A morte de Marielle e a “morte” da democracia brasileira

Foto: Revista Fórum 6b78b9f2 0085 4106 b605 1e6b1340464b Marielle Franco

Você acha que a democracia no Brasil está sob ameaça? É o que dizem as mais variadas vozes – de intelectuais da academia a lideranças políticas, passando, é claro, pelo universo da arte. Todo dia, vejo algum representante dessas categorias, com ares de muita preocupação, a nos trazer o inquietante alerta quanto à proximidade do abismo: o país tem um regime democrático de mentira.

 

O discurso é anterior ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, mas é inegável que se tornou imensamente mais comum e repetitivo após o afastamento definitivo da petista. Na verdade, trata-se de uma versão dos fatos – o que aliás combina com a acusação de que houve um “golpe” com a destituição do poste inventado por Lula. Como dizem por aí, é guerra de narrativas.

 

Nesse quadro de radicalismo político e ideológico, o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), no Rio de Janeiro, inflacionou o índice dos que veem o Brasil à beira de um regime autoritário. “O crime que matou a vereadora é um atentado à democracia”, dizem inúmeros entrevistados na ostensiva cobertura da imprensa sobre o caso. Parece que vivemos num regime de terror.

 

Como sempre acontece, na algaravia generalizada nem os que estão do mesmo lado se entendem quanto à extensão do diagnóstico. Alguns denunciam, como disse antes, uma ameaça às instituições e às regras legais; outros, talvez mais visionários, já decretaram a morte da democracia no país. Aqueles que discordam ou são alienados ou estão mesmo do lado das forças do mal.

 

A morte da vereadora é um crime covarde e hediondo. As autoridades têm obrigação de produzir uma investigação eficiente. O esclarecimento do caso é essencial ao país. Nada menos que isso. A pergunta número um é sobre os mandantes do atentado. Ela era uma crítica dura das ações da Polícia Militar nas favelas. Sua atuação também incomodava as milícias cariocas.

 

Como a maioria dos brasileiros, eu também nunca ouvira falar de Marielle Franco. A enxurrada de informações que veio agora, não tenho dúvida, revela alguém especial. Intelectualmente preparada, firme na defesa de ideias e projetos, ela combinava essas evidentes qualidades com a vivência direta das periferias. Com autoridade, falava daquilo que conhecia na pele.

 

É uma tragédia brasileira. Mas, precisamente porque estamos numa democracia – de fato e de direito –, o assassinato de Marielle está sendo investigado como deve ser. Todos os procedimentos obrigatórios serão seguidos, dentro do que prevê as leis, para que os criminosos sejam identificados e presos. Deve-se cobrar que isso ocorra o mais rápido quanto possível.

 

Acrescento que, também nesse episódio, o discurso do caos, em boa medida, obedece a interesses políticos. E isso apenas tumultua as apurações, além de representar uma ofensa à memória da vereadora. Sua morte não pode ser usada como bandeira partidária, com palavras de ordem cuja meta são dividendos eleitorais. Que haja menos panfletagem – e mais respeito por Marielle.

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A promessa mais desmoralizada

Durante a campanha de 2016, João Doria prometeu que, se eleito prefeito de São Paulo, ficaria no mandato até o fim – e não cogitava sequer disputar a reeleição. Ele acaba de anunciar a candidatura ao governo paulista – repetindo, aliás, a conduta de outro tucano, José Serra, doze anos atrás. Em 2006, Serra largou a prefeitura após um ano e três meses no cargo para também concorrer ao governo. Nos dois casos houve compromisso no papel, para atestar a seriedade da coisa.

 

Mas nem a assinatura, nem o registro do documento em cartório, nem a firma reconhecida, tudo às claras e preto no branco, nada impede a reincidência do crime – a mais escandalosa falsa promessa. Sem argumento sério diante da mentira em estado bruto, tem-se um espetáculo de demagogia embalado numa retórica sem base na realidade. Cumprir os quatro anos de mandato deve ser a promessa mais desmoralizada por políticos na história recente do país.  

 

Por ironia, o também tucano Rui Palmeira teria muito mais razões para deixar o mandato e disputar a cadeira de governador. Rui está no segundo mandato na Prefeitura de Maceió – e, que eu saiba, nunca se pronunciou sobre tempo de permanência no posto de prefeito. Seu colega de partido, Doria cai fora do barco com menos de um ano e meio de mandato. Para quem vende o slogan marqueteiro do “não político”, o rei da propaganda revela que é tão profissional quanto as mais velhas raposas. 

 

E por falar em promessa, não vamos esquecer que 2018 é tempo de produção em larga escala dessa commodity espiritual. Seja no campo da economia ou no âmbito da saúde e segurança, a revolução está a caminho, na mente brilhante de cada candidato. Como fabricar insanidades em forma de discurso eleitoral está permitido nas democracias, fatalmente a diversão está garantida.

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Rui Palmeira continua zen

Um pouco mais sobre o fim de uma candidatura. Horas depois do anúncio feito pelo prefeito de Maceió, Rui Palmeira, confirmando que não será candidato a governador, uma evidência se impôs: o gesto provocou sim um terremoto no meio político. Vejam o vídeo gravado pelo secretário municipal Thomaz Nonô, presidente do DEM em Alagoas. Com ar de decepção, vemos em Nonô a imagem que predomina no grupo de aliados do prefeito. Por ali, era tudo o que ninguém queria ver.

 

Nem os mais próximos contavam com a desistência de Rui. Ao que parece, os que defendiam a candidatura a todo custo acreditaram na tática da pressão explícita. Ao longo dos meses, Rui foi cobrado publicamente por caciques em busca de um palanque com viabilidade eleitoral. Ao prefeito, não seria dado o direito de discutir nomes alternativos. Em algum momento, nas cordas, ele decidiu pelo confronto interno – e agora, mesmo contrariadas, as partes precisam se acertar.

 

Enquanto os comandos partidários tentam agora um candidato forte para enfrentar o governador Renan Filho, Rui Palmeira continua zen. É o que se vê no vídeo em que descarta a candidatura, e também nas declarações que deu na manhã seguinte ao anúncio-bomba. O prefeito fala como se nada incomum estivesse ocorrendo. Sua tranquilidade exibida em público não combina com o nervosismo dos parceiros políticos. Afinal, uma eleição sela destinos de modo irreversível.

 

Rui Palmeira sabe de tudo isso. Nada, porém, parece ameaçar o ritmo quase sobrenatural de seus passos, decretos e escolhas. Haja o que houver, por mais tenso que um episódio possa se mostrar, o ar de calmaria não muda. Ao menos aparentemente, o prefeito está sempre na paz. Sem drama!

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O candidato que a imprensa inventou

A candidatura que nunca existiu é uma dessas notícias que servem para analisar o trabalho da imprensa. Claro que me refiro à decisão do prefeito de Maceió, Rui Palmeira, que anunciou não ser candidato ao governo do estado. O anúncio em tom singelo, por meio de um vídeo com baixa qualidade, contrasta com a gravidade da mensagem. Pensando bem, é até desconcertante.

 

E também é assim porque, há vários meses, notícias de todos os tamanhos, em todos os suportes, não deixavam dúvida quanto ao candidato Rui Palmeira. Uma vez cogitada, ninguém mais sequer mencionava a sério a hipótese de o prefeito não topar a aventura. O mesmo vale para textos de opinião – que assim como as reportagens tratavam Rui como um candidato em plena campanha.    

 

Dizendo com outras palavras, se não estiver enganado, todos nós jornalistas informamos – com mais ou menos ênfase – que a candidatura de Rui Palmeira era inevitável. Por que dissemos isso, e com tanta convicção, passando ao leitor a ideia de que apuramos os fatos com rigor? O anúncio de Rui agora desmente essa suposta metodologia de trabalho. Estávamos todos chutando?

 

(Corta para 2014. Sem partido, qual o destino de Marina Silva nas eleições presidenciais? Foi um carnaval de “revelações” e “bombas”, todo santo dia, sob a assinatura dos maiores colunistas políticos do país. Quando Marina anunciou que seria vice na chapa com Eduardo Campos, descobriu-se que todas as certezas e previsões não passavam de embromação com grife).

    

Blefe e especulação têm lugar de destaque no noticiário sobre a seara política. De repente, o que era apenas uma distorção deliberada, sem a devida checagem por ninguém, acaba virando verdade aceita sem contestação. A negligência com a apuração combina com a superficialidade da informação levada ao público. No automático, passamos adiante ficção como realidade.

 

Como um de nossos esportes é desconfiar de tudo, quem acredita que os erros, equívocos e exageros da imprensa são frutos da natureza? Provavelmente você tem certeza de que erramos por algum interesse, certo? E de fato não é fácil contestar quem assim desconfia do chamado jornalismo profissional. A responsabilidade é toda nossa. O caso Rui Palmeira tem seu lado pedagógico.

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Rui Palmeira e a candidatura que foi sem nunca ter sido

Foto: Secom 035495d4 d431 441a 82e3 6c4fb483a705 Rui Palmeira

Marcelo Palmeira, o vice-prefeito, já era tratado como titular entre servidores e secretários na Prefeitura de Maceió. E isso era, até ontem, uma consequência natural da virtual candidatura de Rui Palmeira a governador. Ocorre que o prefeito da capital anunciou, na noite desta segunda-feira 12, que não é candidato nas eleições de outubro. O vice terá que readaptar seus planos de poder, em harmonia com o chefe, pelos próximos dois anos. Consta que a relação entre os dois é de paz.

 

As especulações publicadas aqui, ali e em todos os lugares traçavam os mais diversos – e completos – cenários com Rui na disputa ao governo. Houve informações sobre reforma no secretariado para acomodar aliados – e até a lista de possíveis nomes para o lugar de vice na chapa. A cada movimento na costura de alianças, uma novidade afetaria tanto o ambiente político quanto a gestão municipal. E assim a máquina vem sendo tocada há quase um ano. Como ficará a partir de agora?  

 

Fato é que mudanças significativas só ocorreram em setores da prefeitura porque todos acreditavam na candidatura de Rui. Se ele nunca disse que seria candidato, também jamais indicou de forma direta que descartasse tal hipótese. No vídeo em que anuncia que não disputará a eleição, Rui afirma ter ouvido a família e lideranças políticas. Não cita nomes, a não ser num agradecimento “especial” ao vice Marcelo Palmeira. E os caciques amigos? Oscilam entre a surpresa e a hostilidade.

 

O prefeito de Maceió poderia ter esticado o suspense até abril, limite do prazo estabelecido na lei eleitoral. Aliás, em algumas entrevistas ele insinuou que faria isso mesmo – mas preferiu a prudência: agindo agora, Rui desamarra os partidos para negociar alternativas. E não se pode esquecer que até 7 de abril a troca de partido está liberada – um movimento que pode afetar legendas alinhadas ao prefeito. Suponho que toda essa agitação produz agora debates inflamados entre aquelas lideranças.

 

O que pesou mais na decisão de Rui? Falta de dinheiro para a campanha ou dificuldades para fechar coligação? Suspeito que não há uma causa exclusiva. O panorama geral levou o prefeito à escolha que sempre me pareceu a mais correta, ou seja, cumprir o mandato até o fim. Agora todo mundo quer saber: quem será o candidato a governador apoiado pelo bloco liderado por PSDB e DEM? Já pulam na praça os mais variados nomes. Não faço ideia do que pode pintar logo mais.  

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Rui Palmeira: como anunciar uma “bomba”

Vários textos publicados aqui nos últimos meses têm como assunto a eventual candidatura do prefeito Rui Palmeira a governador. Sempre defendi que disputar a eleição, este ano, não parece o melhor caminho político para o tucano. Mas tudo e todos garantiam, desde o ano passado, que o homem era candidato, e nada mudaria esse destino. Pois deu-se o contrário. Num vídeo na internet, ele informa que não disputará a eleição. Diz que tocará os projetos na prefeitura.

 

É como no futebol. O jogo só acaba quando termina, depois que o juiz apita no último segundo dos acréscimos da prorrogação. Arriscar um veredito, a sentença definitiva, é mais perigoso que embarcar em previsões de especialistas nas ciências da política. Estávamos todos à espera de uma confirmação por parte de Rui Palmeira. E ele veio com uma resposta negativa aos apelos e às pressões que o atingiam a partir de todas as direções. Deu um nó em nossa imprensa.

 

Rui não perde nada ficando no cargo até o fim de seu segundo mandato. Aliás, é algo a ser visto como qualidade, bem diferente da tradição de lagar a cadeira e partir atrás de mais poder – afinal é para isso que se disputa uma eleição. Tomando o rumo contrário ao oportunismo rotineiro, o prefeito pode se apresentar como “cumpridor de promessas”. Sem falar que a decisão livra Rui de um risco fatal: uma derrota nas urnas seria sua tragédia. 

 

Como o anúncio do prefeito não dá detalhes sobre sua posição, a partir de agora, no processo eleitoral, fica-se com o mistério sobre quem será o candidato a governador no grupo que comanda a prefeitura. Sabe-se que as pressões eram fortíssimas sobre Rui. Diga-se a seu favor, que ele nunca acenou, ao menos publicamente, com a intenção de ser candidato. Pareceu sempre que esteve mais longe do que perto de uma candidatura. Procura-se um adversário para Renan Filho.

 

Um dado curioso é a forma como recebemos a informação política mais relevante dos últimos tempos em Alagoas. Rui se vale de uma gravação amadora, com imagem sem definição, para comunicar uma “bomba” à população em geral e aos aliados em particular. Nada de entrevista coletiva nem explicações aprofundadas sobre as motivações de tal decisão. A escolha por um vídeo artesanal não parece ter sido um acaso. Rui produz um terremoto com um gesto trivial.

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A imprensa grita – e o TSE recua

Uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral não resistiu a 24 horas de noticiário e editoriais nos grandes veículos da imprensa. Como você sabe, o TSE revogou a resolução que restringia o alcance das perguntas nas pesquisas de intenção de voto. Foi uma grita geral. A Folha chamou a iniciativa do TSE de obscurantista. Entidades que representam a imprensa e os meios de comunicação apontaram ameaça à liberdade de expressão. Em dois tempos, o tribunal anulou sua própria medida.

 

No mérito, a resolução que tentava regular o conteúdo das questões na pesquisa eleitoral não parecia mesmo boa coisa. Segundo as normas já anuladas, o instituto não poderia perguntar nada ao eleitor que não fosse exclusivamente sobre a eleição e o voto. Avaliação de governo, por exemplo, não poderia ser tema de questionário aplicado ao entrevistado. Além do mais, seria outra novidade, e com alguma influência, com a campanha praticamente chegando às ruas.    

 

O que chama atenção, entretanto, nesse eloquente recuo do TSE, é precisamente a relação entre a imprensa e as instituições no topo da República. Foi unânime, na Corte eleitoral, a decisão que jogou no lixo as ideias que uma semana antes entravam em vigor. Todos os ministros concordaram ter sido um erro, ou pelo menos um equívoco, a tentativa de uma regulação emergencial sobre a aplicação de pesquisas com o eleitor brasileiro. Após a lambança no tribunal, fica tudo como era até então.

 

Já escrevi que o TSE tem no comando o exótico ministro Luiz Fux. Esse episódio – revelador – foi seu primeiro exotismo, com poucos dias no cargo. Ao se pronunciar na sessão que derrubou a resolução do próprio TSE, Fux disse que era legítima a preocupação dos meios de comunicação. E que preferia suspender as medidas – para “conversar com mais vagar” sobre o tema. Nada mais evidente do quanto é estreita – e delicada – a margem de contato entre judiciário e jornalismo.

 

Com a campanha dominada pelas incontroláveis redes sociais, a onda de combate a trapaças disfarçadas de notícia tem tudo para gerar novos conflitos no âmbito das liberdades individuais. Como se vê, o TSE não demorou a aprontar confusão, antes mesmo da oficialização das candidaturas presidenciais. O vexame público pode ter ensinado boa lição no tribunal. Veremos.

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A ridícula candidatura de Rodrigo Maia à Presidência da República

É uma piada atrás da outra. A mais recente, lançada ao grande público algumas horas atrás, é a candidatura de Rodrigo Maia a presidente da República. O “Botafogo” na lista de propina da Odebrecht fez um discurso ridículo na manhã desta quinta-feira, apresentando-se como o grande nome do DEM para as eleições 2018. Atual presidente da Câmara dos Deputados, Maia é a tradução de um mundo político em decadência – e descendo a ladeira em desembesto cada vez maior.

 

Assentado no topo do Poder Legislativo do país em decorrência de conchavos e jogadas suspeitas – e nunca por qualidades políticas ou intelectuais –, o parlamentar aproveita a efêmera fase de mando para delirar sobre o nada. Maia é um caso clássico: irrelevante desde que veio ao mundo, sente-se poderoso e capacitado simplesmente porque ocupa uma cadeira de chefia. Quando terminar seu mandato, voltará à completa insignificância. Seu comportamento é um fenômeno universal.

 

O mesmo tipo de coisa ocorre também na iniciativa privada. Desqualificados em geral, quando premiados por cargos de alto escalão nas empresas, passam a acreditar na ficção de que são competentes. O que temos nesses casos é que um tosco em posto importante acaba por tirar a importância desse mesmo posto. Olhe ao seu redor, e constate você mesmo. Produto desse estranho movimento das relações de poder, o Botafogo acredita que tem tudo para salvar o país.

 

O partido do presidente da Câmara – Democratas – talvez seja o ajuntamento mais decadente da política nacional. É o velho PFL, antes PDS de Paulo Maluf, antes Arena da ditadura militar. Ao longo das décadas, ao invés de reciclagem, a agremiação parece ter apenas aperfeiçoado sua filosofia autoritária, além de se tornar ainda mais medíocre. Mesmo que recorra à cretinice marqueteira, nada é capaz de alterar o DNA carcomido de uma legião de tranqueiras.

 

Com Maia entre os pré-candidatos, temos mais uma figurinha no sacolão de nomes até agora lançados a presidente. Estamos bem. Para citar somente um dos postulantes à altura de sua patetice, está aí o avanço do pistoleiro Bolsonaro. E olhe que esses são apenas dois no bloco da insanidade que se arma para a guerra eleitoral. É bem verdade que o Botafogo tem tudo para cair fora. Entra no jogo agora, como teste, para negociar o passe mais adiante.

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Velharias fantasiadas de renovação

João Doria fez campanha para a prefeitura de São Paulo se apresentando como alguém que não era político profissional. “Eu sou um gestor” foi seu mantra desde que se assanhou a disputar a eleição de 2016. Parece que deu certo – e ele se elegeu, no primeiro turno, prefeito da maior capital do país.

 

Com o Brasil mergulhado numa crise que, entre outras consequências, devastou a imagem do mundo da política, o discurso do Prefeito-Botox continua na moda – e com imitadores pelos quatro cantos do país. Em Alagoas, o que não falta é engraçadinho com essa conversa de outsider.

 

É tudo falácia. João Doria é tão político quanto os piores exemplos da política. Honra a categoria e as tradições de uma atividade pródiga na capacidade de produzir mazelas de toda sorte. Para provar como é mesmo diferente, Doria vai abandonar o mandato pela metade assim que abril chegar.

 

Como se acha muito original, diferente de toda essa politicalha amplamente conhecida, o prefeito larga o posto e parte na aventura de disputar a eleição para governador do estado de São Paulo. Queria concorrer à Presidência, mas Geraldo Alckmin soterrou os planos do colega de partido.

 

O que há de novo num prefeito – de primeiro mandato na vida eletiva – que vira as costas a tudo o que prometeu, entrega o cargo ao vice e sai atrás de outra eleição? E quando esse elemento ainda tenta emplacar a imagem de santo entre pecadores? É demagogia em doses letais.

 

Como disse, entre nós, aqui em Alagoas, o que não falta é carinha de bom moço a vender a ideia da renovação na política. Existe até quem negocie filiação partidária com velhos caciques e, ao mesmo tempo, jure por Jesus que não tem “ligação nenhuma” com grupos políticos. Coisa de piadista.

 

Se você anda atrás de puras novidades para a eleição de 2018, cuidado para não comprar porcaria fantasiada de relíquia. É o que mais tem no mercadão de votos. Depois da aquisição, lembre-se que a troca não é imediata como no presente de Natal. As tranqueiras ficam por quatro anos.

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Maceió estremeceu – e outros abalos

Terremoto e insanidade. Não sei se entendi direito. Autoridades querem uma investigação da moléstia para botar em cana eventuais responsáveis pelo tremor de terra registrado em Maceió no último sábado, dia 3. Até o governador se pronunciou nesse sentido. Morrendo de medo, os suspeitos devem estar escondidos em lugar inexpugnável – tipo as camadas de placas tectônicas!

 

Assalto e eleição. Desde que inventaram o sistema bancário e a escolha direta de políticos para representar a sociedade, a cada dois anos uma velha pauta retorna aos bastidores ideológicos: ataque a carro forte e a bancos, como se vê agora, é fonte de financiamento de candidatos. Que eu me lembre, isso nunca foi provado até hoje. Mas quem resiste a uma instigante suspeita?

 

Faroeste sertanejo. Numa mostra de incrível resistência cultural, duas famílias que tratam o município de Batalha como propriedade privada revivem, numa só tacada, a gloriosa tradição que amalgama coronelismo e pistolagem. Todos os envolvidos são organicamente íntimos da elite política alagoana – e não adianta disfarçar o indisfarçável. Diplomatas apuram os crimes.

   

Privatize já! Parece que houve a maior zoada em audiência sobre a privatização da Eletrobras, realizada nesta terça-feira em Maceió. Por coincidência, um dia antes, um apagão atormentou moradores de bairros como Trapiche, Vergel, Prado e Ponta Grossa. Durou das nove da manhã às quatro da tarde. Não vi nenhuma explicação da empresa. Tirem isso das mãos do Estado. Logo!

 

Celeiro alagoano. Informa meu colega aqui ao lado, o jornalista Luis Vilar, que o presidente do Partido Novo, João Amoêdo, visita Alagoas nos próximos dias. Costura apoios para sua candidatura a presidente. Com o discurso de “renovação”, ele nos deixa ansiosos para ver as “novidades” alagoanas que serão descobertas pela legenda. O resultado da peneira tem tudo para dar ao país um timaço.

 

Tudo pelo voto. O governador Renan Filho e o prefeito Rui Palmeira examinam – com lupa – o que de fato é prioridade a essa altura na gestão de cada um. O cuidado é compreensível, afinal os dois avaliam tudo segundo as demandas do calendário eleitoral. Com esse foco exclusivo, de nomeações a ordem de serviço, passando por aquisição de remédio, todo esforço é um aceno ao eleitor.

 

Agente duplo. Ainda que o sujeito seja adepto da filosofia antropofágica – que pregava a geleia geral em tudo –, há coisas que não se misturam. Um promotor de justiça, por exemplo, não pode ser advogado nas horas vagas. O mesmo vale para o exercício do jornalismo. Por isso, é nada menos que grotesco que alguém se apresente como “jornalista e publicitário”. O nome disso é pilantragem.

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