Quando ocorre um massacre nos EUA todos falam de armas, mas ninguém fala sobre doenças mentais

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Cada vez que ocorre um ataque armado nos EUA a gritaria contra as armas ecoa pelo mundo. Ninguém, ou quase ninguém, toca em um ponto doloroso: as doenças mentais e a política antimanicomial. Nos últimos anos, com exceção dos ataques perpetrados por terroristas islâmicos, todos os outros envolviam jovens com claros problemas mentais e que se encontravam em tratamento, mas quase ninguém cita esse fato e o motivo é assustador: não se quer criar preconceito contra quem sobre d’algum transtorno. 


O ataque terrorista de 2015 perpetrado em Bernardino, Califórnia, por um casal muçulmano e que deixou 14 mortos é um exemplo desse medo do preconceito. Dias depois do massacre vários vizinhos foram entrevistados e muitos disseram que suspeitavam do casal, achavam a movimentação na casa e atitude deles estranha, mas não tiveram coragem de denunciar nada com o temor de serem tachados de islamofóbicos. 
O desarmamentista e ex-presidente Obama viu sua tentativa de ampliar o rigor na checagem de antecedentes exatamente por esse motivo quando em fevereiro de 2017 o seu Projeto de Lei foi derrubado após a poderosa American Psychiatric Association afirmar que isso traria preconceito contra os portadores de qualquer transtorno, levando a ideia que todos esses estão propenso à violência. Honestamente falando, eu também não acho razoável impedir alguém que tem, por exemplo, aracnofobia – pânico de aranhas - de possuir uma arma.


Não sou especialista em psiquiatria ou em qualquer coisa correlata, mas me parece bastante óbvio que isso deveria estar sendo discutido com amplitude e profundidade e não está. Dias depois do ataque perpetrado por Adam Lanza, Liza Long que é escritora, música e especialista em Antiguidade Clássica escreveu um depoimento arrasador intitulado “eu sou a mãe de Adam Lanza e que foi originalmente publicado no site The Blue Review. O cerne da questão levantado pela autora se resume nessa frase: “Na esteira de outra terrível tragédia nacional, é fácil falar de armas. Mas é hora de falar sobre doença mental.” Segue abaixo a íntegra do emocionante artigo:

EU SOU A MÃE DE ADAM LANZA

Três dias antes de Adam Lanza, 20 anos, matar sua mãe e, em seguida, abrir fogo em uma sala de aula de uma escola infantil em Connecticut, meu filho de 13 anos de idade, Michael (o nome foi alterado), perdeu o ônibus porque estava usando as calças de cor errada.

“Eu posso usar essas calças”, disse ele, num tom cada vez mais beligerante, as pupilas negras de seus olhos engolindo as íris azuis.

“Elas são azul marinho,” eu respondi. “Sua escola permite apenas calças pretas ou cáqui.”

“Eles me disseram que eu poderia usar estas”, ele insistiu. “Você é uma vadia estúpida. Posso usar o que eu quiser. Esta é a América. Tenho direitos!”

“Você não pode usar as calças que quiser”, eu disse num tom afável, razoável. “E você definitivamente não pode me chamar de vadia. Você está de castigo pelo resto do dia. Agora entre no carro e eu vou levá-lo para a escola.”

Eu vivo com um filho doente mental. Eu amo meu filho. Mas ele me aterroriza.

Algumas semanas atrás, Michael puxou uma faca e ameaçou me matar e depois se suicidar depois que eu lhe pedi para devolver os livros da biblioteca. Seus irmãos de 7 e 9 anos, que conheciam o plano de segurança, correram para o carro e trancaram as portas antes mesmo de eu pedir. Eu consegui pegar a faca de Michael, e então metodicamente recolhi todos os objetos pontiagudos da casa em um Tupperware que agora viaja comigo.

Esse conflito terminou com três policiais corpulentos e um paramédico, que puseram meu filho em uma maca e o levaram de ambulância para a sala de emergência. O hospital psiquiátrico não tinha camas naquele dia. Michael se acalmou na sala de emergência e eles nos mandaram de volta para casa com uma receita do remédio Zyprexa e uma visita marcada com o psiquiatra.

Nós ainda não sabemos o que há de errado com Michael. Ele está em um pântano de antipsicóticos e fármacos que alteram o humor, num romance russo de planos comportamentais. Nada parece funcionar.

No início da sétima série, Michael foi aceito num programa para estudantes altamente talentosos de matemática e ciências. Seu QI é fora do padrão. Quando ele está de bom humor, discorre com prazer sobre assuntos que vão da mitologia grega às diferenças entre a física einsteiniana e a newtoniana. Ele está de bom humor a maior parte do tempo. Mas quando não está, cuidado. E é impossível prever o que vai tirá-lo do sério.

Depois de várias semanas em seu novo colégio, Michael começou a apresentar comportamentos cada vez mais estranhos e ameaçadores. Na manhã do incidente das calças, Michael continuou a discutir comigo. Ele ocasionalmente pedia desculpas e parecia arrependido. No estacionamento da escola, disse: “Mãe, olha, eu sinto muito. Posso jogar videogame hoje?”

“De jeito nenhum”, eu disse a ele. “Você não pode agir da forma que agiu esta manhã e achar que pode obter de volta os seus privilégios rapidamente.”

Seu rosto ficou frio e seus olhos estavam cheios de fúria calculada. “Então eu vou me matar”, disse ele. “Eu vou pular deste carro agora e me matar.”

E foi isso. Após o incidente da faca, eu falei a ele que, se ele dissesse essas palavras novamente, eu o levaria diretamente para um hospital psiquiátrico. Eu não respondi nada e virei a direção do carro na direção oposta.

“Onde você está me levando?” disse ele, de repente preocupado. “Para onde vamos?”

“Você sabe para onde estamos indo”, eu respondi.

“Não, você não pode fazer isso comigo! Você está me mandando para o inferno! Você está me mandando direto para o inferno!”

Parei em frente ao hospital. “Chamem a polícia”, disse eu. “Depressa”.

Michael estava em surto, gritando e batendo. Eu o abracei apertado para que ele não pudesse escapar do carro. Ele me mordeu várias vezes e repetidamente acertou os cotovelos em minhas costelas. Eu ainda sou mais forte do que ele, mas não por muito mais tempo.

A polícia chegou rapidamente e levou meu filho ao hospital. Eu comecei a tremer, e as lágrimas encheram os meus olhos enquanto eu preenchia a papelada: “Houve alguma dificuldade com… com que idade a criança… não existiam problemas com… seu filho já experimentou… se seu filho tem…”

Pelo menos temos um convênio agora. Recentemente, eu aceitei um emprego numa faculdade local, encerrando a minha carreira de freelancer porque, quando você tem um garoto como este, você precisa de benefícios. Você vai fazer qualquer coisa pelos benefícios.

Primeiro, meu filho insistiu que eu estava mentindo, que eu fiz a coisa toda para que pudesse me livrar dele. No primeiro dia, quando liguei para ver como estavam as coisas, ele disse: “Eu odeio você. E eu vou me vingar assim que eu sair daqui”.

Em três dias, ele era meu menino, doce e calmo, cheio de desculpas e promessas de melhorar. Eu já ouvi essas promessas durante anos. Eu não acredito mais nelas.

No formulário de admissão, sob a pergunta: “Quais são as suas expectativas para o tratamento?” Eu escrevi: “Eu preciso de ajuda”.

E eu preciso. Esse problema é grande demais para eu lidar sozinha. Às vezes não há saída. E então você só consegue orar para ter confiança de que, um dia, tudo fará sentido.

Eu estou compartilhando esta história porque sou a mãe de Adam Lanza. Eu sou a mãe de Dylan Klebold e Eric Harris. Eu sou a mãe de Jason Holmes. Eu sou a mãe de Jared Loughner. Eu sou a mãe de Seung-Hui Cho. E esses meninos e suas mães precisam de ajuda. Na esteira de outra terrível tragédia nacional, é fácil falar de armas. Mas é hora de falar sobre doença mental.

De acordo com a revista Mother Jones, desde 1982, 61 assassinatos em massa envolvendo armas de fogo ocorreram no país. Destes, 43 dos assassinos eram homens brancos, e apenas uma era mulher. Mas este sinal inequívoco de doença mental deve nos levar a considerar quantas pessoas nos EUA vivem com medo, como eu.

Quando perguntei ao assistente social do meu filho sobre minhas opções, ele disse que a única coisa que eu podia fazer era conseguir com que Michael fosse acusado de algum crime. “Ninguém vai prestar atenção em você, a menos que alguém preste queixa”.

Eu não acredito que meu filho deva ir para a cadeia. Mas parece que os Estados Unidos estão usando a prisão como a solução. De acordo com a Human Rights Watch, entidade de direitos humanos, o número de doentes mentais nas prisões americanas quadruplicou de 2000 a 2006, e continua a aumentar.

Ninguém quer enviar um gênio de 13 anos, que adora Harry Potter, para a cadeia. Mas a nossa sociedade, com seu estigma sobre a doença mental e seu sistema de saúde falido, não nos fornece outras alternativas. E então, outra alma torturada abre fogo num fast food. Um shopping. Uma sala de aula do jardim de infância. E nós crispamos as mãos, dizendo: “Alguma coisa precisa ser feita”.

Concordo que algo deva ser feito. É hora de uma conversa de âmbito nacional sobre a saúde mental. Essa é a única forma de nossa nação realmente se curar.

Deus me ajude. Deus ajude Michael. Deus nos ajude.

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O massacre de Parkland, o herói americano e os estudiosos que não estudam.

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Sempre que um massacre acontece nos EUA os vampiros desarmamentista correm para se esbaldarem em sangue inocente. Não seria diferente desta vez com o ataque à escola em Parkland, Flórida. O maior problema, claro, é que a maioria sai dizendo o que lhe vem à cabeça, sem saber nem o mínimo detalhe do caso. Foi exatamente o que fez Marco Antonio Villa, comentarista da rádio Jovem Pan que, para não variar, atacou a extrema-direita, Bolsonaro e Olavo de Carvalho, mas covardemente o fez sem citar nomes. Defendeu, ao que parece, um “Estado forte” e o monopólio da força nas mãos do Estado. O historiador - estudioso que não estuda - deve desconhecer que isso sim é o princípio básico do fascismo e deveria, no mínimo, ler o imprescindível Hitler e o Desarmamento de Stephen P. Halbrook.

Já escrevi e falei muito sobre tais ataques e não vou aqui repetir tudo novamente. Deixo ao final deste texto uma coleção de artigos sobre o assunto, com informações preciosas e absolutamente necessárias para o entendimento correto desse assunto. Nesta confusão toda, com todo tipo de informação não confirmada tomando conta dos noticiários um nome me chamou a atenção: Aaron Feis!

Aaron Feis era treinador de futebol americano e segurança privado. Sem outra alternativa de confrontar o agressor – afinal escolas são Gun Free Zones – colocou-se na frente do assassino, criando uma barreira para proteger os alunos da escola. Recebeu diversos disparos e faleceu enquanto seus protegidos fugiam. Segundo preciosos, vidas salvas ao custo da sua própria. Mas não posso deixar de pensar: e se ele estivesse armado? Não tenho a menor dúvida que quem tem a coragem de renunciar a sua vida pelos outros não pensaria duas vezes em confrontar armado o psicopata e despido de utopias e ideologias ninguém teria coragem de não reconhecer que essa seria a única forma de parar o ataque letal. 

Não é sem motivo que de acordo com a pesquisa Gun Policy & Law Enforcement, realizada com 15.000 policiais, mais de 81% são favoráveis em treinar e armar professores, seguranças e outros profissionais nas escolas. Resultado nada surpreendente para quem reconhece o óbvio, ou seja, a polícia não é e nunca será onipresente e os malucos de plantão buscam atacar exatamente locais onde sabidamente não serão confrontados. Nesta mesma pesquisa 91% dos policiais apoiam que o cidadão porte armas para sua defesa e 86% acreditam que tragédias como as ocorridas em Newtown e Aurora, por exemplo, poderiam ter sido evitadas ou minimizadas se houvesse nos locais um cidadão armado e treinado. Provavelmente você nunca ouviu falar nessa pesquisa por aqui e nem vai, afinal vivemos no país do “nunca reaja” onde até comandante geral da Polícia Militar é assaltado e declara: “Não reagi, porque não se deve reagir a assaltos. É essa a orientação que passamos à população".  Desculpem o termo, mas é muita bundamolice! E o criminoso, o psicopata, o facínora segue justificado e pensando ter o direito de matar quem ousa desafia-lo. 

P.S. este texto saiu assim, de pronto, na pressa e sem revisão. Peço desculpas por possíveis erros. 

Textos complementares

Massacre de Las Vegas: sobre armas, leis e loucos

Nenhuma surpresa: Número de "Tiroteios em Massa" nos EUA usado pela imprensa é falso!

Em apenas um dia americanos compram armas suficientes para armar todo o Exército Brasileiro!

O ataque no Texas e as lições sobre armas, radicais e cristãos armados

Nos EUA gays, negros e esquerdistas se armam e para a imprensa a “culpa” é do Trump!


 

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Não sou candidato, não sou partidário, não sou cabo eleitoral. Minha missão é outra!

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Não vou dizer que tenho certeza disso, mas tenho fortes indícios de que há um problema gigante na luta entre direita e esquerda: a ideia de que a esquerda chegou ao poder única e exclusivamente pelo voto e, portanto, só é possível vencê-la única e exclusivamente pelo voto. A esquerda chegou ao poder ganhando corações, mentes e fígados, dominando o mundo acadêmico, as associações de bairro, as redações dos jornais, a produção de conteúdo para emissoras de rádio, redes de televisão, teatro e cinema, impondo seu discurso do monopólio da virtude e aprovou inúmeras leis através da atuação de grupos de pressão. Destes pontos defendidos pela esquerda o que mais se faz presente na minha vida nos últimos vinte anos é a questão da Segurança Pública, mais especificamente a garantia do monopólio da força nas mãos do estado e, consecutivamente, o almejado desarmamento da população. Portanto, ao meu ver, a eleição de representantes conservadores/liberais, fora do extenso espectro vermelho se dará, como já está ocorrendo, de forma reflexiva à mudança cultural e diante da narrativa liberal/conservadora. É exatamente pensando nisso que NÃO sou candidato a nada e não estou preocupado em fazer campanha para o candidato A ou B ou para o partido X ou Y. Minha missão continua sendo outra! 

Todo ano eleitoral surge o boato de que sairei candidato ou me filiarei ao partido tal. Todo ano há uma certa decepção – para o bem e para o mal – quando isso não ocorre e, neste ano eleitoral, será exatamente a mesma coisa. Lançar-me candidato, tornar-me partidário ou ainda cabo eleitoral só serviria para reduzir aquilo que – nada modestamente falando – faço de melhor: demonstrar que o desarmamento é uma enorme mentira e que o apoio a ele é ruim para todos, menos para os criminosos e para os defensores de um estado autoritário e absolutista. No momento em que você se lança candidato há que escolher um partido, escolher “um lado” e disso resulta a óbvia perda de tramitação entre outros partidos e outros políticos. Passaria a ser imediatamente concorrente daqueles que acreditam no mesmo que eu, uma estratégia nada inteligente para quem nunca quis alçar voos eleitorais, embora, confesso, pessoal e financeiramente seria bem interessante – única e exclusivamente – para mim mesmo.

Eu seria um imbecil se achasse ou defendesse a ideia que não é necessária uma bancada de direita, claro que é! E ela está surgindo. Em um primeiro momento de forma quase acidental com muitos deputados e senadores com perfil liberal/conservador, porém com inevitável contaminação ideológica e fortemente pressionados pela opinião publicada na grande imprensa, o que quase nunca reflete verdadeiramente na opinião pública. A Internet, as redes sociais, a interação desse pessoal com seus eleitores vem sendo o grande responsável por essa mudança. Há agora o surgimento de uma nova bancada de direita, essa sim com pensamento liberal/conservador de raiz, ou seja, se elegerão com o discurso que muito só adquiriram com o passar do tempo e a mudança dos ventos. Mas, novamente reafirmo, minha missão não é essa! Não é garantir a chegada ao poder desse pessoal e nem quero uma responsabilidade desse tamanho. Deus me livre! Tenho como objetivo garantir que essa garotada que está chegando por ai e vão chegar ao poder o façam com uma ideia clara sobre armas, restrições e desarmamento. Entenderam? É exatamente por isso que não me furto de conversar, palestrar, informar qualquer um que assim o deseje. Simples, assim! Ah! E reforçando: isso seria impossível como candidato a qualquer coisa!  

Fui recebido há poucos dias pelo Flavio Rocha, empresário presidente das lojas Riachuelo que, ao que dizem, pretende se lançar como candidato. Não falamos sobre isso, falamos apenas sobre segurança pública e sobre o absurdo de se impedir que um cidadão devidamente consciente e treinado tenha armas de fogo para sua defesa, ainda mais frente à falência do aparato estatal de segurança. Antes disso fui chamado para uma entrevista sobre o tema para o Movimento Brasil 200, capitaneado por Flavio. Aceitei imediatamente, da mesma forma que aceitaria e aceitei participar de programas da Globo News ou da Record, embora ambas as emissoras tenham posições francamente adversas com as minhas e em conformidade com a ideologia dominante. Após postagem dele em seu perfil do Facebook falando sobre o encontro e indicando o Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento, surgiram alguns ataques e críticas.

Coisa parecida ocorreu no passado quando aceitei ser entrevistado pelo João Doria, prefeito de São Paulo. Imaginaram alguns, na época, que o prefeito teria algum dom extraterrestre e eu sairia de lá fazendo o seu gesto padrão de “acelera”. Erraram mais uma vez e continuarão errando enquanto acharem que o que eu faço, ou deveria fazer, é política partidária… Oras, repito aqui: minha missão, escolhida por mim mesmo há vinte anos atrás, é levar informações e, digamos, um outro olhar sobre as políticas de segurança pública, transformar o desarmamento em assunto maldito e – olhem só! – isso está realmente acontecendo neste momento e não é fruto de geração espontânea. Muita gente trabalhou e trabalha sério em cima disso, eu sou, talvez, apenas o que ganhou mais visibilidade. Quantos daqueles que me seguem não conheciam o prefeito da maior cidade do país? Acredito que nenhum. Agora, quantos do seguidores e eleitores do prefeito nunca tinham ouvido alguém defender o direito à posse de armas com propriedade e conhecimento? Muitos! 

Em todos esses anos, vi dezenas de grupos, movimentos e associações surgirem e desaparecerem, todos com viés “mais ou menos” de direita. Já todos os de esquerda continuam aí, infernizando a sociedade brasileira. Com isso em mente, torço para que todos os de espectro liberal/conservador sobrevivam, mesmo não concordando com um ou outro ponto ou estratégia. Faço críticas? Faço! Mas de modo privado, uma vez que a esquerda que ainda domina quase hegemonicamente a imprensa tem espaço praticamente ilimitado para bater em público. Não sei se o Movimento Brasil 200, encabeçado por megaempresários, terá futuro, tudo depende única e exclusivamente de não repetirem os erros, por exemplo, do Movimento Cansei, surgindo mais ou menos nos mesmos moldes e triturado pela imprensa e pela opinião pública depois de permitirem que lhes colassem o rótulo de grupo elitista, que só estava preocupado em manter as regalias dos empresários “malvadões” e exploradores. Ver empresários saírem de suas tocas e bolhas ideologicamente assépticas é motivo para se comemorar. Vejam, por exemplo, como se mantêm as grande organizações e fundações da direita americana, não é com tapinha nos ombros…

Ponto interessante e que não posso deixar de comentar é que a maioria dos que me atacaram ou criticaram o fizeram única e exclusivamente por verem no Flavio Rocha uma tentativa de “roubar” votos da direita, ou mais precisamente do pré-candidato Jair Bolsonaro. Interessante é que mesmo criticado duramente – e de uma forma até bastante injusta – Bolsonaro afirmou em entrevista para revista Exame que Flavio Rocha teria espaço em seu grupo de apoiadores. Em vinte anos não conheci nenhum outro político com mais aversão à Realpolitik do que ele, sendo assim, sua declaração não me parece apenas fruto de interesse eleitoral. 

Durante décadas a direita reclamou da falta de representatividade e da falta de espaço para expor suas ideias, quando isso começa a mudar parte dela reclama que os novos apoiadores e os novos espaços conquistados são fruto de aproveitadores de última hora, que é por motivo eleitoral, blá blá blá. Desculpem minha franqueza, mas isso é falta de visão. Claro que oportunistas surgirão, e políticos farão o certo mesmo que por motivos errados, foi exatamente assim que a esquerda chegou onde chegou e a direita foi engolida. Em 2005, ano do referendo das armas, tínhamos apenas oito deputados federais que se posicionavam contra o desarmamento, hoje temos algo próximo de duzentos e essa bancada deve se ampliar na próxima legislatura. O que eu deveria fazer? Reclamar? Dizer: “Olha! São um bando de oportunistas, que em 2005 não se manifestavam” e seguir vendo os projetos de lei inúteis e ideológicos serem aprovados como ocorreu com o malfadado Estatuto do Desarmamento? Sei lá, para mim não me parece uma boa estratégia…

Já palestrei para liberais e libertários, mesmo sendo um conservador, estive com Jair Bolsonaro e seus filhos inúmeras vezes em eventos e bate-papos sobre segurança, escrevi artigo para o NOVO de João Amoedo, palestrei para o MBL e para gente que odeia o mesmo MBL e sei que nenhum deles acredita que eu devo me tornar partidário, cabo eleitoral ou apoiador de todas as suas outras causas e posicionamentos. Estou e sempre estarei disposto ao debate, ao esclarecimento, a ajudar, de forma argumentativa, a qualquer um, independentemente do partido, credo ou torcida desde que deseje se opor a essa política desarmamentista criminosa que nos foi enfiada goela abaixo. Eu não quero o seu voto, não quero troca-troca eleitoral, não quero cargo no governo, não quero persuadir ninguém a votar em ninguém. Minha missão é outra, pena que nem todo mundo entenda isso. E vamos em frente! 
 

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Calibres restritos para quem, cara-pálida?

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Quem me acompanha, assistiu minhas palestras ou já leu o Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento sabe que a criação dos tais “calibres restritos” pelo ditador Getúlio Vargas não tem nenhuma relação com Segurança Pública. Trata-se tão somente de controle social implantado pelo absolutista suicida que, aliás, só precisou de um reles revolver calibre .32 para sair da vida e entrar na história. Ficasse apenas na história o admirador do fascismo, já estaria ótimo, porém seus entulhos autoritários ficaram nas nossas vidas e seguem fazendo estragos. Temos como exemplo a Carta del Lavoro, também conhecida como CLT e a tal restrição de calibres que – oras bolas, vejam só que surpresa! – só atinge aqueles que cumprem a lei.

Hoje mesmo, dia 18/01, a polícia apreendeu na rodovia Presidente Dutra no Rio de Janeiro, dentro de um carro, nada menos que 19 fuzis e 41 pistolas. Todas as armas em calibres restritos, menos aos bandidos, claro! Enquanto isso um cidadão comum enfrenta uma burocracia interminável, proibitiva e elitista para comprar um simples revolver ou uma espingarda para ter na sua roça e, sabemos, na maioria das vezes tem o seu pedido negado, fato esse que já gerou inclusive um processo movido pelo Ministério Público de Goiás do qual tive a honra de participar ministrando uma palestra sobre o tema naquele órgão.

Recentemente o Exército liberou a compra de pistolas no calibre 9mm para policiais, na imprensa a gritaria foi generalizada, as barbaridades ditas por jornalistas e “especialistas” no tema seriam suficientes para erguer um monte Everest de bullshit. Escrevi um artigo sobre isso que foi inclusive republicado na página da DFPC – Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados – do Exército Brasileiro. Exército... É aqui que eu quero chegar. Sei muito bem das pressões políticas que ocorrem, ainda mais quando se tem como ministro da Ministro da Defesa um empedernido desarmamentista, mas tenho visto, nós últimos meses, um tratamento absolutamente diferenciado sobre o tema, muito diferente do que vi nos últimos 20 anos. Outro exemplo disso foi a regulamentação do Porte de Trânsito para atiradores esportivos. Palmas! Muitas palmas!

A restrição de calibres não passa, como já disse, de entulho autoritário que chegou até nossos dias e, convenhamos, já passou da hora de ser removido da sala! Além de tecnicamente não fazer nenhum sentido, de não trazer nenhum benefício para a Segurança Pública e de que os criminosos se armam cada vez mais com armamento moderno e de calibres muito mais eficazes sem qualquer dificuldade, nada mais justo que nós – e quando digo nós, obviamente estou falando dos não-criminosos - também tenhamos acesso a calibres realmente efetivos para defesa e não ficarmos reféns de calibres anêmicos. Sim, o Exército Brasileiro tem autoridade legal para acabar com essa restrição com uma simples canetada e mostrar que vê no Brasileiro trabalhador e honesto um aliado e não uma ameaça ao Estado Democrático de Direito.

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São Paulo é o estado mais armado do Brasil... e o MENOS violento!

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Quantas vezes você ouviu os adeptos da teoria desarmamentista afirmarem que inexoravelmente quanto mais armas em circulação, mais homicídios ocorrem? Infinitas, não é mesmo? Pois bem, o Estado de São Paulo se torna mais um exemplo de que essa afirmação é, como sempre dissemos, absolutamente falsa!

De acordo com reportagem exibida pela desarmamentista GloboNews e divulgada pelo portal G1, também da Globo, de acordo com os dados divulgados pela Polícia Federal, São Paulo tem o maior número de armas em circulação. O tom alarmista da matéria, como sempre, busca trazer crítica e infundir o medo nas pessoas. Fico até imaginando a carinha de horror do jornalista ao escrevê-la. Pois bem, o que a matéria não aborda, óbvio, mas que é abordada em outra matéria também do G1 é que é exatamente São Paulo a Unidade da Federação com o menor índice de homicídios no Brasil e com a maior taxa de redução desse indicador na última década! Mais uma vez os fatos – esses malditos fatos! – provam exatamente o contrário do que é repetido à exaustão pelos tais “especialistas” tão queridos pela imprensa.

Que pese ainda a constatação que a região nordeste, que possui o menor número de armas legais e foi campeã na entrega de armas nas campanha governamentais, segue como o mais violenta do país. Falei disso no artigo Homicídios: a triste lição nordestina.

Não! Não estou afirmando que é essa quantidade de armas em São Paulo – que é baixíssima em relação à gigantesca população paulista – é a responsável pela redução. Há outros fatores que claramente garantiram essa redução, entre elas cito três: política de segurança pública continuada, resolução de homicídios e encarceramento de criminosos. Sim, para o terror dos abolicionista penais o estado tem 40% de todos os presos do Brasil. Só seria possível comprovar os efeitos benéficos da presença de armas nas mãos certas com estudos, mas não há entre pesquisadores renomados nenhum interesse em fazer isso, preferem a cantilena ideológica mesmo. Por outro lado, repito, a tese que mais armas causam mais crimes, mais uma vez se mostra fracassada e indefensável. O resto é mimimi de sociólogo progressista.

 

 

 

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Sobre debates e a escassez de bons debatedores desarmamentistas

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Eu escrevo, é verdade, mas confesso que é muito mais por necessidade, por obrigatoriedade do que por gosto ou, muito menos, por talento. O que eu gosto mesmo, paixão na verdade, são palestras e debates. Nas palestras, o contato com o público, a dificuldade de públicos arredios, a necessidade obrigatória de garantir que sua mensagem está sendo recebido e entendida, ali, naquele momento, sem segunda chance, sem segunda leitura de um determinado parágrafo, sem a possibilidade de consulta a dicionários, é apaixonante e desafiadora.

Desafio! Essa é a palavra que, pego-me aqui agora pensando, sempre foi meu combustível. E nada, mas nada mesmo, é mais desafiador do que um debate franco, aberto, ao vivo, sem cortes ou segundas chances! Cada debate se apresenta sempre – e não passei por poucos – como um desafio. Há sempre o inesperado, o argumento contrário, o trocadilho, a pegadinha intelectual do adversário, o frio na barriga antes do início de cada um, como se fosse o primeiro. Durante o debate a coisa flui sem tempo para pensar muito, algo quase instintivo. É como um combate real, que coloca em prática todo o seu treinamento. É fantástico tanto quanto exaustivo. O documentário Melhores Inimigos, no qual o conservador William F. Buckley Jr. e o esquerdista Gore Vidal travam uma batalha durante onze noites, transmitida para todos os Estados Unido durante as eleições presidenciais de 1968, traz de forma magistral isso tudo.

Perdi a conta de quantos debates participei; alguns foram memoráveis, outros, quase inexpressivos, melancólicos. Infelizmente nesses últimos tempos, os entreveros intelectuais foram rareando, bons debatedores sumiram e outros simplesmente não aceitam debater, preferem de forma cômoda as páginas dos jornais e o espaço quase infinito dado pelas redes de rádio e TV. Fóruns de segurança, criados para “debater” Segurança Pública com posições claramente ideológicas e distantes de qualquer tecnicidade sobre o assunto, criam subterfúgios inacreditáveis para simplesmente se negarem ao debate. Como sempre, se escondem e encolhem na pequenez do discurso pronto, fácil e palatável aos seus financiadores. Nos últimos tempos não foram poucos os debates que simplesmente não aconteceram porque não havia debatedores dispostos do lado desarmamentista.

Nesta semana fui violentamente atacado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma ONG criada para, em tese, discutir o tema mais urgente no Brasil hoje. O motivo do ataque? Fui simplesmente marcado em uma publicação na qual o Fórum defendia o megainvestidor George Soros, o maior patrocinador de todas as pautas esquerdistas no mundo, incluindo o desarmamento. Provocado, desafiei-os para um debate e pronto: virei inimigo público número um deles. De forma inacreditável condicionaram uma possibilidade – friso a POSSIBILIDADE! – de debate à abertura das minhas contas e financiadores, como se uma entidade privada, que não recebe um só centavo de dinheiro público, tivesse alguma obrigação de fazê-lo.

A estratégia é simples: levantar dúvidas acerca dos meus interesses. O ataque foi seguido de centenas de mensagens de pessoas que me apoiam e financiam o Movimento Viva Brasil com doações absolutamente voluntárias e essas – vejam só – jamais me pediram qualquer coisa desse tipo. O motivo é simples: doam ao reconhecer o meu trabalho frente ao direito de defesa do cidadão. Se acharem que o “produto” não é bom, simplesmente não “compram” e ponto- final.

Seja como for, mesmo que de forma indireta, a ocasião revelou duas coisas: o Movimento Viva Brasil é uma pedra no sapato do establishment das políticas fracassadas de segurança pública que eles defendem e, o mais importante, eles não têm lastro para embarcar em um franco debate de ideias sobre a questão do desarmamento. Falam, mas são incapazes de sustentar suas posições. Uma pena, um episódio triste, que mostra a pequenez daqueles que ditam hoje a catastrófica política de segurança pública no Brasil, baseada em preceitos marxistas ultrapassados, onde os criminosos são as vítimas, a polícia é opressora e todo cidadão que quer uma arma para sua defesa perante um Estado falido é visto como um assassino pronto para fazer justiça com as próprias mãos. E, ainda por cima, é você que literalmente paga por isso, com seus impostos.

 

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FOLHA DE SÃO PAULO E AS ARMAS: ANO NOVO, MENTIRAS VELHAS!

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Finalmente chegamos em 2018, um ano eleitoral que promete fortes emoções. Pela primeira vez na história teremos candidatos à presidência com claro posicionamento favorável a posse de armas pelo cidadão. Desde a redemocratização, com exceção de Enéas Carneiro, nunca tivemos nenhum candidato francamente favorável ao direito de defesa nas mãos da população com real chance de vitória. Entre os pré-candidatos atualmente na disputa temos não apenas um, mas três candidatos com esse posicionamento! São eles: Jair Bolsonaro, João Amoedo e Alvaro Dias.

Não bastasse isso os dois principais projetos de lei que tramitam no Congresso e que acabam com o fracassado Estatuto do Desarmamento são simplesmente os mais apoiados popularmente. As propostas do deputado federal Rogério Peninha e do senador Wilder Morais bateram todos os recordes históricos de apoio entre os eleitores brasileiros. Nenhuma surpresa por parte de quem acompanha essa história há mais de 20 anos ou assiste constantemente os massacres ocorridos em qualquer votação ou enquete espontâneas realizadas, incluindo aqui algumas feitas pela poderosa Globo News que, ao vivo, são simplesmente arrasadoras em favor das armas.

E eis que hoje, no meu último dia das pequenas férias que tirei, aparece uma pesquisa do Datafolha – carinhosamente apelidada de Datafalha nas últimas eleições – afirmando que a maioria da população continua favorável ao desarmamento. Faço aqui uma curta pausa para não soltar um longo e sonoro palavrão... Bom, continuemos. Primeiramente, se isso fosse verdade, o resultado do referendo teria sido outro e não foi! A maioria absoluta e inequívoca da população disse não ao desarmamento e ponto final. Foi o mesmo instituto de pesquisas que afirmava em julho de 2005, portanto há menos de três meses do referendo, que “80% acham que o comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido”. Será que é necessário dizer mais alguma coisa? Ah! Isso sem levar em conta a credibilidade de uma reportagem que não consegue saber sequer a diferença entre “porte” e “posse” de armas, pois ora usa uma, ora usa a outra para a mesma “pesquisa”.

Qualquer um que conheça alguma coisa desse tipo de pesquisa sabe que é muito fácil dirigir as perguntas para se obter a resposta desejada e, acredito, seja exatamente isso que tenha ocorrido embora confesse que não tive acesso à íntegra da mesma e a bem da verdade nem quero. Mas então qual o porquê dessa história? Qual o objetivo desse tipo de “pesquisa”? Respondo! O primeiro objetivo é dar sustentação para os discursos desarmamentistas dos – cada vez mais raros - candidatos que possuem isso como mote de campanha. E o segundo é tentar influenciar outros candidatos “indecisos” a se posicionarem favoravelmente à insustentável tese das restrições.

A estratégia empregada pela Folha é completamente furada e só funcionou no passado quando a opinião publicada era confundida com opinião pública. A Internet e as redes sociais acabaram com isso, acabaram com o monopólio da “opinião pública” forjada nas reuniões de pautas dos grandes veículos de imprensa nos barzinhos badalados do Leblon ou da Vila Madalena. O choro é livre e Feliz 2018 para todos!

 

 

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Suspensão do Porte de Atiradores Esportivos e a precariedade do direito de defesa no Brasil

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ATENÇÃO: Hoje,15/12, a liminar que suspendia o porte de arma para atiradores foi derrubada e o processo suspenso até o julgamento do Agravo de Instrumento. A íntegra se encontra aqui: https://drive.google.com/file/d/174iL2IZ2l76p7Li31afgrk17c3YcBJiF/view

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Em 14 de março, era assinada a Portaria 28 onde o Exército Brasileiro, através da DFPC – Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados - havia liberado o chamado Porte de Trânsito para atiradores, onde era permitido aos mesmos portar uma arma de seu acervo no trajeto entre o local do acervo e o clube de tiro. Tal medida, necessária para proteção efetiva do acervo e integridade física dos esportistas, vigorou por quase 9 meses sem qualquer ocorrência que pudesse colocar em dúvida o acerto da liberação.

As poucas ocorrências negativas foram por conta do desconhecimento da lei por parte de autoridades policiais que acabaram por, ilegalmente, autuar e até mesmo prender atiradores esportivos. Prontamente a DFPC sanou as dúvidas existentes e tudo voltou a correr dentro da normalidade. Friso aqui que há hoje no Brasil algo em torno de 70.000 atiradores registrados no Exército e, ao contrário do que alarmaram os profetas do apocalipse, isso não trouxe qualquer problema para segurança pública e paz social.

Eis que ontem fomos pegos de surpresa por uma liminar concedida pela 3ª Vara Federal de Porto Alegre que informava:

“A 3ª Vara Federal de Porto Alegre suspendeu uma Portaria do Exército Brasileiro que concedeu aos atiradores esportivos o direito de transportar arma de fogo municiada do local de guarda ao local de competição ou treinamento. A decisão é da juíza federal Thais Helena Della Giustina e foi proferida nesta segunda-feira (4/12).

 

A ação com pedido de liminar de urgência foi impetrada por um advogado da capital gaúcha. O autor destacou que o dispositivo editado pelo Exército “cria enorme insegurança, uma vez que possibilita o porte de armas municiadas por civis’. Segundo ele, “o pano de fundo da criação da Portaria é um movimento concatenado formado por organizações civis em busca de uma forma abreviada para o registro de posse de arma de fogo para o cidadão comum”.”

 

Ontem, 07/12, a DFPC divulgou uma circular que confirma a suspensão e pode ser acessada aqui. Sendo assim, mesmo após meses de vigência sem qualquer problema grave, a portaria 28 está suspensa e os atiradores esportivos voltaram a ficar sem o direto ao Porte de Trânsito.

 

Entrei em contato com o autor, o advogado Rafael Gama de Porto Alegre, que resumidamente afirmou: “Minha real intenção é de deixar claro a incompetência do Exército para "legislar". O mérito é legítimo, a forma equivocada.” Agora é aguardar o que pode ser uma longa batalha judicial sobre o assunto onde tudo pode acontecer, inclusive nada. Deixo claro que discordo veementemente da posição do autor da ação e sigo o posicionamento de Fabrício Rebelo, aliás, posicionamento esse que baseou a portaria em discussão. A íntegra está aqui.

 

O general de Brigada Theophilo, chefe do Comando Logístico do Exército, deixou uma importante mensagem em seu perfil no Facebook, vejam esse trecho:

 

“Na interpretação do jurista alemão Rudolf Von Ihering a luta pelo direito é um dever do interessado para consigo próprio. O indivíduo (ou o grupo organizado a que pertence) deve conhecer os meios à sua disposição e lutar por seus direitos. Não podemos colocar nossos direitos nas mãos de outrem.”

 

Portarias são, como sabe qualquer CAC que tenha alguns anos de estrada, inseguras por natureza.  Podem – e são! - modificadas com grande facilidade, pois dependem quase que exclusivamente de uma “canetada”. Volto aqui a defender a aprovação de LEI que garanta esse direito para todos, defendo aqui a aprovação do PL 3722 do Deputado Rogério Peninha, do PLS 378/2017 do Senador Wilder Morais que acabariam com a discricionariedade, com as “canetadas” e com a variação de “humores” de juízes, promotores e advogados.

 

Tanto o deputado Peninha (aqui) quanto o Senador Wilder(aqui) possuem páginas onde é possível acompanhar os projetos e, principalmente!, pressionar deputados e senadores.

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Senador quer a inutilização de todas as armas de colecionadores: um projeto imbecil!

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Senador Eduardo Amorim (PSDB/SE) apresentou em 2014 um projeto de lei - Projeto de Lei do Senado n° 391 - que prevê a inutilização imediata de todas as armas de coleção. O projeto, como outros tantos, ficou parado no Senado por três anos. Ocorre que com o mutirão para apreciação de projetos relativos à segurança púbica o mesmo voltou à pauta e, acreditem, quase foi aprovado pela CCJ, em caráter terminativo, no último dia 29.

Com parecer favorável da relatora, a senadora Simone Tebet, o Projeto só não foi aprovado porque os membros da CCJ pediram vistas coletivas do mesmo. Isso não me espanta pois o relatório apresentado pela senadora é uma peça praticamente ininteligível que mistura porte de transito com coleção e usa “estudos” de ONG desarmamentistas para firmar sua posição em favor da proposta imbecil.

Peço perdão pela adjetivação pejorativa, mas não há outra forma de classificar o texto apresentado, vejamos:

"Altera o Estatuto do Desarmamento para estabelecer que as armas de fogo do acervo de colecionadores deverão ser mecanicamente inaptas para efetuar disparos, cuja circunstância será aferida pelo Comando do Exército no registro e na concessão de porte de trânsito."

A imbecilidade está, primeiramente, no fato que uma arma inutilizada para disparo deixa de ser uma arma e, portanto, não precisa de qualquer autorização para ser colecionada! Excluindo-se isso, que já não é pouco, resta ainda o caráter ditatorial da medida e sua total inutilidade no que diz respeito à segurança pública. Não posso ainda deixar de apontar que tal projeto, se aprovado, trará prejuízo aos milhares de colecionadores uma vez que o valor das peças de coleção – e isso vale para qualquer tipo de colecionismo – está diretamente relacionada à originalidade da peça, no caso, na possibilidade de disparo.

E que fique o alerta para que os colecionadores, em especial aqueles que possuem milhares de reais em peças e nunca mexeram uma só palha contra a sanha desarmamentista, não achem que estão seguros em seus feudos. Como disse acima e repito, não foi aprovado por muito pouco e ainda pode ser! Tudo dependerá da mobilização em massa.

Abaixo seguem os dados de contato do autor e da relatora.

Autor: Eduardo Amorim

E-mail: eduardo.amorim@senador.leg.br

Twitter: https://twitter.com/eduardoamorimse

Facebook: https://www.facebook.com/eduardoamorimse/

Telefones: (61) 3303-6205 / 6206 / 6207 / 6208 / 6209 / 6210 / 6211

FAX: (61) 3303-6212

 

Relatora: Simone Tebet

Facebook: https://www.facebook.com/simonetebet/

Twitter: https://twitter.com/SimoneTebetms

Telefones: (61) 3303-1128

FAX: (61) 3303-1920

E-mail: simone.tebet@senadora.leg.br

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Se armas não trazem proteção, a Rede Globo já desarmou seus seguranças?

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O G1, mais uma vez, produz e publica uma matéria absolutamente enviesada sobre a posse de armas de fogo, tentando mostrar que armas em casa trazem riscos e não segurança; para tal ouve “especialistas” e cita dois ou três casos onde armas legais foram usadas em homicídios. A tática usada pelo jornalista é velha e manjadíssima: pinçar notícias ruins que envolvam armas e simplesmente “esquecer” casos onde a arma foi usada defensivamente e salvou vidas inocentes.

 

O professor John Lott, um dos maiores especialistas do mundo nesse assunto, discorre com precisão implacável sobre essa atitude da imprensa em seu livro Preconceito Contra As Armas, livro de leitura obrigatória! Cito um pequeno trecho:

 

“qualquer que seja o impacto de tal cobertura jornalística na segurança, está claro que a decisão de cobrir apenas os crimes cometidos com armas – e não os crimes impedidos por elas – tem um impacto real nas percepções das pessoas sobre armas”

 

É claro o objetivo desse tipo de cobertura: gerar medo e, com isso, ganhar a empatia e apoio de leitores, ouvintes ou telespectadores para a ideologia desarmamentista. Porém, ao que parece, a tática – já bem ultrapassada – tem causado pouco ou nenhum efeito, basta ver os comentários na matéria e nas redes sociais como o Facebook e Twitter onde foi divulgada.

 

A própria ONU em seu relatório a United Nations Office on Drugs and Crime, órgão da ONU chega à uma conclusão importante, embora bastante óbvia:

 

“Adicionalmente, sob uma perspectiva global, a enorme diferença entre as estimativas de proprietários de armas de fogo (centenas de milhões, de acordo com estimativas da Small Arms Survey, 2007) e o número anual de homicídios (centenas de milhares) indica que a maioria das armas dos cidadãos não é desviada e é possuída para propósitos legítimos” Global Study on Homicide, 2011, pag. 44.

 

Interessante notar que embora todos os veículos de comunicação do Grupo Globo (salvo raras e heroicas exceções) posicionem-se no mantra de “armas não trazem segurança”, nunca vi nenhuma das instalações dessa empresa, incluindo o Projac, abrindo mão de seguranças armados para sua defesa. Duvido muito também que a família Marinho abra mão do seu exército particular de defesa armada. Tempos atrás, inclusive, a Rede Globo foi condenada a pagar os encargos trabalhistas para um bombeiro carioca que fazia a escolta armada para funcionários, artistas e diretores da emissora. A pergunta que fica é: se armas não trazem segurança quando a Globo e a família Marinho desarmará seus seguranças?

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