A liberação do 9mm e o besteirol dos “especialistas” brasileiros

Da25261e 6a4e 4f5e 883e 43ec5507ca1b

A “Folha de São Paulo” e o jornal “O Globo”, entre outros, publicaram reportagens falando sobre a liberação do calibre 9mm para policiais civis e militares pelo Exército, liberação digna de nota e aplausos por qualquer um que saiba o mínimo sobre balística, armas, munições e suas aplicabilidades. Confesso que quando comecei a ler as matérias tive a impressão de que os policiais poderiam andar com famigerados lança-chamas, mísseis terra-ar ou armas nucleares, tamanho o sensacionalismo e o grau de profundo desconhecimento apresentado pelas fontes dos jornais.

Comecemos pelo título da matéria da Folha que, à guisa de caçar cliques, expressa uma tremenda inverdade. O que foi liberado para uso dos policiais não foi uma “arma do exército”, mas, sim, um calibre que sequer é de uso exclusivo das Forças Armadas, pois há tempos é usado por policiais federais e, mais recentemente, até por atiradores desportivos. Inclusive só é possível falar em “arma do Exército” ou das Forças Armadas no sentido de propriedade, uma vez que o Exército apenas adota certos tipos de armas e calibres, portanto um título honesto para a matéria seria: “Exército libera calibre 9mm para policiais estaduais”. Tão simples…

A ideia exposta em ambas reportagens de que o 9mm é um dos calibres mais letais do mundo não passa de bobagem sensacionalista. Ora, o 9mm não é mais ou menos letal do que os calibres .40S&W, .45ACP ou o .357 Magnum (estes dois últimos os meus prediletos para defesa), que já estavam liberados para uso particular de policiais e outras categorias!

Bom, primeiramente temos que entender o motivo de existir restrições de calibres no Brasil, fato que já abordei em incontáveis palestras, artigos, entrevistas e no livro Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento, de qual retiro o seguinte trecho:

“Getúlio Vargas ainda enfrentaria mais uma situação de confronto bélico, na revolução de 1932. Mas desta vez seria contra o estado mais rico da federação, São Paulo, que contava com uma força policial equipada com fuzis Mauser, metralhadoras Madsen, carros de combate, canhões e até mesmo alguns aviões de guerra. Além da Força Pública do Estado de São Paulo, os paulistas contavam com todas as organizações militares do exército brasileiro sediadas em seu estado, e com a ajuda de milhares de voluntários, que levaram suas próprias armas para o campo de batalha. Depois de 87 dias de duros combates, o governo de Vargas conseguiu vencer a guerra paulista, encerrando assim o último conflito armado ocorrido em território brasileiro. Mas a mensagem que ficou é muito clara: os paulistas não teriam sequer ousado levantar-se contra a ditadura de Vargas sem o armamento que tinham. Pouco tempo depois, em 6 de julho de 1934, o governo baixou o Decreto 24.602, criando as restrições de calibres e de armamentos, tanto para os cidadãos civis como para as polícias. É por consequência desse decreto que as polícias estaduais necessitam hoje da permissão do exército para comprar fuzis e armas de maior calibre, e frequentemente combatem os criminosos com equipamento inferior em poder de fogo.”

Comparação visual entre os calibres citados. O .380 é o único desses liberado para uso civil no Brasil.
Comparação visual entre os calibres. O .380 é o único
desses liberados para uso civil no Brasil.

 

No caso do 9mm, especificamente, o Exército decidiu por maiores restrições e o elegeu, na época, como calibre de uso exclusivo das Forças Armadas. E por qual motivo? Calibre que mata mais? Que atravessa trilho de trem? Que fura blindagem? Que derruba avião? Que pode tirar a terra de órbita tamanho seu poder? Nada disso! A lógica era que em casos de revoluções ou guerrilha – como a de 32 e a de 64 – mesmo que os guerrilheiros e revoltosos tomassem as armas de militares em ações, estes teriam dificuldade logística para conseguir munição… Tese que se mostra insustentável com a passada de olho em qualquer notícia sobre apreensão de armas e munições nas favelas cariocas ou de quadrilhas de São Paulo. Na prática, o 9mm, o 7,62mm, o 5,56 mm e até o calibre .50BMG se tornaram de uso exclusivo das Forças Militares e dos bandidos.

Teste balístico mostrando que a penetração entre
os calibres citados é praticamente a mesma.

No fundo, o calibre 9mm é tão somente um bom calibre para uso militar, policial e civil, coisa absolutamente corriqueira em diversos países do mundo como Estados Unidos, Suíça, Argentina e Uruguai, entre tantos outros. Criado por Georg Luger lá pelos idos de 1900 para uso militar na Alemanha, tinha limitações para uso policial e para defesa uma vez que, na época, o limitante para a desenvoltura do calibre incluía apenas o peso do projétil e a carga de pólvora, sendo que a configuração deste era sempre do tipo “totalmente jaquetada” o que, de fato, em certas circunstâncias, pode causar um “excesso” de penetração e baixa efetividade contra alvos humanos quando se fala em tirar o mais rápido o seu oponente de ação. Mas isso não é mais realidade! Quem continua afirmando sobre a “super-mega-blaster-penetação” de um disparo de 9mm está repetindo lendas criadas há mais de cem anos atrás!

A escolha do calibre .40S&W – que as reportagens fazem parecer um .22LR em comparação ao 9mm – é bastante discutível. Explico: a escolha ocorreu no final da década de 90 quando se chegou à conclusão – correta – de que os velhos e confiáveis revólveres .38SPL, empregados por praticamente todas as forças policiais do Brasil, já não eram páreo para o armamento mais sofisticado e moderno que começava a chegar nas mãos da criminalidade. Ao contrário do que se pode imaginar, a escolha ocorreu muito mais por “moda” do que por questões técnicas, e que pese que o 9mm era carta fora do baralho por conta da negativa do Exército em liberar esse calibre para uso policial.

O desenvolvimento do calibre .40S&W ocorreu após o trágico incidente em Miami, em 1986, envolvendo assaltantes de banco e agentes federais americanos, o qual resultou na morte de dois agentes e ferimento em outros cinco. Os dois criminosos, mesmo baleados diversas vezes, seguiram atirando. A necropsia em Michael Platt, um dos criminosos mortos, constatou que o primeiro tiro que ele levou parou a apenas alguns centímetros de seu coração. Esse disparo, se efetivo, teria salvado a vida dos dois agentes mortos. Qual calibre o FBI utilizava? 9mm!!! Entenderam? O tal calibre que, de acordo com a imprensa nacional, o ouvidor da polícia militar de São Paulo e o Coronel José Vicente, pode atravessar e matar várias pessoas com um único disparo não foi capaz de atingir o coração do criminoso! Explicarei mais à frente o motivo disso ter ocorrido.

Um bom filme sobre o episódio.
É possível encontrá-lo no Youtube

Após a terrível ocorrência, o FBI imediatamente iniciou a busca de um calibre novo, que tivesse a massa do projétil próxima do vetusto .45ACP e com a velocidade do 9mm. O primeiro calibre a surgiu foi o 10mm, que rapidamente se mostrou excessivamente forte para o uso policial – o pronunciado recuo praticamente inviabilizava tiros rápidos e precisos. Surge, então, o .40S&W, uma versão “fit” do 10mm, que foi adotado imediatamente pelo FBI. Bum! Praticamente todas as agências policiais americanas migraram para o novo calibre e essa migração, óbvio, foi seguida por órgãos de segurança do mundo todo, incluindo o Brasil. Honestamente eu nunca tive simpatia pelo calibre que se propunha a ter o que havia de melhor no .45ACP e 9mm, mas, para mim, acabou como o pato que nada, voa e anda, mas não faz nenhuma das coisas direito. Opinião pessoal, devido ao recuo maior que o .40, sem a massa do .45 e ainda por cima trabalhando no limite de pressão 100% do tempo.

Prova que o calibre .40S&W é tão somente mais um bom calibre é que o próprio FBI retornou ao uso do 9mm em 2015! A agência constatou que no episódio do tiroteio de Miami o erro não era do calibre, mas, sim, da configuração do projétil que expandia violentamente e não penetrava o suficiente. A escolha dessa configuração à época se deu por um dos mitos que sobrevive até hoje e que foi citado pelo Coronel José Vicente, provando sua total desatualização sobre o assunto: o inexistente fator de “Stopping Power”! Toscamente explicando, seria a capacidade de parar o oponente com apenas um disparo. O problema é que tal tese levava em conta uma inexistente transferência de energia para o alvo e, para que essa transferência ocorresse com mais eficácia, o projétil deveria ser veloz e expandir violentamente contra o alvo. Com essa configuração, “tchau penetração”, exatamente o problema letal enfrentado pelos agentes em Miami.

Bom, o texto já está bastante longo e acredito que entrar em mais detalhes poderia ser cansativo. Como explicação aprofundada dos aspectos técnicos que levaram o FBI a readotar o 9mm, convido você, leitor, a visitar o artigo “9mm, .40 ou .45? FBI decide pelo uso do calibre 9mm, veja o porquê”, autoria do agente da polícia federal, Hugo Cordeiro. A leitura é benéfica para entender a quantidade de asneiras que estão sendo ditas e repetidas sobre essa questão! Vale a pena também acompanhar no Instagram o instrutor e policial federal, Paulo Bedran (@paulobedraninstrutor), e o blog “Sobrevivência Policial” do amigo Humberto Wendling!

Agora encerrando, juro(!), vejo a liberação do calibre com ótimos olhos! Primeiramente mostra que o Exército começa a rever a ideia ultrapassada e fruto de um ditador. A liberação abre, quiçá, a possibilidade de que as Instituições policiais possam adotar institucionalmente o calibre que traz claras vantagens sobre o .40S&W, entre elas: menor peso das armas, mais munição por carregador, treinamento mais fácil por conta do menor recuo e, o principal, a possibilidade de sequências mais rápidas e mais precisas, o que pode significar a diferença entre a vida e a morte do policial! 

Enquanto a imprensa segue desinformando, o ouvidor da Polícia Militar de São Paulo segue preocupado com a letalidade policial e o Coronel José Vicente segue passando dados errados sobre armas e munições, os polícias seguem morrendo e as viúvas e órfãos seguem chorando. Os criminosos? Esses seguem comemorando o apoio ao desarmamento e às leis restritivas.

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Pesquisa confirma que maioria dos brasileiros quer o fim de qualquer restrição às armas de fogo

A351ce0d 59e3 4915 aa63 cb450ab8c9ab

De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Paraná Pesquisas, quase 70% dos brasileiros querem menos restrições para aquisição e porte de armas de fogo, destas, 52,7% se mostraram favoráveis ao fim de qualquer restrição.

 

Conforme nota enviada pelo Instituto, para a pesquisa foi utilizada uma amostra de 2.640 brasileiros. A pesquisa foi realizada a partir de questionário ONLINE (encaminhados à base cadastrada do Grupo Paraná Pesquisas), entre os dias 21 e 24 de agosto de 2017. Tal amostra representativa do território nacional atinge um grau de confiança de 95,0% para uma margem estimada de erro de aproximadamente 2,0% para os resultados gerais.

 

O resultado que pode indicar um crescimento desse posicionamento desde a realização do referendo de 2005 onde 63,94% votaram não à proibição do comercio legal de armas de fogo, esse crescimento é bastante perceptível para quem acompanha de perto o assunto e se traduz basicamente pela descrença – verdadeira! – de que o Estatuto do Desarmamento e suas restrições quase intransponíveis não refletiram em mais segurança. Se em 2005 a lei recém aprovada ainda gerava alguma esperança de sucesso isso é cada vez menor hoje.

Outro ponto que deve ser levando em conta é o crescimento do grau de conscientização sobre o assunto que ocorre graças às redes sociais, alguns veículos de imprensa que começam a se posicionar contra o malfadado Estatuto e a publicação, nos últimos anos de livros sobre o tema, em especial pela Vide Editorial que nos últimos dois anos publicou três títulos sobre o tema entre eles o Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento que nesta semana foi o segundo livro mais vendido na gigante Amazon.

 

Dos dados, o que mais me chamou a atenção é de que a maioria dos entrevistados se mostrou favorável ao fim de qualquer restrição. A resposta para esse posicionamento é simples: todas a restrições existentes até hoje no Brasil fracassaram em retirar dos criminosos o acesso às armas de fogo e isso leva à conclusão – correta – que tais restrições, por si, não são capazes de “desarmar” os criminosos. Algo do tipo: “se o bandido não tem qualquer restrição para comprar qualquer tipo de armas, porque o cidadão tem?”

 

A pesquisa torna-se uma forte ferramenta de apoio ao PL 3.722/12 do deputado Rogério Peninha que tramita na Câmara e que revoga a atual Lei 10.826/03 substituindo-a por uma legislação mais moderna e adequada não só ao que quer a população, mas também à necessidade urgente de se devolver ao cidadão o seu direito de defesa.

 

A integrada pesquisa que também trata de migração e mostra que a maioria dos brasileiros apoia o controle de quem pode entrar no Brasil está disponível aqui http://www.mvb.org.br/userfiles/Parana_pesquisas.pdf

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Luciano, Angélica e Freixo, entendam, o segurança dos meus filhos sou eu!

93aa23b7 9997 4e30 8381 c83d9341c772

 

 

Na semana passada alguém no Twitter desenterrou uma postagem do apresentador global Luciano Huck onde ele dizia: “Contra malucos, psicopatas e afins...pouco podemos fazer. Mas contra as armas de fogo, é só vontade pública e política. Desarmamento, já.” Mesmo sendo uma postagem de 2011, feita após o trágico ataque ocorrido em uma escola de Realengo, não perdi a chance de fazer uma provocação óbvia: “E o desarmamento dos seus seguranças? Já fez?”.

 

O casal Luciano Huck e Angélica não abrem mão de serem escoltados por seguranças armados, e não entregam a segurança de seus filhos ao Estado, exatamente da mesma forma que o fazem com a saúde e a educação públicas. E estão certíssimos! Se rico eu fosse, também cercaria meus bens mais preciosos de gente armada e capacitada para defende-los. Não, não se trata de inveja ou qualquer coisa desse tipo, o problema é que esse mesmo casal é defensor ferrenho do desarmamento e divulgam a ideia de que armas só servem para matar, ao que parece menos as armas dos próprios seguranças.

 

Hoje, 31 de agosto, o deputado estadual do PSOL, Marcelo Freixo, participou de um excelente debate com o também deputado Flávio Bolsonaro realizado pelo pessoal do Descomplica e foi clara sua dificuldade em sustentar que armas são ruins enquanto tentava explicar o motivo de ser o deputado estadual que mais requisitou seguranças armados no Rio de Janeiro. Segurança essa feita por polícias e agentes penitenciários que foram desviados da sua função primária de promover segurança PÚBLICA para garantir a segurança PARTICULAR do deputado desarmamentista e sua família. Como eu disse acima, o problema não é recorrer a pessoas armadas para garantir sua vida, mas sim fazê-lo enquanto defende que o cidadão, mesmo preparado, não deve ter o direito de defesa com o uso de armas. A gravidade cresce exponencialmente quando tudo isso acontece com o dinheiro do contribuinte.

 

Tenho certeza que 99,9% das pessoas que estão lendo este artigo não são milionários, deputados, senadores, governadores ou presidente da república para contar com as reais benesses da segurança armada e carros blindados. São gente como eu, que com muito sacrifício mantém os filhos em uma escola particular minimamente decente, paga convênio médico para evitar cair nas garras da saúde pública, mas nunca terá dinheiro para arcar com custos de seguranças armados 24 horas por dia e o conforto de carros blindados. Luciano, Angélica, Freixo e demais desarmamentistas protegidos por gente armada, o segurança dos meus filhos sou eu, mas provavelmente vocês nunca entenderão o que significa isso do alto de suas torres de marfim e de seus reluzentes carros blindados.

 

Favoráveis ao desarmamento, mas muito bem protegidos por pessoas armadas.
 

 

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Deputado da Bancada do Bombom quer acabar com o porte de arma de atiradores e endurecer o Estatuto do Desarmamento

F88507e7 7923 4182 bd0c 0db452f0c904

ATENÇÃO: APÓS A PUBLICAÇÃO DESTE ARTIGO O DEPUTADO RETIROU O PROJETO DE LEI

 

Você já ouviu falar no deputado Evair Vieira de Melo do PV do Espírito Santo? Eu confesso que só soube de sua existência por conta de uma postagem do Gregorio Duvivier, aquele militante de extrema esquerda do Leblon travestido de comediante. Na dita publicação o comediante faz chacota do deputado e o desafia a defender o desarmamento encabeçando uma imaginária Bancada do Bombom. O deputado então resolveu levar a sério o escárnio público e apresentou um Projeto de Lei endurecendo ainda mais o Estatuto do Desarmamento! Não, não é brincadeira!

 

Destaco alguns pontos simplesmente inacreditáveis:

 

“O registro junto ao Comando do Exército de colecionador, atirador e caçador não autoriza o porte de armas de fogo municiadas, ainda que no deslocamento entre o local de guarda do acervo e o local de prática da atividade.”

 

“Nas mesmas penas incorre quem portar réplicas e/ou simulacros de armas de fogo de uso capazes de atemorizar outrem, sem prejuízo de pena imputada pelo crime cometido com o respectivo simulacro.”

 

“Colecionadores de arma de fogo longa de uso restrito ou proibido terão o prazo de até noventa dias, a partir da promulgação da presente alteração, para retirarem o mecanismo de disparo ou cimentar o cano, sob pena da cassação da autorização e apreensão da arma nos termos do art. 16-A”

 

O risível Projeto de Lei do deputado da Bancada do Bombom foi apensado ao PL 3722/12, o que na prática mata-o no nascedouro embora ainda possa, em tese, ser desapensado e tramitar normalmente. Seja como for, fica a lição de que a ignorância e a falta de seriedade com um assunto tão grave e urgente não possuem limites no Congresso Brasileiro...

 

 

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

O desarmamento na Venezuela e o desespero de quem defende ideias totalitárias

Dca80bb9 7443 4335 87b0 a2ea28eb7948

O tal “socialismo do século XXI”, um mero slogan inventado por Heinz Dieterich – sociólogo e espécie de conselheiro informal do processo de bolivarianismo que contaminou boa parte da América Latina e de forma mortal a Venezuela –  está ruindo a olhos vistos. Miséria, fome, violência, autoritarismo e repressões violentas tomam conta do país, que até 2001 era o país mais rico da América do Sul.  Maduro, o herdeiro maldito do Chavismo, torna-se cada vez menos defensável, a não ser, claro, para boa parte da esquerda. Dentro desse contexto é fácil imaginar que pessoas, grupos e organizações tentam se distanciar de qualquer coisa ligada a Maduro, ainda mais quando se tem no passado, enterrado no porão, o apoio às políticas como a do desarmamento civil.

 

Se na extinta União Soviética vencedores ideológicos manipulavam fotos, reescreviam documentos e livros para obliterar a existência dos vencidos, hoje, a tentativa de se apagar publicações comprometedoras se dá em um simples clique. E foi exatamente o que fez o Viva Rio ao apagar de sua página a publicação na qual, orgulhosamente, estampava sua colaboração com o regime chavista, com o objetivo de implantar o desarmamento nos mesmos moldes brasileiros. Essa organização, cria de George Soros, não estava sozinha nessa empreitada, que contava também com a colaboração ativa de ninguém menos que a própria ONU através do Centro Regional das Nações Unidas para a Paz, Desarmamento e Desenvolvimento da América Latina e Caribe (UN-Lirec).  O problema para esses “reescritores” de fatos é que desaparecer com coisas da Web não é tão simples assim, e a postagem original ainda pode ser achada no site Web Archives. O vídeo, que ilustrava tal matéria, ainda se encontra no canal do YouTube da ONG.

 

Dá para piorar? Dá, sempre dá! Pior que a tentativa frustrada de enterrar o passado sombrio e vergonhoso de apoio aos ditadores Chávez e Maduro é negar que houve desarmamento naquele país. E foi exatamente o que fez o jornalista Reinaldo Azevedo por quem, confesso, já tive admiração no passado. Vejam o trecho:

 

“Os ‘grupos de autodefesa’ criados por Chávez fizeram da população civil umas das mais armadas do planeta. Aliás, os que defendem o fim do Estatuto do Desarmamento no Brasil em nome da chamada ‘autodefesa’ estão se alinhando com uma tese… chavista!!! O curioso é que tal discurso, em Banânia, tem origem na extrema-direita. No país vizinho, foi manipulado pela extrema-esquerda. Bastaria isso para evidenciar como uns e outros estão certos, não é mesmo? “

 

Entenderam? Para o jornalista não houve desarmamento na ditadura Venezuelana e nós, que defendemos o fim do criminoso Estatuto do Desarmamento, estamos do lado de Chávez et caterva! Mentalmente solto alguns palavrões (que não estamparei aqui) e chego à conclusão que para defender esse mantra sagrado do tucanato, algumas pessoas não pensariam duas vezes em aderir até à tese da terra plana.

 

Não é preciso muito para se comprovar que houve, sim, desarmamento implantado na Venezuela e que este é cópia quase fiel do que ocorreu no Brasil, iniciado por Fernando Henrique Cardoso em seu primeiro mandato como presidente. Tal notícia foi destaque em praticamente todos os portais e sites de notícias no Brasil, como o portal Vermelho.org, Exame, UOL e Veja. O destaque fica por conta da reportagem feita pela gigante Fox News, que ganhou legendas em português do pessoal do “Tradutores de Direita” e que você pode assistir clicando aqui .

 

Da mesma forma que a ditadura venezuelana buscou desarmar a população e seus possíveis opositores, tratou logo de armar milícias e aqueles que são fiéis ao ideário socialista, atitude que praticamente todos ditadores fizeram em maior ou menor grau, tendo como Hitler o seu expoente máximo, que usou a legislação controladora da República de Weimar para desarmar os eleitos inimigos do Estado Alemão e, óbvio, garantiu o armamento nas mãos do próprio Estado e de seus fiéis simpatizantes.

 

Até mesmo o armamento das milícias me cheira a um grande blefe de falastrões. As imagens, amplamente divulgadas por Chávez, onde milhares de milicianos aparecem com seus reluzentes fuzis FAL, mostram que estes estavam sem seus carregadores e, portanto, desmuniciados. Pode ser apenas para se evitar disparos acidentais por quem obviamente não tem proficiência com armamento? Pode! Mas não duvido boa parte disso seja pura encenação e, após os desfiles e fotos, o armamento voltou aos quartéis e arsenais oficias. Recentemente Maduro afirmou que ampliaria a milícia para quinhentos mil cidadãos e o Exército garantiria um fuzil para cada um. Difícil, muito difícil, imaginar meio milhão de voluntários armados, que literalmente não têm papel higiênico para limpar a bunda, defendendo o governo. Muito mais fácil seria ver um levante dessas pessoas, em tese armadas e treinadas, contra Maduro, que diferente de Chávez não possui qualquer carisma.

 

Afirmar que não houve desarmamento na Venezuela e que a luta pela legítima defesa é coisa de gente alinhada ao chavismo, ao autoritarismo ou ao totalitarismo, não se trata de um ponto de vista ou erro de interpretação, mas, sim, de uma enorme mentira insustentável de quem tenta não ser reconhecido por se alinhar com grandes desarmamentistas como Lenin, Stalin, Fidel Castro, Pol Pot ou Hitler. Pode dar piti, fazer birra, citar Machado de Assis e o escambau… Nada disso mudará a verdade de que quem se alinha às ideias chavistas são aqueles que defendem a manutenção do Estatuto do Desarmamento e o monopólio da força nas mãos do Estado; o resto é uma fraude desesperada de quem, no fundo, alinha-se ao que diz combater.

Em tempo e a bem da verdade: Jair Bolsonaro, diferentemente do que acusa falsamente Reinaldo Azevedo, jamais pregou a existência, criação ou manutenção de milícias armadas. Sua proposta é simplesmente devolver ao cidadão o direito à legítima defesa, direito esse ferido de morte pelo Estatuto do Desarmamento. Isso é exatamente a antítese daquilo que defendem os desarmamentistas, ou seja, não privilegiar certas classes ou grupos que continuam armados com as bençãos do próprio Estado, incluindo os criminosos que não dependem da legislação ou de burocratas.

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

As raízes da insegurança pública brasileira e a lição de Joaçaba

Dbe512e6 e62f 40da b495 b6f94ee0615d

Nesta última semana, juntamente com o deputado Rogério Peninha, autor do PL 3.722/12, que revoga o Estatuto do Desarmamento, fiz uma maratona de palestras em Santa Catarina. Foram quatro cidades em três dias agradavelmente corridos. Em ordem, palestrei em Dionísio Cerqueira, Chapecó, Joaçaba e Criciúma. Cada cidade, como quase sempre acontece quando viajo, me traz novas experiências, e me focarei aqui em duas delas.

 

 Em Dionísio Cerqueira pude constatar o descontrole absoluto de nossa fronteira com a Argentina, onde entrei e sai sem qualquer verificação, nem mesmo de documentos. Poderia estar fugindo do Brasil ou levando drogas para outro país que nada me impediria. No retorno, a mesma realidade. Na mala alguns potes de chimichurri, cervo em conserva, alfajores e algumas garrafas de vinho. Poderiam muito bem ser armas, munição e drogas. Para efeitos de fiscalização não haveria a menor diferença. Também foi nesta pequena cidade que, após a palestra, um capitão da polícia militar confessou que estava ali preparado para contestar o que os ditos especialistas em segurança pública repetem com exaustão; para isso havia trazido papel e caneta e anotaria todos os pontos contestáveis… Saiu com a folha em branco. Excelente sinal para uma palestra que eu estreava, onde, além do desarmamento, procurei analisar como o marxismo contaminou nossos gestores de segurança e catastroficamente nos trouxe até aqui.

 

O teste de fogo acabaria por acontecer em Joaçaba. O evento, capitaneado pelo Juiz de Direito Márcio Bragaglia, carinhosamente apelidado de “Mão de Bigorna” por conta de seu extremo rigor com os criminosos, ocorreu no auditório da UNOESC (Universidade do Oeste de Santa Catarina) e contou com um público de mais de 600 pessoas. O que me chamou a atenção e, confesso, encheu minha alma de temores, foi a presença maciça da elite da segurança pública daquela cidade. Estavam presentes juízes, promotores, delegados, oficiais da Polícia Militar, policiais civis e militares. Digo agora aliviado que, aparentemente, me saí muito bem, não recebendo qualquer contestação sobre minha explanação, mas sei que isso não aconteceu por acaso…

Nos últimos anos Joaçaba e regiões próximas implementaram uma política de segurança pública impermeável à ideologia reinante da qual falei longamente na palestra. As armas de fogo, por exemplo, não são tratadas como problema, mas vistas como simples objetos e o seu uso é o que importa. Assim, um sitiante com uma espingarda sem registro, pendurada na parede de casa não é tratado como um traficante com um fuzil. Nas palavras do delegado Regional de Joaçaba, Daniel Sá Fortes Régis: “Se um lavrador tem uma espingarda sem registro a responsabilidade não é dele e sim do legislador que tornou praticamente impossível o contrário”. Sim, eu também me espantei – e me alegrei! – com a clareza de pensamento da autoridade policial, clareza esta que, naquela região, não é só dele!

 

Outro exemplo que precisa ser conhecido é do Presídio Regional de Joaçaba onde vigora rigor máximo e ordem extrema. Não, não se trata de uma dessas masmorras que são chamadas de presídios no Brasil. Ali existe dignidade na mesma proporção que existe austeridade, tanto para os agentes quanto para os apenados. Nas celas não há um só risco nas paredes, os bloqueadores de celular funcionam plenamente e as drogas simplesmente não entram! Nunca vi nada assim no Brasil.

 

O juiz Márcio Bragaglia, que não por acaso é aluno de Olavo de Carvalho desde antes de se tornar um magistrado, implementou no presídio um programa absolutamente inédito no Brasil chamado “Reeducação do Imaginário”. Os presos são convidados a lerem, de forma conduzida, clássicos da literatura, escolhidos a dedo e com sequência obrigatória. São eles: Crime e Castigo, Coração das Trevas, Othello, Moby Dick, O Vermelho e o Negro, A Montanha Mágica, Paraíso Perdido, Macbeth, A Morte de Ivan Ilitch, O Senhor dos Anéis, Grandes Esperanças e Fahrenheit 451. Como explicado no artigo “Reeducação do Imaginário: 12 clássicos depois”, publicado no site Mídia Sem Máscara: “A seleção das obras se dá com base no encadeamento de temáticas relevantes aos objetivos do projeto: culpa e arrependimento, escolhas e consequências, responsabilidade pessoal, aprimoramento da percepção (inclusive de questões transcendentais), reflexão sobre a dor e sofrimento causado e suportado, fardos, preço e valor da liberdade”. O resultado disso? Menos de 5% de reincidência por aqueles que passaram pelo programa.

 

Enquanto outras cidades e regiões com o mesmo perfil apresentam um crescimento alarmante de todos os tipos de crimes isso não ocorre em Joaçaba, dados de 2015 ajudam a explicar o fenômeno:

  • Acréscimo de 336,84% no número de mandados de busca e apreensão representados e cumpridos em toda a região;
  • crescimento de 76,84% de prisões efetuadas;
  • 6,80% no acréscimo total do número de inquéritos policiais concluídos;
  • 100% dos homicídios solucionados.

Em reportagem à Rádio Catarinense, Dr. Régis manda um forte e inequívoco recado aos criminosos: “A região de Joaçaba, que já se sentia segura, não fugimos a nossa responsabilidade e o sujeito que vem para Joaçaba, está traficando, roubando, furtando pode ter absoluta convicção de que nós vamos prendê-lo”. E, pelos números acima, vemos que não se trata de discursos, mas, sim, de fatos.

 

Haveria muito mais sobre o que escrever, mas termino por aqui afirmando que saí de lá com esperanças renovadas e com a certeza de que uma segurança pública que funciona necessita imediato afastamento da ideologia dominante atual e integração de pensamento entre todos os órgãos da segurança. O cidadão armado deve ser visto como um auxiliar dessa segurança, a ilegalidade da arma está na sua utilização e não em um pedaço de papel expedido por um burocrata estatal. O que funciona para ressocialização é o choque de valores e ouso afirmar que só o conservadorismo pode salvar a segurança pública no Brasil.

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Ladrões de ovelhas são encurralados por produtores e chamam a polícia!

7de303b6 1c3b 4704 bf56 225571dfb8a4

O fato, bastante curioso e ilustrativo, ocorreu no Arroio Queromana em Alegrete, cidade do Rio Grande do Sul. Dois acusados de abigeato – furto de animais do campo – foram flagrados enquanto tentavam cometer mais um crime e a bala comeu! Acabaram acuados em outra propriedade e sem saída ligaram para polícia dizendo que estava ocorrendo um tiroteio. Claramente sabedores da nossa legislação e como ela aconchega em seus braços muito mais os criminosos que suas vítimas, foram ouvidos na delegacia e liberados em seguida. Os policiais – a quem parabenizo efusivamente por não complicarem a vida dos produtores – não encontraram nenhuma arma. A notícia completa foi publicada no jornal Alegrete Tudo.

Não é a primeira vez que isso ocorre. Lembro-me de um episódio de muitos anos atrás onde um comerciante teve sua loja invadida durante a noite e efetuou um disparo de advertência colocando o gatuno para correr. Não contava a vítima que o criminoso ligaria para polícia e faria uma denúncia “anônima” contra o comerciante que acabou com sua arma apreendida e detido por posse ilegal. Sim, vergonhoso.

Assim que me deparei com o fato lembrei de uma vasta pesquisa feita em meados da década de 80 - e ampliada na década de 90 - pelos professores Peter H. Rossi e James D. Wright intitulada “Armed and Considered Dangerous: A Survey of Felons and Their Firearms”. A pesquisa, encomendada pelo Departamento de Justiça Americano, consistiu em um vasto questionário aplicado para 1.874 criminosos condenados e presos nos estados de Michigan, Missouri, Oklahoma, Minnesota, Nevada, Arizona, Florida, Georgia, Maryland, e Massachusetts.

Entre tantas conclusões de relevância uma delas é que a maioria - 57% - dos presos tinham muito mais medo de um cidadão armado do que de um policial. O caso de Alegrete, descrito acima, mostra o motivo... E não é só isso. Vejamos outros pontos levantados:

81% afirmaram que procuram saber antes se a vítima está armada;

74% dos bandidos afirmaram evitar entrar em residências onde sabem morar cidadãos armados;

40% disseram que deixaram de cometer crimes por medo de que a vítima estivesse armada;

56% disseram não abordar vítimas que desconfiem estar armadas.

Isso levando-se em conta que o questionário foi livremente preenchido pelos detentos que poderiam, por assim dizer, evitar expor suas fraquezas e o quanto pesa o efeito de dissuasão da posse e o porte de armas. Efeito esse que desapareceu no Brasil com o advento do Estatuto do Desarmamento dando mais segurança apenas aos criminosos.

 

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Harvard afirmou que mais armas significam menos crimes? Não!

744a0eb6 343b 4015 b9ac 4e463451914e

Imagine que você entrou em um debate sobre a questão das armas e do desarmamento. Imagine que esse debate está sendo transmitido ao vivo para milhares, quiçá milhões, de pessoas. Você está vencendo de goleada. Entusiasmado, guarda para o final, para o último minuto, seu Super Trunfo e dispara contra seu oponente: “até a Universidade de Harvard já publicou um estudo afirmando que ‘Direito da posse de arma reduz criminalidade’”! Um leve sorriso aparece no rosto de seu oponente que vê a chance de destruir toda sua credibilidade conquistada durante o estressante debate e responde: “Não, meu caro armamentista, não existe nenhum estudo feito por Harvard nesse sentido e eu o desafio a mostrar esse documento, peço aos amigos que estão nos assistindo que procurem esse suposto estudo e sei que não encontrarão!” Pronto, tudo que você afirmou durante mais de uma hora é imediatamente envolto em uma névoa de desconfiança… 

Bom, mas quem está certo? Afinal, muitos que estão lendo isso já se depararam com afirmações sobre o tal estudo e não foram poucos que saíram repetindo e divulgando esse – possível – grande feito de uma das mais conceituadas universidades do mundo. Sinto dizer, mas quem está com a razão – pelo menos em parte – é o desarmamentista. Que ódio! Sim, eu também adoraria que esse estudo existisse e fosse ratificado por uma grande universidade, mas não existe!

Não é de hoje que venho abordando de forma discreta essa questão, mas infelizmente isso não foi suficiente para que essa falsa informação parasse de circular e deixasse de ser erroneamente usada. Não tenho dúvidas que o debate ficcional acima possa realmente acabar ocorrendo, por isso esse meu alerta.

O tal estudo na realidade é um artigo – excelente, por sinal! – intitulado “Would Banning Firearms Reduce Murder and Suicide?”, autoria de Don B. Kates e Gary Mauser. Os dois autores têm um extenso histórico crítico às políticas de restrição para posse e porte de armas. Mauser foi o primeiro e um dos únicos criminologistas canadenses a afirmar que a política de registro de armas longas no Canadá seria um fracasso. Com mais de uma década de antecedência anteviu o que ocorreria, já que em 2015 aquele país abandou definitivamente o processo de registro para armas longas, o que custou bilhões e não solucionou ou impediu um só crime.

A confusão, até onde consegui levantar, começou em 2015 quando um site chamado Beliefnet publicou o artigo “Harvard University Study Reveals Astonishing Link Between Firearms, Crime and Gun Control”. O site não deixava claro, muito pelo contrário, que o tal estudo era simplesmente um artigo publicado no Harvard Journal of Law & Public Policy, portanto não há qualquer relação direta ou mesmo anuência da Universidade para o seu conteúdo que, repito, é excelente.

Peço aos amigos e leitores que me ajudem a repassar essa informação adiante. Com a quantidade de dados, fatos, estudos, artigos e argumentos a nosso favor não precisamos e não devemos usar as armas dos desarmamentistas, ou seja, a desinformação, a falsidade, a enganação, a distorção e toda sorte de contorcionismo argumentativo para justificar o injustificável, fazendo exatamente como eles no tal “estudo” de Stanford.

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Armas: Estudo produzido por professor de Stanford não passa de ilusão

1ed6822f 772c 43b6 b47f a2e941b9bd6f

Nos últimos dias muitos amigos me enviaram uma reportagem publicada pela Vice que abordava um estudo da Universidade de Stanford que provaria que a ampliação do direito à liberação do porte de armas nos Estados Unidos estaria diretamente relacionada com o aumento de crimes violentos. 

Sempre que vejo uma matéria desse tipo já penso: “Bem, vamos ver onde está a mentira”. Desta vez não foi diferente. Entrei imediatamente em contato com o Professor John Lott, autor de diversos livros, entre eles Mais Armas, Menos Crimes e Preconceito Contra as Armas. O Professor apontou, de imediato, erros grotescos, distorções e falhas no modelo estatístico dos autores do tal estudo.

Primeiramente é necessário verificar que o surgimento da pesquisa não foi aleatório e ocorre exatamente quando a NRA – National Rifle Association – está processando o estado da Califórnia por desrespeitar a Segunda Emenda à Constituição Americana. Para quem não sabe, tal emenda garante ao cidadão americano a posse e o uso de armas de fogo. Obviamente a tese já foi convenientemente anexada ao processo em uma clara tentativa de influenciar a decisão da Suprema Corte.

Dentre os diversos problemas encontrados nas análises nada imparciais, temos a escolha, digamos, criteriosa de apenas alguns tipos de crimes, exatamente aqueles onde encontra-se um suposto crescimento após a aprovação de legislações mais permissivas ao porte de armas, e a exclusão, mui conveniente, de outros tipos como, por exemplo, o estupro, que aparece entre os crimes que mais reduziram, exatamente por conta da possibilidade de defesa das mulheres que hoje já somam 26% (2) de todos os portes de armas emitidos.

Tudo bem… Imaginemos que o estudo estivesse realmente certo e que as leis menos restritivas fossem responsáveis pelo aumento dos homicídios e de outros crimes cometidos com armas de fogo. A única possibilidade de tal fato acontecer é se os detentores do porte de armas estivessem cometendo esses crimes, correto? Porém, como aponta John Lott, isso simplesmente não está acontecendo. Vejamos abaixo alguns exemplos interessantes e que desmentem a causalidade entre liberação do porte e aumento desses crimes.

Minnessota nos anos 2015, 2014, 2013, 2012, 2011 e 2010 não teve um único porte de armas revogado porque o seu detentor foi condenado por assalto. Para melhor ilustrar, nenhum dos mais de 7.000 assaltos cometidos em 2015, nenhum, absolutamente nenhum, foi cometido por pessoas legalmente armadas. Parece-me bastante lógico imaginar que ninguém que pretenda cometer um crime requisitará um porte legal para isso, mas é sempre bom explicar...

E outros tipos de crimes? São cometidos por detentores de porte? Sim, porém são estatisticamente desprezíveis. Em 2015, no estado de Luisiana, foram registrados 25.208 crimes violentos, dentre esses apenas dezenove eram detentores de porte de armas e – atenção – nem todos os crimes envolveram armas, muitos acabaram em absolvição, como, por exemplo, cidadãos que agiram em legítima defesa. Mesmo que todos os dezenove crimes acabassem em condenação e estabelecimento da culpa, estamos falando de uma porcentagem de 0,08% dos crimes violentos. 

Os autores do estudo de Stanford afirmam que neste ano – 2015 – os crimes violentos cresceram 15,4% após aprovada a lei que liberou o porte. Como pode, então, 0,08% significar um crescimento de 15,45? Não pode! É impossível! Simplesmente não há como estabelecer um nexo causal entre uma coisa e outra!

Outro ponto importantíssimo é que mais de 70% dos condados que entraram no estudo tiveram nos últimos anos taxa zero de homicídios. Neste caso, o correto seria descartar esses condados do estudo comparativo, pois, por um lado, é impossível que se tenha uma taxa negativa de homicídios e, por outro lado, se houve um único homicídio, mesmo que sem qualquer relação à legislação permissiva, isso causaria profundo impacto na análise. 

Em resumo, nestes condados, é possível medir o crescimento, mas é impossível medir o decréscimo nos homicídios já que ele nunca ocorrerá e isso fere qualquer possível credibilidade das afirmações feitas pela “pesquisa”. Credibilidade que já não é das melhores, uma vez que erros no modelo estatístico e falsidades contidas em estudos passados dos mesmos autores jamais foram respondidas, mas simplesmente repetidas nesse “novo estudo”.

Como bem disse Lott em seu último artigo , a imprensa não pensa duas vezes em confrontar qualquer pesquisa que aponte os benefícios das armas na mão da população, mas faz exatamente o contrário quando o sentido é inverso. Há muito mais semelhanças entre a imprensa tupiniquim e a Yankee do que sonha nossa vã filosofia.

 

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

América Armada: Como o jornalismo ideológico destrói o debate verdadeiro

E512d948 3967 47a9 a840 ad4396dffeeb

A Pew Research Center, importante centro de pesquisas americano, divulgou recentemente uma ampla pesquisa, intitulada “America’s Complex Relationship With Guns”(1), sobre a posse, o porte e os proprietários de armas nos Estados Unidos. Como a imprensa brasileira noticiou o fato? Assim: “Mais de 80% dos americanos querem mais controle sob armas, aponta estudo”. Estadão, Exame e muitos outros veículos de informação saíram simplesmente repetindo a manchete da agência espanhola EFE(2), sem qualquer preocupação de checar se era verdade. E é? Não! Ou, pelo menos, não bem assim.

Primeiramente temos que ter em mente que hoje todos nos transformamos em consumidores de manchetes e, devido à quantidade de informação disponível, acabamos focando apenas e tão somente em meia dúzia de assuntos por quais temos mais interesse. Eu, por exemplo, nunca fui afeito ao futebol, portanto, quando passo meus olhos pelos sites de notícias, jornais ou revistas, no máximo bato o olho nas manchetes sobre o tema; se um jornalista diz que determinado time é o melhor daquele momento, tendo a aceitar isso como verdade.

A manchete estampada sobre o estudo em questão leva a entender que nos EUA a maioria da população quer – e exige – mais restrições e, quase inconscientemente, nosso cérebro pode chegar à conclusão que mesmo lá a população deseja controles muito mais rígidos ou até mesmo algum tipo de desarmamento. É esse o exato objetivo da matéria! Nada mais falso!

Uma recente pesquisa(3) do instituto Gallup confirma a falsidade da manchete. O que a pesquisa aponta é que a maioria apoia ou aceita algum tipo de controle, o que é bem diferente de querer ou exigir. Ora, isso é o óbvio! Afinal, quem em sã consciência vai querer que um criminoso reincidente ou alguém com sérios transtornos mentais possa entrar em uma loja e sair com um fuzil? Essa aceitação por controle é coisa velha e eu mesmo já falei dela no artigo “Como os democratas derrotaram o desarmamentismo de Obama”(4), no qual abordo a aproximação de Democratas e Republicanos nessa questão. Há um abismo entre o que aponta o estudo e a manchete divulgada, esta última trazendo, obviamente, um viés ideológico.

A íntegra(5) do estudo encontra-se disponível no site do Instituto. Em suas 79 páginas traz uma gigantesca quantidade de informações para quem quer entender de uma forma honesta, independentemente da posição que já tem sobre o assunto, a questão das armas de fogo na América. A pesquisa revela dados que podem dar subsídios para interpretações, análises e conclusões sobre esse tema eternamente em pauta no Brasil. Reduzir a importância de um material de tamanha relevância e riqueza de informações à guisa de impor uma ideologia antiarmas ou favorável ao desarmamento é empobrecer o debate e sonegar ao leitor informações, oposto do que deveria ser o papel do jornalismo.



1 http://www.pewsocialtrends.org/2017/06/22/americas-complex-relationship-with-guns/

2 https://www.efe.com/efe/brasil/sociedade/mais-de-80-dos-americanos-querem-controle-sob-armas-aponta-estudo/50000246-3306172

3 http://www.cadaminuto.com.br/noticia/294547/2016/10/27/pesquisa-gallup-confirma-americanos-nao-querem-mais-controle-de-armas


4 http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/como-os-democratas-derrotaram-o-desarmamentismo-de-obama-3dpsmcs6fvzn6uap460c7a1wn


5 http://assets.pewresearch.org/wp-content/uploads/sites/3/2017/06/22135403/Guns-Report-FOR-WEBSITE-PDF-6-21.pdf

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
Comercial (82) 3313.6040 (82) 99812.2189 comercial@cadaminuto.com.br
Redação (82) 3313.2162 (82) 99664.2221 cadaminutoalagoas@hotmail.com