo eleitoral. 
 

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Thaise Guedes foi indiciada, mas são 12 deputados estaduais na mira da PF

Foto: Assessoria/Arquivo 0e5e8f39 7bab 4882 8abc f2c2d3e8d4b8 Deputada Thaise Guedes

Que beleza: pelo menos 13 deputados estaduais - um deles já indiciados e com nome divulgado: Thaise Guedes (PMDB) - são suspeitos de participação em um esquema que resultou no desvio de dinheiro da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas entre os anos de 2010 e 2013! Claro, os parlamentares merecem todo o direito a se defenderem. 

É o que está posto em uma matéria do CadaMinuto e tenho alguns comentários. 

Logo, diante dessa notícia preciso tocar em alguns pontos:

De acordo com a superintendência da Polícia Federal de Alagoas, Guedes pode ser responsabilizada pelo desvio de R$ 220 mil pagos a “servidores fantasmas”. Mais uma vez o termo “fantasmas” e “Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas” aparecem no mesmo contexto de denúncia. 

Já apareceram quando tivemos a “lista de ouro” que foi denunciada pelo deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB), que na época era parlamentar estadual; e em um passado mais distante: a Operação Taturana, quando se tinha a Folha 108. Por isso, em vários momentos, ao comentar sobre a recém auditoria feita na folha da Casa de Tavares Bastos afirmei que era importante auditar os comissionados também. 

Um outro ponto é que - em diversos textos no passado - chamei atenção para a importância dos deputados estaduais publicarem em Diário Oficial (e a Casa poderia ter feito isso), os comissionados por gabinetes. Apenas os parlamentares Galba Novaes (PMDB), Rodrigo Cunha (PSDB) e Bruno Toledo (PSDB) fizeram isso. 

E eis que agora, a Polícia Federal constata que uma das servidores lotadas no gabinete de Thaise Guedes teria recebido R$ 140 mil de salário em três meses. Exatamente isso: R$ 40 mil em três meses. Assusta o fato da Polícia Federal colocar - e isto precisa de destaque - que não é um caso único, pois há 12 outros deputados estaduais que estão na mira. Que as investigações sejam céleres para que tenhamos rapidamente conhecimento de quem são os demais deputados estaduais. 

Guedes vai responder pelo crime de peculato e há suspeitas até de uso do programa Bolsa Família. 

Se você acha que não tem ligações entre esses pontos, é só observar que os fantasmas dessa Casa Assombrada que virou o Legislativo sempre estiveram em xeque nas mais recentes investigações envolvendo o parlamento estadual, mas nunca se teve a preocupação necessária - por parte de todas as Mesas Diretoras - de sanar a questão. No máximo, o parlamento responde com uma auditoria na folha dos ativos, que possuía sim problemas, como vimos. No entanto, nunca foi a grande preocupação. 

A lista de ouro, a Folha 108, o pagamento de mimos e outros pontos denunciados pela Operação Taturana e outras investigações nunca tiveram como foco os efetivos, apesar de problemas ali também existirem e alguns por questões administrativas e por ausência de transparência. O problema mais grave - nesse caso - é a suspeita de enxerto na folha de pagamento. 

Muito longe da “arte” que sempre foi posta em investigação: a possibilidade do escoamento de dinheiro fácil de dentro dos gabinetes. Mais uma vez essa questão aparece, que agora tenha início, meio e fim. Quem for inocente, seja inocentado. Quem for podre, que se quebre. 

Que toda a carga não seja sobre Thaise Guedes quando se fala na possibilidade de mais gente envolvida...e claro, se ela tiver culpa no cartório, que pague, mas que tenha o direito à defesa. 

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Uma vitória de Bene Barbosa que representa a vitória do debate sério!

Foto: Divulgação/Arquivo 857141f5 e611 4077 a2f6 98274420e2be Bene Barbosa

Sou um amigo do escritor e especialista em segurança pública, o bacharel em Direito, Bene Barbosa. É uma amizade que muito me honra e não escondo isso de ninguém, mas não é por isso que faço esse texto. 

Em que pese eu e Barbosa termos bandeiras em comuns (entre elas a defesa do cidadão ter o direito ao acesso às armas de fogo dentro de uma legislação de critérios objetivos) na recente decisão jurídica, diante de um processo injusto que Bene Barbosa enfrentou, há mais que simplesmente a vitória de quem defendeu a sua visão, há - sobretudo - a reafirmação da garantia da liberdade de expressão em um país onde alguns tentam sufocar um lado de um debate simplesmente por não gostarem de vozes discordantes ou a repercussão que surgiu após serem expostos.

“Habemus democracia” 

Os que querem impor uma hegemonia com base em slogans fáceis e maniqueísmos estão com os dias contados nesse país, pois sempre acabam por pegar pela frente pessoas que não os temem, que não mais se amedrontam diante de xingamentos terminados em “istas”; e outras estratégias de assassinato de reputações ou meras exposições ideológicas dos velhos chavões já conhecidos. Não ganham mais às ruas no grito, apesar de ainda dominarem muitos “meios-culturais”.

A vitória de Bene Barbosa, no processo judicial que aqui falarei, é a vitória do indivíduo, do cidadão, daquele que briga pelas próprias liberdades contra um Estado excessivamente coercitivo dominado pelo pensamento dos “engenheiros-sociais” que querem tratar o povo como se uma babá fosse, com os projetos de gabinete para dizer como você deve pensar, o que deve fazer e o que deve escolher. 

Do outro lado não estava o Estado, mas alguém que pensa em conformidade com essa “engenharia-social”, pelo menos no quesito “uso das armas de fogo”. 

É que faz parte dessa “engenharia-social” o desarmamento civil, que simplesmente retira o direito do cidadão que quer cumprir a lei para ter acesso às armas de fogo, mas é ineficiente em desarmar bandidos (pois esses já não cumprem lei mesmo, por mais surpreendente que seja afirmar o óbvio é preciso ser dito) e, ao mesmo tempo, delega ao Estado o monopólio das armas de fogo. 

O perigo do monopólio nas mãos de um Estado já vimos na História e há outros textos - meus e do próprio Bene Barbosa - em que mostra como isso é “porta aberta” para o totalitarismo. 

Todavia, quando os engenheiros-sociais são confrontados com dados, com argumentos sólidos que apontam para o outro lado de uma discussão, surgem as intimidações. Desde a tentativa de transformar o oponente em um “espantalho” a colar nele a imagem de “fascista” (que não faz o menor sentido, já que defendemos menos Estado), até qualquer mínima brecha para se sentir “ofendidinho” e assim processar o outro na busca por calá-lo, diante do que é uma divergência permitida na democracia. São os tolerantes que não gostam de serem confrontados! Quanta tolerância, não é mesmo?

Por este pequeno resumo, digo sem medo de errar: a vitória de Bene Barbosa é uma lição para que não nos intimidemos na defesa de nossas liberdades individuais. 

Vamos a fato: 

Em 2015, Bene Barbosa participou de um debate, como defensor do armamento civil no Brasil, no evento IV Saiba Direito: Desarmamento em Debate, que foi registrado em vídeo. 

O evento, extremamente democrático, propiciou os dois lados da discussão. Ambos, Bene Barbosa e o outro debatedor que defendia o desarmamento, Luciano do Nascimento Silva, tiveram igual tempo de fala. Como natural de um debate, houve ironias de parte a parte, provocações de parte a parte, enfim…tudo aquilo que faz parte de um confronto de ideias.

Mas, Luciano do Nascimento Silva - ainda que em alguns momentos tenha até tentado “colar” em Bene Barbosa coisas que Bene Barbosa não disse - foi quem se sentiu ofendido e resolveu entrar na Justiça. Bem, recorrer à Justiça é até direito dele. No entanto, se há juízes em Berlim, há juízes aqui. 

E a decisão foi o óbvio, ao reclamar de seu direito de imagem, Luciano do Nascimento Silva ouviu o seguinte da Justiça: “verifica-se que não se trata de uma publicação inverídica ou caluniosa, uma vez que o requerente não as afasta por completo, ou seja, não nega o que foi dito ali descrito naquele momento. Logo, o que se percebe no caso concreto é que se tratam de meros aborrecimentos decorrentes de posicionamento e ideologias opostos”. Sem mais! 

Uma sentença que mostra que ainda é possível discordar das visões estatistas nesse país. Que ainda é possível - em um debate - defender maior liberdade individual e propagar essa ideia, ainda que cause “meros aborrecimentos” em quem causar. 

Essa decisão não é apenas sobre Bene Barbosa, mas sobre verdadeiramente o que é liberdade de pensamento, liberdade de expressão, confronto de ideias, o bom combate a ser travado e expõe até onde vai a tolerância dos que se titulam os tolerantes e cheios de amor a dar. 

Processar alguém por se expor em um debate no qual se esteve por livre e espontânea vontade, mas apenas não se ouviu o que queria ou não se teve a repercussão imaginada…é verdadeiramente uma piada! 

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Marx Beltrão evita rota de colisão com Renan Calheiros em declarações

Foto: Ascom 4cd25b71 499e 446c 9d1c a4b24420ea9f Foto: Marx Beltrão

O ministro do Turismo, Marx Beltrão (PMDB) não esconde o desejo de ser candidato ao Senado Federal em 2018. Dentro do partido, Beltrão disputará a vaga - caso se consolide como candidato - ao lado do senador Renan Calheiros (PMDB). 

Renan - por sinal - é a prioridade do PMDB. Ele e o governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), que buscará a reeleição. Então, Beltrão terá que correr por fora na busca de ser candidato. O ministro tem feito isso, inclusive no diálogo com lideranças políticas que são oposição aos Calheiros em Alagoas. 

A candidatura de Marx Beltrão dentro do PMDB é vista como incômodo; como um “fogo amigo”. Mas a legenda já se comprometeu a garantir espaços para Beltrão temendo que ele mudasse de partido. É que o ministro tem forte influência e poder de comando sobre outros partidos em Alagoas. 

Então, acaba sendo melhor para o PMDB aceitar Marx Beltrão…pelo menos até aqui! 

Outro ponto é que Marx Beltrão é o peemedebista alagoano de maior posição contrária ao senador Renan Calheiros. Se de um lado, Renan Calheiros é um ferrenho opositor do presidente Michel Temer (PMDB); Beltrão - por fazer parte do governo - é um apoiador do chefe da República. Isto pode ter implicações em 2018. 

Mas, em Alagoas, o ministro optou pela cautela na hora de defender Temer das acusações de Renan Calheiros e evitou bater de frente com o peemedebista-mor da Terra dos Marechais.  

Indagado sobre as posições do senador alagoano em relação ao presidente da República, Marx optou por ser enfático: “cada um é responsável por aquilo que diz”. 

Muitas vezes, há também a responsabilidade da estratégia naquilo que não se diz e busca minimizar. Beltrão - desde o início do ano - tem mostrado que sabe muito bem jogar o xadrez e que será um forte candidato no pleito. 

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Se hoje o Congresso é a 25 de março, qual comparação para quando Renan ajudou a rasgar a Constituição?

Foto: Reprodução / Facebook 006b9fd4 56ec 42c5 805f e2f771633f53 Renan Calheiros

O senador Renan Calheiros (PMDB) acusou o presidente da República, Michel Temer (PMDB) de usar do “toma lá da cá”, na discussão da portaria do Ministério do Trabalho que modifica as regras para fiscalização do trabalho escravo. De acordo com Calheiros, houve uma contrapartida do presidente em troca do voto da bancada ruralista. 

Todas as vezes em que o nosso presidencialismo de coalização é acusado de barganhas com o Congresso Nacional em favor dos interesses do Executivo, por forca do que já vi na História, eu tendo a acreditar e a desconfiar de todos. 

É bem possível que Renan Calheiros tenha razão. 

Todavia, o engraçado é o experiente senador Renan Calheiros - com seus inúmeros tentáculos em Brasília e mestre do xadrez político - achar que isso é novidade. 

Em um país de mensalões e petrolões, o “toma lá, da cá” que faz do Congresso Nacional uma feira de cargos ao ar livre não é novidade. Eis uma das razões pelas quais defendo o parlamentarismo. Não porque seja perfeito, já que nenhum sistema político é perfeito, mas daria - a meu ver - mais cara de República à República das Bananas. 

Naquela época, entretanto, quando os governos eram petistas não se viu a comparação tão forte de Renan Calheiros, chamando o Congresso de “Rua 25 de Março”, numa referência ao comércio popular de São Paulo. Por sinal, a maioria dos trabalhadores honestos daquela região não merecia tal comparação. São pequenos empreendedores - em sua grande maioria - que buscam o seu sustento sem depender de favores estatais. Muito pelo contrário, já que os que andam na linha encontram todas as dificuldades do mundo para empreender. 

Chamar o Congresso atual de Rua 25 de Março é uma agressão à Rua 25 de Março. Vale a hashtag- em tempos de internet - #SomosTodos25deMarço. 

Mas se hoje, temos negociações que merecem ser adjetivadas por Renan Calheiros, como chamaríamos o recente processo de impeachment em que uma negociação, envolvendo Renan Calheiros (que era o presidente do Senado na época), brindou a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) com seus direitos políticos após perder o mandato? Ali, a Constituição Federal foi desmembrada. Não houve negociação? Foi puro convencimento?

A política nesse país não é para os fracos! 

Renan Calheiros está coberto de razão quando diz que por conta de negociatas “a sociedade brasileira, a cada dia, perde o respeito pelo Legislativo”. Eis aí uma das razões pela qual a Operação Lava Jato tem tanto apoio popular, pois são momentos que se repetem na história recente independente do presidente no poder e com foco na manutenção de um estamento, o que muda são aliados e opositores, mas nunca discursos. São sempre os mesmos 50 tons de cinza. 

Acerta Renan quando fala que isso passa pelo troca-troca de membros dos partidos na Comissão de Constituição e Justiça, ou nas negociações pela liberação de emendas e por aí vai. Só esquece Renan Calheiros que a fórmula é antiga. Não foi inventada por Michel Temer e chegou a ser institucionalizada pelos ex-presidentes Lula e Dilma; ou ninguém lembra das construções de alianças do lulopetismo?

Ah, Renan Calheiros também tem razão quando diz, mesmo após a comparação, que o Brasil não é a 25 de Março. Tem razão! Antes o Brasil fosse uma 25 de Março em que as negociações ocorrem a luz do dia, as pessoas pagam pelo que veem e levam o que compram, não há politicagem alguma nem vantagens e desvantagens numa democracia em que o poder emana do povo, mas contra ele será exercido. 

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Flimar vai homenagear Tavares Bastos! Excelente notícia!

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Acabo de ler um release sobre a 8ª Edição da Festa Literária de Marechal Deodoro (Flimar 2017). Acompanho o evento desde edições passadas e acho importantíssimo - mesmo quando discordo aqui e ali de algum palestrante - que festivais assim ocorram em Alagoas, sobretudo no interior do Estado. 

Todavia, esse ano, fiquei bem mais emocionado com o anúncio que nos demais. Motivo: saber que Aureliano Cândido Tavares Bastos será homenageado. Já fiz diversos textos sobre Tavares Bastos e, quem me acompanha, sabe que não é segredo que sou fã desse autor. 

Um dos textos, inclusive, foi elogiando a Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas pela reedição da obra A Província. Um livro fundamental aos dias atuais, que discute o descentralismo e o federalismo da União e aponta os caminhos do desenvolvimento. Respeitando o contexto histórico em que Tavares Bastos escreveu, o livro traz lições importantíssimas. 

A visão liberal de Tavares Bastos era madura, mesmo ele sendo tão jovem. Não se trata apenas de A Província, mas também de Cartas do Solitário, dentre outros escritos que, infelizmente, sumiram das prateleiras das livrarias. Que a homenagem promovida pela Flimar sirva para que os agentes culturais desse Estado encampem um projeto de reedição de seus livros. Sirva para que suas ideias circulem nas escolas. Por sinal, seria uma ótima que o Fale, Educação promovesse uma palestra na rede estadual sobre Tavares Bastos. 

Precisamos resgatar Tavares Bastos. Não é justo que ele seja lembrado apenas como aquele que dá nome a Casa de Tavares Bastos. A escola da Prefeitura de Marechal Deodoro merece aplausos, bem como os patrocinadores que compraram a ideia.  

A outra homenagem é a Nelson da Rabeca e também é justíssima. Não quero dar a impressão que não notei isso. Claro que notei. Apenas me detenho a Tavares Bastos por acreditar que Alagoas foi injusta com um dos mais brilhantes intelectuais de nosso tempo. Não digo apenas mais brilhante de Alagoas, não digo apenas mais brilhante do Brasil, digo do mundo! Sem exagero. 

A obra de Tavares Bastos pode ser colocada em pé de igualdade com os textos políticos de Thomas Paine e Edmund Burke, por exemplo, apesar das temáticas e objetos de estudo diferenciadas. Mas como os dois, Bastos tem um quê visionário capaz de enxergar o mundo adiante, dando conselhos para gerações futuras e dominando a Língua pátria de forma exemplar. Sou grato a meu pai que me apresentou a obra de Bastos e desde então, nunca larguei e passei a ler e reler em diversos momentos. 

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As declarações de Carimbão também cairiam como luva no governo anterior

Agência Câmara/Arquivo Cce96772 be1a 469c a3af edb410ba3cfd Deputado Givaldo Carimbão

Precisamos falar sobre o deputado federal Givaldo Carimbão (PHS) e suas mais recentes declarações. O parlamentar tem todo o direito de querer ver o presidente Michel Temer (PMDB) investigado  pelas denúncias que foram feitas contra ele. Eu também gostaria. 

Há tempos que digo nesse blog que Temer é parte do estamento que tomou conta da República e em que pese achar que acertou em alguns momentos, como na PEC do Teto dos Gastos, não vejo tais acertos como “salvo-conduto”. O PMDB sempre foi parte do problema. Nunca a solução. 

Porém, o deputado federal Carimbão pegou a via do discurso demagógico e fácil que, dentre as muitas funções, tem uma deplorável: “jogar para galera”. 

Ao falar sobre as razões pelas quais votaria a favor da investigação contra o presidente Michel Temer (PMDB), Carimbão “lacrou” afirmando que “deixar Temer no poder é exterminar os pobres”. 

Onde Carimbão estava nos últimos anos do governo de Dilma Rousseff (PT) nesse país? Por acaso não mais se lembra da escalada da inflação, do desemprego crescente, da falta de perspectiva na economia dentre outra série de fatores que prejudicava justamente o mais pobre, em função das mentidas erradas do governo? O corte no Fies em plena Pátria Educadora? Outros investimentos sociais também sofreram. Lembram? 

Carimbão ainda não entendeu que nesse estamento montado - do qual o PMDB faz e fez parte - “todo poder emana do povo, mas contra ele será exercido”, tratando a coisa pública como se privada fosse, aparelhando estatais, tornando o Estado cada vez mais gigante com apadrinhamentos políticos incompetentes que colocam em risco a estabilidade do país. Solução pra isso: uma delas é menos Estado e mais liberdade econômica. Já aí seriam menos padrinhos e menos apadrinhados.

Isto sem contar com o discurso relativista que aprofundou a miséria moral e intelectual que hoje vivemos, onde tudo é uma luta do “nós contra eles”. Eu não tenho o mínimo apreço pelo presidente Michel Temer, mas na recente democracia nada se compara a era de saúvas do lulopetismo. Bilhões que escorreram pelo ralo por meio de mensalão, petrolão, esquemas com aliados e distribuição farta de cargos em um verdadeiro estilo soviete. 

Mas, Carimbão vai além e diz que para esse governo só servem empresários que financiam para eles e para a patota deles. É mesmo, Carimbão? Qual governo que alimentou o clube das empreiteiras e permitiu roubar ao tempo em que roubava? Qual governo fez a política dos “campeões nacionais”, promovendo um “capitalismo de compadrios” com Eike Batista, Bumlai, Odebrecht, e outros, incluindo aí os nefastos irmãos da JBS e os empréstimos no BNDES (Por sinal, o BNDES merecia um capítulo a parte). Qual governo foi para os bancos um verdadeiro paraíso? Os números estão bem postos. 

Se há tais pecados venais na administração de Michel Temer, com o presidente recebendo corruptos na surdina, anteriormente não era diferente. Muito pelo contrário. No governo que o senhor Carimbão quis manter no poder havia tudo isso e muito mais, incluindo uma ideologia nefasta e secular que vai de encontro a fé pública que o deputado do PHS professa. Porém, Carimbão já deve ter abraçado a Teologia da Libertação com tal força que hoje seja um marxista-leninista-católico, ou tenha sido só alguém útil em determinados momentos sem observar nada disso.

Carimbão poderia ter externado motivos de sobra para votar favorável às investigações a Temer. Se deputado federal eu fosse (graças a Deus não sou!), também votaria para que Temer fosse investigado, mas para ver esse estamento esfacelado de vez, pois não confio no PMDB, muito menos em Temer. Há quem não concorde comigo. Paciência. Eu discordo de Carimbão e digo o porquê. 

O parlamentar ainda diz não vender a própria consciência. Que bom e que assim seja. Espero que não esteja em jogo também seus valores católicos e repense que apoiou um governo que apoiava o aborto, ditaduras como a da Venezuela, a ideologia de gênero, pautas que não casam com quem tem uma visão apoiada na transcendência e nas crenças do catolicismo. É contraditório! 

Para Carimbão, há quem queira salvar Temer por um jogo de cargos. Eu não duvido disso. Creio até que o parlamentar tem razão. Mas, essa negociação, no presidencialismo brasileiro, sempre existiu para formar as coalizações. Por vezes, governabilidade no Brasil vira sinônimo de prostituição e não é de hoje. Basta pesquisar pelas ações do ex-presidente Lula (PT) nas vésperas do impeachment ou o “toma lá da cá” do mensalão. 

Ao mesmo tempo, é válido lembrar que as composições políticas que envolve cargos não são todas ilegítimas. Assim o fosse, Carimbão poderia ser questionado pela Secretaria de Prevenção à Violência no governo de Renan Filho (PMDB), não é mesmo? É que existem também composições em torno de projeto e para firmar aliados de maneira legítima. Sempre vai existir isso no jogo político. 

Se há quem aceita cargo para roubar, que surjam os nomes. Dizer que nesse atual governo “quando se discute cargo é para dizer o seguinte: ali você tem um manto para roubar…Essa é a grande verdade” é acusar de forma genérica e colocar todo mundo sob suspeita em função dos cargos que ocupa. Além disso, será que essa mesma frase de Carimbão não faria sentido no antigo governo que ele quis que permanecesse? 

As acusações genéricas são terríveis. Tanto é assim que o próprio Carimbão se colocou como exceção, ao falar que indiciou cargos, mas não nada que desabone em sua conduta. Carimbão ainda diz que o atual “queria tomar o poder e montar uma quadrilha”. É isto que o Ministério Público Federal afirma do governo passado, vejam só! Talvez a suspeição permaneça em função de ser o mesmo estamento. 

Em resumo, se as falas de Carimbão fossem sobre o governo passado, elas também se encaixariam perfeitamente. A diferença é que lá, ele era um aliado. 

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Rui aceita convite de Vilela para comandar PSDB, mas evita falar em candidatura

Foto: Secom 035495d4 d431 441a 82e3 6c4fb483a705 Rui Palmeira

Em entrevista à Tribuna Independente (em boa matéria do jornalista Carlos Amaral), o prefeito Rui Palmeira (PSDB) comenta sobre a conversa que teve com o ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), no dia 13 de outubro. 

No diálogo, Vilela comunicou a Rui que passaria o bastão do PSDB - no próximo dia 11 - para o prefeito de Maceió. Logo, Rui Palmeira quem comandará os destinos da legenda em 2018. Com isso, martelo batido: o prefeito não deixará o “ninho tucano”, como já se especulava. 

Vilela também hipotecou apoio a Rui Palmeira em uma eventual disputa pelo governo do Estado de Alagoas. Mas quem espera que o prefeito saia da “zona de cautela” assumindo a posição de pré-candidato, não viu isso agora. 

Ainda que essa seja a intenção, ao assumir o comando da legenda tucana, Palmeira se mantém com o mesmo discurso, tentando ficar longe dos holofotes da imprensa quando o assunto é eleição, ainda que muito discuta isso nos bastidores. 

Rui Palmeira diz que seu compromisso é “fortalecer o PSDB e os aliados para o ano de 2018”. “A gente vai para essa missão sabendo que precisamos reforçar ainda mais o partido, e não só o PSDB, mas os que hoje estão conosco: PP, PROS, Democratas e PR”, frisa. Como já era de se esperar, já não conta mais com o PDT do deputado federal Ronaldo Lessa, que migou para o lado do governador Renan Filho (PMDB). 

O prefeito diz que a aliança terá nomes fortes para disputar governo e Senado. Todavia esquiva de confirmar que um dos nomes será o seu. Afirma que só decide sobre o assunto no início de 2018. 

Colocou ainda o seu grupo político como antagônico ao dos Calheiros e aproveitou - diante da saída do PDT - para confirmar que Daniel Melo permanecerá como secretário de Esportes, Lazer e Juventude por ser uma “escolha pessoal”. A questão é que Melo permanecerá no PDT de Lessa. 

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Nonô também parte para a pressão: “Quem estiver satisfeito com os Calheiros, mantém o governador. Quem não, muda”

Arquivo/Divulgação Ee1532cc 339e 4645 8faa 8306b4d0f558 Thomaz Nonô

A oposição (grupo de apoio do prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB) começa a endurecer o discurso em relação às eleições de 2018. Duas frentes: 1) pressão sobre Rui Palmeira para que ele adiante seus passos e assuma a possibilidade da disputa já como um pré-candidato; 2) as críticas ao governador Renan Filho (PMDB) e ao senador Renan Calheiros (PMDB). 

Isto não quer dizer que a situação também não faça o mesmo jogo em sentido inverso. Faz e há muito tempo. Em recente evento, Renan Filho endureceu o discurso nas críticas ao ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), ao comparar as duas gestões: a de agora com a do passado. 

Nesse tabuleiro de xadrez, o secretário municipal de Saúde e “comandante” do Democratas, José Thomaz Nonô não quer ficar de fora. Nonô estrutura uma candidatura no pleito e mira na disputa pelo Senado Federal. Aos mais próximos, tem dito que será candidato a aquilo que Rui Palmeira não for. Logo, há ainda a possibilidade de tentar disputar o Executivo estadual. 

Nas redes sociais, Nonô postou de forma enfática: “Quem estiver satisfeito com os Calheiros, mantém o governador. Quem não estiver, muda. Eu me inclino aos que querem mudar”. 

O secretário municipal diz que gostaria de ver uma eleição para o governo do Estado entre Renan Filho e Rui Palmeira. “São políticos da mesma geração, tiveram a vivência na Câmara Federal quando foram deputados, são absolutamente opostos na maneira de fazer política e de conduzir pessoal. Então, é uma bela oferta ao eleitorado alagoano”. Opinião de Nonô. 

Não vejo os grupos postos - apesar de opositores - como tão distantes quando se vai às raízes da política alagoana. Todavia, a tendência é polarizar conforme o calendário para as eleições se encurta. 

Já o “cabeça” do grupo - o prefeito de Maceió, Rui Palmeira - permanece em silêncio e com cautela. Palmeira não comentou, por exemplo, a decisão de Teotonio Vilela Filho de passar o bastão do comando do PSDB para ele. A decisão de Vilela gerou burburinhos na própria oposição e houve até uma manifestação pública (já exposta nesse blog) do deputado federal Arthur Lira (PP). 

Lira falou usando o pronome “nós”, o que dá a entender que externa o sentimento de um grupo. Se é assim ou não, aí é outra história. 

Coincidência a fala de Nonô nesse momento? Não acredito em coincidências assim na política alagoana. 

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