Professores armados com mini tacos de basebol e pedras. Será que o mundo enlouqueceu?

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Na semana passada duas notícias se espalharam rapidamente e deixaram abismados muitos. Dois distritos escolares nos EUA resolveram armar seus professores para enfrentar ataques em escolas. Não, os professores não estarão em posse de armas de fogo para revidar aos ataques como alguns outros distritos já fazem. Os professores foram equipados com mini tacos de basebol e baldes de pedras. Sim, é isso mesmo que você leu. O bom senso indica que se você não é o Negan da séria The Walking Dead dificilmente sairá vivo de um tiroteio levando apenas um taco de basebol. Chance menor ainda se você resolver dar pedras em seu agressor e não for David enfrentando Golias.

 

Confesso que compartilhei do mesmo espanto e indignação de muitos, mas há nisso algo extremamente interessante e, ao que me parece, é exatamente o ponto onde tentou chegar o superintendente William Hal do Departamento de Educação de MillCreek na Pensinvânia, USA, que “armou” 500 professores com os tais mini tacos de basebol. Para ele a ideia de “apagar as luzes, trancar as portas e se esconder embaixo de carteiras e mesas” não é o melhor a se fazer durante um ataque, mas é exatamente esse o procedimento padrão adotado nacionalmente nos EUA em casos assim. Ou seja, se esconda e reze para que o assassino não te veja. Para o coordenador, lutar, reagir é também uma opção viável.

 

Como não poderia deixar de ser boa parte da imprensa americana, em especial a ala ligada ao Partido Democrata, recebeu a iniciativa – já peço aqui desculpas pelo trocadilho inevitável -com dez pedras nas mãos. Para eles, a simples ideia de que é necessário reagir e lutar é inaceitável, tudo na cabeça desse pessoal que vive em um mundo paralelo gira em torno da ideia de que a única coisa a ser feita é impedir que malucos e assassinos coloquem as mãos em armas de fogo e, sabemos, isso é impossível no mundo real.

 

O que os dois distritos americanos colocaram na mesa de discussões, querendo ou não, foi: o que é melhor, manter as escolas como gun-free zones (onde aparentemente só os malucos entram armados) ou disponibilizar meios de reação contra agressores? Bom, quem me acompanha sabe muito bem da minha posição e dois casos recentes podem dar alguns indícios de como as coisas funcionam no mundo real. Em um o professor desarmado tentou impedir o assassino e em outro um segurança armado interveio. No primeiro houve um massacre, no outro não. Cabe agora entender que o mundo já saiu da idade da pedra e um tacape made in USA não é páreo para um psicopata armado, goste você disso ou não.

 

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Youtuber vegana abre fogo na sede do Youtube, uma empresa “gun-free zone”

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Pouco mais de uma semana após anunciar a restrição aos canais sobre armas de fogo a sede do Youtube na Califórnia foi alvo de um ataque a tiros. Quem disparou a arma, ao contrário do que poderiam imaginar alguns, não foi um membro enfurecido da NRA ou um cristão radical... Quem desrespeitou todas as leis restritivas da Califórnia, incluindo a proibição de portar armas sem autorização, foi a californiana de origem iraniana Nasim Aghdam, de 39 anos, que abriu fogo ferindo três pessoas antes de atirar contra si mesma, “uma atleta vegana e a mais conhecida e famosa ativista dos direitos dos animais na Pérsia, promovendo o veganismo e o estilo de vida saudável e humano", como ela mesma se descrevia.

 

Como grande parte das empresas daquele estado, o Youtube mantém uma severa política interna no que diz respeito às armas: “Estamos comprometidos com um ambiente de trabalho livre de violência e não toleraremos nenhum nível de violência ou a ameaça de violência no local de trabalho. Sob nenhuma circunstância alguém deve trazer uma arma para o trabalho. Se você tomar conhecimento de uma violação desta política, você deve reportá-la aos Recursos Humanos imediatamente. Em caso de violência potencial, entre em contato com o Google Security”. Toda a ação durou poucos segundos e, ao que parece, só não acabou em um massacre pela inabilidade da pacifista pró-bichinhos. Se as leis restritivas daquele estado não a impediram, muito menos a política “intolerante” com a violência funcionou. Tão pouco alguém teve tempo de acionar o Google Security.

 

O canal da youtuber foi imediatamente apagado, mas ainda pululam pela Internet vários de seus vídeos, não é necessário ser psiquiatra para entender que havia algo muito errado ali. Sua fúria, ao que parece, se deveu à supostas restrições da empresa – entre elas a desmonetização – aos seus vídeos. Que há verdadeira perseguição a certos tipos de publicações pela gigante ninguém duvida, se isso realmente estava acontecendo com a maluca ninguém sabe ao certo. Seja como for ela acreditava realmente nisso e os seus país confirmaram que ela estava furiosa. O triste fim dessa existência ignóbil prova mais uma vez que não é possível legislar sobre a loucura e privar o cidadão de armas de fogo só o transforma em um pato sentado, daqueles das antigas galerias de tiro ao alvo dos parques de diversão.

 

 

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Brasil quer que EUA restrinjam exportação de armas para o Paraguai: não, não é piada.

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Recebo, estupefato, a notícia que a Polícia Federal brasileira está pressionando os EUA para que restrinjam a venda de armas ao Paraguai. Mais esse descalabro, essa confissão de fracasso da nossa ineficiência em proteger a fronteira foi notícia no jornal paraguaio Ultima Hora do dia 25 de março e repercutiu em grupos pró-armas da América do Sul. Não preciso dizer que os comentários não foram nem um pouco elogiosos e querem saber? Eles estão cobertos de razão!

Em setembro de 2017 fui convidado para expor na XXX reunião do Grupo de trabalho sobre armas de fogo e munições do MERCOSUL que ocorreu no Palácio do Itamaraty, em Brasília. Pela primeira vez na história do grupo – vejam que foi a 30ª reunião! – alguém não alinhado com a fracassada política desarmamentista estava presente para contrapor os argumentos de sempre, entre eles que um dos problemas do Brasil é o comércio legal de armas nos países vizinho que acabam por abastecer, via contrabando, o comércio ilegal no Brasil. Deixei algumas indagações para o grupo: afinal, por que as armas são contrabandeadas para o Brasil? E, principalmente, por que essas mesmas armas não são um problema nesses países e o são no Brasil? Oras, a resposta me parece bastante simples: o Brasil possuiu um excesso de demanda causada pelos criminosos que seguem impunes e incontroláveis.

XXX reunião do Grupo de trabalho sobre armas de fogo e munições do MERCOSUL

 

O Paraguai e o Uruguai possuem legislações muito menos restritivas no que diz respeito às armas de fogo e possuem taxas criminais muito menores que as brasileiras, motivo esse que sempre uso os dois países vizinho como exemplos em minhas palestras. O Paraguai possui a terceira menor taxa de homicídios da América do Sul e essa taxa se encontra em queda nos últimos anos, sinal que estão fazendo a lição de casa, muito diferente do Brasil. E por falar em Brasil, o Paraguai só não tem uma taxa menor por fazer fronteira com o Brasil! Sim, a fracassada política de segurança do Brasil consegue atrapalhar até mesmo a segurança pública de seus vizinhos. O procurador paraguaio Hugo Volpe, jurado de morte em seu país por investigar o crime organizado brasileiro atuando lá, afirmou que o PCC – facção criminosa nascida em São Paulo – é hoje a maior ameaça enfrentada em seus país. Simplesmente vergonhoso!

O Uruguai é, de acordo com a organização IANSA – organização globalista pró-controle de armas -, o país mais armado da América Latina. Há naquele país uma arma para casa seis habitantes. Se as armas fossem um problema em si a taxa de homicídios seriam também os maiores do continente, porém, a taxa de homicídios é a segunda menor da América do Sul! Repito a pergunta: então por que as armas de lá só são usadas de forma criminal depois que atravessam a fronteira com o Brasil? Pergunta retórica já respondida acima... Enquanto isso o Brasil, que acha que pode dar conselho para alguém na matéria, amarga uma das maiores taxas criminais do mundo com 60.000 assassinatos por ano!

Nos anos 90 a indústria nacional era comumente acusada de facilitar o contrabando de armas produzidas aqui ao abastecer o mercado legal de países fronteiriços. Pois bem, a própria indústria optou por suspender esse tipo de exportação. O que aconteceu? Nada! As armas brasileiras foram simplesmente substituídas por armas de outros fabricantes, em especial dos EUA. E agora querem que os EUA façam o mesmo? Mais uma medida sem qualquer efeito prático além de ser uma clara ofensa à soberania paraguaia. Um atestado de fracasso da segurança pública e em especial da vigilância de nossas fronteiras. Se nossos irmãos sul-americanos podem aprender algo com a segurança pública no Brasil e em especial sobre a política de desarmamento é exatamente o que não fazer! Se os EUA devem parar de exportar armas para lá, o Brasil deveria parar de exportar criminosos.

 

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Criminalidade: É o canto da sereia e não a pouca comida no navio que leva o marinheiro para o fundo do mar

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Não são poucas as vezes que encontro dificuldades em expressar certas ideias, de colocá-las no papel. Por sorte cada vez mais pessoas começam a entender e pensar sobre a complexa questão da criminalidade no Brasil de forma muito mais racional e deixando de lado os velhos clichês e mantras ideológicos. Hoje topei com o texto abaixo, uma sintese exata e precisa da questão da criminalidade x pobreza, um desses dogmas tão lugares-comuns quanto falsos! Nos últimos anos a criminalidade não se expandiu apenas nas classes menos abastadas e nos bairros periféricos das grandes cidades e prova disso é o envolvimento cada vez maior de jovens de classe média e alta na criminalidade. Exemplo extremo disso é verificar os condenados e presos na Operação Lava-Jato. Será que algum deles escolheu delinquir por falta de opção? Por pobreza? Por falta de oportunidade? Me parece óbvio que não. Bom, termino por aqui e os deixo com o texto do amigo Carlos Kramer a quem parabenizo mais uma vez! 

 

A pobreza pode influenciar índices de criminalidade apenas na medida em que os pobres forem convencidos de que o crime é uma saída justificável e legítima para a sua situação econômica.

A desigualdade econômica (que é um conceito bem diferente de "pobreza") só influencia índices de criminalidade na medida em que os com menos são convencidos de que têm menos *porque* alguém tem mais. E também na medida em que as pessoas se convencem de que ter um tênis caro ou um celular de última geração é mais importante do que respeitar o próximo.

A pobreza e a desigualdade, por si mesmas, não são causa da criminalidade. A pobreza e a desigualdade podem até acrescentar combustível, mas o que acende a fogueira é o conjunto de crenças e de valores de uma população. É por isso que o discurso que atribui altos índices de criminalidade à pobreza e à desigualdade é, ele próprio, mais responsável pelo aumento desses índices do que as causas que ele normalmente aponta. Esse discurso injeta na sociedade a crença de que o crime é justificado por fatores econômicos.

Dito isso, é preciso acrescentar o seguinte: a imensa maioria dos crimes bárbaros no Rio de Janeiro não é cometida por pessoas famintas e em situação de extrema pobreza. A imensa maioria dos jovens cariocas têm acesso à educação escolar, onde recebem livros, passagens, uniformes e alimentação gratuita. A escola pública tem problemas, é fato, mas converse com qualquer professor e ele te dirá que um dos maiores problemas que enfrenta é o absoluto desinteresse dos alunos.

É claro que combater a pobreza é uma prioridade. É claro que um país em que a riqueza extrema não contribui para tirar pessoas da pobreza extrema é um país com um grave problema (econômico e moral). Nada disso está sendo contestado. O problema é que tratar a pobreza e a desigualdade como principais causas da criminalidade é não apenas um erro de análise dos fatos concretos, como também serve para inflamar ainda mais a violência.

Nós sabemos que tem muita gente por aí realmente interessada em inflamar o já complicado quadro em que vivemos. Há quem faça isso por acreditar que o crime é uma espécie de instrumento revolucionário. Há quem faça isso por acreditar que um alto índice de criminalidade é uma espécie de troco justo para os mais ricos que exploram os mais pobres. Mas há os que simplesmente engoliram esse discurso depois de muitos anos de martelação em suas cabeças, sem nunca terem questionado a sua validade. Eu não acredito nesse discurso. Eu fui criado no meio de gente pobre (até porque eu mesmo nunca fui rico). Minha mãe dava aulas para crianças descalças em turmas multisseriadas na roça. Eu convivi a infância e a adolescência inteira com pessoas com uma situação econômica bem abaixo da do típico jovem de baixa renda do Rio de Janeiro, gente que só podia comer o pouco que colhia de pequenas plantações (normalmente aipim e feijão). Nada no mundo vai me convencer de que ser pobre te torna automaticamente um criminoso, porque meus próprios olhos já viram que isso não é verdade. No máximo, a pobreza nas grandes cidades pode te tornar mais suscetível ao canto da sereia do traficante e do sociólogo de botequim. Mas, em ambos os casos, é o canto da sereia e não a pouca comida no navio que leva o marinheiro para o fundo do mar.

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Feminicídio: 83% dos assassinos não usam armas de fogo

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Começo dizendo que acho a tipificação chamada “feminicídio” uma enorme excrescência pelo simples fato que um homicídio é sempre um homicídio embora, óbvio, não possa dar de ombros ao fato que alguns homicídios, seja pela sua crueldade, seja pela sua vítima, não podem ser tratados de forma igual. Um homem que esgana uma mulher até sua morte ou assassina uma criança deve mesmo responder com máximo rigor e é para isso que existem as qualificadoras. Dito isso, vamos ao que realmente interessa.

O Ministério Público de São Paulo divulgou um recente estudo onde analisou os chamados feminicídios nos últimos 12 meses e constatou que 83% dos crimes consumados ocorreram sem o uso de armas de fogo. Facas, canivetes, foices e as mãos foram amplamente mais usadas para matar mulheres do que armas de fogo. A ideia do desarmamento como uma proteção às mulheres, como sempre afirmei, não passa de balela, de mentira! Falsa também é a pseudoproteção dada por um pedaço de papel chamado “Lei Maria da Penha”.

O que sempre me impressionou nesse debate é a posição radical da maioria das feministas que sempre defenderam a proibição às armas como medida protetiva. Uma piada! Oras, com raras exceções o homem tem muito mais força física e capacidade para violência que a mulher e isso é fato. Portanto a única possibilidade de equiparação está na arma, a força física se torna absolutamente secundária.

Essa semana mesmo assisti novamente o filme Um Crime Perfeito de 1998 com Michael Douglas e Gwyneth Paltrow onde um marido decide assassinar sua mulher. Contrata o próprio amante da esposa que falha no objetivo e, descoberto, decide ele mesmo dar cabo de sua companheira e o teria feito com as próprias mãos se ela não estivesse armada. A força bruta não resistiu aos três disparos. Fim da história.

De acordo com a UNODC - Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime – 95% dos homicídios cometidos no mundo são perpetrados por homens. Nessa linha cheguei a brincar com uma moça desarmamentista em meu Twitter dizendo que se eu fosse feminista, meu slogan seria: homens armados matam, mulheres armadas sobrevivem. Eu realmente nunca consegui entender por qual motivo grupos que se dizem oprimidos, que acusam o Estado ser patriarcal e opressor, que dizem não confiar em nossos políticos, defenderem o desarmamento, ou seja, o monopólio da força exatamente nas mãos do inimigo. Convivem com ideias antagônicas sem nunca se darem conta disso. É o “Duplipensar” de George Orwell em estado de arte!

Não é sem motivo que hoje nos EUA quase 30% dos portes de armas emitidos são para mulheres. Só no Texas são quase 300 mil. Qual o resultado disso? Mais mortes? Não! Mais mulheres protegidas, menos “feminicídios” e quase 60% menos estupros! De acordo com o estudo “Law Enforcement Assistance Administration, Rape Victimization in 26 American Cities”, do Departamento de Justiça norte-americano, apenas 3% dos estupros se concretizam quando a mulher está armada e reage.

O que o relatório do Ministério Público comprova é que quem quer matar, mata! Porém, convenhamos, o único objeto capaz de proporcionar eficazmente a possibilidade de defesa e a equiparação de força, seja para uma mulher ou para um homem, é a arma de fogo. O resto é utopia e abstração da realidade.

 

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Fuzis já estiveram banidos nos Estados Unidos e o efeito foi nulo, e não importa o quanto você grite “babaca”.

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Vou aqui misturar duas ocorrências distintas, mas gêmeas de alma. A primeira é a ideia que criar mais restrições à posse das chamadas “assault weapons”, ou seja, fuzis semiautomáticos que se assemelham aos fuzis de assalto nos Estados Unidos, trará algum benefício. A segunda é a gritaria histérica do historiador Marcos Villa, que chamou de fascista e babaca quem defende o direito à posse de armas.

Bom, vamos lá. Pensando aqui, às vezes acho que só eu tenho alguma memória sobre o que já foi feito no passado no que diz relação às restrições de armas nos Estados Unidos. O próprio Trump, ao que parece, defendeu de forma “moderada” um maior controle sobre a venda de fuzis semiautomáticos. Muita gente boa embarcou nesse discurso vendo aí a chance de, quem sabe, evitar casos como o último ataque na escola da Flórida. O que parece ter sido apagado da mente de todos é que isso já fora feito nos Estados Unidos!

Na esteira da aprovação da chamada Lei Brady – que, aliás, foi aprovada com apoio de conservadores, incluindo o presidente Ronald Reagan –  as chamadas “assault weapons”, ou seja, armas que tivessem o aspecto de armas militares, como o AR-15, por exemplo, foram simplesmente banidas: tiveram sua venda proibida em todo território americano. O mesmo aconteceu com carregadores – local onde as munições ficam alojadas em armas automáticas ou semiautomáticas – que tivessem a capacidade para mais de dez munições. Tal banimento foi aprovado em 1994 e vigorou durante dez anos. Em 2004, uma série de estudos comprovaram que os efeitos de tais restrições foram absolutamente nulos ou, no mínimo, desprezíveis. Em 2004, inteligentemente, a lei foi revista e modificada, acabando com o banimento desse tipo de armamento.

Oras! Uma lei não pode ser julgada ou analisada pelas suas intenções, mas pela sua eficácia! Seria como julgar um estelionatário pelas suas promessas e não pelo dano causado aos que acreditam e caem em seus golpes. Aqui no Brasil temos alguns bons exemplos disso: o Estatuto da Criança e do Adolescente, a lei Maria da Penha e, claro, o ignóbil Estatuto do Desarmamento. Leis com todas as “boas intenções” do mundo, mas que não trouxeram nenhum ganho real à segurança. Mas qual ditadura não começou senão com “boas intenções”, não é mesmo?

Sei que para muitos não é fácil entender o porquê de alguém querer “uma arma de guerra”. Eu mesmo, há muitos anos atrás, tinha uma certa estranheza sobre esse fato, mas estranheza esta que se dissipou ao passar dos anos com o aprofundamento sobre o assunto e, claro, com a observação do mundo real. Vivemos em um país onde criminosos utilizam esse tipo de armamento até para assaltar carrinho de cachorro-quente. Do que vale então tal privação? Nada! Não obstante, devo relembrar que a proibição desse tipo de armamento ocorreu pelas mãos do ditador Getúlio Vargas, com o único propósito de estabelecer controle social e evitar novos 1932. 

No caso americano é necessário entender a Segunda Emenda e não repetir aquela pataquada dita por Villa, que afirmou que a emenda se referia à uma época que não havia Estado e as pessoas precisavam se defender! Primeiro que já havia Estado e, segundo: a Emenda não tem absolutamente nada a ver com legítima defesa. Se Villa tivesse ao menos lido o texto original saberia disso, vejamos: “Sendo necessária à segurança de um Estado livre a existência de uma milícia bem organizada, o direito do povo de possuir e usar armas não poderá ser infringido”. A Segunda Emenda garante a liberdade e a democracia e isso se dá com o mínimo de equiparação de forças entre o próprio Estado e seus cidadãos.

Villa parece bastante incomodado com a idade da Constituição Americana. Na cabeça do defensor da teoria da “Constituição Viva”, que aliás ele nem deve conhecer, boa é a nossa Constituição social e moderninha. Nesta linha, há quem defenda a ideia de que quando a Segunda Emenda foi introduzida não havia fuzis – argumento pueril. Seria o mesmo que afirmar que a Primeira Emenda, que garante a liberdade de expressão, não é válida para rádios, Internet e canais de televisão, afinal, tais veículos não existiam em 1791.

E por falar em Estado e seus contrapesos, muito interessante ver um dito historiador literalmente gritando “Estado! Estado! O que precisamos é de Estado!”, e, ao mesmo tempo, vê-lo chamar de fascistas aqueles que não advogam a sua ideia. Algo que não está certo me parece errado… Devemos imaginar que países como Suíça, Canadá, Israel, entre outros tantos, falharam em suas políticas de segurança? Afinal, nesses países ninguém é privado da legítima defesa como quer o ser gritante. Poderia o historiador nos indicar um só país que seja capaz de defender 24 horas por dia seus cidadãos? Isso não passa de delírio distópico totalitarista e não importa o quanto ele chame quem discorda de “babaca”, essa é uma verdade imutável!

Não vou me delongar mais, mas não posso deixar de citar o falso dado citado pelo histriónico-historiador: o de que já houve vinte(!) tiroteios em escolas esse ano. É mentira e há uma extensa matéria no The Washington Post sobre esse fraudulento número divulgado por uma ONG americana. Será o jornal fascista e babaca? Não adianta gritar, Villa. Gritos e perdigotos voando no inocente microfone não são argumentos – pelo contrário. Como define brilhantemente o filósofo espanhol José Ortega y Gasset em seu livro O Homem e Os Outros: “Quando os homens não têm nada para falar, em vez de se calarem, costumam fazer o contrário: dizem no superlativo, isto é, gritam. E o grito é o preâmbulo sonoro da agressão, do combate, da matança. Dove si grita non è vera scienza, dizia Leonardo. Onde se grita não há bom conhecimento”.
 

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Quando ocorre um massacre nos EUA todos falam de armas, mas ninguém fala sobre doenças mentais

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Cada vez que ocorre um ataque armado nos EUA a gritaria contra as armas ecoa pelo mundo. Ninguém, ou quase ninguém, toca em um ponto doloroso: as doenças mentais e a política antimanicomial. Nos últimos anos, com exceção dos ataques perpetrados por terroristas islâmicos, todos os outros envolviam jovens com claros problemas mentais e que se encontravam em tratamento, mas quase ninguém cita esse fato e o motivo é assustador: não se quer criar preconceito contra quem sobre d’algum transtorno. 


O ataque terrorista de 2015 perpetrado em Bernardino, Califórnia, por um casal muçulmano e que deixou 14 mortos é um exemplo desse medo do preconceito. Dias depois do massacre vários vizinhos foram entrevistados e muitos disseram que suspeitavam do casal, achavam a movimentação na casa e atitude deles estranha, mas não tiveram coragem de denunciar nada com o temor de serem tachados de islamofóbicos. 
O desarmamentista e ex-presidente Obama viu sua tentativa de ampliar o rigor na checagem de antecedentes exatamente por esse motivo quando em fevereiro de 2017 o seu Projeto de Lei foi derrubado após a poderosa American Psychiatric Association afirmar que isso traria preconceito contra os portadores de qualquer transtorno, levando a ideia que todos esses estão propenso à violência. Honestamente falando, eu também não acho razoável impedir alguém que tem, por exemplo, aracnofobia – pânico de aranhas - de possuir uma arma.


Não sou especialista em psiquiatria ou em qualquer coisa correlata, mas me parece bastante óbvio que isso deveria estar sendo discutido com amplitude e profundidade e não está. Dias depois do ataque perpetrado por Adam Lanza, Liza Long que é escritora, música e especialista em Antiguidade Clássica escreveu um depoimento arrasador intitulado “eu sou a mãe de Adam Lanza e que foi originalmente publicado no site The Blue Review. O cerne da questão levantado pela autora se resume nessa frase: “Na esteira de outra terrível tragédia nacional, é fácil falar de armas. Mas é hora de falar sobre doença mental.” Segue abaixo a íntegra do emocionante artigo:

EU SOU A MÃE DE ADAM LANZA

Três dias antes de Adam Lanza, 20 anos, matar sua mãe e, em seguida, abrir fogo em uma sala de aula de uma escola infantil em Connecticut, meu filho de 13 anos de idade, Michael (o nome foi alterado), perdeu o ônibus porque estava usando as calças de cor errada.

“Eu posso usar essas calças”, disse ele, num tom cada vez mais beligerante, as pupilas negras de seus olhos engolindo as íris azuis.

“Elas são azul marinho,” eu respondi. “Sua escola permite apenas calças pretas ou cáqui.”

“Eles me disseram que eu poderia usar estas”, ele insistiu. “Você é uma vadia estúpida. Posso usar o que eu quiser. Esta é a América. Tenho direitos!”

“Você não pode usar as calças que quiser”, eu disse num tom afável, razoável. “E você definitivamente não pode me chamar de vadia. Você está de castigo pelo resto do dia. Agora entre no carro e eu vou levá-lo para a escola.”

Eu vivo com um filho doente mental. Eu amo meu filho. Mas ele me aterroriza.

Algumas semanas atrás, Michael puxou uma faca e ameaçou me matar e depois se suicidar depois que eu lhe pedi para devolver os livros da biblioteca. Seus irmãos de 7 e 9 anos, que conheciam o plano de segurança, correram para o carro e trancaram as portas antes mesmo de eu pedir. Eu consegui pegar a faca de Michael, e então metodicamente recolhi todos os objetos pontiagudos da casa em um Tupperware que agora viaja comigo.

Esse conflito terminou com três policiais corpulentos e um paramédico, que puseram meu filho em uma maca e o levaram de ambulância para a sala de emergência. O hospital psiquiátrico não tinha camas naquele dia. Michael se acalmou na sala de emergência e eles nos mandaram de volta para casa com uma receita do remédio Zyprexa e uma visita marcada com o psiquiatra.

Nós ainda não sabemos o que há de errado com Michael. Ele está em um pântano de antipsicóticos e fármacos que alteram o humor, num romance russo de planos comportamentais. Nada parece funcionar.

No início da sétima série, Michael foi aceito num programa para estudantes altamente talentosos de matemática e ciências. Seu QI é fora do padrão. Quando ele está de bom humor, discorre com prazer sobre assuntos que vão da mitologia grega às diferenças entre a física einsteiniana e a newtoniana. Ele está de bom humor a maior parte do tempo. Mas quando não está, cuidado. E é impossível prever o que vai tirá-lo do sério.

Depois de várias semanas em seu novo colégio, Michael começou a apresentar comportamentos cada vez mais estranhos e ameaçadores. Na manhã do incidente das calças, Michael continuou a discutir comigo. Ele ocasionalmente pedia desculpas e parecia arrependido. No estacionamento da escola, disse: “Mãe, olha, eu sinto muito. Posso jogar videogame hoje?”

“De jeito nenhum”, eu disse a ele. “Você não pode agir da forma que agiu esta manhã e achar que pode obter de volta os seus privilégios rapidamente.”

Seu rosto ficou frio e seus olhos estavam cheios de fúria calculada. “Então eu vou me matar”, disse ele. “Eu vou pular deste carro agora e me matar.”

E foi isso. Após o incidente da faca, eu falei a ele que, se ele dissesse essas palavras novamente, eu o levaria diretamente para um hospital psiquiátrico. Eu não respondi nada e virei a direção do carro na direção oposta.

“Onde você está me levando?” disse ele, de repente preocupado. “Para onde vamos?”

“Você sabe para onde estamos indo”, eu respondi.

“Não, você não pode fazer isso comigo! Você está me mandando para o inferno! Você está me mandando direto para o inferno!”

Parei em frente ao hospital. “Chamem a polícia”, disse eu. “Depressa”.

Michael estava em surto, gritando e batendo. Eu o abracei apertado para que ele não pudesse escapar do carro. Ele me mordeu várias vezes e repetidamente acertou os cotovelos em minhas costelas. Eu ainda sou mais forte do que ele, mas não por muito mais tempo.

A polícia chegou rapidamente e levou meu filho ao hospital. Eu comecei a tremer, e as lágrimas encheram os meus olhos enquanto eu preenchia a papelada: “Houve alguma dificuldade com… com que idade a criança… não existiam problemas com… seu filho já experimentou… se seu filho tem…”

Pelo menos temos um convênio agora. Recentemente, eu aceitei um emprego numa faculdade local, encerrando a minha carreira de freelancer porque, quando você tem um garoto como este, você precisa de benefícios. Você vai fazer qualquer coisa pelos benefícios.

Primeiro, meu filho insistiu que eu estava mentindo, que eu fiz a coisa toda para que pudesse me livrar dele. No primeiro dia, quando liguei para ver como estavam as coisas, ele disse: “Eu odeio você. E eu vou me vingar assim que eu sair daqui”.

Em três dias, ele era meu menino, doce e calmo, cheio de desculpas e promessas de melhorar. Eu já ouvi essas promessas durante anos. Eu não acredito mais nelas.

No formulário de admissão, sob a pergunta: “Quais são as suas expectativas para o tratamento?” Eu escrevi: “Eu preciso de ajuda”.

E eu preciso. Esse problema é grande demais para eu lidar sozinha. Às vezes não há saída. E então você só consegue orar para ter confiança de que, um dia, tudo fará sentido.

Eu estou compartilhando esta história porque sou a mãe de Adam Lanza. Eu sou a mãe de Dylan Klebold e Eric Harris. Eu sou a mãe de Jason Holmes. Eu sou a mãe de Jared Loughner. Eu sou a mãe de Seung-Hui Cho. E esses meninos e suas mães precisam de ajuda. Na esteira de outra terrível tragédia nacional, é fácil falar de armas. Mas é hora de falar sobre doença mental.

De acordo com a revista Mother Jones, desde 1982, 61 assassinatos em massa envolvendo armas de fogo ocorreram no país. Destes, 43 dos assassinos eram homens brancos, e apenas uma era mulher. Mas este sinal inequívoco de doença mental deve nos levar a considerar quantas pessoas nos EUA vivem com medo, como eu.

Quando perguntei ao assistente social do meu filho sobre minhas opções, ele disse que a única coisa que eu podia fazer era conseguir com que Michael fosse acusado de algum crime. “Ninguém vai prestar atenção em você, a menos que alguém preste queixa”.

Eu não acredito que meu filho deva ir para a cadeia. Mas parece que os Estados Unidos estão usando a prisão como a solução. De acordo com a Human Rights Watch, entidade de direitos humanos, o número de doentes mentais nas prisões americanas quadruplicou de 2000 a 2006, e continua a aumentar.

Ninguém quer enviar um gênio de 13 anos, que adora Harry Potter, para a cadeia. Mas a nossa sociedade, com seu estigma sobre a doença mental e seu sistema de saúde falido, não nos fornece outras alternativas. E então, outra alma torturada abre fogo num fast food. Um shopping. Uma sala de aula do jardim de infância. E nós crispamos as mãos, dizendo: “Alguma coisa precisa ser feita”.

Concordo que algo deva ser feito. É hora de uma conversa de âmbito nacional sobre a saúde mental. Essa é a única forma de nossa nação realmente se curar.

Deus me ajude. Deus ajude Michael. Deus nos ajude.

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O massacre de Parkland, o herói americano e os estudiosos que não estudam.

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Sempre que um massacre acontece nos EUA os vampiros desarmamentista correm para se esbaldarem em sangue inocente. Não seria diferente desta vez com o ataque à escola em Parkland, Flórida. O maior problema, claro, é que a maioria sai dizendo o que lhe vem à cabeça, sem saber nem o mínimo detalhe do caso. Foi exatamente o que fez Marco Antonio Villa, comentarista da rádio Jovem Pan que, para não variar, atacou a extrema-direita, Bolsonaro e Olavo de Carvalho, mas covardemente o fez sem citar nomes. Defendeu, ao que parece, um “Estado forte” e o monopólio da força nas mãos do Estado. O historiador - estudioso que não estuda - deve desconhecer que isso sim é o princípio básico do fascismo e deveria, no mínimo, ler o imprescindível Hitler e o Desarmamento de Stephen P. Halbrook.

Já escrevi e falei muito sobre tais ataques e não vou aqui repetir tudo novamente. Deixo ao final deste texto uma coleção de artigos sobre o assunto, com informações preciosas e absolutamente necessárias para o entendimento correto desse assunto. Nesta confusão toda, com todo tipo de informação não confirmada tomando conta dos noticiários um nome me chamou a atenção: Aaron Feis!

Aaron Feis era treinador de futebol americano e segurança privado. Sem outra alternativa de confrontar o agressor – afinal escolas são Gun Free Zones – colocou-se na frente do assassino, criando uma barreira para proteger os alunos da escola. Recebeu diversos disparos e faleceu enquanto seus protegidos fugiam. Segundo preciosos, vidas salvas ao custo da sua própria. Mas não posso deixar de pensar: e se ele estivesse armado? Não tenho a menor dúvida que quem tem a coragem de renunciar a sua vida pelos outros não pensaria duas vezes em confrontar armado o psicopata e despido de utopias e ideologias ninguém teria coragem de não reconhecer que essa seria a única forma de parar o ataque letal. 

Não é sem motivo que de acordo com a pesquisa Gun Policy & Law Enforcement, realizada com 15.000 policiais, mais de 81% são favoráveis em treinar e armar professores, seguranças e outros profissionais nas escolas. Resultado nada surpreendente para quem reconhece o óbvio, ou seja, a polícia não é e nunca será onipresente e os malucos de plantão buscam atacar exatamente locais onde sabidamente não serão confrontados. Nesta mesma pesquisa 91% dos policiais apoiam que o cidadão porte armas para sua defesa e 86% acreditam que tragédias como as ocorridas em Newtown e Aurora, por exemplo, poderiam ter sido evitadas ou minimizadas se houvesse nos locais um cidadão armado e treinado. Provavelmente você nunca ouviu falar nessa pesquisa por aqui e nem vai, afinal vivemos no país do “nunca reaja” onde até comandante geral da Polícia Militar é assaltado e declara: “Não reagi, porque não se deve reagir a assaltos. É essa a orientação que passamos à população".  Desculpem o termo, mas é muita bundamolice! E o criminoso, o psicopata, o facínora segue justificado e pensando ter o direito de matar quem ousa desafia-lo. 

P.S. este texto saiu assim, de pronto, na pressa e sem revisão. Peço desculpas por possíveis erros. 

Textos complementares

Massacre de Las Vegas: sobre armas, leis e loucos

Nenhuma surpresa: Número de "Tiroteios em Massa" nos EUA usado pela imprensa é falso!

Em apenas um dia americanos compram armas suficientes para armar todo o Exército Brasileiro!

O ataque no Texas e as lições sobre armas, radicais e cristãos armados

Nos EUA gays, negros e esquerdistas se armam e para a imprensa a “culpa” é do Trump!


 

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Não sou candidato, não sou partidário, não sou cabo eleitoral. Minha missão é outra!

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Não vou dizer que tenho certeza disso, mas tenho fortes indícios de que há um problema gigante na luta entre direita e esquerda: a ideia de que a esquerda chegou ao poder única e exclusivamente pelo voto e, portanto, só é possível vencê-la única e exclusivamente pelo voto. A esquerda chegou ao poder ganhando corações, mentes e fígados, dominando o mundo acadêmico, as associações de bairro, as redações dos jornais, a produção de conteúdo para emissoras de rádio, redes de televisão, teatro e cinema, impondo seu discurso do monopólio da virtude e aprovou inúmeras leis através da atuação de grupos de pressão. Destes pontos defendidos pela esquerda o que mais se faz presente na minha vida nos últimos vinte anos é a questão da Segurança Pública, mais especificamente a garantia do monopólio da força nas mãos do estado e, consecutivamente, o almejado desarmamento da população. Portanto, ao meu ver, a eleição de representantes conservadores/liberais, fora do extenso espectro vermelho se dará, como já está ocorrendo, de forma reflexiva à mudança cultural e diante da narrativa liberal/conservadora. É exatamente pensando nisso que NÃO sou candidato a nada e não estou preocupado em fazer campanha para o candidato A ou B ou para o partido X ou Y. Minha missão continua sendo outra! 

Todo ano eleitoral surge o boato de que sairei candidato ou me filiarei ao partido tal. Todo ano há uma certa decepção – para o bem e para o mal – quando isso não ocorre e, neste ano eleitoral, será exatamente a mesma coisa. Lançar-me candidato, tornar-me partidário ou ainda cabo eleitoral só serviria para reduzir aquilo que – nada modestamente falando – faço de melhor: demonstrar que o desarmamento é uma enorme mentira e que o apoio a ele é ruim para todos, menos para os criminosos e para os defensores de um estado autoritário e absolutista. No momento em que você se lança candidato há que escolher um partido, escolher “um lado” e disso resulta a óbvia perda de tramitação entre outros partidos e outros políticos. Passaria a ser imediatamente concorrente daqueles que acreditam no mesmo que eu, uma estratégia nada inteligente para quem nunca quis alçar voos eleitorais, embora, confesso, pessoal e financeiramente seria bem interessante – única e exclusivamente – para mim mesmo.

Eu seria um imbecil se achasse ou defendesse a ideia que não é necessária uma bancada de direita, claro que é! E ela está surgindo. Em um primeiro momento de forma quase acidental com muitos deputados e senadores com perfil liberal/conservador, porém com inevitável contaminação ideológica e fortemente pressionados pela opinião publicada na grande imprensa, o que quase nunca reflete verdadeiramente na opinião pública. A Internet, as redes sociais, a interação desse pessoal com seus eleitores vem sendo o grande responsável por essa mudança. Há agora o surgimento de uma nova bancada de direita, essa sim com pensamento liberal/conservador de raiz, ou seja, se elegerão com o discurso que muito só adquiriram com o passar do tempo e a mudança dos ventos. Mas, novamente reafirmo, minha missão não é essa! Não é garantir a chegada ao poder desse pessoal e nem quero uma responsabilidade desse tamanho. Deus me livre! Tenho como objetivo garantir que essa garotada que está chegando por ai e vão chegar ao poder o façam com uma ideia clara sobre armas, restrições e desarmamento. Entenderam? É exatamente por isso que não me furto de conversar, palestrar, informar qualquer um que assim o deseje. Simples, assim! Ah! E reforçando: isso seria impossível como candidato a qualquer coisa!  

Fui recebido há poucos dias pelo Flavio Rocha, empresário presidente das lojas Riachuelo que, ao que dizem, pretende se lançar como candidato. Não falamos sobre isso, falamos apenas sobre segurança pública e sobre o absurdo de se impedir que um cidadão devidamente consciente e treinado tenha armas de fogo para sua defesa, ainda mais frente à falência do aparato estatal de segurança. Antes disso fui chamado para uma entrevista sobre o tema para o Movimento Brasil 200, capitaneado por Flavio. Aceitei imediatamente, da mesma forma que aceitaria e aceitei participar de programas da Globo News ou da Record, embora ambas as emissoras tenham posições francamente adversas com as minhas e em conformidade com a ideologia dominante. Após postagem dele em seu perfil do Facebook falando sobre o encontro e indicando o Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento, surgiram alguns ataques e críticas.

Coisa parecida ocorreu no passado quando aceitei ser entrevistado pelo João Doria, prefeito de São Paulo. Imaginaram alguns, na época, que o prefeito teria algum dom extraterrestre e eu sairia de lá fazendo o seu gesto padrão de “acelera”. Erraram mais uma vez e continuarão errando enquanto acharem que o que eu faço, ou deveria fazer, é política partidária… Oras, repito aqui: minha missão, escolhida por mim mesmo há vinte anos atrás, é levar informações e, digamos, um outro olhar sobre as políticas de segurança pública, transformar o desarmamento em assunto maldito e – olhem só! – isso está realmente acontecendo neste momento e não é fruto de geração espontânea. Muita gente trabalhou e trabalha sério em cima disso, eu sou, talvez, apenas o que ganhou mais visibilidade. Quantos daqueles que me seguem não conheciam o prefeito da maior cidade do país? Acredito que nenhum. Agora, quantos do seguidores e eleitores do prefeito nunca tinham ouvido alguém defender o direito à posse de armas com propriedade e conhecimento? Muitos! 

Em todos esses anos, vi dezenas de grupos, movimentos e associações surgirem e desaparecerem, todos com viés “mais ou menos” de direita. Já todos os de esquerda continuam aí, infernizando a sociedade brasileira. Com isso em mente, torço para que todos os de espectro liberal/conservador sobrevivam, mesmo não concordando com um ou outro ponto ou estratégia. Faço críticas? Faço! Mas de modo privado, uma vez que a esquerda que ainda domina quase hegemonicamente a imprensa tem espaço praticamente ilimitado para bater em público. Não sei se o Movimento Brasil 200, encabeçado por megaempresários, terá futuro, tudo depende única e exclusivamente de não repetirem os erros, por exemplo, do Movimento Cansei, surgindo mais ou menos nos mesmos moldes e triturado pela imprensa e pela opinião pública depois de permitirem que lhes colassem o rótulo de grupo elitista, que só estava preocupado em manter as regalias dos empresários “malvadões” e exploradores. Ver empresários saírem de suas tocas e bolhas ideologicamente assépticas é motivo para se comemorar. Vejam, por exemplo, como se mantêm as grande organizações e fundações da direita americana, não é com tapinha nos ombros…

Ponto interessante e que não posso deixar de comentar é que a maioria dos que me atacaram ou criticaram o fizeram única e exclusivamente por verem no Flavio Rocha uma tentativa de “roubar” votos da direita, ou mais precisamente do pré-candidato Jair Bolsonaro. Interessante é que mesmo criticado duramente – e de uma forma até bastante injusta – Bolsonaro afirmou em entrevista para revista Exame que Flavio Rocha teria espaço em seu grupo de apoiadores. Em vinte anos não conheci nenhum outro político com mais aversão à Realpolitik do que ele, sendo assim, sua declaração não me parece apenas fruto de interesse eleitoral. 

Durante décadas a direita reclamou da falta de representatividade e da falta de espaço para expor suas ideias, quando isso começa a mudar parte dela reclama que os novos apoiadores e os novos espaços conquistados são fruto de aproveitadores de última hora, que é por motivo eleitoral, blá blá blá. Desculpem minha franqueza, mas isso é falta de visão. Claro que oportunistas surgirão, e políticos farão o certo mesmo que por motivos errados, foi exatamente assim que a esquerda chegou onde chegou e a direita foi engolida. Em 2005, ano do referendo das armas, tínhamos apenas oito deputados federais que se posicionavam contra o desarmamento, hoje temos algo próximo de duzentos e essa bancada deve se ampliar na próxima legislatura. O que eu deveria fazer? Reclamar? Dizer: “Olha! São um bando de oportunistas, que em 2005 não se manifestavam” e seguir vendo os projetos de lei inúteis e ideológicos serem aprovados como ocorreu com o malfadado Estatuto do Desarmamento? Sei lá, para mim não me parece uma boa estratégia…

Já palestrei para liberais e libertários, mesmo sendo um conservador, estive com Jair Bolsonaro e seus filhos inúmeras vezes em eventos e bate-papos sobre segurança, escrevi artigo para o NOVO de João Amoedo, palestrei para o MBL e para gente que odeia o mesmo MBL e sei que nenhum deles acredita que eu devo me tornar partidário, cabo eleitoral ou apoiador de todas as suas outras causas e posicionamentos. Estou e sempre estarei disposto ao debate, ao esclarecimento, a ajudar, de forma argumentativa, a qualquer um, independentemente do partido, credo ou torcida desde que deseje se opor a essa política desarmamentista criminosa que nos foi enfiada goela abaixo. Eu não quero o seu voto, não quero troca-troca eleitoral, não quero cargo no governo, não quero persuadir ninguém a votar em ninguém. Minha missão é outra, pena que nem todo mundo entenda isso. E vamos em frente! 
 

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Calibres restritos para quem, cara-pálida?

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Quem me acompanha, assistiu minhas palestras ou já leu o Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento sabe que a criação dos tais “calibres restritos” pelo ditador Getúlio Vargas não tem nenhuma relação com Segurança Pública. Trata-se tão somente de controle social implantado pelo absolutista suicida que, aliás, só precisou de um reles revolver calibre .32 para sair da vida e entrar na história. Ficasse apenas na história o admirador do fascismo, já estaria ótimo, porém seus entulhos autoritários ficaram nas nossas vidas e seguem fazendo estragos. Temos como exemplo a Carta del Lavoro, também conhecida como CLT e a tal restrição de calibres que – oras bolas, vejam só que surpresa! – só atinge aqueles que cumprem a lei.

Hoje mesmo, dia 18/01, a polícia apreendeu na rodovia Presidente Dutra no Rio de Janeiro, dentro de um carro, nada menos que 19 fuzis e 41 pistolas. Todas as armas em calibres restritos, menos aos bandidos, claro! Enquanto isso um cidadão comum enfrenta uma burocracia interminável, proibitiva e elitista para comprar um simples revolver ou uma espingarda para ter na sua roça e, sabemos, na maioria das vezes tem o seu pedido negado, fato esse que já gerou inclusive um processo movido pelo Ministério Público de Goiás do qual tive a honra de participar ministrando uma palestra sobre o tema naquele órgão.

Recentemente o Exército liberou a compra de pistolas no calibre 9mm para policiais, na imprensa a gritaria foi generalizada, as barbaridades ditas por jornalistas e “especialistas” no tema seriam suficientes para erguer um monte Everest de bullshit. Escrevi um artigo sobre isso que foi inclusive republicado na página da DFPC – Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados – do Exército Brasileiro. Exército... É aqui que eu quero chegar. Sei muito bem das pressões políticas que ocorrem, ainda mais quando se tem como ministro da Ministro da Defesa um empedernido desarmamentista, mas tenho visto, nós últimos meses, um tratamento absolutamente diferenciado sobre o tema, muito diferente do que vi nos últimos 20 anos. Outro exemplo disso foi a regulamentação do Porte de Trânsito para atiradores esportivos. Palmas! Muitas palmas!

A restrição de calibres não passa, como já disse, de entulho autoritário que chegou até nossos dias e, convenhamos, já passou da hora de ser removido da sala! Além de tecnicamente não fazer nenhum sentido, de não trazer nenhum benefício para a Segurança Pública e de que os criminosos se armam cada vez mais com armamento moderno e de calibres muito mais eficazes sem qualquer dificuldade, nada mais justo que nós – e quando digo nós, obviamente estou falando dos não-criminosos - também tenhamos acesso a calibres realmente efetivos para defesa e não ficarmos reféns de calibres anêmicos. Sim, o Exército Brasileiro tem autoridade legal para acabar com essa restrição com uma simples canetada e mostrar que vê no Brasileiro trabalhador e honesto um aliado e não uma ameaça ao Estado Democrático de Direito.

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