O desarmamento na Venezuela e o desespero de quem defende ideias totalitárias

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O tal “socialismo do século XXI”, um mero slogan inventado por Heinz Dieterich – sociólogo e espécie de conselheiro informal do processo de bolivarianismo que contaminou boa parte da América Latina e de forma mortal a Venezuela –  está ruindo a olhos vistos. Miséria, fome, violência, autoritarismo e repressões violentas tomam conta do país, que até 2001 era o país mais rico da América do Sul.  Maduro, o herdeiro maldito do Chavismo, torna-se cada vez menos defensável, a não ser, claro, para boa parte da esquerda. Dentro desse contexto é fácil imaginar que pessoas, grupos e organizações tentam se distanciar de qualquer coisa ligada a Maduro, ainda mais quando se tem no passado, enterrado no porão, o apoio às políticas como a do desarmamento civil.

 

Se na extinta União Soviética vencedores ideológicos manipulavam fotos, reescreviam documentos e livros para obliterar a existência dos vencidos, hoje, a tentativa de se apagar publicações comprometedoras se dá em um simples clique. E foi exatamente o que fez o Viva Rio ao apagar de sua página a publicação na qual, orgulhosamente, estampava sua colaboração com o regime chavista, com o objetivo de implantar o desarmamento nos mesmos moldes brasileiros. Essa organização, cria de George Soros, não estava sozinha nessa empreitada, que contava também com a colaboração ativa de ninguém menos que a própria ONU através do Centro Regional das Nações Unidas para a Paz, Desarmamento e Desenvolvimento da América Latina e Caribe (UN-Lirec).  O problema para esses “reescritores” de fatos é que desaparecer com coisas da Web não é tão simples assim, e a postagem original ainda pode ser achada no site Web Archives. O vídeo, que ilustrava tal matéria, ainda se encontra no canal do YouTube da ONG.

 

Dá para piorar? Dá, sempre dá! Pior que a tentativa frustrada de enterrar o passado sombrio e vergonhoso de apoio aos ditadores Chávez e Maduro é negar que houve desarmamento naquele país. E foi exatamente o que fez o jornalista Reinaldo Azevedo por quem, confesso, já tive admiração no passado. Vejam o trecho:

 

“Os ‘grupos de autodefesa’ criados por Chávez fizeram da população civil umas das mais armadas do planeta. Aliás, os que defendem o fim do Estatuto do Desarmamento no Brasil em nome da chamada ‘autodefesa’ estão se alinhando com uma tese… chavista!!! O curioso é que tal discurso, em Banânia, tem origem na extrema-direita. No país vizinho, foi manipulado pela extrema-esquerda. Bastaria isso para evidenciar como uns e outros estão certos, não é mesmo? “

 

Entenderam? Para o jornalista não houve desarmamento na ditadura Venezuelana e nós, que defendemos o fim do criminoso Estatuto do Desarmamento, estamos do lado de Chávez et caterva! Mentalmente solto alguns palavrões (que não estamparei aqui) e chego à conclusão que para defender esse mantra sagrado do tucanato, algumas pessoas não pensariam duas vezes em aderir até à tese da terra plana.

 

Não é preciso muito para se comprovar que houve, sim, desarmamento implantado na Venezuela e que este é cópia quase fiel do que ocorreu no Brasil, iniciado por Fernando Henrique Cardoso em seu primeiro mandato como presidente. Tal notícia foi destaque em praticamente todos os portais e sites de notícias no Brasil, como o portal Vermelho.org, Exame, UOL e Veja. O destaque fica por conta da reportagem feita pela gigante Fox News, que ganhou legendas em português do pessoal do “Tradutores de Direita” e que você pode assistir clicando aqui .

 

Da mesma forma que a ditadura venezuelana buscou desarmar a população e seus possíveis opositores, tratou logo de armar milícias e aqueles que são fiéis ao ideário socialista, atitude que praticamente todos ditadores fizeram em maior ou menor grau, tendo como Hitler o seu expoente máximo, que usou a legislação controladora da República de Weimar para desarmar os eleitos inimigos do Estado Alemão e, óbvio, garantiu o armamento nas mãos do próprio Estado e de seus fiéis simpatizantes.

 

Até mesmo o armamento das milícias me cheira a um grande blefe de falastrões. As imagens, amplamente divulgadas por Chávez, onde milhares de milicianos aparecem com seus reluzentes fuzis FAL, mostram que estes estavam sem seus carregadores e, portanto, desmuniciados. Pode ser apenas para se evitar disparos acidentais por quem obviamente não tem proficiência com armamento? Pode! Mas não duvido boa parte disso seja pura encenação e, após os desfiles e fotos, o armamento voltou aos quartéis e arsenais oficias. Recentemente Maduro afirmou que ampliaria a milícia para quinhentos mil cidadãos e o Exército garantiria um fuzil para cada um. Difícil, muito difícil, imaginar meio milhão de voluntários armados, que literalmente não têm papel higiênico para limpar a bunda, defendendo o governo. Muito mais fácil seria ver um levante dessas pessoas, em tese armadas e treinadas, contra Maduro, que diferente de Chávez não possui qualquer carisma.

 

Afirmar que não houve desarmamento na Venezuela e que a luta pela legítima defesa é coisa de gente alinhada ao chavismo, ao autoritarismo ou ao totalitarismo, não se trata de um ponto de vista ou erro de interpretação, mas, sim, de uma enorme mentira insustentável de quem tenta não ser reconhecido por se alinhar com grandes desarmamentistas como Lenin, Stalin, Fidel Castro, Pol Pot ou Hitler. Pode dar piti, fazer birra, citar Machado de Assis e o escambau… Nada disso mudará a verdade de que quem se alinha às ideias chavistas são aqueles que defendem a manutenção do Estatuto do Desarmamento e o monopólio da força nas mãos do Estado; o resto é uma fraude desesperada de quem, no fundo, alinha-se ao que diz combater.

Em tempo e a bem da verdade: Jair Bolsonaro, diferentemente do que acusa falsamente Reinaldo Azevedo, jamais pregou a existência, criação ou manutenção de milícias armadas. Sua proposta é simplesmente devolver ao cidadão o direito à legítima defesa, direito esse ferido de morte pelo Estatuto do Desarmamento. Isso é exatamente a antítese daquilo que defendem os desarmamentistas, ou seja, não privilegiar certas classes ou grupos que continuam armados com as bençãos do próprio Estado, incluindo os criminosos que não dependem da legislação ou de burocratas.

As raízes da insegurança pública brasileira e a lição de Joaçaba

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Nesta última semana, juntamente com o deputado Rogério Peninha, autor do PL 3.722/12, que revoga o Estatuto do Desarmamento, fiz uma maratona de palestras em Santa Catarina. Foram quatro cidades em três dias agradavelmente corridos. Em ordem, palestrei em Dionísio Cerqueira, Chapecó, Joaçaba e Criciúma. Cada cidade, como quase sempre acontece quando viajo, me traz novas experiências, e me focarei aqui em duas delas.

 

 Em Dionísio Cerqueira pude constatar o descontrole absoluto de nossa fronteira com a Argentina, onde entrei e sai sem qualquer verificação, nem mesmo de documentos. Poderia estar fugindo do Brasil ou levando drogas para outro país que nada me impediria. No retorno, a mesma realidade. Na mala alguns potes de chimichurri, cervo em conserva, alfajores e algumas garrafas de vinho. Poderiam muito bem ser armas, munição e drogas. Para efeitos de fiscalização não haveria a menor diferença. Também foi nesta pequena cidade que, após a palestra, um capitão da polícia militar confessou que estava ali preparado para contestar o que os ditos especialistas em segurança pública repetem com exaustão; para isso havia trazido papel e caneta e anotaria todos os pontos contestáveis… Saiu com a folha em branco. Excelente sinal para uma palestra que eu estreava, onde, além do desarmamento, procurei analisar como o marxismo contaminou nossos gestores de segurança e catastroficamente nos trouxe até aqui.

 

O teste de fogo acabaria por acontecer em Joaçaba. O evento, capitaneado pelo Juiz de Direito Márcio Bragaglia, carinhosamente apelidado de “Mão de Bigorna” por conta de seu extremo rigor com os criminosos, ocorreu no auditório da UNOESC (Universidade do Oeste de Santa Catarina) e contou com um público de mais de 600 pessoas. O que me chamou a atenção e, confesso, encheu minha alma de temores, foi a presença maciça da elite da segurança pública daquela cidade. Estavam presentes juízes, promotores, delegados, oficiais da Polícia Militar, policiais civis e militares. Digo agora aliviado que, aparentemente, me saí muito bem, não recebendo qualquer contestação sobre minha explanação, mas sei que isso não aconteceu por acaso…

Nos últimos anos Joaçaba e regiões próximas implementaram uma política de segurança pública impermeável à ideologia reinante da qual falei longamente na palestra. As armas de fogo, por exemplo, não são tratadas como problema, mas vistas como simples objetos e o seu uso é o que importa. Assim, um sitiante com uma espingarda sem registro, pendurada na parede de casa não é tratado como um traficante com um fuzil. Nas palavras do delegado Regional de Joaçaba, Daniel Sá Fortes Régis: “Se um lavrador tem uma espingarda sem registro a responsabilidade não é dele e sim do legislador que tornou praticamente impossível o contrário”. Sim, eu também me espantei – e me alegrei! – com a clareza de pensamento da autoridade policial, clareza esta que, naquela região, não é só dele!

 

Outro exemplo que precisa ser conhecido é do Presídio Regional de Joaçaba onde vigora rigor máximo e ordem extrema. Não, não se trata de uma dessas masmorras que são chamadas de presídios no Brasil. Ali existe dignidade na mesma proporção que existe austeridade, tanto para os agentes quanto para os apenados. Nas celas não há um só risco nas paredes, os bloqueadores de celular funcionam plenamente e as drogas simplesmente não entram! Nunca vi nada assim no Brasil.

 

O juiz Márcio Bragaglia, que não por acaso é aluno de Olavo de Carvalho desde antes de se tornar um magistrado, implementou no presídio um programa absolutamente inédito no Brasil chamado “Reeducação do Imaginário”. Os presos são convidados a lerem, de forma conduzida, clássicos da literatura, escolhidos a dedo e com sequência obrigatória. São eles: Crime e Castigo, Coração das Trevas, Othello, Moby Dick, O Vermelho e o Negro, A Montanha Mágica, Paraíso Perdido, Macbeth, A Morte de Ivan Ilitch, O Senhor dos Anéis, Grandes Esperanças e Fahrenheit 451. Como explicado no artigo “Reeducação do Imaginário: 12 clássicos depois”, publicado no site Mídia Sem Máscara: “A seleção das obras se dá com base no encadeamento de temáticas relevantes aos objetivos do projeto: culpa e arrependimento, escolhas e consequências, responsabilidade pessoal, aprimoramento da percepção (inclusive de questões transcendentais), reflexão sobre a dor e sofrimento causado e suportado, fardos, preço e valor da liberdade”. O resultado disso? Menos de 5% de reincidência por aqueles que passaram pelo programa.

 

Enquanto outras cidades e regiões com o mesmo perfil apresentam um crescimento alarmante de todos os tipos de crimes isso não ocorre em Joaçaba, dados de 2015 ajudam a explicar o fenômeno:

  • Acréscimo de 336,84% no número de mandados de busca e apreensão representados e cumpridos em toda a região;
  • crescimento de 76,84% de prisões efetuadas;
  • 6,80% no acréscimo total do número de inquéritos policiais concluídos;
  • 100% dos homicídios solucionados.

Em reportagem à Rádio Catarinense, Dr. Régis manda um forte e inequívoco recado aos criminosos: “A região de Joaçaba, que já se sentia segura, não fugimos a nossa responsabilidade e o sujeito que vem para Joaçaba, está traficando, roubando, furtando pode ter absoluta convicção de que nós vamos prendê-lo”. E, pelos números acima, vemos que não se trata de discursos, mas, sim, de fatos.

 

Haveria muito mais sobre o que escrever, mas termino por aqui afirmando que saí de lá com esperanças renovadas e com a certeza de que uma segurança pública que funciona necessita imediato afastamento da ideologia dominante atual e integração de pensamento entre todos os órgãos da segurança. O cidadão armado deve ser visto como um auxiliar dessa segurança, a ilegalidade da arma está na sua utilização e não em um pedaço de papel expedido por um burocrata estatal. O que funciona para ressocialização é o choque de valores e ouso afirmar que só o conservadorismo pode salvar a segurança pública no Brasil.

Ladrões de ovelhas são encurralados por produtores e chamam a polícia!

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O fato, bastante curioso e ilustrativo, ocorreu no Arroio Queromana em Alegrete, cidade do Rio Grande do Sul. Dois acusados de abigeato – furto de animais do campo – foram flagrados enquanto tentavam cometer mais um crime e a bala comeu! Acabaram acuados em outra propriedade e sem saída ligaram para polícia dizendo que estava ocorrendo um tiroteio. Claramente sabedores da nossa legislação e como ela aconchega em seus braços muito mais os criminosos que suas vítimas, foram ouvidos na delegacia e liberados em seguida. Os policiais – a quem parabenizo efusivamente por não complicarem a vida dos produtores – não encontraram nenhuma arma. A notícia completa foi publicada no jornal Alegrete Tudo.

Não é a primeira vez que isso ocorre. Lembro-me de um episódio de muitos anos atrás onde um comerciante teve sua loja invadida durante a noite e efetuou um disparo de advertência colocando o gatuno para correr. Não contava a vítima que o criminoso ligaria para polícia e faria uma denúncia “anônima” contra o comerciante que acabou com sua arma apreendida e detido por posse ilegal. Sim, vergonhoso.

Assim que me deparei com o fato lembrei de uma vasta pesquisa feita em meados da década de 80 - e ampliada na década de 90 - pelos professores Peter H. Rossi e James D. Wright intitulada “Armed and Considered Dangerous: A Survey of Felons and Their Firearms”. A pesquisa, encomendada pelo Departamento de Justiça Americano, consistiu em um vasto questionário aplicado para 1.874 criminosos condenados e presos nos estados de Michigan, Missouri, Oklahoma, Minnesota, Nevada, Arizona, Florida, Georgia, Maryland, e Massachusetts.

Entre tantas conclusões de relevância uma delas é que a maioria - 57% - dos presos tinham muito mais medo de um cidadão armado do que de um policial. O caso de Alegrete, descrito acima, mostra o motivo... E não é só isso. Vejamos outros pontos levantados:

81% afirmaram que procuram saber antes se a vítima está armada;

74% dos bandidos afirmaram evitar entrar em residências onde sabem morar cidadãos armados;

40% disseram que deixaram de cometer crimes por medo de que a vítima estivesse armada;

56% disseram não abordar vítimas que desconfiem estar armadas.

Isso levando-se em conta que o questionário foi livremente preenchido pelos detentos que poderiam, por assim dizer, evitar expor suas fraquezas e o quanto pesa o efeito de dissuasão da posse e o porte de armas. Efeito esse que desapareceu no Brasil com o advento do Estatuto do Desarmamento dando mais segurança apenas aos criminosos.

 

Harvard afirmou que mais armas significam menos crimes? Não!

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Imagine que você entrou em um debate sobre a questão das armas e do desarmamento. Imagine que esse debate está sendo transmitido ao vivo para milhares, quiçá milhões, de pessoas. Você está vencendo de goleada. Entusiasmado, guarda para o final, para o último minuto, seu Super Trunfo e dispara contra seu oponente: “até a Universidade de Harvard já publicou um estudo afirmando que ‘Direito da posse de arma reduz criminalidade’”! Um leve sorriso aparece no rosto de seu oponente que vê a chance de destruir toda sua credibilidade conquistada durante o estressante debate e responde: “Não, meu caro armamentista, não existe nenhum estudo feito por Harvard nesse sentido e eu o desafio a mostrar esse documento, peço aos amigos que estão nos assistindo que procurem esse suposto estudo e sei que não encontrarão!” Pronto, tudo que você afirmou durante mais de uma hora é imediatamente envolto em uma névoa de desconfiança… 

Bom, mas quem está certo? Afinal, muitos que estão lendo isso já se depararam com afirmações sobre o tal estudo e não foram poucos que saíram repetindo e divulgando esse – possível – grande feito de uma das mais conceituadas universidades do mundo. Sinto dizer, mas quem está com a razão – pelo menos em parte – é o desarmamentista. Que ódio! Sim, eu também adoraria que esse estudo existisse e fosse ratificado por uma grande universidade, mas não existe!

Não é de hoje que venho abordando de forma discreta essa questão, mas infelizmente isso não foi suficiente para que essa falsa informação parasse de circular e deixasse de ser erroneamente usada. Não tenho dúvidas que o debate ficcional acima possa realmente acabar ocorrendo, por isso esse meu alerta.

O tal estudo na realidade é um artigo – excelente, por sinal! – intitulado “Would Banning Firearms Reduce Murder and Suicide?”, autoria de Don B. Kates e Gary Mauser. Os dois autores têm um extenso histórico crítico às políticas de restrição para posse e porte de armas. Mauser foi o primeiro e um dos únicos criminologistas canadenses a afirmar que a política de registro de armas longas no Canadá seria um fracasso. Com mais de uma década de antecedência anteviu o que ocorreria, já que em 2015 aquele país abandou definitivamente o processo de registro para armas longas, o que custou bilhões e não solucionou ou impediu um só crime.

A confusão, até onde consegui levantar, começou em 2015 quando um site chamado Beliefnet publicou o artigo “Harvard University Study Reveals Astonishing Link Between Firearms, Crime and Gun Control”. O site não deixava claro, muito pelo contrário, que o tal estudo era simplesmente um artigo publicado no Harvard Journal of Law & Public Policy, portanto não há qualquer relação direta ou mesmo anuência da Universidade para o seu conteúdo que, repito, é excelente.

Peço aos amigos e leitores que me ajudem a repassar essa informação adiante. Com a quantidade de dados, fatos, estudos, artigos e argumentos a nosso favor não precisamos e não devemos usar as armas dos desarmamentistas, ou seja, a desinformação, a falsidade, a enganação, a distorção e toda sorte de contorcionismo argumentativo para justificar o injustificável, fazendo exatamente como eles no tal “estudo” de Stanford.

Armas: Estudo produzido por professor de Stanford não passa de ilusão

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Nos últimos dias muitos amigos me enviaram uma reportagem publicada pela Vice que abordava um estudo da Universidade de Stanford que provaria que a ampliação do direito à liberação do porte de armas nos Estados Unidos estaria diretamente relacionada com o aumento de crimes violentos. 

Sempre que vejo uma matéria desse tipo já penso: “Bem, vamos ver onde está a mentira”. Desta vez não foi diferente. Entrei imediatamente em contato com o Professor John Lott, autor de diversos livros, entre eles Mais Armas, Menos Crimes e Preconceito Contra as Armas. O Professor apontou, de imediato, erros grotescos, distorções e falhas no modelo estatístico dos autores do tal estudo.

Primeiramente é necessário verificar que o surgimento da pesquisa não foi aleatório e ocorre exatamente quando a NRA – National Rifle Association – está processando o estado da Califórnia por desrespeitar a Segunda Emenda à Constituição Americana. Para quem não sabe, tal emenda garante ao cidadão americano a posse e o uso de armas de fogo. Obviamente a tese já foi convenientemente anexada ao processo em uma clara tentativa de influenciar a decisão da Suprema Corte.

Dentre os diversos problemas encontrados nas análises nada imparciais, temos a escolha, digamos, criteriosa de apenas alguns tipos de crimes, exatamente aqueles onde encontra-se um suposto crescimento após a aprovação de legislações mais permissivas ao porte de armas, e a exclusão, mui conveniente, de outros tipos como, por exemplo, o estupro, que aparece entre os crimes que mais reduziram, exatamente por conta da possibilidade de defesa das mulheres que hoje já somam 26% (2) de todos os portes de armas emitidos.

Tudo bem… Imaginemos que o estudo estivesse realmente certo e que as leis menos restritivas fossem responsáveis pelo aumento dos homicídios e de outros crimes cometidos com armas de fogo. A única possibilidade de tal fato acontecer é se os detentores do porte de armas estivessem cometendo esses crimes, correto? Porém, como aponta John Lott, isso simplesmente não está acontecendo. Vejamos abaixo alguns exemplos interessantes e que desmentem a causalidade entre liberação do porte e aumento desses crimes.

Minnessota nos anos 2015, 2014, 2013, 2012, 2011 e 2010 não teve um único porte de armas revogado porque o seu detentor foi condenado por assalto. Para melhor ilustrar, nenhum dos mais de 7.000 assaltos cometidos em 2015, nenhum, absolutamente nenhum, foi cometido por pessoas legalmente armadas. Parece-me bastante lógico imaginar que ninguém que pretenda cometer um crime requisitará um porte legal para isso, mas é sempre bom explicar...

E outros tipos de crimes? São cometidos por detentores de porte? Sim, porém são estatisticamente desprezíveis. Em 2015, no estado de Luisiana, foram registrados 25.208 crimes violentos, dentre esses apenas dezenove eram detentores de porte de armas e – atenção – nem todos os crimes envolveram armas, muitos acabaram em absolvição, como, por exemplo, cidadãos que agiram em legítima defesa. Mesmo que todos os dezenove crimes acabassem em condenação e estabelecimento da culpa, estamos falando de uma porcentagem de 0,08% dos crimes violentos. 

Os autores do estudo de Stanford afirmam que neste ano – 2015 – os crimes violentos cresceram 15,4% após aprovada a lei que liberou o porte. Como pode, então, 0,08% significar um crescimento de 15,45? Não pode! É impossível! Simplesmente não há como estabelecer um nexo causal entre uma coisa e outra!

Outro ponto importantíssimo é que mais de 70% dos condados que entraram no estudo tiveram nos últimos anos taxa zero de homicídios. Neste caso, o correto seria descartar esses condados do estudo comparativo, pois, por um lado, é impossível que se tenha uma taxa negativa de homicídios e, por outro lado, se houve um único homicídio, mesmo que sem qualquer relação à legislação permissiva, isso causaria profundo impacto na análise. 

Em resumo, nestes condados, é possível medir o crescimento, mas é impossível medir o decréscimo nos homicídios já que ele nunca ocorrerá e isso fere qualquer possível credibilidade das afirmações feitas pela “pesquisa”. Credibilidade que já não é das melhores, uma vez que erros no modelo estatístico e falsidades contidas em estudos passados dos mesmos autores jamais foram respondidas, mas simplesmente repetidas nesse “novo estudo”.

Como bem disse Lott em seu último artigo , a imprensa não pensa duas vezes em confrontar qualquer pesquisa que aponte os benefícios das armas na mão da população, mas faz exatamente o contrário quando o sentido é inverso. Há muito mais semelhanças entre a imprensa tupiniquim e a Yankee do que sonha nossa vã filosofia.

 

América Armada: Como o jornalismo ideológico destrói o debate verdadeiro

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A Pew Research Center, importante centro de pesquisas americano, divulgou recentemente uma ampla pesquisa, intitulada “America’s Complex Relationship With Guns”(1), sobre a posse, o porte e os proprietários de armas nos Estados Unidos. Como a imprensa brasileira noticiou o fato? Assim: “Mais de 80% dos americanos querem mais controle sob armas, aponta estudo”. Estadão, Exame e muitos outros veículos de informação saíram simplesmente repetindo a manchete da agência espanhola EFE(2), sem qualquer preocupação de checar se era verdade. E é? Não! Ou, pelo menos, não bem assim.

Primeiramente temos que ter em mente que hoje todos nos transformamos em consumidores de manchetes e, devido à quantidade de informação disponível, acabamos focando apenas e tão somente em meia dúzia de assuntos por quais temos mais interesse. Eu, por exemplo, nunca fui afeito ao futebol, portanto, quando passo meus olhos pelos sites de notícias, jornais ou revistas, no máximo bato o olho nas manchetes sobre o tema; se um jornalista diz que determinado time é o melhor daquele momento, tendo a aceitar isso como verdade.

A manchete estampada sobre o estudo em questão leva a entender que nos EUA a maioria da população quer – e exige – mais restrições e, quase inconscientemente, nosso cérebro pode chegar à conclusão que mesmo lá a população deseja controles muito mais rígidos ou até mesmo algum tipo de desarmamento. É esse o exato objetivo da matéria! Nada mais falso!

Uma recente pesquisa(3) do instituto Gallup confirma a falsidade da manchete. O que a pesquisa aponta é que a maioria apoia ou aceita algum tipo de controle, o que é bem diferente de querer ou exigir. Ora, isso é o óbvio! Afinal, quem em sã consciência vai querer que um criminoso reincidente ou alguém com sérios transtornos mentais possa entrar em uma loja e sair com um fuzil? Essa aceitação por controle é coisa velha e eu mesmo já falei dela no artigo “Como os democratas derrotaram o desarmamentismo de Obama”(4), no qual abordo a aproximação de Democratas e Republicanos nessa questão. Há um abismo entre o que aponta o estudo e a manchete divulgada, esta última trazendo, obviamente, um viés ideológico.

A íntegra(5) do estudo encontra-se disponível no site do Instituto. Em suas 79 páginas traz uma gigantesca quantidade de informações para quem quer entender de uma forma honesta, independentemente da posição que já tem sobre o assunto, a questão das armas de fogo na América. A pesquisa revela dados que podem dar subsídios para interpretações, análises e conclusões sobre esse tema eternamente em pauta no Brasil. Reduzir a importância de um material de tamanha relevância e riqueza de informações à guisa de impor uma ideologia antiarmas ou favorável ao desarmamento é empobrecer o debate e sonegar ao leitor informações, oposto do que deveria ser o papel do jornalismo.



1 http://www.pewsocialtrends.org/2017/06/22/americas-complex-relationship-with-guns/

2 https://www.efe.com/efe/brasil/sociedade/mais-de-80-dos-americanos-querem-controle-sob-armas-aponta-estudo/50000246-3306172

3 http://www.cadaminuto.com.br/noticia/294547/2016/10/27/pesquisa-gallup-confirma-americanos-nao-querem-mais-controle-de-armas


4 http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/como-os-democratas-derrotaram-o-desarmamentismo-de-obama-3dpsmcs6fvzn6uap460c7a1wn


5 http://assets.pewresearch.org/wp-content/uploads/sites/3/2017/06/22135403/Guns-Report-FOR-WEBSITE-PDF-6-21.pdf

A polícia desarmada continua sendo o sonho da esquerda de condomínio fechado

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A Folha de São Paulo (1), um dos maiores jornais do país, publicou mais uma reportagem em que aborda a morte de policiais e a tal “letalidade policial” em São Paulo. Desta vez aborda o assunto pelo viés desarmamentista da ONG Sou da Paz. Nada de novo no front para quem acompanha atentamente esse assunto nos últimos 20 anos.

Para o jornalista e para a ONG desarmamentista, o problema é o policial portar arma de fogo em sua folga. Em resumo: os policiais são acusados quando matam e até mesmo quando morrem. Afirmam que 70% dos policiais morrem durante seu período de folga ao reagirem ou intervirem em ocorrências criminais. Isso é fato, não discuto. As questões “esquecidas” e que deveriam estar presente obrigatoriamente se estivéssemos diante de um estudo sério “estudo” é óbvia: quantos policiais deixaram de morrer exatamente porque estavam armados e reagiram? Quantas vítimas foram salvas por policias de folga que não fizeram – usando um jargão policial – “olho de vidro”? Quantos criminosos foram presos e autuados por policias nessas condições? Claro, nada disso importa aos que não tem nenhum interesse em uma discussão verdadeira sobre o tema.

A ideia de uma polícia desarmada – e subjugada – é um velho sonho esquerdista, em especial se tratando das policias militares vistas como símbolo da “direita opressora”. A explicação é vergonhosamente simples: o ambiente policial, via de regra, é solo infértil para teses progressistas.  Não é de hoje que tentam de todas as formas impor aos policias restrições no que diz respeito à posse e ao porte de armas, mesmo para as instituições que até hoje sofrem com as imposições desarmamentistas do ditador Getúlio Vargas, tema que abordo mais profundamente em meu livro (2).

Triste - e grave - é ver teses como o desarmamento sendo encampadas por instituições policiais e guardas municipais pelo país. Há muitos exemplos disso pelo Brasil: O ônibus do Desarmamento em Alagoas, a parceria entre a Guarda Municipal de São Paulo e a ONG Sou da Paz, com a benção do prefeito João Doria (3) e ainda a Polícia Militar de São Paulo aceitando participar do Prêmio Polícia Cidadã da mesma organização (4).

Os efeitos dessas parcerias é a contaminação sistemática do pensamento policial onde o cidadão, mesmo legalmente armado, é visto como uma ameaça e não com um possível aliado na luta cada vez mais desigual contra os criminosos. Nesta semana mesmo, um amigo atirador esportivo, Vitor Oliveira, foi parado em uma blitz da polícia militar e mesmo com toda sua documentação em dia acabou levado para delegacia e foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma, chegando a passar algumas horas encarcerado junto com toda espécie de criminosos. Ele saiu apenas após pagar fiança e agora responderá a um longo e cansativo processo. Vejam o vídeo ao final deste texto.

Vitor, que conheço há anos, durante a abordagem teve que ouvir de um policial que se ele não era policial não tinha que estar armado. Mal sabe esse soldado que o mesmo pessoal que lhe incutiu essa ideia na cabeça, ele está nesse momento trabalhando fervorosamente para desarmá-lo também. É, tem gente que vai para cama do inimigo e nem percebe, enquanto isso a esquerda de condomínio fechado comemora a prisão de mais um cidadão honesto e chora quando um bandido morre em confronto com a polícia. Desarmar policias para que supostamente eles não moram é mais uma farsa desarmamentista e seria, em última instância, declarar o crime vencedor por WO. 

 

(1)    https://www.facebook.com/folhadesp/posts/1876791229029538

(2)    http://livraria.mvb.org.br/mentiram-para-mim-sobre-o-desarmamento

(3)    https://youtu.be/QEigxlTVx9k

(4)    http://www.soudapaz.org/o-que-fazemos/desenvolver/sistema-de-justica-criminal-e-seguranca-publica/policia/premio-policia-cidada

Irmão de Silas Malafaia quer proibir o porte legal de armas em shoppings

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Lá vou eu meter a mão em vespeiro, mas quando não fiz disso meu objetivo de vida?

Acabo de receber o projeto de lei Nº 2162/2016 (1) apresentado pelo deputado Samuel Malafaia, irmão de Silas Malafaia, e ao abri-lo fiquei realmente imaginando se aquilo não era algum tipo de brincadeira do amigo que me enviou. Trata o projeto da proibição do porte LEGAL de armas de fogo em shopping centers do Rio de Janeiro. Vejamos os quatro artigos iniciais:

“Art. 1° - Fica proibido, em todo o território do Estado do Rio de Janeiro, o ingresso e permanência no interior de shopping centers, de pessoas portadoras de qualquer tipo de arma.

Art. 2° - Os shoppings centers ficam obrigados a instalar detectores de metais em todas as portas de entrada, inclusive nos acessos do estacionamento para o seu interior.

Art. 3° - Os shoppings centers devem possuir, em suas instalações, guarda-volumes apropriado para o depósito de armas. Parágrafo único. A administração dos shoppings centers será responsável pelo acautelamento das armas, bem como da devolução aos respectivos portadores.

Art. 4° - Os shoppings centers deverão emitir, em duas vias, comprovante do recebimento das armas, onde deverão constar nome do portador, nº da autorização para porte de arma e respectiva data de validade, tipo de arma, nº de série, data e hora correntes e as assinaturas do portador e do responsável pela posse e guarda do estabelecimento.

Parágrafo único. Para reaver sua arma, o cidadão deverá devolver a sua via do documento que comprove o recebimento da arma descrito no artigo 2º.”

Um primor da ficção e descolamento da realidade que dominou nosso legislativo! Se aprovado, nem mesmo policiais poderão entrar e permanecer armados nesses estabelecimentos. Os problemas são tantos que - juro! - não sei nem por onde começar. O deputado quer transformara os shoppings centers em “gun free zone made in Brazil”, garantindo assim, não a segurança do frequentador, mas a de quadrilheiros, baderneiros e toda sorte de malucos!

Depois dessa só posso imaginar que a “família” Malafaia realmente está numa cruzada contra a legítima defesa. Silas se posicionou tempos atrás (1) favorável ao desarmamento do cidadão, mesmo andando com seguranças fortemente armados (2). O deputado federal Sóstenes(3) acompanha o chefe em suas posições e sempre que pode ataca duramente o PL 3722 que acusa – falsamente! – de ser um projeto que “vai armar todo mundo”. E agora vem o irmão e apresenta essa pérola... Bom, vou encerrando por aqui e deixo uma pergunta: Silas Malafaia não vai mais em shoppings cariocas cercados pelos seus seguranças ou será que alguns são mais iguais que outros perante a lei?

 

 

(1) -  http://alerjln1.alerj.rj.gov.br/scpro1519.nsf/1061f759d97a6b24832566ec0018d832/945db41207ed7d0b8325804b0060be99?OpenDocument

 

(2) - https://youtu.be/J7tVZXenuQw

 

(3) - https://youtu.be/yg4IOF0W_CU

 

(4) - https://www.facebook.com/deputadopeninha/posts/1593153514029911

Sobre policiais desarmados e o desarmamentismo bocó de Guga Chacra.

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Grande parte da imprensa brasileira adora odiar nossas forças policiais e incensar a polícia britânica. Os Bobbies não raramente são colocados como exemplo máximo de gentileza, presteza e eficiência. Desarmados, não oferecem riscos aos cidadãos pacíficos e ordeiros e, claro, possuem baixíssima letalidade. O problema é que isso tudo também vale para toda sorte de criminosos, incluindo terroristas!

Durante o último ataque de terroristas islâmicos na London Bridge, havia dezenas de Bobbies fazendo o policiamento. Porém, quando os ataques se iniciaram, e enquanto três terroristas esfaqueavam pessoas indefesas aos gritos de “Isso é por Allah! Isso é por Allah!”, nada puderam fazer. Pior ainda: muitos simplesmente deixaram o local dos ataques temendo, não sem razão, serem vítimas dos sanguinários carniceiros da fé. Correram! Fugiram! E como qualquer outro cidadão ali presente, esperaram que os policiais de verdade, aqueles armados, chegassem e aniquilassem as ameaças. A espera interminável para quem assistia a dantesca cena levou 8 minutos.

Logo após o ataque, o comentarista de política internacional, Guga “não-vamos-nos-precipitar” Chacra soltava mais uma pérola em seu Twitter: “Em Orlando e San Bernardino, onde terroristas usaram armas de fogo e não facas, o número de vítimas foi bem maior do que Londres”. Possivelmente, isso foi uma resposta à postagem do presidente americano Donald Trump que alfinetou a imprensa e os pacifistas ao afirmar também pelo Twitter: “Você percebe que não estamos tendo um debate sobre armas agora? Isso porque eles usavam facas e um caminhão!”.

Hummm... Guga Chacra, claro, escolheu a dedo dois ataques onde foram usadas armas de fogo em solo americano para perpetrar ataques terroristas e há aqui o fino da desonestidade. Primeiramente, escolheu ataques ocorridos nos EUA, “aquele país onde qualquer um comprar armas de guerra”, mas não ousou citar que ambos ocorreram em locais definidos como gun free zones, ou seja, onde ninguém pode entrar armado. Esqueceu também, o rapaz, de citar a série de ataques ocorridos na França que deixaram 130 mortos e mais de 300 feridos. O que os terroristas usaram? Armas! Fuzis russos AK-47 adquiridos em solo francês, onde vigora proibição para esse tipo de armas. Big surprise! Terroristas não seguem a lei! Quem poderia imaginar?

O comentarista ainda ignora, propositadamente, o ataque em Nice com 86 mortos e mais de 400 feridos. A arma? Um caminhão. Lembro-me ainda, sem ter que me esforçar muito, que na China, em 2014, terroristas islâmicos invadiram uma estação de trem em Kunming e deixaram um saldo de 29 mortos de 164 feridos. As armas? Facas! Para Guga Chacra, e boa parte da imprensa, o sangue na ponta das facas é menos vermelho e os mortos estão menos mortos.

Não posso deixar de citar ainda o mais extremo caso de morticínio onde não foram necessárias armas de fogo: o genocídio de Ruanda. Ocorrido em 1994, um milhão de pessoas da minoria tutsi foram mortas a golpes de facões comprados por 25 centavos de dólar da China.

 

A propósito, quantas armas de fogo foram necessárias para o ataque às Torres Gêmeas? Nenhuma! Bastaram algumas pequenas lâminas escondidas. Michael Moore, um dos mais doentios defensores das restrições para armas, mesmo ele!, não foi capaz de ignorar a verdade de que qualquer objeto pode se tornar uma arma mortal e após o fatídico 11 de setembro em NY, escreveu:

"Isto começou como um documentário sobre a violência com armas na América, mas o maior assassinato em massa de nossa história acabou de ser cometido - sem o uso de uma única arma! Nem um único projétil disparado! Nenhuma bomba foi explodida, nenhum míssil disparado, nenhuma arma (ou seja, um dispositivo fabricado especificamente e com o propósito único de matar humanos) foi usada. Um estilete! - Eu não consigo parar de pensar nisso. Mil leis de controle de armas não teriam prevenido esse massacre. O que estou fazendo?"

A verdade é que 100% dos ataques terroristas nos últimos anos foram executados por islâmicos que usam qualquer objeto como armas. Fuzis, carros, facas, panelas de pressão, produtos químicos, caminhões e aviões, mas não vamos nos precipitar, afinal, o que funciona mesmo é tocar Imagine, colocar hashtag no Facebook e impedir a autodefesa.

Canadá: o país “esquecido” pelos desarmamentistas

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Você já ouviu algo sobre as armas de fogo no Canadá? Provavelmente não. Por outro lado, diariamente somos bombardeados com pseudo-informação sobre essa questão nos EUA. O motivo? O Canadá pode ser considerado um dos melhores exemplos de como uma legislação muito pouco restritiva – para padrões tupiniquins – não é um problema. Mais armas significam mais crimes? O Canadá grita que não!

De forma resumida as armas no Canadá são classificadas (1) em três categorias:

1)            Não-restritas: armas longas (espingardas e fuzis de ferrolho em qualquer calibre). Essas armas não precisam de registro e podem ser transportadas sem qualquer autorização.

2)            Restritas: armas curtas (pistolas e revolveres) fuzis e espingardas semiautomáticos. Neste caso há obrigatoriedade de registro e seu transporte necessita de autorização prévia.

3)            Proibidas: Revolveres e pistolas com menos de 105mm de cano e fuzis e espingardas com canos menores que 660mm. O termo “proibidas” não diz relação à proibição total, mas a necessidade de autorizações especiais para sua posse e uso.

A aquisição é bastante simples, necessitando o comprador possuir um certificado de proprietário de armas de fogo, licença expedida após um curso ministrado pelas autoridades policiais, não possuir antecedentes criminais e em alguns casos comprovar sanidade mental. Tudo feito, quase sempre, pela própria loja que comercializa as armas. Sendo assim, qualquer canadense e até mesmo estrangeiros com visto de estudo ou trabalho podem facilmente comprar uma espingarda calibre 12 ou um fuzil calibre .308 Win, calibre praticamente de uso exclusivo dos bandidos no Brasil. Com um pouquinho mais de trabalho posso comprar uma pistola 9mm ou um fuzil semiautomático em calibre .223 Rem. Para vocês terem uma ideia basta visitar virtualmente algumas lojas (2) de lá para verificar a quantidade e diversidade de armas disponíveis.

Lembrando, grande parte dessas armas não necessita registro, ou seja, não ficarão vinculadas ao proprietário. A ideia de registrar todas as armas surgiu em 1995 e foi levada a cabo a partir de 2003. Foi um fracasso (3)! Milhares simplesmente se negaram em registrá-las, outros tantos fizeram registros em endereços diferentes de onde estaria a arma, o governo gastou bilhões de dólares e mais de uma década depois a polícia afirmou que não houve um só caso de homicídios elucidado por conta de tais registros. Em 2015 essa obrigatoriedade foi abolida para as armas “não-restritas”.

Detalhe importante é que a idade mínima para aquisição de armas é de apenas 18 anos e com uma licença especial menores podem usar armas para caça, prática de tiro ao alvo, instrução na utilização de armas e competições esportivas, podendo ainda comprar munições.

Estimativas feitas em 2011 pela UNODC apontam para um total de mais de 8,5 milhões de armas nas mãos da população. Não tenho dúvidas que esse número já tenha batido a casa dos 10 milhões uma vez que nos últimos anos houve uma explosão de interesse por armas e tiro esportivo fazendo que o número de armas restritas registradas ultrapassasse a casa do milhão (4). Levando-se em conta que a população do Canadá é de menos de 40 milhões de habitantes, não seria incorreto afirmar que há uma arma disponível para cada 4 habitantes! Uma das mais altas taxas do mundo.

Certo, milhões de armas circulando, boa parte sem qualquer registro obrigatório, poucas restrições para compra, sem restrição de calibres e, até onde pude verificar, sem qualquer limite de quantidade de armas ou munições, como fica a criminalidade violenta? Os homicídios? Pois, pois... Vamos lá!  Vejamos os números (5).

Mas onde fica a relação entre mais armas e mais homicídios, o grande mantra dos desarmamentistas? Não fica! Não existe! Mesmo com milhões de armas, os homicídios cometidos com as mesmas perfazem, em média, apenas 30% dos homicídios totais, perdendo para os esfaqueamentos e praticamente empatando com os espancamentos. Quem deseja matar, mata. Com a atual taxa de homicídios de menos de 2 homicídios por 100 mil habitantes e milhões de armas circulando, temos mais um exemplo inequívoco que não é, nunca foi e nunca serão as armas culpadas pela inoperância, pela incompetência e pela falta de políticas sérias voltadas à segurança pública.

 

1) http://www.rcmp-grc.gc.ca/cfp-pcaf/fs-fd/clas-eng.htm

2) http://www.firearmsoutletcanada.com/

3)  https://www.fraserinstitute.org/sites/default/files/Misfire.pdf

4)  http://www.cbc.ca/news/politics/guns-firearms-restricted-canada-1.4129994

5)  http://www.statcan.gc.ca/tables-tableaux/sum-som/l01/cst01/legal01-eng.htm

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