A nota de Adeílson Bezerra tenta mostrar um PRTB coeso após as brigas internas

Foto: A Notícia Ea7e76c3 37ee 439a 985b 41fcd30bbbc7 Presidente do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), em Alagoas, Adeilson Bezerra

Como fui um dos primeiros a tratar do tema aqui neste blog, trago para o leitor a nota oficial do presidente estadual do PRTB, Adeílson Bezerra, em que ele comenta as insatisfações internas do partido e faço algumas considerações sobre o dito.

É que as conversas internas aqui reveladas caíram como uma bomba dentro da legenda!

Antes disso, destaco: a nota de Bezerra faz referência ao que foi mostrado por este blog, quando vazaram conversas de pré-candidatos a deputado estadual no grupo de whatsapp do PRTB.

Alguns pré-candidatos se sentem insatisfeito com a entrada de nomes da legenda que possuem maior potencial eleitoral que estes. Além disto, reclamam da possibilidade de coligações com partidos como MDB e PTB, por estes possuírem pré-candidatos já detentores de mandato.

Um dos causadores das insatisfações é o ex-prefeito de Marechal Deodoro, Cristiano Matheus, que acabou sendo “banido” do grupo por decisão sumária de Adeílson Bezerra. Matheus – entretanto – segue no partido.

Eis a nota. Tomei conhecimento dela no blog do Edvaldo Júnior (Gazetaweb). Lá, o jornalista diz que a nota é fruto de conversas vazadas que foram mostradas por um “blog local”. O blog local é este aqui. Leiam o que diz de Bezerra:

“A direção executiva do PRTB em Alagoas vem a público para reiterar que o partido segue coeso e atento a todo o processo preparatório das eleições de 2018.

As definições sobre a formação das chapas serão tomadas na convenção, que será realizada dentro do período estabelecido na legislação eleitoral.

No entanto, só serão aceitos como candidatos os filiados do PRTB que mantiverem disciplina partidária e respeitarem os compromissos preestabelecidos no ato de filiação. Aqueles filiados que preferem disseminar a discórdia, prejudicando o interesse coletivo do grupo, serão excluídos do processo.

A definição das chapas proporcionais continuará, como tem sido até o momento, sendo discutida em reuniões quinzenais com os pré-candidatos, que poderão opinar na formação da chapa ou coligação.

Maceió, 4 de maio de 2018

Adeilson Bezerra

Presidente da Comissão Executiva Estadual do PRTB em Alagoas”

Comento:

Adeílson Bezerra diz, na nota, que o PRTB segue coeso. Não é o que se observa nos discursos de filiados como Dudu Albuquerque e outros que se encontram preocupados com as negociações em andamento.

Existem sim diálogos com o MDB e com o PTB.

A “cauda” formada pelos votos do PRTB é algo atraente a outros partidos que pretendem disputar cargos proporcionais e que possuem pré-candidatos com densidade eleitoral. É o caso do PTB do deputado estadual Antônio Albuquerque.

Este fato já havia sido comentado e se tornou notório a partir das conversas internas do grupo de pré-candidatos que vazaram. É verdade, entretanto, que as coligações serão feitas apenas dentro do período que a legislação eleitoral permite. Todavia, os diálogos se iniciam antes e Bezerra sabe disso, tanto que conduz o processo neste sentido. E é justamente isso que gera as insatisfações.

Sobre fidelidade ao partido e aos compromissos firmados, eis que é aí justamente onde está a discussão aberta. Alguns membros do PRTB afirmam que o acordo de não ter gente com mandato disputando dentro desse bloco é que foi quebrado, provocando uma desunião para quem apostava em uma igualdade de condições na disputa pelo mandato. É isto que hoje o PRTB tem que equacionar. Será a grande tarefa de Adeílson Bezerra.

Se Bezerra fala que há filiados querendo causar discórdia, é válido também frisar: nos trechos da conversa o único filiado nesse perfil era Cristiano Matheus.

Por fim, a situação do PRTB mostra um retrato comum às legendas pequenas espalhadas por esse país: sem uma linha programática definida, sem convicções claras do ponto de vista ideológico e/ou de valores, acabam sendo apenas espaços que existem em função da mais pura matemática eleitoreira. As discussões se resumem a isso. Logo, não é segredo porque no Brasil há tantos partidos que não representam nada além de tempo de televisão, equação eleitoral e fundo partidário.

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Candidatura de Cunha ao Senado não agrega oposição e pode trazer problemas para o PP

Ascom ALE/Arquivo 45ce22e4 13a0 49ca b146 4b9f381268a7 Deputado Rodrigo Cunha

A imprensa local já repercute a futura decisão a ser tomada pelo deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB) em relação ao cargo que vai disputar nas eleições de 2018. O parlamentar deixou vazar que já tomou uma posição: disputará uma candidatura majoritária. A dúvida agora é se será o Senado Federal ou o Governo do Estado.

Pelos bastidores, a informação é de que Cunha já optou por disputar o Senado Federal e aguarda o retorno do prefeito de Maceió e presidente do PSDB estadual, Rui Palmeira, para informar publicamente a sua decisão já com o apoio do ninho tucano.

Para Cunha, uma opção viável diante do quadro. É um nome que se soma ao jogo com capilaridade relevante e que – de fato – pode ameaçar projetos consolidados. Entre estes, o de Renan Calheiros (MDB), que busca sua reeleição. É um bom projeto pessoal e com chances.

Naturalmente, há de se construir um antagonismo entre Cunha e Calheiros.

Todavia, se Rodrigo Cunha for ao Senado Federal sua candidatura não agregaria a oposição que ainda resta como agregaria uma candidatura ao Executivo.

É que, por ser eleição majoritária, da mesma forma como Cunha seria rival de Renan Calheiros, seria do senador Benedito de Lira (PP), já que dificilmente o deputado estadual compraria o discurso de dobradinha com o PP. Este é um ponto a ser levando em conta. Lira é um dos aliados dos tucanos.

Outro dado é que Cunha na disputa pelo Executivo favoreceria a construção das chapas proporcionais unindo várias forças ao redor de um único grupo, que sairia mais fortalecido, recuperando espaços perdidos quando Rui Palmeira desistiu de disputar o governo contra Renan Filho (MDB).

Por isso tantas apostas – inclusive do dirigente tucano Claudionor Araújo – para que Cunha dispute a cadeira de Renan Filho.

Inclusive, a candidatura de Cunha ao governo mudaria as estratégias de candidatos proporcionais para disputarem as vagas da Câmara de Deputados. Logo, a candidatura do tucano ao Senado Federal não agrega a oposição.

Ele se torna mais um no barco contando apenas com sua própria biografia. É semelhante ao que seria na disputa pela cadeira de deputado federal.

Vale ressaltar: tudo isso ocorre pela inabilidade de Rui Palmeira ao anunciar sua saída do jogo sem preparar o xadrez político, dialogando com os aliados. Palmeira assumiu o comando do PSDB e acabou sendo um “coveiro” das estratégias que o partido poderia ter no pleito.

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"Print amigo" mostra insatisfações no PRTB e "problema" com Cristiano Matheus

Foto: CadaMinuto/Arquivo 69467a3d 5745 43fc bc07 14836d6e3835 Cristiano Matheus, prefeito de Marechal Deodoro

O pequeno PRTB de Alagoas – liderado pelo advogado Adeílson Bezerra – encontrou uma fórmula para fazer cadeiras nos legislativo estadual e federal a cada processo eleitoral: aglutinar pessoas de pretensas densidades eleitorais semelhantes e, a partir daí, que elas disputem entre si para ocupar os espaços nos parlamentos.

É essa ideia que Bezerra tem “vendido” aos que ingressam no partido. Porém, há insatisfeitos na legenda, o que tem gerado conflitos internos, uma vez que os que chegaram primeiro correm o risco de ficar de fora das negociações para a composição de coligações.

Além disso, alguns candidatos fazem contas e alegam que o dirigente partidário acabou descumprindo o prometido, pois nomes como o do ex-prefeito de Marechal Deodoro, Cristhiano Matheus seria forte do que alguns outros, tendo vantagem na corrida eleitoral e se aproveitando da densidade dos demais.

Esta discussão – externando insatisfações – se deu até no grupo de Whatsapp dos pré-candidatos do partido e envolveu o próprio Matheus. O ex-prefeito acabou sendo removido do grupo pelo próprio Adeílson Bezerra para não causar discórdias.

Por conta das confusões em uma casa cheia, há quem diga – nos bastidores – que alguns dos nomes que seriam apostas no PRTB podem acabar desistindo de suas candidaturas para não virarem escada para outros postulantes tidos como mais fortes.

No grupo, Matheus disse que “se elege quem tem voto” para responder as críticas e ainda defendeu candidaturas de Marcos Barbosa, Antônio Albuquerque e outros, seja por meio de coligações ou da própria legenda.

Os nomes citados acabaram por desagradar a turma.

Um dos membros se referiu a Adeílson Bezerra destacando o seguinte: “Não acredito que o presidente, mais uma vez, vai fazer às escuras mais alguma novidade. Primeiro foi a questão da filiação sem o grupo acatar e agora a coligação (com o MDB) seria um golpe baixo. Quero acreditar no presidente e dar uma chance a ele para mostrar que nosso partido é independente”.

Matheus defende um chapão com o MDB e outros partidos, por isso os nomes citados por ele. “Sou defensor do chapão”, colocou o ex-prefeito.

Outro nome responde: “Eu estava pensando que com os meus 10 mil votos, eu ficaria numa boa suplência, aí a Flávia, Breno, Bruno e mais uns dois virariam prefeitos, aí sobraria dois anos para o líder aqui. Com essa ideia do Cristiano, com meus 10 mil votos, vou ser o último suplente”.

Dudu Albuquerque também bate de frente com Cristiano Matheus na legenda. “Quem decide a coligação somos nós”, arrematou. “O clima entre a gente deve ser de ânimo de amigos, quem deve estar incomodado são os deputados com mandato porque nosso grupo ficou bom e não tem partido que dispute melhor que o nosso”, conclui Dudu Albuquerque.

Matheus ironiza ao afirmar que essa era a conversa e que inclusive não entraria no partido algumas figuras como ele, que acabaram entrando. Dudu Albuquerque diz que não aceita aliança com Marcos Barbosa e “nem coligação que tenha deputado com mandato”.

O ex-prefeito de Marechal Deodoro – na sequência – ainda revela que o grupo não queria a candidatura de Fátima Canuto e de Jairzinho Lira pelo PRTB. Com isso, conclui: “Se ficar p... é pior”.

Até o deputado estadual Bruno Loureiro se mete na história e faz críticas a Matheus.

O clima fez com que Adeílson Bezerra tivesse que remover Cristiano Matheus da conversa. “Senhores (as), esse grupo foi criado para fomentar a união entre todos e não provocar discórdia. Somos alvo de fogo amigo e inimigo a todo instante. Que fique claro: quem define coligação são vocês”. Segundo Bezerra, o partido pode eleger seis deputados estaduais e pelo menos um deputado federal. Ele chamou esse projeto de “cláusula pétrea” da legenda.

O fato é que há insatisfações com diversos nomes, como o de Matheus, o de Fátima Canuto, dentre outros. Isso pode acabar gerando desistências no PRTB, conforme fontes.

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Quintella conta com a ajuda de Calheiros para “derrubar” Benedito de Lira

Agência Brasil Dabbda03 917a 4fb9 93cf bdda57fdb6d1 Renan e Quintella, pré-campanha para o Senado

O ex-ministro e deputado federal Maurício Quintella Lessa (PR) traça sua estratégia para o Senado Federal. Com bom trânsito tanto na Prefeitura Municipal de Maceió quanto no Palácio República dos Palmares, Quintella ainda tenta trazer aliados do PSDB para dentro do grupo do governador Renan Filho (MDB).

Em contrapartida, ainda que tenham discursos diferentes, conta com a ajuda do senador Renan Calheiros (MDB) para buscar votos e alianças nos redutos eleitorais do senador Benedito de Lira (PP), dificultando o projeto de reeleição dos pepistas.

A dobradinha entre Renan Calheiros e Maurício Quintella Lessa está a pleno vapor. Nos municípios em que Renan Calheiros é o “primeiro voto” dos prefeitos, o emedebista tem cobrado que o segundo voto seja de Maurício Quintella. Nos espaços onde o governo do Estado pode pressionar prefeitos, se luta pelos dois votos em Quintella e Calheiros. É o peso da máquina.

Benedito de Lira tem alianças com muitos prefeitos, mas pode acabar perdendo espaços. O PP – ainda em um grupo que não tem cabeça para disputar majoritária – tem que estruturar duas eleições: a do senador Benedito de Lira e a do deputado federal Arthur Lira. Para isso, os “Liras” assumiram a condição de protagonistas do processo diante da ausência de uma majoritária.

Como disse anteriormente, não querem mais esperar pelo que vai acontecer no ninho tucano com a indefinição do deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB) ser ou não candidato ao governo. Os diálogos avançaram com o PROS e – como já dito na Coluna Labafero – até o PSB do deputado federal João Henrique Caldas, o JHC, pode ser chamado para a conversa.

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A análise da análise de Claudionor Araújo e o tempo de Rodrigo Cunha

Wadson Correia 1272559699dsc1202 Claudionor Araújo confirma conversas com outros partidos

O dirigente tucano Claudionor Araújo – como já relatado pela jornalista Vanessa Alencar em seu blog – também falou do “tempo” do deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB) para decidir se será ou não candidato ao governo do Estado.

Repito o que já disse ao analisar as falas do prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB): o tempo de Cunha é o tempo de Cunha e é legítimo que ele queira refletir sobre a proposta que lhe é feita para disputar o Executivo. A questão são os outros relógios do processo eleitoral. Cada partido tem o seu e não pode ficar refém de uma decisão tão importante às vésperas de uma eleição que é tiro curto.

Claudionor Araújo, mais do que ninguém, sabe como é política e negociações para composição de chapa. O candidato majoritário nunca é um candidato de si mesmo, mas sim de uma aglutinação de forças. Tanto é assim que, quando havia a indecisão de Rui Palmeira, o próprio Claudionor Araújo salientou o risco de Palmeira cair no ostracismo político em função do momento que se abria para ele.

Diante disso, Araújo sabe dos riscos que o ninho tucano sofre: perder a posição de protagonista do processo, como já tem perdido, e virar uma sigla nanica (em Alagoas) e sem forças para eleições futuras. Nada disso é culpa de Rodrigo Cunha, apesar dele poder ser um “salvador” dos tucanos em um processo eleitoral, independente do resultado deste pleito. Afinal, o parlamentar tem uma boa imagem e capilaridade que pode crescer durante o processo.

O problema são as condições que Rodrigo Cunha impõe (já tratei disto no blog em textos anteriores) e o fato dele ter uma eleição estruturada para a Câmara de Deputados. Simples assim. Diante disto, os demais partidos que compõem o que sobrou da oposição trabalham com outro relógio que visa salvar os seus na eleição proporcional, buscando se articular sem depender de uma majoritária, para eleger deputados estaduais e federais.

Negar isso é negar a realidade. Eu, particularmente, não acho a possibilidade de Rodrigo Cunha ser candidato ao governo impossível. Acho improvável. Em política tudo é possível. Agora, em uma análise, a fotografia do momento nos leva a probabilidades. Araújo também sabe disso. É experiente no processo.

E as probabilidades maiores são de uma articulação que envolva o senador Benedito de Lira (PP), o deputado federal Arthur Lira (PP), o deputado estadual Bruno Toledo (PROS) e o ex-secretário municipal José Thomaz Nonô (Democratas), cada um deles com seus interesses particulares (o que é legítimo) dentro da construção de um bloco que se encontra fora da chapa palaciana. Neste sentido, correm em uma velocidade maior que o tempo necessário para Cunha chegar a uma decisão.

Além disso, na decisão de Cunha pesa o seu projeto de ser candidato à Câmara de Deputados, no primeiro plano, e a Senado Federal em segundo plano.

Ninguém nega que Rodrigo Cunha seria um candidato forte ao Executivo. Tem inclusive um terreno imenso para crescer em pesquisas. Mas até isso inclui a necessidade de tempo para trabalhar seu nome. Ou não? Claudionor Araújo – se deixar as paixões tucanas de lado – precisa também levar isso em conta. Logo, querendo ou não, o PSDB corre contra o relógio. O que não quer dizer que maturar, por parte do deputado estadual tucano, não seja legítimo. Claro que é.

Ninguém diz isso por defender um “cenário de candidatura única e de vitória com “os pés nas costas”. Isso, como já disse aqui neste blog, é péssimo para a democracia. Mas se tem um culpado por esse cenário é o PSDB. Todo mundo confiou em Rui Palmeira. Ele tem o direito de não querer ser candidato, mas ao anunciar da forma como fez, sem alinhar com sua base e sem se portar como protagonista na busca por solução, ajudou a esfacelar o grupo. Tanto que o bloco perdeu o PR de Maurício Quintella Lessa logo de cara.

Gostem ou não dele, Quintella era um dos articuladores da oposição e hoje se encontra ao lado do senador Renan Calheiros e do governador Renan Filho – ambos do MDB – sem sequer perder espaços na Prefeitura de Maceió.

O recado que se passa com isso é que Rui Palmeira não está nem aí para o processo e que legendas outras podem aderir ao bonde calheirista sem precisar tirar o pé do barco da administração municipal de Maceió.

Portanto, negar que Renan Filho tem uma vantagem enorme nesse xadrez político é negar a realidade. Análises políticas não são motivas por paixões, mas por fatos. O fato é que – neste momento – a oposição está mais perdida que cego em tiroteio. Pode mudar? Claro que pode. Mas os principais caciques tucanos que poderiam interferir no processo deixaram os índios por conta própria.

Aglutinar novamente requer trabalho e Rodrigo Cunha não está disposto a ser candidato apenas para juntar a turma na Arca de Noé para, assim, tentar salvar todo mundo de um dilúvio provocado pelo PSDB.

Está certo Rodrigo Cunha. Ele tem sua própria trajetória e sua própria biografia. Será que Claudionor Araújo não sabe disso?

Não escondo que torço por uma oposição forte. Acho péssimo para uma democracia que não haja oposição, haja vista o que já acontece na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas diante da ausência de vozes críticas. Com exceção de Cunha e de Bruno Toledo, por exemplo, os demais deputados estaduais deram um cheque em branco para o governador Renan Filho remanejar o orçamento como queira em pleno ano eleitoral.

Houvesse oposição forte, Renan Filho teria mais dificuldades e o parlamento estadual não se comportaria como um apêndice do Executivo, tendo apenas como opositores dois deputados estaduais.

Concordo com Claudionor Araújo quando ele fala que é cada vez maior o desejo de renovação e de mudança na população, mas isso precisa ser construído. O nome de Rodrigo Cunha pode capitalizar esse sentimento? Pode! Mas o fará do dia para a noite? É difícil, mesmo diante da capilaridade eleitoral que já possui.

Sim, como diz Claudionor Araújo, tudo tem seu tempo. “Embora curto, mas tempo ainda há”. Eu concordo. Porém, assim como tudo tem seu tempo, todos possuem seu tempo também. Política é também – neste caso – a arte de casar relógios, oportunidades, necessidades, vontades e protagonismos.

Hoje, o PSDB parece carecer de tudo isso. Eis a razão da análise que fiz.

Nos bastidores, entretanto, surge uma nova informação: Rodrigo Cunha e Benedito de Lira seriam os dois candidatos ao Senado da oposição, Arthur Lira e Bruno Toledo seriam as mais fortes apostas para os cargos de deputado federal e na cabeça surgiria um terceiro nome para concorrer ao governo do Estado, sendo uma solução de improviso, que apenas sustente o grupo dentro de um “guarda-chuva”. Se isso se confirma, se confirmam as análises que tenho feito até aqui.

E por falar em tempo, ninguém teve mais tempo que o PSDB para avaliar todos os quadros. Mas tucanos são tucanos sempre...E quem compara a eleição de agora com a eleição em que Teotonio Vilela Filho (PSDB) enfrentou João Lyra (PSD) esquece de uma coisa: Lyra não tinha a máquina pública em suas mãos. Renan Filho tem um governo com algo concreto a ser mostrado. Vilela poderia não ter a maioria dos deputados estaduais e prefeitos, mas tinha o senador Renan Calheiros ao seu lado. E este senhor é um enxadrista que não pode ser desprezado.

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Rui Palmeira, o problema não é o tempo de Rodrigo Cunha, mas o tempo do processo eleitoral...

Foto: Bruno Levy/CadaMinuto 389d53c7 1b43 42e4 92ca aa65618b4130 Prefeito Rui Palmeira (PSDB)

O prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), destacou - em entrevista ao CadaMinuto - que o PSDB aguarda o tempo do deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB) para decidir se vai ou não concorrer ao Executivo estadual em oposição ao atual governador Renan Filho (MDB).

Palmeira destacou a existência da pressão, mas disse que os tucanos aguardam o tempo de Rodrigo Cunha para que sua decisão seja madura. O problema é que Rui Palmeira - como presidente do ninho tucano em Alagoas -parece desprezar que há um outro relógio no tabuleiro de xadrez que não apenas o roscofe rodriguiano. 

Trata-se do tempo do próprio processo eleitoral. Afinal, de tão maduro um fruto pode despencar do pé e não se tornar mais próprio a ser apresentado. E neste tempo, está o futuro do PSDB, que tem se esfacelado desde que Rui Palmeira anunciou que não era candidato ao governo do Estado de Alagoas.

Não pelo anúncio, mas por Rui Palmeira nunca ter se portado como um protagonista no processo eleitoral.  

De lá pra cá, o PSDB perdeu o protagonismo que tinha de forma natural. A maior prova disso é que o PR do deputado federal Maurício Quintella já tomou seu rumo. Quintella consolidou sua candidatura ao Senado Federal ao lado do senador Renan Calheiros (MDB) e do governador Renan Filho (MDB).

Independente das opiniões que se tenha sobre Quintella, foi uma perda considerável para a oposição, que - muito antes disso - já havia perdido o PDT. Tudo isso é tempo de televisão, capilaridade no processo eleitoral, dentre outros fatores. Quanto mais o PSDB e o que resta da oposição demora, mas o Palácio República dos Palmares - comandado por  Renan FIlho - é hegemônico no processo e coloca em risco até as candidaturas proporcionais da oposição.

É a razão pela qual o PSDB até pode querer esperar por Cunha, mas jamais os demais partidos esperarão. PROS e PP - do senador Benedito de Lira - estão em diálogo constante e articulam as proporcionais independente de quem vai estar na cabeça de um grupo, se é que terá cabeça. O Democratas vai ficando isolado com um único nome em jogo: o presidente da legenda e ex-secretário municipal José Thomaz Nonô. 

A "frieza" do PSDB de deixar tudo para os 45 minutos do segundo tempo rendeu o que rendeu nas eleições de 2014, por exemplo, quando o ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) deixou o Palácio República dos Palmares sem conseguir costurar uma candidatura eficaz. 

O homem que comandou o Estado durante oito anos se viu sem grupo ao final do mandato. Em 2016, o PSDB conseguiu vitórias importantes - Maceió e Arapiraca - mas acabou jogando isso pela janela, por conta dos relógios que cada tucano usa. 

Na Assembleia Legislativa, a bancada tucana se reduziu de 2014 para cá. O PSDB só perde espaços e forças em Alagoas. Tanto que Rodrigo Cunha não é cotado por ser tucano, mas por ser o único nome de expressividade, o que independe do partido. 

No mais, o próprio Cunha já colocou condições na mesa para ser candidato ao Executivo. Em entrevista à Tribuna Independente, disse que depende muito de quem vai estar ao seu lado no palanque. Sobre isso, Rui Palmeira nada tem a falar? 

Se Cunha já sabe o que pensa é porque suas convicções estão maduras e não vai trocar a eleição de deputado federal por um projeto aventureiro para dar suporte a outros nomes. As entrelinhas da entrevista de Rodrigo Cunha são claras.

Rui Palmeira, que tinha a obrigação de ser um articulador por ser presidente do PSDB, se revela um coveiro do partido. Não por ter deixado de ser candidato, mas por ser uma esfinge que só perde apoios e ninguém - nem os aliados - sabe exatamente o que ele pensa. O que resta então aos aliados que possuem as suas próprias vidas para definirem? Cada um por si, já que o PSDB parece ser contra todos. 

Sendo assim, o que está em jogo agora é como viabilizar candidaturas - na oposição - à Assembleia Legislativa e à Câmara de Deputados, além - evidentemente - da candidatura de Bnedito de Lira ao Senado Federal. Quanto ao comando do PSDB em Alagoas, resta colocar o iPod para funcionar ao som de Gilberto Gil: "Tá esperando na janela, ai, ai, ai...". 

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Câmara de Maceió: quando um parlamento fica preso a picuinhas...

Foto: Ascom CMM/Arquivo 4966bd8a 0427 43ee 8946 62f14c3c03db Plenário da Câmara de Maceió


Há muito que a Casa de Mário Guimarães deixa a dever naquilo que é sua função primordial: a fiscalização da e aplicação dos recursos públicos e um trabalho efetivo em relação a temas que são de fato preocupação do contribuinte. 

Com exceções, como por exemplo as audiências públicas, o que tem dominado na Câmara de Maceió são as picuinhas e/ou temas menores. 

Muitas vezes, como ocorreu no embate entre os vereadores Dudu Ronalsa (PSDB) e Ronaldo Luz (MDB), vai a plenário assuntos que poderiam ser resolvidos administrativamente, ou então indagações espalhafatosas que possuem como resposta o óbvio, como quando Luz indaga porque a bancada governista tem mais acesso ao Executivo do que a oposição. Ora, é uma correlação de forças. Isso é óbvio. 

Não é nem da política. É da condição humana. 

O que se viu no recente embate promovido por Ronaldo Luz é o despreparo da Casa. É lamentável que um poder público custe tanto ao bolso do contribuinte para entregar tão pouco no final das contas. Ronaldo Luz parecia um "menino chorão" cobrando a atenção dos pares que deixavam o plenário antes do encerramento da sessão, como se cada um não fosse ali responsável por suas próprias ações. 

Concordo que os edis deveriam ser mais presentes nas discussões qualitativas e no plenário. Mas, o que transpareceu foi uma crise de "ciúmes" de Ronaldo Luz por conta da atuação de Dudu Ronalsa por conta de atuações em redutos eleitorais, já que Ronalsa teria conseguido êxitos em requerimentos. E que sempre a Casa estaria vazia. Isso não é verdade.

Que a Casa, muitas vezes, é subserviente ao Executivo é real e eu mesmo já reclamei disso aqui. Mas isso é histórico. Não é de agora. Porém, não se pode fazer a ligação direta entre os requerimentos e o acesso às pastas do Executivo a esta subserviência; e é preciso entender que, em todo parlamento (e a Câmara não é exceção) sempre vai haver oposição e situação. Esta última sempre terá um diálogo mais fácil com o prefeito.

Resta saber o que um vereador em específico coloca na mesa das negociações para se ter essa abertura. Se se faz por uma mera troca de cargos ou favores, quem perde é a população. Se se faz por uma crença em um projeto, por questão partidária, mas sem o edil perder sua capacidade de trabalhar do ponto de vista da fiscalização e das cobranças, aí é algo legítimo do processo político. 

Porém, se este fato fosse isolado, seria uma discussão improdutiva dos edis. Todavia, o que se observa na Câmara de Maceió é um conjunto de discussões inúteis e projetos exdrúxulos que se avolumam. Repito: há exceções evidentemente e há momentos em que há produtividade. 

Mas vejamos: em um passado recente Silvânio Barbosa e Siderlane Mendonça - dois representantes do bairro do Benedito Bentes - envergonharam os moradores da região lavando roupa suja, da maneira mais baixa, em plenário. 

Foi uma sessão constrangedora que acabou entrando para a história do legislativo de Maceió. Uma mácula em suas carreiras políticas pela forma como usaram espaço tão nobre que deveria ser encarado assim por eles. 

Houve também o jeito tresloucado com que Lobão (PR) usou a tribuna, batendo na Mesa, com ares de uma indignação forçada para cobrar tendas na Praça Zumbi dos Palmares. No mérito, Lobão está correto. Mas na forma de agir, não. Tanto que o próprio vereador - em uma fala sequêncial - pede desculpas pelos exageros. O que é nobre de sua parte, pois reconhece o excesso. 

Os vereadores deveriam ter mais zelo pela tribuna. É uma crítica construitiva para que se eleve o parlamento-mirim. Isto não significa dizer que não deva existir embates no campo das ideias. Deve existir, pois é o que há de mais sadio no parlamento, já que simboliza a pluralidade de ideias, mas que esta seja em função do bem do município e não por vaidades, para se saber quem faz mais que quem ou para lavar roupa suja, além de questões administrativas que podem ser previamente discutidas, sem abrir espaços para um clima de animosidade que tendem a resultar em uma Casa ainda mais improdutiva. 

O problema - infelizmente - não está apenas no uso da tribuna, mas também na sequência de projetos exdrúxulos que sempre possuem como alvo o setor produtivo. A forma como foi apreciada a questão do Uber, por exemplo. 

Além desta, as matérias que atribuíam obrigações a outrem para simplesmente fazer cortesia com o chapéu alheio, como quando se quis que empresas cedessem ônibus gratuitos para funerais, se tentou obrigar empresas privadas a fornecerem estacionamentos gratuitos, ou até mesmo colocar wi-fi no ônibus. 

Um projeto de lei é válido - e aqui fica a lição do pensador francês Bastiat - quando reduz o poder coercitivo do Estado para cima do cidadão. E há muita coisa que os vereadores podem discutir nesse sentido, incluisve revisando legislações que poderiam ser revogadas. 

O parlamento-mirim tem matéria-prima de sobra para uma boa legislatura, como discussões que estimulem a adoção de áreas públicas pelo setor privado, ampliando o zelo para com essas áreas e a geração de atividade econômica; a fiscalização ostensiva dos postos de Saúde, das escolas públicas, enfim...

O que Ronaldo Luz e Ronalsa protagonizaram é um exemplo claro do que o parlamento não pode ser. Reitero: é uma crítica construtiva, pois são dois edis que possuem capacidade para bons debates por suas formações.

No fim, Ronalsa está correto em um ponto: nenhum vereador ali deve ter babá. A satisfação que possuem a dar é para com seus eleitores, que não devem reconduzir vereadores faltosos ou que tratam a Câmara de Maceió como um bico ou trampolim. Além disso, muitas vezes, ausências são justificadas por eventos, reuniões e outros motivos.  

Agora, assim como um vereador não precisa de babá, o povo também não precisa. E essas babás se fazem presente justamente por meio de projetos que visam a cortesia com o chapéu dos outros. Outro ponto a ser combatido é essa "ciumeira" quando um vereador invade o reduto eleitoral do outro. É como se o eleitor fosse tratado como gado e as regiões de Maceió tivessem donos.

Para o cidadão comum, pouco importa quem conseguiu uma melhoria para a região. Ele quer é a melhoria. É isso que importa e que no final mostra a boa alocação dos recursos públicos. É óbvio que é legítimo que aquele que conseguiu faça a propaganda. 

Que a Câmara aprenda com seus erros, pois insisto: um parlamento forte - seja em qual esfera for - é o melhor para a democracia. Um parlamento fraco, que não fiscaliza, que se torna improdutivo, e que perde tempo com questiúnculas, perde sua razão de existir e, infelizmente, o poder não deixa vácuo...

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Collor, a Coréia do Norte tem ditador! Simples assim...

Reprodução 83489306 ecd3 43de 8faa b734bb2c3b13 Collor e representantes da Embaixada da Coreia do Norte

O senador Fernando Collor de Mello (PTC/AL) vai à Coreia do Norte, mas especificamente para a cidade de Puongyang, como convidado oficial da Assembleia Suprema daquele país. De acordo como senador alagoano, uma missão de estreitar a cooperação e o intercâmbio entra Comissão Exteriores e Defesa Nacional, que é presidida por Fernando Collor de Mello.

Quais os resultados disso? É esperar o retorno do senador. Torço sempre por bons frutos e que o Brasil esteja sempre do lado correto: o da liberdade.

Todavia, é interessante o quanto políticos brasileiros – e olhe que Collor se diz um liberal e, em sua presidência, mostrou a importância de abertura econômica, de certa forma – possuem dificuldades de dar o nome aos bois quando se trata de regimes ditatoriais. Parcela da mídia também acaba classificando – como fazia com Fidel Castro – esses ditadores de líderes ou até mesmo presidentes.

Coloca-se, com isso, por meio de tais vocábulos, países que não respeitam liberdades individuais, não possuem qualquer tipo de abertura, em pé de igualdade com as democracias ocidentais que, em que pese haver problemas, há – em diferenças de graus – liberdades.

A missão de Collor é importante. Visa, como colocar em sua postagem nas redes sociais, a construção de um tratado de paz que será discutido em uma zona desmilitarizada, no Paralelo 38.

Mas é preciso dizer que a Coreia do Norte tem ditador. Se hoje, a “fúria” daquela ditadura – que antes ameaçava o mundo com falas sobre mísseis e armas nucleares – foi contida, há mérito do governo dos EUA, na gestão de Donald Trump, em relação ao assunto. Num dito popular claro: o boi sabe onde arromba a cerca.

Então, a tal Assembleia Suprema daquele país nada tem de democrática. Em nada se compara a um parlamento real, que é uma das bases da democracia por garantir a pluralidade de pensamento. Quando Collor compara os presidentes da Coreia do Norte e da Coreia do Sul como “líderes”, esquece de dizer o fundamental: na do Sul há riqueza proveniente da liberdade econômica. Na do Norte, o povo é feito de escravo há gerações em função de uma dinastia mantida de forma autoritária. Logo, não há uma liderança legítima que de fato represente a população. É uma Coreia fora da realidade. Um regime fechado que em nada se compara às democracias ocidentais, ainda que muitas destas enfrentem problemas, como é o caso do Brasil.

Portanto, Collor se reúne com uma pseudo “assembléia”, com um líder e um ditador. O problema não é iniciar a distensão e abrir portas para um encontro com Donald Trump. A solução é mostrar que a Coreia do Norte não pode ameaçar o mundo ocidental.  Simples assim.

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Rodrigo Cunha apresenta condições para possivelmente dizer não à candidatura ao governo

Assessoria/Arquivo 13acc9dc bc0b 4aaa 8fc9 aecc725f6f35 Rodrigo Cunha

O jornal Tribuna Independente publicou uma excelente entrevista com o deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB). O jornalista Carlos Amaral foi direto ao ponto: o que o parlamentar pensa e quais condições para que dispute o governo do Estado de Alagoas nessas eleições.

Cunha é o nome que resta ao “ninho tucano” após a desistência do prefeito de Maceió Rui Palmeira (PSDB) quanto à participação no pleito. Além de Palmeira, um outro nome do partido – que é o ex-governador Teotonio Vilela Filho – também está fora do tabuleiro do xadrez eleitoral.

Com isso, os tucanos – que eram protagonistas da oposição – passaram a condição de meros coadjuvantes. A situação só mudaria com o nome de Rodrigo Cunha. Porém, o deputado estadual – que tem projeto para uma candidatura à Câmara de Deputados – sabe das dificuldades de disputar o governo do Estado contra o atual chefe do Executivo estadual, Renan Filho (MDB).

Renan Filho tem em suas mãos a máquina pública, inúmeras alianças com prefeitos e deputados e um conjunto de partidos que lhe garante mais tempo de televisão. A eleição de Cunha à Câmara de Deputados é, evidentemente, muito fácil que uma disputa majoritária. Pressionado pelo “ninho tucano”, Cunha pediu tempo para pensar e apresentar uma decisão. Mas, pensar em que?

Rodrigo Cunha está coberto de razão ao afirmar – na entrevista – que não pode ser apenas uma peça no jogo para ocupar um vácuo, como fizeram os tucanos em 2014, quando apresentaram o nome do atual prefeito de Palmeira dos Índios, Júlio Cézar (que hoje se encontra no PSB). Júlio Cézar aceitou o desafio porque mirava na Prefeitura de Palmeira dos Índios e assim se projetaria. Deu certo. As ambições de Cunha são outras. Logo, ele não é um mero soldado do PSDB sendo convocado para a guerra.

Há coisas em jogo: sua candidatura a deputado federal, sua biografia (já que tenta associar seu nome a uma independência em relaçã aos caciques) e possíveis alianças que manchem seu currículo. Cunha não aceita dividir o palanque com qualquer um. Só erra o deputado estadual ao não dizer claramente quem são os nomes que lhe incomodariam ao estarem no mesmo palanque.

Com isso, querendo ou não, Cunha acaba criando as condições perfeitas para dizer não ao PSDB. Afinal, é evidente que o ninho tucano quer um candidato que possa agrupar novamente uma série de legendas, incluindo o PP do senador Benedito de Lira, o Democratas de José Thomaz Nonô, o PROS do deputado estadual Bruno Toledo e outros que puderem chegar. Rodrigo Cunha não terá muito espaço para montar o palanque dos seus sonhos, vetando candidatos ao Senado Federal, por exemplo.

Uma candidatura de Cunha ao governo seria solução, mas também traria outros problemas de relacionamento na chapa. Rodrigo Cunha diz que os que estão hojeaí “ocupam esses espaços há 20 e 30 anos. E, recentemente, Rui Palmeira cotado para ser candidato ao governo, informou que seguiria na Prefeitura”, diz o deputado estaudal. Pois é, se ele for candidato ao governo, ao seu lado estarão esses mesmos que ele critica. Numa proporcional – apesar de estar na chapa tucana – não possui o peso de caminhar ao lado de ninguém no palanque. Vira um “lobo solitário”.  

Cunha diz que ainda analisa as possibilidades. “Não vou entrar numa campanha para beneficiar políticos. Não posso deixar criar um cenário favorável a isso. Sempre lutei por independência e não é agora que vou depender de alguém politicamente. Não quis fechar a porta de imediato porque essa discussão deixou de ser de um partido e passou a ser de um bloco. Fui em busca da sensação da rua, que é a que me interessa”. Eis aí meio-caminho andando para dizer não ao PSDB, que é seu partido.

Indagado sobre as alianças, ele responde: “Rodrigo Cunha não nasceu há quatro anos, nasceu há 36. Eu sei o que passei nessa vida, sei o que os maus políticos fizeram a minha família e o que eles fazem a muitas famílias. Não estou disposto a tudo por um cargo. Se alguém me disser que tenho de me aliar com alguns tipos de forças para ser eleito, prefiro ficar em casa. Não aceito qualquer acordo. Tem pessoas que fazem mal a esse estado”. O que é interessante? Bem, Cunha acaba assumindo que estes que fazem mal também estão em seu partido e em seu arco de alianças. Então, quem são eles, Rodrigo Cunha?

A resposta de Cunha já está praticamente dada: “Pode ter certeza, prefiro estar num cargo menor, não arriscar. Isso é melhor para mim do que o vale-tudo”. Indiretamente, ele criou todas as condições para dizer não. De certa forma, não está errado. O ninho tucano de Alagoas se esfacela em plena luz do dia...

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Quintella e Renan Calheiros: a dobradinha de perfis opostos quando se olha o recente passado...

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A política reserva surpresas. Não quero com esse post dizer que o ex-ministro dos Transportes, Maurício Quintella Lessa (PR) e o senador Renan Calheiros (MDB) sejam inimigos políticos ou rivais. Longe disso, Quintella esteve sim no campo de oposição ao MDB recentemente, mas sempre teve uma boa relação com a bancada federal em Brasília.

Manteve ainda uma relação institucional com o governador Renan Filho (MDB), em que pese duras críticas que já fez, como mostrei nesse blog logo que ele fechou aliança com o Executivo estadual em nome das eleições vindouras.

A surpresa que a política revela no pleito – diante da chapa encabeçada pelo MDB – se dá pela dobradinha dos dois, disputando o Senado Federal juntos, mas com convicções opostas em muitas pautas. É só olhar o histórico recente das posições políticas assumidas.

E aí, pouco importa se aliança de Quintella com o senador Renan Calheiros e o governador Renan Filho se deu em função da desistência do prefeito Rui Palmeira (PSDB) em participar do pleito. Afinal, convicções são convicções e um homem – ainda mais público – pode ser cobrado por elas.

Isso é o mínimo.

O interessante é de um lado termos, por exemplo, um dos mais aguerridos defensores do ex-presidente condenado Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula (PT). Do outro, um recente crítico às posturas petistas, ao ponto de dizer que, no Ministério dos Transportes, estava na hora de trocar a ideologia pela lógica e pela aritimética.

Quintella foi um defensor das reformas de Michel Temer e do próprio governo federal. Renan Calheiros foi um opositor a Temer.

Neste campo, pode se incluir pautas para o futuro onde Quintella e Renan Calheiros – caso cheguem ao Senado Federal em 2019 – terão posições diferentes. Quintella tem aderido a uma agenda mais liberal com o passar do tempo. Renan Calheiros tem amado as teses esquerdistas de Estado forte, ao menos em seus mais recentes discursos. Ilustro aqui com a Reforma Trabalhista e também com a possibilidade futura de se redescutir a Previdência.

Com visões tão distintas, estarão juntos na campanha, um pedindo voto para o outro enquanto pedem votos para si mesmos. Afinal, essa é a dobradinha da chapa que tem Renan Filho na cabeça.

Outra divergência emblemática: Renan Calheiros é praticamente o pai do Estatuto do Desarmamento. Recentemente, o emedebista fez defesa ferrenha das teses desarmamentistas. Maurício Quintella Lessa já deixou claro sua posição pelo direito do cidadão, obedecendo a critérios objetivos, ter acesso ao porte de arma.

Não deixa de ser interessante observar proprietários de declarações tão distintas – ao menos nas visões passadas à imprensa durante entrevistas – no mesmo palanque e em nome de um mesmo projeto. É, no mínimo, curioso.

Repito: tudo isso não produz rivais. Afinal, o diálogo e a divegência sadia é parte da democracia, mas já se foi o tempo em que costuras políticas se davam por afinidades de convicções ou apreços ideológicos. A matemática eleitoral se revela mais importante.

Se pesquisarmos, obviamente, acharemos pontos em comum entre os postulantes ao Senado Federal. Todavia, as diferenças no campo das ideias são visíveis.

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