O ataque no Texas e as lições sobre armas, radicais e cristãos armados

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Os ataques perpetrados em solo americano têm assumido nos últimos anos um perfil, digamos, interessante: praticamente todos, com exceção daqueles efetuados por terroristas islâmicos, possuem como protagonistas membros com ligações ao Partido Democrata, a esquerda americana, usando armas ilegais em boa parte das vezes e, como desde sempre, os alvos são em sua maioria os locais categorizados como “gun free zones”, ou seja, locais públicos onde ninguém pode entrar ou permanecer armado mesmo tendo autorização para isso.

O último ataque, ocorrido em uma igreja no Texas segue o mesmo padrão. O autor, que foi desligado por desonra da Força Aérea Americana e portanto era proibido de comprar e possuir legalmente armas em solo americano, se declarava antirreligioso e tinha participação ativa no movimento intitulado Antifa que em tese seria formado por ativista que lutam contra o fascismo, mas que embora, via de regra, usam os mesmos expedientes daqueles que dizem combater. É uma espécie de “black block” da terra do Tio Sam. Não há como negar que seus alvos consistiam de um público majoritariamente conservador, tal qual no ataque em Las Vegas.

Entre aqueles que vivenciaram o ataque e sobreviveram, todos disseram que ele só não continuou porque um vizinho da igreja abriu fogo com um fuzil contra o autor do massacre atingindo-o com pelo menos um tiro, outro morador, também armado ajudou no confronto e perseguição. Não sem motivos, os dois estão sendo considerados heróis. Se fosse no Brasil veríamos toda sorte de especialistas e autoridades condenando o ato de bravura que pode ter salvado outras vidas em um evento imprevisível. O terrorista foi encontrado morto em seu carro.

Ao contrário do que torciam os “analistas” nacionais, quase que imediatamente, o governador do Texas que é do partido Democrata descartou qualquer possibilidade de se modificar a lei estadual para que haja maiores restrições e uma série de autoridades, policiais, pastores e cidadãos imediatamente levantaram uma questão há muito debatida nos EUA: as igrejas serem, por lei, zonas livres de armas só as fazem um apetitoso alvo para predadores e psicopatas. Uma das vozes mais atuantes nesse ponto é pastor Charl van Wyk, que quando era um jovem de apenas 21 anos salvou aproximadamente mil pessoas ao enfrentar sozinho terroristas em uma igreja na África. Falei disso em um texto em 2015 e acho necessário repeti-lo em sua íntegra aqui:

“No dia 25 de julho de 1993, mais de mil pessoas lotavam a igreja St. James localizada no subúrbio da Cidade do Cabo, África do Sul. Tudo corria normalmente em mais uma noite de culto até que quatro terroristas invadiram o local lançando granadas e abrindo fogo com seus fuzis. Em trinta segundos onze pessoas morreram e cinquenta e oito foram feridas.

O ataque fora planejado e ordenando por Letlapa Mphahlele comandante do Exército Popular de Libertação Azanian e executado por Sichumiso Nonxuba, Bassie Mkhumbuzi, Gci Makoma e Tobela Mlambisa. Em entrevista anos mais tarde o sanguinário Letlapa afirmou friamente: "nós pensávamos que a igreja era uma zona livre de armas. Mas menino, você tinha uma surpresa para nós."

Não, não era uma “gun free zone” e o menino ao qual se referiu o terrorista era o jovem missionário Charl van Wyk que armado com um simples revolver calibre .38SPL, com capacidade para apenas cinco cartuchos, abriu fogo contra os assassinos. Um deles foi ferido e os demais saíram em disparada abandonando o plano de incendiar a igreja com todos os sobreviventes dentro. Aqueles cinco disparos foram responsáveis por salvar mil vidas inocentes.

Após o episódio, Charl van Wyk se tornou ferrenho defensor do direito de defesa e do fim das chamadas zonas livres de armas, em especial nas igrejas, que são alvos frequentes de ataques pelo mundo. Essa é a missão do verdadeiro pastor: defender e promover a defesa de seus rebanhos. Enquanto aqui em terras brasilis, os malafaias da vida continuam pregando a rendição e o desarmamento de suas ovelhas. Os lobos agradecem.”

 

E aqui entramos em um tema que não poderia nem passar perto de ser polêmico: os cristãos e as armas! Eu mesmo já proferi uma palestra toda para falar desse assunto na Paróquia Santa Generosa e o vídeo pode ser visto em sua íntegra aqui, também tenho um artigo específico sobre o assunto e ainda posso me apoiar na posição do Padre Paulo Ricardo que anos atrás já se manifestou em um estupendo vídeo de 2013 ou ainda no livro Armas, Defesa Pessoal e a Bíblia disponível em eBook Kindle de Filipe Luiz Claudino Machado.

Encerro por aqui citando um pequeno trecho do excepcional artigo intitulado Ovelhas, Lobos e Cães Pastores do Tenente Coronel americano Dave Grossman:

“Se você quer ser uma ovelha, então você pode ser uma ovelha e está tudo bem, mas você deve entender o preço a pagar. Quando o lobo vier, você e as pessoas que você ama morrerão se não houver um policial por perto para protegê-lo. Se você quer ser um lobo, tudo bem, mas os pastores o caçarão e você não terá nunca descanso, segurança, confiança ou amor. Mas se você quiser ser um cão pastor andar no caminho do guerreiro, então você deve tomar uma decisão consciente diária de dedicar-se, equipar-se e preparar-se para aquele momento tóxico, corrosivo, quando o lobo vem bater em sua porta”.

 

 

 

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Nos EUA gays, negros e esquerdistas se armam e para a imprensa a “culpa” é do Trump!

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Acredito que depois do diabo, Trump é o cara mais acusado da história. Se não é culpa do cascudo, é culpa do Trump e não necessariamente nessa ordem! Eis que eu me deparo com duas matérias, uma do Estadão e outra da Rede TV, sobre como gays, negros e liberais (no sentido americano, ou seja, esquerdistas) estão se armando por conta do “efeito Trump” seja lá o que for isso.


Pois, pois... Primeiramente a organização Pink Pistol que nasceu nos EUA foi fundada em 2000, portanto dezessete anos antes da eleição do presidente Trump. Falei disso em um texto de 2010, onde rapidamente descrevi sobre os motivos da fundação da entidade. Vejam o trecho:


“Uma noite, no outono de 1987, em Little Rock, Arkansas, um rapaz chamado Austin Fulk estava muito próximo da morte. Ele tinha 17 anos, demasiado jovem para beber nos bares, por isso muitas vezes ele andava em um parque que era popular entre os adolescentes homossexuais. Nesta noite o céu estava nublado, o chão encharcado de chuva e o lugar quase deserto. 

Uma caminhonete se aproximou vagarosamente e começou a insultá-lo com palavrões e frases do tipo: “Sua bicha, pegue AIDS e morra!”. A caminhonete deu mais uma volta e parou a poucos metros dele. Saltaram quatro rapazes jovens armados com tacos de baseball e barras de ferro.

"Eu pensei que estava prestes a morrer", diz Austin, mas ele está vivo, e isso é porque o seu companheiro chegou e puxou uma pistola debaixo do assento de seu caminhão, apontou para a direção dos rapazes e efetuou um único disparo por cima de suas cabeças. De repente, toda a coragem dos rapazes desapareceu, correram para a caminhonete e fugiram.

Essa é apenas mais uma das histórias onde uma arma salvou a vida e impediu que crimes homofóbicos fossem cometidos. Austin Fulk vive hoje na Virginia (EUA). Ele é instrutor de tiro e possui porte de arma. Ele jamais precisou usar sua arma.

A história acima, foi contada através do excelente artigo entitulado “Pink Pistols” do jornalista Jonathan Rauch. Sua repercussão foi tão forte que fez surgir em 2000 uma associação também chamada “Pink Pistols”, que hoje, no mundo, é a principal defensora do direito à posse e porte de armas por gays, tendo representatividade em 33 estados americanos, além do Canadá e África do Sul.”


Portanto, afirmar que os membros da Pink Pistol estão se armando por conta de um suposto “efeito Trump” é simplesmente mentira! E não é só isso, o The Guardian, que ninguém ousaria sugerir que é um veículo conservador, mostrou que a procura pela associação triplicou após o ataque à boate de Orlando. 

Sobre a questão da esquerda, dos “Liberals” estarem se armando pelo mesmo motivo não passa de “bullshit”! O desarmamento e as restrições radicais deixaram de ser mote de boa parte dos Democratas faz muito tempo e eu explico isso em dois artigos: “Como o pessoal da Segunda Emenda garantiu a derrota Hillary” e “Como os democratas derrotaram o desarmamentismo de Obama”. Vejam um pequeno trecho do segundo:

“Isso foi reforçado pela recente guinada de famosos esquerdistas americanos, que, mesmo sendo eleitores dos democratas, se mostraram favoráveis à posse e ao porte de armas. Entre eles estão as atrizes Jennifer Lawrence e Whoopi Goldberg – que até declarou ser membro da NRA. Entre os atores, Samuel L. Jackson, eleitor de Obama, se disse decepcionado com o presidente e reafirmou sua defesa da Segunda Emenda; coisa parecida ocorreu com o galã Brad Pitt. Junte-se a isso o fato de um senador e sete deputados democratas terem abertamente apoiado o direito à posse de armas. Fortes golpes em um presidente que já é considerado pelos americanos como um dos mais fracos da história.”

Resta claro que o direito de possuir e portar armas nos EUA deixou há muito tempo de ser uma bandeira apenas e tão somente Republicana ou conservadora!

Tudo isso vale para os negros que também são citados em uma das matérias. O uso de armas para garantir direitos civis básicos por eles começou após a Guerra da Secessão em 1865, um tanto quanto longe da eleição do malvadão Trump. Aliás é sempre bom lembrar que a KKK surgiu como uma entidade antiarmas, incumbida pelos Democratas de confiscar as armas dos negros. Também falei disso em artigo recente que pode ser lido aqui: Como o racismo pautou as restrições de armas nos Estados Unidos.

Se há um efeito Trump é exatamente o contrário do apontado nas matérias. O presidente eleito, ao contrário da derrotada Hillary, é ferrenho defensor da Segunda Emenda na Constituição Americana que garante exatamente o direito para que gays, negros e esquerdistas possuam e usem armas para sua defesa. O resto é Fake News! 
 

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Valor Econômico não economiza na defesa furada do desarmamento

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O jornal Valor Econômico, da Globo, soltou uma matéria sobre desarmamento contendo uma entrevista com David Hemenway, diretor do Harvard Injury Control Research Center. Pois bem, mais do mesmo. Logo no primeiro parágrafo a falácia insustentável que armas aumentam a chance de suicídio. Afirmar isso é reducionismo chinfrim na tentativa de criar medo e demonizar a posse de armas, basta ver que os países com os maiores índices de suicídios são países com restrições severas à posse de armas. Dali em diante... Zzzzzzz...

Opa! Desculpem, peguei no sono! Então, voltando ao assunto: como sempre ocorre com tais estudos, sempre apresentam "evidências", "correlações" e "indícios”, mas nunca conclusões irrefutáveis ou sequer plausíveis. O grande problema desses estudos é que os mesmos são gestados nascem e se procriam sempre e exclusivamente para provar que as armas são o mau do mundo e da sociedade com metodologias aplicadas que seriam capazes de “provar” que a água e o fogo são terríveis inimigos da civilização! Todos, absolutamente todos, jamais adentram no inverso, ou seja, mesmo que as armas causem isso e aquilo de ruim, o que elas trazem de bom? E mesmo que o desarmamento total fosse possível, e não uma simples utopia onde os bons se desarmam e os criminosos, psicopatas e mal-intencionados não, qual seriam as consequências disso?

Esse é o ponto! Esses doutos defensores do desarmamento simplesmente ignoram os problemas advindos da repressão estatal à posse e ao porte de armas, se baseiam em suas ideologias e, claro, tem apoio irrestrito dos jornais que lhes dão espaço quase ilimitado, mas negam a existência de estudiosos como John Lott, Gary Kleck, Gary Mauser ou David Kopel isso para citar apenas quatro que me vieram à cabeça.

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P.S. Após a publicação deste artigo fiz uma provocação ao Valor Econômico via Twitter, eis que o professor John Lott pessoalmente se colocou à disposição do jornal para uma entrevista! Vamos aguardar, mas sei que isso não acontecerá. Vejam a sequência:

 

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E por falar em David Kopel, ele possui um artigo magnífico onde faz o que todos deveriam fazer, ou seja, imaginar realmente as consequências de um desarmamento total e irrestrito, se isso fosse possível, claro! Encontrei na Internet uma tradução de sua íntegra feita por Vitor R. Carvalho e Sarah Jameson Carvalho. O artigo é longo, mas essencial!!!!! Boa leitura!

 

“Imagine um mundo sem armas” era um dos adesivos mais comuns em automóveis logo após a morte do ex-Beatle John Lennon, em dezembro de 1980.

Que tal então tentarmos imaginar como um mundo sem armas seria? Não parece ser uma tarefa tão difícil. Mas se prepare: este mundo não será nada belo.

De acordo com grupos pró-desarmamento, o caminho para se ter um mundo sem armas é através de leis. Para começar, podemos imaginar a aprovação de leis banindo o acesso e a posse de armas de fogo ao cidadão comum. Podemos então imaginar uma proibição nacional, ou até mundial.

Vale a pena lembrar que heroína e cocaína são ilegais nos Estados Unidos, e na maior parte do mundo, há aproximadamente um século. Imensas quantidades de recursos têm sido gastos no combate a produção, venda e uso de tais drogas, e muitas pessoas inocentes já foram sacrificadas na guerra do tráfico de drogas. Mesmo assim, heroína e cocaína são drogas facilmente encontradas nas ruas de quase todas grandes cidades americanas, e a preços mais baixos do que os praticados em décadas anteriores.

As leis afetam principalmente os que querem obedecê-las. E geralmente, onde há a necessidade por um produto e um mercado a ser explorado, há também uma maneira de burlar a lei. Surge então o mercado negro, cuja forca aumenta bastante com o aumento de restrições e proibições.

Talvez a proibição total de armas por força de lei não seja suficiente. Talvez impor as mais duras penas pela violação de tal lei é que vai fazê-la efetiva: prisão perpétua por posse de arma, ou até mesmo pela posse de uma única bala.

Por outro lado, a Jamaica aplicou o “Gun Court Act” em 1974, que previa tais duras penas, e mesmo assim não foi suficiente. Em 18 de agosto de 2001, o jamaicano Melville Cooke observou que hoje em dia, “as únicas pessoas que não têm uma arma ilegal (em seu país) são aquelas que não querem ter uma”. As estatísticas de crimes violentos na Jamaica estão piores do que nunca: gangsters e policiais violentos cometem homicídios e ficam sem punição, e apenas os que querem estão desarmados.

Assim mesmo, o governo da Jamaica tem planos de globalizar sua fracassada política de desarmamento. Em julho de 2001, Burchell Whiteman, Ministro da Educação, Juventude e Cultura da Jamaica proferiu uma palestra na Conferência de Desarmamento da ONU onde pediu encarecidamente a “implementação de medidas que limitariam a produção de armas a níveis de garantir as necessidades de defesa e a segurança nacional”

Enquanto governos precisarem de armas, haverá sempre fábricas de armas de onde elas poderão ser roubadas. Algumas dessas fábricas podem até mesmo ter medidas de segurança adequadas, inclusive contra roubo cometido por empregados. Mas em um mundo com aproximadamente 200 nações, a maioria governada por cleptocracias, é muito difícil acreditar que tais fábricas de armamentos (de produção exclusivamente governamental) não se tornarão fornecedoras pro mercado negro. No mesmo raciocínio, policiais ou militares corruptos podem facilmente suprir o mercado negro com armas de fogo.

É melhor reavaliar nossa estratégia. Ao invés de usar a força da lei (que não conseguiu criar um mundo livre de armas nem em nossa imaginação), vamos tentar ser mais ambiciosos e imaginar que todas as armas pudessem simplesmente desaparecer. Até mesmo as de posse do governo. E que pudéssemos fechar todas as fábricas de armas também. Pronto, isso deve com certeza acabar com o mercado negro.

Voilà! Paz imediata!

Voltando a usar as asas da imaginação.

Bem...não é muito difícil de fazer uma arma de fogo operante. Como J. David Truby relata em seu livro “Zips, Pipes and Pens: Arsenal of Improvised Weapons”: “Hoje em dia, o projeto improvisado/modificado de uma arma de fogo está dentro do alcance de cidadãos (com nenhum conhecimento técnico) que não tiveram acesso a armas por nenhum outro meio”.

No artigo “Gun-Making as a Cottage Industry”, Charles Chandler observa que americanos “tem uma reputação de serem dedicados a hobbies e adeptos do faça-você-mesmo, construindo de tudo: de modelos de barco até grandes melhorias em suas casas”. Uma área que não tem sido muito ativa é a de construção de armas. E isto, Chadler explicou, é somente porque "armas de bom design e bem-feitas são geralmente disponíveis como artigos do comércio."

Uma proibição completa das armas, ou um licenciamento altamente restritivo, criariam um incentivo real para que a produção de armas se transformasse numa indústria caseira.

Já está acontecendo na Grã-Bretanha, como uma conseqüência da proibição completa na posse civil de armas imposta pelo “Firearms Act” de 1997. Os Ingleses são oprimidos não somente com as armas ilegais importadas, mas também com as locais: de fábricas temporárias de armas que foram incentivadas a competir com o produto importado.

A polícia britânica já está ciente de algumas delas. Oficiais da Scotland Yard (Polícia Metropolitana de Crimes Sérios – Grupo Sul) recuperou recentemente 12 réplicas de armas que foram convertidas em armas reais. Uma auto loja de reparo de automóveis em Londres serviu de fachada para uma fábrica ilegal das armas. A polícia encontrou inclusive alguns empregados transformando chaves de fenda em armas de fogo, e produzindo armas disfarçadas nos mais diversos formatos.

Simplificando, fechar a fábrica de Winchester, e todos as outras, não significa o fim do negócio das armas.

Veja o exemplo de Bougainville, a maior ilha nas Ilhas Solomon no Pacífico Sul. Bougainville foi o local de uma guerra de secessão sangrenta, que durou uma década, do secessionistas contra a dominação do governo de Papua Nova Guiné, ajudado pelo governo de Austrália. O conflito foi o confronto mais longo no Pacífico desde o fim da segunda guerra mundial, e causou a morte de 15.000 a 20.000 habitantes.

Durante as hostilidades, que incluíram um embargo militar à ilha, um dos objetivos era derivar o Exército Revolucionário de Bougainville (BRA, em inglês) de sua fonte das armas. A tática falhou: o BRA simplesmente aprendeu como fazer suas próprias armas usando o material e da munição que sobraram da guerra.

De fato, na Conferência Regional das Nações Unidas de Desarmamento do Pacífico Asiático, na primavera de 2001, admitiu-se sem muito alarde que o BRA, em dez anos desde sua formação, havia conseguido manufaturar uma cópia do rifle M16 automático e de outras armas de fogo. (É interessante considerar a real intenção por trás da Conferência da ONU Sobre o Comércio Ilícito de Armas de Pequeno Porte e Armas Leves em Todos Seus Aspectos, que aconteceu muitos meses depois: a liderança da ONU não pode ser tão estúpida a ponto de não reconhecer as implicações do desarmamento do mundo após a testemunhar o sucesso do exército revolucionário de Bougainville.)

Se esta única ilha de Bougainville pode produzir suas próprias armas, as Ilhas Filipinas têm tido por muito tempo uma próspera indústria caseira de armas, apesar das leis muito restritivas às armas impostas pela ditadura de Marcos e por alguns outros regimes.

Parece que precisaremos revisitar nossa fantasia, mais uma vez.

OK. Pela proclamação de Kopel, Gallant e  Eisen, imaginemos não somente todas as armas desaparecem imediatamente, mas também não haverá nenhuma fabricação adicional de armas.

Essa última parte é um pouco complicada. As auto lojas de reparo de automóveis, hobbyists, revolucionários, qualquer um deles com habilidades razoáveis podem produzir uma arma a partir de algo. Isto nos leva à mesma estrada da proibição de drogas: como as leis preliminares antidroga provaram ser impossíveis de cumprimento, leis secundárias foram criadas para proibir a posse de itens que pudessem ser usados para manufaturar drogas. Até mesmo fazer compras de materiais suspeitos em uma loja de jardinagem pode fazer um cidadão ser listado pela polícia local.

Porém, há tantas ferramentas que podem ser usadas na fabricação de armas que uma lei proibindo a posse de todos estes itens seria com certeza mais complicada de produzir que as leis proibindo a posse de itens usados na fabricação de drogas. Isto implicaria na necessidade do registro da maioria das ferramentas, assim como o um registro nacional de encanadores, mecânicos de automóveis, e todas as profissões similares. Também precisaríamos de um selo com um número serial em todos os encanamentos (armas em potencial) em todos os banheiros e automóveis.

Portanto, teríamos de controlar todas as etapas do processo de fabricação de armas. Isto seria um processo muito caro e complicado de executar. Se tal política não conseguisse controlar uma taxa de 1% da produção de armas, isto seria suficiente para alimentar o mercado negro de armamentos.

Para garantir total conformidade com o controle de todas as etapas do processo de fabricação de armas, seria necessário deixar grande parte das proteções constitucionais para trás. É difícil de aceitar certos tipos de lei de busca e apreensão necessários a garantir que certas pessoas não tenham posse de encanamentos ou chaves de fenda não devidamente registrados.

Por exemplo, somente para banir as armas (apenas as armas, nada relativo ao porte ou posse de armas), o governo da Jamaica precisou apagar muitas leis comuns relativas a buscas e apreensão policiais, e muitas outras garantias legítimas de réus e cidadãos. Se quiséssemos evitar completamente o mercado negro de armas, teríamos de jogar a constituição no lixo. E mesmo assim, como afirmam os defensores da proibição de porte de armas, se uma única vida fosse poupada, isto já valeria a pena.

Mas e se, apesar de todas as estas medidas extremas, o mercado negro ainda funcionasse (como geralmente acontece) quando houvesse demanda suficiente? É hora de repensar seriamente nossa estratégia de alcançar um mundo sem armas. Talvez haja uma maneira mais fácil de conseguir o que queremos.

OK. Nós vamos fazer uma proposta realmente radical desta vez. Como um salto quântico em física, iremos a um lugar onde nenhum homem jamais esteve. Pode até ser que alguns façam piada de nossa proposta, mas ela pode realmente funcionar exatamente onde todas as outras estratégias falharam.

Nós, Kopel, Gallant e Eisen, imaginamos então que de hoje em diante, as leis de combustão química sejam revogadas. Podemos então imaginar que pólvora e todos os compostos similares não mais têm a capacidade de queimar e liberar os gases necessários a propulsão de uma bala.

Paz no nosso tempo.

Finalmente, pela primeira vez, um mundo sem armas está realmente ao nosso alcance e é tempo de ver o que o homem realmente é. E para isso, todos temos de olhar para o tipo de mundo onde nossos ancestrais viveram.

Dizer que o mundo no mundo pré-pólvora era violento não é suficiente. Longas viagens por terra eram susceptíveis a roubos, assassinatos e outros crimes. A maioria das mulheres não podiam se proteger contra estupros, a não ser garantindo total acesso físico a um macho em troca de proteção contra os outros homens.

Nesta época, armas dependiam de força muscular. Avanços em tecnologia de armas serviam para amplificar o efeito da força muscular. Quanto mais forte alguém é, melhores são as chances de lutar a curta distância com uma arma afiada como uma espada ou faca, ou a longa distância com armas de arremesso (que também requeriam muita força muscular). O enorme potencial de tais armas antiquadas em promover carnificina de inocentes foi graficamente demonstrada pela morte por esfaqueamento de oito alunos de segunda série em 8 de junho de 2001, em Osaka, Japão, executadas por Mamoru Takuma, um ex-funcionário da escola.

Quando a questão é força muscular, homens jovens geralmente tem vantagens sobre mulheres, crianças e velhos. Eram guerreiros que dominavam a sociedade na Europa feudal sem armas, e um homem sem força muscular geralmente tinha de se resignar a ter uma vida de obediência e serventia em troca de segurança.

E as mulheres: De acordo com os costumes “jus primae noctis”, um senhor tinha o direito de dormir com a noiva do recém-casado servo na sua primeira noite de casado, como preço necessário a ser pago pelos serviços de segurança e demais garantias. Não era raro este arranjo não acabar na noite de núpcias, já que o senhor tinha na prática o poder de ter qualquer mulher, a qualquer momento.

Mesmo se o “jus primae noctis” não fosse de fato seguido em uma certa região, os homens ricos e fortes tinham muito pouco limites, fora suas consciências, no que diz respeito a possuir uma mulher que não fosse protegida por outro homem forte e rico.

Mas há um outro problema em imaginar o mundo sem pólvora: nós nos livramos de armas de fogo, mas nao de armas em geral. Com o advento de armas de sopro há 40000 anos, o homem descobriu a eficácia de um tubo para concentrar ar e mirar um alvo, tornando inevitável o aparecimento de armas de ar comprimido.

Outras armas sem pólvora apareceram também. O século 20 foi o século mais sangrento na história da humanidade. Enquanto armas de fogo foram usadas para matar, elas não foram fundamentais. Os maiores números de mortes deliberadas ocorreram durante genocídios e democídios perpetrados por governos contra populações desarmadas. Os instrumentos de morte variaram bastante, indo de gases letais até fome.

Imagine um mundo sem garras.

Imaginar um mundo sem armas é imaginar um mundo dominado por homens, em que as minorias são facilmente exploradas ou assassinadas em massa pelas maiorias.

Em termos práticos, uma arma de fogo é simplesmente uma arma que permite a uma pessoa mais fraca se defender a distância contra um grupo mais numeroso e mais forte de agressores. Como George Orwell observou, uma arma como um rifle “dá garras aos mais fracos”.



O problema na imaginação dos que anseiam por um mundo sem armas reside em sua suposição ingênua de que se livrando das garras, nos livraremos do desejo de dominar e matar. Eles não reconhecem o fato inegável de que quando os mais fracos não têm acesso a garras (ou armas), os mais fortes terão acesso a outras armas, incluindo força muscular. Um mundo sem armas seria muito mais perigoso para mulheres, e muito mais seguro para brutos e tiranos.

A sociedade na história que abandonou as armas com sucesso foi o Japão no século 17, como detalha o livro de Noel Perrin “Giving up the Gun: Japan’s Reversion to the Sword 1543-1879”. Uma ilha isolada com uma ditadura totalitária, o Japão foi capaz de se livrar das armas. O historiador Stephan Turnbull resume as consequências:

As ordens do [ditador] Hidéyoshi foram executadas com exatidão. A crescente mobilidade social dos camponeses foi subitamente revertida. Os Ikki, os monges-guerreiros, se tornaram figuras do passado... Hidéyoshi forçou os camponeses a abandonares suas armas. Iéyasu [o regente seguinte] então começou a de privá-los de seu respeito próprio. Se um camponês ofendesse um samurai, ele poderia ser executado imediatamente pela espada do samurai. [The Samurai: A Military History (New York: Macmillan, 1977).]

O status social inferior dos camponeses foi assegurado pelo desarmamento civil, os Samurais gostavam de kiri-sute gomen, a permissão para matar e partir. Qualquer membro das classes inferiores que agisse sem o devido respeito poderia ser executado pelo samurai.

As leis de desarmamento japonesas forjaram a cultura de submissão às autoridades, que por sua vez facilitaram o domínio de uma ditadura militar imperialista na década de 1930, que levou a nação a uma desastrosa guerra mundial.

Resumidamente, o único país que criou uma sociedade verdadeiramente sem armas criou uma sociedade de dura opressão de classes, em que os homens fortes da classe mais alta poderiam matar integrantes das classes mais baixa com total impunidade. Quando um governo racista, imperialista e militarista tomou o poder, não havia nenhum meio de resistência eficiente. A sociedade sem armas do Japão se tornou exatamente o oposto da utopia igualitária da canção Imagine de John Lennon.

Ao invés de imaginar o mundo sem uma específica tecnologia, que tal imaginarmos o mundo em que as pessoas crescerão mais gentis, e viverão uns com os outros decentemente? Este sonho é parte da visão de mundo de muitas das grandes religiões. Apesar de termos um longo caminho a ser trilhado, não há dúvidas que centenas de milhões de vidas têm mudado para melhor porque as pessoas acreditam no que tais religiões ensinam.

Se um mundo verdadeiramente pacífico for possível - ou mesmo que impossível, ainda válido de se lutar por isso – não há nada a ser ganho com a tentativa fútil de se eliminar todas as armas. Um resultado bem mais valioso pode fluir da mudança nos corações humanos, uma alma de cada vez.

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Nenhuma surpresa: Número de "Tiroteios em Massa" nos EUA usado pela imprensa é falso!

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O repórter aparece com aquela cara ensaiada que mistura medo e indignação e solta a frase de efeito: “Só este ano já ocorreram mais de 270 tiroteios em massa nos Estados Unidos” e, sem perder o fôlego, na mesma tacada, emenda: “Lembramos que aqui qualquer um compra um fuzil!”. Quantas vezes vimos, ouvimos e lemos tal afirmação nos últimos dias? Incontáveis. Mas, afinal, de onde saiu esse número assustador? Bom, vejamos…

Antonio Gerardo Rodriguez foi cercado pela polícia de Laredo, Texas, após pesar sobre ele a acusação de ter assassinado a namorada. Rodriguez, sem ter como escapar, abriu fogo contra os policiais e feriu três agentes. Ato contínuo, é morto pela polícia que revidou o ataque. Você consideraria isso um mass shooting, traduzindo, um tiroteio em massa? Imagino que sua resposta deva ser um sonoro “não”. Pois bem, o problema é que para a ONG “Gun Violence Archive”, fonte do número mágico citado acima, isso foi, sim, um mass shooting. Casos assim são propositadamente usados para inflacionar os dados sobre esse tipo de ocorrência nos Estados Unidos, dando ares de coisa apavorantemente corriqueira.

Não são apenas casos assim que são contabilizados pela ONG, há, ainda, outros tantos, que são claramente casos típicos de guerra de gangs e acerto de contas entre criminosos: quatro ou cinco bandidos passam de carro atirando na casa de seus desafetos, cena que qualquer um já viu inúmeras vezes em filmes e séries de TV. Também não faltam assaltos que acabam em tiroteio, destes que ocorrem inúmeras vezes por dia aqui, no Brasil, como o assalto a uma loja de venda legal de maconha em Los Angeles, que acabou com um segurança morto e outras pessoas feridas. É óbvio que não se tratam de mass shooting, mas a verdade pouco importa na guerra de narrativas para provar que as armas são as grandes vilãs da história.

O mais grave de tudo é que a fonte primária desse pessoal é a própria imprensa! Ou seja, se não foi publicada não ocorreu, o que varre para baixo do tapete ideológico milhares de vezes em que as armas são usadas para defesa, mas que simplesmente não são noticiadas pela mídia, dando motivo para a falsa afirmação que as armas servem para assassinar, para cometer crimes, mas quase nunca para legítima defesa. Essa mentira eu já expus no artigo “Legítima defesa com armas não é um mito” e destaco aqui o seguinte trecho:

“Uma das únicas pesquisas comprovadamente sérias a este respeito foi realizada pela equipe do Dr. Gary Kleck, criminologista da Universidade Estadual da Flórida, que descobriu que armas são usadas em legitima defesa aproximadamente 2,5 milhões de vezes por ano nos EUA. Essa e outras conclusões estão no livro Armed Resistance to Crime: The Prevalence and Nature of Self-Defense with a Gun.”

A discrepância entre as ocorrências reais e as apresentadas pela ONG é gritante quando comparamos com os números oficiais do FBI. Em 2015, por exemplo, a agência federal americana identificou vinte ocorrências; a Gun Violence Archive conseguiu transformar isso em 333!

Se o critério absurdo, desconexo e desonesto de quatro mortos ou feridos para se classificar um mass shooting fosse adotado no Brasil – país com mais de 60 mil assassinatos e sabe-se lá quantos feridos – nosso país, não tenho dúvida, figuraria como campeão absoluto e disparado de tiroteios em massa, e a guerra de narrativas teria que se adequar para culpar tudo e todos menos aquele que puxa o gatilho, joga um caminhão sobre uma multidão ou incendeia uma creche.

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O IBOPE tachou você de fascista e você nem percebeu!

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O Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ONG mantida pela Open Society Foundation de George Soros, é quem pauta a segurança pública no país hoje. Juntamente com o IBOPE, usaram a Escafa F de Theodor Adorno, marxista da Escola de Frankfurt, em sua recente pesquisa sobre autoritarismo....

 

Ok. Mas o que é a Escala F? Vejamos esse trecho do artigo de Dinesh D’Souza, "O Grande Mentiroso:como Theodor Adorno redefiniu o fascismo" disponibilizado em português pelo pessoal do Tradutores de Direita:

 

"O documento clássico a respeito disso é a famosa Escala F de Adorno. O F significa fascismo. Adorno delineou a escala em seu livro de 1950, A Personalidade Autoritária. O argumento básico do livro foi que o fascismo é uma forma de autoritarismo e que a pior manifestação do autoritarismo é a repressão auto-imposta. O fascismo se desenvolve cedo, argumentou Adorno, e podemos localizá-lo nos apegos dos jovens à superstição religiosa e valores convencionais da classe média sobre família, sexo e sociedade.

Descaradamente, Adorno produziu uma lista de perguntas destinadas a detectar afinidades fascistas. “A obediência e o respeito pela autoridade são as virtudes mais importantes que as crianças devem aprender.” “A homossexualidade é uma forma particularmente doentia da delinquência.” “Nenhum insulto à nossa honra deve ficar impune”. “Não importa como ajam aparentemente, os homens estão interessados em mulheres por apenas um motivo.” Basicamente, uma resposta sim a estas perguntas mostraria que você era um fascista em potencial."

 

Entenderam? O Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o IBOPE tacharam você que é favorável à punição de criminosos, que é contra a pedofilia, que está cansado de ver putaria travestida de arte, que é favorável à polícia e ao cidadão armado para sua defesa de FASCISTA! Vota ou pretende votar em qualquer um dos Bolsonaros? Aí então você é a reencarnação do Mussolini em pessoa! É, para esse pessoal a Dona Regina é uma fascista! Ah! Quase esqueci! Adorno, que sempre lutou contra a autoridade, não pensou duas vezes em chamar a polícia quando jovens marxistas alemães invadiram seu simpósio de sociologia em Frankfurt, mas claro, fascistas são os outros.

 

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Massacre de Las Vegas: sobre armas, leis e loucos.

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O terrível tiroteio ocorrido em Las Vegas, EUA, colorido com o sangue de dezenas de vítimas fatais e centenas de feridos aguçou os vampiros do desarmamento que saíram hoje pelas emissoras de rádios, TVs e jornais a propagar em transe jubiloso, que as leis permissivas para o porte e a posse de armas nos EUA são as responsáveis por esse massacre. Fazem questão, óbvio!, de esquecer dezenas de outros fatores e casos como o de Nice, na França, onde um caminhão foi usado para matar mais de 80 pessoas e que na mesma França, com seríssimas leis restritivas, houve em 2015 um ataque terrorista com mais de 180 mortos perpetrado por islâmicos armados de fuzis AK-47 contrabandeados e, portanto, ilegais. O assassino de Vegas, ao contrário do que afirmam na imprensa, desrespeitou pelo menos uma dúzia de leis estaduais e federais para planejar e executar o covarde ataque contra inocentes desarmados. A pergunta óbvia é: qual lei impediria o assassino? Nenhuma!

 

Enquanto isso, para tentar faturar em cima da desgraça, a Globo News – além de uma quantidade recorde de mentiras e bobagens sobre o assunto – colocou no ar uma enquete com uma pergunta claramente desonesta, tentando induzir um resultado adequado à sua ideologia. Bom, o tiro saiu pela culatra e o resultado parcial neste momento é de 95,47% para a opção de que qualquer pessoal deve ter o direito de portar armas!

 

Tempos atrás já falei sobre esse tipo de ocorrência em um artigo intitulado “Sobre armas, leis e loucos” que reproduzo na íntegra abaixo e que continua absolutamente atual uma vez que as mentiras, distorções e desonestidades continuam sendo repetidas.

 

Como sempre acontece, o mais recente ataque contra um grupo de vítimas indefesas, desta vez em um cinema nos EUA, onde 12 pessoas foram mortas, reacende a sanha dos desarmamentistas americanos, dentre os quais o prefeito de Nova Iorque, Mike Bloomberg, um dos expoentes políticos americanos que acham terem nascido com o dom de saber o que é melhor para mundo todo.

No Brasil, via de regra, aqueles que pregam o desarmamento como forma de impedir tais massacres se assanham rapidamente ao sentirem o cheiro de sangue inocente, impelidos quase sempre pelo antiamericanismo tupiniquim, mas invariavelmente esquecendo - ou fazendo questão  de esquecer - que tais acontecimentos não são, nem de longe, exclusividade norte-americana.

Em 1999, um louco invadiu um cinema de São Paulo e abriu fogo usando uma submetralhadora comprada poucos dias antes em uma favela da capital – arma ilegal, evidentemente. Matou três pessoas e feriu outras 5; e Só não houve mais vítimas porque um herói anônimo pulou sobre ele e o desarmou antes que recarregasse sua arma. Em 1997, Fernando Henrique Cardoso havia transformado o porte ilegal de armas em crime, aumentando muito as restrições relativas à posse e ao porte de armas no Brasil.

Japão, 2001. Um homem com problemas mentais invade uma escola, mata oito crianças e fere outras 13 usando uma faca. O massacre que assustou o Japão não foi o primeiro e não seria o último. A posse e o porte de armas para civis são proibidos no Japão desde o século XV.

Em 2010, em  Naping (China), um desequilibrado mental invadiu uma escola primária e, também usando uma faca, matou oito crianças e feriu gravemente outras cinco. Entre 2010 e 2011, outras 116 crianças e adultos seriam vítimas de ataques semelhantes na China Comunista, fazendo com que o governo proibisse a divulgação de outros ataques para evitar os chamados “copiadores”. Na China, as armas de fogo são terminantemente proibidas para os cidadãos.

Cumbria, Inglaterra, 2010. Um homem, durante um surto psicótico, mata aleatoriamente 12 pessoas e fere outras 11. Foi acompanho por quilômetros por uma viatura de polícia, cujos policiais estavam também desarmados e não puderam fazer nada. Em 1997, a Inglaterra praticamente proibiu as armas particulares para seus cidadãos.

Em 2011, mais um massacre. Desta vez um louco invadiu uma escola no Rio de Janeiro e assassinou friamente 12 adolescentes. A carnificina só parou quando ele foi baleado por um policial que invadiu a escola. Sete anos antes era aprovado o chamado “Estatuto do Desarmamento”, que proibia o porte de armas e criava restrições quase intransponíveis à compra de uma arma legal.

Casos semelhantes aconteceram em diversos outros países, entre eles os pacíficos Canadá e Finlândia. Em todos, houve premeditação e, como autores, viram-se pessoas com distúrbios mentais, que utilizaram as armas que tinham à disposição ou foram capazes de colocar às mãos. Também em todos os casos, a lei, mais ou menos restritiva, de acesso às armas não foi capaz de impedir as mortes, simplesmente porque nenhuma das armas foi usada legalmente.

Recorrer ao desarmamento quando um caso assim acontece é fugir para o simplismo, é apelar, muitas vezes, para o confortável discurso fácil que joga nas armas o poder sobrenatural de agir por conta própria. Ao mesmo tempo, é enterrar a cabeça no chão e negar a existência de pessoas más e insanas, capazes de matar crianças inocentes sem qualquer remorso ou arrependimento. É negar a maldade, negar a existência de lobos no meio das pacatas ovelhas. É, em última análise, balir discursos pacifistas, na defesa pueril de leis restritivas, enquanto os lobos-loucos ignoram sua existência e se preparam para o banquete sangrento.

O primeiro ministro inglês, após o citado ataque de Cumbria, resumiu magistralmente sua posição ao ser inquirido sobre mais restrições às armas: “não é possível legislar sobre a loucura”. E não é, mesmo.”

Como podemos ver, enquanto esse pessoal engajadinho "da paz" segue mentindo, as pessoas seguem morrendo e os loucos, criminosos e terroristas vão muito bem, obrigado.

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Como o racismo pautou as restrições de armas nos Estados Unidos

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Se você navegar em sites pró-armas americanos não demorará mais do que alguns minutos para encontrar slogans e afirmações como: “O controle de armas é racista”; “Homens livres possuem armas, escravos não”, entre outras tantas. Ao mesmo tempo, se navegar por sites de grandes jornais, de defensores do desarmamento e do controle de armas, fatalmente vai se deparar com declarações e notícias acusando grupos de defesa ao porte e à posse de armas de racismo e apoio à famigerada e desprezível Klu Klux Klan. Mas, afinal, quem está com a razão? A defesa das armas é coisa de brancos opressores pequenos burgueses de olhos azuis? Não é o que mostra a história da restrição às armas nos Estados Unidos… E no Brasil também!

 

O livro Gunfight: The Battle Over the Right to Bear Arms in America, que poderia ser mais ou menos traduzido como “Tiroteio: A batalha pelo direito de portar armas na América”, autoria de Adam Winkler, joga imensa luz sobre como o racismo e o preconceito estão intrinsicamente ligados ao controle de armas nos Estados Unidos desde seus primórdios. Não pense que se trata de um autor pró-armas, ligado à poderosa NRA ou a qualquer outra associação de defesa da Segunda Emenda. Não, muito pelo contrário! Trata-se de um professor de direito constitucional da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), favorável ao controle de armas, mas que tem, ao que parece, uma qualidade cada vez mais rara no meio acadêmico de pesquisadores: honestidade intelectual.

 

No livro, Winkler demostra como o racismo e o preconceito foram cruciais para o avanço das políticas de controle de armas em solo. Antes da Guerra Civil que se abateu em solo americano, os negros não tinham qualquer possibilidade de possuírem – e muito menos de portarem – armas de fogo. Ocorre que, durante o conflito, o Exército da União formou unidades compostas por negros; terminada a guerra estas unidades receberam como parte de pagamento as armas utilizadas em combate. Porém, os estados do sul, controlados pelos Democratas, aprovaram os chamados Código Negros, leis que restringiam os direitos civis aos negros libertos, incluindo o direito de possuir armas de fogo.

Klu Klux Klan: nascida pelas mãos daqueles que acham
que as armas devem ser controladas

 

Com base na proibição da posse de armas por negros, racistas começaram a fomentar a criação de grupos com o objetivo de confiscar as armas recém-adquiridas. Formaram-se, então, diversos grupos com os mais diversos nomes, entre eles: os "Homens da Justiça", no Alabama, os "Cavaleiros da Camélia Branca", na Louisiana, e os "Cavaleiros do Sol Nascente", no Texas. O grupo formado em Pulaski, cidade pertencente ao estado de Tennessee, tornou-se o mais conhecido: o Ku Klux Klan. O mais desprezível e violento grupo racista americano teve como embrião a restrição às armas de fogo. O objetivo era simples: reestabelecer a supremacia branca e evitar que os negros lutassem.

 

A coisa não acaba por aí e os exemplos são muitos. Nos anos 20, a própria NRA – que hoje luta pelo fim de qualquer restrição subjetiva para o porte de armas – ajudou a elaborar uma lei que tornava o porte de armas um ato discricionário, ou seja, os agentes do Estado tinham o poder de conceder ou não a autorização de porte apenas para "pessoas adequadas" com uma "razão adequada"… Exatamente como é hoje no Brasil! A edição dessa lei se deu por conta da chegada de migrantes italianos e do leste Europeu que foram acusados de serem os responsáveis pelo aumento dos crimes no país. Mais uma vez o racismo e o preconceito usados como base para o controle.

 

Foi com base na ideia de que “nem todo mundo pode andar armado” e de que o Estado deve deter o poder de decidir, com base em critérios subjetivos e pouco claros de quem pode ou não portar uma arma, é que foi negado ao ativista pelos direitos civis dos negros, Martin Luther King, a autorização de porte! Sim, Luther King mesmo sendo um pacifista e adepto da não violência, não abria mão de armas para sua defesa, estas que estavam faziam presentes mesmo em sua igreja. Se levarmos em conta, como apontam algumas teorias e como sugere o excepcional filme J. Edgar, direção de Clint Eastwood, a possibilidade do envolvimento do próprio governo americano no assassinato de King faz todo o sentido que esse mesmo governo minimizasse ao máximo a sua possibilidade de defesa.

Martin Luther King teve o porte de arma negado
com base na discricionaridade da lei

 

A década de 60 foi marcada por conflitos raciais, luta por direitos civis e, claro, mais restrições! Já nos anos finais da década de 60, o país foi varrido por leis discricionárias para o porte de armas, quase todas em decorrência de grupos de negros armados que escoltavam alunos em faculdades e protegiam ativistas. Um dos casos foi a ocupação por negros armados em prédios do governo, entre eles o do Legislativo Estadual da Califórnia. Reagan, o então governador daquele estado, imediatamente tornou bem mais rígida – quase proibitiva – a lei para o porte de armas. Não, não acredito que Reagan era racista e sua biografia aponta isso. O que ocorria ali era uma disputa de forças entre o Estado e grupos civis que, por exemplo, acompanhavam armados as abordagens de policiais aos negros para garantir que não ocorreria nenhum abuso. Os policias, representantes do Estado, não podiam ser coagidos sem uma resposta e, mais uma vez, a restrição para todos os cidadãos, independentemente de qualquer fator racial, traduziu-se em menos liberdade para todos.

 

E no Brasil? Isso ocorre ou ocorreu? Sim! Desde o tempo do Brasil colônia, mas deixo esse assunto para o próximo artigo. O importante aqui é lembrar que da próxima vez que você ouvir alguém dizer que “arma não é para qualquer um” dê um passo para trás e descubra se esse “qualquer um” não é um negro, um pobre, um homossexual ou você, pois o que não falta são racistas e preconceituosos defendendo a paz e o desarmamento enquanto vestem a fantasia de defensor das minorias oprimidas.

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A liberação do 9mm e o besteirol dos “especialistas” brasileiros

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A “Folha de São Paulo” e o jornal “O Globo”, entre outros, publicaram reportagens falando sobre a liberação do calibre 9mm para policiais civis e militares pelo Exército, liberação digna de nota e aplausos por qualquer um que saiba o mínimo sobre balística, armas, munições e suas aplicabilidades. Confesso que quando comecei a ler as matérias tive a impressão de que os policiais poderiam andar com famigerados lança-chamas, mísseis terra-ar ou armas nucleares, tamanho o sensacionalismo e o grau de profundo desconhecimento apresentado pelas fontes dos jornais.

Comecemos pelo título da matéria da Folha que, à guisa de caçar cliques, expressa uma tremenda inverdade. O que foi liberado para uso dos policiais não foi uma “arma do exército”, mas, sim, um calibre que sequer é de uso exclusivo das Forças Armadas, pois há tempos é usado por policiais federais e, mais recentemente, até por atiradores desportivos. Inclusive só é possível falar em “arma do Exército” ou das Forças Armadas no sentido de propriedade, uma vez que o Exército apenas adota certos tipos de armas e calibres, portanto um título honesto para a matéria seria: “Exército libera calibre 9mm para policiais estaduais”. Tão simples…

A ideia exposta em ambas reportagens de que o 9mm é um dos calibres mais letais do mundo não passa de bobagem sensacionalista. Ora, o 9mm não é mais ou menos letal do que os calibres .40S&W, .45ACP ou o .357 Magnum (estes dois últimos os meus prediletos para defesa), que já estavam liberados para uso particular de policiais e outras categorias!

Bom, primeiramente temos que entender o motivo de existir restrições de calibres no Brasil, fato que já abordei em incontáveis palestras, artigos, entrevistas e no livro Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento, de qual retiro o seguinte trecho:

“Getúlio Vargas ainda enfrentaria mais uma situação de confronto bélico, na revolução de 1932. Mas desta vez seria contra o estado mais rico da federação, São Paulo, que contava com uma força policial equipada com fuzis Mauser, metralhadoras Madsen, carros de combate, canhões e até mesmo alguns aviões de guerra. Além da Força Pública do Estado de São Paulo, os paulistas contavam com todas as organizações militares do exército brasileiro sediadas em seu estado, e com a ajuda de milhares de voluntários, que levaram suas próprias armas para o campo de batalha. Depois de 87 dias de duros combates, o governo de Vargas conseguiu vencer a guerra paulista, encerrando assim o último conflito armado ocorrido em território brasileiro. Mas a mensagem que ficou é muito clara: os paulistas não teriam sequer ousado levantar-se contra a ditadura de Vargas sem o armamento que tinham. Pouco tempo depois, em 6 de julho de 1934, o governo baixou o Decreto 24.602, criando as restrições de calibres e de armamentos, tanto para os cidadãos civis como para as polícias. É por consequência desse decreto que as polícias estaduais necessitam hoje da permissão do exército para comprar fuzis e armas de maior calibre, e frequentemente combatem os criminosos com equipamento inferior em poder de fogo.”

Comparação visual entre os calibres citados. O .380 é o único desses liberado para uso civil no Brasil.
Comparação visual entre os calibres. O .380 é o único
desses liberados para uso civil no Brasil.

 

No caso do 9mm, especificamente, o Exército decidiu por maiores restrições e o elegeu, na época, como calibre de uso exclusivo das Forças Armadas. E por qual motivo? Calibre que mata mais? Que atravessa trilho de trem? Que fura blindagem? Que derruba avião? Que pode tirar a terra de órbita tamanho seu poder? Nada disso! A lógica era que em casos de revoluções ou guerrilha – como a de 32 e a de 64 – mesmo que os guerrilheiros e revoltosos tomassem as armas de militares em ações, estes teriam dificuldade logística para conseguir munição… Tese que se mostra insustentável com a passada de olho em qualquer notícia sobre apreensão de armas e munições nas favelas cariocas ou de quadrilhas de São Paulo. Na prática, o 9mm, o 7,62mm, o 5,56 mm e até o calibre .50BMG se tornaram de uso exclusivo das Forças Militares e dos bandidos.

Teste balístico mostrando que a penetração entre
os calibres citados é praticamente a mesma.

No fundo, o calibre 9mm é tão somente um bom calibre para uso militar, policial e civil, coisa absolutamente corriqueira em diversos países do mundo como Estados Unidos, Suíça, Argentina e Uruguai, entre tantos outros. Criado por Georg Luger lá pelos idos de 1900 para uso militar na Alemanha, tinha limitações para uso policial e para defesa uma vez que, na época, o limitante para a desenvoltura do calibre incluía apenas o peso do projétil e a carga de pólvora, sendo que a configuração deste era sempre do tipo “totalmente jaquetada” o que, de fato, em certas circunstâncias, pode causar um “excesso” de penetração e baixa efetividade contra alvos humanos quando se fala em tirar o mais rápido o seu oponente de ação. Mas isso não é mais realidade! Quem continua afirmando sobre a “super-mega-blaster-penetação” de um disparo de 9mm está repetindo lendas criadas há mais de cem anos atrás!

A escolha do calibre .40S&W – que as reportagens fazem parecer um .22LR em comparação ao 9mm – é bastante discutível. Explico: a escolha ocorreu no final da década de 90 quando se chegou à conclusão – correta – de que os velhos e confiáveis revólveres .38SPL, empregados por praticamente todas as forças policiais do Brasil, já não eram páreo para o armamento mais sofisticado e moderno que começava a chegar nas mãos da criminalidade. Ao contrário do que se pode imaginar, a escolha ocorreu muito mais por “moda” do que por questões técnicas, e que pese que o 9mm era carta fora do baralho por conta da negativa do Exército em liberar esse calibre para uso policial.

O desenvolvimento do calibre .40S&W ocorreu após o trágico incidente em Miami, em 1986, envolvendo assaltantes de banco e agentes federais americanos, o qual resultou na morte de dois agentes e ferimento em outros cinco. Os dois criminosos, mesmo baleados diversas vezes, seguiram atirando. A necropsia em Michael Platt, um dos criminosos mortos, constatou que o primeiro tiro que ele levou parou a apenas alguns centímetros de seu coração. Esse disparo, se efetivo, teria salvado a vida dos dois agentes mortos. Qual calibre o FBI utilizava? 9mm!!! Entenderam? O tal calibre que, de acordo com a imprensa nacional, o ouvidor da polícia militar de São Paulo e o Coronel José Vicente, pode atravessar e matar várias pessoas com um único disparo não foi capaz de atingir o coração do criminoso! Explicarei mais à frente o motivo disso ter ocorrido.

Um bom filme sobre o episódio.
É possível encontrá-lo no Youtube

Após a terrível ocorrência, o FBI imediatamente iniciou a busca de um calibre novo, que tivesse a massa do projétil próxima do vetusto .45ACP e com a velocidade do 9mm. O primeiro calibre a surgiu foi o 10mm, que rapidamente se mostrou excessivamente forte para o uso policial – o pronunciado recuo praticamente inviabilizava tiros rápidos e precisos. Surge, então, o .40S&W, uma versão “fit” do 10mm, que foi adotado imediatamente pelo FBI. Bum! Praticamente todas as agências policiais americanas migraram para o novo calibre e essa migração, óbvio, foi seguida por órgãos de segurança do mundo todo, incluindo o Brasil. Honestamente eu nunca tive simpatia pelo calibre que se propunha a ter o que havia de melhor no .45ACP e 9mm, mas, para mim, acabou como o pato que nada, voa e anda, mas não faz nenhuma das coisas direito. Opinião pessoal, devido ao recuo maior que o .40, sem a massa do .45 e ainda por cima trabalhando no limite de pressão 100% do tempo.

Prova que o calibre .40S&W é tão somente mais um bom calibre é que o próprio FBI retornou ao uso do 9mm em 2015! A agência constatou que no episódio do tiroteio de Miami o erro não era do calibre, mas, sim, da configuração do projétil que expandia violentamente e não penetrava o suficiente. A escolha dessa configuração à época se deu por um dos mitos que sobrevive até hoje e que foi citado pelo Coronel José Vicente, provando sua total desatualização sobre o assunto: o inexistente fator de “Stopping Power”! Toscamente explicando, seria a capacidade de parar o oponente com apenas um disparo. O problema é que tal tese levava em conta uma inexistente transferência de energia para o alvo e, para que essa transferência ocorresse com mais eficácia, o projétil deveria ser veloz e expandir violentamente contra o alvo. Com essa configuração, “tchau penetração”, exatamente o problema letal enfrentado pelos agentes em Miami.

Bom, o texto já está bastante longo e acredito que entrar em mais detalhes poderia ser cansativo. Como explicação aprofundada dos aspectos técnicos que levaram o FBI a readotar o 9mm, convido você, leitor, a visitar o artigo “9mm, .40 ou .45? FBI decide pelo uso do calibre 9mm, veja o porquê”, autoria do agente da polícia federal, Hugo Cordeiro. A leitura é benéfica para entender a quantidade de asneiras que estão sendo ditas e repetidas sobre essa questão! Vale a pena também acompanhar no Instagram o instrutor e policial federal, Paulo Bedran (@paulobedraninstrutor), e o blog “Sobrevivência Policial” do amigo Humberto Wendling!

Agora encerrando, juro(!), vejo a liberação do calibre com ótimos olhos! Primeiramente mostra que o Exército começa a rever a ideia ultrapassada e fruto de um ditador. A liberação abre, quiçá, a possibilidade de que as Instituições policiais possam adotar institucionalmente o calibre que traz claras vantagens sobre o .40S&W, entre elas: menor peso das armas, mais munição por carregador, treinamento mais fácil por conta do menor recuo e, o principal, a possibilidade de sequências mais rápidas e mais precisas, o que pode significar a diferença entre a vida e a morte do policial! 

Enquanto a imprensa segue desinformando, o ouvidor da Polícia Militar de São Paulo segue preocupado com a letalidade policial e o Coronel José Vicente segue passando dados errados sobre armas e munições, os polícias seguem morrendo e as viúvas e órfãos seguem chorando. Os criminosos? Esses seguem comemorando o apoio ao desarmamento e às leis restritivas.

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Pesquisa confirma que maioria dos brasileiros quer o fim de qualquer restrição às armas de fogo

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De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Paraná Pesquisas, quase 70% dos brasileiros querem menos restrições para aquisição e porte de armas de fogo, destas, 52,7% se mostraram favoráveis ao fim de qualquer restrição.

 

Conforme nota enviada pelo Instituto, para a pesquisa foi utilizada uma amostra de 2.640 brasileiros. A pesquisa foi realizada a partir de questionário ONLINE (encaminhados à base cadastrada do Grupo Paraná Pesquisas), entre os dias 21 e 24 de agosto de 2017. Tal amostra representativa do território nacional atinge um grau de confiança de 95,0% para uma margem estimada de erro de aproximadamente 2,0% para os resultados gerais.

 

O resultado que pode indicar um crescimento desse posicionamento desde a realização do referendo de 2005 onde 63,94% votaram não à proibição do comercio legal de armas de fogo, esse crescimento é bastante perceptível para quem acompanha de perto o assunto e se traduz basicamente pela descrença – verdadeira! – de que o Estatuto do Desarmamento e suas restrições quase intransponíveis não refletiram em mais segurança. Se em 2005 a lei recém aprovada ainda gerava alguma esperança de sucesso isso é cada vez menor hoje.

Outro ponto que deve ser levando em conta é o crescimento do grau de conscientização sobre o assunto que ocorre graças às redes sociais, alguns veículos de imprensa que começam a se posicionar contra o malfadado Estatuto e a publicação, nos últimos anos de livros sobre o tema, em especial pela Vide Editorial que nos últimos dois anos publicou três títulos sobre o tema entre eles o Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento que nesta semana foi o segundo livro mais vendido na gigante Amazon.

 

Dos dados, o que mais me chamou a atenção é de que a maioria dos entrevistados se mostrou favorável ao fim de qualquer restrição. A resposta para esse posicionamento é simples: todas a restrições existentes até hoje no Brasil fracassaram em retirar dos criminosos o acesso às armas de fogo e isso leva à conclusão – correta – que tais restrições, por si, não são capazes de “desarmar” os criminosos. Algo do tipo: “se o bandido não tem qualquer restrição para comprar qualquer tipo de armas, porque o cidadão tem?”

 

A pesquisa torna-se uma forte ferramenta de apoio ao PL 3.722/12 do deputado Rogério Peninha que tramita na Câmara e que revoga a atual Lei 10.826/03 substituindo-a por uma legislação mais moderna e adequada não só ao que quer a população, mas também à necessidade urgente de se devolver ao cidadão o seu direito de defesa.

 

A integrada pesquisa que também trata de migração e mostra que a maioria dos brasileiros apoia o controle de quem pode entrar no Brasil está disponível aqui http://www.mvb.org.br/userfiles/Parana_pesquisas.pdf

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Luciano, Angélica e Freixo, entendam, o segurança dos meus filhos sou eu!

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Na semana passada alguém no Twitter desenterrou uma postagem do apresentador global Luciano Huck onde ele dizia: “Contra malucos, psicopatas e afins...pouco podemos fazer. Mas contra as armas de fogo, é só vontade pública e política. Desarmamento, já.” Mesmo sendo uma postagem de 2011, feita após o trágico ataque ocorrido em uma escola de Realengo, não perdi a chance de fazer uma provocação óbvia: “E o desarmamento dos seus seguranças? Já fez?”.

 

O casal Luciano Huck e Angélica não abrem mão de serem escoltados por seguranças armados, e não entregam a segurança de seus filhos ao Estado, exatamente da mesma forma que o fazem com a saúde e a educação públicas. E estão certíssimos! Se rico eu fosse, também cercaria meus bens mais preciosos de gente armada e capacitada para defende-los. Não, não se trata de inveja ou qualquer coisa desse tipo, o problema é que esse mesmo casal é defensor ferrenho do desarmamento e divulgam a ideia de que armas só servem para matar, ao que parece menos as armas dos próprios seguranças.

 

Hoje, 31 de agosto, o deputado estadual do PSOL, Marcelo Freixo, participou de um excelente debate com o também deputado Flávio Bolsonaro realizado pelo pessoal do Descomplica e foi clara sua dificuldade em sustentar que armas são ruins enquanto tentava explicar o motivo de ser o deputado estadual que mais requisitou seguranças armados no Rio de Janeiro. Segurança essa feita por polícias e agentes penitenciários que foram desviados da sua função primária de promover segurança PÚBLICA para garantir a segurança PARTICULAR do deputado desarmamentista e sua família. Como eu disse acima, o problema não é recorrer a pessoas armadas para garantir sua vida, mas sim fazê-lo enquanto defende que o cidadão, mesmo preparado, não deve ter o direito de defesa com o uso de armas. A gravidade cresce exponencialmente quando tudo isso acontece com o dinheiro do contribuinte.

 

Tenho certeza que 99,9% das pessoas que estão lendo este artigo não são milionários, deputados, senadores, governadores ou presidente da república para contar com as reais benesses da segurança armada e carros blindados. São gente como eu, que com muito sacrifício mantém os filhos em uma escola particular minimamente decente, paga convênio médico para evitar cair nas garras da saúde pública, mas nunca terá dinheiro para arcar com custos de seguranças armados 24 horas por dia e o conforto de carros blindados. Luciano, Angélica, Freixo e demais desarmamentistas protegidos por gente armada, o segurança dos meus filhos sou eu, mas provavelmente vocês nunca entenderão o que significa isso do alto de suas torres de marfim e de seus reluzentes carros blindados.

 

Favoráveis ao desarmamento, mas muito bem protegidos por pessoas armadas.
 

 

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