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Postado em 19/04/2017 às 20:05 por Lula Vilar em Blog do Vilar 0

Vereadora quer ônibus de graça para funerais. O primeiro sairá rumo ao cortejo da lógica




Por Lula Vilar

Vereadora Fátima Santiago

A vereadora de Maceió Fátima Santiago (PP) quer obrigar as empresas de transporte coletivo a cederem ônibus, de forma gratuita, para cortejos fúnebres. Pois bem, caso a lei seja aprovada já podemos solicitar o primeiro ônibus para irmos ao velório da lógica e do livre-mercado em Maceió. Quando o caixão descer, vai todo mundo junto. É que as empresas em Maceió – diante das brechas que a Câmara Municipal de Maceió abre – terão um novo patrão: os vereadores.

Eles já conseguiram regular estacionamento em shopping, vão agora pra cima dos postos de combustíveis. Já fizeram lei para proibir o UBER. Nossos vereadores são “sábios” em todos os assuntos do mundo. Porém, há algo que eles evitam fazer: fiscalizar o Executivo municipal. É que não foram eleitos para isto, mas sim para buscar o melhor para nós e nos proteger deste “malvado capitalismo selvagem”.

Todos são pais dos pobres com a melhor das intenções. Comove-me. Juro que derramo lágrimas na frente do computador. Não passa pela cabeça dos vereadores que o melhor para a população mais carente é o preço justo sem ser inflacionado pelo excesso de “almoços grátis” que eles teimam em distribuir. Mas, em épocas passadas, a Câmara já quis regular até as esmolas que o cidadão pode dá. Nada como ter o monopólio da caridade.

 Um conselho para Fátima Santiago é a leitura do economista Milton Friedman. Duas obras em especial: Capitalismo e Liberdade e Livres Para Escolher. Friedman tem duas sentenças que deveriam ser mantra do cidadão ao se proteger dos políticos. A primeira: “não existe almoço grátis”. A segunda: “se o governo tomar conta do deserto, em pouco tempo vai faltar areia”.

Na tese do “almoço grátis” é possível compreender que esse Estado-babá, que fica obrigando os outros a darem coisas de graça, fazendo cortesias com o chapéu alheio, causa distorções econômicas graves que aumentam os preços dos serviços para os demais. Afinal, o empresário vai repassar esta conta para alguém. Então, não se espantem se em pouco tempo existirem reajustes. Eles serão proporcionais à quantidade de cortejos. É uma questão lógica, matemática. Mas, o Brasil – como dito no primeiro parágrafo – já vivencia o luto da lógica. Nossos vereadores não ficariam de fora.

A vereadora argumenta que uma família quando se depara com a situação de luto e não possui condições de transportes fica sem ter a quem recorrer. Claro, o transporte público é absurdamente caro neste país. O problema REAL é esse. Então, na verdade, o nome disso é populismo. A solidariedade não pode ser forçada e a própria vereadora já reconhece que a empresas que – de bom grado – cede o serviço. A edil já pensou que a Câmara Municipal de Maceió poderia fazer melhor: estudar formas de tornar o transporte público mais eficiente e mais barato.

E não será obrigando ar-condicionado em ônibus, como quer o vereador Kelmann Vieira (PSDB), que se chegará à melhor realidade.

O que o país precisa é de uma economia sólida, com menos regulação, e maior competitividade, para que o cidadão não seja tão massacrado pro impostos e possa fazer suas escolhas, empreender, gerar renda e riqueza e assim poder ser livre para fazer suas escolhas sem depender dos políticos-babás que adoram o assistencialismo, que adoram a cortesia com o chapéu dos outros por isso se traduzir em votos.  

Mas, quando os nossos políticos aprenderão isto? Não é por acaso que ocupamos a posição 118 no ranking das liberdades econômicas e que isto coincide com outros péssimos indicadores sociais. Aliás, não é coincidência. Porém, cobrar de um político que ele consiga fazer esta ligação é pedir demais.

Por isso que o trabalhador é massacrado com altas tarifas devido às distorções geradas pela “Era dos Direitos”, os “excessos de gratuidades”, e por aí vai. É que esta conta fica sempre para alguém, já que empresa privada não é entidade filantrópica. Ela visa o lucro.

Não me espantaria que o primeiro ônibus para cortejo fosse cedido para a Câmara Municipal. Ele teria apenas 21 lugares e todos poderiam sentar e irem confortavelmente para o sepultamento das noções básicas de economia.

Estou no twitter: @lulavilar


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