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Postado em 16/03/2017 às 09:54 por Lula Vilar em Blog do Vilar 0

Cláudio Tognolli e a estima dos armamentistas. Onde ficam os dados? Tudo é sentimento...




Por Lula Vilar

Não julgo pessoas por seus posicionamentos políticos. O perigo da generalização é algo do que sempre corro para longe. O ser humano é muito mais complexo do que se possa imaginar. Porém, em épocas de rotulações, temos pensamentos que são regidos pela “lógica” (aspas gigantescas aí) do “sentimentalismo tóxico” que é definido pelo pensador Theodore Dalrymple. É quando surgem os pensamentos por chavões que buscam criar um espantalho definido na máxima do “quem pensa assim ou assado é malvado”.

O jornalista Cláudio Tognolli criou – da forma mais simplista possível – uma derivação disto: “quem pensa diferente de mim tem baixa auto-estima”. Quão elevado é Tognolli, não é mesmo? Por qual razão digo isto? Eis o que diz o jornalista: “há dois tipos de defensores de armas: os que têm baixa auto-estima e os que têm alta baixo-estima”.

Tognolli é desarmamentista. Pensa – neste ponto – diferente de mim. Porém, isto não é motivo para que eu desconheça o que de positivo já produziu Tognolli. Li alguns livros em que ele trabalhou e vi bons produtos, como é o caso da biografia do cantor Lobão. Portanto, eu jamais definiria a estima (ou qualquer outra qualidade de Tognolli) por um posicionamento que julgue obtuso, simplista ou raso.

Apenas o definiria como equivocado neste ponto. O nome disto é honestidade intelectual no debate. Procuro a ter com todos.

Mas, é Tognolli que fez o contrário com os armamentistas, como se do outro lado da discussão não tivesse estudos, dados, posicionamentos baseados na lógica, pautados por discussões sérias como as feitas com John Lott, por exemplo. Parece que o jornalista se nega a ler tais conclusões e já resume tudo em um “chavão inovador”. É o famoso ataque “ao homem” do qual Tognolli já deve ter sido vítima por seus posicionamentos.

O pior é que neste chavão, ele reduz um armamentista ao defensor de armas. Ora, armas são objetos. Como defender seres inanimados? É uma fantasia criada justamente pela discussão rasa.

Tognolli sequer consegue perceber que não existem “defensores de armas”, pois armas são objetos e, como tais, o que podemos é condenar o uso que os bandidos fazem dela. Coisa que qualquer armamentista faz.

Afinal, eu não perco tempo defendendo armas. Eu defendo o acesso de pessoas a elas de forma legal, com critérios objetivos. Estes critérios – quem duvida que leia – estão presentes no Projeto de Lei do deputado federal Rogério Peninha (PMDB).

É que – em tese! – o Estatuto do Desarmamento não nega o direito. Ele cria o mecanismo subjetivo da “efetiva necessidade” para negar o porte de armas ao cidadão que cumpriu todas as etapas objetivas de critérios, como idade de adequada, ausência de antecedentes criminais, aptidão etc. Esta é a questão. Então, acaba saindo do “em tese” para negar o direito na prática, por meio de uma decisão política.

Cria inclusive castas na sociedade que podem ter acesso às armas, enquanto outras pessoas não.

No fundo, a discussão não é sobre as armas, mas sobre o direito das pessoas, as liberdades individuais, as garantias constitucionais e a presunção de inocência daquele que pode ser considerado um cidadão de bem.

A diferença é que ao usarmos o cérebro percebemos que tal objeto (a arma) pode se usado para o ataque e para a defesa. Como tantos outros. As facas, por exemplo.

Sendo assim, diante do uso condenável da arma para matar e assaltar (males que podem ser feitos sem a arma de fogo, mas por outros meios), entendemos também a existência da legítima defesa por parte daquele que é agredido. Que ele tenha o direito – em aptidão tendo – de se proteger como queira.

Se não quiser pleitear o acesso às armas, é um direito. Se quiser, é um direito também.

Entendendo isto, respeitamos a liberdade individual do cidadão para exercer seu direito de defesa, uma vez que o Estatuto do Desarmamento não desarma bandidos. E isto nada tem a ver com estima, mas com lógica. Basta olhar para os resultados práticos do desarmamento. Surtiu que efeito? Respondam com honestidade intelectual?

É que existem dois tipos diferentes de palpiteiros: os que usam o cérebro e os que não usam, mas se apóiam apenas no sentimentalismo tóxico já aqui citado. Entre os que não usam, é muito comum que a ignorância aflore, justamente por não buscar o contraponto. Não levar em consideração toda a literatura produzida a respeito.

Não generalizo desarmamentistas. Há os que busquem discutir com argumentos. Apenas, como armamentista, acho tais argumentos falhos e opto sempre pelos meus. Nunca fui convencido do contrário na busca pela verdade. Mas, há os que simplesmente prefiram os chavões e ignorar propositadamente o que existe do outro lado.

Quem age assim não percebe que a inteligência é algo que quanto mais se perde, menos se percebe que se perdeu. Logo, não condenem Tognolli por sua alta auto-estima nesta questão. É que a visão embota os apaixonados. Pode ser que a sua (in)capacidade de pensar já tenha tirado dele a régua para medir determinadas alturas. E aí, o capim vira montanha e gênero alimentício. 

Então há dois tipos de pessoas que se sentem superiores: as que se alimentam de alfafa e as que acham que alfafa é o alimento mais delicioso do mundo. Cuidado, Tognolli. Cuidado com os chavões. Eles emburrecem.

Estou no twitter: @lulavilar


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