Suplente de senador é aberração

​Alagoas acaba de ganhar um novo senador. Ninguém deu um voto a ele, mas Givago Tenório jura por Nossa Senhora que vai nos representar com uma dedicação que beira o fanatismo. É mais um daqueles casos de suplente que assume a cadeira na licença do titular. Benedito de Lira, o dono do posto, dá um tempo no mandato para mergulhar integralmente na campanha de reeleição.

A licença do Benedito é de 121 dias, período em que Tenório vai trabalhar duro pelos interesses do povo alagoano. A suplência no Senado é uma pequena aberração que ilustra de modo irretocável o ambiente político nacional. Há muito tempo se fala na extinção dessa figura. Chegará o dia em que uma reforma ampla deverá eliminar essa distorção no parlamento brasileiro.

Agora mesmo, enquanto alianças vão sendo costuradas, um dos desafios dos candidatos ao Senado são os acertos para encontrar suplentes. Cada eleito arrasta dois nomes na suplência. E qual o critério indispensável para a escolha? Esse é o ponto. Praticamente em cem por cento dos casos, vira suplente quem garante grana para bancar a campanha do titular. Pagou, levou.

O suplente que assume no lugar do Benedito é um ricaço do mundo empresarial. O outro requisito para a escolha é o laço familiar. Sobram exemplos, aqui e lá fora, de senadores eleitos que levam na suplência um tio, um cunhado, o pai ou a mãe, e vai por aí. Com esse nível de seriedade em nossa vida pública, temos certeza de que nossos parlamentares têm tudo para um belo mandato.

Por falar em financiamento de campanha, o processo ficou ainda mais complicado após o veto ao dinheiro privado na eleição. Acabou o tempo dos repasses milionários das grandes empreiteiras, bancos e demais setores da economia nacional. A guerra sanguinolenta desde então é pelo bolo do fundo eleitoral com dinheiro público. Ou seja, nunca houve tanta sedução pelo famoso caixa dois. 

O eleitor com espírito poliana, e que acredita em santos na política, pode entrar nas vaquinhas adotadas por candidatos. Você, assalariado que vive no sufoco, pode achar que não custa nada se apertar mais um pouco para doar seu dinheirinho a essas almas puras da política alagoana. Se seu candidato é um jovem idealista, disposto a mudar o mundo, então, doe até o que você não tem.

De minha parte, acho que seu altruísmo teria caminhos mais decentes para contribuir com alguma causa. Mas cada um acredita no que deseja acreditar. O que certamente ocorre é que apoiadores financeiros entram num jogo de compensação: bancam o político que, se eleito, saberá reconhecer aqueles que lhe garantiram sua boa vida por quatro ou oito anos. Na vida real é assim.

Para terminar, o caso Benedito, é bom ficar claro, não traz qualquer novidade. Sua estratégia é a de todos. Imagino as conversas que estão ocorrendo por aí nas negociações para formação de chapas. Todo mundo muito preocupado com projetos e ideias para um Brasil melhor, naturalmente. Em 2019 vamos conferir a qualidade que sairá das urnas. O país sobrevive apesar dessa gentalha patriota.  

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Em defesa de camelôs e ambulantes no Centro de Maceió

Faz pelo menos trinta anos que escuto falar em revitalização do centro de Maceió. Eis aí um projeto que atravessa décadas, prefeito após prefeito, e nada. Escrevo isso motivado pela mais nova iniciativa da prefeitura, que acaba de remover ambulantes de parte daquela área da cidade para, segundo as autoridades, disciplinar o uso do espaço público. Mais uma vez, a coisa se dá no improviso.

Para começar, considero muito estranho que o trabalho de agora esteja sob a gestão de um militar. O coronel Ivon Berto Tibúrcio de Lima é o secretário de Segurança Comunitária e Convívio Social. No cargo, ele tem sob seu comando a Guarda Municipal. Na ação de retirada dos ambulantes, houve cenas de truculência por parte de guardas municipais, algo recorrente nesse tipo de operação.

Eu falei do passado. O Centro sempre foi meio bagunçado. Até os anos 1980, todas aquelas ruas famosas (Moreira Lima, Senador Mendonça, Boa Vista etc) eram pista livre para ônibus, táxis, carros comuns, carroças e, claro, camelôs pra todo lado. Foi naquela década que Maceió entrou na onda dos calçadões. Os trabalhadores da rua foram banidos, mas logo voltaram e lá estão até hoje.

Nesse intervalo de tempo, tivemos como prefeitos João Sampaio, Djalma Falcão, Guilherme Palmeira, Pedro Vieira, Ronaldo Lessa, Kátia Born, Cícero Almeida e, agora, Rui Palmeira. Todos, sem exceção, tiveram seu momento de revitalizar o pedaço. Todos foram derrotados inapelavelmente. Basta uma variável como esta para provar o quanto a esfera pública apanha da vida real.

Perambular por aquela região é uma experiência especial. Gosto do cenário um tanto caótico, diversificado e colorido que se desdobra a cada cruzamento, esquina e calçada. A todo instante, personagens únicos atravessam nosso percurso, correndo de um lado a outro, sozinhos ou em grupo. Não será na porrada que vamos acabar com esse fantástico painel da cidade.

Pelos arredores do Teatro Deodoro e da Câmara de Vereadores, por exemplo, vemos vendedores de tudo, de capa para celular a macaxeira e guarda-chuva. Você pode adquirir ainda brinquedos, roupas, óculos escuros e acendedor de fogão. Pode também tomar um caldo de cana ou apenas matar a sede com uma garrafinha de água mineral. Tudo à base do grito de vendedores.

Não vejo problema algum em conviver com esse tumulto cheio de energia e surpresas. Os carrinhos de mercadorias ocupam as calçadas numa convivência agitada e harmoniosa com transeuntes (tranquilos, nervosos ou aparentemente avoados). Caminhar a esmo por essa paisagem, arquitetônica e humana, sem pressa e sem destino, muda o nosso dia. Nada disso cria problema para ninguém.

Por tudo isso, que a prefeitura deixe os camelôs e ambulantes trabalharem em paz. Eles são um patrimônio da capital alagoana. Pior ainda é querer botar ordem na casa com o uso da força bruta, cumprindo as metas discutíveis de um coronel. Maceió tem problemas de sobra, mas, definitivamente, os trabalhadores informais não estão entre essas encrencas.   

Além do mais, as ruas precisam estar cheias, agitadas e barulhentas. Assim é a vida. Caótica. 

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​Jornalismo de banalidades

Cerveja artesanal e barbearia para descolados. Que dupla! Agora Maceió entra de vez no circuito das capitais modernosas. Quando escuto falar nessas coisinhas que fazem a festa de certa rapaziada, sempre atenta às novidades da última moda, é como se estivesse lendo alguma paródia sobre universos paralelos. Avesso a frivolidades em geral, me pergunto de qual planeta essa gente veio.

São também alienígenas esses que propagam as maravilhas das comidinhas gourmet, a suposta elegância do mundinho fashion e as sessões com especialistas na arte das boas etiquetas. Tudo está concentrado por ali na geografia Pajuçara-Jatiúca. Se o público adepto desse raso modo de vida cair, por acaso, nas quebradas da capital alagoana, vai pensar que aterrizou em outro país.

Faz sentido. O tempo passa, mas uma tradição pra valer nunca desaparece. Refiro-me ao zelo desmedido que governos e autoridades dispensam às chamadas áreas nobres, com o mesmo empenho com que desprezam o resto da cidade e do estado. A maquiagem para turista ver é uma marca de nossas administrações, não importa a ala política que esteja no comando. É tudo igual.

Como estamos em ano eleitoral, a bandidagem que precisa de votos vai redescobrir as periferias e a pobreza de nossas cidades. Passada a eleição, todos retornam aos apartamentos à beira-mar e às mansões em praias privatizadas. Abominável é o jornalismo bajular esse ambiente cujo único valor é a boçalidade. A força da grana garante narrativas para exaltar o que, na real, merece é porrada.

Se a imprensa tem lá seus muitos pecados, arrisco dizer que na TV, então, o jornalismo está morto e bem enterrado. As pautas que merecem atenção de nossos editores e repórteres são de arrepiar. É o dia da pizza, são as festinhas do interior, é a campanha para financiar aventuras esportivas, são as dicas para o fim de semana... E vai por aí. A ordem parece ser esta: não vamos incomodar ninguém.

Abri o texto falando das barbichas estilizadas e da modinha de cerveja personalizada porque são assuntos dessa relevância que mobilizam esforços de nossa imprensa. Afora isso, o pessoal na TV não resiste a ruas esburacadas e a proselitismo de sindicalista ameaçando mais uma greve. É o caminho mais fácil para um arremedo de jornalismo. Enquanto isso, a traquinagem política corre livre.

Cada qual com suas manias, preferências e exotismos. O que acho deplorável é que determinados temas, exclusivos de uma patota, sejam apresentados como do interesse da maioria em grandes reportagens. Festinha particular não é notícia, não representa as demandas do público. Mas o que vemos é exatamente o contrário, um desfile de futilidades embaladas em belos textos.

Agora vou ali, na barbearia do seu Antônio, instalada há mais de 30 anos no Vergel. Na sequência, uma birita com o camarada Coelho para saber das novidades nos bastidores do rock alagoano. Antes, numa olhada pelo noticiário virtual em nossa terra, descubro que Deborah Secco e Luana Piovani pautam os grandes portais com suas ideias desconcertantes sobre o nada. Muito louco!

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A seleção e o trololó motivacional

Palestra motivacional é uma das piadas mais resistentes na vida brasileira. Suspeito que seja assim também ao redor do mundo. Adoramos frases feitas que afagam nossas ilusões. Parece que estamos sempre dispostos a engolir baboseiras que nada representam, a não ser os objetivos mercadológicos de empresas e palestrantes de cabeça oca. Não tenho paciência com essas cretinices retóricas. 

Durante muitos anos, no exercício de cargos em redações, sempre fugi de eventos festivos organizados pelas empresas em que trabalhava. Quando não tinha como escapar, comparecia a seminários  sabendo que estava desperdiçando meu tempo. Além da inutilidade do palavrório de animadores de auditório, o que restava era o tédio profundo ao ter de ouvir tanta conversa fiada.

Pensei nisso quando a seleção brasileira caiu para a Bélgica na Copa da Rússia. O treinador Tite é um verdadeiro mestre nesse tipo de conhecimento sobre o nada que são as metodologias motivacionais. Em sua trajetória, o professor construiu a imagem de alguém que supostamente tem o poder da palavra. A imprensa bajulatória trata o homem praticamente como se fosse um grande filósofo.

Com essa fama de pensador quase erudito, o treinador da seleção era visto como o homem perfeito no lugar certo, alguém capaz de não apenas fazer o time jogar bem, mas, tão importante quanto, alguém com o dom de motivar seus comandados. Sob as lições intelectuais do motivador Tite, ninguém segurava o Brasil. Ou os caras não entenderam ou o chefe não passa de charlatão.

É claro que não passa de charlatanice. As tais ideias profundas na cabeça de Tite são perfeitas para vender televisão, celular e serviços bancários. Bordão idiota é o ouro da publicidade. Para esse objetivo, sim, o discurso de pastor do técnico brasileiro é irretocável. Mas como na vida real a encrenca é muito mais complexa, os fatos trituram a oratória das motivações. A derrota expõe falácias antes celebradas por meio mundo como exemplos de sabedoria.  

Mas, como disse lá no começo, verborragia e ações motivacionais resistem a tudo. Vamos continuar a ver delinquência intelectual ser vendida como sacadas geniais. Porque precisamos acreditar em entidades sobrenaturais; queremos receitas fáceis e aplicáveis para tudo. E, veja que coisa estranha, estamos dispostos a pagar por isso. Bom para os mercadores de ilusionismo.

No futebol (essa metáfora da vida, como se fala por aí desde antigamente), predomina uma repulsa ao pensamento lógico e ordenado. Basta ver a capacidade comunicativa de Neymar e companheiros de ofício. É o universo perfeito para o trololó de Tite e outros da mesma estirpe. Não foi isso que derrotou a seleção, mas que deu uma bela contribuição, não resta dúvida.

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Lula e o juizinho da República de Curitiba

O episódio do prende e solta o ex-presidente Lula serviu para provar, de modo incontestável, que a Justiça brasileira está visceralmente engajada no projeto político de banir o petista da vida pública a qualquer custo. E isso tem o apoio praticamente unânime dos gigantes da comunicação, com a TV Globo à frente. A cobertura do caso pela emissora foi deplorável.

Houve um esforço patético para desqualificar o desembargador que concedeu o habeas corpus. Ao mesmo tempo, comentaristas partiram para a defesa do juiz Sergio Moro, que, mesmo em férias, achou de se meter onde não cabia sua ridícula manifestação. Moro agiu contra a lei e ajudou, em muito, a desmoralizar o discurso de imparcialidade do juizinho da Lava Jato.

Se a decisão do desembargador poderia ser contestada, isso deveria ocorrer pelos trâmites legais. Mas quem disse que Moro e a seita lavajatista ligam para o devido processo legal? Como já escrevi aqui, essa turma do Judiciário pretende comandar o país, passando por cima dos demais poderes. Faz tempo que togados ignoram as prerrogativas do Legislativo.

Ninguém precisa ser jurista para entender claramente que Moro cometeu um delito jamais visto no país. O Brasil tem um juiz que atua como se estivesse acima de todas as normas, desrespeitando até princípios elementares do Direito. Qualquer estudante ou estagiário em escritório de advocacia sabe que o ídolo de Curitiba errou feio nesse caso.

Fico imaginando até quando Moro terá carta branca da grande imprensa para fazer o que bem quiser. Não importa o que ele faça, tem sempre o apoio incondicional da Globo e demais vozes alinhadas ao carnaval das operações policiais. Nunca será demais lembrar que o magistrado de Curitiba correu das férias para decidir como queriam as forças dominantes no país.

Um dia, Gilmar Mendes também já foi intocável. Hoje, não mais. Desde que o ministro do STF passou a criticar duramente a República de Curitiba, incluindo as safadezas do MPF, entrou na mira dos baluartes que combatem a corrupção. Agora, toda semana Mendes é alvo de acusações e ataques nos tradicionais veículos. É assim que funciona a máquina.

A pilantragem intelectual e jurídica de Moro, nesse caso concreto da prisão de Lula, não surpreende. O elemento age dessa forma há quatro anos, sem que nada nem ninguém conteste suas arbitrariedades. Todos aqueles que apontam seus erros são automaticamente carimbados como marginais corruptos. Tudo muito previsível.

Do jeito que está, as perspectivas são as piores possíveis. Vamos escolher um novo presidente para o Brasil sob um quadro de cerco geral à verdade, com o (in)devido aval do Poder Judiciário. A ironia é que, depois do solta e prende, Lula ficou mais forte. Sem fazer força, ganhou mais argumentos para sustentar o discurso de que é, sim, vítima do jogo político.

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Depois da bola, a política

O grande feito da seleção brasileira na Copa foi a consagração de Neymar como piada universal. Um desfecho para premiar nosso maior craque. Como escrevi aqui mais de uma vez, o sujeito é um desmiolado, especialista em cretinices e caretas nas redes sociais, o único modo de vida que ele conhece. Sai da competição como um nanico. Para se recuperar, terá de jogar muito futebol.

Mas a Copa acabou e agora o país volta suas atenções para a política. É o que dizem na imprensa especialistas e palpiteiros. Talvez não seja assim tão óbvio, mas tem alguma lógica. De fato, como todos sabem, as notícias sobre a bola atropelam todas as pautas, com exceções inescapáveis - como o prende e solta no caso Lula da Silva.

Agora vão recomeçar as pesquisas eleitorais e os jogos do Brasileirão. No campo das eleições, mais um nome desistiu de disputar a Presidência. Depois de Luciano Huck e Joaquim Barbosa, o empresário Flávio Rocha retirou seu nome do páreo. Já o apresentador Luiz Datena caiu fora da disputa para o Senado.

Há quem aposte que, nas próximas semanas, haverá novas desistências entre os presidenciáveis. Gente que aparece como candidato tem como objetivo apenas participar do leilão de apoios e coligações. Quando a coisa pega, vende-se o passe para postulantes com mais chances reais de vitória. É uma velha jogada.

O cenário segue no mais deplorável nível. A três meses da hora do voto, as opções na praça não inspiram confiança. Afora aqueles que adotam facilmente qualquer presepada estridente do tipo Jair Bolsonaro, a maioria da população continua firme no desprezo ao falatório de candidatos. A desolação no país é algo inédito.

Como a seleção não empolgou mesmo, a ressaca pelo fiasco já passou. Aos poucos, vamos reencontrando a agenda degenerada da política nacional. O que já é ruim fica um pouco pior diante da cobertura que predomina na chamada grande imprensa. Os donos do poder atiram para todos os lados na busca de seu preferido na eleição.

(Problemas com a tecnologia deixaram o blog sem atualização. Espero ter resolvido o caso definitivamente. Se não houver retrocesso, teremos novas divagações e algumas besteiras a cada dia. Este aqui é um texto para recomeçar a conversa com os leitores. Assuntos acumulados serão atacados em seguida).

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Na marca do pênalti

De volta ao jogo. A seleção brasileira avança e, para seguir até a final, tem agora o México nas oitavas. Os mexicanos assombraram o mundo na estreia, derrotando a Alemanha por 1 a 0. Os acontecimentos foram muitos nesses dias sem textos novos por aqui (por razões técnicas). Retorno, portanto, com pautas acumuladas, que se atropelam.

 

E estou falando da agenda Copa da Rússia. Os anfitriões já estão nas quartas, depois de despachar a até então favorita Espanha. Nosso terceiro jogo na fase anterior, contra a Sérvia, fortaleceu um aparente otimismo na torcida brasileira. Mas o time não jogou, em nenhuma partida, o futebol que chegou prometendo. E a seleção mudou.
 
Estamos com dois laterais que até ontem eram reservas. De repente, contusões deram a Fagner e a Filipe Luis a chance de assumirem como titulares. Danilo e o intocável Marcelo ficam no banco no jogo de hoje contra o México. Lá na frente, Neymar ainda está longe de mostrar as qualidades de um craque fora de série.
 
Croácia e Rússia precisaram dos pênaltis para conquistar vaga nas quartas. Os croatas bateram a Dinamarca, e os russos derrubaram a lógica do favoritismo espanhol. A partir do Mundial de 1986, o Brasil tem um histórico de decisões por pênaltis, incluindo o título de 1994. Espera-se que isso não seja necessário com os mexicanos.
 
A notícia mais absurda foi sobre um encontro entre Galvão Bueno e Neymar, o pai. Segundo li, seria uma tentativa de costurar um pacto entre as partes. O objetivo único desse acordo, claro, seria fazer com que a Globo não pegue no pé de Neymar, o filhote. Como se houvesse senso crítico no noticiário global sobre a Copa.
 
Ninguém parece cogitar um fiasco no desafio de hoje. Perder para o México não combina com a realidade escancarada. Isso não quer dizer que será fácil. Apesar de um certo clamor na imprensa, Tite ainda não se dobrou à ideia de mexer no ataque, trocando Gabriel Jesus por Firmino. O alagoano continua no banco.
 
Concentração para o jogo. Espero voltar ao longo do dia.
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Brasil ganha sem convencer

​Veio a primeira vitória brasileira na Copa da Rússia. Diante de um adversário inoperante, a seleção alcançou dois a zero no placar quando o jogo já estava nos minutos de acréscimo. A Costa Rica não ameaçou pra valer em nenhum momento ganhar a partida. Houve apenas um lance de gol, verdadeiramente perigoso, contra o Brasil. Mas, como todos viram, o resultado saiu no sufoco.

Em tese, Tite operou duas mudanças que deram certo. No intervalo, ele sacou Willian e entrou com Douglas Costa. O substituto deu mais velocidade ao time, com jogadas que tentavam tabela e invasões na área pela direita. Aos 20 minutos do segundo tempo, recorreu a Firmino, que entrou no lugar de Paulinho. Ficamos com dois centroavantes em campo. O gol tinha de sair para nos aliviar.

A poucos minutos do fim do jogo, Coutinho e Neymar mudaram as coisas. Agora vamos fechar a primeira fase contra a Sérvia. Um empate basta para selar a passagem às oitavas. O desempenho da seleção, nesta sexta-feira, não diminuiu o cardápio de preocupações sobre a força desse time. Uma das deficiências foi na hora do arremate após troca de passe ou arrancada.

Neymar chorou quando o juiz apitou o fim da partida. Depois, soltou mensagem de desabafo, avisando que ninguém sabe o que ele passou na vida, até chegar onde somente ele sabe que está. Uma mistura de marketing com dramalhão. As alterações abrem dúvidas sobre as ideias do treinador para o jogo contra a Sérvia. O lateral Fagner no lugar de Danilo, por contusão, deu conta do recado.

Os dois jogos, pode-se dizer, deixam mais preocupações e temores do que convicções quanto à caminhada da seleção na Copa. Não jogamos o futebol que todos esperavam, sobretudo após a campanha das Eliminatórias, depois de Tite assumir o cargo. As duas partidas também nos informam que o principal craque da seleção, Neymar, esteve muito abaixo do que tem obrigação de mostrar.

A vitória, de todo modo, alivia a alma de treinador e jogadores. Não se contesta a qualidade individual no time, mas Tite não provou ter encontrado o caminho mais certeiro para o triunfo do conjunto. Seu propalado coletivismo não se impôs em campo; só tem aparecido nas entrevistas cheias de conversa oca e escapismo. A marca do professor, se existe, ainda não tem um eixo.

Neste sábado, a atual campeã Alemanha faz um jogo de vida ou morte contra a Suécia. Depois de perder na estreia para o México, os alemães podem ser eliminados em caso de nova derrota. Mas tudo isso é especulação sobre duelos que podem gerar lances inesperados. Especulações também quando escrevo sobre o destino do Brasil. Por enquanto, muita bola ainda vai correr  

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O jogo jogado no campo da linguagem

Você já ouviu falar em sistema de jogo com duas linhas de quatro e dois volantes? E uma linha de cinco, com três zagueiros e dois meias avançados? Todo time precisa de um centroavante nato, aquele cara considerado especialista na grande área? Essas e outras questões provocam debates intermináveis entre comentaristas de todos os tipos. Raro é ver novidade no palavrório repetitivo. 

Em tempos de Copa do Mundo, a linguagem restrita ao esporte ganha a visibilidade natural decorrente da cobertura massiva na imprensa. Nos maiores portais de notícia do país, a pauta de política e economia foi sumariamente desbancada para segundo plano. Desde o pontapé inicial, no topo está tudo o que acontece nos jogos e também o que ocorre fora do gramado.

Um dos termos que parece uma criação mais recente é o adjetivo agudo. De repente, todo jornalista ou debatedor eventual cobra um personagem que mostre essa inusitada qualidade. Na seleção brasileira, o volante Paulinho é a peça que atraiu para si a quase novidade que é tal classificação. Por agudo, entenda-se o volante que dá uma arrancada e chega na área inesperadamente.

É um fenômeno que tem história: novas situações forçam o surgimento de palavras e expressões até então desconhecidas. O mais comum, no entanto, talvez seja a adoção de termos inéditos para descrever práticas antigas, mas que pintam até como revoluções, por causa, digamos assim, de um novo vocabulário. É o milenar dilema sobre o ovo ou a galinha no começo de todas as coisas.

Nesta quinta-feira, a Argentina precisa jogar bola, ou a casa cai. Depois de empatar na estreia contra a Islândia, o time de Messi não tem direito a mais um vacilo. Grandes seleções vivem perigo semelhante. É o futebol moderno, alerta o especialista que descobre essa modalidade esportiva a cada quatro anos. Não existe receita infalível e universal para garantir o êxito no placar.

Voltando à linguagem, o treinador também pode armar um esquema com duas linhas de cinco. Com essa formação (ou qualquer outra), o professor pode ainda lançar mão de um atacante que joga flutuando pela entrada da área. Nesse caso, flutuar é um dos verbos mais requisitados para uma análise do jogo. Uma moda verbal para se referir a algo que sempre existiu. 

Pensando bem, a cada bola fora, palavras ao vento e velhas ideias. Sem drama, é do jogo.

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A apreensão depois da estreia, Neymar Junior e as garotas russas

Depois de uma estreia que gerou mais desconfiança que empolgação, criou-se um certo suspense sobre como se portará a seleção brasileira no segundo jogo, contra a Costa Rica nesta sexta-feira. Após o gol de Philippe Coutinho na vitória sobre a Suíça, o time entrou num compasso um tanto sonolento, um ritmo inexplicável para analistas e torcedores de todas as tendências. Daí a apreensão.

Mas ninguém consegue ver como admissível um novo tropeço, ainda mais que o adversário não tem como assustar. Há quem defenda a entrada de Douglas Costa no lugar de Neymar; e a troca de Gabriel Jesus por Roberto Firmino. Sãos as vozes mais radicais, que pregam uma mudança incisiva no jeito de jogar dos brasileiros. Tite, no entanto, deve repetir a formação que começou a Copa.

Entre uma bola e outra na rede, os vídeos de nossos turistas torcedores na Rússia, com piadas grosseiras sobre garotas, provocam quase uma comoção nas redes sociais. Foi tanto barulho que virou pauta no Jornal Nacional. Os protagonistas da presepada estão até com medo, segundo leio na imprensa. Não esperavam tamanha repercussão; agora passam vergonha planetária.

Como se dá hoje em dia com qualquer tipo de acontecimento de repercussão, o espetáculo de patetice dos brasileiros com as russas alcançou o debate político (ideológico, para quem preferir). Esquerda e direita trocam sopapos também acerca do caráter e perfil dos sem noção. Sem dúvida, estamos diante de uma manifestação nada saudável. É bom que passem vergonha mesmo.

Voltando à amarelinha, dois camaradas acham que estou exagerando ao falar de Neymar Junior. Acusam-me de superestimar os erros cometidos pelo camisa 10 na primeira partida. Nessa toada, eu também estaria minimizando as qualidades mortais de nosso maior craque. De fato, corro o risco de ver meus chutes desmoralizados por uma apresentação de gala de Neymar e companhia. 

O alto risco faz parte do jogo quando estamos na praia das opiniões, diagnósticos e, principalmente, quando avançamos para desenhar previsões. Tudo fica ainda mais turbulento porque este é o mundo imprevisível da bola. Na véspera de completar uma semana de torneio, perdeu quem deveria ganhar e venceu quem parecia destinado ao fracasso. O México talvez seja a melhor surpresa.

E Neymar, como já escrevi, vai nos dizer, na próxima partida, se está disposto a jogar sério ou se vai continuar no embalo teatral e sem sentido da estreia. Mais uma vez, parece estar nas mãos do treinador a chave para resolver o caso. E, segundo leio por aí, o engajamento da torcida nacional subiu em relação ao marasmo inicial apontado pela imprensa. Até as vendas de camisa subiram.

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